O ESTADO DE S. PAULO

CDB escalonado atrai investidores

Estoque de títulos bancários cresce com busca por

aplicação conservadora que ofereça porcentual maior do CDI

Yolanda Fordelone

Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) tradicionais têm perdido espaço para opções mais inovadoras. Em busca de melhor rentabilidade, os investidores vêm optando por títulos cujas taxas de juros aumentam com o tempo, os CDBs escalonados. No segundo semestre, o estoque desses papéis subiu 46% até o dia 5 de novembro. O volume de CDBs pós-fixados, por outro lado, recuou 6% no mesmo período.

A taxa oferecida foi o fator-chave para a decisão de investimento do estudante de engenharia Felipe Nascimento. "Há um ano e meio, resolvi procurar uma aplicação para trocar de carro no fim de 2010. Num CDB pós-fixado normal, me ofereceram 90% do CDI. No escalonado, posso chegar a 98% do CDI ao final do período", diz o investidor.

Os CDBs escalonados têm vencimento em três ou quatro anos e a taxa oferecida evolui a cada seis meses. "É uma alternativa interessante em renda fixa porque dá um prêmio ao investidor de longo prazo", diz o professor de finanças do Insper Liao Yu Chieh.

Se para os clientes a opção escalonada é vantajosa por oferecer rentabilidade crescente, para os bancos é interessante pela previsibilidade de caixa. "Na maioria dos casos, o cliente espera até o final para obter maior retorno. E a tesouraria do banco consegue planejar melhor seus empréstimos", explica o gerente-executivo da diretoria de varejo do Banco do Brasil, Antonio Cássio Segura.

Apesar da taxa crescente, o CDB escalonado não é indicado para todos os investidores. "No curto prazo, o pós-fixado pode levar vantagem em relação ao escalonado, dependendo do relacionamento do cliente com o banco", diz o diretor da área de investimentos do Bradesco, Marcos Villanova.

Outro cuidado que deve ser tomado é o de observar se o CDB escalonado é retroativo - ou seja, se os recursos serão corrigidos pela taxa integral para o período completo da aplicação. Nos CDBs que não são retroativos, a maior taxa de juros do escalonamento costuma ser aplicada apenas nos seis meses finais do período de investimento.


ENTENDA

CDB - Título emitido por banco para captar recursos. Caso o banco quebre, a aplicação está protegida pelo Fundo Garantidor de Crédito até o valor de R$ 60 mil.

CDI - Título referente a operações de crédito entre bancos. Segue de perto a taxa de juros básica da economia (Selic), parâmetro das aplicações em renda fixa.

==============================***==============================

OPINIÃO - Como dar nó em pingo d'água?

Marco Antonio Rocha

Qual é o problema, afinal?, perguntam-se brasileiros instruídos, mas perplexos com esse imbróglio do câmbio. Até há pouco tempo o grande problema não era a falta de dólares? Não acumulamos uma imensa dívida externa por tomar dólares emprestados para pagar produtos importados, juros exportados e até compras de petróleo? Agora, o problema é o excesso de dólares? Mas isso é um problema?

Parece que é. Mas ninguém precisa se lamentar por não ser capaz de entender bem a questão. Os gurus do governo não estão menos perplexos. O caso deles é até pior, pois, sendo governo, teriam de fazer alguma coisa, ter uma solução, e não a encontram.

Em que consiste a charada?

Em parte, foi a crise financeira internacional que a acentuou, pelo fato de o Brasil ter-se tornado um bom lugar para se investir ou se guardar dinheiro, no mundo. Fugindo dos dólares por causa dos riscos de desvalorização e dos baixos rendimentos, o capital financeiro procura outros portos: os bancos brasileiros, que pagam juros muito mais altos do que os bancos internacionais; as bolsas do Brasil, que apresentam menor risco do que as bolsas internacionais; os nossos fundos de renda fixa, mais garantidos pelo governo brasileiro do que os fundos americanos, que puseram dinheiro alopradamente em coisas pouco rentáveis e em empréstimos a quem não podia pagar.

Sem falar nos investimentos diretos para projetos que estão se desenvolvendo no Brasil, muitos deles do setor público, no âmbito do PAC, do pré-sal, etc., outros de empresas privadas, que lançam suas ofertas públicas de ações (IPOs, na sigla em inglês) nas bolsas, como a do Santander. E sem falar, ainda, nos superávits da balança comercial.

Em resumo, é muito dólar entrando - mais do que saindo - e não há demanda interna para absorver as sobras.

Como o nosso câmbio é flutuante - as cotações flutuam no ritmo da oferta e da demanda -, o resultado é que a do dólar cai em relação à do real - já caiu mais de 26% até agora, neste ano. O que significa que o exportador brasileiro recebe cada vez menos reais pelos mesmos dólares que lhe pagam por sua mercadoria no exterior. Como suas contas aqui são em reais, com os fornecedores, os empregados, os bancos, o fisco, etc., e aumentam, os lucros do seu negócio vão diminuindo. A médio e longo prazos ele pode desistir de exportar, mas aí ficaria com outro problema, o de abrir brecha no mercado interno para colocar a parte da sua produção que vinha sendo exportada, o que certamente exigiria que diminuísse seus preços. Ou seja, trocaria seis por meia dúzia - queda de receita, de qualquer jeito.

A China tem um problema semelhante: excesso de entrada de dólares. Mas o câmbio na China não é flutuante, é fixo. Então, o exportador chinês recebe sempre a mesma quantia em moeda local, seja qual for a variação do dólar no exterior. Como o governo chinês ajeita isso? Bem, não é o primeiro nem será o último enigma com que a China desafia o mundo. Quem quiser, e tiver tempo, pode-se dedicar a responder à esfinge.

O enigma no Brasil tem outra face, a do importador. Leva vantagem, pois com o dólar valendo menos pode importar mais, pelos mesmos reais, e vender a sua mercadoria ao comprador brasileiro por aquele precinho camarada que já nem é mais chinês... é coreano. Em detrimento da mercadoria semelhante de produção nacional. O que significa menos trabalho para os brasileiros aqui e mais trabalho para os coreanos lá (ou aqui...).

Bom, o governo brasileiro poderia fazer o que já fez no passado: impor impostos verdadeiramente assassinos sobre produtos importados, principalmente os duráveis e semiduráveis. O brasileiro teria de se virar com o produto nacional. Haveria menos importações, de fato, com maior estímulo ao contrabando. E... sobrariam mais dólares no mercado interno, uma vez que muitos importadores deixariam de comprá-los - o que deprimiria de novo a cotação do dólar.

Então, é aquela velha história de se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Isso no terreno em que o governo se autoenclausurou.

Esse terreno é o das contas públicas. O governo aí armou a sua fortaleza e não quer nem de longe ouvir falar em corte de gastanças, redução de impostos e outros que tais.

É verdade que reduziu impostos neste ano para reanimar o consumo de alguns setores, mas não quis cortar gastos na mesma proporção, para não perder o cacife eleitoral, e criou um déficit que não pode ser mantido. Tanto é que os impostos cortados já estão voltando.

O que cria dificuldades para o exportador brasileiro não é propriamente a queda do dólar, que aumenta o preço das nossas mercadorias no exterior e reduz a receita em reais. É o custo de produzir a mercadoria. O chamado custo Brasil: impostos muito mais altos do que os dos concorrentes, juros muito mais altos também, custos de transportes também, custos de energia também, e por aí vai...

O Brasil tanto precisa de investimentos estrangeiros diretos que o presidente Lula foi a Londres para buscar mais. Se for bem-sucedido, aumentará o imbróglio cambial: criará mais dificuldades para os exportadores brasileiros, mais facilidades para os importadores, mais problemas de concorrência de produtos importados para a indústria nacional.

Isso mostra que não estamos diante de um imbróglio miúdo. Estamos sem uma estratégia de governo de médio e longo prazos e num joguinho de passes curtos de meio de campo, sem visão de gol. O ministro Guido Mantega vai propor ao Grupo dos 20 uma "coordenação mundial de políticas cambiais". Ou seja, que os 20 resolvam nossa charada. É um gênio.

Sabem quantas vezes isso já foi proposto - desde que Charles de Gaulle governou a França? Talvez umas 50. E sabem quantas vezes a proposta teve sucesso? Nenhuma.

==============================***==============================

Pobres já gastam 5% mais que ricos

Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do

Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste

Márcia de Chiara

Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. "Houve uma reversão", afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.

Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).

Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. "O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste", diz.

Nas contas dele, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.

Além disso, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu fôlego este ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê.

==============================***==============================

Classes D e E viram prioridade para empresas

Consumidor de renda mais baixa passa a ser mais atraente para o mercado do que o da classe C

Márcia de Chiara

A classe C, que até pouco tempo atrás era a mais cortejada pela indústria e pelo comércio, começa a perder a atratividade para as camadas inferiores, as classes D e E, que ainda têm pouco acesso ao crediário e a renda menos comprometida com outras despesas, como internet, TV a cabo e prestações do crédito consignado.

Segundo pesquisa da LatinPanel, a classe C das regiões Norte e Nordeste, que tem renda mensal familiar entre quatro (R$ 1.860) e dez salários mínimos (R$ 4.650) gastou nos últimos 12 meses até setembro deste ano R$ 5,46 bilhões com alimentos, bebidas e artigos de higiene e limpeza. Essa cifra é 35% menor que a desembolsada com esses mesmos produtos pelas camadas A e B da população que vive na região Sudeste.

"As classes D e E passaram a ser olhadas com mais carinho pelos empresários porque estão saindo do estágio de consumo de subsistência", afirma o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

Isael Pinto, presidente da General Brands, que produz sucos em pó e pronto para beber, já detectou o potencial desse novo mercado. Faz um mês que a companhia, que é dona da marca Camp, lançou um novo suco em pó. Batizado de Fructos Plus, o suco é voltado para a baixa renda do Norte e Nordeste.

O pacotinho de 20 gramas do novo suco em pó custa entre R$ 0,39 e R$ 0,45 no varejo e rende dois litros do produto já adoçado. O saquinho de 35 gramas da marca Camp, mais voltada para as classes B e C, sai por R$ 0,59 no varejo e rende um litro de suco, também adoçado.

"Idealizei esse novo produto quando estava numa vendinha numa cidade do interior do Maranhão, num dia em que a temperatura passava de 35 graus", diz o empresário. Ele conta que observou uma senhora pobre fazendo as contas de quanto iria gastar para comprar suco para os seis filhos. "Percebi que havia uma oportunidade de mercado para um suco mais barato e com maior rendimento."

O resultado dessa percepção do empresário já se traduz em números. No primeiro mês, já produziu e vendeu o pó para fazer o equivalente a 7,2 milhões de litros de suco. "O resultado nos surpreendeu. Já penso em montar uma fábrica no Nordeste", diz Pinto. Ele conta que o desempenho das vendas de todos os produtos da companhia para as classes De E no Nordeste é três vezes superior ao registrado nas classes A e B no Sudeste. Além dos sucos, ele fabrica chiclete e outros confeitos.

A Perfetti Van Melle, fabricante da bala Mentos, é outra indústria que acaba de colocar no mercado produtos feitos sob medida para as classes D e E do Nordeste. Tatiana Checchia Gonçalves, gerente da marca Mentos, conta que lançou quatro sabores da bala em embalagens menores: no lugar de 14 unidades são 11, o que reduz em 27% o preço do produto.

Antes mesmo de desenhar produtos com características específicas para a região, a empresa já vem colhendo bons resultados de vendas no Nordeste. No bimestre agosto-setembro, as vendas de dropes, pastilhas e caramelos da companhia no Nordeste cresceram 46% em valor na comparação com igual período do ano passado, enquanto na região Sudeste o acréscimo foi de 8%, nas mesmas bases de comparação.

Christine Pereira, diretora da LatinPanel e responsável pela pesquisa de consumo domiciliar, ressalta que há muitas oportunidades na região Norte e Nordeste para as indústrias de alimentos e produtos de higiene e limpeza. Ela cita como exemplo cinco produtos que ainda têm pouca presença na cesta de compras da população local de menor renda em relação ao restante do País. São eles: creme de leite, leite condensado, maionese, molho de tomate e amaciante de roupas.

==============================***==============================

''Onde tiver promoção, vou atrás'', diz aposentado

Consumidores do Norte e Nordeste vão 17 vezes

por mês ao supermercado, três vezes mais que a média

Angela Lacerda

Os consumidores do Norte e Nordeste do País vão 17 vezes por mês ao supermercado, três vezes a mais que a média dos brasileiros, aponta a pesquisa da LatinPanel. A maior frequência de compras tem motivos: aproveitar as promoções e fazer o dinheiro render mais.

Severino Francisco da Silva, de 69 anos, ascensorista aposentado que vive no Recife (PE), vai ao supermercado pelo menos três vezes na semana. Prefere comprar "picado", levando o que falta em casa, e aproveitando as ofertas. Ele trabalha como porteiro - noite sim, noite não - e sempre observa o que está faltando.

Com um passado sofrido e marcado pela necessidade, quando trabalhava como cortador de cana em Macaparana, na Zona da Mata, gasta a maior parte da renda familiar, em torno dos R$ 1,6 mil, no supermercado. "Gosto de ver a cozinha sortida."

Na quinta-feira, ele estava no supermercado Todo Dia, no bairro popular de Afogados, onde mora, para comprar leite em pó integral, que estava em oferta. "Onde tiver promoção, vou atrás."

Segundo Severino, que também deixa um porcentual razoável da renda na farmácia, tudo começou a melhorar quando veio para a cidade (Recife), em 1986. Arranjou logo um emprego, conseguiu comprar uma moradia e os 8 filhos vivos, dos 15 que teve, foram se ajeitando. Hoje tem prazer em ter fartura. Até porque "casa de pai é coisa boa" e sempre tem um filho chegando para comer.

Como Severino, Glaucineide Severina de Souza, de 27 anos, dona de casa e mãe de quatro filhos, também aproveitou a oferta do leite em pó na última quinta-feira. Levou várias "bolsas", como chama os pacotes do produto, que segundo ela, é tão imprescindível como o feijão e o arroz. Com quatro filhos, ela vive do salário do marido, em torno de R$ 600,00, e recentemente passou a receber o benefício do Bolsa-Família, que lhe acrescenta R$ 134,00 mensais. "Lutei quatro anos para conseguir", diz ela que também incorporou à sua lista de compras novos itens, como catchup e maionese. Nos dias em que a geladeira e a despensa estão mais vazias, ela costuma usar catchup puro no pão, como substituto de manteiga.

PERCEPÇÃO

Os consumidores das classes A e B do Sudeste perceberam o avanço no padrão de consumo da população de menor renda, enquanto as suas compras ficaram praticamente estagnadas. Ana Maria Lacerda Teixeira, de 60 anos, casada e com dois filhos, diz que manteve o padrão de compras, mas notou que a vida da faxineira melhorou. O valor da diária subiu de R$ 50 para R$ 60.

O economista Celso Bugni, de 52 anos, observou que a sua empregada melhorou o padrão de vida. "Ela alugou uma casa melhor e comprou vários eletrodomésticos." Além da inflação baixa, Bugni também colaborou para a ascensão com um aumento de 10% no salário. "Acho bom que ela tenha melhorado. Diminuiu a desigualdade social."

==============================***==============================

Cada R$ 1 a mais vai para alimentação

Aumento do consumo é decorrente de melhoria no emprego e na renda

Com mais dinheiro no bolso, a baixa renda, que tem enormes lacunas no consumo de itens básicos, vai direto às compras, especialmente de alimentos, quando tem R$ 1 extra. Tanto é que o gasto com comida pesa 30% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE, que mede a inflação das famílias mais pobres, com renda de até cinco mínimos.

Já no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, que apura o custo de vida das famílias com renda de até 40 salários mínimos, o desembolso com alimentação representa 22% do indicador.

"O consumo de bens das classes A e B é mais maduro", observa o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Isso significa que, quando há ganho de renda nos estratos mais abastados da população que já têm as necessidades básicas supridas, crescem os gastos com serviços. "Essa população viaja mais e come mais fora de casa", exemplifica.

Para o coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, os dados da LatinPanel são consistentes com os resultados da última pesquisa de estratificação das classes sociais no País feita pela FGV. Nos últimos 12 meses encerrados em julho deste ano, a parcela da população com renda mensal superior a 3,5 salários mínimos nas seis regiões metropolitanas cresceu mais no Nordeste do que no Sudeste, sendo mais forte o avanço nas periferias de Recife (PE) e Salvador (BA), em detrimento das capitais. "O Nordeste está melhor que o Sudeste e as periferias que as capitais", afirma Neri.

Ele destaca, porém, que esse avanço na escala social não é só resultado de programas de benefícios do governo. "A renda do trabalho também está crescendo no Nordeste", diz o economista da FGV. Entre 2003 e 2008, a renda do trabalho e a renda total no Nordeste aumentaram coincidentemente 7,3% ao ano, enquanto no mesmo período no País a renda como um todo aumentou 5,3% ao ano e a renda do trabalho, 5,1% ao ano. O fato de esse ganho de renda não ser apenas fruto de benefícios sociais, mas da renda do trabalho, dá sustentabilidade ao processo, observa Neri.

De olho na continuidade desse movimento de ascensão das classes D e E no mercado de consumo, o Walmart, o maior varejista do mundo e que atua no Brasil nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, concentrou neste ano os investimentos no Nordeste. Das cerca de 100 lojas abertas em 2009, a maior parte está localizada nessa região.

"A base da pirâmide social vive hoje um momento especial", afirma o vice-presidente executivo da rede no Brasil, Marcos Ambrosano. Segundo ele, o apetite de consumo das classes D e E não está restrito a alimentos. "Está crescendo expressivamente neste ano a venda de computadores nas lojas Todo Dia." A bandeira Todo Dia são lojas de desconto voltadas para a baixa renda.

==============================***==============================

ENTREVISTA - ''Não deixem mercado ditar o câmbio''

Ganhador do Nobel em 2001, Spence defende controle de

capital e fala do novo documento da Comissão do Crescimento

Fernando Dantas

Para Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia, o Brasil não deveria deixar os mercados, "como o seu histórico recente de fazer tudo errado", determinar livremente o valor do real. Ele defende mecanismos de controle de entradas de capital para evitar a sobrevalorização cambial.

Spence, que ganhou seu Nobel em 2001, junto com Joseph Stiglitz e George Akerlof, está à frente da chamada Comissão do Crescimento (Growth Commission), um painel de economistas do mundo todo (incluindo o brasileiro Edmar Bacha) que elaborou um relatório de recomendações para países emergentes sobre como obter o crescimento rápido e sustentado por longos períodos. O relatório foi divulgado em junho de 2008, logo antes da crise, e foi visto como uma versão flexibilizada do Consenso de Washington, combinando crença nos mercados com maior destaque ao papel do Estado.

Agora, a Comissão acaba de divulgar um novo documento, que atualiza o relatório à luz das lições da crise global. O novo relatório recomenda que os países emergentes garantam parte do mercado financeiro para as instituições nacionais, e que sejam restritivos em relação aos produtos financeiros complexos que deflagraram a crise no mundo desenvolvido. A seguir, a entrevista:

Como o sr. vê a questão da sobrevalorização cambial em alguns países, como o Brasil, na saída da crise?

Todos os países em desenvolvimento que tiveram alto crescimento, sustentado por um longo período, administraram as suas moedas em alguma medida. Especialmente num ambiente volátil como o atual, faz todo o sentido fazer algum julgamento sobre quais são os níveis razoáveis. É claro que se pode exagerar, mas não acho que a coisa mais sensata a se fazer seja apenas ficar sentado e deixar os mercados de capitais, com o seu histórico recente de fazer tudo errado, valorizarem a sua moeda. Há várias formas de se intervir: pode-se tributar os fluxos de capital, com taxas que caiam se o dinheiro permanecer algum tempo, e pode-se aumentar as reservas e investir no exterior, invertendo o fluxo de capitais, como a China faz.

E o que há de ruim na valorização?

Basicamente, reduz-se o crescimento. No caso brasileiro, acho que um dos maiores desafios é manter os recentes avanços no mercado de trabalho para pessoas que são pobres. Uma boa parte do crescimento dos países em desenvolvimento deriva de empregar em melhores postos de trabalho pessoas que estão em atividades de produtividade muito baixa. Num país com a renda do Brasil, boa parte disso se dá em setores que atendem o mercado doméstico, mas o setor exportador ainda é suficientemente importante para que se deva tomar cuidado com oscilações muito fortes da moeda. Porque, se os investidores tiverem a sensação de que o câmbio é muito volátil, adiciona-se mais um risco e se desincentiva o investimento.

Quais são as novas recomendações para o setor financeiro dos países emergentes?

Em primeiro lugar, apesar de ser bom que um país tenha instituições estrangeiras no seu setor financeiro, o que se viu nessa crise é que essas instituições basicamente obedecem ao governo e ao banco central dos seus próprios países. Assim, se tiverem uma presença grande demais num determinado país, elas não atuarão como parceiras do governo local, da mesma forma que as instituições nacionais o farão, na hora em que o país implementa sua estratégia para lidar com a crise. A segunda recomendação é que nós realmente não conhecemos aqueles ativos complexos que levaram à crise nos países ricos, e que deve-se ir devagar com eles. Uma fator positivo dos países em desenvolvimento nessa crise é que a presença desses ativos complicados era quase nenhuma, desprezível. Foi uma coisa boa que eu manteria.

O sr. teme que a crise leve à rejeição do modelo de crescimento baseado na abertura para os mercados globais, defendido nos relatórios da Comissão do Crescimento?

Bem, a nossa visão foi de que houve uma enorme falha nos sistemas financeiros dos países avançados. De fato, ela poderia ser interpretada como uma falha mais ampla dos mercados e do capitalismo, e nos preocupamos com isso. Mas eu não acho que, entre os maiores e mais bem-sucedidos países em desenvolvimento, vá haver uma grande mudança na orientação da política econômica. Esses países hoje têm um entendimento bem profundo sobre a importância do dinamismo do setor privado para puxar o crescimento, e sobre o papel do governo de garantir um ambiente estável para que aquilo ocorra. Eu suspeito que, se houver erros desse tipo, é mais provável que eles aconteçam em países pobres, nos quais o modelo de crescimento não está muito bem estabelecido ainda e onde a política e a economia política são menos estáveis.

Por que esses países são mais vulneráveis?

Porque eles realmente não têm os mecanismos de defesa e as vantagens que países como o Brasil têm, como um governo que pode gastar mais dinheiro, esquemas de redistribuição de renda, um banco central altamente competente, um setor privado vibrante. Eu acho que Brasil, China e Índia terão uma recuperação muito boa, mas estou mais preocupado com alguns dos países menores e mais pobres.

Qual o risco de um retorno do protecionismo no mundo pós-crise?

É uma reação compreensível. Quando você diz aos cidadãos de um país que vai haver um grande déficit público, e que os filhos deles vão pagar no futuro por isso, as pessoas podem até concordar, mas desde que os benefícios do impulso fiscal retornem para o próprio país, e não se transformem em importações. Um dos grandes desafios pós-crise, portanto, é o de evitar que isso aconteça. O G-20, que se tornou uma grande voz de coordenação de políticas econômicas, posicionou-se contra o protecionismo, o que é muito bom. Outro problema é que os países vão disputar "market-share" (parcelas de mercado) nessa saída da crise. Há um déficit muito grande na demanda agregada global, porque o consumidor americano está poupando mais, por causa das finanças familiares deterioradas. Assim, as estratégias de crescimento de todo mundo não podem dar resultado ao mesmo tempo. Nesse jogo de ganhar market-share, Brasil, China e Índia devem se dar muito bem. Mas outros países, menos bem sucedidos, podem apelar para o protecionismo. Dessa forma, recuperar a demanda agregada global também evita o protecionismo.

==============================***==============================

G-20 diverge sobre reforma do sistema financeiro

Com a crise internacional chegando ao fim, países

como EUA e China passam a expor suas diferenças

Jamil Chade

A China e Estados Unidos trocam farpas e evidenciam que, à medida em que a crise dá sinais de estar perdendo força, crescem as divergências entre os países do G-20 sobre como lidar com a reforma do sistema financeiro internacional. As diferenças ainda ocorrem à medida que, nos bastidores, os técnicos trabalham para tentar garantir, até o fim de 2009, o estabelecimento de um novo padrão sobre a liquidez dos bancos e, em 2010, um pacote global com novas regras para as instituições financeiras.

Durante o fim de semana, ministros de Economia se reuniram na Escócia, enquanto ontem começou na Basileia o encontro dos maiores bancos centrais do mundo, com a presença do presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles. Sob condição de anonimato, um dos participantes revelou ao Estado que o clima é de uma divergência cada vez mais pronunciada.

A China vem sendo atacada pela desvalorização de sua moeda, o que está ajudando suas exportações. Mas cria um desequilíbrio ainda maior na economia mundial. Pequim deve terminar o ano como o maior exportador do planeta.

Pequim rejeitou as críticas e intensificou a troca de acusações, principalmente contra os países ricos. Para o presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve reforçar seu trabalho de monitoramento dos mercados financeiros e de política econômica nos países ricos. Quer ainda que países que contam com moedas que servem de parâmetro mundial se ocupem em não deixar que haja volatilidade.

Com isso, Pequim manda uma mensagem clara: no lugar de criticar a China, os EUA devem se preocupar mais em evitar uma desvalorização do dólar, freando uma nova desestabilização da economia mundial. Tanto na Europa como na América Latina e Ásia, a desvalorização do dólar vem tendo um impacto importante.

Outra divergência ainda foi criada a partir da ideia do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, de taxar operações financeiras. O tema ficou para ser discutido até abril. A proposta foi rejeitada pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner. "Isso não é algo que estamos dispostos a apoiar", disse na Escócia, no sábado.

Na Europa, Reino Unido, França e outros governos afirmam estar dispostos a conversar sobre o tema. A ideia seria a criação de um mecanismo que permita que uma espécie de fundo seja coletado para ser usado em caso de necessidade pelos bancos. Assim, pacotes bilionários não precisariam vir dos bolsos dos contribuintes.

Geithner prefere que o pagamento de pacotes seja feito pelos próprios bancos que se beneficiaram da ajuda, uma vez que a crise tenha sido superada. Mas Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu e porta-voz dos BCs na Basileia, indica que poderia aceitar a avaliação de alternativas de taxação sobre bancos. Mas há quem tema que a iniciativa europeia seja uma medida "populista" para ganhar a simpatia de eleitores.

Enquanto governos se enfrentam sobre qual deve ser a melhor estratégia, o Conselho de Estabilidade Financeira tenta manter seus trabalhos para encontrar uma nova moldura para o sistema.

==============================***==============================

Bancos tentam escapar de regras

Alerta é do conselho responsável pela reforma do sistema

Jamil Chade

Os maiores bancos do mundo estão exageradamente otimistas em relação a sua própria recuperação, tentando, assim, driblar futuras regras de controle de capital e distribuição de bônus. O alerta foi feito pelo Conselho de Estabilidade Financeira, entidade com sede na Basileia e que serve como local de elaboração de estratégias sobre a reforma do sistema financeiro.

O Conselho, porém, admite que é cada vez mais difícil sustentar a tese de que é necessário manter os pacotes de socorro por parte de governos para o setor financeiro. A tendência, a partir de agora, seria a de "intervenções" mais específicas.

O problema é que alguns bancos estariam se aproveitando da situação para dar por concluído seus acordos com governos e, assim, evitar as condicionantes de reforma das regras do sistema financeiro. Por isso, para a entidade, os BCs devem estar atentos à pressa de alguns bancos de querer sair de programas de recuperação.

O Conselho chegou a essas conclusões depois de avaliar a situação das 20 maiores instituições do mundo. Desde setembro de 2008, mais de US$ 500 bilhões foram usados por entidades financeiras para limpar créditos podres e, em alguns casos, evitar o colapso.

Para o Conselho de Estabilidade Financeira, os controles de risco exigidos pelos reguladores precisam ser reforçados ainda mais para que os problemas sejam superados. O trabalho de modificação de leis ainda não estaria em um nível satisfatório. A entidade ainda alerta que executivos dos maiores bancos acreditam que estão cumprindo as exigências estabelecidas pelas autoridades. Mas a realidade não seria como afirmam os executivos.

A entidade aponta que muitos bancos ainda não conseguiram chegar a uma conclusão de quais seriam seus níveis aceitáveis de risco, um ano após a explosão da crise. Outro problema é que o sistema de compensações e de bônus estão em conflito com os objetivos de controle dos bancos.

Os reguladores anunciaram que vão formular as novas regras de compensações de executivos de bancos até março de 2010.

==============================***==============================

Baixa renda é alvo de seguradoras

Lei do Microsseguro, que ainda será votada no Congresso,

deve atender um mercado de 100 milhões de pessoas

Paula Pacheco

As seguradoras começam a se preparar para atender a população brasileira de baixo poder aquisitivo. A Lei do Microsseguro, como tem sido chamada, ainda tem de ser votada pelo Congresso e só deve sair do papel em 2010. Mas os executivos do setor de seguros fazem as contas. A lei pode abranger cerca de 100 milhões de brasileiros que hoje têm pouco ou nenhum acesso a esse tipo de proteção.

O diretor executivo do Grupo Bradesco de Seguros e Previdência, Eugênio Velasques, faz uma projeção um pouco menor, porém tão ambiciosa quanto a de outras seguradoras. Segundo um estudo feito pela empresa, há potencial para incluir de 80 milhões a 85 milhões de pessoas nesse mercado.

O projeto de lei do microsseguro (Nº 3.266/08) foi apresentado pelo deputado federal Adilson Soares (PR-RJ) em abril de 2008 e recebeu no começo do mês passado uma proposta substitutiva do deputado Aelton Freitas (PR-MG). Recentemente, o texto foi aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. O próximo passo é passar pela avaliação da Comissão de Constituição e Justiça.

Segundo o vice-presidente de Ouvidoria e Relações Institucionais da SulAmérica, Oswaldo Mário, o microsseguro tem dominado as discussões internacionais do setor. "É uma forma de fazer a inserção dos públicos das classes D e E. O setor terá de pensar em formas de vender produtos simples e levá-los a esses clientes da maneira mais fácil possível, por exemplo, vendendo em supermercados e lotéricas para aproveitar uma rede de distribuição já existente", explica o executivo.

Ainda há dúvidas se a classificação de "baixa renda" para o microsseguro será feita por meio da renda familiar (até três salários mínimos) ou pelo valor do seguro a ser recebido (até R$ 2 mil). De acordo com Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros, hoje a adesão aos seguros entre as pessoas de baixo poder aquisitivo é muito pequeno. "A maioria tem o seguro de vida pago pela empresa onde trabalha. É uma massa nova que fará parte do segmento."

Bittar acredita que o mercado deverá se segmentar no atendimento a esse novo público. Isso pode acontecer, por exemplo, no atendimento ao trabalhador autônomo cujo ganha-pão é uma máquina de costura ou um carrinho de cachorro quente. "Se essas pessoas têm problemas, não podem ficar esperando muito tempo para receber o valor do seguro e comprar outro equipamento. Tudo isso tem de ser levado em conta pelas seguradoras. Será preciso muita agilidade".

"O maior desafio será desenhar produtos específicos, pensar em uma nova estrutura de custo, de preço, de cobrança e de venda", explica Velasques. Hoje a Bradesco Seguros já atende ao público de baixa renda. Há produtos, como o seguro de vida Tranquilidade Familiar Bradesco, que custam a partir de R$ 5,98. O Vida Segura Bradesco, seguro de vida popular, com custo mensal a partir de R$ 9,90, cobre morte acidental e morte natural e oferece benefícios como assistência funeral (à família, no caso de morte do segurado). O seguro residencial tem preço a partir de R$ 7.

Em 2008, as apólices com valor abaixo de R$ 9 representavam 2,1 milhões de contratos do Bradesco - de um total de 29 milhões de contratos de seguros. A maior demanda é pelo seguro de vida, que representa 70% do total dos itens abaixo de R$ 9 vendidos pela seguradora.

A Porto Seguro é outra grande seguradora que está de olho na novidade. "É uma grande oportunidade de negócio", avalia Silas Kasahaya, gerente da Porto Seguro Vida e Previdência. Atualmente o produto mais barato oferecido pela empresa custa R$ 1,22 e se refere ao seguro funerário individual para pessoas com até 35 anos. Mas o valor mínimo que o segurado precisa ter em produtos é de R$ 6 (exigência da empresa para que seja feito o débito automático em conta corrente).

A empresa começou a oferecer produtos para a baixa renda há cerca de quatro anos. Ao contrário de alguns de seus concorrentes, que fizeram parcerias com lojas de departamento, o único canal de venda é o corretor de seguros. "Temos atendido esse público, mas com a lei, o desafio será chegar àqueles abaixo da classe C", diz Kasahaya.

REGRAS

Segundo o substitutivo do projeto de lei, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), que regula o setor, será responsável por estabelecer os critérios de operação e venda dos microsseguros. O texto prevê que o seguro seja comercializado por meio eletrônico, apólice, bilhetes e certificados individuais.

Uma das formas de baratear os produtos será por meio da tributação, que no caso do microsseguro não passará de 1% sobre o valor do prêmio. Os dados patrimoniais e contábeis das operações de microsseguro terão de ser feitos à parte no caso das empresas que não operam somente no segmento.

O projeto estabelece a criação da figura do corretor de microsseguro e do correspondente de microsseguros. A Susep ficaria responsável por disciplinar e regulamentar tanto a habilitação e o registro dos profissionais quanto a atividade das empresas.

A coordenadora do grupo de trabalho do microsseguro da Susep, Regina Simões, acredita que os novos produtos vão servir como "um elemento de proteção aos que saíram da condição de pobreza". "Já se percebeu, por meio de programas como o do microcrédito, que essas pessoas têm condições de honrar seus compromissos e têm capacidade de pagamento."

==============================***==============================

Fique de Olho

No cenário doméstico, a semana será repleta de indicadores de inflação, com destaque para o IPCA de outubro que, de acordo com os economistas do mercado financeiro, tende a captar os aumentos recentes nos preços dos combustíveis e uma queda menor nos preços dos alimentos.

Importante também será a divulgação do resultado das vendas do varejo em setembro, além do anúncio da Anfavea sobre a produção e vendas de veículos no mês passado.

No exterior, a agenda é fraca nos Estados Unidos, com feriado na quarta-feira, Dia dos Veteranos. Destaque para a Europa, onde as principais economias do continente divulgam dados preliminares sobre o PIB do terceiro trimestre. Espera-se que o relatório da zona do euro aponte o primeiro período de crescimento da região desde o primeiro trimestre de 2008.

Segunda-feira, 9
Inflação: IGP-DI (outubro).
Anfavea: indicadores (outubro).
Balanços: Gol e Marisa.

Terça-feira, 10
Inflação: IPC-Fipe (prévia de novembro).
Indústria: emprego e salário em setembro (IBGE).
Balanços: BM&FBovespa, Nossa Caixa e CPFL.

Quarta-feira, 11
Inflação: IPCA e INPC (outubro) e IGP-M (prévia de novembro).
Balanços: Telefônica, MMX, OGX, ALL, Cemig e Cesp.
Feriado nos EUA.
China: produção industrial (outubro).
China: balança (outubro).

Quinta-feira, 12
Balanços: Banco do Brasil, AmBev, TAM, Pão de Açúcar, Eletropaulo e CCR.

Sexta-feira, 13
IBGE: vendas no varejo (setembro).
Balanços: Petrobrás, Eletrobrás e Bradespar.
Zona do euro: PIB (3º trimestre).
Alemanha e França: PIB (3º trimestre).

==============================***==============================

ARTIGO - Os laudos do acidente da TAM

Antonio P. Mendonça

O acidente com o Airbus da TAM foi investigado pela Polícia Civil de São Paulo, Polícia Federal e Aeronáutica. Cada um preparou um laudo, analisando o acidente e apontando responsáveis. Curiosamente, cada laudo chega a uma conclusão diferente. Como eu não tenho conhecimento técnico para determinar culpados por acidentes aéreos, nem tive acesso às provas e evidências do acidente da TAM especificamente, vou me ater às possíveis consequências dos laudos, partindo do amplo e geral, para acabar no detalhe.

Inicialmente, é importante dizer que as conclusões dos três laudos, por mais diferentes que sejam, não têm o condão de interferir no pagamento das indenizações para os beneficiários das vítimas da tragédia. Elas continuam devidas e, até onde sei, continuam sendo pagas.

A razão disto é a responsabilidade objetiva como base para o pagamento das indenizações. De acordo com a visão clássica da responsabilidade civil, para que exista a obrigação de indenizar é indispensável que haja a culpa do causador do dano. Cabe apenas ao culpado indenizar as vítimas do dano causado por ele. Portanto, seria necessária, antes de se falar em indenização, a identificação do culpado pelo acidente, sem o quê não haveria a possibilidade de sua responsabilização.

As apólices de seguro de responsabilidade civil brasileiras são seguros de reembolso e indenizam apenas os danos causados por seus segurados. Assim, para que a apólice da companhia aérea pudesse ser acionada, seria indispensável caracterizar a culpa da TAM pelo acidente.

Se tomarmos os três laudos e fizermos uma leitura objetiva de suas conclusões, fica evidente que esta culpa não está claramente configurada, o que poderia, com base na teoria da responsabilidade subjetiva, dar argumentos para que a seguradora não indenizasse, pelo menos até uma decisão judicial transitada em julgado determinar quem foi o culpado pela tragédia.

Com base na responsabilidade objetiva, critério já adotado em outros sinistros, como o acidente na estação Pinheiros do Metrô, a culpa deixa de ser um requisito essencial, sendo substituída pela simples existência do dano como causa de indenizar, tanto pelo segurado, como pela sua seguradora.

Assim, os laudos do acidente da TAM não geram consequências quanto às indenizações devidas aos beneficiários das vítimas, mas afetam o direito de regresso das seguradoras e sua possibilidade de se ressarcirem dos reais responsáveis pelo acidente.

Ao determinar que a culpa pelo acidente foi exclusivamente dos pilotos, ou dos pilotos e da companhia aérea, um dos laudos retira das seguradoras a possibilidade de recuperarem as importâncias pagas em decorrência do sinistro. Não há como exercer o direito de regresso contra o próprio segurado ou seus prepostos. Afinal, se a razão de ser do seguro é protegê-los, como cobrar deles o ressarcimento dos valores pagos como indenizações?

De outro lado, as conclusões deste laudo, entre outras razões, por conflitarem com o exposto nos outros dois documentos, deixam em aberto a certeza indispensável para concluir que elas espelham a verdade dos fatos.

E ainda que houvesse falha dos pilotos e da companhia aérea, seria indispensável levar em conta todas as outras circunstâncias que interferiram para a ocorrência do acidente, graduando-as de acordo com uma ordem lógica de importância nos fatos, antes de afirmar que foi esta e apenas esta a razão do acidente.

Eu não tenho a resposta agora, mas será que é lógico concluir que os principais responsáveis pelo acidente foram os pilotos, quando se sabe que a pista de Congonhas, à época, não apresentava requisitos mínimos de segurança para ser operada sob condições climáticas como as daquele dia?

Se o voo tivesse sido desviado para Guarulhos, ainda que acontecessem todas as falhas imputadas aos pilotos, o tamanho da pista teria impedido a tragédia. Só isto mostra como a certeza sobre os fatos ainda estão distantes, se é que serão definidas.

==============================***==============================

OPINIÃO - Investir para crescer mais

Raul Velloso

O xis da questão econômica é a recuperação da taxa de investimento do Brasil, ou seja, da proporção dos investimentos nos gastos globais, que tem caído sistematicamente desde os anos 1970, e, com ela, a taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB), em forte contraste com o desempenho dos tigres asiáticos e da China. Houve alguma recuperação na fase de bonança 2002-08, mas a crise internacional recolocou o tema na ordem do dia. Depois, em breve haverá um novo governo no País e esse é um tema prioritário em qualquer campanha eleitoral. Em suma, após tantos anos de secura, o que fazer para o Brasil voltar a crescer de forma sustentada acima da média mundial?

Do lado dos investimentos privados (em que, para os fins deste artigo, se inclui a Petrobrás), a principal restrição ao crescimento não seria a escassez de poupança interna, notória no Brasil, para financiá-los (o que não quer dizer que um maior esforço de poupança não ajudasse). Numa economia emergente fortemente integrada com o exterior, a parcela da taxa de investimento relativa ao setor privado depende basicamente de estímulos econômicos e de que o governo remova vários entraves que inibem a sua expansão. Em que pesem esses obstáculos, e diante da inundação de recursos oriundos do exterior na recente fase de bonança, houve forte queda das taxas de juros, ao lado da apreciação cambial e da queda das taxas do risco Brasil. Em resposta, os investimentos privados cresceram mais que o PIB e houve forte ingresso de poupança externa.

Já no tocante aos investimentos públicos, o problema da escassez de poupança interna se revela com toda a força e tem de ser equacionado. Diante de muitos anos sem prioridade para os investimentos públicos, o mínimo que é preciso investir em áreas não atrativas para a inversão privada é muito expressivo. Isso vale particularmente para vários segmentos do setor de infraestrutura de transportes, embora não faça sentido para setores como o de mineração, por exemplo. Sem esses investimentos os custos aumentam e a economia cresce menos. Sem eles os gargalos tenderão a se multiplicar e o caos que se vê instalado, por exemplo, em todas as modalidades da área de transportes tende a se perpetuar. (As pesquisas rodoviárias da Confederação Nacional dos Transportes têm mostrado que o parque rodoviário brasileiro deve ser um dos piores do mundo ocidental.)

Do outro lado, a União instituiu as Parcerias Público-Privadas, mas não parece querer implementá-las (além de abandonar o esforço de desestatização), "bate cabeça" na área de concessões e em todas as esferas do setor público brasileiro é baixa a parcela das receitas que é poupada. Finalmente, diante da herança de vários anos de crise fiscal, é também muito baixa a sua capacidade de endividamento. Não há, assim, como fugir do aumento da taxa de poupança pública. Mas isso não é tudo. Especialmente na área federal, o setor público precisa recuperar o mais rapidamente possível sua capacidade de planejamento e gestão, completamente destruída em muitos anos de encolhimento e abandono dos investimentos públicos. O governo custou a acordar para o óbvio, mas os entraves criados pela ação do Tribunal de Contas da União no andamento dos investimentos federais em parte se devem à ocupação de espaço na administração pública federal por outro Poder, que se cansou de ver o descaso com que o assunto era tratado.

Como podem faltar recursos públicos para investimento se a carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo? Pela opção política de transformar o Orçamento da União numa grande folha de pagamento, ou num verdadeiro repositório de transferências para pessoas e outros gastos correntes, algo que deveria ser rediscutido. Não dá para aceitar passivamente a hipótese citada por Samuel Pessôa em sua instigante entrevista no Estadão (2/11, B3) de que a sociedade brasileira, relativamente ao PIB, quer consumir muito acima da média mundial e ponto final. Portanto, a única saída é atrair recursos de fora. Primeiro, porque o País fica sem opções próprias de política de crescimento econômico. Segundo, porque internar recursos externos de monta significa apreciar significativamente a taxa de câmbio, o que, curiosamente, os defensores do consumo exacerbado também desaprovam. E, terceiro, porque, se o setor público está em má situação financeira (a não ser que conte com o dinheiro do pré-sal já nos bolsos) e ainda tem de fazer muito investimento, não há como substituir poupança pública por dinheiro externo.

A União paga mais de 40 milhões de algum tipo de contracheque e consome com isso R$ 378 bilhões, ou 76% do seu gasto total. Outro problema é a extrema rigidez desses gastos e a discutível relevância de uma parcela deles. Esse modelo, oriundo da Constituição de 1988, é claramente incompatível com uma taxa de crescimento mais alta da economia e da oferta de empregos para os cidadãos que acorrem todos os dias aos milhares ao truncado mercado de trabalho brasileiro.

==============================***==============================

OPINIÃO - Berlim, 9/11/89

Carlos Alberto Sardenberg

A queda do Muro representou:
1) A eliminação da ameaça de guerra nuclear, que seria literalmente o fim do mundo, da qual Estados Unidos e a falecida União Soviética se aproximaram algumas vezes. Mikhail Gorbachev acredita que evitou uma terceira guerra mundial ao resistir aos apelos dos dirigentes comunistas que ainda consideravam possível conter as rebeliões com um banho de sangue. Uma repressão desse calibre nos países do Leste Europeu, ali ao lado das democracias ocidentais, nas quais milhões de pessoas tentariam obter refúgio, certamente criaria todas as condições para um conflito global. Compreender que a ditadura chegara ao fim, não permitir a repressão, fechar as tropas russas nos quartéis - isso foi certamente um dos maiores méritos de Gorby.

2) A eliminação da alternativa capitalismo/socialismo, que teve efeitos não apenas nos países ex-comunistas, mas em todos os cantos do mundo onde forças políticas locais, as esquerdas, ainda tentavam vender o sonho socialista. Todos, gostando ou não, convergiram para o capitalismo e, frequentemente, em sua versão mais liberal. O debate político-econômico mudou o foco para as formas de capitalismo. No auge da crise financeira de 2008 alguns disseram que a quebra do Lehman Brothers representava para o capitalismo o que a queda do Muro representara para o socialismo. E o que se discute hoje por toda parte? Como conter os excessos dos banqueiros e corrigir as falhas de mercado. Ninguém, exceto meia dúzia de ingênuos ou bobos, propôs a volta de algum tipo de socialismo. Todos sabem agora que o socialismo não entrega crescimento e bem-estar. Não, Hugo Chávez não conta.

3) A aceleração e consolidação do processo de globalização, que nunca estaria completo com o mundo dividido pelo Muro. Isso abriu enormes possibilidades comerciais e financeiras, na medida em que incorporou ao mercado mundial milhões de consumidores e trabalhadores. As tropas do capitalismo desembarcaram nos ex-socialistas levando capital, tecnologia, modos de gestão e mercadorias. O comércio mundial, que já vinha em expansão, deu um salto com os novos mercados. O Brasil beneficiou-se muito especialmente desse fenômeno. As exportações brasileiras, que estavam havia tempos empacadas entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões anuais, saltaram para cerca de US$ 200 bilhões no curtíssimo prazo de seis anos. Esclarecendo: claro que todo esse ganho não veio das compras dos ex-socialistas. Companhias brasileiras foram para lá também, mas se beneficiaram especialmente do clima global de abertura comercial que se consolidou nos anos 1990.

4) Um extraordinário crescimento da economia mundial. Os últimos 20 anos não foram apenas de expansão global, mas um dos períodos mais brilhantes da história econômica do planeta. Não, não foi apenas uma bolha financeira. O produto mundial chegou a crescer espantosos 5% em vários momentos. O comércio mundial de mercadorias e serviços, favorecido por um movimento geral de redução das tarifas alfandegárias, cresceu acima dos 10% ao ano, por vários anos. Aumentaram exponencialmente a produção e o consumo de tudo aquilo que melhora a vida das pessoas, de coisas velhas como automóveis e fogões até as novidades do celular e da internet. A globalização e o ambiente de abertura econômica favoreceram o desenvolvimento da tecnologia de informação, que, ao juntar computadores e telecomunicações, espalhou ganhos de produtividade em todas as atividades econômicas e em praticamente todos os países. Nos desenvolvidos surgiram as companhias e os produtos da nova era (Google, Amazon, iPhone, etc.). Os países mais pobres da África saltaram da condição de "sem-telefone" - porque redes físicas eram caras e difíceis de construir - para a comunicação plena, com os celulares, os quais facilitaram a vida e, por exemplo, as transações comerciais e financeiras. Ganhos de produtividade são os que mais impulsionam a renda. Resumindo: no período, nada menos que 500 milhões de pessoas deixaram a pobreza.

5) Firmou o consenso de que quanto mais comércio mundial, melhor. Na crise de 1929-1930, os países fecharam as suas fronteiras, aderiram ao protecionismo comercial acreditando que com isso salvariam empregos locais. O resultado foi o prolongamento da crise e... do desemprego por toda parte. Na crise de hoje, os governantes - no G-20, por exemplo - se apressaram a recomendar que todos mantivessem o comércio aberto. Sim, é verdade que vários aplicaram medidas protecionistas localizadas, inclusive os Estados Unidos, mas o ambiente geral é o de preservar o comércio.

Esperanças vãs - Mas há decepções relevantes.

Duas a destacar.

Primeira, parecia que, eliminada a guerra fria, o mundo caminharia para a universalização dos regimes democráticos e para uma era de paz. Havia outros conflitos, que, porém, não apareciam porque toda a atenção se concentrava na ameaça maior. E muitos países caminharam para tipos variados de autoritarismo.

A segunda decepção é econômica. Olhando o conjunto, o mundo todo cresceu. Mas alguns países tiveram desempenho melhor, outros se perderam pelo caminho. E, dentro dos países, o sistema também deixou muita gente para trás, isso gerando ressentimentos e ainda mais conflitos.

Falaremos disso na semana que vem.

==============================***==============================

JORNAL DO COMMERCIO

Fundos têm resgate de R$ 2,918 bi em outubro


Ana Paula Ribeiro Da Agência Estado

Os fundos de investimento apresentaram no mês passado resgates superiores às aplicações no total de R$ 2,918 bilhões. Essa captação líquida negativa foi alcançada, principalmente, pelos saques realizados nos fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCS), que chegaram a R$ 7,891 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

As carteiras referenciadas ao DI também registraram saques líquidos elevados, no valor de R$ 1,286 bilhão. Já entre as categorias com maiores aportes, estão as de curto prazo, previdência, renda fixa e ações, com depósitos líquidos de, respectivamente, R$ 2,710 bilhões, R$ 1,477 bilhão, R$ 1,072 bilhão e R$ 357 milhões.

No ano, a indústria de fundos acumula captação líquida positiva de R$ 74,917 bilhões. A categoria que mais contribuiu para esse resultado é a de multimercados, com aportes líquidos R$ 32,039 bilhões. Em seguida aparece previdência, com R$ 17,403 bilhões e renda fixa, com R$ 10,283 bilhões. Já os referenciados ao DI acumulam saques líquidos de R$ 6,975 bilhões.

==============================***==============================

Gafisa acelera lançamentos


Stella Fontes DA AGÊNCIA REUTERS

Após uma sensível melhora nos resultados do terceiro trimestre, a construtora e incorporadora Gafisa acelerou o ritmo de lançamentos e pretende colocar no mercado, somente no quarto trimestre, mais de R$ 1 bilhão em novos empreendimentos.De acordo com o presidente da companhia, Wilson Amaral, o forte volume de vendas no terceiro trimestre, período em que a Gafisa ainda adotou postura mais conservadora em relação ao empenho de seu caixa, indica que há espaço para aceleração no ritmo de lançamentos.

"Já em outubro os lançamentos atingiram R$ 367 milhões , com velocidade de vendas alta em importantes empreendimentos", afirmou o executivo, ao comentar o desempenho da companhia de julho a setembro. Segundo ele, a Gafisa está "extremamente otimista" quanto à perspectiva para o mercado imobiliário brasileiro.

Amaral citou a redução de custos de financiamento, os programas habitacionais do governo e o déficit habitacional do País, de cerca de 7 milhões de moradias, como propulsores de crescimento do setor.A construtora reiterou sua projeção para 2009, de vendas contratadas consolidadas de R$ 2,7 bilhões a R$ 3,2 bilhões e margem Ebitda consolidada entre 16% e 17%. A Gafisa fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 63,72 milhões, ante ganho de R$ 14,47 milhões um ano antes, com aumento de quase 50% nas vendas contratadas.

O resultado final ajustado por despesas com plano de opções e minoritários totalizou R$ 88,6 milhões no trimestre, mais que o dobro dos 37,6 milhões de reais registrados um ano antes.Na média, quatro instituições financeiras consultadas pela Reuters esperavam lucro líquido de R$ 79 milhões.Nos três meses até setembro, a companhia registrou vendas contratadas de R$ 800,2 milhões, avanço de 48% sobre um ano antes.Os lançamentos atingiram R$ 514,3 milhões no trimestre, tombo de 43% em relação ao terceiro trimestre de 2008, refletindo a postura mais conservadora adotada pela empresa no período.

"Apesar da melhora do cenário, adotamos conservadorismo em relação aos lançamentos no terceiro trimestre, que devem dobrar no quarto trimestre", afirmou Amaral.A Gafisa teve Ebitda ajustado (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) de R$ 179,14 milhões entre julho e setembro, frente a R$ 69,79 milhões no mesmo período de 2008. A receita líquida mais que dobrou do terceiro trimestre de 2008 para os três meses encerrados em setembro deste ano, passando de R$ 378,98 milhões para R$ 877,10 milhões.

A Gafisa fechou o trimestre passado com uma posição de caixa de R$ 1,1 bilhão e dívida líquida e obrigações com investidores de R$ 1,7 bilhão, ante R$ 894 milhões um ano antes. Até o final do ano, comentou o diretor financeiro da Gafisa, Alceu Duílio Calciolari, a companhia deverá fazer uma operação com debêntures, junto à Caixa Econômica Federal (CEF), para levantar até R$ 600 milhões. Os recursos, no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), serão voltados ao financiamento de imóveis de até R$ 500 mil.

==============================***==============================

Lojas Americanas quer dobrar unidades no País


DA AGÊNCIA REUTERS

A Lojas Americanas anunciou que planeja abrir 400 lojas no Brasil, nos próximos quatro anos, com investimentos estimados em R$ 1 bilhão, após ter divulgado melhora nos resultados do terceiro trimestre. Em relatório que acompanha o balanço trimestral, a companhia informa que o programa de investimentos, batizado Sempre Mais Brasil, é baseado em um modelo de estudos que considera dados macroeconômicos, dentre os quais crescimento das população, renda per capita e evolução da economia local.

Segundo a companhia, entre 2000 e 2008, seu número de lojas aumentou em cinco vezes, a receita bruta consolidada cresceu em seis vezes e a geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, subiu em 120 vezes), "o que demonstra solidez na nossa estratégia de crescimento e reforça as oportunidades existentes no País". Ao final de setembro, a Lojas Americanas contava com mais de 470 lojas espalhadas pelo País.

A companhia registrou, no terceiro trimestre, lucro líquido consolidado de R$ 36,5 milhões, ante ganho de R$ 6,7 milhões um ano antes. O Ebitda totalizou R$ 221,6 milhões entre julho e setembro, em comparação a R$ 201,8 milhões em igual intervalo de 2008. A receita líquida consolidada da companhia somou R$ 2,006 bilhões no trimestre, com alta de 20,5% frente à receita verificada um ano antes.

Dessa forma, a margem Ebitda consolidada no terceiro trimestre ficou em 11%, ante 12,1% um ano antes, com piora de 1 ponto percentual. Considerando-se apenas a controladora, a receita líquida foi de R$ 1,033 bilhão, comparada a R$ 891 milhões um ano antes.

No conceito "mesmo número de lojas", o crescimento da receita líquida do terceiro trimestre de 2009 em relação ao mesmo intervalo de 2008 foi de 8%. A Lojas Americanas informa ainda que a Financeira Americanas Itaú (FAI) alcançou 2,5 milhões de cartões emitidos, e carteira de recebíveis de R$ 649 milhões. "Ao final de setembro, as vendas com o cartão private label da FAI já representam 15,3% das vendas da Lojas Americanas (controladora)", aponta o relatório.

Empresa online não se sai bem



A B2W, empresa resultante da fusão entre Americanas.com e Submarino, anunciou lucro líquido de R$ 13,48 milhões no terceiro trimestre, ante ganho de R$ 21,8 milhões um ano antes. O Ebitda (sigla em inglês para ganho antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 111 milhões entre julho e setembro, 2% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2008. A margem passou de 13,8% para 11,1%.

Conforme a companhia, que é líder em comércio eletrônico no País, as vendas consolidadas no trimestre totalizaram R$ 1,3 bilhão , com alta de 15% sobre o mesmo período do ano passado. A B2W credita esse crescimento à "maior agressividade comercial, o que gerou aumento de 38% na quantidade de pedidos vendidos, decorrentes do aumento de visitação, conversão e entrada de novos clientes".

A receita líquida no terceiro trimestre ficou em R$ 999 milhões , com crescimento de 26% frente aos R$ 794 milhões registrados um ano antes. A B2W informa ainda que seu ciclo de caixa no terceiro trimestre foi de 80 dias (sem considerar efeitos de substituição tributária), com ganho de 23 dias frente ao mesmo intervalo de 2008.

==============================***==============================

IOF não segura dólar e há novas medidas no radar


Da Redação

O dólar fechou em queda pelo quarto dia seguido na sexta-feira, acompanhando o mercado global num dia de divulgação de importante relatório sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. A moeda norte-americana caiu 0,17%, a R$ 1,719. Com isso, nas quatro sessões de negócios de novembro, a queda acumulada é de 2,11%.

Na metade do dia, o dólar chegou a exibir leve alta, refletindo o aumento da aversão ao risco após o aumento do desemprego nos Estados Unidos. A reação inicial perdeu fôlego, no entanto, e no final da tarde, o dólar se mantinha praticamente estável ante uma cesta com as principais moedas. Enquanto isso, divisas mais favorecidas por aumento do apetite por risco, como o dólar australiano, exibiam alta.

A sequência de quedas do dólar nos últimos dias anulou o movimento ocorrido na se-mana anterior, quando o aumento da volatilidade internacional e alguma reação à cobrança de IOF sobre investimentos estrangeiros para ações e renda fixa haviam devolvido a taxa de câmbio para o patamar de R$ 1,75.

Com o dólar se aproximando novamente do nível psicológico de R$ 1,70, aumenta a cautela de investidores com possíveis medidas adicionais do governo para tentar frear a entrada de capital no País.

"O mercado já absorveu os 2% (de Imposto sobre Operações Financeiras)", disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

Na sexta-feira, o diretor-executivo de Desenvolvimento da BM&FBovespa, Paulo Oliveira, disse em Londres que discute com o governo medidas como a permissão para que margens de garantia sejam depositadas no exterior e para que fundos de pensão locais comprem bônus fora do País. Na quinta-feira, porém, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ou-tros tipos de controle de capital não estavam sendo avaliados pelo governo "no momento".

"Medidas adicionais desse tipo não parecem muito prováveis", escreveu o economista Guilherme da Nóbrega, do Banco Itaú. "Porém, o seu risco não pode ser simplesmente descartado".

Às vésperas do encontro de ministros de Finanças do G20, uma fonte do Ministério da Fazenda afirmou que os desequilíbrios no fluxo de capital estão relacionados também ao regime de câmbio fixo da China. "Ou todos os países têm um câmbio fixo, ou todos têm um câmbio flutuante", disse a fonte à agência Reuters.

O que é consenso no mercado é que o Imposto sobre Ope-rações Financeiras (IOF) sobre a compra externa de ações e bônus mostrou-se insuficiente para reduzir a alta do real. A moeda brasileira foi a segunda moeda de melhor desempenho dentre as principais do mundo, depois do rand sul-africano.

"O real se beneficiou de uma semana positiva para novos riscos", disse Greg Anderson, estrategista cambial da Société Générale. O dólar perdeu valor contra as principais moedas e os investidores relutam em vender ativos brasileiros porque terão de pagar IOF quando voltarem a ingressar nos mercados do país, disse ele.

Com isso, o JP Morgan lançou relatório dizendo ser altamente provável a adoção de novas medidas se o real subir mais que outras divisas no câmbio com o dólar. O governo deverá, segundo o banco, testar o uso de "políticas administrativas", como autorizar o Tesouro a se unir ao BC nas intervenções no mercado cambial, e "liberalizar" o real, o que inclui permitir que os estrangeiros comprem papéis brasileiros em moeda estrangeira, escreveu Ben Laidler, estrategista do banco.

==============================***==============================

Aplicações ultrapassam R$ 300 bi pela primeira vez


Da redação

Ototal de recursos depositados na poupança encerrou outubro em R$ 302,45 bilhões. Segundo dados divulgados na sexta-feira pelo Banco Central, é a primeira vez em toda a série histórica - iniciada em janeiro de 1995 - que o estoque de dinheiro nesse tipo de investimento fecha um mês acima dos R$ 300 bilhões. No fim do ano passado, o total de recursos depositados na poupança era de R$ 270,5 bilhões.

Em outubro, os depósitos da caderneta de poupança superaram os saques, resultando em uma captação positiva de R$ 1,04 bilhão. Foi o menor saldo registrado desde abril, mas, pelo sexto mês consecutivo, o saldo entre os depósitos e os saques é positivo.

Para analistas, o aumento da atividade econômica e da confiança do consumidor elevam os gastos das famílias e acabam diminuindo o volume poupado. Além disso, é possível que alguns investidores estejam começando a se posicionar em outras opções para aproveitar uma possível alta da Taxa Selic em 2010.

"É possível que as famílias que guardaram mais dinheiro na saída da crise estejam mais confiantes com o futuro da economia. Isso dá segurança para consumir mais, o que reduz a capacidade de poupança das pessoas", diz o professor de finanças do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa Ricardo José de Almeida.

investidores. Ele também lembra que é possível ver o início do movimento de alguns investidores em busca de posições mais adequadas para a perspectiva de início do aumento das taxas de juro, movimento esperado para 2010. Segundo Almeida, é provável que um número cada vez maior de investidores opte por aplicações que acompanham o CDI - referência atrelada à Selic - como os fundos DI em detrimento de alternativas como as carteiras de renda fixa e da própria poupança.

O resultado de outubro ficou bem abaixo do registrado em setembro, que foi de R$ 3,51 bilhões. O saldo no mês passado, porém, superou o de outubro de 2008, quando, no auge da crise financeira, a poupança registrou saldo negativo de R$ 284,1 milhões. No mês passado, os depósitos somaram R$ 82,75 bilhões e os saques, R$ 81,71 bilhões. Os rendimentos totalizaram R$ 1,48 bilhão. O mês teve 21 dias úteis.

No acumulado do ano, os depósitos já superam os saques em R$ 16,77 bilhões. Em igual período do ano passado, a captação estava positiva em R$ 9,7 bilhões. Além da captação positiva do período, a poupança recebeu ainda R$ 15,23 bilhões relativos à rentabilidade do dinheiro que já está aplicado.

A poupança começou o ano registrando saída de recursos. Até abril, o resultado acumulado estava negativo em R$ 1,5 bilhão. A partir de maio, no entanto, a caderneta entrou em processo de recuperação.

RECUPERAÇÃO. A retomada dos investimentos na caderneta de poupança acompanha a recuperação do emprego e da economia brasileira nos últimos meses. Pesa também a queda na taxa básica de juros, que diminuiu a rentabilidade de vários fundos de investimento.

Por causa disso, o governo chegou a anunciar que enviaria ao Congresso Nacional, no mês passado, projeto prevendo a cobrança de Imposto de Renda sobre cadernetas com mais de R$ 50 mil. O projeto, porém, ainda não saiu do Palácio do Planalto.

Pela proposta do governo, será aplicada alíquota única de 22,5% sobre o rendimento do valor que ultrapassar R$ 50 mil - ou seja, quem tem R$ 90 mil na caderneta pagará IR sobre o rendimento dos R$ 40 mil que excedem o limite estabelecido. (Com agências)

==============================***==============================

Recorde de volume e negócios em outubro


Da Agência Estado

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou outubro com recorde histórico nas médias diárias de volume financeiro e de número de negócios, segundo balanço mensal enviado pela BM&FBovespa ao mercado. O Home Broker apresentou seis recordes. Os mercados do segmento BM&F (incluindo derivativos financeiros e de commodities) totalizaram 34.670.732 contratos negociados no mês, com média diária de 1.650.987, e giro financeiro de R$ 2,38 trilhões.

No mês anterior, haviam sido negociados 31.505.077 contratos, com média diária de 1.500.242, e volume financeiro de R$2,12 trilhões. O destaque do mês foi o mercado do Ibovespa Futuro, que saltou de 1.443.420 contratos negociados em setembro para 2.304.720 em outubro.

Os mercados do segmento Bovespa movimentaram, em outubro, volume financeiro de R$ 154,25 bilhões em 9.161.252 negócios, com médias diárias de R$ 7,34 bilhões e 436.250 negócios, respectivamente. As altas no volume total e no número de negócios foram de 35% e 28,2%. Em setembro, o volume financeiro foi de R$ 114,23 bilhões, com a realização de 7.143.911 negócios. As médias diárias foram de R$ 5,43 bilhões e 340.186 transações. As ações que registraram maior giro financeiro em outubro foram Vale PNA (R$ 15,05 bilhões), Petrobras PN (R$ 12,77 bilhões), Itaú Unibanco PN (R$ 5,26 bilhões), BM&FBovespa ON (R$ 5,23 bilhões) e OGX Petróleo ON (R$ 5,16 bilhões).

O mercado à vista respondeu por 93,3% do volume financeiro em outubro, seguido pelo mercado de opções, com 4,9%, e pelo mercado a termo, com 1,8%. O after market movimentou R$ 1,66 bilhão com a realização de 124.268 negócios, ante R$ 1,46 bilhão e 118.653 transações no mês anterior.

Os investidores estrangeiros detiveram 33,67% da participação no volume financeiro, ante 32,70%, em setembro. As pessoas físicas ocuparam a segunda posição, com 30,53%, ante 31,01%; os investidores institucionais ficaram com 24,80%, ante 25,90%; as instituições financeiras, com 8,99%, ante 8,20%; as empresas, com 1,95% ante 2,12%..

Em 2009, o fluxo de recursos dos investidores estrangeiros para o mercado de ações brasileiro, até outubro, está positivo em R$ 32,887 bilhões, resultado de R$ 13,735 bilhões em aquisições realizadas pelos estrangeiros nas ofertas públicas de ações e do saldo positivo da negociação direta na BM&FBovespa, de R$ 19,151 bilhões. O balanço da negociação dos investidores estrangeiros na BM&FBovespa no mês de outubro foi positivo em R$ 1,144 bilhão. A participação dos estrangeiros nas ofertas públicas de ações, incluindo IPOs, representa 57,6% do total de R$ 23.849.868.936,50.

==============================***==============================

Curtas - Ações: BNDES e Bovespa lançarão 'índice verde'



O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que o banco lançará, em parceria com a BM&FBovespa, um "índice verde" de ações. O formato do indicador ainda está sendo discutido e ele não quis dar mais detalhes.

==============================***==============================

Curtas - Bovespa: parceiras com América Latina


A BM&FBovespa, que é a quarta maior bolsa do mundo, não tem planos de aquisição, afirmou o seu diretor-executivo de Desenvolvimento, Paulo Oliveira. Acordos de parceria com as bolsas do Chile e Colômbia provavelmente devem ocorrer até o primeiro semestre do próximo ano, seguidos por parcerias com as do Peru, México e Argentina.

==============================***==============================

Investidor individual retorna ao mercado


DA AGÊNCIA FOLHAPRESS Fabricio Vieira

Parece que a escalada da Bolsa fez o investidor individual se esquecer da crise econômica que há não muito tempo puniu severamente os mercados financeiros. Em outubro, o número de investidores individuais cadastrados na Bovespa alcançou pela primeira vez os 555 mil. Na comparação com setembro, houve a entrada de aproximadamente 40 mil investidores.

Dois anos atrás, havia pouco mais de 310 mil cadastrados. O aumento deste número se manteve acelerado até o começo do segundo semestre do ano passado. Depois disso, a crise se aprofundou, abatendo o mercado acionário e estancando a entrada de aplicadores.

"A Bolsa voltou a subir e as pessoas se animam mesmo. Mas essa não é a melhor forma de atuar. Quem investiu um pouco sempre, mesmo nos momentos menos fortes do mercado, com certeza está com retornos muito mais interessantes", diz Théo Rodrigues, diretor-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores).

O "home broker", um termômetro do interesse do investidor individual, registrou alta de 33% nas negociações no mês passado, atingindo a média de 284,4 mil transações diárias -maior volume da história.

Todo esse apetite por ações ocorre em um momento em que muitos papéis já estão com ganhos superiores a 100% no ano. No fim de outubro, apenas 1 das 63 ações que formam o Ibovespa tinha baixa acumulada no ano (e branda): Eletrobrás PNB, com recuo de 1,12%.

==============================***==============================

Demanda por ativos "veio para ficar"


Claudia Carpenter Da Bloomberg News

A demanda mundial dos investidores por commodities, que ajudou a puxar o ouro para um recorde e o cobre e o petróleo bruto para seu maior patamar de um ano esta semana, é "tendência que veio para ficar", num momento em que os compradores diversificam seus investimentos em relação às ações e bônus, segundo o Barclays Capital.

Os ativos em commodities administrados subiram "sólidos" US$ 2,2 bilhões mundialmente no mês passado, disse o Barclays Capital em relatório. Os fundos de hedge e outros canais de especulação aumentaram suas posições compradas líquidas, ou apostas em preços maiores nos contratos futuros de commodities nos Estados Unidos, para seu nível mais alto desde julho de 2008, segundo mostram dados do governo norte-americano.

"Vimos em todo este ano que o interesse do investidor por commodities continua forte, e vemos isso como uma "tendência que veio para ficar", disse Amrita Sem, analista do Barclays lotada em Londres. "A atratividade das commodities como uma das melhores categorias de ativos alternativos continua intata."

O Índice S&P GSCI de 24 commodities subiu 47% este ano, neutralizando a queda de 43% registrada no ano passado, depois que a recessão, a pior desde a Segunda Guerra Mundial, reduziu a demanda por matérias- primas.

"Acho que não há uma mudança estrutural na trajetória das commodities; certamente sua popularidade é muito forte", disse Lewis. As aplicações devem estar desacelerando devido a estratégias de transações de fim de ano, disse ele. Os novos investimentos "desaceleraram, mas ainda estão positivos".

Petróleo. Os contratos futuros de petróleo caíram para a mínima em uma semana nesta sexta-feira. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo para dezembro caíram US$ 2,19 (2,75%) e fecharam a US$ 77,43 por barril. Incluindo as transações do sistema eletrônico, a mínima foi de US$ 76,71 e a máxima de US$ 80,34.

Já os preços do ouro registraram um novo recorde histórico na sexta-feira no London Bullion Market, com a cotação de US$ 1.101,42 a onça.

==============================***==============================

Primeira queda do mês e ganho de 4,75% na semana


DA REDAÇÃO

As ordens de venda predominaram no pregão de sexta-feira na Bovespa, após três pregões consecutivos de valorização das ações, após um esboço de recuperação logo pela manhã. A mudança de tom foi motivada pela revelação de números piores do que previsto a respeito do mercado de trabalho americano. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, recuou 0,54% no fechamento, aos 64.466 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,78 bilhões. O ganho do Ibovespa na semana foi de 4,75%.

A bolsa paulista pagou o preço por ser mais diretamente influenciada pelos mercados de commodities, que tiveram um dia fraco. Alvo de quase R$ 800 milhões em negócios, a ação preferencial da Vale desvalorizou 0,69%. Petrobras teve baixa de 0,96%. Entre os ativos que compõem o Ibovespa, a ação preferencial das Lojas Americanas liderou os ganhos do dia, com valorização de 7,29%. depois de a varejista ter reportado um lucro 445% maior no trimestre.

Segundo profissionais do mercado, após uma escalada de 5,3% do Ibovespa em três sessões, parte dos investidores aguardava um motivo para vender ações e embolsar lucros.

E ele veio com a notícia de que o mercado de trabalho dos EUA cortou 190 mil vagas em outubro, levando a taxa de desemprego no país a 10,2%, a mais alta em 26 anos e meio.

Mesmo em Wall Street, o dado que veio pior do que as expectativas acabou sendo amenizado em meio a declarações do governo norte-americano de que novas medidas serão anunciadas em breve para estimular a economia. No fechamento, os principais índices das bolsas nova-iorquinas giravam em torno do zero. "Os números vieram ruins, mas não chegaram a assustar", disse Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora.

As bolsas de valores dos Estados Unidos acumularam alta de cerca de 3% na semana, após subirem levemente nesta sexta-feira. O índice Dow Jones subiu 0,17% na sexta-feira, para 10.023 pontos. O Nasdaq exibiu alta de 0,34%, a 2.112 pontos. O Standard & Poor's 500 ganhou 0,25%, para 1.069 pontos. No acumulado da semana, tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 se apreciaram 3,2% enquanto o Nasdaq acumulou ganho de 3,3%.

As principais bolsas europeias encerraram a última sessão da semana em tom levemente positivo. O índice pan-europeu Dow Jones Stoxx 600 subiu 0,2%. A maioria dos mercados asiáticos fechou em alta.O índice Nikkei, de Tóquio, avançou 0,74%,. A bolsa de Xangai subiu 0,28%.

==============================***==============================

Bovespa volta ao normal


Tatiana Gurjão

A divulgação dos balanços corporativos no terceiro trimestre foi o fator determinante para o movimento das cotações da bolsa durante a semana passada, marcada por um movimento de recuperação, à medida que os efeitos da taxação sobre a entrada de capital externo - que começou a vigorar no dia 20 do mês passado - pareceram sair de cena. A maior alta no período, no entanto, teve como principal motor uma notícia de aquisição vinda do exterior. As ações ordinárias da empresa de logística ALL avançaram 10,29%, a R$ 14,36, impulsionadas pelo anúncio de que a Berkshire Hathaway, empresa de investimentos do magnata Warren Buffett comprou a ferrovia Burlington Nothern Santa Fé.

"Esta alta rompeu uma faixa que esse papel não batia há muito tempo. Isso abre uma perspectiva nova. A ação tem bom espaço para subir no curto prazo", afirmou Christian Cayre, editor do blog CHR Investor.

Embaladas pelo bom resultado, as ações das Lojas Americana PN avançaram 8,01%(a R$ 12,95). A empresa apresentou lucro líquido de R$ 36,5 milhões, ante ganho de R$ 6,7 milhões há um ano. Além disso, a varejista planeja 400 lojas no País, com investimento em cerca de R$ 1 bilhão. O mercado respondeu ao resultado com uma valorização de 7,29% na sexta-feira, a R$ 12,86 e analistas apostam no papel como boa opção dentro do setor de varejo, graças sobretudo à expansão do mercado interno.

"O plano de expansão para os próximos quatro anos mostra uma postura mais agressiva, o que irá proporcionar um ritmo de crescimento mais acelerado para as vendas. Essa combinação de crescimento com melhora das margens nos faz manter a recomendação de compra para o papel", disse a Link Investimentos, em relatório.

A Eletrobrás teve suas ações ON valorizadas em 5,9% (a R$ 27,10). A aprovação, pelo Conselho Administrativo, de aumento de capital em R$ 12 bilhões para suas subsidiárias foi bem visto pelo mercado.

telecom. Com aumento da clientes e de vendas de pacotes combo, as ações da Net PN subiram 6,24% (a R$ 23,50). Os problemas registrados pelo Speedy - da concorrente Telefônica - também motivaram a ascenção do ativo.

No setor de aviação, engordaram os papéis preferenciais da Gol (5,56%, a R$ 19,95) e da Tam (5,2%, a R$ 27,29). "O preço do petróleo contribuiu para o bom desempenho das companhias. No caso da Gol, especificamente, foi anunciado aumento na taxa de ocupação", avaliou Álvaro Bandeira, analista-chefe da Ágora. A equipe da Itaú Corretora, em boletim divulgado na sexta-feira, recomendou a compra das ações da empresa, avaliando-as como "outperform".

Entre as ações de telefonia, direções contrárias: as da Vivo PN galgaram 7,52% (a R$ 48,60) e as da Brasil Telecom Participações (Oi) PN ganharam 4,45% (a R$ 19,01); as da Tim, contudo, perderam 8,25% em suas ordinárias (a R$ 5,67) e 6,94% nas preferenciais (a R$ 4,29). Enquanto os resultados das duas primeiras foram acima do esperado pelo mercado, as da TIM decepcionaram investidores.

APOSTAS. Segundo George Sanders, gestor de Renda Variável da Infinity Asset, os segmentos de telecomunicação, energia e aviação são os mais promissores no curto prazo. "Há uma troca na carteira das blue chips por papéis destes segmentos, que têm sido considerados menos arriscados para um momento em que a bolsa brasileira acumula uma forte valorização."

De acordo com Bandeira, da Ágora, no entanto, a tendência para esta semana é de alta entre as blue chips. Ele recomenda as ações da Petrobras, Gerdau e Vale, além dos segmentos bancário e de seguros.

A semana começará a esquentar no mercado a partir de quarta-feira, segundo Bandeira. "O viés do mercado é de alta e a semana deve se iniciar de forma tranquila. Na quarta-feira, apesar de ser feriado nacional nos Estados Unidos, sairão dados importantes da China, como vendas no varejo e produção industrial. Esses números devem ser olhados com atenção pelos investidores"

==============================***==============================

Lucro da Caixa fica em R$ 2 bi


DA AGÊNCIA ESTADO

A Caixa Econômica Federal (CEF) registrou lucro líquido de R$ 2,027 bilhões de janeiro a setembro, resultado 37,9% inferior aos R$ 3,265 bilhões de igual período de 2008. Entretanto, no terceiro trimestre, foi registrada uma recuperação. O ganho atingiu R$ 869,943 milhões, 23,2% superior ao de abril a junho e 20,5% maior na comparação com igual período de 2008, no agravamento da crise global.

A receita de intermediação financeira do banco somou R$ 25,956 bilhões em nove meses, contra R$ 23,299 bilhões no mesmo período do ano anterior. A despesa de intermediação financeira aumentou 22,3%, para R$ 17,383 bilhões. O resultado operacional foi de R$ 2,001 bilhões, com recuo de 31,9%.

O resultado trimestral da Caixa é inferior se comparado aos principais concorrentes privados. No mesmo trimestre, Itaú Unibanco teve ganho de R$ 2,26 bilhões e Bradesco lucrou R$ 1,91 bilhão. Dessa forma, o ganho dos nove meses da instituição federal é comparável ao lucro do resultado trimestral dos concorrentes.

Segundo a Caixa, o aumento do lucro foi gerado principalmente pelas várias receitas com empréstimos, que somaram R$ 3,65 bilhões nos três meses, valor 28,2% maior que o de igual período de 2008, e também pela receita obtida com a cobrança de tarifas bancárias, que cresceu 25,5% na mesma base de comparação e somou R$ 2,37 bilhões.

Entre os serviços prestados pelo banco, chama a atenção o salto de 129% do valor obtido com as tarifas do cartão de crédito, que somaram R$ 94 milhões. "A grande influência para o bom resultado foi a expansão do crédito. A nossa carteira cresceu 61,9% nos 12 meses até setembro. Isso rebateu na receita obtida com as operações de crédito", disse o vice-presidente de Controle e Risco, Marcos Vasconcelos. Em setembro, a soma de todos os empréstimos era R$ 111,9 bilhões, com alta de 12,8% no trimestre.

Segundo ele, a instituição tem conseguido aumentar o crédito porque há redução de juros ao cliente e do spread bancário - que é a margem cobrada pela instituição nos financiamentos. Ao mesmo tempo, pesou positivamente a queda da inadimplência. Segundo Vasconcelos, a parcela dos empréstimos das pessoas físicas com atraso superior a 90 dias caiu de 5,4% em junho para 5,2% em setembro. Entre as empresas, a inadimplência recuou de 2,4% para 2,1% no mesmo período.

Apesar da melhora da inadimplência, a provisão para créditos duvidosos saltou 73,7% no trimestre ante igual período de 2008, para R$ 983 milhões. Em nove meses, o banco reservou R$ 2,53 bilhões para cobrir eventuais prejuízos com inadimplência, valor 77,1% maior que no mesmo período do ano passado.

==============================***==============================

Trabuco: estratégia do banco é o crescimento orgânico


DA REDAÇÃO

Em meio ao que considera um setor bancário consolidado no Brasil, o objetivo do Bradesco é avançar por meio do crescimento orgânico, afirmou, na sexta-feira, o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. O executivo estava em Londres, onde participou do Bradesco Day, evento anual para apresentar as estratégias e a performance do banco a acionistas e analistas. "O Bradesco tem uma estratégia bem definida. Estamos presentes em mais de 95% dos municípios brasileiros. Caminhamos rapidamente para estarmos presentes em 100% das cidades do País, que são cerca de 5,5 mil", disse.

Trabuco salientou que a instituição tem atuação em todas as camadas sociais, apesar do forte posicionamento em clientes de baixa renda. O executivo comentou que recentemente 20 milhões de brasileiros migraram da classe D para a classe C, tornando-se potenciais clientes do banco.

O Bradesco está empenhado em favorecer o crescimento do setor de seguros, já que, segundo Trabuco, está em processo de grande expansão, impulsionado pelo aumento da renda média dos brasileiros. "O nosso modelo de negócio está embasado. Somos uma moeda de duas faces. De um lado, temos as atividades bancárias e o mundo financeiro. Do outro, temos os seguros e as pensões privadas."

De acordo com o executivo, o consumo de seguros per capta no Brasil atualmente é de US$ 200, valor que em uma década deve subir para US$ 2 mil por pessoa. Com isso, o setor de seguros brasileiro saltará da 17° posição mundial para a 10°, acompanhando o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) do País em relação ao das demais nações.

A instituição enxerga também possibilidade de aumento na oferta de crédito, proveniente da competição dos bancos no próximo ano. Segundo Trabuco, o Bradesco já se antecipou nesta disputa, ao ampliar os prazos de financiamento para pessoas físicas e jurídicas.

==============================***==============================

AIG tem outro trimestre positivo


DA AGÊNCIA REUTERS

A American International Group (AIG), seguradora resgatada pelo governo norte-americano, anunciou segundo lucro trimestral consecutivo na sexta-feira, apoiada em recuperação no valor dos seus investimentos. O lucro líquido atingiu US$ 455 milhões, ou US$ 0,68 por ação, contra prejuízo de US$ 24,47 bilhões, ou US$ 181,02 por ação, no mesmo período um ano antes.

Os resultados incluem US$ 1,95 bilhão em ganhos especiais, incluindo os gerados por melhora no valor de títulos mantidos pela AIG Financial Products. A unidade foi uma das principais responsáveis pelas perdas maciças da seguradora em 2008, que levaram o governo dos Estados Unidos a resgatar a empresa.

ajuda. O lucro ajustado alcançou US$ 1,9 bilhão, ou US$ 2,85 por ação. Na mesma base, analistas consultados pela Thomson Reuters I/B/E/S esperavam em média ganho de US$ 1,98 por ação. Desde setembro de 2008, os contribuintes americanos colocaram até US$ 180 bilhões à disposição da AIG, incluindo mais de US$ 80 bilhões em empréstimos que a companhia vem tentando reembolsar por meio da venda de ativos.

Antes maior seguradora do mundo, a AIG quase entrou em colapso devido a maciças perdas com operações de swaps de crédito que vendeu para empresas do setor financeiro para garantir investimentos em hipotecas residenciais.

==============================***==============================

Bancos privados reforçam o capital para recuperar crédito


Ana Paula Ribeiro Da Agência Estado

Os bancos privados preparam o terreno para em 2010 recuperarem parte do mercado de crédito perdido nos últimos meses para as instituições públicas. A primeira etapa já foi cumprida, que é o fortalecimento da base de capital. Agora, esses bancos serão mais agressivos na concessão de financiamentos. "Nosso poder de competição é para aproveitar este momento", alertou na quarta-feira o diretor presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi.

Dados do Banco Central (BC) indicam que os bancos públicos respondiam por 40,48% do total do crédito no País em setembro. Um ano antes, esse segmento detinha 34,11% dos empréstimos. Já o setor privado (incluindo os bancos de capital estrangeiro) viu sua participação cair de 65,89% para 59,52%.

Essa mudança no mercado foi fruto da postura anticíclica adotada, principalmente, pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal durante a crise financeira, que enxugou a liquidez dos mercados. Para ocuparem o espaço perdido, esses bancos estão com capital reforçado, o que permite maior concessão de crédito.

O Santander registrava no fim de setembro um índice de Basileia de 17,8%, ante os 14% de igual mês de 2008. O indicador será reforçado com os recursos da oferta pública de R$ 14,1 bilhões, concluída em outubro. O Bradesco viu o mesmo indicador saltar de 15,6% para 17,7% em igual período, em parte pela emissão de dívida subordinada de US$ 750 milhões realizada no exterior. Já o Itaú Unibanco registrava no terceiro trimestre um índice de Basileia de 16,3%, melhora de 1,6 ponto percentual em 12 meses.

"O setor privado criou robustez patrimonial a partir da perspectiva de maior crescimento do crédito no próximo ano", afirma o analista da Lopes & Filho Consultoria João Augusto Salles. O índice de Basileia mede a capitalização de uma instituição financeira. No Brasil, o total de patrimônio deve corresponder, em média, a no mínimo 11% dos empréstimos. Quanto maior o índice, maior a capacidade de concessão de crédito do banco.

Só no caso do Bradesco, por exemplo, o potencial é de concessão de R$ 200 bilhões, quase a totalidade da carteira hoje, que é de R$ 215,536 bilhões. O BB também contará com um reforço em seu capital, já que em outubro levantou US$ 1,5 bilhão em dívida subordinada no exterior. Porém, a instituição tem uma série de compromissos a pagar nos próximos meses, como as parcelas da aquisição da Nossa Caixa, a compra de participação da Brasil Veículos e do Banco Votorantim.

Erivelto Rodrigues, da Austin Rating, também acredita que a partir do ano que vem os bancos privados voltarão a recuperar espaço no crédito total do País. No entanto, alerta que essas instituições demorarão cerca de dois anos para voltarem aos patamares pré-crise.

Na avaliação de analistas, a maior robustez patrimonial é decorrência da perspectiva de crescimento maior do crédito a partir de 2010. Este ano, o total de empréstimos deve crescer cerca de 12%, puxado, especialmente, pelos bancos públicos. Já em 2010 a perspectiva é de uma expansão de quase 20%.

INADIMPLÊNCIA. Uma das premissas que reforça a ideia de ampliar a concessão de financiamentos é a percepção de inadimplência em queda a partir deste quarto trimestre, de acordo com Rodrigues, da Austin. No Bradesco, os atrasos acima de 90 dias atingiram 5% da carteira de crédito em setembro, ante os 3,4% registrados em igual trimestre do ano passado. Trabuco espera que esse indicador fique abaixo de 4% até o fim do ano que vem.

Já no Itaú Unibanco, a inadimplência chegou a 5,9% do total de empréstimos, contra 3,8% registrados 12 meses antes. A tendência é também de estabilização e posterior queda. O Bradesco espera um crescimento do crédito de, no mínimo, 20% em 2010. Já o Itaú Unibanco projeta uma expansão entre 20% e 25%.

Na avaliação de analistas, o incremento das concessões de empréstimos será concentrado em determinados nichos. Na pessoa física, a agressividade será maior nas modalidades de veículos, cartões de crédito e financiamento imobiliário. Para pessoas jurídicas, as linhas voltadas para pequenas e médias empresas devem ser as mais demandadas.

==============================***==============================

BNDES já discute novo aporte do Tesouro


Alexandre Rodrigues e Daniela Milanese
Da Agência Estado

A capitalização da Petrobras e o financiamento à infraestrutura estão entre os principais motivos para o novo aporte do Tesouro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou na quinta-feira, em Londres, que o governo terá disponível mais R$ 100 bilhões, a mesma cifra da última capitalização. Na sexta-feira, o presidente do banco, Luciano Coutinho, não confirmou o valor, mas informou que discutirá o assunto depois de amanhã com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Durante entrevista coletiva no escritório da subsidiária do BNDES recém-criada em Londres, Coutinho disse apenas que o número solicitado pelo banco ao governo é "grande" e ainda precisa ser discutido. "Temos as nossas necessidades para 2010, mas precisamos entender que também há outras demandas para o governo federal", afirmou Coutinho.

No Rio, o diretor de Finanças e Operações Indiretas do BNDES, Maurício Lemos, disse que, depois de desempenhar um forte papel na oferta de crédito no auge da crise econômica, o banco se prepara para enfrentar algumas demandas especiais em 2010. A principal delas é a capitalização da Petrobras, prevista no projeto de lei do novo marco regulatório do petróleo.

Para manter a posição da BNDESpar (empresa de participações do banco) na composição acionária da Petrobras, que é de 7,7%, o banco poderá ter de desembolsar cifras entre US$ 20 bilhões ou US$ 30 bilhões. No entanto, ressaltou, a decisão do BNDES de seguir a capitalização será submetida à orientação do governo.

O fortalecimento de outra estatal também poderá demandar recursos do BNDES. O governo tem planos de transformar a Eletrobrás numa Petrobras do setor elétrico e o caminho também pode ser uma capitalização. "Temos as chamadas necessidades excepcionais", definiu Lemos. "Estamos ainda mapeando e aí vamos ver o que precisa ter. O BNDES não vai pegar (do Tesouro) nada que não precise. Vamos fazer o que o governo orientar."

desafio. De acordo com Lemos, outro desafio do banco é manter investimentos pesados em infraestrutura, área que tem mais dificuldades de atrair crédito privado. Até setembro deste ano, o BNDES destinou R$ 31,5 bilhões para projetos de infraestrutura, 33% do total de desembolsos do banco no período.

Segundo o diretor, cerca de R$ 75 bilhões do aporte de R$ 100 bilhões em títulos do Tesouro este ano já foram convertidos para o caixa do banco, que deve fechar o ano com ativos em torno de R$ 300 bilhões. Ele disse não temer um excesso de endividamento com o Tesouro. "Na medida em que ele é o nosso único acionista, somos um agente do Tesouro", afirmou.

Coutinho também defendeu que o BNDES precisa estar presente em algumas áreas onde o setor privado não teria disponibilidade e citou o caso do financiamento da Transnordestina. "Mas uma medida de sucesso para o Brasil não é que o BNDES fique maior, mas que o mercado se desenvolva mais rápido para dividir a formação de crédito", disse.

==============================***==============================

Produção industrial sobe em 12 regiões


Cirilo Junior Da Agência Folhapress

A produção industrial subiu em 12 das 14 regiões pesquisadas em setembro, na comparação com o mês anterior, informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na média nacional, a indústria apresentou alta de 0,8% na mesma base de comparação.

As principais altas foram verificadas no Espírito Santo (3,3%), Goiás (2,4%), Ceará (2,1%) e Região Nordeste (1,8%). No Pará, a produção ficou estável e a única queda verificada foi no Paraná, onde houve retração de 2,9%.

Na comparação com setembro do ano passado, a atividade industrial caiu em 13 das 14 regiões analisadas. Na média nacional, a indústria teve retração de 7,8% na mesma relação.

Nesse sentido, as principais quedas foram notadas em Minas Gerais (-12,6%), Paraná (-10,3%), Pará (-9,4%), Rio Grande do Sul (-9,2%), Santa Catarina (-8,1%) e São Paulo (-7,9%). O único local com aumento nesse comparativo foi Goiás, com alta de 7,3%, influenciada pelo setor de produtos químicos.

No terceiro trimestre, a produção industrial também apresentou queda em 13 das 14 áreas avaliadas em relação a igual período no ano passado. Nessa comparação, Goiás também foi o único local com taxa positiva, registrando aumento de 4,9%. As principais retrações foram verificadas em Minas Gerais (-14,2%) e Espírito Santo (-12,7%).

==============================***==============================

Desemprego atinge maior taxa dos últimos 26 anos


DA REDAÇÃO

A taxa de desemprego nos Estados Unidos atingiu em outubro sua maior nível dos últimos 26 anos. O dado subiu de 9,8% em setembro para 10,2% no mês passado, um nível que não havia sido constatado desde abril de 1983 no país, e que ultrapassa amplamente as expectativas de analistas (9,9%). Desde o início da recessão nos EUA, em dezembro de 2007, a taxa de desemprego já aumentou 5,3 pontos percentuais.

A economia norte-americana eliminou 190 mil postos de trabalho em outubro, acima da expectativa de economistas de perda de 175 mil empregos, segundo dados do Departamento de Trabalho. O dado de setembro foi revisado para corte de 219 mil postos, de estimativa original de perda de 263 mil empregos. Desde o começo da recessão, em dezembro de 2007, foram eliminados 8,2 milhões de empregos nos Estados Unidos.

O emprego no setor de serviços - a maior fonte de postos de trabalho nos EUA - diminuiu em 61 mil em outubro. Empresas de serviços profissionais e de negócios eliminaram 18 mil vagas. O comércio varejista cortou 40 mil empregos.

Cerca de 16 milhões de pessoas não conseguem encontrar um emprego depois que a recessão aparentemente encerrou no país. Outubro foi o 22º mês seguido que os Estados Unidos viram seu mercado de trabalho retrair, o maior período em 70 anos. Contando as pessoas que possuem trabalhos temporários ou pararam de procurar emprego, a taxa de desemprego alcançaria 17,5%.

No terceiro trimestre, a economia dos EUA cresceu pela primeira vez em mais de um ano graças a uma retomada nos gastos de consumo, mas o mercado de trabalho fraco deve manter a recuperação lenta. O Produto Interno Bruto (PIB) subiu acima do esperado, a uma taxa anual ajustada de 3,5% entre julho e setembro. O dado serviu como uma confirmação não oficial de que a mais longa e profunda recessão no país desde a Grande Depressão terminou.

OPOSIÇÃO. Dois dos principais líderes da oposição republicana no Congresso consideraram que os indicadores sobre a situação do emprego representam uma advertência para o governo Obama, demonstrando a importância da cooperação bipartidária. "Sei que o governo partilha nosso objetivo de criar empregos e de crescimento, mas, dívida, despesas, impostos altos e uma maior intervenção, isso não é bom", disse o líder da minoria republicana do Senado, Mitch McConnell.

Já o número dois republicano da Câmara de Representantes, Eric Cantor, disse em nota: "Os americanos, em particular os que têm amigos, vizinhos e membros da família desempregados, suplicam aos dirigentes, em Washington, a se concentrarem sobre os empregos e a economia".

Recentemente, alguns democratas sugeriram a criação de um novo pacote de estímulo econômico. A oposição, no entanto, afirma que o primeiro, de US$ 787 bilhões, aprovado no início deste ano, não surtiu o efeito desejado. O governo divulgou na semana passada que o primeiro pacote criou diretamente ou salvou quase 650 mil empregos. Incluindo o impacto indireto, o número salta para pelo menos 1 milhão, segundo a Casa Branca. (Com agências)

==============================***==============================

BRASIL S/A - ANTONIO MACHADO


Acabou o mau tempo


Já conhecidos os principais indicadores de produção e consumo até setembro, as consultorias começam a rodar seus modelos de previsão e o que sai de todas elas exibe um quadro de crescimento econômico contínuo. Não vale mais falar de crise, mas dos obstáculos que vão embaçar adiante a realização plena do investimento e do emprego.

As taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), na medida trimestral considerada pelo IBGE, tendem a vir fortes, até porque a partir de outubro entram na base de comparação os meses de baixa atividade econômica no ano passado. Mas o crescimento não será só um fenômeno estatístico. Em vários setores da indústria a produção começa a superar a de setembro de 2008, e não deve haver reversão.

O número oficial do desempenho do PIB no terceiro trimestre será anunciado pelo IBGE em 10 de dezembro. As estimativas antecipam que não deverá ser tão diferente da variação de 1,9% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Provável é que a supere.

Na conta da consultoria LCA, o crescimento deve ter se acelerado. Ela projeta expansão de 2,1% sobre o segundo trimestre, o que, na métrica da taxa anualizada que consiste em potencializar para os três trimestres adiante a mesma taxa observada , se desdobra num portento para os padrões da economia brasileira.

Ela está girando ao ritmo anualizado de 8,7%. E, nessa toada, vai livrar o governo Lula da humilhação da primeira variação negativa do PIB desde 1992. O ministro Guido Mantega aposta num número ao redor de 1%. Qualquer coisa cima de zero será excepcional para um ano em que a economia, no mundo, chafurdou no vermelho afora as exceções de sempre, China e Índia, que só diminuíram o passo.

A rigor, deverá ser mais que 1%, mas isso só se vai saber depois de 2011, quando o IBGE concluir a apuração final do PIB de 2009. O de 2007, anunciado esta semana, por exemplo, foi de 6,1%, contra a estimativa preliminar de crescimento de 5,7%. Foi a maior expansão econômica do país desde 1986, o ano do Plano Cruzado, quando o PIB cresceu 7,5%. A discussão que começa a se formar é se há condições econômicas e políticas para o PIB crescer acima de 5% anos a fio.

Pelo lado do discurso político, essa é a intenção. Se realizada, a economia brasileira lá por 2015 será a quarta ou quinta maior do mundo. Não virá pela sorte nem por vontade política, embora ambas costumem acompanhar os movimentos ascendentes das nações. Bem mais determinantes para o crescimento são a estratégia, a existência de um plano e a absoluta concentração para que ele se materialize.

O futuro no presente

Ainda que menos decisivos do que se autonomeiam os políticos e os estamentos da burocracia governamental para que faça acontecer tal processo, boa parte das condições para a redenção da economia, que elimine a metáfora segundo a qual somos "o país do futuro", estará em jogo na eleição presidencial de outubro de 2010.

Cada governo eleito, especialmente para ciclos de oito anos que é o que em situação de normalidade ocorre na prática, tem sua parte. O progresso, a despeito da troca de desaforos entre os candidatos, é sempre um processo cumulativo. É falso o jargão do "nunca antes na história deste país", já largado pelo presidente Lula. Mas ele ajudaria muito mais essa construção se reconhecesse mais vezes, já que a fez em situações específicas, os progressos anteriores.

É tempo de replantar

O momento para engatar a quarta-marcha do crescimento econômico e só se preocupar com as curvas, as placas de sinalização, radares e nível do combustível é agora. O ambiente recessivo, pela simulação da LCA, acabou em algum ponto de julho a setembro. Ela estima que o PIB trimestral cresceu 0,2% sobre 2008 depois de dois trimestres seguidos de variações interanuais negativas (-1,8% no 1º trimestre e -1,2% no 2º). Os problemas atuais também evidenciam a mudança de qualidade da economia, outro fator a indicar o encadeamento entre FHC e Lula. Um semeou. Outro colheu. E é tempo de nova semeadura.

O compromisso de fé

Esta crise, como destaca a LCA, levou "apenas" quatro trimestres para voltar ao pico anterior. Na média das recessões entre 1980 e 2003, levou-se o dobro do tempo. Isso denota maior produtividade da economia e eficiência dos instrumentos de estabilidade. Sempre há novos desafios. Os de agora são adequar a taxa cambial tanto ao crescimento como à inflação, assim como modular o ritmo da demanda à prioridade do investimento, que tem sido por ora mais propaganda que compromisso de fé. O que será de 2011 depende dessas decisões.

O melhor sem esforço

Ameaça tão séria quanto o real valorizado e juros altos contra o crescimento sustentado a taxas superlativas, que permitam à atual geração entrante no mercado de trabalho usufruir um padrão de bem-estar maior que o de seus pais, é a tendência que vai enraizando-se no país de querer o máximo com menos trabalho, menos poupança, nenhuma inovação. É o caso do projeto de lei que corta a jornada legal de trabalho para 40 horas semanais. A expansão acumulada do investimento com consumo inflado por gasto público é outra ficção.

A falta da crítica releva a essência desenvolvimentista mambembe das lideranças. Isso nos faz o país de um futuro que nunca chega.

==============================***==============================

FOLHA DE S. PAULO

Pequeno investidor retorna à Bovespa

Em sintonia com a recuperação do mercado acionário, número

de aplicadores bate recorde e chega a 555 mil, ante 310 mil em 2007

Especialista alerta de que melhor forma de atuar na Bolsa é investir

um pouco sempre, até nos momentos menos fortes do mercado

FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Parece que a escalada da Bolsa fez o investidor se esquecer da crise econômica que há não muito tempo puniu severamente os mercados financeiros. Em outubro, o número de investidores individuais cadastrados na Bovespa alcançou pela primeira vez os 555 mil. Na comparação com setembro, houve a entrada de aproximadamente 40 mil investidores.
Dois anos atrás, havia pouco mais de 310 mil cadastrados. O aumento no número de investidores pessoa física se manteve acelerado até o começo do segundo semestre do ano passado. Depois disso, a crise se aprofundou, abatendo o mercado acionário e estancando a entrada de aplicadores.
A maior procura pela Bolsa de Valores neste momento ocorre em sintonia com a recuperação do mercado acionário. Neste ano, o índice Ibovespa -principal referência do mercado local- acumula valorização de 71,7%, o que faz de 2009 o melhor ano desde os 97,3% alcançados em 2003.
"A Bolsa voltou a subir e as pessoas se animam mesmo. Mas essa não é a melhor forma de atuar. Quem investiu um pouco sempre, mesmo nos momentos menos fortes do mercado, com certeza está com retornos muito mais interessantes", diz Théo Rodrigues, diretor-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores).
Essa maior procura por ações pode ser verificada também na movimentação do "home broker" -o sistema de compra e venda de ações pela internet.
No mês passado, houve alta de 33% nas negociações feitas pelo "home broker", atingindo a média de 284,4 mil transações diárias -maior volume da história. Com isso, o segmento respondeu por 19,8% do volume negociado no mês na Bolsa de Valores de São Paulo.
Todo esse apetite por ações ocorre em um momento em que muitos papéis já estão com ganhos superiores a 100% no ano. Ao olhar um percentual desses não é difícil uma pessoa, mesmo que esteja desacostumada, ficar tentada a entrar nesse arriscado mercado.
No fim de outubro, apenas 1 das 63 ações que formam o Ibovespa tinha baixa acumulada no ano (e branda): Eletrobrás PNB, com recuo de 1,12%.
Dentro do principal índice da Bolsa, as líderes de ganhos neste ano são MMX Mineração ON, com alta de 331,77%, Rossi Residencial ON, que já teve ganho de 247,81%, e Gafisa ON, que subiu 167,85%.
"Quem entrou na Bolsa recentemente perdeu toda essa recuperação que temos visto no mercado nos últimos meses", afirma Rodrigues.
O investidor que resolveu entrar na Bolsa quando a crise estava bastante forte se deu bem. Um exemplo: alguém que aplicou R$ 15 mil no fim de 2008 em ações da MMX Mineração tem agora R$ 64,8 mil.
Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora, afirma que o aumento da participação da pessoa física no mercado era esperado com a recuperação da Bolsa de Valores. "A gente vai ficar acostumado novamente com o crescimento da pessoa física no mercado", diz.
A participação da pessoa física no total negociado na Bolsa gira em torno de 31%. A categoria fica atrás apenas dos estrangeiros, que respondem por cerca de 34% do total.
O pequeno investidor começou a mostrar maior interesse pelo mercado acionário apenas nos últimos anos. Parte dessa maior popularização reflete os programas que a Bolsa de Valores de São Paulo tem desenvolvido desde 2002, como as visitas e as palestras dadas em empresas e clubes.

==============================***==============================

Aplicador tem de estar atento aos balanços

DA REPORTAGEM LOCAL

Para quem começou há pouco tempo a aplicar em ações por conta própria -e não por meio de um fundo-, é fundamental tentar entender os eventos que podem levar um ativo a subir ou sofrer depreciação. Neste momento, a safra de balanços é um dos tópicos que têm regido o mercado acionário tanto aqui quanto no exterior.
O investidor que deseja participar do mercado acionário e resolve aplicar em um fundo deve confiar no gestor e, no máximo, interrogá-lo se a rentabilidade não estiver agradando.
Já quem se sente maduro o suficiente para comprar ações diretamente, por conta própria, terá de lidar com várias informações para tentar aproveitar as curvas favoráveis do mercado. É claro que ler um balanço inteiro não é tarefa fácil. Mas ficar atento a algumas variáveis, como lucro líquido e receita, pode ajudar a ver como anda a saúde financeira da companhia.
"O investidor tem de olhar para os balanços mesmo. E é importante atentar para a evolução dos números das empresas em períodos mais longos, como tem se comportado nos últimos anos", afirma Théo Rodrigues, diretor-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores).
Muita gente esquece que comprar uma ação é mais do que fazer uma aplicação. Cada ação representa um fragmento de uma companhia. Ser acionista significa ser dono de um pedacinho da empresa. (FV)

==============================***==============================

Lucro de empresas espanholas na AL impulsiona Bolsa de Madri

Ações de Santander e Telefónica puxam índice espanhol, o que mais sobe na Europa

DA BLOOMBERG

A Espanha, que amarga a maior taxa de desemprego da Europa, está gerando os melhores retornos do mercado de capitais dentre os países da região com economias em retração, diante do crescimento de suas vendas na América Latina.
O principal índice da Bolsa de Madri subiu 17% nos últimos 12 meses, o maior avanço entre todas as economias da zona do euro ainda em contração. O indicador da Bolsa espanhola superou o índice Dow Jones Stoxx 600 europeu em 15 pontos percentuais no mesmo período em que a Telefónica e o Santander se beneficiaram do crescimento do Brasil.
As empresas da Bolsa do país têm na América Latina cerca de 40% de seus lucros. Deste percentual, estimativas apontam que entre 15% e 20% vêm do Brasil, onde a economia cresceu 1,9% de abril a junho.
O Santander e a Telefónica, que respondem por 45% da ponderação do índice, obtêm mais de 34% de seus lucros operacionais na região, segundo dados da Bloomberg.
""Para as empresas que realizam grande parte das vendas na região, o potencial está assegurado", disse Kilian de Kertanguy, administrador de fundo da Cholet-Dupont Gestion.
Para Bob Parker, do Credit Suisse Asset Management, os lucros gerados na América Latina deverão estimular os investidores a comprar ações espanholas como alternativa aos mercados emergentes.

==============================***==============================

Inflação é destaque da semana na agenda local

FGV, Fipe e IBGE divulgam dados sobre alta dos preços

DA REPORTAGEM LOCAL

Dados de inflação estão no centro da agenda de eventos econômicos na semana. Como o mercado especula sobre quando o Copom (Comitê de Política Monetária) verá necessidade de elevar a taxa básica de juros brasileira, os dados de inflação têm sido acompanhados com muita atenção.
Hoje a FGV (Fundação Getulio Vargas) vai divulgar o resultado do IGP-DI de outubro. A expectativa é que a taxa tenha recuado de 0,25% em setembro para 0,17% no mês passado.
Também haverá de relevante na agenda do dia a apresentação, pela Anfavea, dos dados da indústria automobilística nacional no mês passado.
A evolução da taxa básica de juros no país tem na meta de inflação seu principal parâmetro. Se a inflação não se mantiver controlada, crescem as chances de, em um futuro próximo, o Copom começar a elevar a taxa básica, que atualmente está em 8,75% ao ano.
Amanhã a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apresenta o resultado de seu IPC na primeira quadrissemana de novembro.
Na quarta-feira, enquanto o mercado norte-americano estiver fechado para as comemorações do Dia dos Veteranos, o Brasil vai conhecer seu mais relevante dado de inflação, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
O IBGE apresenta na quarta-feira o resultado do IPCA de outubro. O mercado conta com um resultado em linha com o registrado no mês anterior: de 0,24% em setembro, projeta-se uma alta de 0,25% em outubro.
O IPCA é o índice oficial, utilizado pelo Banco Central para monitorar sua meta de inflação. Para este ano, a meta do IPCA é de alta de 4,5%. Até o fim de setembro, o índice de preços registrava aumento acumulado de 3,21% no ano.
Ainda na quarta-feira, quem chama a atenção do mercado internacional é a China. O país asiático vai apresentar indicadores de atividade e inflação referentes ao mês passado. Devido ao seu peso na economia mundial, a China tem força para mexer com o mercado financeiro, dependendo dos números que venha a apresentar.
A agenda dos Estados Unidos ganha destaque na quinta-feira, quando uma série de dados econômicos será conhecida.
Dentre esses números, será apresentado o resultado das solicitações de empréstimos imobiliários, medido pela MBA (associação que agrupa instituições financeiras norte-americanas do setor de hipotecas) na primeira semana do mês. Novos pedidos de seguro-desemprego também estão na agenda. Na semana passada, houve queda nesses pedidos, informação bem recebida pelo mercado.
Para fechar a agenda norte-americana do dia, o governo vai divulgar o resultado do Orçamento do Tesouro.
"A agenda macroeconômica não reserva grandes emoções para a semana. Mas os investidores deverão ficar mais atentos aos indicadores de vendas no varejo no Brasil e do sentimento do consumidor americano na sexta", diz José Góes, economista da WinTrade.
A sexta-feira será o dia com o maior volume de indicadores na semana. O dia começa com a apresentação do índice de inflação ao consumidor na zona do euro em outubro, para o qual se espera alta mensal de 0,3%. Ainda na zona do euro, vai ser apresentado o PIB do terceiro trimestre, para o qual os investidores projetam elevação de 0,6%, após a retração de 0,2% registrada entre abril e junho pelo bloco de 16 países.
Nos EUA, sairá o índice de confiança do consumidor de Michigan. E, no Brasil, a agenda fecha com os dados do comércio varejista do IBGE.

==============================***==============================

Das 63 ações que integram o Ibovespa, 60 tiveram alta

DA REPORTAGEM LOCAL

O pregão fraco de sexta-feira não comprometeu o resultado da Bolsa de Valores de São Paulo na semana passada. No período, o Ibovespa alcançou ganhos de 4,75%.
Aos 64.466 pontos, o índice Ibovespa, que reúne as 63 ações mais negociadas, está com valorização anual de 71,68%.
Na carteira da Gradual Investimentos, uma das ações novatas, a preferencial da Marcopolo, registrou alta de 3,20% na semana passada. No ano, o papel da empresa acumula apreciação de 105,62%.
"As nove fábricas no exterior minimizam o risco cambial, com receitas e custos na mesma moeda. Projetamos um futuro promissor para a Marcopolo nos próximos quatro anos, com forte crescimento no período", disse Paulo Roberto Esteves, analista-chefe da Gradual Investimentos.
A corretora projeta preço-alvo de R$ 7,50 para o papel da Marcopolo em 12 meses, o que representa uma apreciação potencial superior a 16%, considerando o seu preço atual.
Na carteira do Ibovespa, as altas predominaram na semana passada: 60 ações subiram e apenas 3 recuaram.
No topo dos ganhos do índice apareceu o papel preferencial da Vivo, que subiu 12,50%. O balanço trimestral da empresa, apresentado durante a semana, foi bem recebido pelo mercado.
A seguir, surgiram Lojas Americanas PN, que ganhou 11,63%, e América Latina Logística UNT, que subiu 10,54%.
Na lista das ações que recuaram no período, apareceram: Embraer ON (3,02%), B2W Varejo ON, com baixa de 1,76%, e Braskem PNA (0,17%).

==============================***==============================

Investidor paulista vence disputa virtual de outubro

DA REPORTAGEM LOCAL

O campeão da disputa de outubro do pregão virtual do Folhainvest foi Antonio Fernandes, de São Paulo (SP). A carteira virtual do vencedor somou valorização de 42% no mês passado, superando por pouco o segundo colocado, que foi Tiago Alves, de Ipatinga (MG).
A carteira do vice-campeão teve rentabilidade de 41,61%. Na terceira posição, apareceu Fladione Oliveira de Morais, com ganhos de 40,97%.
Por sua conquista, Fernandes levou como prêmio uma passagem aérea de ida e volta para qualquer cidade brasileira atendida pela companhia aérea TAM, além de uma assinatura de três meses do sistema Enfoque Cotações Tempo Diferido.
O vencedor da disputa anual receberá como prêmio uma viagem de uma semana para a Costa do Sauipe (BA), com as despesas pagas pela Fator Administração de Recursos.
O pregão virtual é destinado a quem quiser testar suas habilidades para aplicar no mercado acionário. Para participar do jogo, basta acessar o site
folhainvest.folha.com.br e se inscrever gratuitamente.
O participante recebe um montante fictício de recursos, com os quais compra ações na tentativa de obter os melhores resultados possíveis.

==============================***==============================

Rio vive "boom" nos preços dos imóveis

Com juros menores e perspectiva de crescimento da economia local,

valorização no mercado residencial chega a 50% em alguns bairros

Em São Paulo, alta nos preços também ocorreu, mas não foi

homogênea; aumento médio em algumas regiões alcançou 9%

SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
Embalado pela queda do juros, pelo recuo da Bolsa no início do ano e pelas perspectivas de um novo ciclo de crescimento no Rio, o mercado carioca de imóveis residenciais experimenta alta de preços neste ano.
Em toda a zona sul, a valorização dos apartamentos supera os 20%, chegando a 50% em Ipanema e no Flamengo. Em bairros da zona norte, como Tijuca, a alta é de 30%. Os dados foram levantados pelo Secovi-Rio (sindicato das empresas do setor imobiliário), a pedido da Folha.
A zona sul, a mais valorizada, é uma área delimitada pelo Centro e pela Barra da Tijuca, além dos morros. A predominância é de apartamentos com mais de dez anos de uso. Em igual período de 2007, a valorização de apartamentos nessas regiões era de, no máximo, 10% e foi negativa em Ipanema.
Em 2008, as maiores altas ocorreram em Botafogo, com 29%, e Ipanema, com 23% -e 10% em outras áreas. Botafogo é a região da zona sul onde são lançados mais apartamentos, devido à grande quantidade de imóveis antigos -derrubados para a construção de prédios.
Em São Paulo, também há valorização, mas de forma não homogênea entre as regiões. Segundo dados fornecidos pelo Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), na chamada zona de valor A (Jardins, Ibirapuera, Moema e Itaim), as variações médias de preço por metro quadrado estão em torno de 9% no ano.
Na zona B (Pinheiros, Vila Madalena, Vila Olímpia, Aclimação, Alto da Lapa e Brooklin), há queda média de 15%. Na zona C (Aeroporto, Butantã, Jabaquara, Santo Amaro e Tatuapé), os preços estão estáveis.
Hoje, o preço do metro quadrado na zona sul do Rio está na faixa de R$ 4.000, atingindo o dobro em Ipanema e Leblon. Segundo o Creci-SP, os preços médios dos bairros da zona A são em torno de R$ 3.200, atingindo média de R$ 4.100 para imóveis mais novos.
Na zona sul do Rio, é comum encontrar apartamento de dois quartos acima de R$ 500 mil, mesmo a alguns quilômetros das praias badaladas e em prédios antigos. Em Botafogo, a corretora contratada pelo psicólogo Luís Sérgio Gonçalves anunciou seu dúplex de 111 metros quadrados, no primeiro andar, por R$ 750 mil.
O apartamento foi comprado na planta em 2007 por menos de R$ 500 mil. "Valorizou mais que eu esperava. Quero um três-quartos, mas não sei se vou conseguir", diz. Em Laranjeiras, a seis quilômetros de Copacabana, imóveis de 80 metros quadrados são vendidos por R$ 6.000 o metro quadrado.
Uma das razões para a alta foi o susto com a crise no mercado financeiro. "Com as quedas da Bolsa, no período de crise, e dos juros da renda fixa, os investidores voltaram a ver os imóveis como opção de investimento seguro e rentável", afirma Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio.
A empresária Rosane Rodrigues mora em um bairro do subúrbio. A poupança da família estava em CDBs e fundos de renda fixa. "O retorno estava baixo. Decidimos investir em algo que valorizasse e morar em um lugar melhor."
Ela sacou 60% da poupança para investir num apartamento em construção na Barra. Na rua, uma fileira de prédios está em construção. Embora afastada da praia, Rosane acha que o imóvel vai se valorizar, principalmente por causa das arenas que serão construídas para os Jogos Olímpicos. Os investimentos da indústria do petróleo também devem ajudar a valorizar a região.

==============================***==============================

Deficit se agrava na previdência pública

Reforma de 2003 não impede aumento do rombo e também da

disparidade em relação a benefícios pagos pelo INSS no setor privado

Após melhora nas contas do sistema de aposentadoria dos

servidores, Lula deve fechar 2º mandato com deficit de R$ 48 bi em 2010

GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Objeto da principal e mais polêmica reforma do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o regime de previdência dos servidores públicos encerrará a administração petista com deficit em alta, conforme aponta o projeto do Orçamento de 2010 em análise no Congresso e ao contrário do que prometiam as estimativas de seis anos atrás.
Tampouco parece mais próximo o objetivo -anunciado na época para atrair apoio político às mudanças propostas- de encurtar a distância entre as cifras das aposentadorias pagas aos servidores e as que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) oferece aos trabalhadores da iniciativa privada.
Desde a aprovação das mudanças constitucionais, em 2003, o valor médio mensal pago a um inativo civil do Poder Executivo federal subiu quase 90% e chegou a R$ 5.355 em agosto último; no mesmo período, o benefício médio do INSS registrou uma elevação pouco acima dos 60% e atingiu o valor de R$ 707.
Os Poderes Legislativo e Judiciário apresentam taxas de crescimento menores, mas continuam muito mais generosos com os seus funcionários: suas aposentadorias, na casa dos R$ 10 mil mensais médios no final de 2003, passam atualmente dos R$ 15 mil -tanto antes como agora, mais de 20 vezes a média registrada no setor privado.
"Busca-se tornar a Previdência Social mais equânime, socialmente mais justa e viável financeira e atuarialmente para o longo prazo", dizia a exposição de motivos da proposta levada pessoalmente ao Congresso pelo presidente Lula, juntamente com ministros, governadores e empresários, em 30 de abril do primeiro ano de seu governo.
Promulgada oito meses depois, a reforma fixava, para os civis que ingressassem no serviço público a partir dali, o mesmo teto válido para as aposentadorias do setor privado, então elevado para R$ 2.400 e hoje de R$ 3.218,90. Os que desejassem valores maiores deveriam aplicar em fundos de previdência complementar.
Como medida de impacto mais imediato para o caixa do Tesouro Nacional, foi instituída a cobrança de contribuição previdenciária dos servidores inativos de maior renda, além de fixados idade e tempo de contribuição mínimos para a obtenção dos benefícios. Com isso, calculava-se que o deficit do regime teria redução, ano a ano, até 2011.

Reajustes
As previsões, porém, só se confirmaram até o final do primeiro mandato de Lula e, em boa parte, porque também foi duplicada a contribuição patronal para as aposentadorias dos servidores. A medida só tem efeito contábil -o Tesouro, responsável pelo pagamento do tributo, é o mesmo que recebe o dinheiro- e político.
No ano reeleitoral de 2006, a concessão de reajustes salariais generalizados para o funcionalismo do Executivo, que a legislação estende aos aposentados, determinou uma nova trajetória de alta do deficit no segundo mandato de Lula, considerada, de início, passageira: a expansão do quadro de ativos e o crescimento econômico deveriam restabelecer a redução dos desequilíbrios.
A tendência foi agravada, porém, por um novo pacote do gênero no ano passado, quando a administração petista foi encorajada por um recorde na arrecadação de impostos. Pelo modelo adotado, os reajustes serão parcelados até a metade do próximo governo.
Neste ano, as despesas com os 984 mil inativos e pensionistas dos três Poderes, incluindo civis e militares, deverão se aproximar dos R$ 64 bilhões, ou quase 40% das despesas totais da União com pessoal. O INSS gastará o triplo desse valor, mas sua clientela é mais de 20 vezes maior.

Deficit em alta
De acordo com as projeções do Orçamento, as despesas previdenciárias do governo superarão as contribuições (pagas por Tesouro, ativos e inativos) em R$ 43 bilhões, ou 1,42% do Produto Interno Bruto. Para o próximo ano, o deficit previsto sobe para 1,44% do PIB, ou quase R$ 48 bilhões.
O montante, suficiente para praticamente um mandato presidencial inteiro de Bolsa Família, terá de ser coberto com recursos dos tributos destinados à seguridade social, ou seja, saúde, previdência e assistência social. Em 2009, o orçamento da seguridade passou a ser deficitário, o que põe em xeque um dos principais argumentos dos adversários de reformas na Previdência Social.
Na quinta-feira passada, a Folha questionou os ministérios da Previdência e do Planejamento sobre a alta do deficit e se há projeções para sua reversão nos próximos anos, mas não houve resposta até a conclusão desta edição.

==============================***==============================

Reforma da previdência ficou aquém do previsto

Pressão do funcionalismo conseguiu evitar parte das mudanças propostas

Desde 2003, quadro de pessoal da União cresceu em quase 60 mil;

gasto passou o patamar de 5% do PIB pela primeira vez desde 1995

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A reforma da previdência pública foi adotada como prioridade quando a administração petista precisava conquistar credibilidade nos mercados, mas acabou deixada de lado quando a economia do país retomou o crescimento.
Quatro anos se passaram até que o governo Lula se animasse a enviar ao Congresso, em 2007, o projeto de lei que cria o fundo de previdência complementar para os servidores, condição estabelecida no texto constitucional para a principal medida da reforma -a adoção do teto do INSS para aposentadorias dos novos funcionários.
Uma das principais bases políticas do PT, os sindicatos do funcionalismo já haviam conseguido do Executivo, àquela altura, o pacote de reajustes salariais que elevaria o deficit previdenciário no segundo mandato de Lula. Sem apoio na base governista, o projeto do fundo complementar está até hoje parado na Câmara dos Deputados -nem sequer um parecer foi apresentado.
Desde a aprovação da reforma, o quadro de pessoal da União foi ampliado em quase 60 mil servidores -como houve aposentadorias no período, o número de ingressos foi ainda maior. Graças ao atraso na regulamentação do texto, esse contingente não foi enquadrado nas regras propostas.
O enfraquecimento da reforma começou ainda em 2003, quando começou a tramitar no Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição destinada a manter parte das vantagens do funcionalismo, batizada de "PEC paralela" e aprovada em 2005.
Com a nova emenda, inativos que preenchem requisitos mínimos de tempo de contribuição e de serviço público mantiveram o direito à aposentadoria integral, com reajustes equivalentes aos concedidos ao pessoal da ativa.
O lobby do funcionalismo, um dos mais influentes entre os parlamentares, conseguiu barrar também o projeto que limitava a expansão das folhas de pagamentos dos três Poderes em 1,5% ao ano acima da inflação, apresentado no segundo mandato de Lula como parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Em consequência, os gastos da União com pessoal ultrapassaram, pela primeira vez desde 1995, o patamar de 5% do Produto Interno Bruto e se tornaram a segunda maior despesa federal, atrás apenas dos benefícios do INSS. (GP)

==============================***==============================

APOSENTADOS - LULA RECEBE PROPOSTA PARA FIXAR REAJUSTE


O presidente Lula deve receber hoje uma nova proposta de reajuste com ganho real para os aposentados que ganham mais que o salário mínimo. A ideia é garantir o aumento em 2010 e negociar uma regra definitiva só no ano que vem. O ganho real (acima da inflação), discutido entre ministros em reunião na sexta-feira, deverá ficar entre 2% e 3%.

==============================***==============================

Lula sinaliza acordo com Estados para votar pré-sal

Governo aceita ceder parte dos royalties da União a regiões produtoras de petróleo

Relator do projeto diz que está disposto a mudar seu relatório

desde que haja um acordo entre a União e os Estados produtores

VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Lula sinalizou ao governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), que aceita ceder parte da receita da União na exploração do pré-sal para aprovar nesta semana na Câmara o novo marco regulatório do setor de petróleo no país.
Lula se reuniu na sexta passada com Cabral, acompanhado do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e do líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), quando admitiu abrir mão de uma parcela dos recursos da União.
A fórmula desse acordo seria fechada em reunião agendada para amanhã, em Brasília, entre Lula, Cabral, o governador Paulo Hartung (PMDB-ES), o ministro Padilha e o relator do projeto sobre o modelo de partilha de produção, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Na conversa, Lula pediu um voto de confiança a Cabral e seu apoio para que o relatório do peemedebista seja aprovado ainda hoje na comissão especial, para ficar pronto para ser encaminhado amanhã ao plenário da Câmara.
Rio e Espírito Santo querem subir a parcela dos Estados produtores na divisão dos recursos dos royalties do pré-sal, que no relatório de Eduardo Alves ficaria em 18%. Antes, a proposta original do relator era destinar a eles 22%, mas a reduziu diante das pressões do governo. A da União acabou subindo de 23% para 30%.
Segundo a Folha apurou, o governo já estaria disposto a ceder três pontos percentuais de sua parcela nos royalties, que seriam distribuídos para os Estados e os municípios produtores. A parcela dos Estados subiria de 18% para 20%. A dos municípios, de 6% para 7%.
Há ainda outra proposta em estudo, que não mexeria na divisão de royalties feita pelo líder do PMDB na Câmara dos Deputados. A ideia seria garantir a aplicação de um determinado volume de recursos do Fundo Social, a ser capitalizado com a receita do pré-sal, nos Estados produtores, que são os mais atingidos pelos impactos econômicos e ambientais da exploração do petróleo.
Alves, do seu lado, está disposto a mudar seu relatório desde que haja um acordo entre União e Estados produtores. "Se for por acordo, eu não vejo nenhum problema. Caso contrário, meu relatório vai a votação amanhã [hoje]." O deputado disse ser contra, porém, reduzir a parcela que destinou aos demais Estados e municípios do país: 44%.
Os governadores do Nordeste, por sinal, já declararam ser favoráveis ao relatório do peemedebista. Vão, inclusive, se reunir com ele hoje para reafirmar o apoio dado em encontro na semana passada.
Até agora, 2 dos 4 projetos do pré-sal já foram aprovados pelas comissões especiais -o que cria o Fundo Social e o da formação da empresa que irá gerir os recursos da União no setor, a Petro-Sal.
O projeto de capitalização da Petrobras, por meio do qual o governo federal quer garantir recursos para a estatal explorar o petróleo da camada do pré-sal, deve ser aprovado amanhã. O mais importante, porém, é o projeto do modelo de partilha de produção, que também trata dos royalties -tributo cobrado no setor como compensação pelos impactos causados pela exploração do óleo.
O presidente da Câmara, Michel Temer, já prometeu ao presidente Lula que começa a votá-los em plenário amanhã. Temer está disposto a manter a promessa e vai puxar para o plenário os projetos que não tiverem sido aprovados na comissão até amanhã.

==============================***==============================

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - O Muro de Berlim e a crise financeira

HOJE O mundo comemora os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Nesse dia, uma revolta popular marcou o triunfo da democracia sobre o autoritarismo e a vitória do capitalismo sobre o estatismo. Essa dupla vitória, porém, levou o pensamento convencional do mundo desenvolvido a um duplo equívoco: supor que o mercado poderia substituir o Estado na coordenação da economia e supor que o ideal do socialismo fora definitivamente afastado.
O segundo erro não teve consequências maiores para o que se seguiu no mundo. A ideologia liberal ganhou um ponto em relação à socialista -o ideal da liberdade se sobrepôs aos ideais da igualdade e da solidariedade-, mas isso não significa que as sociedades modernas tenham abandonado os dois últimos.
Já o primeiro erro, que se consubstanciou no neoliberalismo, teve consequências negativas sobre o capitalismo vitorioso. O capitalismo venceu porque a coordenação pelo mercado é muito superior à coordenação por um modelo planificado depois (não antes) que uma sociedade tenha realizado sua acumulação inicial de capital e se industrializado. Mas isso não significa que sem regulação firme pelo Estado os mercados possam realizar sua tarefa de alocação de recursos e seu papel de criar oportunidade para empresários inovadores fundarem empresas, descobrirem mercados e impulsionarem a economia.
Se 1989 foi um marco histórico, 19 anos depois a Crise Financeira Global foi outro. Ela demonstrou a que excessos nos levou o triunfalismo liberal transformado em neoliberalismo. No pós-Segunda Guerra Mundial, o capitalismo havia assumido um caráter social e democrático; vivemos então os 30 Anos Gloriosos do Capitalismo. Porém, desde o final dos anos 1970, esse grande avanço começou a ser desafiado pelo fundamentalismo de mercado neoliberal.
Nos anos 1990, apoiado na hegemonia política alcançada pelos EUA ao derrotar a União Soviética, o neoliberalismo transformou-se na "verdade única", promoveu a queda dos salários nos países ricos e a diminuição das oportunidades de investimento para os empresários, enquanto aumentava os bônus dos financistas e as rendas dos capitalistas rentistas vivendo de juros, aluguéis e dividendos. Causou, assim, o aumento da desigualdade ao mesmo tempo em que provocou sucessivas crises financeiras tanto nos países ricos como nos de renda média -crises que terminaram tristemente na grande e duradoura crise atual.
Comemoremos, portanto, a queda do Muro de Berlim, mas não nos deixemos enganar pelos radicais, sejam eles liberais, sejam socialistas. Estes fizeram revoluções que produziram sofrimentos e não resultaram no socialismo; aqueles se deixaram levar pelo neoliberalismo, promoveram a redução das taxas de crescimento quando comparadas com os 30 Anos Gloriosos e apenas beneficiaram os 2% mais ricos da população.
As ideologias não são mais simples falsa consciência como eram no tempo de Marx e Engels. Ao descobri-las e denunciá-las, esses grandes pensadores afinal as tornaram sistemas de valores e crenças políticas conscientes e respeitáveis porque associados a objetivos fundamentais: a liberdade, para os liberais; a igualdade e a fraternidade, para os socialistas. No momento, porém, em que as ideologias se tornam radicais, o sistema de concessões mútuas que está na base da política e, portanto, que define as sociedades democráticas passa a correr perigo. Tanto a queda do Muro de Berlim como a Crise Financeira Global nos servem de advertência.


LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994".
Internet:
www.bresserpereira.org.br

bresserpereira@gmail.com

==============================***==============================

Mercado Aberto

MARIA CRISTINA FRIAS - cristina.frias@uol.com.br

Cresce adesão a programa de negociação de débitos fiscais

A demanda das empresas para negociar débitos tributários por meio do Refis (Programa de Recuperação Fiscal) está aquecida nos escritórios de advocacia. A menos de um mês do prazo final para a adesão ao programa, no dia 30, alguns escritórios precisam realocar a equipe de outras áreas para analisar os pedidos que chegam.
Advogados consultados pela Folha atribuem a demanda maior às melhores condições oferecidas no Refis neste ano.
Entre elas, estão o parcelamento dos débitos em até 180 meses e a possibilidade de reduzir a dívida para empresas que tiveram prejuízo fiscal do Imposto de Renda, diz Fernando Moura, do escritório Sacha Calmon - Misabel Derzi.
Cerca de 40 clientes do Queiroz Prado Advogados aderiram ao Refis, segundo o sócio Marcelo Prado.
A dívida negociada por apenas um dos clientes do escritório chega a R$ 2 bilhões, enquanto os débitos dos demais somam R$ 60 milhões.
"É mais do que cinco vezes a adesão do ano passado. Mas a alta não está relacionada à crise, pois o programa abrange débitos vencidos até novembro de 2008", diz Prado.
Como muitos clientes deixaram para decidir sobre a adesão ao Refis na última hora, não há mais senhas no site da Receita para agendar visitas de esclarecimento, afirma Roberto Ribeiro, do escritório Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra.
Outro problema é a incerteza sobre a aprovação das propostas, já que ainda não há informações disponíveis sobre documentos e prazos exigidos, segundo os advogados.

"A alta [na adesão ao Refis] não está relacionada à crise. O que atraiu as empresas neste ano foram as melhores condições oferecidas"
MARCELO PRADO
sócio do Queiroz Prado Advogados



Maior benefício de farmácia é ficar aberta 24h

A norma da Anvisa que quer restringir a venda de não medicamentos em farmácias contraria o interesse do próprio consumidor, segundo a Abrafarma (que reúne grandes cadeias de farmácias).
Mais de 90% dos clientes consideram bom encontrar produtos como sabonetes e hidratantes nas gôndolas. Para 78%, é positivo poder comprar cartão telefônico e recarregar celular em farmácias. Os dados são de pesquisa que será divulgada hoje, feita pelo Ibope Inteligência para a entidade, com mais de 1.300 entrevistas.
Apesar de os não medicamentos representarem só 25% das vendas das farmácias, estes produtos estimulam a concorrência no setor, diz Sérgio Barreto, presidente da entidade.
A carência de bancarização também contribuiu para que elas tenham adquirido aspecto de loja de conveniência, diz Barreto. Ter serviços de pagamento de conta de água, luz e outros é bem recebido por 79%. "Em São Paulo, isso é incomum, mas há farmácias que pagam benefício do INSS em municípios que não têm bancos. No Brasil, é necessidade."

HÉLICE

A HeliSolutions, empresa que oferece propriedade compartilhada de helicópteros, registrou desde agosto aumento de 25% no volume de voos ante o primeiro semestre. A receita da empresa não chegou a cair durante a crise, pois os coproprietários que quiseram se desfazer de suas partes nos meses mais difíceis da crise tiveram de continuar pagando as taxas do serviço até que suas cotas fossem revendidas. "Eu deixei de crescer no período", diz Rogério Andrade, presidente da empresa, que tem crescido 50% nos últimos anos, mas espera uma taxa de apenas 20% neste ano.

ENERGIA SOLAR 1
Um protocolo de cooperação técnica para desenvolvimento de projetos de eficiência energética foi assinado por Caixa, Eletrobrás e Ministério de Energia. Uma das ações é o financiamento de aquecedores solares de água nas casas financiadas pelo Minha Casa, Minha Vida.

ENERGIA SOLAR 2
O custo dos aquecedores solares de casas financiadas pela Caixa para famílias com renda de até três salários mínimos será totalmente subsidiado pelo banco. Para as demais, o valor dos equipamentos será pago juntamente com o crédito imobiliário pelos mutuários.

TRAJETÓRIAS
Será lançado no dia 18, em meio à Semana Global do Empreendedorismo, o livro "Para Ser Grande", (editora Original/Panda Books), da jornalista Marina Vidigal. O trabalho relata histórias de 20 grandes empreendedores brasileiros, como Ivan Zurita (Nestlé), Alberto Saraiva (Habib's) e Washington Olivetto (W/Brasil). O prefácio é de Marília Rocca, fundadora do Instituto Empreender Endeavor no país.

YAKISOBA 1
De olho nos US$ 56 bilhões de investimentos diretos anuais da China, a Apex-Brasil participará de dois eventos para empresas do país neste mês. O primeiro é o Global China Business Meeting, que terá a presença de 400 líderes do país hoje e amanhã, em Portugal.

YAKISOBA 2
O segundo evento é o Fórum Brasil-China de Comércio e Investimentos, promovido pela Apex, em SP, nos dias 26 e 27. A agência receberá 300 empresários chineses, que participarão de seminários sobre oportunidades no Brasil nos setores de energia, indústria manufatureira e infraestrutura.

MULTINACIONAIS
A internacionalização de empresas chinesas, espanholas e indianas é tema de debate amanhã, em São Paulo. O seminário é promovido pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), com colaboração da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica).

SOM
A produtora paulista Play it Again acaba de abrir um núcleo de produção na capital paranaense. A meta é que os negócios cresçam 70% na região com a criação da divisão, chamada Play Sul.


com JOANA CUNHA e MARINA GAZZONI

==============================***==============================

Painel

SILVIO NAVARRO (interino) - painel@uol.com.br

Mapa da mina

O Ministério de Minas e Energia concentrará mais de 90% dos R$ 94,4 bilhões que as estatais federais terão para investir no ano eleitoral de 2010 -alta de 18,4% em relação a este ano. O detalhamento dos gastos foi feito na quinta. Guarda-chuva de todo o setor energético e da Petrobras, o ministério é chefiado pelo peemedebista Edison Lobão.
De acordo com o projeto de Orçamento-2010, em tramitação no Congresso, 64% desse dinheiro irá para obras do PAC. Mas o governo também busca recursos externos. Depois de percorrer Europa e países como o Canadá, o "roadshow" que caça investidores para o PAC passa, neste momento, por Tóquio e Seul.



W.O. Para conter o imenso assédio a Dilma Rousseff, os organizadores do encontro de prefeitos do PT com a ministra, anteontem, repetiam ao microfone que ela voltaria na parte da tarde ao local para atender ao grande número pedidos de fotos dos presentes. Só que ela não apareceu.

Tratamento. O novo ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) se referiu à chefe da Casa Civil no evento petista como "a senhora Dilma". Na sequência, foi a vez de ela, sempre em tom de brincadeira, revidar: "Senhora é a vovozinha..."

A favorita. Na sexta, quando o PC do B recebeu a visita da ministra em seu congresso, a cúpula da sigla combinou não exagerar na saudação à convidada ilustre para evitar melindrar Ciro Gomes (PSB), que também foi chamado. Nem a militância obedeceu -recebeu Dilma sob coro-, nem Ciro deu as caras.

Holofote. Punido pela Polícia Federal sob acusação de engajamento eleitoral, o delegado Protógenes Queiroz, candidato a deputado pelo PC do B, deu entrevistas no evento reclamando da PF. A poucos metros, estava o ex-chefe Tarso Genro (Justiça) e Lula.

Bota-dentro. As bancadas do PSDB promoverão um jantar, quarta, na casa do deputado Eduardo Gomes (TO), cujo motivo oficial será dar as boas-vindas a Marcelo Itagiba (RJ), Rita Camata (ES) e Flávio Arns (PR), além de um desagravo ao senador cassado Expedito Júnior (RO).

Foto. Nos bastidores, entretanto, corre que a intenção real é saber qual dos governadores que disputam a candidatura ao Planalto, José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), vai aparecer. Ou nenhum.

Procurados 1. Responsáveis pela pressão sobre Michel Temer (PMDB-SP) para que colocasse na pauta de votações o projeto que atrela o reajuste das aposentadorias ao do salário mínimo, a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas elegeu como "inimigos públicos da categoria" os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP), Henrique Fontana (PT-RS) e João Carlos Bacelar (PR-BA).

Procurados 2. A entidade colocou as fotos dos deputados em seu site, com acusações de que o trio passou uma "rasteira nos aposentados".

Novos tempos. Passou praticamente despercebido o abraço, no meio do plenário da Câmara, dos ex-desafetos Jair Bolsonaro (PP-RJ) e José Genoino (PT-SP), após a aprovação de um projeto que beneficiava taifeiros da Aeronáutica. Chamado de "capacho da ditadura" por petistas, Bolsonaro explica: "Chegamos a um ponto de maturidade. Agora, é daqui pra frente".

Saldão. O Senado anunciou leilão, dia 21, de uma "grande quantidade" de mesas, armários, computadores, fogões, geladeiras, sofás, camas, colchões, além 14 automóveis.

RT. Garibaldi Alves (PMDB-RN) postou em seu Twitter: "Meu gabinete ainda dispõe de publicações como Constituição e códigos. Quem se interessar envie e-mail com nome e endereço".


com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON

Tiroteio

"Para um partido de elite, não há forma mais analfabeta de fazer política do que comprar cabos eleitorais no atacado."


Do deputado LUIZ SÉRGIO (PT-RJ), sobre o programa do PSDB de contratação de 4.500 "multiplicadores" para atuação no Nordeste.

Contraponto

Time da casa

Numa conversa às vésperas da escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016, Márcio Fortes (Cidades) tentava convencer o colega Edson Santos (Igualdade Racial) e o deputado Chico Alencar (PSOL) a assumirem um projeto para mudar as regras de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Fortes elencou dezenas de vantagens.
-Times com grandes torcidas são produtores de dinamismo econômico!-, bradou.
Até que surgiu a pergunta sobre o time do coração do ministro, que, envergonhado, revelou ser torcedor fanático do Fluminense, na zona de degola do campeonato.
-Mas juro que isso não influencia minha opinião...

==============================***==============================

Editorial - Inovação em pauta

A valorização da moeda nacional impõe às empresas

domésticas a adoção de estratégias inovadoras nos negócios

MUITO TEM sido dito sobre a valorização do real e seus danos ao parque produtivo nacional, mas o fato é que vai se tornando cada vez mais evidente que as medidas à disposição do governo para lidar com o problema têm alcance limitado.
É oportuno, portanto, deslocar o foco da discussão para as possibilidades de aumento da capacidade de competição das empresas domésticas. Nesse sentido, nos últimos anos o Brasil desenvolveu um importante elenco de instrumentos de apoio à criação de novas tecnologias e de práticas inovadoras.
No plano financeiro, as companhias brasileiras contam atualmente com incentivos fiscais para a realização de pesquisa e desenvolvimento de projetos inovadores, através da chamada Lei do Bem. Também gozam de isenção de tributos na compra de máquinas e equipamentos vinculados a inovações.
Além disso, um conjunto de fundos governamentais disponibiliza recursos para projetos de pesquisa e desenvolvimento em setores estratégicos, e o BNDES oferece linhas de empréstimos a juros favorecidos para novos projetos em setores como microeletrônica, produtos químicos, biofármacos, entre outros.
Já a Lei da Inovação, regulamentada em 2005, ampliou as condições de apoio a projetos que articulem empresas, instituições de pesquisa e universidades, além de prever a possibilidade de tratamento preferencial a firmas inovadoras nas compras realizadas pelo poder público.
Apesar desse acervo recente, a política pública de inovação ainda necessita de aprimoramentos. O Brasil ainda pulveriza demais recursos escassos, por conta de uma miríade de agências e programas que atuam nesse segmento. Além disso, ainda não há empenho sistemático para atrair os setores de inovação de companhias estrangeiras interessadas em fazer negócios no país.
O crescente interesse pelo Brasil, por parte de aplicadores internacionais, também é uma oportunidade para ampliar os chamados fundos de "venture". Por esse mecanismo de mercado, investidores emprestam recursos a empresas de perfil inovador ainda na fase de desenvolvimento de seus projetos -interessados em compartilhar do sucesso, muitas vezes meteórico, de algumas delas.
O Brasil, considerados gastos públicos e privados, investe hoje 1,1% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D), enquanto Japão e Coreia investem em torno de 3,5% do PIB. No caso brasileiro, o dispêndio em P&D com recursos do governo responde por 54% do investimento nacional, contra apenas 25% na Coreia e 16% no Japão.
A chave para ampliar a parcela do PIB destinada à área de P&D, como recomenda a comparação internacional, é superar o padrão baseado no gasto do governo. Cabe agora às empresas, devidamente apoiadas por instrumentos públicos, liderar, por meio da inovação, o esforço de ampliar a densidade tecnológica e a competitividade dos produtos fabricados no Brasil.

==============================***==============================