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ANDIMA lançará intervalo de preços em setembro

Como parte de seu projeto de Consolidação, Disseminação e Monitoramento de Preços no mercado secundário de renda fixa, que já conta com o Sistema de Difusão de Taxas, a ANDIMA está concluindo os preparativos para dar, em setembro, mais um importante passo no sentido da auto-regulação do segmento: a criação de um intervalo indicativo de preços para a abertura do dia seguinte. O anúncio foi feito pelo presidente Alfredo Neves Penteado Moraes no seminário Padronização, Transparência e Liquidez no Mercado de Títulos de Renda Fixa, que a Associação promoveu na terça-feira, dia 12, em São Paulo, reunindo cerca de 150 executivos do mercado financeiro.

Dividido em dois painéis, o evento contou com a presença do chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, João Henrique de Paula Freitas Simão, e do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública da STN, Guilherme Pedras. Em seu pronunciamento, Alfredo afirmou que o principal objetivo do intervalo de preços é o de criar um instrumento de auto-regulação, induzindo os associados da ANDIMA a operar dentro dos parâmetros estabelecidos, uma vez que a próxima etapa do projeto contempla o monitoramento tempestivo dos negócios efetuados no mercado de balcão. “Além disso”, completou o presidente, “à medida que esses parâmetros se consolidem como ferramentas gerenciais para algumas classes de investidores, espera-se que a burocracia regulatória diminua e que novos interessados ingressem no mercado de títulos, propiciando ampliação da liquidez e diversificação de estratégias”.

Mediado pelo diretor da ANDIMA Marco Antonio Sudano, o primeiro painel discutiu a liquidez sob a ótica dos agentes de mercado, tendo como debatedores José Henrique D’Elia, da Ativa Corretora; Maurício Wanderley, da Fundação Valia; Rodrigo Mello, do Banif - Banco de Investimentos Brasil; e Theodoro Messa, da Paineiras Investimentos. Já o segundo painel, coordenado pelo também diretor da Associação Reinaldo Le Grazie, analisou o tema sob a perspectiva do emissor e dos participantes que provêem infra-estrutura de registro e negociação, reunindo João Henrique Simão, Guilherme Pedras, Jorge Sant’Anna, da Cetip S.A., e Murilo Robotton, da Câmara de Ativos Financeiros da BM&F.

No que diz respeito aos avanços observados recentemente no mercado secundário de títulos, os participantes destacaram as condições macroeconômicas do país, a gestão e composição da dívida pública, padronização de cálculos e divulgação de preços de títulos públicos e privados, infra-estrutura para registro de operações e presença do Tesouro Direto como veículo de educação do investidor. Já com relação aos obstáculos ainda existentes, foram citados, entre outros, as elevadas taxas de juros nominais e reais, que mantêm a cultura do curto prazo e dificultam a migração mais significativa do DI para outros benchmarks; as limitações à realização de operações short; a restrição à atuação de pessoas físicas e jurídicas não-financeiras imposta pela tributação; e as atuações do Tesouro, nos leilões, e do BC, via operações compromissadas.

Falando pelo BC, João Henrique Simão ressaltou as iniciativas em favor da liquidez do mercado secundário desde a implantação do Sistema de Pagamentos Brasileiro, enfatizando as funcionalidades agregadas ao Selic para facilitar a compra e venda de títulos e o trabalho conjunto realizado com a ANDIMA, por meio do Comitê Consultivo do Selic. Da mesma forma, Guilherme Pedras destacou as medidas adotadas pelo Tesouro desde 1999 com o intuito de assegurar liquidez ao segmento, incluindo a padronização de vencimentos e divulgação de cronograma, isenção de IR para investidores estrangeiros e aprimoramento do sistema de dealers.

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