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Comitê de Acompanhamento Macroeconômico revisa projeções para 2009/2010 - 27/7/2009

O Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da ANDIMA, integrado por economistas de diversas instituições financeiras, está divulgando novas projeções para a economia brasileira em 2009 e 2010.


Cenários para a Economia - Julho/2009

Cenário médio

As medianas das projeções do Comitê sinalizam a manutenção de um ambiente de retração econômica em 2009. A estimativa do PIB para o ano é de uma variação negativa da ordem de 1,0%, o que representa uma melhora ante o valor apurado no final de abril (queda de 1,2 %), e que foi divulgado na publicação mensal Fonte ANDIMA. A esperada contração da atividade econômica e a consequente redução das pressões da demanda agregada se refletiram em uma projeção de inflação de 4,20% para 2009 - abaixo do centro da meta estipulada para o ano - e de um menor nível de taxas de juros, com a Taxa Selic para dezembro estimada em 8,75 % ao ano. Na comparação com os números divulgados em abril, houve mudança significativa na expectativa dos membros do Comitê no que diz respeito à trajetória do câmbio para 2009: as projeções de valorização do real aumentaram de 4,8% para 10,1%. Esse movimento se refletiu na melhora das projeções no mês de maio para o saldo da balança comercial, que passou para US$ 21 bilhões. Já o investimento estrangeiro direto permaneceu estável, em torno de US$ 22 bilhões. Com relação às projeções para 2010, o cenário do Comitê mostra uma recuperação do nível de atividade doméstica, com taxa de crescimento do PIB da ordem de 3,5%, conjugada com recuperação da indústria (3,9%) e menor nível de desemprego (8,9%). Nesse ambiente, a inflação esperada aumenta para 4,5%, o que justificaria uma elevação do patamar de juros ante o projetado para 2009, com a Taxa Selic para dezembro daquele ano estimada em 9,25%.

O debate sobre a economia mundial

Na avaliação do Comitê, a melhora de alguns indicadores da economia norteamericana, que contribui para diminuir o ritmo de deterioração da expectativa dos agentes, ainda não representa um ponto de inflexão capaz de indicar uma recuperação de médio e longo prazos da economia mundial. De acordo com os economistas, é necessário qualificar e contextualizar a trajetória desses indicadores, diante dos fatos econômicos registrados desde setembro do ano passado. Nesse sentido, reconhecem ter havido melhora na percepção do risco sistêmico dos mercados financeiros, a despeito do pessimismo quanto à expectativa de expansão do crédito por parte das instituições financeiras e deterioração da situação fiscal do governo norteamericano. Além disso, uma parcela significativa dos integrantes do Comitê considera que uma eventual recuperação de trajetória de indicadores da economia norte-americana estaria vinculada a um ciclo de estoques, o que levaria o nível de produção a um patamar superior ao registrado no início do ano, mas ainda longe de indicar um processo de recuperação. Outro argumento que reforça essa posição é a necessidade de recomposição do nível de poupança norte-americana, em face do efeito da grande contração de riqueza das famílias, o que compromete o consumo e, em decorrência, a trajetória da economia mundial. No que toca às economias europeia e japonesa, as expectativas são ainda mais pessimistas. No primeiro caso, existe a percepção de que o problema fiscal possa ser mais grave do que parece em determinados países do continente. Já com relação ao Japão, o que preocupa é a coexistência de uma crise financeira doméstica com a crise global. Quanto à China, não houve consenso no que se refere à magnitude dos principais indicadores econômicos daquele país para 2009. Para alguns economistas do Comitê, entretanto, a questão ficará mais clara quando for possível avaliar os eventuais custos que uma mudança do foco externo para o doméstico traria para a economia chinesa. Ao final dos debates sobre o cenário internacional, os economistas concordaram quanto ao fato de que está em curso um processo global de desinflação. Não obstante, há a constatação de que a desvalorização do dólar norte-americano vem fomentando uma inflação de preços de ativos financeiros, com possíveis reflexos nos preços das commodities. Esse movimento, reforçado pelas perspectivas negativas do quadro fiscal dos principais países, reflete-se em descolamento maior das expectativas de juros de curto e longo prazos.

Avaliação do cenário doméstico

Na análise do cenário interno, a principal preocupação do Comitê foi estabelecer uma distinção entre os eventuais movimentos de ajustes de curto prazo e as tendências de médio e longo prazos que se configuram para a economia brasileira. O grupo concorda que, a despeito de elevações pontuais, o balanço dos riscos de inflação para 2009 é favorável, não tendo sido constatada nenhuma pressão adicional capaz de se traduzir em um movimento inflacionário. Mesmo assim, alguns economistas observam que, ante a abertura do hiato do produto na economia brasileira - isto é, uma redução significativa da demanda -, a inflação poderia situar-se em patamar ainda mais baixo do que o atual. Parte do Comitê reconhece que os maiores riscos no tocante à trajetória da inflação residem em 2010, quando se espera um PIB mais perto do potencial e com consequências mais diretas no comportamento dos preços. Além disso, há uma preocupação quanto ao aumento dos gastos públicos correntes, em função das pressões inerentes a um ano eleitoral, que servirão como indicador importante para a avaliação das expectativas inflacionárias no próximo ano. No que diz respeito à retomada de liberação de recursos no mercado de crédito por parte das instituições financeiras, o Comitê considera que somente ocorrerá quando houver sinais mais claros de que o nível de inadimplência na economia estabilizou-se ou apresenta evidências de melhora.

Considerações finais

A despeito da provável redução dos juros no restante de 2009, os economistas do Comitê reconhecem que o grau de incerteza entre os agentes ainda é muito elevado. A forma e o ritmo com que os juros cairão deverão ser condicionados aos movimentos do nível de atividade ao longo do ano e seus reflexos sobre os preços.

Comitê de Acompanhamento Macroeconômico
Presidente: Marcelo Salomon - Unibanco

Assessoria de Comunicação da ANDIMA
Cláudio Accioli e Ana Cristina Freire
Telefone: (21) 3814-3838 - Fax: (21) 3814-3960
E-mail: assessoria@andima.com.br



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