Registro - Debêntures da Gafisa
7 de Agosto de 2006 - A construtora Gafisa vai realizar oferta pública de R$ 240 milhões em debêntures simples, com prazo de cinco anos. A operação tem como objetivo reduzir os custos de dívida e melhorar as condições de financiamento da companhia. Os recursos captados serão usados para amortizar antecipadamente a totalidade das debêntures da 2 emissão da companhia que vencem em fevereiro de 2009, no montante de R$ 64 milhões e com remuneração de CDI mais 2,85%. A Gafisa pretende ainda amortizar a totalidade das debêntures de sua 3 emissão, com volume de R$ 112 milhões, remuneração de CDI mais 2,00% ao ano e vencimento fixado em dezembro de 2010.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)
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Intermedium lucra R$ 4,3 milhões, alta de 98% no semestre
Belo Horizonte, 7 de Agosto de 2006 - A Intermedium Financeira, a maior empresa independente no ramo, em Minas Gerais e a 23 do país, segundo o anuário Balanço Financeiro, publicado por este jornal, encerrou o primeiro semestre de 2006 com o lucro líquido de R$ 4,3 milhões. O resultado foi 98% maior do que ao do igual período do ano passado. A empresa é uma subsidiária da maior empresa de construção imobiliária do estado, a MRV Engenharia, e segundo o seu diretor executivo, Dauro de Carvalho, o incremento das operações de crédito pessoal consignado foram decisivos para o bom resultado do semestre.
A financeira está há 11 anos no mercado, atuando principalmente no desconto de duplicadas e cheques pré-datados, que hoje ganharam o nome técnico de recebíveis. É uma área de reduzida inadimplência, da mesma forma que o empréstimo para aposentados e funcionários públicos, no qual a empresa atua de maneira mais forte desde o ano passado.
Segundo o dirigente, a Intermedium iniciou também outra área de atuação, que consiste no financiamento de bens móveis, como automóveis, computadores e televisores de forma idêntica ao empréstimo consignado. "O aposentado ou funcionário público vai á loja, adquire o objeto e quita o financiamento através de mensalidades descontadas em seu salário", explica Carvalho.
No ano passado, alcançou o resultado total de R$ 6,4 milhões que, deverá ser superado ainda no terceiro trimestre. Durante toda a sua existência, a Intermedium manteve um crescimento anual de mais de 30%. O patrimônio líquido é de R$ 31 milhões e dispõe de uma carteira com mais de 500 investidores que aplicam na instituição cerca de R$ 60 milhões. A carteira de operações é de R$ 80 milhões, das quais 60% são de crédito consignado.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Durval Guimarães)
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São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - A BV Financeira prepara-se para distribuir seu segundo fundo de recebíveis. Com volume de R$ 1 bilhão, o BV Financeira FIDC II já recebeu o registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Assim como a primeira carteira, tem como lastro operações de financiamento de automóveis.
O primeiro fundo foi registrado em junho, com a expectativa de captar R$ 500 milhões, segundo Emilio Otranto, do Banco Votorantim. Aberto e com liquidez diária, o FIDC I tem prazo de 20 anos e rentabilidade-alvo de 101% do CDI.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Alessandra Bellotto)
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Templeton estréia sua carreira solo no Brasil
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Agora é oficial. A Franklin Templeton Investments começa a operar de forma independente no Brasil, conforme antecipou este jornal. A empresa americana de gestão de recursos, com US$ 490 bilhões em ativos, atuava no mercado brasileiro desde 1997, por meio de uma joint venture com o banco Bradesco (com 50,1% de participação) na Bradesco Templeton Asset Management. A parceira foi encerrada em 31 de julho, com a aquisição do controle total da Bradesco Templeton, que passa a se chamar Franklin Templeton Investimentos Brasil Ltda.
Segundo o vice-presidente da área internacional da Franklin Templeton, Marcus Vinicius Gonçalves, os detalhes de como será a operação ainda estão sendo definidos. Ele adiantou, porém, que a Franklin pretende ampliar o foco de atuação, antes limitado à gestão de recursos para investidores institucionais. Todo o time de gestão e analistas da Bradesco Templeton foi mantido na nova empresa. De acordo com o gestor Mauro Cunha, "a Franklin Templeton sempre demonstrou um compromisso de longo prazo com o Brasil e esta transação reforça tal fato".
Um dos destaques da parceria com o Bradesco foi a criação do Fundo Bradesco Templeton de Valor e Liquidez, que passa por um processo de cisão. Gonçalves informa que serão criados dois novos fundos, um nos mesmos moldes do primeiro (fechado e com prazo definido) e o outro aberto e com uma estratégia de investimentos em ações mais ampla.
A gestão no mercado de renda variável, até pela experiência obtida ao longo desses anos, será a principal estratégia da empresa no Brasil. Os investimentos em ações, segundo o executivo, serão selecionados com base em análises fundamentalistas, alto potencial de retorno (valuation) e geração de valor para acionistas. A criação de multimercados não foi descartada, uma vez que a Templeton já atua no mercado de renda fixa global.
Para William Pingleton, diretor-gerente de vendas internacionais da Franklin Templeton Investments, "a aquisição da Bradesco Templeton deve colocar a Franklin Templeton em uma posição privilegiada para aproveitar as inúmeras oportunidades que se apresentam na maior economia da América Latina, especialmente à medida que o mercado brasileiro e suas regulações se integrem gradativamente à economia global".
Pingleton ressaltou conquistas importantes da Bradesco Templeton, como o apoio ao Novo Mercado, persuadindo as empresas em que investia a participar desse segmento da Bolsa, que privilegia empresas com governança corporativa. Segundo ele, "o excelente desempenho dos fundos de governança produziu frutos entre os institucionais, como a conquista do mandato de um dos maiores fundos de pensão do Brasil".
Diversificação
O investimento no Brasil faz parte da estratégia da Franklin Templeton de diversificação de seus negócios, além dos Estados Unidos. A gestora é ainda um das maiores compradoras de ações brasileiras, como a Gerdau. Um dos episódios marcantes envolvendo a Franklin ocorreu em maio, quando o gestor de carteiras de ações de emergentes, o famoso Mark Mobius, contestou o aumento de royalties pagos para a família Gerdau, sob argumento de que a iniciativa infringia os direitos dos acionistas.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Alessandra Bellotto)
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7 de Agosto de 2006 - A economia brasileira passa por um momento singular. A massa real de rendimento não avança a reboque de um aumento de demanda gerado por exportações, oferta de crédito, investimentos e emprego. A expansão dos rendimentos médios, consumo e crédito está puxando a retomada da demanda doméstica.
"A massa de rendimentos, que vinha na lanterninha no passado, está ditando o atual ciclo de expansão com crédito e investimentos", afirma Fernando Montero, economista-chefe da Convenção Corretora.
Ele explica que as rendas do trabalho e benefícios assistenciais respondem por 60% do Produto Interno Bruto (PIB) e que os ganhos em curso sobre essa imensa massa de recursos podem vir a caracterizar um "choque de renda" na economia.
"Não dá para dizer se é melhor ou pior do que vínhamos assistindo. Sabemos que a dinâmica mudou. Estamos experimentando um caminho diferente", afirma.
A expansão da massa real de rendimentos no País tornou-se evidente no primeiro semestre do ano. Mas se tornou flagrante no segundo trimestre e "resulta de uma constelação de preços relativos que se alteraram no tempo".
"A massa de rendimentos não cresce apenas em função do aumento do salário mínimo, mas reflete também reajustes reais de salários, câmbio baixo, inflação baixa, transferências de renda por meio de programas assistenciais do governo e barateamento dos alimentos. Se essas novas condições perdurarem, a massa de rendimentos continuará crescendo e puxando a economia", considera o economista.
SALÁRIO ATRASADO
Montero esclarece que também está ocorrendo uma mudança na percepção de pesos relativos de alguns preços nos índices de preços ao consumidor, produzindo efeito sobre a renda.
"O peso do trabalho doméstico que é relevante no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, é custo para o empregador, mas é renda para a empregada doméstica", cita Montero.
Fábio Silveira, economista da RC Consultores, lembra que os reajustes nominais de salários estão ocorrendo em percentuais que correspondem praticamente ao dobro da inflação.
"O patamar de crescimento dos salários é importante", insiste. "Não é explosivo, mas deixou para trás a curva descendente de 2003 e 2004. Mas, apesar da recuperação a que assistimos, a massa real de salários é cerca de 20% inferior à vista entre 1997 e 1998."
Ele acrescenta que, no final da década de 1990, a massa salarial ainda estava sob forte influência do crescimento econômico impulsionado pelo Plano Real, lançado em meados de 1994.
"No final da década, a massa real de salários começou a derreter na cola das crises financeiras internacionais, como a asiática e a russa, que sacudiram os emergentes e, claro, o Brasil."
DOIS LADOS DA BALANÇA
Montero, da Convenção, recorda que a renda assalariada não recuperou os níveis de oito anos atrás porque o espaço dessa renda foi ocupado pela balança comercial, que passou de déficit de US$ 7 bilhões para superávit de US$ 45 bilhões no período.
"Alguém deixou de consumir no mercado interno e não foi o governo. Foi a população. A queda do consumo interno também incentivou as exportações", afirma.
A queda da produção industrial de maio para junho reforçou a suspeita de Montero de que o desempenho positivo das vendas no varejo não é decorrente de aumento do emprego, e o resultado das vendas tampouco está sendo direcionado para a produção, cujo crescimento não está acompanhando o ritmo do consumo.
"A expansão do consumo vem da renda média maior e a renda está indo para as importações. Esse movimento pode ser explicado como efeito da taxa de câmbio, do real valorizado."
RENDIMENTOS E TRANSFERÊNCIAS
Ao comparar rendimentos do trabalho e de transferências na economia com diversos índices de inflação, Montero chega a expressivas taxas de expansão.
No primeiro semestre ante o mesmo período de 2005, a massa de rendimento, compilada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 10% em termos nominais.
No mesmo período, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reportou aumento total de salários nominais no setor de 16,3%.
Os gastos do Tesouro Nacional com pessoal e encargos sociais avançaram 11,4%, mas o Tesouro já avisou que a conta do funcionalismo terá seu crescimento acelerado para 15,6% até o fim do ano ao incorporar reajustes concedidos recentemente.
EXPANSÃO REAL
"As transferências federais mostram vigor similar. A Previdência é o benefício-chave, crescendo 13,9% no semestre acumulado", insiste o economista-chefe da Convenção.
Ele alerta para a magnitude dessas diversas taxas de expansão de rendimento se comparadas à variação dos índices de preços ao consumidor.
De janeiro a julho ante igual período do ano anterior, esses índices acumularam variações nanicas.
O IPCA - índice oficial de inflação e referência da política de metas do Banco Central - avançou 4,9%. O INPC acumulou variação de 3,7% e o IPC-Fipe, de 3,0%.
AGENDA DA SEMANA
Veja os eventos mais importantes da agenda econômica doméstica:
Segunda-feira: Relatório Focus, balança comercial (1ª semana de agosto), produção e venda de veículos pela Anfavea (julho);
Terça-feira: IPC-S (1ª leitura de agosto);
Quarta-feira: IGP-DI (julho), pesquisa IBGE de produção industrial regional (junho);
Quinta-feira: IPC-Fipe (1ª prévia de agosto), levantamento do IBGE sobre produção agrícola (julho);
Sexta-feira: IPCA (julho) e IGP-M (1ª prévia de agosto);
Sem data definida: indicadores CNI.
kicker: "A massa de rendimentos reflete também reajustes reais de salários, câmbio e inflação baixos, alimentos mais baratos"
kicker2: "O crescimento dos salários não é explosivo, mas deixou para trás a curva descendente de 2003 e 2004"
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Angela Bittencourt é jornalista da Reuters e sua coluna é publi cada diariamente para os clien tes dos terminais Reuters 3000Xtra e Reuters Trader Latin America. - Angela Bittencourt é jornalista da Reuters e sua coluna é publicada diariamente para os clientes dos terminais Reuters 3000Xtra e Reuters Trader Latin America.email: angela.bittencourt@reuters.com)
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Lucro de banco cresce menos com juro menor
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Juros em baixa, expansão mais moderada das operações de crédito, aumento das provisões para cobrir inadimplência e estabilidade nas receitas com prestação de serviços. Juntos, esses fatores já começam a reduzir o ritmo de crescimento dos lucros e a rentabilidade sobre o patrimônio dos bancos brasileiros.
Hoje, o Bradesco, maior banco privado do País, revela seu resultado no primeiro semestre, e quatro analistas prevêem ganhos ao redor de R$ 3 bilhões, cerca de 15% a mais que no primeiro semestre de 2005. Para Unibanco e Banco do Brasil, as previsões são semelhantes: aumentos de 10% a 20%, ante a média de 50% nos primeiros seis meses de 2005 em relação ao mesmo período de 2004. Bruno Pereira, analista do UBS, diz que o ganho do Bradesco será fortemente influenciado pelo bom resultado da seguradora.
Já as rentabilidades dos bancos, que em alguns casos chegaram a passar de 30% (acima da média mundial do setor bancário), agora tendem a retroceder aos 25%, completa Pereira. "Os ganhos continuarão em alta, até porque os bancos crescem a uma média de 5% ao ano. Mas os desafios estão maiores", afirma Pedro Guimarães, analista do Pactual.
B-1(Gazeta Mercantil/1ª Página - Pág. 1)(Léa De Luca)
Lucro de banco cresce...
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Queda dos juros, do ritmo de concessão de crédito e aumento de provisões pressionam retornos. Neste cenário um pouco menos favorável do que o de 2005, o balanceamento das carteiras de crédito (como vem fazendo o HSBC, trocando operações convencionais por consignadas a aposentados, menos arriscadas) e a redução do percentual dos recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista (hoje em 45%) são fundamentais para os bancos em 2006.
Não é sem razão, portanto, que os bancos voltaram a bater nesta última tecla, como importante instrumento para redução dos spreads do crédito. "O efeito é imediato, como o de uma injeção da veia", disse recentemente o presidente do Bradesco e da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Márcio Cypriano. "Cada dez pontos percentuais de redução do compulsório corresponderia a três pontos de queda do spread", calcula Erivelto Rodrigues, presidente da consultoria Austin Rating. Ele não acredita, contudo, numa redução antes do ano que vem.
O Itaú relatou lucro trimestral estável da atividade bancária (lucros totais menos seguro, para ser comparado com o Bradesco), escreveu Bruno Pereira, do UBS, em relatório divulgado na sexta-feira. "Se o Bradesco repetir esse desempenho, o resultado do segundo trimestre de 2006 será de R$ 1,722 bilhão, 5% na frente de nossa estimativa", completa. O balanço do Itaú mostrou estabilidade nas receitas com serviços, diz Pedro Guimarães, analista do Pactual - embora elas já estejam cobrindo 140% das despesas com pessoal, como lembra Rodrigues, o crescimento é importante porque, ao contrário do crédito, é uma fonte de receitas sem risco. Mostrou também uma desaceleração do ritmo de concessões de empréstimos, por conta da maior ina-dimplência, e um aumento de R$ 100 milhões nas provisões. Outro dado importante no balanço do Itaú notado por analistas foi o aumento do custo de captação de recursos, uma vez que, para financiar sua carteira de crédito, o banco precisou recorrer mais a depósitos a prazo, como CDB, que têm custo mais alto do que depósitos à vista. "Temos calibrado bem os spreads", explicou Silvio de Carvalho, diretor de controladoria do banco.
O Unibanco, que entrou primeiro que seus concorrentes na briga pelo crédito ao consumo, com a Fininvest, também colocou primeiro o pé no freio para contornar a inadimplência - por isso pode voltar a crescer. "A questão é saber quando essa política conservadora vai se refletir em melhora na qualidade dos ativos", disse recentemente a Merrill Lynch, em relatório. Já o UBS acredita que o Unibanco vai se destacar com uma melhora mais relevante no crescimento do volume de empréstimos (ante o primeiro trimestre de 2006). A Merrill Lynch espera rentabilidade de 29,6% para o Bradesco, abaixo dos 30,8% do período anterior. Para o Unibanco, a rentabilidade esperada é de 23,1%.
Nova realidade
Antes do começo da atual safra de balanços, Pereira, do UBS, disse que não esperava diferenças importantes na lucratividade dos bancos quando comparado aos dois trimestres anteriores. A estimativa do UBS apresenta mudanças pequenas no retorno sobre o patrimônio (cerca de 100 pontos-base) e pequeno crescimento no lucro líquido. O UBS prevê que as taxas de crescimento ano a ano vão se estabilizar na faixa de 10% a 20%, nada similar às taxas de crescimento relatadas em alguns trimestres do ano passado e inclusive mais baixas do que no primeiro trimestre de 2006. Essas estimativas estão em linha com a tendência prevista pelo UBS para este ano e para 2007 - o banco acredita que essa nova realidade de crescimento dos lucros está melhor refletida nas expectativas do mercado hoje. "Os resultados do segundo trimestre vão confirmar a capacidade dos bancos de manter lucratividade sólida", escreveu Pereira. kicker: Analistas esperam ganhos 20% maiores; em 2005, crescimento médio sobre primeiro semestre de 2004 foi de aproximadamente 50%
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Léa De Luca)
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Índices fecham a semana em queda nos EUA
Nova York e Londres, 7 de Agosto de 2006 - As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam em queda na sexta-feira após uma sessão volátil, com os principais índices devolvendo os ganhos do início da sessão depois que dados abaixo do esperado sobre o mercado de trabalho reacenderam preocupações sobre redução dos lucros corporativos. O índice Dow Jones - principal indicador da Bolsa de Nova York - caiu 0,02%, a 11.240 pontos. O Standard & Poor’s 500 perdeu 0,07%, a 1.279 pontos, e o Nasdaq recuou 0,35%, para 2.085 pontos. No acumulado da semana, o Dow Jones subiu 0,18%, o S&P 500 avançou 0,07% e o Nasdaq caiu 0,43%.
As bolsas européias fecharam em alta, com o índice pan-continental subindo mais de 1% após dados mais fracos que os esperados de geração de emprego nos Estados Unidos. O índice pan-europeu de blue chips FTSEurofirst 300 ganhou 1,18%, a 1.345 pontos.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Reuters)
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Resultado da J. Malucelli cresce 67%
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - A J. Malucelli, maior seguradora do ramo garantia, registrou prêmios de R$ 55,8 milhões no primeiro semestre deste ano, alta de 48% sobre os R$ 37,8 milhões do mesmo período do ano passado. O lucro líquido foi de R$ 5,4 milhões, 67% acima dos R$ 3,2 milhões. O mercado cresceu 33% e nós 48%", orgulha-se o executivo. O market share subiu cinco pontos percentuais, para 42%.
"Os acionistas estão satisfeitos com o desempenho da companhia e nos solicitaram que façamos planos para manter este desenvolvimento no ano e também estudarmos a criação de novas modalidades de cobertura, a exemplo do que existe no exterior", disse João Gilberto Possiede, presidente da Malucelli. O fundo de private equity Advent é o acionista controlador da Malucelli.
A seguradora tem investido no treinamento dos executivos para desenvolver produtos mais modernos e com padrões internacionais. "Temos visitado seguradoras e resseguradores no exterior, como também participado de seminários internacionais, o que nos permite um contínuo aperfeiçoamento da nossa equipe", disse.
O otimismo com o segmento é grande. Segundo Possiede, o ramo garantia passou a ser explorado pelas seguradoras desde o ingresso do Brasil no Acordo de Basiléia, que tornou a fiança bancária como uma operação ativa de crédito. "As fianças ficaram caras e raras por tomar limite dos bancos, que preferem utilizar o seu potencial operacional realizando operações de crédito, ao invés de emitir cartas de fiança."
Ao mesmo tempo, o volume de obras contratadas e o início do processo de privatização dos serviços públicos, das concessões rodoviárias, da geração e fornecimento de energia elétrica necessitavam de garantias. Isto tudo fez com que o garantia tivesse um bom desenvolvimento nesta última década, com crescimento superior a 3.000%, passando a representar 0,39% do mercado, quando em 1994 era de 0,04%.
Mas a falta de investimentos públicos e privados nos últimos anos fez com que o setor registrasse queda no faturamento. "Para não ficar dependente exclusivamente de contratos públicos, torna-se necessário criar ou desenvolver outras modalidades deste seguro, como também buscar outras fontes de negócios, principalmente junto a atividade privada", disse o executivo. Segundo ele, a área do agro negócio é um dos segmentos da economia que mais está merecendo a atenção dos técnicos da Malucelli.
"Não temos dúvidas em afirmar que o seguro garantia vai crescer e muito em nosso país. Mas temos ainda a considerar que neste mercado, hoje bastante competitivo, os bancos estão de volta", disse. Vários bancos estão operando e em condições bastante favoráveis aos clientes tomadores, dispondo ainda de um trunfo muito significativo, pois não dependem da autorização do IRB Brasil Re para emitir suas fianças aos clientes.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Denise Bueno)
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Fed pode dar uma pausa na alta do juro
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Como reflexo do quadro externo, a tendência no Brasil é que o dólar continue em queda. A reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) desta semana deve manter inalterado o juro básico no país. Caso confirme a tradição de ratificar as expectativas do mercado financeiro, o Fed interromperá o ciclo de alta na taxa que sobe há 17 reuniões consecutivas e está hoje em 5,25% ao ano. Embora não haja unanimidade, dados recentes mostraram desaceleração da economia e conduziram a maioria das previsões para o fim do aperto monetário. Os números do chamado "payroll", divulgados na sexta, ajudaram a clarear o cenário.
A economia dos EUA criou 113 mil postos de trabalho em julho, interior a estimativa de 142 mil vagas. Os ganhos médios por hora subira 3,8% nos últimos 12 meses. O desemprego foi de 4,6%, em junho, para 4,8% no mês passado. "Os números, principalmente o aumento do desemprego, mostram que a economia americana está perdendo força, o que abriu espaço para a manutenção dos juros inalterados", avalia Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.
Antes do "payroll", outros dados já vinham sinalizando fim do ciclo de alta. Embora a taxa anual do PCE - índice de preços dos gastos com consumo - tenha ficado em 2,4%, perto do pico em quatro anos, os números do PIB surpreenderam. A taxa cresceu apenas 2,5% no segundo trimestre, frente a projeções de que subiria 3% no mínimo. O núcleo da inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês), avançou 0,2%, em linha com o esperado.
Os números confirmando desaleceração, além da defasagem na transmissão da política monetária para a economia, compõem o cenário para uma pausa no aperto. "No mercado americano a defasagem no tempo entre uma mudança no juro e o reflexo na economia chega a dois anos, ou seja, os últimos aumentos de juro ainda não foram totalmente sentidos", diz Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro Asset Management. "Além disso, não me lembro de outra ocasião em que o Fed não tenha confirmado as expectativas do mercado financeiro, o que reforça a tendência de manutenção dos juros."
A se confirmar a previsão de parada no ciclo de alta, Marcelo Voss, da Liquidez, acredita que a taxa ficará estável por um longo período. "Nos Estados Unidos, quando a taxa atinge o ponto neutro, que permite crescimento sem inflação, tende a ficar bastante tempo estável", diz. A última vez que o juro chegou a estes patamares ficou entre 5,25% e 5,50% entre dezembro de 1995 e setembro de 98.
BC do Japão se reúne sexta
Além da alta nos juros americanos, iniciada em 2004, mais recentemente outros bancos centrais iniciaram a mesma trajetória preocupados com a inflação. Na sexta, a Rússia elevou sua taxa para uma banda entre 2% e 2,5% ao ano. Na mesma semana, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra reajustaram para cima suas taxas, respectivamente em 3% e 4,75%. Nesta semana, é a vez da reunião do Banco Central do Japão se reunir. A expectativa é que a taxa seja mantida em 0,25%, depois de ter sido elevada em maio, a primeira alta em seis.
No mercado financeiro local, a tendência é de reforço da trajetória de queda do dólar por conta do fim do ciclo de alta nos juros nos EUA. Na sexta, o dólar subiu 0,28%, a R$ 2,182, pressionado pelas compras do Banco Central. O risco-país ficou estável em 221 pontos-base. Os juros futuros fecharam a semana passada em queda, principalmente nos prazos mais longos. Internamente, a expectativa é pelo IPCA na sexta-feira.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Jiane Carvalho)
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São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Bovespa descola de Wall Street e registra terceira alta consecutiva. A Bovespa fechou em alta nesta sexta-feira, descolando-se do movimento de Wall Street e garantindo ganho de 1,24% na semana. No ano, a valorização está em 13%.
Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam em baixa devido à preocupação com a desaceleração do crescimento econômico, o que acabou ofuscando o ânimo gerado pelos dados de emprego abaixo do esperado.
Na sexta-feira, o Dow Jones encerrou estável e o Nasdaq caiu 0,35%. Já o Ibovespa fechou em alta pelo terceiro pregão consecutivo. Subiu 1,06%, para 37.847 pontos, com giro de R$ 2,13 bilhões.
Segundo relatório do banco de investimentos Merrill Lynch, os dados sobre o mercado de trabalho norte-americano acabaram com as dúvidas que cercavam a próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), marcada para terça-feira, dia oito. "Nosso time de economistas acredita que o Fed fará uma pausa na elevação das taxas de juros ", destaca.
De acordo com Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da Corretora Souza Barros, o mercado brasileiro baseou o movimento de alta em cima destes dados. Para o assessor, o mercado de títulos da dívida norte-americana indica uma probabilidade de apenas 15% para um novo reajuste nos juros norte-americanos.
Os papéis da Lupatech subiram 3,23%, R$ 25,50, puxados pelo lucro de R$ 3,37 milhões no trimestre. Entre os destaques de alta ficaram ações da Sabesp (+ 4,34), Unibanco UNT (+3,63%) e Bradesco PN (+2,42%).que publicam seus resultados esta semana.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 8)(Eduardo Campos)
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Registro - Resseguradoras lucram
7 de Agosto de 2006 - A Swiss Re, maior resseguradora do mundo, divulgou na sexta lucro líquido de US$ 1,27 bilhão no primeiro semestre deste ano, 16% acima do mesmo período do ano passado. O retorno anualizado ficou em 13,9% e o patrimônio líquido registrou alta de 18%, para US$ 22 bilhões. O volume de prêmios totalizou US$ 11,2 bilhões. A resseguradora Munich Re lucrou US$ 3,47 bilhões no primeiro semestre deste ano, 143% acima do mesmo resultado de 2005.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)
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Registro - Balanços de corretoras
7 de Agosto de 2006 - O grupo Marsh & McLennan Companies divulgou ganhos com corretagem no terceiro trimestre deste ano de US$ 172 milhões, acima dos US$ 166 milhões do mesmo período do ano anterior. O grupo Aon divulgou lucro líquido de US$ 193 milhões no segundo trimestre deste ano, pouco acima dos US$ 191 milhões do mesmo período do ano passado. A Willis lucrou US$ 72 milhões no segundo trimestre deste ano, 37% abaixo dos US$ 114 milhões do mesmo período do ano passado. O faturamento ficou em US$ 593 milhões, alta de 8%
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)
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Registro - Itaú no Chile e Uruguai
7 de Agosto de 2006 - O presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, disse na sexta-feira em São Paulo que espera assinar o acordo de compra das unidades do BankBoston no Chile e Uruguai no final da próxima semana. O Itaú vai pagar os ativos com ações, como fez em maio quando comprou o BankBoston no Brasil, também do Bank of America, pagando US$ 2 bilhões, ou 5,8% do seu capital total. Os outros dois bancos valem aproximadamente 2% do Itaú.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)
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Governança Corporativa - Registro - Abertura de capital
7 de Agosto de 2006 - O IBC promove amanhã e depois, em São Paulo, uma conferência sobre abertura de capital. O evento acontece no hotel Blue Tree, na Av. Faria Lima.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)
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Governança Corporativa - Registro - Moody‘s eleva Cesp
7 de Agosto de 2006 - A agência de classificação de risco Moody‘s elevou, de B2 para B1, o rating global em moeda local da geradora paulista Cesp, mantendo a perspectiva positiva.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)
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Governança Corporativa - Arcelor ainda tem prazo para recorrer
Rio e Londres, 7 de Agosto de 2006 - A gigante siderúrgica global Arcelor tem 15 dias a partir do fato relevante publicado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na segunda-feira passada, para recorrer da decisão que a obriga a fazer uma oferta pública de ações da Arcelor Brasil para acionistas minoritários. A Arcelor, grupo europeu cuja sede é em Luxemburgo, está sendo incorporada por outro gigante, a siderúrgica indiana Mittal, a partir de sua filial holandesa. Para muitos, trata-se de aquisição; para outros, de uma fusão - e a escolha entre esses dois conceitos pode detonar uma longa batalha jurídica, lá fora e aqui no Brasil.
De acordo com a nova diretora da CVM, Maria Helena Santana, ex-superintendente executiva da Bovespa, caso a Arcelor protocole o recurso, a comissão não tem prazo para julgamento. "Tivemos informações de que eles recorreriam", informou a diretora a jornalistas, depois de tomar posse, na sexta-feira, na autarquia, que tem um colegiado de diretores. Santana substitui Norma Parente.
Ela não soube antecipar qual seria a decisão da CVM em caso de recurso, alegando que a autarquia julga caso-a-caso a questão do "tag along" - no caso, os estatutos da Arcelor prevêem que os minoritários teriam direito a receber 100% do preço pago aos controladores, na hipótese de se configurar venda. "Essa é uma discussão inteiramente caso-a-caso...você consegue pegar pedaços de decisões anteriores e fazer analogias para poder imaginar qual a visão agora. Mas isso, inclusive, pode mudar, porque há pessoas que estão no colegiado agora que não estavam quando aquela determinada decisão foi aprovada", explicou Maria Helena.
Na semana passada, a indiana Mittal publicou comunicado reafirmando que, no seu entender, a operação entre a empresa e a Arcelor não exigia oferta de ações das subsidiárias brasileiras.
Mudança no comando
A Mittal Steel e a Arcelor escolheram Roland Junck, gerente-sênior da Arcelor, para ocupar o cargo de principal executivo após o acordo firmado pelas duas siderúrgicas, no valor de US$ 38,3 bilhões, informaram duas pessoas que têm conhecimento da decisão. Reuniões dos conselhos administrativos da Mittal e da Arcelor realizadas em Londres e em Luxemburgo formalizaram a decisão.
O bilionário Lakshmi Mittal comprou a Arcelor após uma batalha que durou cinco meses e o obrigou a elevar sua oferta duas vezes antes de garantir a aquisição, em 26 de junho passado. Gonzalo Urquijo, diretor financeiro da Arcelor, e Michel Wurth, vice-principal executivo da empresa, que se opuseram à tomada de controle pela Mittal, não foram considerados para ocupar a direção da nova empresa.
"O principal executivo é, em grande medida, um representante que manterá os caras da antiga Arcelor felizes", disse Adrian Darley, administrador de fundos da Gartmore Investment Management Ltd. em Londres, que detinha cerca de 1,5% das ações da Arcelor antes da venda das ações para a Mittal. "Mas serão os caras da Mittal que ditarão as regras", disse Darley à agência Bloomberg News.
Nascido em Luxemburgo, Roland Junck, 50, é vice-presidente executivo sênior da Arcelor. Ele entrou na Arbed SA, de Luxemburgo, em 1980 e galgou posições na empresa antes de sua fusão com a espanhola Aceralia SA e a francesa Usinor SA que gerou a Arcelor. Ele dirigirá uma equipe de seis gerentes que responderão a Lakshmi Mittal, segundo informaram as duas fontes.
Durante a batalha pelo controle acionário com a Mittal, Junck raramente concedeu entrevistas, deixando a função nas mãos de Urquijo e do principal executivo da Arcelor, Guy Dollé, que deve se aposentar no ano que vem.
Caminho para o filho
Com a escolha de Junck, Lakshmi Mittal pode estar abrindo caminho para que seu filho Aditya, 30, dirija a empresa, que possui 61 unidades em 27 países, à medida que ele cria uma gigante mundial que produzirá três vezes mais aço do que sua concorrente mais próxima.
Nascido em Calcutá, Aditya, que iniciou sua carreira na Mittal em 1997, quando tinha 21 anos, havia anteriormente ocupado alguns cargos na equipe de fusões e aquisições do Credit Suisse. Posteriormente, ele ajudou a Ispat International NV, empresa que antecedeu a Mittal, a levantar US$ 775 milhões em uma Oferta Pública Inicial (OPI) realizada em 1997, segundo o site da empresa. No ano passado, o filho de Mittal foi eleito pelo Fórum Econômico Mundial como um dos Jovens Líderes Mundiais.
Junck fez MBA na Universidade Sacred Heart, de Fairfield, no Estado norte-americano de Connecticut. Ele pode ser bem-aceito pelos gerentes da Arcelor, que em sua maioria trabalham na Europa continental e no Brasil, disse Darley.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Reuters e Bloomberg News)
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Governança Corporativa - Equatorial: aproximação para manter o investidor
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Tag along de 100% prepara entrada no Novo Mercado, para quando a Aneel permitir. Aproximar-se mais do mercado foi a estratégia da Equatorial Energia para evitar a fuga de investidores dos papéis da companhia, em meio à ressaca do mercado financeiro dos últimos meses, que atingiu mais fortemente as novatas em Bolsa. Desde a chegada ao mercado, em abril, a unit da elétrica (que representa duas ações PN e uma ON) caiu 11,6%, ante queda de 2,25% do Ibovespa.
O plano, que começou em junho com a contratação de um formador de mercado para dar maior liquidez às ações, parte este mês para apresentações a investidores estrangeiros, reuniões com analistas da Apimec e busca de outros bancos de investimentos que se somem a Bear Stearns, Credit Suisse, Pactual e Fator, hoje os únicos que cobrem a companhia. "Já estamos em conversa adiantada com pelo menos outros três", diz Leonardo Duarte Dias, diretor financeiro de relações com investidores da holding de energia.
A tiracolo, o executivo leva o case do único ativo da holding, a Cemar, que atua no Maranhão. Privatizada em junho de 2000, a companhia ficou atolada em problemas financeiros e sofreu intervenção da Aneel em 2002. Dois anos depois, foi assumida por um valor simbólico pela GP, que injetou R$ 100 milhões. Os resultados vieram rápido. Em um ano, a companhia saiu de um prejuízo de R$ 30 milhões para um lucro de R$ 228 milhões no ano passado, resultado impactado pelo diferimento de IR. "Também estamos financeiramente mais confortáveis, com 65% da dívida atrelada ao CDI, com prazo médio de 10 anos", diz Dias.
Capitalizada, a holding quer comprar empresas com desempenhos operacionais e financeiros fracos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde as taxas de crescimento do consumo de energia são superiores à média nacional, de 3,5% ao ano. Só a Cemar vai receber R$ 350 milhões em investimentos neste ano.
Também foram adotadas medidas saudáveis na área de governança corporativa, como a concessão de tag along de 100% para todas as ações e a inclusão de dois membros independentes no Conselho deAdministração. São ações preventivas de preparo da companhia para ingresso no Novo Mercado, nível máximo de governança no País. Por causa da legislação do setor, que exige um controlador definido, essa possibilidade não é permitida pela Aneel.
Bem avaliada
De carona na forte liquidez internacional, a Equatorial, controlada pelos grupos GP e Pactual, estreou em abril no nível 2 de governança corporativa da Bovespa, sob o olhar crítico de analistas do setor, que consideravam o papel exageradamente valorizado. A oferta pública, incluindo a emissão primária, totalizou R$ 540 milhões. Dois meses antes, o Pactual pagou R$ 87,5 milhões para ficar com 46% do capital da companhia. Pelo preço de fechamento das units na sexta-feira, o valor de mercado da empresa na Bovespa era de R$ 969 milhões, segundo cálculos da corretora Coinvalores.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Aluísio Alves)
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TST muda regra de horas extras e estimula diálogo
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Vantuil Abdala, colocou um fim no polêmico ponto do regime de horas extras para empregados que trabalham em turno. Em análise à proposta do ministro Abdala, o TST decidiu por unâmidade que uma jornada de trabalho superior a seis horas diárias não terá direito a pagamento das sétima e oitava horas como extras -adicional de pelo menos 50%.
Advogados especialistas em direito do trabalho e sindical afirmam que a medida pode parecer polêmica, mas é o início da melhora das relações entre patrões e empregados por questões salariais. "Não havia razão para que essa regra não fosse quebrada. Desde de 1988, o regime de horas diárias sempre foi acima das seis, portanto, não havia motivos para continuar com essa banalidade", destacou o advogado Marcelo Batuíra, sócio do escritório Batuira Pedroso Advocacia .
A tese, firmada TST, torna mais claro o posicionamento do tribunal sobre o tema e que envolve a interpretação de dispositivos constitucionais que estabelecem limites à duração do trabalho e à possibilidade de sua flexibilização. A discussão sobre o assunto foi solicitada com base na análise de uma exame de embargo da Alcoa Alumínio S/A contra um ex-empregado.
Cristina Buchignani, advogada especialista em direito sindical, e membro do escritório Emerenciano, Baggio e Associados, diz que a partir de agora "estão abertas as portas" para a negociação. "A empresa pode negociar diretamente com seus empregados. Basta que o acordo seja encaminhado posteriormente aos sindicatos, pois não haverá mais uma forma unificada de negociação", ressaltou Cristina Buchignani.
Para o advogado Otávio Pinto Silva, do escritório Siqueira Castro Advogados, os trabalhadores não devem se sentir inseguros com a decisão, pois a proposta de Vantuil Abdala garante o direito da compensação após a negociação. "Essa decisão vai beneficiar todas as partes. O assunto vinha sendo considerado insuficiente uma vez que previa apenas que quando há na empresa o sistema de turno ininterrupto de revezamento era válida a fixação de jornada superior a seis horas mediante a negociação coletiva. A redação antiga permitia interpretações distintas sobre a remuneração do período excedente às seis horas diárias", disse o especialista.
De acordo com a Constituição, o limite de duração do trabalho realizado em sistema de turnos de revezamento é de seis horas, "salvo negociação coletiva". A ressalva do artigo 7º aponta para empregadores e empregados estabelecerem acordo de trabalho que permita a transposição da jornada de seis para oito horas. Por outro lado, o mesmo artigo prevê a autonomia das partes ao estimular o reconhecimento dos acordos coletivos.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 12)(Wallace Nunes)
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Contra fraude, as seguradoras recorrem a ações criminais
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - A impunidade dos que cometem fraudes contra seguradoras está fazendo com que as empresas comecem a recorrer a processos criminais contra essas pessoas. Não há, no Brasil, estatísticas sobre essas fraudes, mas, de acordo com a Federação Nacional de Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg), "a estimava é que as comprovadas e não comprovadas alcancem entre 10% e 15% dos sinistros pagos, com prejuízos de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões em 2005".
As seguradoras ainda têm receio em mover processo criminal, porque, se a fraude não for comprovada, podem ser obrigadas a pagar indenização.
Os tipos de fraude são variados e vão desde a mutilação do próprio corpo e atear fogo na empresa até a compra de cadáver para simular a morte do segurado. "A maioria dos processos é no âmbito civil e a pessoa só perde a indenização", diz o advogado Gerardo Nogueira Gama. "Poucos casos resultaram em prisão, mas as seguradoras já começam a contratar advogados para abrir processo criminal contra fraudadores", afirma a advogada Daniella Guarnieri, do escritório Chaffin, Goldber e Vainboim. A prisão foi o destino de um grupo de pessoas que tentava fraudar o seguro de vida no Maranhão.
A-12(Gazeta Mercantil/1ª Página - Pág. 1)(Gilmara Santos)
Contra fraude, as seguradoras...
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Advogados afirmam que está aumentando o número de empresas que movem processos criminais. A fraude no Maranhão foi descoberta pelo Grupo Negrini. O grupo explica que os fraudadores afogaram uma pessoa em um rio da cidade de Bacabal, no Maranhão, e colocaram nos bolsos do cadáver documentos de um segurado da Companhia Roma. Os criminosos queriam receber um seguro de R$ 280 mil. Segundo Daniel Carvalho, coordenador do grupo, a Justiça chegou a determinar a penhora de bens da seguradora para o pagamento da indenização à fraudadora. Por fim, a fraude foi esclarecida e a polícia prendeu quatro pessoas.
Comprovação de fraudeComprovar uma fraude, no entanto, é difícil. Daniella Guarnieri explica que a maioria das seguradoras tem departamentos para avaliar a questão. "A fiscalização aumentou e sinistros que têm questão duvidosa o setor averigua", diz a advogada lembrando que não cabe à empresa realizar investigações. "A investigação fica a cargo da polícia. A seguradora, quando tem comunicação substanciosa, leva às autoridades e pede a abertura de inquérito policial para que seja feito uma investigação e depois é aberto um processo criminal."
De acordo com ela, essa medida preventiva (mover processo criminal contra fraudadores) ainda é nova. "Começou há uns três ou quatro anos e ainda são poucos casos de prisão", diz. "Embora não tenha dados oficiais, como nos Estados Unidos que controla tudo estatisticamente, percebo que (a punição) continua firme e crescente", diz o advogado Sérgio Mello, do Pellon & Associados. "Quando combate e pune os fraudadores inibe fraudes futuras", complementa.
Ele concorda que comprovar fraude é bastante difícil. "É necessário ter cuidado com a preservação do segurado e qualquer coisa que afete isso pode gerar indenização por danos por parte da seguradora", afirma o advogado. "A impunidade é um grande problema porque estimula. Ainda são poucos os casos de prisão", diz Gerardo Gama.
Tentativas frustradas
A evolução da tecnologia também tem sido uma grande aliada das seguradoras. Gerardo Gama comenta que incêndios criminosos com a destruição do bem para receber seguro têm diminuído. "Hoje as pessoas têm mais receio de praticar esse crime porque a tecnologia evoluiu", diz. Ele lembra o caso de uma loja no sul do País que o dono aumentou o estoque, a loja pegou fogo e a perícia comprovou que a mercadoria não estava no local. "Ele perdeu o direito a toda indenização", comenta o advogado. Tem também o caso de um empresário que com o objetivo de receber o seguro, colocou um chumaço em ratos e incendiou a empresa. A tentativa teria sido vitoriosa se um dos peritos, ao encontrar o esqueleto de um dos roedores, não tivesse achado estranho e resolvido investigar melhor. O resultado foi a descoberta da fraude.
Fraudes mais comuns
Para Gerardo Gama, os crimes estão mais sofisticados. Ele conta que uma indústria que produz coalho para queijo teve um sinistro rodoviário e a empresa afirmou que tinha muito mais mercadoria do que estava no local. Fraudes relacionadas a automóveis são as mais comuns. A advogada Daniella Guarnieri conta o caso de um segurado que fez sinistro de furto de veículo e o carro estava num desmanche em que ele mesmo era proprietário. "A mulher dele fez a mesma coisa. Ela está presa e ele foragido", conta a advogada.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 12)(Gilmara Santos)
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A proteção autoral dos dados sísmicos
7 de Agosto de 2006 - As atividades relacionadas à concessão de áreas para pesquisa, exploração e produção de petróleo encontram seu marco regulatório na Constituição Federal e na Lei 9.478/1997, que as regula e é taxativa ao estabelecer seu controle e fiscalização pela Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A questão que nos parece controvertida, para não dizer equivocada, refere-se ao tratamento legal conferido aos dados sísmicos coletados e processados pelas empresas pesquisadoras, denominadas empresas de aquisição de dados (EADs), definidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) como aquelas "especializadas em aquisição, processamento, interpretação e venda de dados exclusivos e não exclusivos que se refiram, exclusivamente, à atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural".
Portarias da ANP determinam que as EADs ficam obrigadas a ceder gratuitamente para a agência a totalidade dos relatórios referentes aos dados não exclusivos, como também co-locá-los à venda, para qualquer empresa nacional ou estrangeira, além de determinar que os dados fornecidos pelas EADs e concessionárias farão parte de um banco de dados organizado pela ANP.
Com o intuito de analisar a proteção jurídica dos dados coletados pelas EADs, é fundamental definir que dados são os elementos em estado bruto, não tendo sido objeto de análise, e informação é o produto do processamento posterior desses dados. A base de dados significa a coletânea de obras organizada de forma sistemática.
A Constituição Federal assegura ao autor de obras intelectuais a proteção à sua obra literária ou artística. Nesse sentido, a Lei de Direto Autoral define como obra protegível por direito de autor as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte conhecido ou que se invente no futuro. Além disso, os acordos internacionais relativos ao assunto, como a Convenção de Berna e o Acordo sobre Aspectos de Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPs), estabelecem que as compilações de dados ou outros materiais, desde que constituam criações intelectuais, serão protegidas como tal.
Com efeito, a proteção conferida à obra é a criação do espírito, exteriorizada sob uma determinada forma, com a presença fundamental dos requisitos de originalidade e individualidade, caracterizando assim a marca da criação intelectual do autor em questão.
A polêmica surge justamente neste ponto, quando devemos nos perguntar se as EADs, ao efetuarem a aquisição e interpretação dos dados sísmicos, com originalidade e criatividade, não estariam sob a égide da criação intelectual passível, por conseguinte, de proteção pelo direito autoral. O resultado do trabalho intelectual das EADs, na criação de mapas ou relatórios, formados por dados interpretados, desde que revestidos do caráter de originalidade e criatividade, o qualifica como obra protegida pelo direito de autor.
Entretanto, não há como negar que a regulamentação aplicável aos dados e informações relacionados às atividades de pesquisa, exploração e produção de petróleo entram em conflito com as normas sobre os direitos de autor. A regulamentação da ANP estabelece que, após expirado um período de confidencialidade, os "dados" passarão a ser de propriedade da União, cabendo à Agência Nacional de Petróleo torná-los acessíveis a terceiros.
Portanto, caso se conclua que os dados processados pelas EADs trazem em seu conteúdo criação intelectual com presença de originalidade e individualidade, fica caracterizada a incompatibilidade das normas editadas pela ANP com a proteção assegurada pela Constituição e legislação pertinente quanto à obra intelectual produzida.
*Sócio responsável pela área de Gás e Petróleo de Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados – unidade do Rio de Janeiro.
*kicker: Não há como negar que a regulamentação aplicável aos dados e informações entram em conflito com as normas sobre direitos
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 13)(Luiz Antonio Maia Espínola de Lemos Andreia de Andrade Gomes - Advogada na área de Propriedade Intelectual de Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados – unidade do Rio de Janeiro)
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Produção da indústria cai 1,7% em junho
Rio, 7 de Agosto de 2006 - A Copa do Mundo, que reduziu o volume de negócios em dia de jogos no País, foi um dos principais responsáveis pela queda de 1,7% da produção industrial entre maio e junho, conforme divulgou na última sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda foi a maior dos últimos nove meses e reflete ainda paralisações de petroleiros, greve nas montadoras, um dia a menos no calendário e aumento de estoques. Além disso, o setor continuou amargando a valorização do real, que derrubou exportações e favoreceu importações.
Na comparação com junho de 2005, a produção industrial registrou queda de 0,6%. Já os acumulados do primeiro semestre e dos últimos 12 meses apresentaram elevação de 2,6% e de 2% respectivamente. De abril a junho de 2006, a produção aumentou 0,8% em relação ao mesmo período de 2005 e 0,5% ante o trimestre anterior.
Para o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Silvio Salles, " a dimensão da queda sugere mais que acomodação, pois a redução de 2% no volume de exportações e o aumento das importações da ordem de 13% no primeiro semestre do ano não é pontual, como o efeito da Copa do Mundo.
A expectativa para os próximos meses, porém, é mais animadora na opinião de Salles, que destaca o crescimento recorde da capacidade instalada da indústria em julho. O otimismo é compartilhado pelo Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que declarou em São Paulo que os números da produção industrial de julho e agosto devem ser bem mais "alentadores" que os de junho. Já para o Instituo de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi), a indústria terá que fazer um grande esforço para alcançar "a almejada evolução entre 5% e 6%" no ano.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Sabrina Lorenzi)
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Alpargatas tem lucro líquido de R$ 78 milhões no semestre
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - A São Paulo Alpargatas encerrou o segundo trimestre do ano com lucro líquido de R$ 42,4 milhões, 4,7% menor do que os R$ 44,5 milhões de igual intervalo do ano anterior. No acumulado de seis meses, até junho, o lucro líquido foi de R$ 78 milhões, 5,7% menor do que os R$ 82,7 milhões do ano anterior. A companhia informou em comunicado ao mercado ter contabilizado a subvenção para investimentos e geração de emprego, oriunda de suas operações na Paraíba, conta de Reserva de Capital, retroativo a primeiro de janeiro deste ano.
Segundo comunicado, a contabilização se justifica pelo compromisso da Alpargatas de investir no aumento da capacidade instalada, ampliação do parque e incremento da produção na Paraíba. Assim, para efeitos de contabilidade a apresa apresentou números pro forma do lucro operacional e líquido de 2005.
A receita bruta da empresa cresceu 3,3% no trimestre, para R$ 365,6 milhões e no acumulado de seis meses foi 9,4% maior com R$ 353,9 milhões. Já as vendas líquidas somaram R$ 290,7 milhões no segundo trimestre e R$ 589,5 milhões em seis meses, altas de 3,5% e 9,8%, respectivamente. O Ebitda subiu 42,2% em seis meses, para R$ 135,8 milhões.
As vendas de calçados da empresa alcançaram 83 milhões de pares no semestre. O endividamento da companhia somou R$ 7,6 milhões no final de junho o que representou uma redução de 86% em relação a 30 de junho de 2005.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Redação)
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Brasil quer vender mais para o Japão
Brasília, 7 de Agosto de 2006 - Meta é dobrar as exportações de manufaturados para o mercado japonês até 2010. Empresas brasileiras querem aproveitar o bom momento das relações comerciais entre Brasil e Japão para aumentar as vendas de produtos manufaturados para o país asiático. Segundo exportadores, a escolha do padrão de TV Digital japonês pelo governo brasileiro, anunciada em junho, e as negociações para a venda de etanol para o Japão chamaram a atenção do parceiro econômico para os produtos brasileiros.
No dia 15, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Embaixada do Japão promovem, em Brasília, o seminário "Mercado Japonês: Perfil, Tendências e Desafios". É o primeiro passo do "Projeto Japão" da Apex, que tem a meta de dobrar a venda de produtos manufaturados para o mercado japonês até 2010. No ano passado, as exportações desse tipo de produto somaram US$ 500 milhões, de um total de US$ 3,4 bilhões.
"Até agora, exportamos produtos básicos para o Japão e compramos produtos de valor agregado", diz a coordenadora de Inteligência da agência, Adriana Rodrigues. Para ela, a maior barreira dos produtos brasileiros no Japão é a falta de informação, pois apesar de ter sido o oitavo maior comprador do Brasil em 2005, o Japão ainda vê o Brasil como um produtor de carnes e grãos.
" Só com a promoção dos produtos brasileiros poderemos aumentar as relações comerciais entre os dois países" declara Masahiko Kabayashi, secretário da Embaixada do Japão no Brasil. Segundo a Apex, há mercado para produtos como jóias, roupas, sapatos, cosméticos e orgânicos.
"Teve uma época que todo japonês queria parecer ocidental e acabava usando as mesmas roupas, as mesmas marcas" declara Áurea Yamashita, diretora-executiva da Associação Brasileira de Estilistas (Abest) e neta de japoneses."Atualmente, o que a juventude procura é uma peça com diferencial, única, por isso há espaço. Os consumidores querem são produtos diferentes, inovadores, que reflita essa cultura", explica, complementando que para essa fatia de mercado, nem mesmo o real apreciado atrapalha.
Para que os produtos cheguem ao mercado japonês, é preciso um alto padrão de qualidade, que atenda às exigências de um público muitas vezes mais rigoroso do que o europeu e o norte-americano. "Nenhum país tem um controle de qualidade tão forte" observa o presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais (IBGM), Hécliton Santini.
Há mais de 20 anos exportando pedras lapidadas para o Japão, o setor quer agora vender jóias brasileiras. Para ter acesso ao mercado japonês, os designers brasileiros tiveram de modificar as jóias produzidas aqui, pois como os japoneses têm menor estatura, peças como colares e brincos tiveram de ser reduzidas. Apesar de desde 2005 o setor de jóias promover feiras e exposições no Japão, as exportações do produto, segundo Santini, ainda não são significativas.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Lorenna Rodrigues)
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CIEE debate a inclusão no mercado de trabalho
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - O 4 seminário CIEE/Gazeta Mercantil do Terceiro Setor, com o tema "A Inclusão Social da Juventude Brasileira no Mercado de Trabalho", lotou sexta-feira com 650 pessoas o auditório da sede do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em São Paulo. No painel de discussões, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo, a secretária de Educação, Maria Lúcia Marcondes, o diretor da Fiesp, Luiz Gonzaga Bertelli, o presidente executivo do CIEE, o jornalista Gilberto Di Pierro, o professor e conselheiro do CIEE Antonio Penteado Mendonça, e o presidente internacional da Gazeta Mercantil, Marcos Troyjo, entre outros.
Na abertura o presidente do Conselho da Administração do CIEE, Paulo Nathanel Pereira de Souza, defendeu o valor do terceiro setor como aliado do propósito da entidade. "São organizações privadas com flexibilidade de ação e interesse pelo bem público, que complementam a ação de entidades públicas muitas vezes arcaizadas ou comprometidas", disse. Em seguida, o governador Cláudio Lembo debateu a importância da integração do jovem no mundo do trabalho. "Só o estagiário integrado garante condições de vida na sociedade. Vivemos um vazio de valores no Brasil de hoje, cujo remédio é restaurar a consciência ética, resgatar os valores da sociedade ocidental, entre eles o trabalho", explicou Lembo.
O presidente internacional da Gazeta Mercantil, Marcos Troyjo, afirmou que um perigo que se apresenta é a defasagem não apenas dos segmentos menos favorecidos ou portadores de deficiência, mas o da própria elite do País. "O Brasil detinha 4% do comércio internacional 25 anos atrás contra 2% atualmente. Corremos o risco de ficar atrás não apenas dos Estados Unidos e da Europa, mas da Rússia, do México e do Chile", alertou.
Outro destaque foi Rogério Amato, secretário Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social. "Eu mesmo fiz estágio no CIEE quando tinha dezesseis anos, assim como no Senai. Posso dizer que a primeira chance possui uma importância enorme", opinou.
O evento tratou também da inclusão dos portadores de deficiências. Walter Fanganiello Maierovitch, ex-titular da Secretaria Nacional Anti-Drogas e vice-presidente do conselho de administração do CIEE, lembrou que cerca de 2.200 jovens com necessidades especiais fazem parte dos cursos e estágios da entidade.
Jô Clemente, presidente de honra da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae), em discurso aplaudido de pé, mostrou a necessidade de obter parcerias com o setor privado para a inserção das pessoas com deficiência. "As escolas para deficientes pretendem ser um apoio para a inclusão e convívio nas escolas normais, mas ainda falta trabalho para alcançar esta meta", avaliou
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Fábio Jardim)
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Venda menor deve desvalorizar o real
São Paulo, 7 de Agosto de 2006 - Analistas projetam depreciação para até R$ 2,50 por recuo do volume de exportações. A tendência de arrefecimento da economia mundial para os próximos dois anos - provocada pelo aumento do juro básico nos países desenvolvidos e o possível recuo do preço das commodities - deverá surtir efeitos sobre o volume financeiro das exportações e, conseqüentemente, sobre a taxa de câmbio. Uma desvalorização do real frente ao dólar, levando a moeda para até R$ 2,50, já é esperada por analistas ouvidos por este jornal. Neste contexto, o recente pacote cambial, que permite a manutenção no exterior de 30% de receitas das vendas externas, tem menor influência (ver mais sobre a medida na página A-6).
A queda da cotação de commodities, que até o momento tem "mascarado" o impacto da apreciação do real nas exportações, pode fazer com que haja uma correção natural da taxa de câmbio brasileira em direção ao nível de outras economias, que não registraram apreciação de suas moedas na dimensão do que foi apurado no Brasil.
O argumento é defendido pelo economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira, para quem esse movimento condicionado à continuidade da queda da taxa básica de juro, a Selic, levaria a relação entre as divisas nacional e norte-americana a algo entre R$ 2,45 e R$ 2,50.
Apreciação recorde
Entre oito economias emergentes selecionadas (tabela ao lado), a brasileira foi a que apresentou maior apreciação cambial nos últimos três anos. No acumulado de 2003 até sexta-feira, o real registrou valorização nominal de 62,2%, ante 32,8% do Chile, 27,0% da Polônia, 23,6% da Bulgária, 22,9% da Coréia, 14,1% da Tailândia e 8,5% do Peru. A exceção é o México cuja divisa desvalorizou 4,95%.
Sérgio Vale, da equipe de economistas da MB Associados, concorda com a avaliação de Pereira, mas não com a projeção da taxa de câmbio: espera R$ 2,35 no próximo ano. Contribuirá para isso também o maior equilíbrio da balança comercial com o aumento das importações que, segundo suas projeções, devem atingir US$ 103 bilhões ante os US$ 89 bilhões a serem apurados neste ano. Para as exportações, espera US$ 133 bilhões, um leve crescimento diante dos possíveis US$ 129 bilhões em 2006. A expectativa vai na contramão do otimismo do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, para quem as vendas externas têm condições de expandir, em média, 20%.
O gerente de política monetária do Itaú, Joel Bogdanski, discorda que haja anomalias no nível da moeda brasileira em relação a outros países. "O Brasil exportou muito bem nos últimos anos e isso tende a forçar uma apreciação", afirma. "Uma taxa entre R$ 2,40 e R$ 2,50 é o sonho de verão do exportador brasileiro, mas isso só ocorrerá com o recuo maior do preço das commodities. E, ao que tudo indica, as cotações devem crescer mais lentamente e se estabilizar", argumenta.
Mexida mundial
A entrada da China demandando commodities neste início de século juntamente com o maior aquecimento da atividade econômica nos Estados Unidos e países da União Européia mexeu com todo o comércio mundial. Esse cenário foi propício para a realização de acordos comerciais e frutífero para as vendas e compras entre todos os países .
Está aí a principal explicação para que as exportações de grande parte das economias emergentes, que seguem o regime de câmbio flutuante, tenham dado um salto mesmo com uma trajetória de valorização de suas moedas frente ao dólar. "Houve um momento de esplendor do crescimento mundial e uma maior integração comercial. Isso retroalimentou o processo de vendas externas e o câmbio neste contexto ficou em segundo plano", lembra Caio Megale, economista da Mauá Investimentos.
Um outro impulso veio com o aumento de preços das commodities, em especial, as minerais e o petróleo e, em outra escala, dos manufaturados. Por isso, o volume financeiro total das exportações tanto do Brasil quanto de exportadores de mesma categoria não recuou. As vendas do Chile, grande exportador de cobre, dobraram entre 2003 e 2005, chegando a US$ 40 bilhões. A Coréia do Sul mais que dobrou seus embarques de US$ US$ 193,8 bilhões para US$ 284,4 bilhões.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Simone Cavalcanti)
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7 de Agosto de 2006 - O mercado de câmbio pode finalmente comemorar a tão esperada Medida Provisória 315, publicada em 03 de agosto de 2006, que, sem dúvida, flexibiliza e moderniza as regras cambiais brasileiras.
Antigos entraves e obstáculos colocados em nossa economia desde a década de 30 foram transpostos, de maneira não muito fácil, mas bastante ousada, que fazem com que o Brasil possa sutilmente começar a dar seus primeiros passos rumo a uma liberalização do controle cambial.
Toda essa euforia deve, no entanto, ser controlada na medida em que as novas regras cambiais são ainda provisórias e dependem de regulamentação por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN) e Secretaria da Receita Federal (SRF).
De toda forma, ainda que provisórias e dependentes de regulamentação específica, a tendência e expectativa é de que, em breve, as novas regras se tornem de fato Lei, com uma plena e efetiva aplicação prática.
Dentre as inovações da MP, destacam-se: (i) regularização do capital estrangeiro sem registro, de acordo com certos critérios e (ii) alteração das regras relativas ao pagamento de exportações.
A regularização do capital estrangeiro sem registro ("capital contaminado") permitirá que empresas brasileiras que possuam capital nesta situação efetuem o respectivo registro em moeda nacional perante o Banco Central do Brasil, permitindo, assim, as remessas de lucros e dividendos, juros sobre capital e qualquer outra forma de retorno do investimento ao Exterior.
Esse registro, no entanto, somente será efetuado se o valor do capital estrangeiro em moeda nacional estiver regularmente contabilizado na empresa brasileira receptora do investimento e se houverem sido cumpridas as obrigações fiscais incidentes sobre os mesmos.
Diferentemente da nota oficial publicada pelo Ministério da Fazenda na mesma data em que o pacote cambial foi anunciado (26/07/06), a MP não estabeleceu as situações em que o capital sem registro poderá ser regularizado. De acordo com o Ministério, as situações seriam: a) conversão de dívidas registradas no Banco Central com deságio determinado pelo Conselho Monetário Nacional; b) re-investimento de lucros relativos a parcelas não registradas; c) mudança de critérios adotados no passado pelo Banco Central considerando o valor patrimonial da ação e não o valor de mercado para fins de registro; d) reorganização societária envolvendo parcelas não registradas (fusão, cisão e incorporação). É importante aguardar a regulamentação pelo CMN, a fim de verificar se o mesmo irá ou não se restringir às situações descritas anteriormente.
No que se refere à alteração das regras relativas ao pagamento de exportações, poderão ser mantidas no exterior uma parte das receitas derivadas das exportações. A MP não estipula os limites dessas receitas, deixando a critério do CMN a definição desses limites.
Para a economia brasileira, essas medidas, ao mesmo tempo em que representam um incentivo aos exportadores brasileiros (já que reduzem os custos das operações com o exterior), acarretam ao Governo uma diminuição da arrecadação fiscal, decorrente do não recolhimento de CPMF sobre os recursos mantidos no exterior.
Esses recursos, contudo, somente poderão ser utilizados para as situações estritamente previstas na MP: realização de investimento, aplicação financeira ou pa-gamento de obrigação próprios do exportador. Será vedada a utilização destes recursos para concessão de empréstimos ou mútuos, que poderiam ser utilizados como manobras para não pagamento de impostos.
Se as medidas parassem por aí, o governo estaria, sem dúvida, fragilizado e exposto à prática de infrações fiscais e cambiais, que iriam da sonegação fiscal à lavagem de dinheiro. Assim, temendo justamente esses possíveis "deslizes", o governo vai mais adiante e estabelece regras rígidas quanto ao controle dessas operações, transferindo a fiscalização e o controle das mesmas ao BC e à SRF.
Esse controle será feito através de declarações que deverão ser feitas pelos exportadores ao BC e à SRF, bem como pela aplicação de multas e penalidades àqueles que descumprirem as disposições da lei.
Como se observa, as novas medidas permitem que o Brasil dê um passo histórico e audacioso, na medida em que incorpora em seu ordenamento jurídico regras modernas e atualizadas frente às exigências do mercado internacional.
Porém, o que a sociedade deve realmente exigir é que os órgãos responsáveis pela regulamentação das medidas cumpram seu papel, permitindo, assim, que o "espírito" de todo este avanço seja realmente assimilado pela economia brasileira e não seja somente a transcrição e adoção de um novo texto legal, ainda provisório e sem aplicação prática.
kicker: Toda essa euforia deve, no entanto, ser controlada na medida em que as novas regras cambiais são ainda provisórias
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Cássia Rangel Monteiro - Advogada de L.O. Baptista Advogados Associados)
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BNDES deve emprestar mais a estatais
Rio, 7 de Agosto de 2006 - O setor público será um dos maiores beneficiados com o aumento do patrimônio de referência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Conseqüência da Medida Provisória do pacote cambial (MP 315) do governo, a iniciativa ampliará a oferta de crédito do banco para empresas estatais, com impacto principalmente para os investimentos da Petrobras e Eletrobrás.
Publicada na sexta-feira passada no Diário Oficial da União, a medida de capitalização depende ainda da aprovação do Banco Central (BC), que Fiocca espera ocorrer em breve. A medida autoriza o banco a converter 80% de uma dívida de US$ 7 bilhões com o Tesouro Nacional em patrimônio de referência. Com isso, o patrimônio, hoje limitado a R$ 24 bilhões, será ampliado para cerca de R$ 30 bilhões. A legislação prevê que os empréstimos do BNDES para o setor público estejam limitados a 45% do patrimônio de referência do banco. Já para o setor pri-
vado, esse limite é de 25%.Na sexta-feira, o presidente da instituição, Demian Fiocca, anunciou que serão beneficiados setores como o de papel e celulose, energia, petróleo e aviação. Fiocca não quis, entretanto, detalhar os nomes das empresas beneficiadas, mas sabe-se que a Petrobras compõe o rol de empresas com limites de endividamento esgotado no banco. No mesmo caso se enquadram as empresas do sistema Eletrobrás, fundamentais, nos próximos anos, para expandir a oferta de energia elétrica e evitar um novo racionamento no setor.
Do total da dívida do banco com a Secretaria do Tesouro Nacional, R$ 6 bilhões serão perdoados e convertidos em patrimônio de referência. Na prática, o banco também conta com um total de R$ 100 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) na contabilidade de seu patrimônio líquido. O BC só permite, porém, que sejam contabilizados no patrimônio de referência o máximo de R$ 8 bilhões desse montante.
Fiocca fez questão de desvincular a medida de qualquer disposição em beneficiar as empresas estatais. O efeito, segundo ele, ocorre apenas como uma "conseqüência matemática" do pacote cambial do governo. A intenção, segundo o executivo, é permitir uma maior alavancagem de recursos para as empresas privadas.
"O patrimônio de referência que será elevado amplia a possibilidade de o BNDES fazer empréstimos para o setor público, mas não é esse o nosso objetivo, até porque esse limite estava bastante confortável", desconversou o executivo.
Segundo o presidente do banco, já se verifica no setor produtivo uma tendência de aumento dos investimentos de grandes grupos privados do País. Por isso, a medida teria sido implementada antes do esgotamento dos limites de endividamento.
"Ainda não havia operações travadas com o setor privado, mas víamos que estava chegando perto do limite", justificou Fiocca complementando que o objetivo é apoiar grandes projetos de empresas privadas.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Ricardo Rego Monteiro)
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MP 315 inclui operações retroativas
7 de Agosto de 2006 - Receita terá acesso a sigilo bancário de exportadores que deixarem 30% dos dólares no exterior. As exportações realizadas antes do anúncio da Medida Provisória 315, na sexta-feira passada, cujos valores ainda não foram trazidos ao Brasil, também serão beneficiadas pela nova regra de cobertura cambial, que permite a manutenção no exterior de até 30% do total valor da operação. A decisão foi tomada em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), realizada também na sexta-feira.
Publicada no Diário Oficial, a MP 315 confirma regras anunciadas anteriormente pela equipe econômica, como a flexibilização da cobertura cambial e a modernização dos contratos de câmbio. Além disso, traz novidades. O setor aéreo, por exemplo, foi agraciado com desoneração de Imposto de Renda nas operações de leasing, o que pode estimular o aumento das frotas. Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu autorização para elevar seu capital em até R$ 7 bilhões (ver matéria nesta página).
Como anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o pacote cambial reduziu a cobertura cambial – obrigatoriedade de internalização de dólares obtidos nas exportações – de 100% para 70%.
A MP também confirma a isenção da CPMF para os recursos que ficarem no exterior, além da possibilidade de operações de câmbio "intraday" (no mesmo dia) para os exportadores. O pacote coloca a Receita Federal na linha de frente do tema cambial, ao estabelecer responsabilidades de fiscalização e punição ao Fisco. Com isso, a Receita terá acesso ao sigilo bancário dos exportadores. Antes da MP, tais obrigações eram exclusivas do Banco Central. Assim, algumas das penalidades aplicadas a infratores de temas cambiais passam a ter desdobramentos tributários. "A direção é clara. Os controles sobre as operações serão simplificados e há divisão de obrigações com a Receita", disse o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Vieira da Cunha.
Não são apenas os exportadores que serão beneficiados pela MP. Em meio à crise da Varig, o governo isentou companhias aéreas do Imposto de Renda nos pagamentos para as empresas de arrendamento mercantil (leasing). A medida barateará custos de manutenção e, principalmente, ampliação de frota. (Ver página C-5).
A MP também permite transformar dívidas da União com o BNDES em capital do banco de fomento. A alteração permitirá elevar a capacidade de empréstimos da instituição. Conforme o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Gomes de Almeida, é possível aumentar a capacidade de empréstimos em pelo menos R$ 5 bilhões.
Para aumentar o capital do banco, a equipe econômica usará um instrumento previsto pelo Banco Central, o capital híbrido, que permite reverter dívida em capital de instituição financeira.
"Para aumentar esse capital, precisaríamos colocar o dinheiro do Tesouro no banco, mas aí você compromete o superávit primário. E com essa saída, não há impacto sobre o primário", disse Gomes de Almeida.
Ainda é preciso concluir cálculos, mas o governo trabalha com a possibilidade de o capital de referência – usado no cálculo do teto de empréstimos que uma instituição pode realizar – crescer ao menos em R$ 5 bilhões. Projeção mais otimista cita até R$ 7 bilhões.
Efeitos só em 2007
Debruçado sobre as leis citadas na Medida Provisória 315, em busca de descobrir todas as alterações contidas no texto recém liberado pelo governo, o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) José Augusto de Castro disse que os exportadores viam com "bons olhos" as novas medidas, mas olhavam desconfiados para o fato de caber agora à Receita Federal o papel de fiscalizar as transações. "Passou de uma operação cambial para uma operação tributária, e a preocupação da Receita é arrecadar.
Ele também apontou como positiva a simplificação do processo de contrato de câmbio e disse esperar os reflexos práticos das mudanças só a partir de 2007.
Já um impacto positivo no câmbio, diz, só quando o limite para cobertura passar de 30% para, no mínimo, 50%. Independente do limite, no entanto, Castro lembra que as multinacionais deverão se beneficiar muito mais desse novo mecanismo do que as exportadoras nacionais que, em sua maioria, têm poucas dívidas em dólar e importam pouco. "Já as múltis poderão aproveitar o dinheiro que fica lá fora e até investir em terceiros países", disse ele.
Para o diretor do departamento de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Humberto Barbato, uma medida ideal seria deixar as empresas ficarem com a receita integral da exportação no exterior e não apenas com 30%. "Mas já foi uma vitória conseguir isso, estamos entrando agora no fluxo internacional de capitais."
Como exportador, Barbato diz que agora os empresários terão de fazer muitas contas para encontrar a melhor forma de utilizar esse novo instrumento. "Antes de fechar o câmbio vou ver a data dos vencimentos dos meus compromissos em dólares, se compensar, deixarei no exterior", disse ele, acrescentando que não fará sentido deixar o dinheiro lá sem remuneração e pagar juros aqui para ter capital.
Na sexta-feira Almeida disse ter passado boa parte de seu dia ao telefone com empresários para repercutir a novidade. Disse ter recebido elogios.
Segundo ele, para exportadores de médio porte, a redução de custos pode alcançar valor próximo de US$ 3 milhões. Para grandes empresas, pode somar US$ 30 milhões anuais.
Para Castro, da AEB, os ganhos deverão ser mais tímidos – "uma redução de no máximo 2%, ou US$ 0,04".
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Fernando Nakagawa e Sandra Nascimento)
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Nova Carta é trunfo de Evo Morales para mudar o país
Sucre (Bolívia), 7 de Agosto de 2006 - O presidente boliviano, Evo Morales, inaugurou ontem a Assembléia Constituinte, um marco de seu governo, em meio a uma festa popular na cidade colonial Sucre, tomada por indígenas que celebram o que vêem como uma realização de uma reivindicação histórica.
A Assembléia, eleita pelo voto popular, tem o poder de redigir uma nova Constituição com a qual Morales busca integrar a enorme maioria indígena do país, que há séculos vive excluída e na pobreza. "Não é uma constituinte qualquer. Começam novos tempos, tempos de mudança, de justiça social", disse Morales, emocionado, num ato que antecedia a instauração da Assembléia.
Os 255 integrantes do grupo que vai redigir o documento têm entre seis meses e um ano para criar a nova Constituição, que será submetida a referendo popular. Devem ser tratados temas como o uso da terra, demandas de autonomia regional e o reconhecimento dos povos indígenas. "Somos apenas do povo...eu confio que Evo (Morales) nos dará uma vida melhor. Imagine, quando pensamos que poderíamos estar aqui?", disse Juan Sesgo, um indígena de Tarabuco, sentado num palanque de honra armado especialmente para os povos indígenas para acompanhar a inauguração da Assembléia.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 14)(Reuters)
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Tucanos e empresários querem reformas no Mercosul já em 2007
Brasília, 7 de Agosto de 2006 - Incluído entre as prioridades da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Mercosul terá de passar por reformas a partir do ano que vem. Essa é a opinião de empresários ouvidos por este jornal. A demanda da iniciativa privada está em linha com os planos do tucano Geraldo Alckmin, principal concorrente da oposição nas eleições presidenciais.
O coordenador do programa de governo do ex-governador paulista, João Carlos Meirelles, diz que eventual governo Alckmin trará "mais pragmatismo" ao Mercosul, o que faria o bloco caminhar para se transformar de fato numa União Aduaneira. Para Meirelles, a retomada das negociações entre o Mercosul e a União Européia e também com os Estados Unidos (EUA) só será viável quando o bloco sul-americano for "revitalizado".
Paraguai e Uruguai
Meirelles acusa o governo Lula de não ter dado a necessária atenção ao Paraguai e ao Uruguai, o que teria levado os dois países a procurarem acordos de livre comércio com os EUA. Meirelles considera positivas novas adesões ao Mercosul, mas apenas quando o bloco se fortalecer. E pondera que a construção do Gasoduto do Sul não deve ser prioridade do Brasil, uma vez que diversas reservas de gás natural estão sendo descobertas no país.
"A Venezuela é um importante parceiro, mas o momento (da adesão) não foi positivo" diz, apesar das críticas de seu próprio partido à entrada do país governado por Hugo Chávez no Mercosul.
Essa também é a opinião do presidente da Comissão Nacional de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gilman Viana. Para ele, o Mercosul deveria, antes de aceitar novos integrantes plenos, construir um órgão de soluções de controvérsias mais sólido.
"Em 2007, a atenção número um do governo e do Congresso deve ser a reestruturação do Mercosul. Não avançamos na institucionalização do bloco" diz Ingo Plöger, presidente da IP Consultoria e integrante do Conselho Diretor do Fórum Empresarial Mercosul-União Européia.
Para Plöger, a sociedade brasileira precisa debater neste semestre como quer que o Mercosul seja, o papel do país no processo de integração e quanto da soberania nacional que o Brasil deve ceder.
kicker: Coordenador da campanha Alckmin considera positivas novas adesões, mas apenas quando o bloco se fortalecer
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 14)(Fernando Exman)
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Preços no Chile sobem mais que o previsto
Santiago do Chile, 7 de Agosto de 2006 - Os preços ao consumidor do Chile subiram a um ritmo mais acelerado do que se previa em julho passado, puxados pela alta dos preços dos combustíveis, o que eleva as expectativas de que o Banco Central do país aumentará os juros em 2006.
Os preços registraram alta de 0,5% em julho em relação a junho passado, informou hoje em Santiago o Instituto Nacional de Estatística, administrado pelo governo chileno, superando a mediana das estimativas de 14 analistas ouvidos em pesquisa realizada pela Bloomberg, segundo a qual os preços aumentariam 0,4%.
A inflação anual do Chile em junho ficou em 3,8%, percentual próximo do teto da faixa definida como meta pelo BC chileno, que varia de 2% a 4%. O relatório sobre a inflação aumenta a probabilidade de que o BC chileno elevará sua taxa de empréstimos bancários de um dia em mais duas ocasiões este ano, para 5,75% para conter a inflação, disse o analista da BiCE, Julio Espinoza.
Os responsáveis pela política monetária do BC elevaram a taxa para 5,25%, maior patamar dos últimos quatro anos, em sua reunião do mês passado.
"Isso se deve basicamente aos combustíveis", disse Espinoza em entrevista por telefone. "Os preços da gasolina estão afetando o transporte público e todos os serviços básicos."
A inflação durante o mês foi puxada pela alta dos preços da gasolina, que elevou as tarifas de transporte público em 7,4%
cento em julho passado com relação ao mesmo mês de 2005, mostrou o relatório. No mês passado, a Argentina, que fornece quase todo gás natural do Chile, dobrou seus impostos para a exportação de gás, o que ameaçou elevar ainda mais a inflação chilena.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 15)(Bloomberg News)
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Editorial - É preciso mais agilidade nas PPP
7 de Agosto de 2006 - O recado foi bem objetivo: o Brasil não pode perder a oportunidade de viabilizar as Parcerias Público-Privadas (PPP) no momento em que há forte disposição no mercado internacional para este tipo de investimento. Depois do sucesso do caso inglês, desde os anos 90 o mundo todo utiliza o modelo PPP e há sensível oferta de recursos, tanto os institucionais, como os do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), quanto os de fonte privada, interessados na rentabilidade futura desses empreendimentos. Só há um porém: esta liquidez internacional não é eterna. O alerta do consultor Collin Johnson, da Thornton, empresa que acompanha oportunidades em PPP em 20 países, foi claro: a liquidez internacional deve durar "apenas mais dois anos".
O potencial do Brasil neste negócio, como reconheceu Johnson, é de "centenas de bilhões de reais". O governo Lula lançou em dezembro de 2004 as PPP, como solução para a carência de investimentos em infra-estrutura. Porém, nenhuma das iniciativas até agora saiu do papel. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, assegurou, em julho, que até setembro seria lançado o primeiro edital do programa envolvendo a União. O maior entrave era o perfil do Fundo Garantidor (definido em janeiro), que sustenta o empreendimento caso o governo não cumpra sua parte na parceria, uma segurança essencial para investimento que alcança expectativas de até 30 anos.
O governo federal já tem uma definição sobre as PPP: a estréia no programa será a recuperação da BR-324 e da BR-116, na Bahia e em Minas Gerais, ambas corredores de exportação. Foi comunicado oficialmente que o edital desta PPP será disposto em audiência pública nos próximos dias. Porém, os consultores da Thornton destacam que os problemas da PPP brasileira não estão nos aspectos legais.
Como assegurou Johnson, há demanda internacional "para conhecer a lei brasileira", que é bom exemplo para os casos em que o modelo legal inglês não pode ser inteiramente seguido. Mas, segundo estes consultores, as barreiras para a arrancada das PPP brasileiras estão na alta carga tributária do País e, principalmente, no "baixo grau de integração e coordenação" entre as várias instâncias do governo envolvidas na parceria.
O que acontece com um dos principais alvos da PPP, a recuperação dos portos, é exemplo significativo dessa cobrança do consultor. Apesar do forte crescimento no movimento de cargas marítimas (44% de aumento nos últimos quatro anos), os investimentos brasileiros nos portos ficaram abaixo até do que o governo fixou no Orçamento para a recuperação dos portos.
No ano passado, o Ministério dos Transportes reservou R$ 647 milhões para esta finalidade. No final do ano, só um terço foi empenhado e efetivamente executados apenas R$ 121 milhões. Das 64 ações propostas, só 18 foram executadas. O ministério apontou os "culpados": falta de integração entre os órgãos envolvidos e complicadas negociações com os órgãos de defesa ambiental. As PPP pensadas para vencer estas barreiras esbarraram nos mesmos "gargalos".
Os primeiros projetos de PPP apresentados no Brasil se concentraram na área de transportes. É compreensível porque, afinal, como mostrou a pesquisa do Centro de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro, divulgada em junho, as empresas brasileiras gastam 56,3% a mais que as norte-americanas para fazer a produção chegar ao destino final. O mesmo estudo provou que o custo logístico no Brasil representa 12,8% do PIB, enquanto nos EUA (país com semelhante dimensão continental), este custo é de 8,19% do PIB. Portanto, está correta a concentração de PPP no setor de transporte.
Nos dois últimos anos os investimentos públicos recuaram pelas pressões dos cortes para gerar superávit primário. A solução, óbvia, está na participação do capital privado nesta tarefa. A PPP é o modelo que permite isto, desde que o País tenha suficiente agilidade para captar os recursos. Os consultores da Thornton alertaram que há lentidão neste processo. É um erro grave que precisa ser corrigido.
Para imprimir, enviar ou comentar, acesse:
www.gazetamercantil.com.br/editorial
kicker: Especialistas alertam que boa liquidez para o modelo PPP pode durar mais dois anos. O Brasil deve acelerar processo de captação de recursos
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2)(Para imprimir, enviar ou comentar, acesse: www.gazetamercantil.com.br/editorial)
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(Debêntures) Banco médio recorre mais aos FIDCs
Tatiana Bautzer
"Alguns bancos que só faziam concessões diretas querem lançar fundos agora para evitar a necessidade de injeção de capital quando mudar a regra do Banco Central", diz o diretor da Oliveira Trust, Juarez Dias Costa. O Paraná Banco está preparando sua primeira emissão, com "road show" para investidores esta semana no Rio e em São Paulo.
O Banco Votorantim está esperando aprovação de um novo fundo de R$ 1 bilhão. Em junho, o banco já havia lançado um fundo de R$ 500 milhões com liquidez diária, tendo como alvo investidores de private banking. O novo fundo será fechado, com prazo de cinco anos e carência de dois. "Queremos diversificar o funding da financeira, até agora só da tesouraria, para continuar expandindo a carteira de crédito de veículos", afirma o diretor de mercado de capitais do Votorantim, Emílio Otranto. Desta vez o público será de investidores institucionais e outros bancos. A emissão, sem coobrigação, terá duas séries, uma sênior, rendendo 102% do CDI, e duas séries de subordinadas, com alvo de 102,2% do CDI.
Também está em análise uma emissão do Cruzeiro do Sul, de R$ 50 milhões.
A Oliveira Trust lançou oito fundos, no valor total de R$ 500 milhões, e está estruturando outros quatro de R$ 250 milhões. Agora, está disputando mandato para estruturar fundos de dois bancos médios. O diretor não revela o nome das instituições, mas acredita que até 15 bancos que estavam fora do mercado passem a vender FIDC.
O Bradesco é um dos principais compradores de carteiras de crédito de bancos médios, incluindo BMC, Panamericano, Pine, Bonsucesso, Industrial e Cruzeiro do Sul. O Itaú tem acordos com BMG e o HSBC, do banco Schahin. O ABN AMRO Real costuma comprar parcelas da carteira do Cacique.
Espera-se que o Banco Central mude a regra contábil para concessão de crédito com coobrigação, no qual o risco permanece com o banco que vendeu a carteira. A ponderação do risco para cálculo do capital necessário à instituição passará de 50% para 100% na nova regra.
Para outra instituição bastante atuante na originação de FIDC, o Mellon Brasil, as emissões de bancos pequenos e médios têm crescido, mas já são lançadas com comprador definido e não vêm a mercado. "O problema é que muitas dessas emissões já estão com o custo de captação fechado com o comprador", diz Roberto Pitta, diretor do Mellon Brasil. "Se viessem a mercado talvez pudessem conseguir taxas melhores. A taxa já chega a mercado fechada a 110% do CDI, por exemplo, mas se outros investidores pudessem disputá-la ela poderia cair", argumenta.
O volume de FIDC administrado pelo Mellon subiu 24% nos primeiro semestre do ano, de R$ 2,9 bilhões para R$ 3,9 bilhões. Nos seis primeiros meses a instituição originou R$ 850 milhões nestes fundos. Pitta espera que o volume gerado no segundo semestre seja de R$ 1 bilhão.
Ele vê uma perspectiva melhor para emissões de empresas privadas, que estão avaliando as operações pelo custo mais baixo e melhora dos seus índices de endividamento no balanço, o que não ocorre com papéis tradicionais de dívida. Segundo dados da CVM, o estoque total de emissões de FIDC é de R$ 4,4 bilhões até julho, com R$ 2,3 bilhões em análise. Não há estatísticas sobre o total de cessões de crédito entre os bancos, mas o volume é de bilhões mensais.
A geração de crédito mensal para pessoa jurídica superou R$ 70 bilhões ao mês e para pessoa física, R$ 40 bilhões. O total de FIDCs ainda é inferior a 20% do total de debêntures, de R$ 44 bilhões no ano.
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Destaques- Debêntures da Gafisa
A construtora Gafisa vai emitir R$ 240 milhões em debêntures. A emissão faz parte de um programa de R$ 500 milhões. Os papéis vencem em 2011 e podem ter juro de até CDI mais 1,3% ao ano.
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Merrill Lynch recomenda compra de Brasil
Por Angelo Pavini
Na carteira sugerida pela Merrill Lynch, o mercado brasileiro aparece com recomendação 4% acima da média do Índice MSCI América Latina de ações, que reúne os principais papéis de cada mercado. Na lista, o Chile aparece na média e Argentina e México, 2% abaixo.
Segundo Martins, apesar da turbulência que tomou conta dos mercados brasileiro e internacional desde maio, os fundamentos do país que norteavam a recomendação de investimento em ações não mudaram. Ele lembra que existe um processo de afrouxamento da política monetária no Brasil que vai continuar e, segundo a Merrill Lynch, pode levar a taxa básica Selic para 14,25% no fim deste ano e para 13% em dezembro de 2007.
Esse processo de queda pode trazer impactos importantes para a bolsa e para a economia brasileira, que é 60% impulsionada pelo consumo doméstico, afirma Martins. No ano passado, esse consumo cresceu 2,3% e, este ano, a estimativa é de aumento de 4,6%. "A velocidade de crescimento do consumo deve dobrar com a maior confiança do consumidor, aumento do crédito, renda maior e inflação e juro mais baixos", diz.
A recomendação de compra para Brasil reflete também a perspectiva de crescimento de lucro das empresas brasileiras. Martins calcula que as empresas incluídas no MSCI Brasil, as principais da Bovespa, e que em sua maioria fazem parte também do IBrX-50, devem ter um aumento médio do lucro de 21% em dólar. E, em 2007, mais 8%.
Outro fator que pode ajudar o mercado local é o fato de o país estar na contramão do restante do mundo em termos de juros, afirma Martins. Enquanto o Brasil reduz as taxas, Estados Unidos, Japão, Europa e China aumentam. Esse movimento, avalia Martins, deve levar a uma desaceleração da economia mundial, enquanto o Brasil manterá seu crescimento. "É um movimento contra-cíclico interessante", diz.
A queda dos juros deve ter efeito também no interesse dos investidores pela renda fixa. Nos cálculos da Merrill Lynch, com juros de 13% ao ano, o ganho final real do investidor seria de 4,5% ao ano. Aumentaria assim a procura por ativos não convencionais, como ações, recebíveis de crédito ou de imóveis. "E a poupança doméstica não é desprezível, somando fundos de investimento mais fundos de pensão, temos cerca de US$ 550 bilhões", afirma ele. O resultado seria uma alta desses ativos.
O próximo governo deve também manter as responsabilidades fiscal e monetária, o que permitiria ao país chegar a grau de investimento ("investment grade") em 2007 e abriria as portas da bolsa brasileira para os grandes fundos de pensão americanos. Ele lembra que, na semana passada, a agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou a Índia a grau de investimento e a Moody's colocou a nota do Brasil em revisão com perspectiva de melhora. "Virar grau de investimento pode mudar os múltiplos do país", afirma Martins, referindo-se aos indicadores de lucratividade e retorno das empresas em relação aos preços das ações. Hoje, por exemplo, o indicador Preço/Lucro (P/L, que dá uma idéia do prazo de retorno do investimento em anos) está hoje em 8,3 vezes, para 11,2 vezes da média dos mercados emergentes. "O subproduto de um 'investment grade' seria que os preços das ações subiriam e esse P/L também, o que tornaria o momento atual mais interessante para investir".
As previsões da Merrill Lynch vêm em um momento de desconfiança dos investidores internacionais em relação aos emergentes. Segundo a consultoria americana Emerging Portfolio, os fundos globais de ações venderam em junho US$ 15 bilhões em papéis de mercados emergentes, ou 2,3% de um total de investimentos de US$ 670 bilhões. Esta foi, segundo a consultoria, a maior onda de vendas desde o início da pesquisa, em 1995, já levando em conta a crises dos países asiáticos, da Rússia e, mais recentemente, da bolha da internet e da retomada dos juros americanos em maio de 2004.
Na Europa, as vendas atingiram US$ 4,2 bilhões e, na Ásia, US$ 3,6 bilhões. As vendas líquidas de ações superaram US$ 1 bilhão em oito mercados, incluindo Brasil, Japão, Reino Unido, Rússia, Índia, México, Coréia do Sul e Taiwan. O Brasil e outros 17 países atingiram em junho o maior volume de vendas de ações. Já os BRICs, que reúnem papéis do Brasil, Rússia, Índia e China, registraram em junho vendas líquidas de ações de US$ 5,29 bilhões. No semestre, entre os mercados emergentes, o pior resultado foi da Coréia do Sul, que perdeu US$ 4,68 bilhões até junho.
De 29 de junho a 26 de julho, os fundos emergentes globais registraram perdas de US$ 1,4 bilhão. Mas os fundos para América Latina tiveram aplicações de US$ 307,7 milhões.
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Por Angelo Pavini
Ficou mais fácil para o investidor saber quem são os responsáveis pelo destino do dinheiro aplicado em fundos. A partir deste mês, a Anbid passa a divulgar um ranking de gestores de recursos de fundos, complementando o que já era divulgado, mas que incluía apenas os administradores. O novo ranking inclui 185 instituições, um universo muito mais amplo que os 42 administradores do ranking anterior. A lista vai desde a gigante BB DTVM, com R$ 161,5 bilhões, até a pequena InvestPort, com R$ 800 mil em fundos abertos.
Com a nova lista, a Anbid está também reforçando a tendência de maior especialização entre os serviços de gestão e de administração de recursos. O gestor determina onde aplicar o dinheiro do fundo e define estratégias. Já o administrador cuida da parte de controle do fundo, desde o cálculo da cota até a verificação se o gestor está cumprindo o regulamento definido com o investidor. Normalmente, os grandes bancos fazem eles mesmos a administração de seus fundos, assim como a custódia. Já os gestores independentes contratam administradores e custodiantes externos. Em geral, esse mercado é dominado por Itaú, por meio da subsidiária Intrag, e Mellon Serviços Financeiros.
O ranking de gestores traz algumas diferenças em relação ao de administradores. O Unibanco, por exemplo, que aparece em sexto lugar entre administradores, cai para oitavo no ranking de gestores, enquanto ABN Amro Real e Santander sobem uma posição, para sexto e sétimo lugares, respectivamente. Já a Mellon, forte na área de administração, cai do 11º lugar para o 17º.
Fica mais aparente também o crescimento dos gestores independentes, onde aparecem desde os pesos-pesados Legg Mason e a Mellon até a tradicional Hedging-Griffo. Mas já é possível ver caras novas, como Claritas Investimentos, a Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e sua dissidência, a Mauá Investimentos, do também ex-BC Luiz Fernando Figueiredo. O ranking poderá ainda trazer a discussão sobre o que pode ser considerado um gestor independente, uma vez que alguns bancos, como o Fator, com R$ 2,359 bilhões, também se incluem na lista. O Valor optou por agrupar os não ligados a bancos no levantamento.
O ranking traz ainda quanto cada gestor tem em cada tipo de fundo, nas categorias curto prazo, referenciado DI, renda fixa, multimercado, cambial, dívida externa, ações, privatização, previdência, FDIC (recebíveis), "offshore" (no exterior) e imobiliários. Isso permite definir sub-rankings, que mostram a especialização de alguns gestores em determinados tipos de carteira. O Valor fez dois levantamentos, de multimercados e ações, onde ganham destaque gestores de menor porte. Nos multimercados, além da gestora do Pactual, aparecem a Votorantim Asset, a BNP Paribas e a Hedging-Griffo. Já em ações, aparecem a asset do Opportunity, a BankBoston e novamente a Hedging-Griffo.
A tendência cada vez maior de separação entre as atividades de gestão, distribuição e administração levou a Anbid a criar o novo ranking, após cinco anos de criação do levantamento global de administradores de recursos de terceiros, afirma Marcelo Giufrida, vice-presidente da associação e responsável pela área de gestão do banco BNP Paribas. "Com o crescimento dos gestores independentes, essa separação pegou uma dimensão maior", afirma ele. Segundo Giufrida, ganha força no Brasil a figura do gestor de recursos, especialmente em fundos, concorrendo com a figura do banco. E o novo levantamento dá uma visibilidade maior para o investidor saber quem são os principais participantes desse mercado. Giufrida diz que o próximo projeto é um ranking de distribuidores de fundos.
O novo levantamento vai na linha de valorizar e utilizar cada vez mais os dados coletados pela Anbid, afirma Luciane Ribeiro, responsável pela gestão de recursos no ABN Amro Real e coordenadora da Subcomissão de Acompanhamento de Mercado da associação. "O ranking de gestores era uma demanda antiga dado o crescimento dos gestores independentes", afirma ela. "Como eles precisam ter um administrador, que em geral são bancos maiores, o gestor acabava não aparecendo", diz. Ela lembra que o ranking exclui os fundos de cotas, ou FICs, que não tem processo de gestão porque compram cotas de outras carteiras, e as carteiras administradas.
Luciane destaca o claro crescimento do segmento de gestão de recursos independente, apesar da forte concentração ainda em alguns grandes bancos. "Mas já dá para perceber o crescimento dos independentes", diz. Para ela, a tendência agora é a Anbid caminhar para uma segmentação dos acompanhamentos por estratégia de gestão, especialmente nos multimercados, como já acontece lá fora. Hoje, os multimercados macro - que buscam ganhos tentando antecipar as grandes mudanças de mercado -, os long/shorts - de arbitragem com ações - e os "market timing" - que buscam oportunidades de curto prazo - estão perdidos entre as categorias de multimercados com ou sem alavancagem ou com ou sem renda variável. "O próximo passo é caminhar para a segregação de estratégias ou de volatilidades", afirma.
"Hoje o setor de multimercados é muito grande, mas já estamos começando um trabalho de separar na Anbid esses fundos", afirma. Ela dá o exemplo dos long/shorts, que tiveram forte crescimento nos últimos dois anos, e os macro. "Já saímos do projeto e estamos trabalhando nessa divisão, que será definida pelo gestor", afirma. Os multimercados têm hoje cerca de R$ 154 bilhões e já representam a terceira maior categoria de fundos, com 18,65% do total de recursos do setor.
Um dos que apostam no setor de gestores independentes é Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá, que deixou a sociedade com Armínio Fraga, na Gávea, em dezembro de 2004, para se lançar em carreira solo. Em pouco mais de um ano e meio de vida, a gestora já aparece em 39º lugar no ranking, com R$ 1,175 bilhão em fundos abertos e 32 funcionários, 11 dos quais são sócios. "Estamos indo bem com uma proposta de criar uma instituição e não ser apenas uma gestora baseada em um nome conhecido, o 'one man show'", diz.
Os gestores independentes se tornaram viáveis graças à criação no Brasil dos serviços de custódia, administração e controladoria pelos grandes bancos, diz Luis Stuhlberger, sócio da Hedging-Griffo. "Esses serviços tornaram os independentes confiáveis para o investidor colocar seu dinheiro", lembra. O fato de os grandes bancos evitarem vender fundos de maior risco também ajudou a abrir espaço para gestores diferenciados, assim como a possibilidade de um ganho maior do gestor em uma casa independente. Stuhlberger acha, porém, que o mercado independente já tem um tamanho razoável e que a tendência agora é de consolidação. "Quando o risco geral do país diminuir, haverá menos espaço para ganhos com juro e câmbio", diz. E aí ter escala será fundamental.
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Tesouro Direto é opção ainda pouco conhecida do investidor
Mara Luquet
George Wachsmann, um bem-sucedido gestor de fortunas, sócio da Bawn Investimentos, diz que na carteira de investimentos de seus filhos ele só tem dois ativos: ações e títulos do Tesouro. "Nas aplicações em papéis do Tesouro consegui travar uma taxa para eles de 9% para os próximos 20 anos", diz.
Naomi, de quatro anos, e Michel, de dois, tem um dos ingredientes de maior valor para o sucesso de qualquer investidor: tempo. Com disciplina e informação, seu pai não precisa fazer malabarismos financeiros para criar um patrimônio de respeito para os filhos. O tempo e os juros compostos fazem o resto do trabalho.
Há duas formas de investir nos papéis do governo. Fazer aplicações por meio de fundos ou comprar diretamente pela internet no Tesouro Direto (
www.tesourodireto.gov.br ). Se você é um pequeno investidor, vai pagar caro para entrar num fundo de investimento, pois as taxas de administração para aplicações de R$ 200 ultrapassam os 3%. Já no Tesouro Direto, seus custos não chegam a 1%.Com todos esses atributos, contudo, o Tesouro Direto ainda é um ilustre desconhecido da grande maioria dos investidores. Números do Banco Central mostram que o saldo das aplicações em poupança hoje chega a R$ 134,7 bilhões (dados do último dia 28). É o dinheiro de investidores que estão atrás de segurança. Tão conservadora quanto a poupança são as aplicações em papéis do governo, mas com ganhos mais sedutores.
As Notas do Tesouro Nacional corrigidas pelo IPCA (as NTN-B) que vencem no próximo dia 15 de agosto estão pagando 17,22% para os últimos doze meses. A poupança nesse período rendeu 8,63%. Nas aplicações em poupança não há incidência de imposto de renda. Já os papéis do Tesouro obedecem a regra para a renda fixa, com alíquota de 22,5% decrescente conforme aumenta o prazo da aplicação até o limite de 15% para investimentos superiores a dois anos.
O grande problema é que o Tesouro Direto não conta com a simpatia dos bancos. Quando você liga a televisão ou lê o jornal, não vê, por exemplo, os bancos anunciando para seus clientes as vantagens da aplicação em Tesouro Direto. Quando entra numa agência, você pode ir recolhendo pelo caminho muitos papéis com anúncios de plano de capitalização (os preferidos dos bancos), planos de aposentadoria e agora até fundos de investimentos (apenas os mais caros). No entanto, nenhuma menção ao Tesouro Direto.
Isso ocorre porque o Tesouro Direto é um ótimo negócio para seu patrimônio, mas péssimo para o banqueiro, que ganha pouco com esse produto. Veja bem, não é que ele perca dinheiro, mas, acostumado por anos à generosidade do cliente brasileiro - que compra seguros que não precisa, planos de capitalização, poupança e outros produtos de qualidade duvidosa apenas para ajudar o gerente a bater meta -, o banqueiro resiste em mostrar essa opção ao cliente. E mais, tem tentado ao máximo evitar que ele encontre tal aplicação.
Um leitor cliente de um grande banco estrangeiro no país, por exemplo, já cansou de ouvir seu gerente desfiar as qualidades do banco que tem presença global. No entanto, quando precisou transferir recursos para uma corretora que opera com Tesouro Direto precisou esperar algumas semanas e ser insistente em telefonemas ao gerente para conseguir, enfim, que seu dinheiro chegasse finalmente ao destino.
Ao contrário do que ocorre em muitas economias desenvolvidas, o brasileiro acostumou a usar o gerente do banco como seu consultor financeiro e esquece que há conflitos de interesse nessa relação. Há uma forte vertente histórica, por conta da necessidade de financiamento do governo. Nos anos 60, as opções de investimento do brasileiro eram os imóveis e os Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Depois da crise do petróleo e o recrudescimento da inflação cresce o endividamento público, nos anos 70, e aparece então a poupança e o "open market". Os dois produtos eram feitos pelos bancos. Nos anos 90 aparecem os fundos de investimento que são distribuídos na rede bancária.
Nos EUA a história é bastante diferente. As aplicações nascem pelo caminho da renda variável, na bolsa de valores, e vai financiar o setor privado. Por isso, os americanos tem gestores de fundos que não são funcionários de bancos e cujas metas são estabelecidas pela rentabilidade da carteira.
Mara Luquet é editora da revista ValorInveste e autora do Guia Valor Econômico para o Planejamento da Aposentadoria
E-mail mara.luquet@valor.com.br
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A Unibanco AIG venceu uma concorrência com outras seis instituições e é a nova administradora do programa de previdência da Unimed Paulistana, com 1.900 colaboradores e 1.800 médicos.
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A Rússia e a África do Sul elevaram suas taxas de juros na sexta-feira. O banco central russo elevou o juro básico em 0,5 ponto percentual, para a faixa entre 2% (taxa de um dia) e 2,5% (taxa de uma semana). Na África do Sul o aumento também foi de 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano. No dia anterior, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra também aumentaram os juros básicos.
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Disputa por ações e dividendos esquecidos continua
Luciana Monteiro
A cada ano, vários investidores deixam de ganhar dinheiro por falta de informação ou por não saberem que têm ações de uma determinada empresa. Não há estatísticas oficiais sobre o assunto, mas todos os anos várias empresas reservam milhões de reais em dividendos não reclamados há anos por acionistas. Em 2000, quando o projeto de lei foi proposto, estimava-se que a Telebrás tinha quase 664 mil acionistas não identificados. Quando esquecidos, os dividendos ficam em uma conta não remunerada. Outro número que mostra como o investidor pode esquecer de seus investimentos são os fundos 157, em que os contribuintes poderiam utilizar parte do imposto devido em aquisição de cotas de fundos. Segundo dados de maio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) boa parte dos 2,603 milhões de cotistas, que detêm R$ 1,036 bilhão, presentes nas quatro carteiras de ações com maior número de investidores, é herança dos fundos 157.
Muitas dessas ações são de italianos, alemães e japoneses, que tiveram seus bens confiscados em março de 1942, a partir de um Decreto durante a Segunda Guerra Mundial para pagamento de indenização por "atos de agressão praticados pela Alemanha, Japão e Itália contra bens do Estado Brasileiro e contra a vida e bens de brasileiros ou de estrangeiros". Boa parte desses papéis estão em poder das empresas, mas elas não podem negociar esses ativos. "São ações que têm donos, mas a companhia não consegue encontrá-los porque o cadastro está desatualizado", diz o advogado Miguel Bechara Junior, do escritório Bechara Jr. Advocacia.
Apesar de terem participação no capital, os acionistas perderam os comprovantes de compra ou esqueceram da existência da ação. Há ainda casos em que o acionista morre e a família não sabe das ações. Mas há também investidores que sequer sabem que compraram ações um dia. É o caso, por exemplo, das telefônicas, em que o cliente comprava a linha e recebia ações.
Pela lei, a empresa precisa enviar um extrato aos acionistas pelo menos uma vez ao ano. No caso desses investidores que não sabem que têm ações, a correspondência retorna já que os endereços estão inválidos. Segundo determina a Lei das S.As, após três anos, se o acionista não vai atrás do dinheiro, os dividendos voltam a ser incorporados ao patrimônio das empresas.
Mas um projeto de lei quer transferir para o governo as ações e dividendos não reclamados. O texto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está desde novembro do ano passado no Senado. Se após avaliar, os senadores não fizerem qualquer alteração, o projeto vai para votação e, caso aprovado, segue para sanção do presidente. Mas se o Senado fizer alguma emenda, o texto tem de voltar para análise da Câmara.
Pelo projeto, as empresas de capital teriam de fazer uma chamada pública, conta Bechara. Os acionistas, então, teriam um prazo de 120 dias para se identificar. Se o investidor não se manifestasse, os papéis seriam transferidos ao governo e os dividendos repassados à União. O acionista teria cinco anos após a publicação para questionar ações e dividendos que descobrisse ter.
Na opinião de Bechara, isso se caracterizaria como apropriação indevida, já que as ações têm donos. Eles apenas estão com o cadastro desatualizado, diz o advogado. "O projeto passa por cima do direito do acionista", avalia. "Se mais tarde o investidor descobre que tinha ações, para quem ele vai reclamar? Para a empresa ou para o governo". Outras questões, diz Bechara, é de que forma esse investidor receberia esses papéis esquecidos, se haveria correção ou não. Além disso, traz um custo para as empresas que terão de arcar com a publicação dos editais.
Uma parte desses papéis são ações ao portador - títulos sem o nome do comprador. Esses papéis, no entanto, deixaram de existir em 1990 no governo Collor, passando a ser nominativas. Mas é importante que os investidores saibam que não há "prazo de validade" das ações ao portador, mas elas não podem mais ser negociadas em bolsa. Quem tiver esse tipo de ação precisa entrar em contato com a empresa para que as ações ao portador sejam convertidas em nominativas e atualizadas.
Além de onerar as empresas, outro problema na publicação de uma lista com os nomes dos acionistas com cadastros desatualizados é a má fé, alerta Alfried Plöger, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca). "O edital abre precedente para que haja fraudes", diz ressaltando que é comum no mercado casos de pessoas que tentam levar vantagem em casos como esse. A Lei das S.As permite que a empresa entregue a lista de seus acionistas a quem solicitar, desde que sejam informados os motivos. Para evitar possíveis fraudes, no entanto, as companhias normalmente resistem a fornecer esses dados.
Plöger cita o exemplo da Telebrás e a dificuldade para se fazer um anúncio público aos acionistas. "Como isso seria feito de um anúncio no Diário Oficial, que ninguém lê?", questiona. "Além disso, a empresa gastaria milhões para tentar localizar esses acionistas que, normalmente, têm posições pequenas da companhia", diz. De qualquer forma, esse investidor é o proprietário legítimo das ações, avalia.
Com relação aos dividendos, a advogada Juliana Martinelli, do escritório Martinelli Advocacia Empresarial, alerta que para a União ter acesso a esses valores, seria preciso mudar a atual lei societária. Hoje o dividendo é devido ao acionista que era titular da ação quando o dividendo é declarado e não apenas no momento que é pago. Uma das emendas hoje propostas pelo Senado propõem que o governo tivesse acesso somente aos dividendos pagos apenas a partir da data de publicação da possível lei, diz Juliana. "O projeto é passível de forte questionamento sobre o direito assegurado", avalia.
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A Franklin Templeton assumiu oficialmente o controle dos fundos de governança corporativa que antes faziam parte da Bradesco Templeton Asset Management. No Brasil, a gestora nasce com o nome de Franklin Templeton Investimentos. A parceria com o Bradesco foi estabelecida em 1997 como uma "joint-venture" entre subsidiárias do Banco Bradesco (com 50,1% do controle) e da Franklin Templeton Investments (com 49,1% de participação). O foco era a gestão de recursos para investidores institucionais, com aplicações em ativos brasileiros. A Franklin Templeton Investimentos disse que vai incorporar toda a equipe da então parceria.
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A Renner vai propor em assembléia marcada para o dia 19 de setembro o desdobramento de suas ações ordinárias, na proporção de uma para cinco. Se a operação for aprovada, o capital social da empresa passará a ser representado por 121,461 milhões de ações ordinárias (ON, com direito a voto). O desdobramento acionário visa, entre outros fatores, "aumentar a liquidez das ações da companhia, além de facilitar o acesso, por pequenos investidores ou investidores não-profissionais" nas negociações com papéis da empresa em circulação no mercado. A empresa está listada no Novo Mercado da Bovespa. (Da FolhaNews)
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BC descarta alterar o depósito compulsório
Murillo Camarotto
Segundo Henrique Meirelles, a questão do compulsório é, assim como a definição da taxa Selic, uma questão de política monetária em que o principal objetivo do governo é manter as taxas de inflação na meta.
O assunto surgiu em meio a uma discussão sobre a expansão da oferta de crédito no Brasil. De acordo com o presidente do Banco Central, nos últimos três anos o volume de crédito no país passou de 21% para 31% do Produto Interno Bruto (PIB).
Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou acreditar que esse volume possa chegar a 50% do PIB em alguns anos. Questionado sobre essa possibilidade, Meirelles se limitou a dizer que o governo tomará todas as medidas necessárias para que o crédito continue crescendo.
Em relação ao pacote cambial, o presidente do Banco Central afirmou que as novas medidas ainda não foram percebidas. Lembrou, porém, que "milhares de passos burocráticos foram eliminados".
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BC vê ambiente competitivo no país
Alex Ribeiro
O trabalho não procura negar que o mercado bancário brasileiro tem as suas imperfeições, que levam os juros a patamares elevados - e que, portanto, deve ser regulado pelo poder público. A conclusão, na verdade, é que não existem problemas de competição entre os bancos que precisem ser corrigidos pela ação dos órgãos de defesa da concorrência.
Elaborado pelos economistas Marcio Nakane, Leonardo Alencar e Fabio Kanczuk - os dois primeiros do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Central e o último da Economia da Universidade de São Paulo (USP) - o estudo é uma continuação de uma série de trabalhos conduzidos pela autoridade monetária para entender porque os juros e o "spread" bancário são tão elevados no Brasil.
A pesquisa parte da constatação de que, na visão da população em geral, os bancos cobram altos "spreads" e lucram muito no país porque a concorrência é baixa no setor. O farto material acadêmico reunido pelo Banco Central até aqui, porem, vai contra essa tese.
Há alguns anos, as pesquisas de Nakane já haviam apontado que o grau de concentração no mercado brasileiro é pequeno, relativamente ao verificado em outros países e aos parâmetros usados pelas autoridades antitruste americanas. O termômetro usado para medir o grau de concentração é o índice de Herfindahl - quando maior ele for, mais concentrado o mercado. No caso do mercado de crédito, o índice era de 0,0691 em junho de 2003. Pelos padrões das autoridades antitruste americanas, índices inferiores a 0,1 indicam mercados não concentrados.
Constatado que o nível de concentração do mercado brasileiro é confortável em relação aos padrões internacionais, os esforços dos pesquisadores do Banco Central se dirigiram a determinar se os bancos exercem algum poder de mercado para fixar seus preços - incluídos não apenas os juros bancários, mas também tarifas e a remuneração para depósitos.
Uma série de estudos do Banco Central concluiu, de um lado, que os bancos não tinham comportamento típico dos cartéis, que combinam seus preços. Mas, de outro lado, a pesquisa constatou que o mercado não era perfeitamente competitivo. O fato de não ser perfeitamente competitivo não surpreende e não se constitui, a princípio, em um problema.
Num mercado perfeitamente competitivo, todos cobram o mesmo preço, pois aquele que cobrar um centavo a mais não encontra compradores. A literatura econômica diz que, para que haja competição perfeita, os mercados têm que ter algumas características básicas, como negociar produtos homogêneos (ou seja, iguais entre si) e não haver barreiras à entrada de novos competidores.
Serviços em geral, e especialmente os bancários, não são homogêneos - as empresas normalmente criam diferenciais que permitem cobrar preços um pouco maiores. Às vezes a própria reputação de uma instituição permite que ela cobre mais.
O mercado bancário é o que os economistas chamam de competição monopolística, na qual, pelas pequenas diferenças entre os produtos, é possível cobrar tarifas e juros diferentes.
Mas há limites para os valores cobrados a mais - se o sobrepreço é muito elevado, certamente os clientes irão preferir procurar outras instituições. É por isso que, na competição monopolística, o poder de mercado é limitado, e a liberdade para um banco fixar preços é constrangida pela presença de concorrentes.
Os estudos apontaram, portanto, que o mercado brasileiro tem as suas imperfeições, e que o seu poder de mercado se encontra no amplo espaço que existe entre um ambiente plenamente competitivo e os cartéis. Faltava caracterizar com maior precisão, entretanto, o quão próximo está o mercado bancário do ambiente plenamente competitivo.
O texto para discussão divulgado pelo BC ("Demand for bank services and market power in Brazilian banking", ou Demanda por serviços bancários e poder de mercado no setor bancário brasileiro) avança nessa linha de pesquisa, demonstrando que os bancos estão muito próximos do ambiente de plena competição.
A partir de uma ampla base estatística, que chega ao detalhe de mercados existentes em cada município, os três economistas concluem que as características da indústria bancária são muito próximas do que tecnicamente é descrito como modelo de Bertrand. Nele, as decisões de produzir são tomadas a partir do preço, e cada empresa procura definir o menor valor possível para não perder mercado para empresas concorrentes.
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Pesquisa vai mostrar custo para migrar conta
De Brasília
Custa caro aos bancos obter informações sobre quais são os clientes bons pagadores e quais não são. Essa despesa se torna um obstáculo para instituições financeiras convencerem bons clientes dos concorrentes a trocar de banco. Um estudo incluído no sexta avaliação do BC do projeto de redução dos juros e do spread bancário, a ser divulgada nos próximos dias, irá trazer com detalhes quanto custa para um cliente se transferir de um banco para o outro.
O economista do BC Marcio Nakane fez um texto ("Concorrência e spread bancário: uma revisão da evidência para o Brasil"), já na internet, que descreve didaticamente a questão da assimetria de informações.
Um banco que já tem um determinado cliente conhece, pelo seu tempo de relacionamento, o quão valioso ele é - ou seja, se tem um intenso relacionamento com a instituição e se é bom pagador. Para esses bons clientes, o banco já cobra juros menores do que para os demais.
Se um concorrente baixar os juros para atrair os bons clientes, o banco que detém bons clientes na sua carteira vai baixar os juros ainda mais para retê-los. E provavelmente vai deixar os maus pagadores trocarem de instituição financeira. No fim, o concorrente irá atrair apenas maus clientes.
É com base nessa teoria que o BC vem priorizando, no seu projeto de redução do "spread" bancário, a adoção de medidas que procuram reduzir a assimetria de informações - que, por sinal, não é um problema restrito ao Brasil, mas uma característica desse setor em todo o mundo.
Uma das medidas, criada em 2001, foi a chamada portabilidade dos dados cadastrais. Um cliente que troca de banco pode levar a sua ficha completa. O problema, na visão do BC, é que essa não é uma prática que tenha se difundido - sobretudo porque a maior parte dos clientes do sistema bancário não faz idéia da existência desse mecanismo.
Outra proposta, apresentada no Congresso, mas que tramita lentamente, é um projeto que regulamenta os cadastros positivos. Neles, constarão todas as informações dos clientes, tanto positivas quanto negativas - o que permitirá aos bancos distinguir os bons pagadores dos maus pagadores. Todas as tentativas de criação de cadastros desse tipo foram barradas na Justiça, o que levou ao diagnóstico dentro do governo de que seria necessário fortalecer a sua base legal.
Uma forma de contornar o problema da assimetria de informações é fortalecer as garantias. Se o empréstimo é bem garantido, o banco não precisa saber com muito detalhe quais são os bons e os maus clientes.
Ao longo dos anos, foram criados ou fortalecidos mecanismos de garantias como a alienação fiduciária para imóveis e a cédula de crédito bancário. Mas a medida mais importante tomada no atual governo talvez tenha sido, ao lado da Lei de Falências, a criação do crédito consignado em folha de pagamentos. A importância desse mecanismo foi medida em dois estudos feitos pelo BC.
Um deles, que acaba de ser divulgado ("O efeito da consignação em folha nas taxas de juros dos empréstimos pessoais", de Eduardo Rodrigues, Victorio Chu, Leonardo Alencar e Tony Takeda), mede o quanto exatamente os juros nos empréstimos consignados são menores levando em conta apenas os efeitos das melhores garantias.
Para chegar a esse valor, os pesquisadores selecionaram um grupo de pessoas, a partir de dados da Central de Risco de Crédito do BC, que tomaram tanto empréstimos pessoais quanto crédito consignado. Foram selecionadas 34,8 mil operações de crédito pessoal e 27,5 mil de crédito consignado, em dezembro de 2003, com valores a partir de R$ 5 mil.
Os pesquisadores chegaram à conclusão de que existe uma diferença de 13 pontos percentuais entre as taxas de juros das duas modalidades de crédito que pode ser atribuída exclusivamente às melhores garantias dos empréstimos consignados.
Uma outra pesquisa acadêmica incluída nos textos para discussão do BC ("Judicial risk and credit market performance: micro evidence from Brazilian payroll loans", de Ana Carla Costa e João Manoel Pinho de Mello) demonstra o efeito adverso que incertezas jurídicas sobre o empréstimo consignado tiveram sobre as taxas de juros, volumes de crédito e risco das operações.
Em 2004, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu desfavoravelmente a um banco que havia feito um empréstimo consignado a um funcionário público. Os economistas observaram dados de empréstimos anteriores e posteriores a essa decisão judicial. "Os dados sugerem que a decisão teve um impacto adverso na percepção de risco pelos bancos, na taxa de juros e nas quantidades", conclui o estudo. (AR)
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Capitalização do BNDES aumenta a verba destinada ao setor público
Chico Santos
Com a capitalização, o limite de financiamento ao setor público deverá passar de R$ 10,8 bilhões para R$ 13,5 bilhões, segundo detalhes da apresentados na sexta-feira pelo presidente do BNDES, Demian Fiocca. O limite de financiamento público corresponde a 45% do patrimônio de referência BNDES, que, com a capitalização, passará de R$ 24 bilhões para cerca de R$ 30 bilhões.
Em relação ao endividamento de uma só empresa ou grupo com o banco, cujo limite é de 25% do patrimônio de referência, o valor passará de R$ 6 bilhões para cerca de R$ 7,5 bilhões. Isso vai desafogar o banco para financiar grandes projetos de empresas como Petrobras e CSN. Esse seria hoje o principal gargalo que precisava ser desfeito, disse Fiocca. Ele disse que a elevação do limite para o setor público não significa que haja demanda por aumento do crédito. O BNDES alega sigilo bancário para não fornecer dados sobre os empréstimos totais ao setor público.
Para a concretização final da operação prevista na MP ainda será necessária a assinatura de um contrato entre BNDES e Banco Central, viabilizando tecnicamente o uso de débitos do banco com o governo como capital de segunda linha, ou "quase capital". Fiocca não detalhou os débitos que serão usados para capitalizar o banco, originários de uma troca de papéis entre o BNDES e o Tesouro Nacional durante o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Disse apenas que os técnicos do governo consideraram que esses débitos eram mais adequados para serem transformados em capital de segunda linha do que ampliar os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, já incluídos nessa categoria, como reivindicava o banco.
Capital de segunda linha é um passivo que só remotamente vai precisar ser quitado. Esse tipo de recurso pode, contabilmente, ser somado ao capital, até o limite de 100% do valor do capital efetivo, criando o chamado patrimônio de referência. Hoje, o capital do BNDES é de R$ 16 bilhões e ele usa 50% desse total em recursos do FAT para ter patrimônio de referência de R$ 24 bilhões. É com base nesse valor que são definidos os principais limites legais do banco.
O FAT é a principal fonte de dinheiro novo do BNDES: 40% da arrecadação anual do fundo vai para o banco, que só precisa pagar regularmente ao FAT os juros . Os recursos do FAT em poder do BNDES já somam R$ 121 bilhões. O dinheiro só precisa ser pago se, por exemplo, faltar verba para o seguro-desemprego, principal destino do FAT.
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Regularizar recurso "contaminado" será obrigatório
Alex Ribeiro
A Medida Provisória nº 315, que flexibiliza a cobertura cambial, também obriga os capitais que se tornarem contaminados nos próximos anos a se registrarem no BC. Editada na sexta-feira, a MP traz outras novidades, como extinguir as multas de importação para quem atrasa o fechamento de câmbio.
Foi aprovada na própria sexta, em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), a resolução nº 3.389, que regulamenta a MP. Conforme já anunciado pelo governo, foi fixado em 30% o percentual das exportações que o exportador poderá deixar fora do país. A grande novidade é que a regra se aplica às empresas que fizeram exportações a partir de janeiro e que não haviam internalizado os recursos.
Com a divulgação das medidas, algumas empresas ficaram confusas sobre que tipos de pagamento, exatamente, poderão ser feitos com a parcela de 30% que ficará no exterior. O gerente-executivo de Normatização de Câmbio e Capitais Estrangeiros do BC, Geraldo Magela Siqueira, esclarece que a MP diz que podem ser feitos "investimentos, aplicação financeira e pagamentos de obrigações próprios do exportador" - o que, explica, abrange basicamente tudo, com a ressalva de que os compromissos devem estar em nome da própria empresa.
Sobre os capitais contaminados, Magela explicou que, embora só a regulamentação vá definir os casos específicos, o princípio básico da regulamentação é que abarque todas as operações. "O registro desses capitais é, antes de tudo, um benefício ao próprio BC, que hoje não os conhece", disse o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Vieira da Cunha.
Na exposição de motivos que acompanha a MP estão descritas nove situações: 1) reinvestimentos sem observar o critério de proporcionalidade, ou seja, a participação registrada estrangeiro no capital; 2) aquisição de participação societária no país com valor notoriamente inferior ao valor patrimonial; 3) capitalização de deságio em conversões de dívida externa; 4) investimentos por transferência internacional de recursos anteriores a 1996; 5) capital não registrado em virtude da atividade econômica por ser considerada improdutiva pela Lei nº 4.131, de 1962; 6) reinvestimento de parcela de juros sobre capitais próprios em situação de prejuízo; 7) casos de adiantamento para futuro aumento de capital, ingressados quando a modalidade era permitida; 8) aquisição de participação em empresa com ingressos de recursos de não-residentes fora das regras tradicionais, como pelo câmbio manual; 9) falta de documentação que comprove o ingresso de recursos pelo mercado de câmbio.
A MP extinguiu a multa de importação para as empresas que levam mais de 180 dias para fechar o câmbio. A regra foi criada em 1997, na época do câmbio fixo, para evitar que importadores atrasassem pagamentos de câmbio para arbitrar entre as taxas internas e externas.
Também deixa de considerar ausência de cobertura cambial um ilícito cambial; o assunto passa a ser irregularidade tributária, apurada pela Receita. São mantidas, por outro lado, como operações ilegítimas de câmbio as fechadas fora das instituições autorizadas pelo BC, assim como a compensação privada de valores; a sobrevalorização de importações segue como infração cambial. As punições para esses casos, porém, caem de 200% para 100% do valor da operação. "Esse é percentual que, na prática, já é aplicado pela fiscalização do BC", disse Cunha.
A MP permitiu que o BC abra mão de executar multas de pequenos valor. Segundo o BC, norma irá definir os valores que serão incluídos nessa categoria.
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Fed deve interromper ciclo de alta do juro
Luiz Sérgio Guimarães
Foram criados apenas 113 mil novos postos de trabalho em julho, um número inferior às expectativas (143 mil) e ao dado referente a junho (124 mil). Não bastasse isso, a taxa de desemprego subiu de 4,6% para 4,8%. O payroll de julho foi tão inesperadamente negativo que o Dow Jones não demorou muito tempo para fazer a leitura correta dele. O índice chegou a saltar 0,90% logo após a divulgação do relatório, puxado pela constatação eufórica de que o Fed irá proceder a tão aguardada pausa monetária. Mas logo a euforia foi substituída pela percepção de que, muito ruim, apontava para resultados corporativos mais fracos lá na frente. E o Dow chegou a cair 0,10%, fechando com recuo de 0,02%. Já os investidores que freqüentam a Bovespa entenderam que a desaceleração americana não irá afetar as exportações brasileiras. E o índice fechou com valorização de 1,06%. Apenas nas últimas três semanas, o Ibovespa acumulou ganho de 7,07%.
A visão sensata de Bernanke não é compartilhada pelo Copom brasileiro. Tanto a interrupção do aperto americano quanto o declínio da atividade industrial impõem a necessidade de manutenção do ritmo de queda da taxa Selic. O IBGE divulgou na sexta-feira que a produção industrial sofreu um imprevisto tombo de 1,7% em junho comparativamente ao mês anterior, quando os analistas esperavam retrocesso de apenas 0,5%. Esse novo cenário invalidou, na prática, a sinalização contida na última ata do Copom de que o compasso do desaperto será diminuído de 0,50 para 0,25 ponto na reunião marcada para o próximo dia 30.
O mercado futuro de juros da BM&F acredita que não haverá mais volta. Uma vez sinalizada a clara intenção do BC de reduzir a Selic de 14,75% para 14,50% não há mais como mudar o curso do navio. Restaria apenas ao Copom prolongar o ciclo de quedas. Mesmo depois dos dados de sexta-feira, o DI futuro não alterou o consenso de corte parcimonioso de 0,25 ponto. O contrato mais curto, para a virada de setembro para outubro, ficou estável em 14,51%. O contrato para a virada do ano recuou 0,02 ponto, para 14,38%, com alguma gordura sobre a projeção de Selic a 14% em dezembro.
O economista Sidney Nehme, diretor da NGO Câmbio, ainda vê a possibilidade de o Copom, diante dos fatos novos, reconsiderar a sua indicação. "As perspectivas de pausa no juro americano e os sinais de queda de atividade da indústria são fatores com forte indução a que o Copom sancione um corte de 0,50 ponto na taxa Selic na próxima reunião. Se confirmada a manutenção da taxa pelo Fed, acredito que as instituições financeiras, logo após efetivada a decisão, alterarão sua projeção, hoje de 0,25 ponto, para um corte de 0,50 ponto", diz Nehme.
As pesadas compras de dólares feitas pelo BC - só na sexta-feira adquiriu cerca de US$ 400 milhões - tornam evidente que não pretende utilizar o juro como desestímulo ao ingresso de capitais.
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Paula Laier
A menor geração de vagas e o inesperado aumento da taxa de desemprego nos EUA no mês passado favoreceram a interpretação de que pode haver uma pausa no aperto monetário promovido pelo Fed. Segundo observou o diretor da Ágora Álvaro Bandeira o comportamento da folha americana foi que deflagrou o otimismo. A avaliação é de que os números ampliaram as chances de manutenção do juro primário americano em 5,25% ao ano.
Bandeira destacou o desempenho das ações do setor bancário. As preferenciais do Bradesco subiram 2,42%, para R$ 73,95. Itaú PN valorizou-se 3%, para R$ 65,41. As Unit do Unibanco subiram 3,63%, para R$ 15,70.
Os ganhos dos papéis PNA da Vale do Rio Doce também foram importantes para o resultado positivo do índice paulista. Os papéis PNA subiram 2,08%, para R$ 45,64. As ON da mineradora ganharam 1,54%, para R$ 52,60.
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Liderança no varejo garante rating acima do soberano
Maria Christina Carvalho
"A boa penetração dos dois bancos junto às pessoas físicas garante maior resistência em um cenário de estresse", disse o analista da S&P, Marcos Viesi. Ele explicou que raramente os bancos têm rating superior ao soberano porque investem muito em títulos públicos. Mas um funding diversificado e pulverizado, acrescentou, reduz o risco.
Segundo relatório elaborado pela agência, o Bradesco e o Itaú estão melhor posicionados do que seus concorrentes: os dois estiveram muito ativos na consolidação do sistema financeiro, inclusive no processo de privatização, conseguindo, junto com o crescimento orgânico, uma posição forte em rede de agências e no mercado de varejo.
Ao final de 2005, o Bradesco tinha 9,9% dos ativos totais do sistema financeiro e o Itaú, 8,7%. Em depósitos à vista e de poupança, a posição do Bradesco era de 15,9% e 15,5%, respectivamente; e a do Itaú, de 12,7% e 11,7%.
Em depósitos a prazo, alguns dos dois concorrentes dos dois bancos chegam mais perto: se o Bradesco tem 9,8% do mercado e o Itaú, 5,4%, o Unibanco chega a 8,1% e o HSBC, a 7%, com 6,2% para o Santander.
Na área de crédito, os dois grandes também dominam, com 13,4% do Bradesco e 10% do Itaú. No crédito de varejo, os dois estão crescendo, com o Bradesco ampliando a fatia de 15,6% para 17,6%; e o Itaú, de 14,8% para 16,1% entre 2004 e 2005.
A expansão do crédito de varejo acarretou o aumento da inadimplência no Itaú e HSBC entre 2004 e 2005. Os créditos com mais de 90 dias de atraso em relação à carteira total passaram de 5,5% para 6,7% no Itaú; e de 7,1% para 8,4% no HSBC. Mas recuou de 5% para 4,8% no Bradesco.
Os créditos baixados como prejuízo caíram de 2,3% para 1,2% no Bradesco, e pouco oscilaram nos demais bancos, subindo de 2,3% para 2,9% no Itaú. O índice de cobertura para os créditos com mais de 90 dias de atraso recuou a 127% no Bradesco e 100,4% do Itaú
Segundo a S&P, a qualidade do crédito dos bancos brasileiros é pior do que a de seus concorrentes da América Latina: as operações com mais de 90 dias de atraso atingiram 6,6% no Brasil, em 2005; a média é de 2,2% nos bancos também com rating "BB+" dos outros países. Para a agência, esse índice brasileiro reflete "o histórico de volatilidade econômica e seu impacto negativo na taxa de inadimplência assim como o lento processo de recuperação de créditos no país".
Mas, segundo a agência, os bancos brasileiros administraram "consistentemente" o risco de crédito. "A rentabilidade sólida e os spreads elevados no varejo também fornecem um colchão suficiente para compensar a deterioração potencial da qualidade do crédito", diz o relatório.
A capitalização dos dois bancos, com índice ao redor de 16%, foi considerada adequada pela Standard & Poor's.
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Para Itaú, aquisição no exterior ainda é cara
Raquel Balarin
Setubal ressalvou, porém, que esse quadro já é hoje melhor do que no passado, graças à evolução das condições do país. "Já é possível, sim, partir para uma internacionalização. O Itaú, por exemplo, está entre os 50 maiores bancos do mundo em valores de mercado. Estamos em condições de entrar no jogo", afirmou. O Itaú acaba de concluir a aquisição dos ativos do BankBoston no Chile, Uruguai e Brasil. A compra foi paga em ações, tornando o Bank of America (controlador do Boston) sócio do Itaú. O banco, segundo Setubal, estuda "novas alternativas de negócios" em outros países, mas mantém seu maior foco no mercado brasileiro.
No processo de internacionalização, Setubal diz que não vê sentido em aquisições em países da OCDE (30 nações, entre elas EUA, Alemanha e Itália). "Faz mais sentido traçar uma estratégia para países em desenvolvimento, porque sabemos lidar com as incertezas de economias emergentes", afirmou. Ele diz que, por enquanto, também não vê vantagem competitiva para um banco de varejo global.
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Agências internacionais
O índice Dow Jones caiu 0,02%, a 11.240 pontos. O Standard & Poor's 500 perdeu 0,07%, a 1.279 pontos. O indicador eletrônico Nasdaq recuou 0,35%, para 2.085 pontos.
No acumulado da semana, o Dow Jones teve alta de 0,18%, o S&P 500 teve oscilação positiva de 0,07%. Já o indicador de tecnologia Nasdaq cedeu 0,43%.
Os mercados acionários europeus fecharam em alta. O índice pan-continental subindo 1,18%, com encerramento em 1.345 pontos, após dados mais fracos que os esperados de geração de emprego nos Estados Unidos.
O indicador fechou a semana estável. Os números elevaram as previsões de que o Federal Reserve interromperá o ciclo de alta nos juros do país no encontro de 8 de agosto.
Em Londres, o indicador Financial Times subiu 0,87% e encerrou a 5.889 pontos. O CAC-40, de Paris, teve alta de 1,15% (5.040 pontos). Já o DAX, de Frankfurt, subiu 1,47% (5.723 pontos). Em Madri, o índice Ibex-35 teve alta de 1,13% (11.934 pontos). O Mibtel, de Milão, avançou 0,87% (28.258 pontos). O PSI20, de Lisboa, ganhou 0,19% (9.751 pontos).
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Cofins pode ter súmula vinculante
Fernando Teixeira
O alargamento da base de cálculo da Cofins, além do grande número de processos, tem também provocado divergências nas primeiras instâncias. O tema era altamente divergente entre os magistrados e nem todos seguiram imediatamente o posicionamento do Supremo. A indefinição também tem impedido empresas de retirar dos seus balanços os provisionamentos feitos quando a questão estava aberta. Nesta semana, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) deve desistir de recorrer das ações ainda em curso na primeira e segunda instâncias da Justiça.
Outros temas famosos incluídos na lista de grandes disputas elaborada pela presidência do Supremo são a elevação da alíquota da Cofins de 2% para 3%, a disputa da pensão por morte do INSS, a aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) às instituições financeiras e a alíquota progressiva do IPTU. O problema é que muitas das disputas da lista ainda não foram decididas - caso do IPTU e da pensão por morte - ou foram definidas recentemente. O ranking foi elaborado com o propósito de acelerar a solução das grandes disputas e desafogar o tribunal. Quando o processo do IPTU progressivo entrou em pauta no plenário do Supremo em junho, o ministro Gilmar Mendes observou que a escala da disputa justificaria uma súmula - ainda que não tenha esclarecido se vinculante ou não.
De acordo o ministro Cezar Peluso, a edição das primeiras súmulas vinculantes poderá ocorrer ainda neste ano independentemente da aprovação de sua regulamentação em lei. Ao contrário do que a Emenda Constitucional nº 45 previu quando ao critério de repercussão geral, no caso da súmula vinculante não há exigência de regulamentação. O projeto sobre a súmula, que entrou na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na semana passada, foi proposto espontaneamente pelo Senado. Em seguida, Peluso e Gilmar Mendes redigiram um substitutivo para aperfeiçoar o texto em tramitação antes que ele fosse aprovado.
Um ponto do substitutivo que o ministro considera interessante é a questão da vinculação da súmula à administração pública. Do jeito que está, há o risco de a súmula vinculante provocar uma avalanche de reclamações ao Supremo. Isso porque, caso o poder público se recuse a seguir uma decisão vinculante, cabe reclamação direta ao Supremo. O substitutivo enviado ao Congresso Nacional prevê que os recursos ao Supremo só poderão ser encaminhados depois de esgotada a via administrativa.
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MP versus Conselho de Contribuintes
Por Fernando Dantas Casillo Gonçalves
Não obstante os merecidos aplausos em razão de tais atividades, data maxima venia, o Ministério Público Federal deveria avaliar a validade, perante o ordenamento jurídico, da propositura de ações civis públicas objetivando a desconstituição de julgamentos ocorridos no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos quais foram cancelados autos de infração constitutivos de tributos contra determinados contribuintes.
Na Justiça Federal do Distrito Federal foram ajuizadas pelo menos quatro ações civis públicas com tal objetivo. Em tais casos, o Ministério Público Federal defende a admissibilidade da ação por não serem definitivas as decisões do conselho, por existir a possibilidade de serem contestadas judicialmente em razão do princípio da inafastabilidade da jurisdição. Também defende a sua legitimidade por possuírem as ações o fim de proteger o patrimônio público representado no tributo tornado insubsistente por decisão equivocada do ponto de vista jurídico.
Mesmo diante da nobreza dos objetivos almejados, a propositura da ação civil tratando de matéria tributária está vedada expressamente pela legislação, existindo jurisprudência no sentido de não possuir o Ministério Público legitimidade para tratar de assuntos tributários neste tipo de ação judicial. Em inúmeras decisões, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ratificaram este posicionamento, merecendo destaque o recente julgamento ocorrido do STJ no Recurso Especial nº 691.574, no qual foi reconhecida a ilegitimidade do Ministério Público em ajuizar ação civil pública buscando suspender um termo de acordo de regime especial expedido pelo Distrito Federal no âmbito do ICMS, por ser uma matéria de natureza tributária.
No caso da legitimidade da ação, sem considerar a procedência ou não do pedido formulado, por ser uma demanda nitidamente vinculada à defesa do erário e dos interesses tributários da União Federal, a mesma apenas poderia ser proposta pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), como prescreve o artigo 131 da Constituição Federal, já existindo portarias internas deste órgão prevendo esta defesa quando presentes certas circunstâncias.
A admissibilidade da ação civil também dependeria da presença de patrimônio público a ser protegido. Entretanto, essa condição não está satisfeita considerando as regras constitucionais e legais aplicáveis em face de uma decisão administrativa irrecorrível declarando não ser devido um tributo constituído no auto de infração impugnado pelo contribuinte.
A Constituição Federal outorgou competência à legislação complementar para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação e crédito tributários, estando previsto no Código Tributário Nacional (CTN) a extinção do crédito tributário pela decisão administrativa irrecorrível. Por sua vez, na legislação de regência do processo administrativo federal está prevista serem definitivas as decisões irrecorríveis do Conselho de Contribuintes implicando as contrárias a Fazenda Nacional o dever legal da autoridade competente exonerar o contribuinte dos gravames decorrentes do litígio.
Tais regras demonstram a definitividade das decisões emitidas pelo Conselho de Contribuintes quanto à extinção do crédito tributário, implicando a inexistência de patrimônio público a ser defendido justamente porque deixou de existir tributo devido em face dos efeitos do julgamento administrativo irrecorrível.
Os efeitos das decisões do Conselho de Contribuintes também vêm sendo reconhecidos há muito tempo pelo Poder Judiciário, por ser pacífico o entendimento de não ser possível o ajuizamento de ação por crime fiscal em relação a delito relacionado à falta de pagamento de tributo antes da decisão final administrativa. Nesta hipótese, a corte suprema considera representar a decisão final do tribunal administrativo um lançamento definitivo e posicionamento da validade do auto de infração, representando condição para se apurar a existência do crime fiscal por somente existir na hipótese do tributo ser considerado devido.
Caso seja admitida a ação civil, serão desprestigiados os efeitos das leis garantidoras da eficácia das decisões do Conselho de Contribuintes e da segurança jurídica nas relações entre o fisco e o contribuinte, porque após o autuado realizar uma árdua defesa administrativa, até apresentando uma garantia equivalente a 30% do débito contestado para recorrer ao conselho quando a delegacia da Receita decide pela validade do lançamento, é surpreendido com uma nova discussão simplesmente por considerar o Ministério Público Federal que a decisão do conselho não foi a mais adequada.
O Ministério Público Federal deveria somente agir nos casos em que for constatada alguma ilegalidade no processo administrativo, porque quando o conselho se conteve no âmbito de sua competência e das regras norteadoras do devido processo legal não existem motivos para não ser prestigiado o seu julgamento. Se as decisões do conselho legitimamente emitidas puderem ser reformadas por ações civis públicas, melhor extinguir a corte administrativa, porque ela perde a sua razão de ser e gera um custo elevado redutor do patrimônio público cuja proteção o Ministério Público pretende realizar.
Fernando Dantas Casillo Gonçalves é advogado especialista em direito tributário, membro-fundador do Instituto de Pesquisas Tributárias (IPT) e membro do conselho consultivo da Associação Paulista de Estudos Tributários (Apet)
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RS apresenta lei para precatórios
Fernando Teixeira
Segundo Telmo Schorr, presidente da comissão de precatórios da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS), a proposta elaborada pelo Executivo é bem-vinda, mas ainda deverão ser negociados os valores previstos no projeto, para o advogado, insuficientes.
Um dos problemas é a destinação da recuperação da dívida ativa, restrita apenas à dívida constituída após a edição da lei. Hoje, a dívida ativa do Estado é de R$ 14 bilhões, e a recuperação anual é de cerca de R$ 150 milhões. O projeto prevê que 10% da recuperação será destinada ao fundo, mas o resultado será pequeno se restrito apenas às novas dívidas.
Outra questão é a venda dos imóveis de propriedade do Estado. Pelo projeto, 30% da receita seria destinada ao fundo, mas hoje o governo não sabe exatamente o total de imóveis existente e o que pode pôr à venda. Também não há nenhuma estrutura para leiloar esse patrimônio. No caso das aplicações financeiras, o principal resultado da medida será a destinação dos rendimentos dos depósitos judiciais da Justiça gaúcha.
A dívida do Estado com precatórios é estimada em R$ 4 bilhões, segundo Schorr, mas hoje o Estado paga apenas as requisições de pequeno valor. Pelo projeto, a fila dos pagamentos, que hoje se estende até 1998, não seria alterada. O advogado também não acha viável a inclusão da compensação tributária dos precatórios no projeto, pois o governo vetou no início de 2004 uma lei estadual que previa a prática.
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TJSP nega cobrança de ISS de leasing
De Brasília
Motivo de autuações milionárias contra os bancos de leasing, a disputa tem sido acompanhada de perto pelas empresas do ramo. Há no horizonte dois desfechos possíveis: o surgimento de um passivo tributário imenso ou o fim da cobrança do ISS. E o precedente obtido na capital paulista é um bom indício no sentido do fim da cobrança do tributo.
Segundo o advogado responsável pela sentença contra a prefeitura paulista, Flávio Mifano, do escritório Mattos Filho Advogados, a diferença da decisão é que ela reverte uma autuação que não contém os vícios das autuações originadas da onda de contestações iniciada no Rio Grande do Sul. Os problemas dessas autuações eram a base de cálculo inflada e multas excessivas mas, principalmente, a questão do local do estabelecimento. Nas ações movidas pelos municípios, a principal alegação é de que o ISS deve ser cobrado onde o veículo foi adquirido, e não no local da sede da operadora de leasing.
No caso da autuação da prefeitura paulistana, o município apenas alegava o não-recolhimento do tributo em um determinado período. De acordo com Flávio Mifano, isso dá respaldo à tese lançada recentemente pelos advogados dos bancos pela inconstitucionalidade da cobrança do ISS sobre o leasing, independentemente da cidade autuadora ser a sede da operadora ou não. Ele diz ter obtido outras cinco sentenças impedindo a cobrança do ISS por cidades do interior paulista, mas em todas elas estava envolvido na discussão o local de incidência do tributo.
A nova tese apresentada pelos bancos de leasing alega que a atividade não é uma prestação de serviço e por isso não poderia ser enquadrada na lista do ISS. Segundo os advogados tributaristas, o leasing é uma operação complexa, mas mistura características de uma operação de crédito, de uma locação e de uma operação de compra e venda - todas isentas do ISS. A nova abordagem começa a ter algum reflexo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que, somado aos precedentes da primeira instância, pode resultar na queda da tributação pelo ISS.
Segundo Mifano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) também se posicionou contra a cobrança do ISS em recursos contra liminares da primeira instância. Já segundo o advogado Vinícius Vieira Melo, do escritório Golgo Advogados - consultor de 70 municípios na cobrança do ISS dos operadores de leasing -, o posicionamento da Justiça paulista está dividido. Ele estima que 50% das decisões de primeira instância foram favoráveis aos municípios e diz que o TJSP também têm mantido a cobrança. (FT)
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Aumento dos gastos com educação melhora pouco a qualidade do ensino
Célia de Gouvêa Franco
Seus estudos são parte de um projeto do Instituto Futuro Brasil em que a contraparte está sendo tocada pelos economistas Samuel Pessoa e Fernando Barbosa Holanda Filho, que tentam medir as taxas de retorno econômico de educação.
Menezes partiu da análise dos dados sobre a qualidade da educação no Brasil, especificamente os resultados do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (SAEB), do Ministério da Educação de 2003, por meio de exames de língua portuguesa e matemática aplicados a alunos da quarta e oitava séries do ensino fundamental e terceiro ano de ensino médio. Os resultados foram péssimos porque mostram, por exemplo, que metade dos alunos da quarta série estão no nível muito crítico ou crítico em matemática. O desastre é ainda maior porque a proficiência está diminuindo e até a elite brasileira vai mal - os 5% melhores classificados estão entre os piores do mundo em uma avaliação feita internacionalmente.
Menezes diz que não há controvérsia quando se fala em quantidade na educação: o caminho é colocar todas as crianças na escola, incentivá-las a continuar até o ensino médio, dar bolsa-família como estímulo para as famílias, acabar com a aprovação automática. Já se conseguiu grandes avanços nesse sentido, inclusive pelo fato de que quase 50% dos estudantes estão ficando na escola até o ensino médio.
Quanto à qualidade, porém, ninguém sabe muito bem o que fazer para que haja uma melhora na educação. Um dos maiores especialistas do mundo em economia da educação, Eric Hanushek, da Universidade de Stanford, diz que não adianta simplesmente colocar mais dinheiro nas escolas. Nos EUA, aumentou-se muito o gasto com educação nos últimos anos, mas não houve uma melhora significativa no desempenho dos alunos nos exames internacionais. Elevar os salários dos professores, reduzir o número de alunos nas classes - a experiência mundial mostra que medidas como essas não têm impacto significativo.
No Brasil, poderia se argumentar que os salários dos professores são baixos e um aumento resultaria em maior eficiência deles. Mas Menezes relata que não se consegue estabelecer uma relação clara entre gastos com educação e desempenho escolar. Ele comparou os dados sobre orçamento com educação de Estados e municípios brasileiros com os resultados de testes de proficiência e chegou à conclusão de que não há relação alguma entre as duas variáveis. Um Estado que gasta mais com educação não vai necessariamente ter alunos que se saem melhor.
Segundo Menezes, também não existe relação entre salário dos professores e desempenho dos alunos - pelo menos no setor público, diferentemente do que ocorre nas escolas privadas, nas quais, de fato, o rendimento do professor influencia nos resultados de avaliação dos estudantes. E isso porque o salário do professor do sistema governamental não depende do seu desempenho: se ele falta ou deixa de dar aula não terá os seus vencimentos reduzidos no fim do mês. Os salários na rede pública variam conforme a experiência, sua idade ou cursos de treinamento feitos pelos professores, mas também esses fatores não significam melhora no desempenho dos alunos.
Assim, parece ponto pacífico entre os especialistas, diz ele, que meramente elevar gastos com salários de todos professores de forma geral não melhora a qualidade do ensino. Outro problema grave em se tratando de professores é o elevado grau de absenteísmo - em alguns casos, como na prefeitura de São Paulo, o professor já tem o direito de faltar 10 dias por ano sem justificativa. Desestimulado e com baixo salário, os professores se sentem "empurrados" mesmo a faltar às aulas. Assim, seria interessante, defende Menezes, adotar um sistema que aumentasse o salário do professor que não faltasse e cujos alunos mostrassem bom desempenho. É fundamental para melhorar a qualidade de ensino a presença do professor.
As medições de Menezes mostram que a escola explica até 30% da variação do desempenho do aluno; os outros 70% são características da família, especialmente a educação da mãe, a quantidade de livros que existe na casa onde a criança mora, a idade do aluno. Uma taxa de até 30% de influência da escola sobre o desempenho dos alunos pode parecer pouco, mas a longo prazo é muito, considerando-se que se houver uma melhora no ensino agora, as próximas gerações serão de pais e mães com melhor educação e, portanto, com maiores possibilidades de influir positivamente sobre seus filhos.
Analisando os dados detalhados do SAEB, Menezes chegou à conclusão de que uma variável que realmente influencia na qualidade de uma escola é a média educacional das mães dos alunos. E mais: quando as mães participam ativamente da vida das escolas públicas, pressionando por melhorias, há avanços na qualidade. Essa constatação abriria caminho, na sua opinião, para que a escola pública ganhasse qualidade, na medida em que se pode estimular as mães a serem mais presentes no dia-a-dia dos colégios dos filhos.
O estudo de Menezes será debatido no seminário "Quais as políticas educacionais que realmente funcionam?" hoje no Ibmec em São Paulo, com as presenças de Alan Krueger, José Alexandre Scheinkman (os dois da Universidade de Princeton) e Samuel Pessoa (da FGV do Rio), entre outros.
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Avanço do PIB no 2º tri foi modesto
Sergio Lamucci
As previsões para o ano, porém, não devem ser revisadas de imediato. Além de os analistas preferirem esperar a divulgação do resultado do PIB no fim do mês, há sinais de que a atividade se recuperou em julho, o que pode compensar o resultado de junho.
A economista Lygia de Salles Freire César, da Rosenberg & Associados, ressalta que o desempenho de junho foi prejudicado por fatores pontuais.. Ela lembra o efeito Copa do Mundo, que reduziu o número de horas trabalhadas em dias de jogos do Brasil, a greve das montadoras e da Receita Federal e também o fato de que junho teve um dia útil a menos do que o mesmo mês de 2005. Segundo o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, sem o impacto da Copa do Mundo, a indústria teria caído 0,6%, e não 1,7%. Ele diz que indicadores coincidentes, como a produção de automóveis e a expedição de papelão ondulado, não captaram esse efeito totalmente.
A retração em junho foi generalizada, atingindo todas as categorias de uso da indústria, como nota Lygia. A queda mais forte foi na produção de bens intermediários, com queda de 1,9% em relação a maio. No segundo trimestre, a produção industrial fechou em alta de apenas 0,5% em relação ao primeiro, em termos dessazonalizados.
Lygia, que esperava avanço de 0,9% do PIB no segundo trimestre, revisou a sua projeção para 0,6%. Ela avalia que há espaço para uma expansão mais forte da indústria nos próximos meses, num cenário marcado por juros mais baixos e expansão da renda. Por enquanto, ela mantém a previsão de crescimento de 3,6% para o ano.
A economista Giovanna Rocca, do Unibanco, também vai revisar sua previsão para o PIB no segundo trimestre, de 1,15% para algo como 0,7%. Ela diz que o resultado de junho a surpreendeu negativamente, mas também aposta numa recuperação da atividade no terceiro trimestre. A queda dos juros, a recuperação no mercado de trabalho e o aumento dos gastos fiscais tendem a impulsionar a economia nos próximos meses, avalia.
Bráulio fez uma revisão mais modesta de sua projeção, reduzindo-a de 1,1% para 0,9%. Ele reconhece que o recuo de junho foi forte, mas considera que ele não é suficiente para derrubar com muita força o desempenho do PIB no período, uma vez que a indústria teve um desempenho razoável nos dois meses anteriores, principalmente em maio. Ele também aposta que a recuperação da atividade em julho pode compensar os estragos produzidos pelo resultado de junho. O licenciamento de veículos cresceu com força no mês passado - 11% em relação a junho, com ajuste sazonal -, lembra ele, acrescentando que o consumo de energia aumentou 1,3% no período.
Bráulio chama a atenção para o desempenho positivo dos investimentos no segundo trimestre. Segundo sua estimativa, a formação bruta de capital fixo (FBCF), que mede o investimento na construção civil e em máquinas e equipamentos, deve ter crescido 4,4% em relação ao mesmo período de 2005. No período, a construção cresceu 2,5% e a as quantidades importadas de máquinas e equipamentos, 24,5%. A produção doméstica, porém, avançou apenas 1,3%. Na comparação com o primeiro trimestre, o avanço deve ser de 1,4%. Com isso, ele mantém a projeção de aumento de 7,5% para a FBCF no ano. Lygia espera alta de 3,7% em relação ao segundo trimestre de 2005 e estabilidade em comparação com o primeiro.
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China já supera Brasil na América Latina
Raquel Landim
A conversa ocorreu em um momento delicado. Prejudicada pela valorização do real, a Movelar, fábrica de móveis com sede no Espírito Santo, reajustou os preços entre 5% e 15% e perdeu competitividade. O cliente equatoriano ainda não cumpriu a ameaça de interromper as importações, mas, em sinal de alerta, reduziu um pouco as compras em julho.
É sem alarde, ao estilo oriental, que a China ganha espaço na América Latina, tradicional cliente do Brasil. O governo brasileiro comemorou o fato de os latino-americanos se tornarem os maiores compradores do país, absorvendo perto de 25% das exportações, acima de Estados Unidos e União Européia. A performance é boa, mas insuficiente para vencer o dragão.
A China já supera o Brasil como maior fornecedor de produtos manufaturados para os outros países da América Latina. Em 1990, os chineses respondiam por fatia irrisória das importações desses bens na região: 0,7%. Em 2004, último dado disponível, a China ficou com quase oito vezes mais, 7,8%. O Brasil também cresceu a participação, mas foi ultrapassado, já que sua velocidade está longe de ser chinesa. A fatia dos brasileiros subiu de 5,3% em 1990 para 6,5% em 2004, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
"A tendência de crescimento da China é inevitável", constata Maurício Moreira Mesquisa, economista do BID. "Há uma forte complementariedade entre as economias chinesa e latino-americana", completa Júlio Callegari, do banco J.P. Morgan. A China é hoje uma importante consumidora de commodities que a América Latina oferece com fartura. Por outro lado, os chineses vendem manufaturados, que os países latino-americanos, com exceção do Brasil e do México, praticamente não têm condições de produzir. E a competitividade da China - baseada em mão-de-obra barata e baixa carga tributária - deixa o jogo muito difícil para brasileiros e mexicanos.
A partir de 2003, ocorreu um "boom" de exportações de commodities da América Latina para a China. O país asiático se tornou importante comprador do minério de ferro do Brasil, do cobre do Chile e da soja da Argentina. Esse "boom" tem dois efeitos que, aos poucos, vão invertendo a balança a favor dos chineses.
O primeiro efeito é a valorização do câmbio. Com o crescimento das vendas de commodities para a China, aumenta o fluxo de dólares que ingressa nos países da América Latina, valorizando suas moedas. Esse fenômeno favorece a importação de manufaturados chineses. Para o Brasil, que possui um parque industrial estruturado, a perda é dupla, atingindo mercado interno e exportação.
O segundo efeito é o custo do frete. A exportação de commodities praticamente fez surgir uma nova rota de navios, que vão da América do Sul para a China. É natural que empresas e armadores busquem reduzir seus custos, carregando os navios de produtos chineses na viagem de volta.
Obedecendo padrão já conhecido em outras regiões do planeta, a invasão chinesa na América Latina também começou por produtos intensivos em mão-de-obra, como têxteis e calçados, e por eletroeletrônicos. Os chineses ainda engatinham em produtos mais elaborados, como automóveis, um importante item da pauta do Brasil. Mas a indústria automotiva não esconde sua apreensão. Parece ser questão de tempo.
Almir Biejing, diretor de exportação da Teka, relata que alguns clientes do Mercosul reduziram os pedidos em até 50%. Desde o início do ano, a fabricante de roupas de cama, mesa e banho está notando um acirramento da concorrência nos mercados de Argentina, Uruguai e Paraguai. O movimento começou por toalhas de banho e cobertores - produtos que não dependem de reposição rápida.
Biejing atribui a competição com chineses na região à alta do real, que provocou um reajuste de 15% a 25% nos preços. "O Brasil está forçando esses países a procurar novos fornecedores", diz. O faturamento da Teka com as vendas no exterior caiu 4,4% em reais no primeiro semestre do ano, para R$ 31 milhões. A América Latina responde por 45% do total. Biejing acrescenta que o câmbio minimiza a grande vantagem do Brasil em relação à China nos mercados da América do Sul: tempo. Segundo ele, uma toalha brasileira leva uma semana para chegar à Argentina, enquanto a chinesa gasta 50 dias.
As empresas brasileiras relatam uma concorrência feroz com a China nos Estados Unidos e na União Européia, economias abertas, onde vence o melhor preço. Prejudicadas pelo real forte, as exportações do Brasil para americanos e europeus cresceram míseros 6% e 7%, respectivamente, de janeiro a julho ante igual período de 2005.
Na América Latina, as tarifas de importação de produtos industriais ainda são altas e o Brasil conta com acordos comerciais vantajosos, que favorecem seus produtos em relação aos chineses. Com a ajuda do forte crescimento de economias como Argentina e Venezuela, as exportações do Brasil para a América Latina subiram 22% na mesma comparação.
É por isso que a invasão chinesa é mais intensa nos países mais abertos da América Latina: México e Chile. As duas nações possuem acordos de livre comércio com muitas regiões, o que intensifica a competição. Não por acaso o Chile é, na definição de empresários brasileiros, a "porta da Ásia" na América do Sul. Os empresários do setor têxtil contam que tecidos e roupas asiáticas dominam o mercado chileno há muito tempo. E as montadoras dizem que é difícil concorrer com os carros coreanos por lá.
O Brasil fornecia 10% das importações de manufaturados do Chile em 1990 e 15 anos depois ficou com 13% do total. Os chineses passaram de 1% para 12% no mesmo período. Em 1990, Brasil e China forneciam cada um pouco mais de 1% do que o México comprava no exterior em bens industriais. Em 2005, a participação do Brasil ficou em 2,4% e a da China foi a 9,1%.
No Mercosul, os manufaturados brasileiros são beneficiados porque não pagam tarifa de importação. Com essa vantagem, o domínio nos mercados de Argentina, Uruguai e Paraguai ainda é muito expressivo. O Brasil respondeu por 23% das importações desses países em 2004. Lentamente, a China ganha espaço. Sua fatia nas importações do Mercosul, incluindo o Brasil, subiu de 1% para 7%.
Sem a proteção dos acordos comerciais, a competitividade brasileira começa a ruir. Apesar das regras do Mercosul, a Argentina limitou as importações brasileiras de calçados a uma cota anual de cerca de 13 milhões de pares nos últimos dois anos. E para garantir que esse volume fosse cumprido, impôs licenças não-automáticas de importação.
Foi o bastante para os chineses avançarem sobre esse mercado, apesar da tarifa de 35% aplicada pelo Mercosul para a importação de sapatos de fora do bloco. O Brasil viu sua participação encolher de 90% para 50% no mercado calçadista argentino em dois anos. Agora disputa palmo-a-palmo o mercado da Argentina com a China.
Milton Cardoso, diretor-superintendente da Vulcabras, conta que está com 150 mil pares retidos nos portos da Argentina à espera de licença, mas classifica o problema como "costumeiro". Ele diz que a rentabilidade das operações na Argentina está comprometida. A Vulcabras produz e comercializa tênis com a marca Reebok. Devido aos problemas no câmbio e à valorização do real, o empresário conta que fechou uma parceria com a Alpargatas Argentina para produzir os modelos mais simples no país. Ele pretende, inclusive, trazer os calçados produzidos no país vizinho para vender no Brasil. "O primeiro embarque deve ocorrer em setembro", diz Cardoso.
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Múlti exporta para a região com margem reduzida
De São Paulo
É o caso da Black & Decker. A filial brasileira deixou de exportar ferros elétricos para a América Latina há um ano. Como vendia para terceiros, reajustou preços e os clientes preferiram trazer os ferros elétricos da fábrica da China.
No caso de ferramentas elétricas, a Black & Decker montou uma fábrica em Uberaba (MG) para atender o mercado sul-americano. Mas a fábrica também exportava para outras unidades no mundo. Em 2005, a América do Sul absorvia 60% das vendas ao exterior. Este ano, o percentual saltou para 95%.
Segundo Domingos Dragone, diretor-industrial da Black & Decker, o Brasil deixou de fornecer ferramentas para a unidade nos Estados Unidos porque perdeu o contrato para a filial da China e não vende mais furadeiras para a União Européia porque foi substituído pela fábrica da República Tcheca. Sem esses contratos, a exportação da filial brasileira deve ficar em US$ 32 milhões este ano, 20% menos que 2005.
O executivo conta que as exportações para a América do Sul até aumentaram. Mas isso aconteceu porque a administração da empresa na América Latina é única. A estratégia foi manter a exportação, para não elevar a capacidade ociosa da fábrica no Brasil. No entanto, a filial brasileira não pode reajustar preços, para que a marca não perca espaço na América do Sul e teve de reduzir as margens. (RL)
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Concorrência chinesa em carros é risco para o futuro
Raquel Landim e Marli Olmos
Os chineses já são o terceiro maior produtor de veículos do mundo, atrás de Estados Unidos e Japão. Em 2005, o país vendeu 5,7 milhões de unidades, ou 9% do total mundial. Em 1995, ocupava o nono lugar, com 3,1%. Além das montadoras chinesas, existem no país cerca de 30 multinacionais do setor. A previsão é que, em 2010, a China comercialize 12 milhões de unidades.
Para quem ainda critica a qualidade dos carros feitos na China, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, lembra que no início da década de 70, os automóveis fabricados no Japão também não tinham qualidade. "O fenômeno se repete", afirma.
Pinheiro afirma que os carros à venda na Venezuela ainda representam um volume irrisório, mas ressalta que os chineses começaram a testar os mercados e aprender o gosto do consumidor. Nos próximos dois ou três anos, diz ele, a China ainda não será um competidor relevante, pois estará muito ocupada atendendo seu monstruoso mercado interno.
As multinacionais com fábricas de carros na China também estão se preparando. No início do ano, a Fiat realizou alguns testes com o Palio produzido na China para futura venda na América Latina. Mais tarde, a empresa concluiu que os custos logísticos inviabilizam o plano. A GM trouxe para o Brasil veículos feitos na fábrica da China, mas apenas para testes internos.
As montadoras instaladas no Brasil estão preocupadas com o futuro, quando a China realmente começar a exportar veículos. "Honestamente, não é possível competir", diz Pinheiro. Segundo ele, o custo de manufatura (montagem, mão-de-obra, infra-estrutura) de uma fábrica na China está em US$ 140 por carro. Nas mais eficientes do Brasil fica em US$ 600.
Um executivo do setor avalia que a solução para o Brasil não é competir com a China, mas se apresentar como "alternativa". É o que faz a Índia. Ele avalia que as multinacionais preferem não apostar todas as fichas em apenas um país, por medo de turbulências econômicas, políticas ou sociais.
"O Brasil sofre uma explosão de custos internos", diz a diretora de assuntos governamentais da Volkswagen, Elizabeth de Carvalhaes. Segundo ela, a receita obtida com as exportações serve para financiar o custo interno. Acontece que hoje, na Volks - empresa que responde por 60% da exportação de veículos no Brasil - a diferença entre a remuneração cambial e o custo da matéria-prima chega a 71,2%, segundo explicou recentemente a executiva.
Para Carvalhaes, diante de um quadro em que "não se tem capital externo para cobrir esse sufoco", a situação se complica para empresas que apostaram na exportação como estratégia. "A indústria automobilística no Brasil nunca havia sido talentosa na exportação", lembra a executiva. "As vendas externas sempre foram pontuais". Mas, ao aderir aos programas de incentivo à exportação, em meados da década passada, esse setor investiu na ampliação industrial e aí começou a exportar como nunca. A Volks destina 43% da produção ao mercado externo.
É por isso que agora, diante do fortalecimento do dólar, o país perde espaço nos mercados externos. Embora os chineses ainda não tenham a competência brasileira no desenvolvimento de novos carros, Carvalhaes afirma que na China se formam em média 400 mil engenheiros por ano.
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Os problemas que as PPPs embutem
Sergio Leo
O aviso, em linguagem mais diplomática, está em um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O governo acaba de iniciar consulta pública para o primeiro projeto de Parceira Público Privada (PPP), para duas estradas que ligam Salvador à divisa da Bahia com Minas Gerais. É um bom momento, portanto, para conhecer as preocupações manifestas no trabalho dos economistas do Ipea Carlos Álvares da Silva Campos Neto e Ricardo Pereira Soares, para o boletim das duas instituições.
Em resumo, as PPPs, assim como as concessões, devem atender a duas preocupações básicas: o equilíbrio econômico-financeiro do contrato com os investidores, e a "modicidade" das tarifas, a manutenção em níveis razoáveis dos preços cobrados pelo uso da infra-estrutura oferecida com capital público e privado. O estudo de Soares e Campos Neto cita outras pesquisas já realizadas pelo Ipea e analisa as condições anunciadas pelo governo para as parcerias com empresas e conclui que os planos oficiais para o setor rodoviário não dão a "atenção devida" à questão da modicidade tarifária.
Não há planos ou regras para evitar o desajuste dos contratos em favor dos concessionários, alerta o estudo. Essa falta de atenção, afirmam os economistas, "poderá onerar mais os custos dos transportes de cargas e refletir nos índices inflacionários". Já está onerando: segundo o estudo, "chama a atenção" o crescimento desmesurado no número de praças de pedágio, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde só o governo federal construiu 39 postos de cobrança.
As concessões estaduais levaram a criação de 282 postos, 152 em São Paulo, 57 no Rio Grande do Sul, 52 no Paraná e 12 no Rio de Janeiro. Nas cinco concessões do governo federal, o aumento real nas tarifas, acima da inflação, foi de 40% (exceto na Via Dutra, onde foi de 33%) nos últimos dez anos. O estudo do Ipea que constatou esses valores concluiu que, nos esforços para recuperar ou ampliar a malha de estradas do país, há uma "predominância" do interesse das concessionárias e não o desejável equilíbrio entre as necessidades delas e as dos usuários.
"Os critérios que permitiram esse crescimento são cláusulas contratuais das concessões que valerão também para as parcerias público-privada", alertam os economistas. "O conceito de equilíbrio econômico-financeiro, que desperta grande apelo ao setor privado, tem sido pormenorizadamente estudado", comparam. "Por outro lado, observa-se a necessidade de um tratamento mais equânime em relação ao interesse dos consumidores, pois o conceito de modicidade não teve a atenção devida", avisam. Nem houve estudos nem desdobramentos práticos em relação à preocupação prevista na lei sobre a necessidade de tarifas "justas".
Pelo contrário. No último edital de concessão de sete trechos rodoviários, o governo usa como critério o maior valor oferecido pela concessão e descarta o princípio da menor tarifa cobrada, "imputando mais um ônus financeiro para o usuário". O governo, em vez de apenas atrair investidores para a necessitada infra-estrutura rodoviária, quer fazer caixa, às custas dos usuários pagantes de pedágio. "Não parece justo esse procedimento", concluem os economistas.
Eles comentam que, como a demanda (o fluxo de veículos) é considerado nos contratos um risco das concessionárias, as empresas tendem a fazer projeções conservadoras, o que eleva a previsão das tarifas de pedágio e reduz a taxa de retorno de empreendimento. No longo prazo, as empresas tendem a ter aumentos de lucratividade bem superiores às previsões. O estudo sugere que os governos, concedentes, acompanhem o fluxo de veículos que pagam pedágios (é espantoso que não o façam), deixem de considerar essa demanda pela infra-estrutura rodoviária um risco da concessionária e a incorporem ao cálculo da receita. A sugestão dificulta a administração dos contratos, mas tem vantagens óbvias.
Para os especialistas do Ipea, o governo, ao selecionar os investidores privados, deve combinar três critérios: o preço da tarifa, o fluxo de veículos e o prazo da concessão (que deixaria de ser fixo, como hoje em dia). A melhor combinação dessas três variáveis asseguraria a justa remuneração para os investidores, com custo menor para os usuários. A redução dos prazos de concessão traria, ainda, a vantagem de diminuir a barreira de entrada de firmas menores no negócio das concessões rodoviárias e induzir, com isso, a investimentos das concessionárias em inovação e produtividade.
Não é o que se prevê para o primeiro projeto de PPP sob consulta pública. O trecho de 633,7 quilômetros ligando o Porto de Aratu a Feira de Santana terá 35 anos de concessão, com investimento total de US$ 2,73 bilhões. O intenso fluxo de veículos deve levar o governo a participar com, no máximo, 20% do valor. O governo poderia sustentar outros 140 projetos com igual nível de participação sem comprometer os limites da lei, que proíbe o uso de mais de 1% da receita corrente líquida nessas parcerias. As PPPs são uma boa saída para os gargalos de infra-estrutura, se o governo tomar cuidado com os problemas apontados pelos economistas, entre eles os sobrepreços que, por medo do risco, os investidores vêm colocando nos projetos.
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Mantega quer zerar déficit nominal no próximo mandato
Claudia Safatle, Cristiano Romero e Arnaldo Galvão
Em quatro anos, os juros reais estarão em 5% ao ano, metade da taxa de hoje, e, mantendo-se o superávit primário das contas públicas em 4,25% do PIB, conforme compromisso do presidente Luiz Inácio da Silva se reeleito, o Brasil vai zerar o déficit nominal das contas públicas em 2010. A previsão é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, esbanjando otimismo, aposta num crescimento de 5% para a economia em 2007 e a volta do país aos "tempos áureos do desenvolvimentismo", sem intervencionismo do Estado.
Num depoimento surpreendente ao Valor, Mantega mostrou-se bem diferente do economista que, no passado, defendia uma forte presença do Estado na economia. Seu pensamento agora contempla idéias caras ao PT, o partido do presidente - austeridade fiscal; prevalência do investimento privado, e não do público, na economia; respeito à taxa de câmbio apreciada (como resultado do aumento da confiança dos investidores no país); fim do protecionismo e do paternalismo comercial.
Crítico no passado da política monetária conduzida pelo Banco Central, ele agora respeita as decisões tomadas nessa área. "Não posso engessar o juro porque ele é um instrumento de política monetária que tem que estar livre. A alavanca tem que estar livre para ir para frente ou para trás", afirmou.
Para os que alimentam alguma dúvida sobre o quadro fiscal de 2007, Mantega é categórico. "A mesma filosofia que nos pautou será mantida, na área fiscal, porque isso foi muito bom para o país. É virtuoso. Não é aí que está o diferencial de um governo para outro", disse o ministro.
A diferença está no modelo de crescimento. Na avaliação de Mantega, o modelo adotado pelo governo Lula, mesmo produzindo superávits maiores nas contas públicas, criou empregos e ousou na área social, com a inclusão da população de baixa renda no mercado de consumo. Ele sustentou que a experiência dos últimos três anos e meio mudou um velho paradigma.
"Achava-se que, com crescimento inferior a 4%, 4,5%, aumentaríamos o desemprego. Na verdade, o que há é uma modalidade de crescimento que cria mais empregos e outra, menos. A que cria mais emprego é a que estimula a pequena e média empresa, a agricultura familiar, a agroindústria. Este foi um dos sucessos deste governo: gerar mais empregos do que esperaria o pensamento tradicional", comparou o ministro.
"O diferencial, portanto, não deve ser buscado na política fiscal", disse. "O outro candidato", acrescentou ele, referindo-se a Geraldo Alckmin, do PSDB, "também não vai ser irresponsável". E acrescentou: "Veja que estou dando isso de barato."
Respondendo à desconfiança de analistas, segundo a qual, em 2007 as contas públicas não fecharão graças às elevações de gastos permanentes que estão ocorrendo neste ano eleitoral, Mantega afirmou que, se Lula for reeleito, ele pretende aplicar um redutor no gasto corrente da União como proporção do PIB. "Teremos, ao fim dos próximos quatro anos, a série mais longa de superávit primário da história do Brasil. Serão 12 anos seguidos. Nesse período, no mínimo, zeraremos a conta nominal. Então, não há com o que se preocupar", ponderou o ministro, prevendo que, nos próximos quatro anos, a taxa básica de juros (Selic) cairá, em termos reais, à metade, ajudando o governo a eliminar o déficit público.
"Poderemos alcançar um juro real de 5%, que é o juro que o país merece. É o juro real americano (de cerca de 3% ao ano) mais um risco de 200 pontos básicos. A TJLP, que está em 7,5% ao ano, já está nesse patamar. Se você considerar o spread de projetos de celulose e siderurgia, por exemplo, já temos 5% de juro real", explicou.
Mesmo reconhecendo os problemas na área fiscal, principalmente o que diz respeito ao déficit da previdência social, Mantega assegurou que o governo Lula cumprirá o superávit de 4,25% do PIB. "O que for preciso ser feito para manter a atual equação fiscal será feito. Vamos entregar o superávit primário de 4,25% do PIB e não mais. Já vi o concorrente (Alckmin) falar que vai fazer superávit de 8% do PIB e diminuir em 10% do PIB a carga fiscal. Eu corto o meu pescoço porque fazer isso é impossível. Só se ele fechar o Estado e jogar a chave fora", provocou.
Prevendo um horizonte de estabilidade sem precedentes na história do país, Mantega disse que o "novo desenvolvimentismo" será diferente daquele que caracterizou a economia brasileira entre os anos 50 e 70. Agora, o papel do Estado é muito mais regulador do que promotor de desenvolvimento.
"Estamos numa era pós-Estado intervencionista. Agora, é o setor privado que tem de fazer. O setor de ferrovias, por exemplo, está equacionado pelo setor privado. O Estado fez o que tinha que fazer. Saneou a Brasil Ferrovias. A General Electric vai voltar a fazer locomotivas no Brasil. A indústria já está produzindo cinco, seis mil vagões", relatou. "O Estado tem que dar as condições para o setor privado."
Mostrando que mudou de opinião também em relação a outro aspecto da política econômica - o câmbio -, Mantega reconheceu que o real tende a se manter valorizado em relação ao dólar. Isso deverá acontecer porque as contas do país estão mais sólidas, o que torna o país atraente aos investidores estrangeiros. Num recado duro ao setor exportador, ele advertiu: "Estamos fadados a conviver com uma tendência de valorização do câmbio. Se um exportador achar que o seu negócio só se viabiliza com um câmbio a R$ 2,80 ou R$ 3,00, então ele deve mudar de ramo porque não tem milagre."
O ministro lembrou que o mercado mundial é hoje muito mais competitivo do que era no passado e que as empresas nacionais têm que se adaptar a essa realidade. Alguns setores ganharão, outros não. "Não dá para pensar em protecionismo e paternalismo como havia no passado. Quem está na chuva é para se queimar, como diria o Vicente Matheus. Só olhamos para os setores que estão em dificuldades com a globalização, mas também temos os que têm vantagem. Não dá para ganhar em tudo. Mesmo com um câmbio a R$ 2,18, a exportação não pára de crescer", comentou.
O que o governo pretende fazer pelos exportadores é reduzir os custos de produção no Brasil e estimular o aumento da oferta de crédito na economia - a meta é chegar em quatro anos a 50% do PIB (hoje, é 32%). Nessa linha, Mantega informou que o governo vai enviar ao Congresso projeto de lei complementar, criando um fundo de ressarcimento do ICMS aos exportadores. O mecanismo substituirá a Lei Kandir.
"A devolução será automática. Algumas empresas têm R$ 300 milhões, R$ 400 milhões para receber e não sabem como contabilizar. Estão desesperadas porque esse valor pode passar do ativo para o passivo. O fundo seria formado com uma parcela da arrecadação do ICMS de cada Estado. A fonte dos recursos continua sendo a mesma, só muda o trânsito do dinheiro. Tira a gestão política do meio do caminho", revelou.
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Congresso reforma plano de pensão de empresas
Jim Abrams
Trabalhadores jovens, Wall Street, algumas empresas aéreas e os contribuintes dos EUA podem sair vitoriosos com as mudanças. Alguns trabalhadores mais velhos, motoristas de caminhão e operários da construção, que esperavam se aposentar mais cedo, não vão lucrar tanto.
A legislação obriga as empresas a planejar adequadamente seus fundos de pensão e a garantir que seus trabalhadores consigam os benefícios de aposentadoria que foram acertados.
A lei também mostra que o sistema tradicional de plano com benefícios definidos está em declínio. A transição para um estilo de plano em que os benefícios dependem da contribuição - como no sistema brasileiro - não será fácil.
Cerca de 30 mil planos com benefícios pré-definidos acumulam hoje um déficit de US$ 450 bilhões. A lei exige que esses planos atinjam nível de financiamento de 100% em sete anos.
Algumas empresas terão de acelerar muito suas contribuições para seus planos "sem fundos". Outras terão vantagens, pois poderão acabar com planos muito custosos.
Pelo menos duas empresas se mostraram satisfeitas com a lei: a Delta Air Lines e a Northwest Airlines, que pediram concordata e congelaram seus planos de benefícios pré-definidos, foram agraciadas com termos generosos para saldar suas obrigações. A Delta quer acabar com o plano de pensão de seus pilotos. Muitos deputados temiam que os planos sem fundos das duas empresas acabassem no colo do governo.
"A Delta vai conseguir preservar seus planos de pensão cobrindo cerca de 91 mil trabalhadores baseados em terra e comissários de bordo, na ativa e aposentados, evitando que o sistema de pensão dos EUA seja onerado", disse o CEO da Delta, Gerald Grinstein.
Outras empresas não ficaram tão satisfeitas. A American Airlines e a Continental Airlines se sentiram prejudicadas, pois não terão as vantagens da Delta. A maioria dos deputados do Texas, onde as duas empresas estão sediadas, votou contra a legislação.
A General Motors, depois de divergir de alguns pontos, acabou apoiando a legislação.
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Opinião - É preciso explorar melhor o mercado americano
É auspiciosa a decisão do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, de buscar uma aproximação comercial com os Estados Unidos. Trata-se do maior e mais aberto mercado do planeta, destino, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), de 16,1% das exportações mundiais em 2004. Somente no ano passado, os americanos importaram o equivalente a US$ 1,670 trilhão.
Décimo quinto maior exportador para os EUA, o Brasil vem perdendo espaço nesse mercado fabuloso. Há vinte anos, faturava o mesmo que a China nas exportações aos americanos. Em 2005, segundo estatísticas do Departamento de Comércio dos EUA, exportou US$ 24,4 bilhões, um décimo do total vendido pelos chineses naquele ano.
Nos últimos seis anos, na esteira da verdadeira revolução que vem ocorrendo no comércio exterior brasileiro, as exportações para o mercado americano avançaram 116%. Foi o segundo melhor desempenho no período, ficando atrás apenas da China. Os números mostram, todavia, que esse movimento está perdendo ímpeto.
Em 2004, segundo a Secretaria de Comércio Exterior, as vendas do Brasil para os EUA cresceram 20%. No ano seguinte, a taxa de expansão caiu para 10% e, nos primeiros seis meses de 2006, para 4,3%. Se o ritmo de vendas brasileiras para os EUA está desacelerando, o mesmo não se pode dizer de outros exportadores. Nos últimos três anos, as importações americanas aumentaram 43,6%.
Falta ao Brasil, na avaliação de especialistas como o embaixador Rubens Barbosa, a definição de uma estratégia clara para a conquista do mercado americano. Uma série de fatores concorre para isso, entre eles, a ausência de cultura exportadora até o passado recente, os elevados custos de produção do país, a escassez de recursos para promoção comercial, a falta de interesse da atual cúpula do Itamaraty, marcada por um forte sentimento antiamericano, em aprofundar as relações com os Estados Unidos.
O governo dos Estados Unidos, como se sabe, impõe um sem-número de barreiras tarifárias e não-tarifárias para bloquear a entrada, em seu mercado, de produtos agrícolas. Além disso, subsidiam seus agricultores com somas vultosas, diminuindo o poder da concorrência dos produtos importados. O Brasil é um dos países que mais sofrem com esse bloqueio justamente por ser um dos mais competitivos nessa área.
Com o fracasso das negociações multilaterais, tanto no âmbito da OMC quanto da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), com vistas à abertura do comércio agrícola e à redução dos subsídios, tornou-se ainda mais distante o dia em que o Brasil poderá ampliar seu acesso ao bilionário mercado agrícola americano. Diante disso, as autoridades deveriam adotar postura pragmática, voltando sua atenção para aquilo que os americanos querem comprar.
Quase 70% dos produtos industriais entram nos Estados Unidos com alíquota zero. Realistas, os chineses aprenderam isso há 25 anos. Em 1985, exportavam US$ 7 bilhões ao ano para os americanos. No ano passado, venderam o equivalente a US$ 243,4 bilhões, quase 35 vezes mais. Enquanto isso, no Brasil, os responsáveis pela política externa se dão ao luxo de não considerar o mercado americano como uma prioridade.
Com uma visão inteiramente distinta, o ministro Furlan decidiu adotar providências para abrir caminho aos exportadores brasileiros. O objetivo é executar um programa de redução das barreiras técnicas ao comércio de produtos das cadeias farmacêutica, siderúrgica e de carnes, entre outras. Furlan quer facilitar o trânsito de executivos entre as duas nações, liberando a exigência de visto diplomático para empresários americanos e negociando o mesmo benefício para os brasileiros.
Técnicos dos dois países discutem, desde junho, medidas de facilitação do comércio, normas técnicas e concessão de marcas e patentes, para ampliar o acesso aos mercados. Os esforços são nas duas mãos do comércio - é fato que as importações brasileiras dos EUA estão no mesmo nível de dez anos atrás. "Nossa meta, visionária, é abrir caminho para dobrar a corrente de comércio até 2010", disse Furlan. Se isso acontecer, o intercâmbio de mercadorias entre as duas economias atingirá US$ 100 bilhões nesse prazo. É um bom começo.
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Opinião - Democracia representativa e Orçamento impositivo
Sérgio Werlang
A democracia representativa moderna é um sistema que tem se mostrado muito eficiente. Em essência, todos os cidadãos com idade de voto escolhem um número bem menor de pessoas, os deputados e senadores, que tomarão as decisões sobre as leis do país. Neste sentido, a lei que decide o Orçamento é a expressão máxima da democracia representativa. O Orçamento reflete o desejo dos milhões de cidadãos votantes sobre como devem ser distribuídos os recursos arrecadados pelos tributos.
É, portanto, fundamental que o Orçamento seja muito discutido, para que os diversos grupos da sociedade, através de seus representantes eleitos para o Congresso, possam assegurar-se que seus anseios foram atendidos na medida do que foi possível, tendo em vista que o total dos recursos é limitado e que outros grupos da sociedade têm necessidades distintas.
Infelizmente, em nosso país não é isso o que acontece. O Orçamento é, de fato, uma lei bastante discutida no Congresso, inclusive em duas etapas. Há a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que determina padrões gerais para o Orçamento propriamente dito, que é votado na lei orçamentária. Contudo, o Orçamento que é votado, e que é a síntese dos desejos da população brasileira, não é aquele que é executado!
A razão é a seguinte. Por algum motivo, deu-se no nosso país a interpretação que o Orçamento é uma autorização para gastos. Não uma obrigatoriedade. Assim, quando os acordos para a votação do Orçamento chegam à conclusão que uma obra deve ser feita em uma cidade e que outro tanto deve ser despendido com pesquisa agrícola, e outro tanto ainda com o Bolsa Família, não é isso que o governo executará ao longo do ano. Ou seja, a obra poderá não ser feita, ou a pesquisa não financiada, e poderia haver menos recursos para o Bolsa Família. Isto porque o Executivo pode cortar gastos aprovados no Orçamento a seu bel prazer. O procedimento adotado é o de contingenciamento das despesas.
Como resultado prático deste procedimento orçamentário, muitas distorções são criadas. Em primeiro lugar, do lado do Congresso, que vota o Orçamento, há um incentivo em exagerar o valor das emendas. Como o(a) deputado(a) ou senador(a) sabe que os projetos que defende estão tendo apenas um teto aprovado no Orçamento, o objetivo é ter o maior teto possível, já que ele será cortado. Já que as receitas e despesas têm que estar em linha com os recursos disponíveis, isto leva sempre o Congresso a tentar aumentar as estimativas de receitas. Em segundo lugar, sabendo que o Congresso comporta-se desta forma, as estimativas de receitas são feitas pelo Executivo de forma sempre conservadora (em geral, só há "surpresas" na arrecadação para cima).
Em terceiro lugar, o Congresso, com temor de ter despesas (que foram legitimamente aprovadas) cortadas, passa a querer "carimbar" receitas. Exemplos disto são muitos, como os gastos com educação e a emenda constitucional que determina gastos com saúde. E a todo instante aparece uma nova proposta desta no Congresso, uma vez que a interpretação também em voga em nosso país é que estas despesas que são oriundas de direcionamento específico de um imposto ou contribuição não podem ser contingenciadas. Por este motivo há muito pouca margem de manobra no Orçamento brasileiro. Afinal, só se a receita estiver garantida é que pode-se considerar que a obra, ou o gasto, será realizada. Ocorre que a generalização destes procedimentos "engessa" totalmente o Orçamento. Uma das razões do Orçamento ser votado todos os anos é exatamente para adaptar-se aos novos anseios da sociedade. Isto é cada vez menos possível em nosso país. Hoje o Orçamento está determinado em sua quase totalidade por desejos e necessidades de gerações passadas de brasileiros, não da atualidade.
Em quarto lugar, o contingenciamento dá ao Executivo um poder enorme de influência sobre o Legislativo. Isto porque um parlamentar que teve sua emenda aprovada, mas que foi cortada, pode tê-la liberada. Assim, a decisão final sobre os gastos do governo sai das mãos daqueles que têm a representação popular para fazê-lo, os congressistas, e passa a ser determinada de forma centralizada pelo Executivo.
Em suma, o processo orçamentário ora existente é extremamente ineficiente, e causa muitas distorções. Desta maneira, é muito bem-vinda a discussão sobre o Orçamento impositivo. Orçamento impositivo quer dizer que tudo o que foi aprovado tem que ser gasto obrigatoriamente.
É claro, uma aplicação imediata de um Orçamento totalmente impositivo poderia gerar problemas, já que há o hábito de conviver com a situação atual. Dessa forma, o ideal seria adotá-lo aos poucos. Por exemplo, ele poderia ser implantado em cinco anos. No primeiro ano, o gasto mínimo obrigatório seria de 20% do valor aprovado no Orçamento. No segundo ano, 40%, e assim por diante até o quinto ano. Para respeitar a hierarquia das leis, tal deveria ser uma emenda constitucional, ou pelo menos lei complementar. Esta é uma mudança muito profunda de relacionamento Executivo-Legislativo. Mas é um avanço que a democracia representativa requer.
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(Debêntures) Analistas acreditam que só dois candidatos têm chances
Política - Alckmin e Lula não assustam mercado
ANA PAULA CARDOSO
DO JORNAL DO COMMERCIO
A polarização entre o atual presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin na disputa pelo principal cargo executivo do País nas eleições de 2006 é dada como certa pelo mercado financeiro nacional. Sem contar com outra possibilidade para ocupação do cargo de novo presidente da república, especialistas voltam a fazer projeções otimistas a respeito dos principais ativos. A Bolsa de Valores de São Paulo deve voltar aos 40 mil pontos até o final deste ano. O dólar caminha para a estabilidade no patamar dos R$ 2,20 e a taxa de Selic fecha o ano, em média, a 14% ao ano. Com esta visão otimista em relação aos rumos da política, analistas convergem na opinião de que o mercado caminha para o processo de amadurecimento, separando cenário econômico de cenário político.
Cenário externo
O desempenho dos investimentos receberá influência maior do cenário externo nos próximos dois meses, como tem sido desde maio deste ano. O mercado não preparou nada diferente do que uma vitória de Lula ou de Alckimin e, até agora, nada indica comportamento diferente até o dia da posse de um deles. Os outros candidatos nem sequer são cogitados. A eleição deste ano está bem mais previsível e nem se aproxima daquele cenário de incertezas apresentado em 2002. Naquele momento, o novo assustava. Atualmente parece que nem os discursos mais contrários à política atual causam temor comenta Pedro Paulo Silveira, economista da consultoria Grau Gestão de Recursos. Segundo especialistas, não há mais espaço na economia mundial para atitudes radicais, independente do discurso radical feito pelo candidato antes das eleições. A própria eleição de Lula serviu para tranqüilizar o mercado e os investidores internacionais. O risco mais preeminente seria um dos principais candidatos sinalizar alguma postura diferente em termos de política fiscal, monetária e cambial. Se houver alguma mudança no discurso que o mercado espera, a economia pode retrair-se levemente.
Política - Analistas acreditam que só dois candidatos ...
Para o mercado financeiro, a máxima de que em uma guerra ninguém deve ficar em cima do muro para não levar tiro dos dois lados prevalece. O fato é que o mercado não é 100% isento à eleição em lugar nenhum do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, os primeiros meses de qualquer governo do partido democrata causam sempre uma queda da Bolsa. A maior preocupação costuma ser com os dois primeiros anos, quando há espaço para a experimentação. Nos últimos anos de qualquer governo, em geral, começa a preocupação com a reeleição ou eleição do candidato aliado. Aí as medidas começam a se ajustar mais aos interesses mais amplos completa Pedro Paulo Silveira, economista da consultoria Grau Gestão de Recursos. A cautela em relação aos investimentos continua sendo a mesma recomendada em cenário de calmaria. Diversificar o capital em investimentos de menor e maior risco e procurar um fundo de investimentos com hedge são as recomendações de especialistas. Que não mudam nestes dois meses que antecedem a eleição presidencial. Os fundamentos da economia interna sustentam as bases do otimismo atual. Entre os profissionais do mercado financeiro, a aposta é de que o Brasil está no caminho para receber o Investment Grade até o ano de 2009.
A elevação do rating do País pelas agências de risco internacionais vai afastar definitivamente eventuais "fantasmas" referentes à eleição. Isso porque os investidores estrangeiros é que têm dado o tom do que acontece no mercado interno. O Governo atual fez um trabalho de redução da dívida e melhorou a vulnerabilidade da visão externa a respeito do Brasil diante de investidores estrangeiros. A liquidez do mercado está diretamente ligada á presença internacional. Quanto melhor estiver a relação risco-retorno, os ativos brasileiros tendem a se valorizar avalia Rodrigo Boulos, gerente de tesouraria do Banif Primus Banco de Investimento.
Neste ano, a Bolsa chegou a subir 25,47%, no recorde histórico atingido em nove de maio. No dia seguinte, o mercado internacional assistiu a saída de capital de mercados emergentes em direção aos títulos da dívida externa americana, diante do temor de alta dos juros dos EUA.
A Bovespa chegou a zerar todos os ganhos e, agora, já registra alta de 11,66% no ano. Mas com a saída de estrangeiros do mercado brasileiro, as principais quedas foram de ações de empresas de primeira linha, com grande liquidez e boa perspectiva, porque são justamente as mais negociadas pelos estrangeiros.
A eleição não está afetando em nada. Os acontecimentos pelo mundo, como o conflito no Oriente-médio vão afetar muito mais a segurança dos investimentos do que a eleição propriamente dita. Ninguém espera surpresa de nenhum dos candidatos à presidência, nem dos mais radicais. Quando chega no governo o discurso muda. Mas não quer dizer que tudo será um mar de rosas. O mercado de renda variável lida com risco o tempo todo. A única questão é que, desta vez, a eleição não será o motivo principal de preocupação do mercado diz Alfredo Sequeira Filho, assessor de investimentos independente.
Menor apreensão
O fato de o processo eleitoral causar menos apreensão corrobora com a tese de que o mercado de ações continuará a atrair cada vez mais investidores. Entre os especialistas há quem aposte em uma taxa de juros na casa dos 9,5% para o próximo ano.
Com a redução na taxa de juros muda também a postura do investidor brasileiro. No Brasil ainda há uma concentração muito grande de investimentos em renda fixa em função da segurança, com excelente rentabilidade.
A mudança do perfil do investidor transforma também a dinâmica do mercado de capitais, gerando fonte de financiamento para novos investimentos. É o caso das debêntures, um instrumento de crédito mais barato que vem sendo cada vez mais utilizado.
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Investimentos - "Nervômetro" da RiskControl Serviços
constata que País está menos exposto às crises
YUKI YOKOI
DO JORNAL DO COMMERCIO
A qualidade dos ativos brasileiros melhorou significativamente nos últimos anos, o que pode ser comprovado pela menor volatilidade das ações e dos títulos públicos em períodos de crise. De 10 de maio até 29 de junho, período que compreende duas reuniões do Federal Reserve e foi marcado pelo forte realocação de ativos, o Ibovespa registrou volatilidade realizada de 1,3072%. A variação segue a metodologia da RiskControl Serviços que, através de 85 medições diárias, calcula o real nervosismo do mercado ao longo dos pregões, em um índice denominado "nervômetro". As 85 medições diárias são feitas de 10 em 10 minutos, das 10 às 17 horas e são denominadas tecnicamente como Índice Brasileiro de Volatilidade do Mercado (IBVM).
Pelo método tradicional, seriam confrontados apenas os fechamentos de cada sessão, o que resultaria em oscilação média já modulada de 1,3313%. Do início de junho de 2005 até 19 de agosto do ano passado, período mais crítico das denúncias do mensalão na administração petista, a Bovespa registrou volatilidade realizada de 1,3449%. Isso significa que o mercado de ações variou cerca de 2,8% menos neste ano do que durante a instabilidade política. O indicador de volatilidade realizada do mercado de renda fixa, com carteira 100% prefixada, registrou variação de 0,0974% em maio e junho.
Durante os meses mais conturbados do mensalão, o Ibovespa atingiu volatilidade realizada máxima de 3,19% em apenas um dia. Na realocação de recursos registrada em maio e junho deste ano, a variação máxima registrada pelo método da RiskControl foi de 2,332%. "Medimos a volatilidade ao longo de todo o pregão, mais precisamente a cada 10 minutos. De acordo com o histórico do índice Bovespa, a oscilação diária dos meses de maio e junho foi menor do que em outros períodos de incertezas. Isso evidencia que os ativos brasileiros têm hoje mais qualidade, apesar de ainda ser muito suscetível ao noticiário e à divulgação de dados econômicos", explica Edson Daniel Lopes Gonçalves, consultor da empresa responsável pelo cálculo da volatilidade realizada.
Para Solange Srour, economista da Mellon Global Investments, a realocação de ativos durante maio e junho, desencadeada pelas incertezas em relação à política monetária americana, deixou evidente a melhoria dos ativos brasileiros. Segundo ela, a qualidade é uma conseqüência dos fundamentos econômicos mais sólidos. Atualmente, de zero a dez, Solange daria nota seis para os ativos brasileiros e dez para os títulos do tesouro americano, papel sem risco. Elevar a avaliação brasileira dependeria de uma reforma fiscal de qualidade, na opinião da economista.
Nossos fundamentos macroeconômicos estão melhores em relação a um passado recente e também frente a outros países emergentes. Durante o último período de instabilidade, o Brasil reagiu como as demais nações em desenvolvimento em um primeiro momento. Em seguida, houve uma diferenciação afirma Solange. Para este semestre, a expectativa dos investidores também é positiva, apesar das eleições. Os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas são considerados pró-mercado, o que resultará em um governo de continuidade nos próximos anos.
A classificação de grau de investimento para o Brasil é também um ponto crucial para alavancar o mercado local. Com a avaliação, os ativos do País passariam a ser recomendados por grandes instituições e registrariam maior ingresso de capital estrangeiro. A conseqüência seria a melhoria das perspectivas dos ativos nacionais juntamente com a maior atratividade para os pequenos investidores.
Somente em julho, a participação dos aplicadores pessoa física passou de 22,88% para 27,68%, atrás apenas da movimentação financeira dos investidores estrangeiros. A elevação pode ter sido resultado da pressão vendedora que tomou conta do mercado durante o período, mas o aumento da participação geral também evidencia que o pequeno aplicador tem uma visão mais positiva do mercado.
Fatores, locais e externos são os responsáveis pela maior resistência dos ativos brasileiros aos momentos de incerteza. Flávio Serrano, economista da López Léon, também atesta a maior qualidade dos ativos brasileiros. "A magnitude da última crise foi pequena. Qualitativamente nossa economia também está melhor", diz.
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Como saber se você é investidor por natureza
Teste - Relação com o dinheiro determina grau de afinidade com aplicações
BRUNA CROCE
DO JORNAL DO COMMERCIO
Para ser um investidor, é preciso disciplina e conhecimento de mercado. Nem mesmo os mais bem sucedidos nasceram sabendo como aplicar e conhecendo as regras do mercado. Mas há, porém, quem acredite que existem pessoas mais propensas à organização financeira. A analista Lilian Gallagher, da LMG Consultores, elaborou um teste para o investidor descobrir se é, ou não, um investidor por natureza. Entretanto, há especialistas que afirmam ser possível formar investidores através do conhecimento e da educação financeira.
O perfil de um investidor por natureza está ligado a sua relação com o dinheiro, à aversão ao risco, à capacidade de organização, à persistência em situações difíceis, entre outras características. Ser um aplicador por natureza não significa que o investidor tenha que direcionar todo o seu capital para aplicações de risco. Existem características pessoais que são fundamentais para um investidor nato, como perseverança, disciplina, objetividade e agressividade. No entanto, nem todos que são apresentam essas características em outros campos da vida são investidores natos. Eles têm apenas uma propensão maior a se tornarem bons aplicadores, pois não têm medo e não recuam frente ao primeiro obstáculo.
A forma de encarar os problemas do dia-a-dia, como um simples engarrafamento, mostra um pouco da personalidade do investidor. Aqueles que se acomodam diante de situações desagradáveis, que não têm disciplina para solucionar seus problemas e que demoram meses para tomar decisões costumam ter maior aversão ao risco e maior dificuldade de poupança. Mas isso são fatores que com conhecimento e educação financeira podem ser revertidos.
A aversão ao risco é o medo do desconhecido. A partir do momento em que o investidor aprende e entende o mercado a aversão diminui, assim como o medo afirma a consultora de finanças Sandra Blanco, do site MulherInvest. Sandra diz que habilidade para lidar com dinheiro pode ser algo nato, mas também é possível aprender. "É possível forma um investidor, mas se ele já tiver a capacidade natural de poupança, torna-se muito mais fácil", completa.
Eduardo Dias da Silva, diretor da Excelènce Finanças Pessoais, concorda com Sandra. "Para se tornar um investidor é preciso buscar conhecimento. Mas as características da personalidade podem contribuir para essa formação", diz. Mesmo quem quer aprender precisa de perseverança, atitude e iniciativa.
Algumas pessoas têm felling para o mercado financeiro. Mas elas só têm esse felling porque entendem do assunto completa.
Você é um aplicador por natureza?
1.Quando você tem um dinheiro sobrando, o que logo vem à sua mente?
(A) Comprar uma roupa nova ou gastar com lazer
(B) Pagar uma prestação pendente
(C) Aplicar o dinheiro
2.Quanto às minhas finanças, eu me considero:
(A) Conservador (a)
(B) Investidor (a) que assume algum risco
(C) Uma pessoa agressiva, que acredita que sem risco não há retorno
3.Se algo parece difícil de realizar, você:
(A) Desiste logo
(B) Tenta um pouco, constata a dificuldade e desiste
(C) Ao constatar a dificuldade, você busca outras soluções, e não desiste com facilidade.
4.Com relação aos seus gastos fixos e variáveis mensais, você diria que os conhece:
(A) Em detalhes
(B) Por alto
(C) Não faz a menor idéia
5.Como você encara a questão da riqueza?
(A) Acredita que traz maldição
(B) Acredita que é uma recompensa para quem trabalha arduamente
(C) Acredita que é questão de sorte
6.Que tipo de presente você gosta de ganhar?
(A) Algo que tenha uma utilidade prática
(B) Algo que seja apenas simbólico
7.Quando você se depara com uma situação difícil, qual sua atitude?
(A) Fica aparentemente tranqüilo (a) e toma as providências cabíveis
(B) "Congela" na hora. Não consegue tomar decisões nem fazer nada
8.Ao chegar em casa do trabalho, você:
(A) Faz sempre a mesma rotina e guarda seu relógio e demais pertences sempre no mesmo lugar
(B) Faz cada vez de uma maneira diferente, dependendo do que estiver com vontade, não tendo lugar certo para seus pertences.
9.Você se descreve como uma pessoa:
(A) Que gosta de estudar
(B) Que acredita que a experiência vale mais que o estudo
(C) Que se dedica e estuda somente sobre o assunto que o atrai naquele momento
10.Você:
(A) Tem horror de números
(B) Adora ver progresso
(C) Curte muito ver seu dinheiro crescendo
VEJA QUANTOS PONTOS VOCÊ FEZ: Total de pontos: Questões 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 A 0 0 0 2 -1 2 2 2 2 -1 B 1 1 0 1 2 0 -1 0 0 1 C 2 2 2 0 0 0 0 0 1 2 RESULTADOS:
3 a 5 pontos - Você deve ser do tipo que pode até gostar de dinheiro, mas acha que não vale a pena correr atrás dele. Na verdade, essas coisas de investimento parecem meio enfadonhas para você. Se você cuida disso, não passa de mera obrigação.
6 a 13 pontos - Com um pouco mais de dedicação, disciplina e senso prático você pode ter sucesso com seus investimentos. Invista um pouco mais nesse seu lado para ver seu dinheiro se multiplicar. Tenho certeza que você vai acabar gostando de cuidar dos investimentos.
14 a 20 pontos - Você pode ser considerado(a) uma investidor(a) nata, dispondo de diversos atributos necessários à obtenção do sucesso em seus investimentos, como disciplina, perseverança, objetividade e uma dose de agressividade. Certamente tem sucesso em suas aplicações.
Teste desenvolvido por Lilian Gallagher, consultora de finanças autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e autora do livro "Como aumentar seu Patrimônio", da Campus Elsevier.
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Economia pessoal - Planejar as finanças em paz
JULIANA ENNES
DO JORNAL DO COMMERCIO
Planejamento financeiro é um exercício e pode virar um vício saudável. Nada melhor do que não ter preocupação com dívidas, poder realizar sonhos, fazer agrados, poder dormir tranqüilo. Não é uma tarefa tão difícil quanto pode parecer. Especialistas ensinam a planejar as finanças e fazer com que as despesas caibam no orçamento. Não é só isso. É preciso também ter reservas. Para momentos inesperados, ou para objetivos predeterminados. O importante é não precisar passar sufoco. O primeiro passo é listar todas as receitas. Depois, todas as despesas fixas. Naquelas cujo valor oscila, é importante ser conservador. É melhor projetar um valor um pouco acima da média, para não ter surpresas. Equacionados ganhos e custos, faz-se necessário pensar nos supérfluos. Todos os gastos devem ser anotados. Pequenas despesas podem fazer diferença no orçamento, quando somadas. Para poupar, pode ser preciso abrir mão de algumas coisas, como eventuais viagens e saídas com amigos. A sobra de caixa deve ser aplicada mensalmente. Aos poucos, pode-se juntar montante suficiente para realizar alguns desejos. É preciso escolher bem a aplicação mais adequada aos seus objetivos. Atentar ao perfil de risco e ao prazo da aplicação são medidas essenciais. - Um erro comum é deixar-se seduzir pela possibilidade de grandes ganhos. Não é fácil se autoclassificar como conservador e optar por ganhos menores, mesmo com risco menor. Mas, por exemplo, uma pessoa que vá precisar do dinheiro em três ou quatro meses, não deve investir no mercado de renda variável. Na hora em que for necessário realizar o pagamento, a Bolsa pode estar em baixa - disse o especialista em educação financeira, Valdir Lameira. Poupar é um exercício. Aos poucos, é possível perceber qual é o limite. O importante é começar, para, com o tempo, aprofundar-se e obter maior êxito. "A poupança não faz parte da cultura brasileira, mas é muito melhor ter o controle das finanças do que lançar mão de crédito que, muitas vezes, poderia ser evitado", disse o especialista em finanças.
Orçamento
O importante é perceber que, apesar de caminharem juntos, o planejamento orçamentário é diferente do planejamento de uma aplicação. "São processos distintos, que exigem conhecimentos diferentes, com objetivos diferentes", atenta Jorge Luís Santos, assessor financeiro do site Finanças da Família. Um planejamento mal feito ou gastos inesperados, como com doenças ou efeitos no carro, por exemplo, podem afetar o planejamento. O ideal é que se tenham reservas para suprir estas necessidades, para evitar crédito desnecessário, que têm custo muito mais elevado do que os possíveis ganhos na maioria das aplicações. O ideal, de acordo com o assessor financeiro, é que se comece até mesmo com a poupança, que é mais fácil, apenas para acostumar-se a poupar. A partir de um determinado acúmulo de receita, já se pode migrar e ir testando, aos poucos, as aplicações mais adequadas a cada perfil. - O importante é que, se houver necessidade de retirada de recursos de algum investimento por eventualidades, o aplicador tente repor o montante. Ou seja, além do investimento mensal, é preciso que se economize para devolver o que foi retirado. Essa é uma forma de tentar não comprometer o investimento com gastos eventuais, que podem acabar tornando-se recorrentes - disse Santos. A satisfação de conseguir poupar faz com que os sacrifícios valham à pena, assegura Valdir Lameira.
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José Augusto de Castro, Presidente da AEB - Comércio exterior do país não é sustentável
LUCIANNE CARNEIRO E MARIANA DURÃO
Do jornal do commercio
O crescimento conquistado entre 2000 e 2006 pelo comércio exterior brasileiro não é sustentável e sua continuidade depende essencialmente da continuidade do cenário externo favorável. "Há uma ameaça clara. Se o mundo mudar, nós mudamos também", afirma o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto. O temor de um arrefecimento da economia mundial, porém, é minimizado por Castro. Ele considera que a China continuará a ser um grande comprador de commodities agrícolas, o que sustentará a demanda e os preços desses produtos. No caso das commodities metálicas, a perspectiva é de que os preços recuem, mas se mantenham acima da média histórica. Castro vê com muito pessimismo as conseqüências de um fracasso na Rodada de Doha. Ele acredita que o Brasil terá dificuldades para avançar nas negociações bilaterais - uma alternativa ao multilateralismo -, já que no Mercosul esse tipo de acordo só pode ser feito com a aprovação de todos os países membros. "O Brasil está amarrado ao Mercosul. Criamos uma armadilha e nós próprios estamos caindo nela", diz. Para o vice-presidente executivo da AEB, dificilmente o dólar voltará a um patamar próximo a R$ 3. Embora avalie como limitados os impactos do pacote cambial anunciado pelo governo, ele reconhece como um passo positivo no sentido de reduzir os custos dos exportadores. Segundo Castro, as medidas são bem-vindas, mas é preciso avançar em outras áreas - como infra-estrutura, energia e transporte - para dar sustentabilidade ao crescimento do comércio exterior brasileiro.
JORNAL DO COMMERCIO - A despeito da baixa taxa de câmbio, a balança até julho traz recordes. Há uma situação contraditória no comércio exterior brasileiro?
JOSÉ AUGUSTO DE CASTRO - Basicamente são as commodities que estão sustentando os resultados da balança comercial. O resultado de julho foi influenciado pela greve dos auditores fiscais. As exportações de minério, por exemplo, saltaram de R$ 790 milhões em junho para US$ 1,07 bilhão em julho, mesmo com a queda de seu preço médio. O volume de minério, petróleo e soja exportados em julho dobrou. Certamente houve embarques realizados em junho, mas registrados em julho, ou seja, exportações represadas. Esse resultado não deve se repetir em agosto.
Fora essa situação específica, o que explica o bom desempenho no caso das commodities - tanto básicos, como semimanufaturados, que são commodities beneficiadas - é a demanda mundial, que elevou as exportações em quantidade e valor. As exportações de petróleo em bruto entre julho de 2005 e julho de 2006 cresceram 52% em valor.
Já os manufaturados, que sofrem diretamente o impacto da taxa de câmbio, estão crescendo em valor, mas caindo em quantidade. Basicamente o que encontramos são as empresas grandes que firmam contratos de longo prazo. São empresas que estão buscando agregar valor a seus produtos para ganhar em preço, já que o mercado internacional não aceita reajuste decorrente de taxa de câmbio, por ser um problema interno de cada país.
Como deve ficar a demanda mundial? Qual é a expectativa para os preços das commodities?
- Todos esperam uma desaceleração da demanda mundial a qualquer momento. A China vem puxando esta demanda e há um fator que por si só que aparentemente vai manter os preços das commodities agrícolas em patamar elevado, que é o êxodo rural. Com isso, o país perde por ano 300 mil hectares de áreas agricultáveis, o que significa que a demanda por produtos como soja e açúcar continuará crescendo. Pode haver uma redução nos preços das commodities, mas nada muito forte. Quando se trata de commodities metálicas, todos os preços caíram. A China produz 33% do aço mundial e começa a dar mostras de mudança no cenário. A queda do preço do minério é uma coisa perfeitamente viável em 2007 e a perspectiva é de que a queda nas demais commodities metálicas se acentue no próximo ano, embora tendam a se manter acima da média histórica. Em 2006, já observamos redução do preço do minério pelotizado em 3%. Os produtos com algum beneficiamento começam a ter a demanda controlada. Já o petróleo é uma grande incógnita. Vemos estudos dizendo que o petróleo pode chegar a US$ 100 o barril e até dezembro. Caso isto ocorra, a economia mundial não teria como suportar. Com países sem condições de pagar a aceleração do preço, há risco de problemas cambiais e claramente terão que ser cortados gastos em outros segmentos, o que acaba provocando recessão.
Há um quadro pessimista das exportações brasileiras? O Brasil pode se tornar menos dependente do comércio internacional?
- Possibilidade existe, mas não a curto prazo porque a mudança no sistema tributário exige um período de transição e não pode ser realizada dentro de um mesmo período de governo. A reforma tributária deve envolver muitas modificações profundas, mas precisa ser iniciada. Infelizmente, hoje dependemos muito mais do mercado externo. Nas commodities, quem define o preço é o mercado. Já nos produtos manufaturado é a empresa exportadora quem define o preço, ou seja, há certo controle sobre o mercado. É preciso estimular ao máximo a exportação de manufaturados.
O quadro de crescimento observado desde 2000 está ameaçado?
- Há uma ameaça clara. Se o mundo mudar, nós mudamos também. No fundo estamos acompanhando o mundo. Infelizmente, o crescimento das exportações e do saldo comercial brasileiro não é sustentável, pelo menos não isoladamente. Isso porque não falamos nada de infra-estrutura, de energia, de transporte. Se conseguíssemos pelo menos reduzir os custos portuários e de infra-estrutura dos exportadores, a briga por taxa de câmbio seria muito menor do que é hoje. O pacote cambial é muito bem-vindo. Poderíamos ter outro pacote semelhante, mas voltado para a área de infra-estrutura, portuária. Isso evitaria a briga por taxa de câmbio.
A briga está concentrada em um segmento em que é mais fácil de conquistar avanços?
- A questão do câmbio é mais fácil de modificar porque não depende de lei nem envolve dinheiro. Esta é uma questão mais conjuntural que estrutural.
O pacote cambial foi anunciado, mas o próprio ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) considerou baixo o percentual sem cobertura cambial. Qual deverá ser o impacto real dessas medidas?
- O benefício será no máximo um benefício de R$ 0,04 por dólar. A defasagem cambial está hoje em torno dos R$ 0,50, ou seja, ainda vamos ter de compensar R$ 0,46. O princípio do pacote, no entanto, é fundamental porque quebrou uma burocracia que sempre existiu e que representava custo. O objetivo, na realidade, não era fazer o dólar subir, mas reduzir custos burocráticos que oneravam diretamente as exportações. A tendência é que este percentual suba e talvez até chegue a 100%, embora não em prazo tão curto. Esse valor de R$ 0,04 equivale a no máximo 2% sobre uma operação cambial, que envolve os custos de CPMF, na compra e na venda do dólar, as taxas bancárias, o custo do contrato de câmbio em si, sem contar a variação cambial entre a compra e a venda. Este ano o impacto é zero na balança, porque a balança registra o embarque físico e o desembaraço físico. É possível melhorar a rentabilidade, mas não a competitividade. Em 2007, também não haverá impacto porque a medida é tímida.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que, apesar de todas as medidas do governo, é difícil que o dólar volte a um patamar próximo aos R$ 3. O senhor concorda?
- Concordo. Isso só ocorreria no caso de um problema crítico externo ou até mesmo interno. A taxa de juros apresenta tendência de queda, embora mais suave, e não vai atrair mais tanto capital. Apesar de não se vislumbrar mudança no cenário externo, sabemos que a realidade de hoje não é permanente. A partir do momento em que as commodities voltem ao patamar que sempre tiveram, o superávit do Brasil diminuirá e teremos uma taxa de câmbio mais elevada. Mas chegar a R$ 3 só se houver uma crise econômica externa ou crise política interna.
Sem considerar a questão do câmbio, o que pode ser feito para ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo?
- Há medidas simples que podem ter um impacto significativo. Hoje o capital de giro das empresas é um problema crítico, agravado pela necessidade de pagar todos os tributos na compra de insumos para a exportação e quando exporto estarei isento. Se a empresa exporta em média 30% da produção, teoricamente ela tem um crédito, mas o governo não paga. Se fosse permitido às empresas comprar insumos sem impostos, ninguém reclamaria da taxa de câmbio. Seria como se você tivesse uma desvalorização do real permitindo isso. Hoje as empresas acabam importando insumos sob o regime draw-back, principalmente quem vai exportar, para evitar a imobilização de capital. O sistema onera o insumo nacional e estimula a importação, em lugar de estimular o mercado interno.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta para uma substituição de insumos nacionais por estrangeiros e aumento da demanda por bens acabados importados, em função do câmbio baixo. Até que ponto está havendo um aumento "saudável" das importações?
Esse crescimento não está sendo saudável porque não está havendo um crescimento forte da importação de matérias-primas e bens intermediários (15% no acumulado do ano), o que significa que não está havendo atividade econômica gerada a partir dessa importação.
Até julho esse é o item que menos cresceu no acumulado do ano, enquanto as importações de bens duráveis cresceram 54% e as de não-duráveis, 26,9%, acima do crescimento médio das importações de 23%. Isso significa que alguém deixou de importar um insumo para importar um produto final. Isso acontece basicamente em função da competição com produtos de baixos preços, principalmente vindos da China. Tem havido substituição da produção nacional por importados em eletrodomésticos.
Já o crescimento das importações de bens de capital, de 26,2%, é salutar. Há indício de investimentos, mas no sentido de modernização, pela compra de maquinaria industrial, mas também expressiva de acessórios (computadores, aparelhos, material de escritório) com os quais não se monta uma fábrica. É importante que isso cresça, pois é a possibilidade que o Brasil tem de exportar mais produtos manufaturados.
Qual é o impacto do fracasso de Doha?
- Vejo com muito pessimismo as conseqüências do fracasso em Doha. O Brasil concentrou toda a atenção em Doha e praticamente abdicou dos acordos bilaterais, já que o Mercosul exige que os acordos bilaterais sejam feitos no âmbito quatro por um, o que dificulta as negociações. Para fazer um acordo que contemple simultaneamente quatro países, se faz pelo mínimo, não pelo máximo. Então o Brasil, como é o maior, sai prejudicado. Até agora, o único acordo que o Mercosul tem é com o Pacto Andino, mas que só nos trará benefícios a partir de 2011. O acordo com a União Européia era na verdade uma conseqüência da Alca. À medida em que a Alca avançava um pouco, o acordo com a União Européia avançava. A Alca morreu, a União Européia também. O número de produtos envolvidos com a África do Sul é muito pequeno, assim como no acordo com a Índia. Depois foi anunciado um acordo com Israel, que até junho representou 0,2% de nossa pauta de exportações. Ou seja, acordo com Israel tem um resultado econômico mínimo. Com esta situação de Doha, todos os países buscarão fazer acordos bilaterais. Só que o Brasil tem um componente extra, que é a composição de cinco países do Mercosul, e com peso ideológico muito grande. A própria União Européia já disse textualmente que não tem nenhum interesse em reativar o acordo até 2007, assim como a China declarou não ter interesse em acordo com Mercosul.
Vamos fazer acordo com quem? Com São Tomé e Príncipe, só para dizer que temos quantitativamente mais acordos?
- O México tem 42 acordos bilaterais porque o Nafta não restringe esses bilaterais. Se for confirmado o fracasso de Doha - e tudo aponta para isso -, o mundo vai caminhar em função de acordos bilaterais. Quem tiver mais acordos, terá produtos mais competitivos, quem tiver menos acordos terá mais dificuldades.
O Brasil está amarrado ao Mercosul?
- Está. Criamos uma armadilha e nós próprios estamos caindo nela. Eu proponho que se passe a dar permissão que os países façam acordo bilateral pelo mínimo, mas que dê liberdade para quem queira fazer acordo complementar com os países possa fazer individualmente. Não há sinais, no entanto, que o Itamaraty se movimente neste sentido. No fundo, estamos perdendo tempo, investindo dinheiro e sem resultado. Abandonamos os Estados Unidos, que é o maior importador do mundo. Numa época em que temos taxa de câmbio desfavorável, mais do que nunca temos que nos voltar para os Estados Unidos. Ainda que ideologicamente não seja a menina dos olhos, agora é fundamental pensar comercialmente, economicamente e esquecer a ideologia.
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Mercosul vira negócio da China
Comércio Exterior - Medidas argentina contra
superávit do Brasil abrem espaço para vendas orientais
LUCIANNE CARNEIRO
DO JORNAL DO COMMERCIO
O fim do descontentamento de argentinos por causa do déficit comercial com o Brasil não deve ocorrer no curto prazo, apontam especialistas. Apesar de os dois países atravessarem atualmente um período de calmaria em suas relações comerciais - depois de fortes brigas que levaram à decretação de cotas para a entrada de produtos brasileiros no país vizinho -, o saldo comercial tende a continuar favorável ao Brasil ainda por um tempo, influenciado por um ritmo expressivo de crescimento da economia argentina.
O Brasil responde por 35% de tudo o que a Argentina importa e por 16% das exportações argentinas. A Argentina é o segundo maior mercado para os produtos brasileiros (cerca de 8% do total), enquanto o Brasil é o maior mercado para os produtos argentinos.
Apenas no mês de julho, segundo dados oficiais brasileiros compilados pela consultoria argentina Abeceb.com, as vendas da Argentina para o Brasil aumentaram 54,7%, para US$ 778 milhões. O desempenho, no entanto, não impediu o 38º mês consecutivo de superávit comercial para o Brasil, já que as exportações brasileiras atingiram US$ 1,131 bilhão em julho, valor 33,2% superior ao de igual período do ano passado.
O último superávit argentino no comércio bilateral ocorreu em 2003 - US$ 111,386 milhões -, ainda sob o impacto da crise que afetou a Argentina no comércio da década, que fez as importações do país despencarem.
crescimento argentino impede Equilíbrio a curto prazo
"É verdade que há uma perspectiva de um equilíbrio no comércio entre os dois países, mas não acreditamos que isso ocorra no curto prazo. A economia argentina está crescendo a taxas muito elevadas e não há razões para que diminua as compras do Brasil", afirma o economista da Abeceb.com Mauricio Claverí.
Ele acredita que pelo menos até 2007 haverá déficit comercial pela Argentina. Este ano, sua estimativa é de que as exportações brasileiras totalizem cerca de US$ 12 bilhões, ante os US$ 9,915 bilhões exportados em 2005. Com isso, o superávit brasileiro passaria dos US$ 4 bilhões. Para o próximo ano, seria ainda maior.
A avaliação é compartilhada pela economista e diretora da Guedes e Pinheiro Consultoria Internacional, Josefina Guedes. A tendência, segundo ela, é que o Brasil volte a ampliar a compra de produtos argentinos - principalmente os básicos, mas também itens do setor automotivo, como veículos e autopeças. No fim de junho, os governos de Brasil e Argentina acertaram um acordo automotivo entre os dois países, com prazo de 24 meses. O documento estabelece que para cada US$ 100 dólares exportados, o Brasil poderá importar US$ 195 com isenção de impostos.
"É possível atingir um maior equilíbrio no comércio bilateral, embora acredito que isso ocorrerá apenas em 2008. A indústria automotiva argentina deve ocupar papel importante na expansão das exportações argentinas, com produtos de maior valor agregado, já que tradicionalmente nossos vizinhos vendem mais produtos básicos para o Brasil", diz Josefina.
O trigo é o principal produto importado da Argentina, seguido pela nafta, mas já começam a aparecer na pauta itens como outros veículos automóveis com motor diesel para carga (US$ 225 milhões no primeiro semestre) e automóveis com motor de explosão (US$ 198,402 milhões).
No sentido contrário, a maior participação é dos produtos manufaturados, que representaram mais de 90% dos US$ 5,308 bilhões exportados do Brasil para a Argentina nos primeiros seis meses do ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Os automóveis com motor de explosão são o primeiro produto da pauta - US$ 426 milhões exportados entre janeiro e junho -, seguidos por terminais portáteis de telefonia celular (US$ 254 milhões) e outros veículos automóveis com motor a diesel (US$ 149 milhões).
Para o director geral da IES Consultores-Investigações Econômicas Setoriais, Alejandro Ovando, as importações argentinas do Brasil devem manter sua participação em torno dos 35%. Ele lembra que a apreciação do real favorece a colocação de produtos argentinos no mercado brasileiro, mas destaca que o ritmo de expansão da economia permanece forte. A estimativa da consultoria é de que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino cresça 7,8% em 2006.
Cotas a brasileiros garantiram espaço para chineses
Em recente estudo, a IES Consultores-Investigações Econômicas Setoriais mostrou que 78% dos eletrodomésticos importados pela Argentina, entre janeiro e maio de 2006, são do Brasil e da China. Embora superior, a participação brasileira está em queda desde 2004, quando começaram a ser negociadas as cotas para estes produtos. Enquanto isso, aumentou a quantidade de produtos chineses comprados pela Argentina. Ou seja, as cotas para os produtos brasileiros - cujo objetivo era dar espaço para a indústria local argentina - acabaram facilitando a conquista do mercado argentino pelos chineses. "Os setores com maior participação da China são a indústria têxtil, o setor de calçados e de eletrodomésticos. As importações da China saltaram de US$ 720 milhões em 2003 para US$ 2,237 bilhões em 2005. No primeiro semestre deste ano, o número chegou a US$ 1,304 bilhão", aponta Ovando. Entre janeiro e junho, a participação chinesa nas importações argentinas aumentou de 6,5% para 8,4%, enquanto a brasileira caiu de 35,5% para 34,8%. Mauricio Claverí reconhece a expansão expressiva das compras da China, mas não acredita que este seja um motivo de preocupação para os exportadores brasileiros. "A maior entrada dos produtos chineses merece ser monitorada, mas não é um risco. A participação é muito pequena se comparada com o espaço ocupado pelos produtos brasileiros", diz. Já para a diretora da Guedes e Pinheiro Consultoria Internacional, a China é um risco para os produtos brasileiros. "O governo argentino acaba permitindo a entrada dos produtos chineses como uma forma de controlar os preços, diante da inflação que o país vem enfrentando. A carga tributária na China é de 16%, a taxa de juros é de 2% e o governo segura o câmbio. São condições muito mais favoráveis que as enfrentadas pelos empresários brasileiros e é preciso ficar atento", aponta.
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Exportadores miram a terra do Sol nascente
Japão - Segundo mercado do mundo, país tem espaço
para jóia, cosmético, moda e equipamento hospitalar
Luís Osvaldo Grossmann
Da equipe do Correio
Alto poder aquisitivo, disposição para comprar e a necessidade de importar mais de 60% do que consome fazem do Japão um alvo natural dos exportadores do mundo inteiro. O Brasil, no entanto, aproveita muito pouco desse potencial parceiro comercial e responde por apenas 0,6% das compras japonesas. Ampliar esse mercado não é tarefa simples. Embora tenha um apetite consumidor inferior apenas aos Estados Unidos, o Japão pode se mostrar um território de acesso mais difícil.
"Há barreiras agrícolas, o desconhecimento de que o Brasil pode vender produtos com tecnologia e mesmo o sistema de negociação, que é diferente e mais lento da maneira como acontece no ocidente. Mas há espaço para uma aproximação e alguns setores têm grande potencial", diz a coordenadora de inteligência comercial da Agência de Promoção de Exportações e Investimento (Apex-Brasil), Adriana Rodrigues.
Na seqüência do trabalho pragmático da Apex, que vem incentivando a venda de produtos brasileiros em grandes mercados consumidores, especialmente Estados Unidos e Europa, o Japão é o próximo alvo. Afinal, os exportadores brasileiros tiram apenas uma casquinha de US$ 3,5 bilhões dos mais de US$ 455 bilhões em importações anuais japonesas. Por isso, os planos da Apex são de dobrar essa participação até 2008, ano em que se completa o centenário da imigração japonesa para o Brasil.
Atualmente o Japão é sétimo principal destino das exportações brasileiras, mas sobre uma pauta concentrada em matérias-primas e produtos básicos, como minério de ferro, alumínio, frango congelado, suco de laranja e soja.
Em contrapartida, as importações brasileiras do Japão quinto maior fornecedor de mercadorias ao Brasil são marcadas por produtos de maior tecnologia e valor agregado, especialmente motores, peças e acessórios para veículos.
"Vamos nos aproximar do Japão oferecendo mercadorias diferenciadas. Queremos incentivar, principalmente, a venda de produtos de maior valor agregado e vemos espaço para jóias, cosméticos, produtos da moda brasileira, equipamentos médico-hospitalares, etanol e até a área de tecnologia da informação", avalia as coordenadora de inteligência comercial da Apex. Segundo ela, mesmo no agronegócio há oportunidades para produtos de maior valor, como cafés especiais e produtos orgânicos.
O poder de consumo japonês é muito alto, com uma renda per capita de US$ 36 mil (no Brasil é de US$ 3 mil).
Apex traz olhar japonês para apontar caminhos
O incentivo aos exportadores nacionais, realizado pela Apex em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria, começa com uma palestra para empresários brasileiros do consultor japonês Reugene Nishikawa, especialista em tendências e perfil de consumo da população japonesa, que dará dicas para abordagem e como fazer negócios no Japão. Pelo menos 120 pessoas já confirmaram presença na palestra, mas a Apex ainda espera mais interessados.
"Contamos com a participação de muitos empresários de Brasília, que têm potencial nos mercados de frango, que já é forte no Japão, na moda, na agroindústria com os produtos orgânicos e, naturalmente, na área de tecnologia da informação", diz Adriana Rodrigues.
Ela explica que a apresentação mostrará aos empresários algumas dificuldades enfrentadas por quem pretende desbravar o potencial japonês e as características do mercado daquele lado do Pacífico. Também serão apresentados casos de empresas que já fincaram sua bandeira no Japão, como a Havaianas, e empresas do ramo de jóias e gemas.
A Apex ainda está desenhando o projeto para as ações no Japão, mas garante que os próximos dois anos serão de muitas atividades, tanto pela continuação da participação em feiras internacionais sediadas em território japonês como a Foodex, do ramo de alimentos mas também voltadas para o mercado de moda e design.
Algumas iniciativas que tiveram sucesso no mercado europeu e norte-americano serão repetidas no Japão, como as ações voltadas para o varejo, que promovem a inclusão de produtos brasileiros nos supermercados estrangeiros. Também está prevista a vinda de potenciais compradores/importadores japoneses, numa iniciativa em conjunto com a Japan External Trade Organization (Jetro). As inscrições para esta primeira palestra são gratuitas e podem ser feitas pela internet (www.apexbrasil.com.br/seminariojapao) ou por fax, pelo número (61) 3426-0263
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CRÉDITO - Se todos os trabalhadores sacassem o que têm direito, ainda sobrariam R$ 20 bi
Vicente Nunes e Edna Simão
Do Correio Braziliense
Rejeitado pelos empresários, que o acusam de ser um forte inibidor para a criação de empregos com carteira assinada no Brasil, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) se transformou em alvo de disputa dentro e fora do governo. Lançando mão dos mais diversos argumentos, muitos grupos querem garantir pelo menos um naco do patrimônio dos trabalhadores, que totaliza R$ 175 bilhões, valor correspondente a 8,75% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma da produção do país em um ano. A situação do caixa do FGTS é tão confortável, que, se os quase 60 milhões de trabalhadores sacassem o que têm direito, ainda sobrariam R$ 20 bilhões.
A briga pelo dinheiro do FGTS esquentou com a divulgação de um projeto defendido com unhas e dentes pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Ele quer liberar entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões do fundo para investimentos em obras de infra-estrutura, sobretudo na ampliação de portos, ferrovias, estradas e geração de energia elétrica. Marinho argumenta que o país precisa crescer e criar emprego. E com o atual sistema de infra-estrutura bastante capenga não há como o Brasil avançar na velocidade em que todos desejam.
Os planos de Marinho - que contam com o apoio de Lula - esbarram, porém, nos interesses do Tesouro Nacional. Sem fazer nenhum esforço, o órgão vinculado ao Ministério da Fazenda garante que o FGTS financie R$ 60 bilhões em títulos que estão em poder do mercado. Tal quantia representa 6% da dívida mobiliária do governo, e o Tesouro encontraria maior dificuldade para rolar esses débitos se tivesse que negociar com os bancos, cujo apetite por juros altos não é mistério para ninguém. Não foi à toa, portanto, que o ministro do Trabalho afiou o discurso na direção do Tesouro: "Penso ser uma irresponsabilidade, um desperdício, investir essa quantia em títulos públicos em detrimento da geração de emprego", afirma. O secretário do Tesouro, Carlos Kawall, não respondeu à provocação.
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, defende a proposta de Marinho. Mas faz ressalvas. "O dinheiro do FGTS pode ir para a infra-estrutura, desde, é claro, que se preservem as verbas destinadas para habitação e saneamento básico". Fortes, por sinal, avisa que já pediu e foi aprovada previamente pelo Conselho Curador do fundo, do qual ele é vice, e Marinho, o presidente, a liberação de mais R$ 530 milhões do FGTS para o financiamento da casa própria a famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 1.750). O fundo já havia liberado R$ 1,3 bilhão para tais empreendimentos neste ano. Mas a demanda pelos recursos - que não retornarão ao caixa do FGTS - superou as expectativas. A próxima reunião do Conselho Curador está marcada para o dia 14 deste mês.
CBIC critica proposta de ministro do trabalho
Fora do governo, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alardeia sobre o uso eleitoral do FGTS, ao se referir diretamente à proposta de Marinho. "Assuntos como esse aparecem do nada. Não têm pé nem cabeça, são episódicos", alfineta o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão. Ele diz que até aceitaria uma reavaliação na destinação de verbas do FGTS se o mesmo fosse feito com todos os demais fundos. E, mesmo assim, se houvesse um real projeto para o desenvolvimento do país.
Como isso não está sendo cogitado, Simão crê que o melhor a ser feito pelo governo é seguir a lei, que prevê a aplicação do FGTS apenas para habitação, saneamento e transporte urbano. "Se o ministro quer investir em infra-estrutura, que use o recursos da Cide (imposto recolhido sobre os preços dos combustíveis), criada exclusivamente para esse fim, mas que está garantindo parte do resultado fiscal do governo", acrescenta. Ele diz mais: "Mesmo sem o projeto de Marinho, o FGTS já não está cumprindo sua missão de pôr fim ao déficit habitacional do país nem levando água encanada e esgoto tratado para a população mais pobre".
Bovespa quer liberação para compra de ações
Na opinião do assessor de Relações Institucionais da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), José Roberto Mubarack, há dinheiro de sobra no FGTS para atender os pleitos. A instituição quer a liberação de no mínimo 1% do rendimento das contas dos trabalhadores para a compra de ações. Esse projeto de lei está estagnado na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, desde abril de 2004. "Depois das denúncias de mensalão, o projeto ficou parado. No ano que vem, vamos retomar as conversas. O dinheiro do fundo é do trabalhador não do governo", reforça o assessor da Bovespa.
A idéia de aplicar o FGTS em ações ganhou força com as operações bem-sucedidas da Petrobras e Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O trabalhador que aceitou aplicar o FGTS na Petrobras conseguiu um rendimento acumulado de 686% de 2000 até o mês passado, ante 39,9% do fundo. Já quem optou por investir da CVRD ampliou em mais de cinco vezes o recurso do FGTS de 2002 a julho deste ano. No período, o dinheiro parado valorizou somente 28,8%.
A guerra pelo dinheiro do trabalhador também coloca em lados opostos a Caixa Econômica Federal e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A instituição estatal tem hoje o monopólio da administração e da distribuição do dinheiro do FGTS, sob a alegação de que cumpre um importante papel social que o sistema financeiro privado se recusa a executar. Sendo assim, não tem porque abrir mão desse mercado. Para defender seu território, a Caixa desenvolveu um fortíssimo lobby dentro do governo e do Congresso. E é apontada pela Bovespa como a principal responsável pelo fato de os projetos que liberam recursos do FGTS para o mercado de ações estarem empacados no Legislativo.
A Febraban não esconde seu desejo de que a administração do bilionário patrimônio do FGTS seja rateado entre todos os bancos. E usa um argumento forte para isso: toda a reserva de mercado é ruim para a população. No caso do financiamento à habitação, por exemplo, a única exceção aberta pela Caixa para que os bancos privados toquem no dinheiro do FGTS é quando o trabalhador que financia a compra da casa própria com recursos da caderneta de poupança use o fundo para dar entrada nos imóveis. É praticamente nada, afirma a Febraban.
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Trabalho - Devolução de contribuições a aposentados
Vitor Sorano
Da Agência folha
São poucos os casos em que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aceita, administrativamente, devolver as contribuições previdenciárias feitas por quem já se aposentou, mas não deixou de trabalhar. Quem não tem a sorte precisa buscar apoio judicial.
Uma decisão da Justiça é necessária para reaver as contribuições feitas a partir de abril de 1995. Isso porque, desde então, a legislação não prevê a devolução. O Juizado Especial Federal de Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro, já determinou que o INSS devolvesse o que foi pago pelo aposentado. Por isso, quem entra na Justiça pode citar o número do processo julgado em Volta Redonda na sua ação e tentar a mesma decisão. O número é do processo é o 2002.5154000889-3.
O argumento dos especialistas é que o aposentado paga, mas não tem direito à maior parte dos benefícios previdenciários, como o auxílio-acidente, por exemplo.
O aposentado que continuou a contribuir a partir de abril de 1995 pode pedir, judicialmente, a devolução do seu dinheiro. Entretanto, só vai conseguir reaver a quantia não paga nos últimos cinco anos antes de entrar com a ação. Ou seja, se procurar a Justiça hoje e ganhar o processo, irá receber de volta apenas o que pagou a partir de agosto 2001.
Antes, porém, é necessário ir a uma agência do INSS e tentar pedir "por bem", ou seja, administrativamente. Isso porque a cópia do processo administrativo em que o instituto nega a devolução é necessária para dar início aos trâmites judiciais. Além disso, é importante juntar todos os comprovantes de contribuição, como carnês ou holerites, a carta de concessão do benefício, RG e CPF.
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Empresas - Governo precisa elevar ainda mais a
arrecadação para sustentar o aumento das despesas
Lu Aiko Otta
Da Agência estado
A fiscalização da Receita Federal será mais rigorosa neste semestre, para elevar a arrecadação e sustentar o aumento das despesas do governo. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento aumentaram em R$ 4,5 bilhões a meta de arrecadação federal de 2006. Este aumento embute os efeitos do crescimento econômico, da alta do petróleo - que vem levando a arrecadação sobre o setor a saltos surpreendentes -, e também dos ganhos com a fiscalização, tanto na área da Receita quanto na da Previdência.
Já contando com o incremento de receitas dessas e de outras fontes, o presidente Lula assinou semana passada decreto elevando os gastos do segundo semestre em R$ 4,8 bilhões. O dinheiro foi entregue aos ministérios dos Transportes e do Desenvolvimento Agrário. "O governo vinculou o reajuste salarial da categoria ao cumprimento da nova meta de arrecadação", diz o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco), Carlos André Soares Nogueira.
Caso a meta seja cumprida, os fiscais da ativa receberão um reajuste da ordem de 34% e os fiscais aposentados, 30%. Como forma de apertar a fiscalização, a entidade sugeriu à Receita um controle mais estrito sobre as compensações de crédito tributário. Essas são operações em que uma empresa quita tributos utilizando impostos pagos indevidamente em outras transações. Por exemplo: uma empresa que produza bens para exportar (sobre os quais, em tese, não deve incidir imposto algum) tem direito a créditos tributários no valor dos tributos que vieram embutidos nos preços das matérias-primas que utilizou. Ela pode usar esses créditos para pagar outros impostos que tenha a recolher. Embora tecnicamente correto, esse mecanismo é sujeito a fraudes, das quais a mais comum é a utilização de créditos inexistentes.
"Há um estoque de R$ 70 bilhões em compensações que precisariam ser revistas", disse o presidente da Unafisco. Mogueira afirma que, em alguns Estados, uma fiscalização mais rigorosa mostrou que 80% dos créditos tributários compensados eram irregulares.
A maior parte dos R$ 4,5 bilhões de arrecadação extra, porém, não virá de operações especiais de fiscalização, mas dos recolhimentos regulares que a Petrobras faz aos cofres federais. Graças à alta do petróleo no mercado internacional, os lucros da empresa têm ficado acima do esperado, engordando a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Além desses dois tributos, que aumentam a chamada "receita administrada", o preço do petróleo puxou para cima o recolhimento dos royalties sobre a exploração. Eles engordam um item chamado "outras receitas", cujo crescimento sustentou as despesas ao longo do primeiro semestre. O pagamento de tributos pelo setor de petróleo e combustíveis só em junho passado foi R$ 1,2 bilhão maior do que o de junho de 2005. Foi uma surpresa para a própria Receita.
Programa de parcelamento DEVE IMPULSIONAR ARRECADAÇÃO
O comando da Receita conta com mais um fator para impulsionar a arrecadação este ano: o Refis 3. O programa, adotado pelo governo por pressão do Congresso Nacional, cria condições para que empresas em débito com o Fisco acertem suas contas. O coração do Refis 3 é o parcelamento, em até 130 meses, de dívidas tributárias (estimadas em R$ 880 bilhões). Para ter direito a esse parcelamento o empresário não pode atrasar nem a prestação da dívida, nem os impostos que vencem regularmente a cada mês. Por isso, em tese, o Refis 3 aumentará a arrecadação.
Mas os técnicos apostam as fichas em um outro item do Refis 3: o que permite o pagamento à vista das dívidas tributárias vencidas até fevereiro de 2003, com desconto de 30% nos juros e de 80% nas multas. Para a Receita, essa medida ajudará a elevar o caixa no fim do ano. Everardo Maciel, ex-secretário da Receita, acha que a elevação da arrecadação é apenas um ajuste a partir de um cálculo conservador feito no início do ano. "É um aumento da ordem de 1%, que é uma margem de erro razoável", disse. "Não há razões excepcionais para o aumento da Receita, não houve aumento da pressão fiscal."
Começa hoje prazo de entrega da declaração do ITR Da Agência Folhapress
A Receita Federal começa a receber hoje as declarações do Imposto Territorial Rural (ITR) de pessoas físicas e jurídicas deste ano. O prazo de entrega vai até 29 de setembro. A expectativa da Receita é de que sejam entregues neste ano 4,6 milhões de declarações, sendo 200 mil em papel. No ano passado foram entregues 4,248 milhões pela internet e disquete, além de 270 mil em formulário.
A declaração pode ser feita na página da Receita na internet, em disquete nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal e em formulário nos Correios, ao custo de R$ 3,20. A multa para quem perder o prazo de entrega da declaração é de 1% ao mês sobre o imposto devido, cujo valor não pode ser inferior a R$ 50
Contribuintes que têm imóveis rurais com área igual ou superior a 1.000 hectares na Amazônia Ocidental, Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense; donos de propriedades com 500 hectares localizadas no Polígono das Secas e Amazônia Oriental; e proprietários de 200 hectares nos demais municípios devem entregar a declaração obrigatoriamente pela internet ou em disquete.
A partir de amanhã, a Receita abre a consulta ao 3º lote de restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2006, ano-base 2005. As informações poderão ser consultadas na internet, pelo site www.receita.fazenda.gov.br ou no telefone 0300-78-0300. Segundo a Receita, o dinheiro poderá ser sacado a partir do dia 15.
A correção da restituição será de 4,63%, referentes à taxa Selic acumulada de maio a julho, mais 1% de agosto. O valor não terá qualquer outro acréscimo, independentemente da data em que for sacado. Neste lote serão liberadas 375.407 declarações, das quais 269.540 para contribuintes com imposto a restituir. As restituições somam R$ 289,9 milhões. Outros 56.102 contribuintes terão imposto a pagar, no valor total de R$ 62,5 milhões. O restante (49.765) não terá nem imposto a receber nem a restituir.
Débito com o FGTS não impede adesão ao Refis 3
Fabio Graner
Da Agência estado
O governo aproveitou a Medida Provisória 315, que fez alterações nas regras cambiais, para facilitar a vida das empresas que querem entrar no Refis 3, o novo programa de reparcelamento de dívidas com a Receita Federal, Previdência Social e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A MP do pacote cambial eliminou a exigência de que as empresas estejam em dia com suas contribuições ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para aderir ao Refis 3.
O dispositivo que vedava a participação dos devedores do FGTS no Refis estava na MP 303, que regulamentou o reparcelamento dos débitos com o Fisco. O artigo que estabelecia a restrição foi revogado sob a alegação de que as regras para contribuição ao FGTS têm natureza própria, com regime específico de co-gestão e destinação dos recursos.
Já está em andamento o prazo de adesão para o parcelamento das dívidas tributárias. A data-limite para as inscrições é 15 de setembro. Há duas opções de parcelamento para débitos vencidos até 28 de fevereiro de 2003. Uma é pagar à vista ou em até seis meses, com 30% de desconto sobre o valor consolidado dos juros de mora incorridos até setembro de 2006 e 80% de redução nas multas de mora e ofício.
Nas seis parcelas incidirá, sobre o valor consolidado e apurado pela Receita, a taxa Selic, atualmente está em 14,75% ao ano. O valor mínimo da prestação será de R$ 200 para optantes do Simples - o imposto das microempresas e de R$ 2 mil para as demais.
A segunda opção é parcelar os débitos em até 130 meses. O desconto é de 50% na multa de mora ou de ofício na consolidação do débito. Para se beneficiar do parcelamento, as empresas têm de estar em dia com os tributos correntes. Se o contribuinte deixar de pagar duas parcelas, será excluído do programa. Débitos vencidos entre 1º de março de 2003 e 31 de dezembro de 2005 podem ser pagos em até 120 meses, sem redução da dívida.
Publicada na sexta-feira no Diário Oficial, a MP do câmbio flexibilizou a chamada regra da cobertura cambial, que exige que os exportadores tragam para o Brasil todos os dólares obtidos com suas vendas fora do País. Foi dada ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a autoridade para definir o percentual de dólares que poderia permanecer no exterior para que o exportador pague compromissos como dívidas, importações e investimentos. No mesmo dia, em reunião extraordinária, o CMN fixou o limite em 30%.
Na resolução sobre as medidas cambiais, o CMN estabeleceu não estão sujeitos a essa flexibilização das regras os recursos obtidos em exportações realizadas por meio do Convênio de Crédito Recíproco (CCR) ou que foram objeto de financiamento do BNDES ou do Tesouro Nacional.
O Banco Central também manteve na resolução o prazo de até 210 dias para o fechamento do câmbio. No entanto, o exportador que já realizou suas exportações nos últimos meses, mas ainda não internalizou e estiver dentro do prazo de 210 dias, já poderá usufruir da flexibilização da cobertura cambial.
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Fim da queda dos preços do GNV
RIO DE JANEIRO - Baixa na margem de lucro inviabiliza redução nos postos
CIRILO JUNIOR
DO JORNAL DO COMMERCIO
Os preços do Gás Natural Veicular (GNV) no Rio de Janeiro devem voltar a ficar acima do patamar de R$ 1,10, a exemplo de alguns meses atrás. Após semanas de uma verdadeira guerra de preços entre postos de gasolina na capital, que provocou queda vertiginosa nos preços do combustível no estado, o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da última semana indica que a média do metro cúbico do GNV já é de R$ 1,14, após chegar a R$ 1,02 na pesquisa entre 16 a 22 de julho.
Especialistas do setor apostam que os preços do GNV deverão se manter no atual patamar. Eles alegam que em alguns postos, que chegaram a cobrar o metro cúbico a R$ 0,85, a margem de lucro baixa, que seria compensada pelo aumento de clientes, já não vale mais a pena diante de uma baixa geral no mercado, com a pulverização de clientes por vários postos.
"Já há um movimento no mercado para que os preços sejam restabelecidos ao patamar de antes, em torno de R$ 1,15. Essa subida deve se consolidar", afirma o coordenador do Comitê de GNV do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), R.Fernandes.
Para o Coordenador do Grupo de Gás Natural do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Francisco Barros, esta disputa já acabou. Ele diz ter identificado diversos postos que já estão retomando os preços cobrados no início do ano, nos últimos dias. Barros aposta que as próximas pesquisas da ANP constatarão esse movimento.
"É uma questão pontual da região metropolitana do Rio. Algum posto passou a cobrar um valor fora do normal. No momento em que todos diminuem o preço, todos ganham pouco, e isso não é bom. A margem não remunera devidamente. Foi basicamente uma guerra de preços, que vai acabar. O mercado continua o mesmo", observa.
No que depender do secretário estadual de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo, Wagner Victer, os preços do GNV continuarão caindo. Ele discorda de Fernandes e Barros, e prevê que a tendência é de que os preços se mantenham mais baixos, à medida em que mais postos sejam inaugurados no estado. Segundo Victer, o governo estadual contiuará incentivando a abertura de mais postos de GNV no Rio. "A estratégia de abrir mais postos busca, entre outras coisas, que a concorrência seja aumentada, ocasionando queda de preços, como estamos observando agora. Hoje, temos cerca de 450 postos no estado, e chegaremos a 500 unidades ao fim deste ano", afirma.
Estratégia
O secretário cita como exemplo de que a estratégia do estado é vitoriosa o fato de que os preços vêm caindo justamente onde há mais oferta de GNV, com maior número de postos, como na região metropolitana do Rio. Em locais como Volta Redonda, explica, onde há menos postos, os preços encontram-se em patamares mais elevados.
"A entrada de mais postos de bandeira branca no mercado de GNV, e a autorização para que pudessem comprar diretamente junto à CEG e CEG-Rio (distribuidoras de gás do Rio) também contribui para o cenário atual", completa Victer, que anuncia ainda que a oferta na Baixada e Zona Oeste vai ser ampliada, acirrando a concorrência.
O metro cúbico do GNV é comprado pelos postos junto à CEG ou CEG-Rio por algo entre R$ 0,65 e R$ 0,70, frisa R.Fernandes. Somado os custos de impostos, energia, entre outros, a venda abaixo de R$ 1 feita por alguns postos viabiliza uma margem de lucro extremamente baixa. Por isso, ressalta, o preço-base do GNV está em torno de R$ 1,15 a R$ 1,20.
"Não creio que uma subida de preços nas próximas semanas chegue ao consumidor de GNV como um aumento propriamente dito. Quem abastece seu carro diariamente com GNV sabe que esses preços são promocionais", afirma o especialista do IBP.
R.Fernandes descarta a possibilidade de que o GNV mais barato possa estar sendo adulterado. Segundo ele, é praticamente impossível que isso possa ser feito com o GNV, o que acaba se tornando mais uma vantagem do gás em relação ao álcool e a gasolina.
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Construtoras em acirrada concorrência
CASA PRÓPRIA - Redução de juros, oferta de crédito
e aumento de renda levam à expansão do mercado
LUCIANNE CARNEIRO
DO JORNAL DO COMMERCIO
A expansão da construção civil - embalada pela redução das taxas de juros, maior oferta de crédito imobiliário pelos bancos e crescimento da renda - tem acirrado a concorrência entre as construtoras. As empresas têm investido mais - algumas delas com recursos oriundos da oferta de ações na Bovespa - e adotado estratégias para conquistar seu pedaço neste cobiçado mercado. Reforço nas iniciativas locais, busca de nichos de lançamentos que até então não faziam parte de seu portfólio e expansão geográfica através de parcerias têm sido os caminhos mais trilhados pelos grandes players.
O mercado, pulverizado, observa o início de movimento de concentração. Quatro grandes incorporadoras e construtoras abriram capital - Cyrela, Gafisa, Rossi e Company - e outras estudam lançar mão do mesmo mecanismo em busca de recursos mais baratos que os dos bancos para levar à frente seus lançamentos imobiliários. Em abril, a Cyrela incorporou a RJZ Participações e Investimentos S/A e especialistas não descartam novos movimentos no futuro.
O volume de financiamentos imobiliários contratados com valores da poupança alcançou R$ 4,143 bilhões no primeiro semestre deste ano, pouco mais que o dobro do registrado em igual período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
O ritmo vem aumentando, já que apenas em junho o volume de contratações atingiu R$ 898,6 milhões, 148,53% superior ao de junho de 2005, e pode ganhar mais impulso: de acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo poderá estender o sistema de crédito consignado aos financiamentos para casa própria.
"As condições são favoráveis e os astros estão em bom alinhamento. Não acredito que haja bolha. Com o crescimento da economia daqui para a frente, as pessoas tendem a se sentir mais seguras, consolidando a expansão do setor", diz o vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), Rodolpho Vasconcellos.
Segundo o executivo, uma das estratégias mais comuns entre as construtoras tem sido a expansão dos focos de atuação, ou seja, as empresas têm voltado suas atenções não apenas para o público de mais alta renda - como vinha ocorrendo nos últimos anos -, mas também para a classe média, já que agora as ofertas de crédito foram ampliadas. Para isso, busca-se regiões em que os preços dos terrenos são mais baratos - como a Zona Norte do Rio de Janeiro - para que o custo das unidades esteja condizente com o público.
Proliferam-se as parcerias com sócios locais para a atuação fora do eixo Rio-São Paulo. Com isso, marcas fortes, como Gafisa e Rossi, expandem seus domínios para o Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país. Para Vasconcellos, a tendência é de concentração do mercado - hoje com dezenas de empresas - em algo entre dez e 20 grandes construtoras em todo o Brasil. "As empresas estão organizando-se e este é o momento de capitalização. A tendência é de que o mercado consolide-se e reduza a pulverização", diz.
A Gafisa - líder no mercado fluminense e vice-líder em São Paulo - tem concentrado estratégia de crescimento em três linhas de atuação: aumento de participação de mercado nas regiões em que atua, projetos em nichos de mercado em que antes não atuava e expansão geográfica. Para realizar plano de negócios, a construtora buscou recursos no mercado, abrindo capital em fevereiro deste ano, e tem se associado a empresas locais para atuar em regiões como o Sul e o Nordeste.
"Nosso planejamento de expansão está focado em três aspectos. Um dos objetivos é conquistar mais espaço onde já atuamos. O setor é muito pulverizado e há como ampliarmos nossa participação. O outro aspecto é trabalhar em nichos de mercado em que não atuávamos. Somos incorporadora residencial, mas dentro desta especificidade podemos oferecer vários produtos para diferentes públicos. Estamos ampliando área de atuação para fora do eixo Rio-São Paulo, fechando parcerias com sócios locais", explica o diretor de novos negócios da Gafisa, Antônio Ferreira.
gafisa ampliou atuação rumo ao mercado de baixa renda
A Gafisa seguiu o caminho encontrado por outras empresas do setor e deixou de se concentrar apenas nos produtos voltados para a população de alta renda. Um dos exemplos é o lançamento do Condomínio Quinta Imperial, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Com 150 unidades a partir de R$ 103 mil, o empreendimento reúne as características de lançamentos da Zona Sul e da Barra da Tijuca, mas a um custo mais baixo por causa da localização.
A estratégia de ampliar os horizontes levou a Gafisa para Fortaleza, Maceió, Salvador, Porto Alegre, Belém, Macaé, Manaus, Cuiabá, Recife, além de cidades do interior paulista. Depois de pesquisar e estudar a demanda em novos mercados, a construtora faz parcerias com sócios locais - como a Cipesa, em Alagoas, a Ivo Rizzo, em Porto Alegre, e a OAS Empreendimentos, em Salvador -, que conheçam as características de cada região.
A expansão das áreas de atividades e a flexibilidade para atuar em diferentes segmentos do mercado imobiliário foram as principais estratégias apresentadas aos futuros acionistas pela Rossi Residencial ao abrir seu capital, em fevereiro deste ano. Tradicionalmente conhecida por seu trabalho no mercado paulista, no segmento de classe média, a empresa pretende explorar cada vez mais a atuação em diferentes segmentos do mercado - com diferentes tipos de produtos, como casas, edifícios ou empreendimentos comerciais -, além da operação simultânea em várias cidades.
A Rossi acaba de criar duas joint-ventures para alavancar seus negócios em regiões novas. A primeira com o Grupo THÁ para operar nos mercados do Paraná e Santa Catarina. A idéia é que sejam lançados empreendimentos no próximo ano com valor global de vendas (VGV) de R$ 200 milhões. O acordo assegura à Rossi, que já opera em Curitiba, o direito de preferência nos futuros negócios do Grupo THÁ. A Rossi fará a gestão administrativa e a estruturação financeira dos projetos, enquanto o Grupo THÁ será responsável pela construção e comercialização.
A outra joint-venture firmada foi com a Alicerce Empreendimentos, para operar em Belo Horizonte, mercado em que a Rossi já atuou na década de 90. O acordo prevê o lançamento de R$ 100 milhões de VGV no próximo ano, entre terrenos já adquiridos e a adquirir pela nova sociedade.
Pioneira na entrada na bolsa em 2005, a Cyrela Brazil Realty voltou ao mercado em julho com nova oferta de ações, desta vez emissão de 24,7 milhões de ações ordinárias. Em abril, a construtora anunciou a incorporação da RJZ Participações e Investimentos S/A, sua parceira nos empreendimentos imobiliários no Rio. O mais recente lançamento da RJZ/Cyrela, o Paço Real, apresenta as mesmas características de projetos da Zona Sul carioca - com ampla área de lazer e demais facilidades - no bairro de São Cristóvão, o que permite um preço mais baixo.
Tradicionalmente presente na Zona Sul do Rio de Janeiro, a CHL também está buscando novos caminhos para aproveitar a expansão do mercado e enfrentar dificuldades como escassez de área e projetos na região em que atua. O presidente, Rogério Chor, revela que tem olhado com mais atenção para Jacarepaguá e Barra da Tijuca, onde está previsto até mesmo um lançamento comercial, em área de 9 mil hectares, onde serão construídas 160 salas. Serão oito lançamentos ao todo em 2006, dos quais cinco no segundo semestre.
Por enquanto, não há estudos para atuar fora do Rio, mas Chor admite que está aberto a negócios. "Não há estudos no momento, mas estamos sempre abertos a negócios. Se for válido, podemos pensar em uma parceria, por exemplo", diz. Apesar de no momento dirigir seus lançamentos para a classe média alta, o presidente da CHL afirma que todas as construtoras devem passar a atuar no nicho de baixa renda no futuro, diante do déficit habitacional brasileiro.
Última das construtoras a abrir seu capital, em março, a Company deve realizar até o fim do ano nove lançamentos. Apenas no primeiro semestre, foram investidos R$ 56 milhões em terrenos, mas o valor deve passar dos R$ 100 milhões em 2006, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Luiz Rogélio Tolosa. A abertura de mercado rendeu R$ 200 milhões para a empresa.
Por enquanto, a expansão geográfica não está nos planos da Company. "A Grande São Paulo é um mercado que movimenta R$ 12 bilhões por ano em valor global de vendas. Ainda há espaço para crescer aqui e, além disso, a atuação em outros mercados exige muita expertise", diz.
Mantega deverá receber estudo depois de amanhã Fabio Graner e Vânia Cristino
Da Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve receber depois de amanhã o estudo aprofundado sobre possíveis medidas para estimular a habitação, informou fonte do Ministério da Fazenda, adiantando que, entre as medidas em análise, está a criação de crédito consignado - com desconto no contracheque - para habitação e a permissão para os bancos operarem com taxas de juros fixas, em substituição à TR que corrige os empréstimos do segmento. O objetivo é reduzir os juros habitacionais.
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, informou que as medidas em estudo no ministério da Fazenda, só valerão para os financiamentos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), cuja origem dos recursos é a caderneta de poupança. Estão fora os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para baixa renda.
A secretaria de Política Econômica é quem está comandando os estudos, que estão em fase de amadurecimento. A pedido de Mantega, o secretário Júlio Sérgio Gomes de Almeida tem reunido-se com representantes da Caixa Econômica Federal e do ministério das Cidades para produzir proposta que expresse melhor as diferentes visões dentro do governo.
A avaliação dentro da Fazenda é que haverá medidas de estímulo à habitação, o que está se acertando é a modelagem dessas iniciativas. Ao mirar nesse setor, a equipe econômica não só tenta atacar o chamado déficit habitacional brasileiro - estimado entre seis e sete milhões de moradias -, mas estimular a construção civil, que nos últimos anos foi um dos responsáveis pelas baixas taxas de crescimento do País.
No início do ano, o governo anunciou medidas de ampliação de oferta de crédito - previsto para chegar a R$ 18,7 bilhões em 2006 - e desonerações tributárias, estimadas em R$ 1,35 bilhões, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado sobre os materiais para construção, como caixas d"água, portas, janelas de madeira, tintas e cerâmicas.
O incentivo ao crédito habitacional se insere no esforço do governo de atacar o problema dos juros elevados cobrados ao clientes bancários, tema prioritário para a equipe econômica.
Consumo "formiguinha" deverá aumentar 8% Márcia De Chiara
Da Agência estado
O consumo de materiais de construção para fazer cômodo a mais na casa, erguer laje e até construir a própria moradia, sem a intermediação de construtoras, deverá crescer neste ano 8% e atingir R$ 37,3 bilhões. É a maior cifra em 12 anos registrada pelas revendas de materiais de construção. Queda de preço, redução de impostos sobre os materiais básicos e linhas de financiamento com prazos longos sustentam esse desempenho.
"A última vez que tivemos taxa de crescimento anual dessa magnitude foi em 1998", diz o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. Em 2005, as vendas de materiais de construção cresceram 3% em relação ao ano anterior.
O consumo formiga parece pequeno só no nome. Pesquisa da consultoria Booz Allen Hamilton revela que 77% das unidades habitacionais produzidas no país são feitas em regime de autogestão. Como a maioria dos brasileiros ainda não pode comprar um imóvel financiado, a própria pessoa, com a ajuda dos vizinhos, parentes ou contratando um pedreiro, faz mais um cômodo, a própria moradia ou reforma a antiga casa.
Só no primeiro semestre deste ano os volumes vendidos no varejo de materiais básicos como cimento e aço aumentaram 12% e 11%, respectivamente, na comparação com o igual período de 2005, segundo a Anamaco. "Isso sinaliza a retomada das obras. A médio prazo, deve ampliar o consumo de materiais hidráulicos e outros itens de acabamento", observa Conz.
Grandes lojas de materiais de construção confirmam o crescimento de vendas de itens básicos. De janeiro a julho, o faturamento com venda de cimento aumentou 40% na comparação com igual período de 2005, informa o diretor de Marketing, Carlos Corazzin. No caso do ferro, usado para fazer estruturas para colunas e lajes, o acréscimo foi de 25% no período. Já as vendas de materiais de acabamento cresceram 10%.
"Ampliamos o número de fornecedores de lajes pré-fabricadas", diz Corazzin. Ele explica que a demanda por laje pré-fabricada sob encomenda cresceu. Levando-se em conta o mesmo número de lojas, o faturamento total da revenda cresceu 15% entre janeiro e julho deste ano ante igual período de 2005.
Dados acumulados do setor mostram que até julho as revendas faturaram 5,5% a mais do que no igual período de 2005. Só em julho, as lojas venderam 14% a mais ante junho e 7% na comparação com o igual mês de 2005, segundo a Anamaco.
No primeiro semestre, a produção industrial de insumos da construção civil aumentou 4,7% em relação aos primeiros seis meses de 2005, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na análise da economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria Integrada, esse desempenho sustenta previsão de acréscimo de 5,1% no ano.
"Estamos otimistas. Enxergamos um segundo semestre muito positivo", diz Conz. Uma conjugação de fatores, afirma, deve levar a um aumento das vendas de materiais de construção. Normalmente sempre o movimento é melhor no segundo semestre. Além disso, neste ano, os juros estão em queda, há expectativa de crescimento na massa real de rendimentos, em torno de 5%, e grande oferta de financiamentos.
Também os preços dos materiais estão em queda, como o do cimento. O saco de 50 quilos recuou 18,22% em 12 meses até junho, segundo pesquisa do Sinduscon-SP. No início do ano, o governo reduziu e até zerou a alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns materiais básicos e isso deve forçar reduções de preços. Recentemente, os governos de Santa Catarina, São Paulo e Paraná diminuíram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
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Federal Reserve define juros básicos amanhã
ESTADOS UNIDOS - Maioria dos analistas acredita que taxa será mantida
Leandro Modé
Da Agência Estado
Depois de muita expectativa, o grande dia para investidores do mundo todo está próximo. Amanhã, o Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) reúne-se para definir o rumo da taxa básica de juros no país. "É o divisor de águas para o mercado", define Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
A maioria dos analistas - aqui e no exterior - acredita que a taxa será mantida nos atuais 5,25% ao ano. "O relatório de emprego divulgado sexta-feira reforçou essa aposta", afirmou Alexandre Maia, economista-chefe da Gap Asset Management. O documento mostrou que foram abertas 113 mil vagas no mercado de trabalho americano em julho, número inferior às projeções mais freqüentes (mediana) dos analistas. Além disso, a taxa de desemprego no mês subiu para 4,8%, ante 4,6% de maio. A maior parte dos especialistas esperava que o número ficaria estável.
Se a manutenção do juro no nível atual é quase uma barbada, o mesmo não pode ser dito em relação ao comunicado a ser divulgado depois da reunião. "Se o tom for bem-humorado, a tendência será bastante positiva para os mercados" , disse Rosa. Se o Fed mantiver o juro, mas emitir um texto incerto sobre a tendência para a atividade econômica, o vaivém das cotações vai continuar. "O grande problema deste momento é que os sinais emitidos pela economia americana são ambíguos", explicou o economista da Sul América. Alguns mostram desaceleração, enquanto outros apontam aquecimento.
Reunião do Fed à parte, a semana reserva a divulgação de indicadores importantes da economia do país. Maia, da Gap, destaca dois: os dados de produtividade e custo de mão-de-obra no segundo trimestre (amanhã) e as vendas no varejo de julho (sexta). "Embora o presidente do Fed, Ben Bernanke, tenha dito que a economia parece se desacelerar, o que realmente importa são os dados."
No Brasil, a semana é considerada fraca do ponto de vista de indicadores macroeconômicos. A exceção fica por conta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A expectativa da maior parte dos analistas é de que o índice - usado para balizar as metas de inflação - fique em 0,15%.
As projeções de Maia e Rosa estão em linha com essa estimativa. O primeiro espera 0,16% e o segundo, 0,17%. O desempenho dos principais mercados - câmbio, bolsa e juros - no Brasil dependerá, em grande medida, da decisão do Fed. "Mas, a princípio, estamos otimistas", disse Maia.
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Alta nas taxas européias não altera rumo no Brasil
JUROS - Valorização do real contrabalança efeitos da alta das commodities
DANIELE CARVALHO
DO JORNAL DO COMMERCIO
A decisão do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco Central inglês de elevar as respectivas taxas básicas de juros em 0,25 ponto percentual na última semana não deverá mudar a linha de atuação do Comitê de Política Monetária (Copom). Diante de uma inflação controlada e de uma atividade industrial que ainda precisa de impulso, especialistas acreditam que o Banco Central manterá a trajetória de corte na Selic na próxima reunião do comitê, a ser realizada nos dias 29 e 30 de agosto.
No Brasil, afinal, o quadro é diverso do vivido pela Europa e Estados Unidos - que esta semana deverá decidir sobre sua taxa básica. Ambos enfrentam o desafio de controlar da inflação e, pressionadas pela forte elevação nos preços de energia, em especial do gás natural e do petróleo, as autoridades monetárias européias e americanas se vêem obrigadas a conter consumo por meio da elevação dos juros. O medo do agravamento da crise entre Israel e Líbano, que poderia ocasionar a entrada, no conflito, de grandes produtores de petróleo, como o Irã, ajuda a aumentar o clima de tensão.
Relatório divulgado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Banco Bradesco, avalia que os dois movimentos de alta na taxa básica de juros ocorridos na Inglaterra, de 4,5% para 4,75% ao ano, e na Zona do Euro, de 2,75% para 3% ao ano, sinalizam que o fenômeno atual de inflação pressionada não se restringe a uma ou outra economia, mas aflige de forma mais generalizada as economias industrializadas. O documento frisa, no entanto, que a intensidade e a velocidade com que a inflação se dissemina nos países está atrelada a uma série de particularidades, entre elas a dependência de insumos energéticos e metálicos e o grau de abertura das economias.
"A próxima reunião do Copom, porém, não será influenciada pela decisão do BCE e do Banco Central inglês. Acredito que um novo corte, de 0,25 ponto percentual, será efetuado pelo BC", prevê Octavio de Barros, diretor do departamento do Bradesco responsável pelo levantamento. A avaliação está fundamentada no fato de a inflação estar sob controle no Brasil e pela apreciação do real, que acaba neutralizando internamente a elevação no preço das commodities no mercado internacional.
Combustíveis
Em relação ao impacto da elevação do preço do petróleo, o Brasil tem saído ileso. Isto porque a Petrobras adotou a política de não realizar ajustes freqüentes nos combustíveis para evitar volatilidade. O Bradesco calcula que a defasagem no preço da gasolina praticados no Brasil em relação aos preços internacionais já chegue a 15%.
De opinião similar é o economista sênior do Banco Real ABN Amro, Jankiel Lima Santos. Ele também defende o argumento de que as pressões inflacionárias enfrentadas pelos países europeus e pelos Estados Unidos não se repetem no Brasil e que, portanto, a elevação de taxas de juros ocorrida lá for não deve influenciar o comitê do Banco Central. "O Copom está de olho na inflação. Isto é o que importa. Se ela está dentro da meta, não há motivo de interrupção na trajetória de queda", diz ele, que aguarda um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto.
Já na avaliação da analista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, o único desdobramento da alta de juros seria o BC um pouco mais cauteloso. "O comitê vai ficar atento às movimentações no exterior, principalmente, para evitar que haja uma contaminação de preços na inflação de 2007", comenta ela. Ainda de acordo com Alessandra, as altas na taxas de juros estão vindo dentro do esperado pelo mercado, o que deve diminuir a turbulência internacional dos últimos meses. Desta maneira, não ocorreria uma redução brusca da liqüidez mundial.
Para o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, Carlos Eduardo Gonçalves, não há riscos de contaminação no curto prazo. Ele explica que, em tempos de câmbio fixo, a influência de decisões do BCE do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) tinham repercussão quase que imediata no BC brasileiro.
"Quando o câmbio é fixo e os juros sobem nos EUA, por exemplo, o Banco Central brasileiro sofre com um êxodo de dólares do país, o que acaba impactando negativamente as reservas do Tesouro. O BC era obrigada a pagar um valor fixo pelo dólar. Com o câmbio livre, isto muda de figura porque a maior procura por moeda americana implica na elevação de sua cotação, o que torna o negócio menos vantajoso para quem pensa em tira dinheiro do Brasil", lembra ele.
Maior cautela
Gonçalves acredita, no entanto, que o Copom tomará uma postura mais cautelosa em suas próximas reuniões. "O que não pode correr é uma elevação mais prolongada dos juros americanos, o que poderia acarretar numa redução da atividade industrial daquele país. A consequência mais direta seria uma queda nas exportações brasileiras. A indireta seria a redução na entrada de dólares no país, que reduziria a apreciação do real. Desta maneira, a alta de preço das commodities teria um impacto maior na nossa inflação", avalia ele.
O mercado de juros futuros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) trabalha com a possibilidade de corte de 0,25 ponto percentual. Nesta semana, aumentarão as apostas em torno dos rumos da taxa Selic. Nos Estados Unidos, os números indicam ser pouco provável uma nova elevação dos juros básicos pelo Federal Reserve.
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BIG APPLE - Nova York volta a sediar as maiores empresas
vinícius queiroz galvão
da folhapress
Após êxodo nas últimas décadas, Nova York volta a sediar as maiores empresas dos Estados Unidos e os executivos mais bem pagos do mundo. O número de empresas que instalaram suas matrizes e subsidiárias em Manhattan mais que dobrou desde 1990, segundo levantamento do Departamento de Trabalho.
Ranking da revista "Fortune" com as 500 maiores companhias dos EUA também mostra tendência de retorno dos executivos a escritórios na cidade. De acordo com dados da prefeitura, o número de sedes passou de 274 para 602 em 15 anos. Resultado: 12 mil empregos com salários milionários.
Entre as grandes empresas que reforçam o movimento, estão o CIT Group, a Alcoa, maior fabricante de alumínio do mundo, e a Federated Department Stores, que administra as lojas Macy"s e Bloomingdale"s.
A explicação para o fenômeno, apontam analistas, é a vocação da cidade para a globalização e a facilidade de ganhar, e gastar, muito dinheiro. "Quando contratam um executivo, as empresas oferecem um pacote de benefícios, não só altos salários. É preciso fazê-los felizes, prendê-los à função e manter a produtividade em alta. Senão, não compensa. E é Nova York onde se concentram os grandes talentos. "Recruto gente de todas as regiões dos EUA e do mundo inteiro. Os mais competentes estão aqui. De todas as áreas", diz o "headhunter" Robert Wynne Parry, que preside umas das maiores empresas de recrutamento de executivos do país.
Tendência
A volta das grandes empresas, no entanto, reflete uma nova tendência no mercado. Só a cúpula -presidência, diretoria e gerência- fica em Manhattan. A base, com centenas de funcionários, continua nas cidades em que aluguéis, salários e impostos são menores. Com as inovações tecnológicas, como celular, videoconferência e BlackBerry (minicomputador de mão que navega na rede, envia e-mails e funciona como celular), os executivos comandam os subordinados de qualquer lugar. Há diversos casos, como o da Alcoa, em que a sede fica em Nova York e a produção continua na periferia; no caso, em Pittsburgh (Estado da Pensilvânia).
A emigração das sedes de Manhattan chegou a ser objeto de estudo do sociólogo William H. Whyte (1917-1999), que foi patrocinado pela "Fortune" para analisar o fenômeno e entrevistar presidentes da General Electric e da Pepsi, que à época saíam de Nova York. A pesquisa deu origem à obra "City: Rediscovering the Center" (1988), que avalia o comportamento humano em Manhattan.
Altos salários
A volta dos executivos veio acompanhada de um aumento substancial dos salários, que passaram da média anual de US$ 64 mil (R$ 139 mil) há 15 anos para US$ 160 mil (R$ 347 mil), segundo o Departamento de Trabalho. Em contraposição, o número médio de empregos nos escritórios caiu de 127 para 78 no mesmo período.
"Nova York é uma cidade de matriz, não de filial", diz o subprefeito para desenvolvimento econômico, Daniel Doctoroff. A administração do prefeito Michael Bloomberg tem cortejado grandes empresas a voltar para Nova York, o que em muitos casos envolve incentivos fiscais. A esperança do republicano é a de que novos empregos sejam gerados e mais dinheiro seja injetado no projeto de revitalização do centro financeiro da cidade, devastado depois do 11 de Setembro. Só ao banco de investimentos Goldman Sachs, a cidade concedeu US$ 150 milhões em isenção de impostos para construção de sede em Lower Manhattan.
O presidente da Alcoa, Alain J. P. Belda, explicou em evento do New York City Business Summit as razões que o fizeram voltar a Manhattan: "Precisamos ter acesso ao melhor. E precisamos das pessoas agora, não daqui a uma semana. Assim, evitamos que nossos parceiros precisem perder um dia inteiro para se deslocar até Pittsburgh para uma reunião". Jeffrey M. Peek, há dois anos no comando do CIT Group, diz que "a inauguração do escritório em Manhattan estabelece nova relação global que faz com que a empresa sirva melhor aos clientes e investidores".
Nova York aparece em primeiro lugar na lista da "Fortune" com 44 das 500 maiores empresas americanas. Há dois anos, eram 40.
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Reunião do banco central dos EUA é divisor de águas
Investidores do mundo todo aguardam a decisão do
Federal Reserve, que vai se encontrar amanhã
Leandro Modé
Depois de muita expectativa, o grande dia para investidores do mundo todo está próximo. Amanhã, o Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) reúne-se para definir o rumo da taxa básica de juros no país. "É o divisor de águas para o mercado", define Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
A maioria dos analistas - aqui e no exterior - acredita que a taxa será mantida nos atuais 5,25% ao ano. "O relatório de emprego divulgado sexta-feira reforçou essa aposta", afirmou Alexandre Maia, economista-chefe da Gap Asset Management. O documento mostrou que foram abertas 113 mil vagas no mercado de trabalho americano em julho, número inferior às projeções mais freqüentes (mediana) dos analistas. Além disso, a taxa de desemprego no mês subiu para 4,8%, ante 4,6% de maio. A maior parte dos especialistas esperava que o número ficaria estável.
Se a manutenção do juro no nível atual é quase uma barbada, o mesmo não pode ser dito em relação ao comunicado a ser divulgado depois da reunião. "Se o tom for bem-humorado, a tendência será bastante positiva para os mercados" , disse Rosa. Se o Fed mantiver o juro, mas emitir um texto incerto sobre a tendência para a atividade econômica, o vaivém das cotações vai continuar. "O grande problema deste momento é que os sinais emitidos pela economia americana são ambíguos", explicou o economista da Sul América. Alguns mostram desaceleração, enquanto outros apontam aquecimento.
Reunião do Fed à parte, a semana reserva a divulgação de indicadores importantes da economia do país. Maia, da Gap, destaca dois: os dados de produtividade e custo de mão-de-obra no segundo trimestre (amanhã) e as vendas no varejo de julho (sexta). "Embora o presidente do Fed, Ben Bernanke, tenha dito que a economia parece se desacelerar, o que realmente importa são os dados", explicou.
No Brasil, a semana é considerada fraca do ponto de vista de indicadores macroeconômicos. A exceção fica por conta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A expectativa da maior parte dos analistas é de que o índice - usado para balizar as metas de inflação - fique em 0,15%. As projeções de Maia e Rosa estão em linha com essa estimativa. O primeiro espera 0,16% e o segundo, 0,17%.
O desempenho dos principais mercados - câmbio, bolsa e juros - no Brasil dependerá, em grande medida, da decisão do Fed. "Mas, a princípio, estamos otimistas", disse Maia.D
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Efeito puxadinho anima construção
Consumo formiga eleva em 8% o faturamento das lojas
de materiais para obras, que chegará a R$ 37,3 bilhões
Márcia De Chiara
O consumo formiga de materiais de construção para fazer um cômodo a mais na casa, erguer uma laje e até construir a própria moradia, sem a intermediação de construtoras, deverá crescer neste ano 8% e atingir R$ 37,3 bilhões.
É a maior cifra em 12 anos registrada pelas revendas de materiais de construção, que incluem desde aquela pequena loja de bairro até home centers. Queda de preço, redução de impostos sobre os materiais básicos e linhas de financiamento com prazos longos sustentam esse desempenho.
"A última vez que tivemos um crescimento dessa magnitude foi em 1998", diz o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz. Em 2005, as vendas de materiais de construção cresceram cerca de 3% em relação ao ano anterior.
O consumo formiga parece pequeno só no nome. Pesquisa da consultoria Booz Allen Hamilton revela que 77% das unidades habitacionais produzidas no País são feitas em regime de autogestão. Como a maioria dos brasileiros ainda não pode comprar um imóvel financiado, a própria pessoa, com a ajuda dos vizinhos, parentes ou contratando um pedreiro, faz mais um cômodo, a própria moradia ou reforma a antiga casa.
Só no primeiro semestre deste ano os volumes vendidos no varejo de materiais básicos como cimento e aço aumentaram 12% e 11%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2005, segundo a Anamaco. "Isso sinaliza a retomada das obras. A médio prazo, deve ampliar o consumo de materiais hidráulicos e outros itens de acabamento", observa Conz.
Grandes lojas de materiais de construção como a Dicico confirmam o crescimento de vendas de itens básicos. De janeiro a julho, o faturamento com venda de cimento aumentou 40% na comparação com igual período de 2005, conta o diretor de Marketing, Carlos Corazzin. No caso do ferro, usado principalmente para fazer estruturas para colunas e lajes, o acréscimo foi de 25% no período. Já as vendas de materiais de acabamento cresceram 10%.
"Ampliamos o número de fornecedores de lajes pré-fabricadas", diz Corazzin. Ele explica que a demanda por esse tipo de produto sob encomenda cresceu. Há pouco, era um item inexpressivo nas vendas da rede. Levando-se em conta o mesmo número de lojas, o faturamento total da revenda cresceu 15% entre janeiro e julho deste ano ante igual período de 2005.
Dados acumulados do setor mostram que até julho as revendas faturaram 5,5% a mais do que no mesmo período de 2005. Só em julho, as lojas venderam 14% a mais ante junho, e 7% na comparação com o mesmo mês de 2005, segundo a Anamaco.
No primeiro semestre, a produção industrial de insumos da construção civil aumentou 4,7% em relação ao mesmo período de 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na análise da economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria Integrada, esse desempenho sustenta a previsão de acréscimo de 5,1% no ano.
"Estamos otimistas. Enxergamos um segundo semestre muito positivo", diz Conz, da Anamaco. Uma conjugação de fatores, diz, deve levar a um aumento das vendas de materiais de construção. Em geral, o movimento é melhor no segundo semestre. Neste ano especificamente, os juros estão em queda, há expectativa de expansão de 5% na massa real de rendimentos e grande oferta de crédito.
Também os preços dos materiais estão em queda, como o do cimento. O saco de 50 quilos recuou 18,22% em 12 meses até unho, segundo o Sinduscon-SP.
No início do ano, o governo reduziu e até zerou a alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns materiais básicos e isso deve forçar reduções de preços. Recentemente, os governos estaduais de Santa Catarina, São Paulo e Paraná diminuíram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
"As financeiras estão mais agressivas", diz Conz. Na sua opinião, a conjuntura vai impulsionar os negócios. Hoje, cerca de 40% das vendas de itens de construção são parceladas e no ano passado essa fatia era de 20%.
"Notamos a migração das compras à vista para as financiadas", diz Corrazin, da Dicico. Neste ano, por exemplo, 67% das vendas da rede são a prazo, ante 55% em 2005.
Na análise de Amaryllys Romano, da Tendências, a liberação de financiamentos é um dos principais fatores a dar suporte à demanda por materiais de construção. No primeiro semestre, o volume liberado aumentou 103,6% em relação ao mesmo período de 2005. Para este ano inteiro, a projeção da economista é que sejam despejados R$ 9,5 bilhões de recursos no setor. Isso representa um acréscimo de quase 98% na comparação com o ano passado.
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Esticar a moradia é uma forma de ampliar o patrimônio, diz pesquisa
O dia 20 de agosto é esperado ansiosamente pela família de Janie Santos, de 31 anos, casada e mãe de três filhas. Será quando o marido, o pai, as filhas e os vizinhos vão encher a laje da casa de quatro cômodos que começou a ser construída em junho na favela do Jardim Icaraí, em Vila Brasilândia. "A lavanderia vai ser em cima da laje. Mais para frente, no lugar da lavanderia, quero fazer uma quarto para a minha filha ", diz Janie.
Ela conta que, apesar de desempregada, decidiu começar a obra porque a casa em que morava era um risco. "Deu para aproveitar só uma parede, estava um perigo." A obra ficou por conta do pai, Lauro Fernandes de Oliveira, de 66 anos, que já ergueu casa para três dos dez filhos. "Sou Bombril, tenho mil e uma utilidades", brinca. Lauro Oliveira é serralheiro, pedreiro, eletricista e ainda arranja um tempinho para cuidar do futuro dos filhos.
PESQUISA
Uma pesquisa do Instituto Fernand Braudel com 1.092 famílias de quatro bairros da periferia de São Paulo mostra que a construção sobre a laje ou nos fundos de um terreno é a forma mais fácil para ampliar a própria moradia ou oferecer como imóvel extra para os filhos, parentes ou locatários. "A laje é o meio mais barato de ampliar o patrimônio. A casa própria é a grande poupança da população de baixa renda", diz um dos coordenadores da pesquisa, o economista Nilson Oliveira.
A enquete mostra que ter a casa própria é motivo de orgulho para 46,6% da população. Só perde para o desejo de construir uma família, 83,6%.M.C.
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Casa própria terá desconto em folha
Ministério da Fazenda estuda medida para possibilitar
crédito consignado em financiamentos para moradias
Fabio Graner e Vânia Cristino - BRASÍLIA
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve receber na próxima quarta-feira estudo aprofundado sobre medidas para estimular o setor habitacional, informou uma fonte do ministério da Fazenda. Entre as medidas em análise está a criação de crédito consignado - com desconto no contracheque - para habitação e também a permissão para os bancos operarem com taxas de juros fixas, em substituição à TR que corrige os empréstimos do segmento. O objetivo é reduzir os juros cobrados nesses financiamentos.
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, informou por meio de sua assessoria de imprensa que as medidas em estudo no ministério da Fazenda só valerão para os financiamentos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), cuja origem dos recursos é a poupança. Estão fora os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), destinados à população de menor renda.
A secretaria de Política Econômica é que está comandando os estudos. Nas últimas semanas, a pedido de Mantega, o secretário Júlio Sérgio Gomes de Almeida se reuniu com representantes da Caixa Econômica Federal e do ministério das Cidades para produzir uma proposta.
De qualquer forma, a avaliação dentro da Fazenda é que haverá medidas de estímulo à habitação, o que se está acertando é a modelagem dessas iniciativas. Ao mirar nesse setor, a equipe econômica não só tenta atacar o chamado "déficit habitacional" brasileiro - estimado entre seis e sete milhões de moradias-, mas também estimular todo o setor de construção civil, que nos últimos anos foi um dos responsáveis pelas baixas taxas de crescimento econômico do País.
No início do ano, o governo anunciou um pacote com medidas de ampliação de oferta de crédito - previsto para chegar a R$ 18,7 bilhões em 2006 - e desonerações tributárias, estimadas em R$ 1,35 bilhões, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado sobre os materiais para construção, como caixas d'água, portas, janelas de madeira, tintas e cerâmicas.
O incentivo ao crédito habitacional também se insere no esforço do governo de atacar o problema dos juros elevados cobrados de clientes bancários, tema prioritário para a equipe econômica. Nesse sentido, conforme noticiou o Estado na semana passada, o governo também estuda regulamentar uma modalidade de crédito consignado voltado para micro e pequenas empresas, além de estimular o aumento na integração e eficiência dos bancos públicos para que eles possam baixar mais as taxas de juros para o consumidor, forçando a concorrência no setor privado a fazer o mesmo.
Reduzir as taxas de juros aos clientes do sistema financeiro, por meio da redução dos chamados spreads bancários (diferença entre o que o banco paga pelos depósitos que recebe e o que cobra pelos empréstimos que faz), é visto como o caminho para se concretizar isso.
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Receita tenta compensar gastança
Fiscalizações serão mais rigorosas no segundo
semestre para garantir arrecadação extra e cobrir gastos
Lu Aiko Otta - BRASÍLIA
A fiscalização da Receita Federal vai ficar mais rigorosa na segunda metade deste ano, para aumentar a arrecadação e sustentar o aumento das despesas do governo. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento aumentaram em R$ 4,5 bilhões a meta de arrecadação federal de 2006.
Esse aumento embute os efeitos do crescimento econômico, da alta do petróleo - que vem levando a arrecadação sobre o setor a saltos surpreendentes-, e também dos ganhos com a fiscalização, tanto na área da Receita quanto na da Previdência.
Já contando com o incremento de receitas dessas e de outras fontes, o presidente Lula assinou semana passada um decreto elevando os gastos do segundo semestre em R$ 4,8 bilhões. O dinheiro foi entregue aos Ministérios dos Transportes e do Desenvolvimento Agrário.
"O governo vinculou o reajuste salarial da categoria ao cumprimento da nova meta de arrecadação", disse o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco), Carlos André Soares Nogueira. Caso a meta seja cumprida, os fiscais da ativa receberão um reajuste da ordem de 34% e os fiscais aposentados, 30%.
Como forma de apertar a fiscalização, a entidade sugeriu à Receita um controle mais estrito sobre as compensações de crédito tributário. Essas são operações em que uma empresa quita tributos utilizando impostos pagos indevidamente em outras transações. Por exemplo: uma empresa que produza bens para exportar (sobre os quais, em tese, não deve incidir imposto algum) tem direito a créditos tributários no valor dos tributos que vieram embutidos nos preços das matérias-primas que utilizou. Ela pode usar esses créditos para pagar outros impostos que tenha a recolher. Embora tecnicamente correto, esse mecanismo é sujeito a fraudes, das quais a mais comum é a utilização de créditos inexistentes.
"Há um estoque de R$ 70 bilhões em compensações que precisariam ser revistas", disse o presidente da Unafisco. Ele disse que, em alguns Estados, uma fiscalização mais rigorosa mostrou que 80% dos créditos tributários compensados era irregular.
A maior parte dos R$ 4,5 bilhões de arrecadação extra, porém, não virá de operações especiais de fiscalização, mas dos recolhimentos regulares que a Petrobrás faz aos cofres federais. Graças à alta do petróleo no mercado internacional, os lucros da empresa têm ficado acima do esperado, engordando a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Além desses dois tributos, que aumentam a chamada "receita administrada", o preço do petróleo puxou para cima o recolhimento dos royalties sobre a exploração. Eles engordam um item chamado "outras receitas", cujo crescimento sustentou as despesas ao longo do primeiro semestre.
O pagamento de tributos pelo setor de petróleo e combustíveis só em junho passado foi R$ 1,2 bilhão maior do que o de junho de 2005. Foi uma surpresa para a própria Receita.
REFIS 3
O comando da Receita conta com mais um fator para impulsionar a arrecadação este ano: o Refis 3. O programa, adotado pelo governo por pressão do Congresso Nacional, cria condições para que empresas em débito com o Leão acertem suas contas.
O coração do Refis 3 é o parcelamento, em até 130 meses, de dívidas tributárias (estimadas em R$ 880 bilhões). Para ter direito a esse parcelamento o empresário não pode atrasar nem a prestação da dívida, nem os impostos que vencem regularmente a cada mês. Por isso, em tese, o Refis 3 aumentará a arrecadação.
Mas os técnicos apostam as fichas em um outro item do Refis 3: o que permite o pagamento à vista das dívidas tributárias vencidas até fevereiro de 2003, com desconto de 30% nos juros e de 80% nas multas. Para a Receita, essa medida ajudará a elevar o caixa no fim do ano.
Everardo Maciel, ex-secretário da Receita, acha que a elevação da arrecadação é apenas um ajuste a partir de um cálculo conservador feito no início do ano. "É um aumento da ordem de 1%, que é uma margem de erro razoável", disse. "Não há razões excepcionais para o aumento da Receita, não houve aumento da pressão fiscal."
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Pneu deixa País vulnerável na OMC
Contencioso aberto pela UE diz respeito à importação
de pneus usados pelo Brasil. Governo teme ‘lixeira’
Adriana Fernandes e Renata Veríssimo - BRASÍLIA
Depois de obter vitórias expressivas nos casos do açúcar e do algodão, o Brasil corre o risco de perder na Organização Mundial do Comércio (OMC) o primeiro contencioso na área ambiental da história do organismo. A União Européia recorreu à OMC para obrigar o Brasil a importar pneus usados. O governo brasileiro resiste, temendo que o País se transforme numa "lixeira" para os países ricos. No entanto, corre o risco de ficar sem argumento contra os europeus, o que ocorrerá se o Congresso aprovar uma lei que está pronta para ir à votação abrindo o mercado brasileiro à importação de pneus usados.
"Se o Congresso aprovar o projeto de lei, perdemos o caso na OMC", admite o conselheiro Flávio Marega, chefe da Coordenação de Contenciosos do Itamaraty. Segundo ele, o resultado do painel (disputa) na OMC está previsto para sair somente no dia 8 de novembro. Antes disso, porém, o projeto de lei poderá entrar na pauta de votação do plenário da Câmara.
O projeto já foi aprovado em junho passado numa comissão especial, na véspera da defesa do Brasil na OMC, em Genebra, feita pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O Brasil centrou sua defesa em argumentos ambientais e de saúde pública. Apesar da proibição legal, cerca de 10,5 milhões de pneus foram importados no ano passado, apoiados por uma liminar da Justiça.
"O resultado na OMC criará uma jurisprudência importante, porque existe um movimento organizado dos países desenvolvidos para forçar os países em desenvolvimento a aceitar a entrada de bens usados", diz o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Roberto Langone. "É uma forma disfarçada de exportação de resíduos."
Segundo ele, a pressão será ainda maior porque uma nova norma da União Européia, que proíbe os países da região de colocar pneus velhos em aterros sanitários, entrou em vigor no mês passado. "A Europa descarta 80 milhões de pneus em aterros sanitários, que a partir de agora terão que de colocados em outro lugar", explicou. Para ele, a tendência é de que os europeus "paguem" para os países pobres receberem seus pneus. "É muito mais barato do que usar qualquer outra tecnologia alternativa que dê destinação aos pneus." O governo e parlamentares contrários ao projeto trabalham para evitar sua votação no plenário. A estratégia é deixar que o assunto seja discutido na próxima legislatura. "Um projeto com tantos interesses envolvidos não pode ser votado às vésperas das eleições", diz o deputado Luciano Zica (PT-SP). "Deixa sempre a suspeita de que uma votação atropelada possa estar sendo movida por interesses de financiamento de campanha." Proposta similar, do senador Flávio Arns (PT-PR), também tramita no Senado Federal.
Pelos cálculos do Ministério do Meio Ambiente, cerca de 30% dos pneus chegam sem nenhuma condição de reforma e estão sendo usados para as empresas cumprirem a legislação ambiental, que exige dos fabricantes e importadores cotas progressivas de recolhimento de usados a cada novo pneu. "A empresa importa o que vai reformar e a cota que teria de recolher do meio ambiente. Ela já importa lixo", diz Langone. "O pneu entra a US$ 0,60 e é vendido por R$ 150 após a reforma."
Langone argumenta que o Brasil já tem problemas suficientes para dar destinação aos pneus fabricados no País. Por ano, o País descarta 40 milhões de pneus.D
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Demitidos da Varig apertam o cinto
Com salários atrasados e sem receber direitos
trabalhistas, ex-funcionários tentam sobreviver fazendo bicos
Alberto Komatsu - RIO
Com quatro meses de salários atrasados e sem saber quando receberão verbas rescisórias, funcionários da Varig estão se virando como podem para sobreviver. Sabrina, Juliana e Patrícia, três comissárias da companhia, deverão ser a capa da revista Playboy de setembro. Elas foram anunciadas esta semana na festa de 31 anos da publicação. Para os que não podem posar numa revista masculina, o jeito tem sido vender apartamentos e móveis, fazer bicos como manutenção de computadores e cursos de modelo e manequim. Há até mesmo quem pense em abandonar o País. Essas são algumas das alternativas encontradas por empregados com pelo menos 20 anos de casa.
Empregados da Varig também relatam que, recentemente, houve uma corrida às lojas da Fundação Ruben Berta (FRB), que vendem diversos produtos com a marca Varig, para revender bonés, camisetas e miniaturas de aviões, entre outros artigos. Os funcionários aproveitaram a época em que as compras nas lojas da FRB podiam ser feitas com descontos em folha, já que eles não têm recebido salário. Agora, porém, qualquer artigo comprado na loja da FRB tem de ser pago à vista, em dinheiro ou cartão de crédito. A FRB foi procurada para confirmar a informação e dar autorização para a reportagem fazer uma visita à loja do Rio, mas não retornou.
O comissário João Ricardo da Silva Motta, de 42 anos, trabalha na Varig há 15 anos e descobriu esta semana que seu nome não está na escala de vôos da Varig para os próximos 30 dias. Sem receber há quatro meses e há dois anos sem o 13º salário, ele conta que está fazendo a manutenção de computadores de amigos para poder ter outra fonte de renda e sustentar quatro filhos. "Não tenho como pedir emprego em outro lugar, porque minha carteira continua com o registro da Varig. Estou fazendo biscates para sobreviver", conta o comissário.
Aos 49 anos de idade, 21 como comissária da Varig, Rosicléia Cavalcante da Silva já teve até de vender a cama de seus filhos para poder pagar despesas. Ela conta que também vendeu todos os produtos de beleza importados que tinha para ter uma receita adicional.
Agora, depois que parte de seus benefícios foi cortada e ela está de licença por problemas de saúde, ela planeja vender o apartamento. "Está tudo muito obscuro. Cada hora é uma informação diferente", conta.
"Faltava apenas um ano para eu me aposentar, mas não posso perder a esperança. Esse telegrama foi traumatizante", relata a comissária Otília Pires, de 52 anos, 26 dos quais dedicados à Varig. Ela referia-se ao aviso de demissão enviado pela Varig na quarta-feira. Sem perspectivas de conseguir emprego no setor, ela só pensa agora em sair do País. Fluente em quatro idiomas (espanhol, francês, italiano e inglês), ela conta que está sozinha no Brasil e planeja reencontrar sua família, que mora na França.
Otília era uma das cerca de 700 pessoas que compareceram esta semana a uma assembléia convocada pelo Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), com o objetivo de orientar os funcionários a buscarem judicialmente alguma garantia de seu dinheiro. Ela diz que atual situação da Varig a levou ao hospital, por causa de uma crise de hipertensão.
Os aposentados da Varig ainda não tiveram de fazer bicos porque também recebem pelo INSS, ou porque têm idade avançada. Mesmo assim, sua receita está minguando porque os planos de benefícios da Varig no fundo de pensão Aerus estão em processo de liquidação. Por isso, o Aerus só está pagando 50% dos benefícios desde junho. E esses pagamentos só serão feitos até janeiro. Depois disso, não há nenhuma garantia de que terão algum dinheiro a receber do Aerus."Também sou aposentado pelo INSS, mas não é suficiente. Só de plano de saúde pago R$ 900", diz Orlando da Gama, de 70 anos, que foi comissário de bordo durante 30 anos e está aposentado há 12 anos.
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História de crise não é roteiro exclusivo de aérea
Longe da mídia, muitas empresas tentam sobreviver a fortes crises
Nilson Brandão Junior - RIO
A Varig pode ser a maior, mas não é a única empresa a lutar pela sobrevivência neste momento. Outras tentam driblar a crise, evitar o fechamento e continuar no mercado. Algumas já foram tradicionais no seu setores, como CCPL (laticínios), Santa Matilde (material ferroviário) e Haga (fechaduras e ferragens). Em estágios diferentes, essas empresas, e a própria Varig, tentam ressurgir mais enxutas e viáveis.
Criadora há mais de duas décadas da marca "longa vida", hoje em domínio público, a CCPL (Cooperativa Central dos Produtos de Leite) foi minguando progressivamente, afundada em dívidas e execuções de bens, até parar em 2002. No último mês de abril, a unidade instalada em São Gonçalo, Niterói, voltou a produzir, depois de uma operação de venda de créditos acumulados de ICMS, autorizada pelo governo estadual.
"A empresa foi vítima de má gestão. Foi chegando a um ponto de execuções, penhoras e arrestos. Não conseguia cumprir os compromissos. Simplesmente parou", conta o atual diretor operacional, Flávio Tavares Fernandes, que integra o conselho de administração judicial. Ele explica que os créditos foram vendidos com deságio, uma parte foi aplicada na indústria e outra ficou com as cooperativas que formam a CCPL.
Hoje, trabalham 180 pessoas na mesma fábrica que, no passado, chegou a empregar 500 pessoas. Um deles é Edival Marins, 50 anos, que tinha 23 anos na empresa, quando a CCPL parou. "Não tinha mais emprego para mim no município. Fui para outro, a 100 quilômetros de distância", conta.
A CCPL voltou a produzir, mas mantém a pesada dívida de R$ 150 milhões. Mesmo assim, quer buscar a liderança no mercado do Rio em 2007 e alcançar o de São Paulo. Além do leite, a meta é oferecer leite em pó, iogurtes e bebidas lácteas.
Num estágio anterior, em Três Rios (RJ), a Companhia Industrial Santa Matilde, cuja falência foi decretada em outubro do ano passado, vislumbra a chance de ser transformada num distrito industrial, voltado ao setor ferroviário. O secretário local de indústria e comércio, Julio Cezar Rezende, conta que a MRS Logística e a Amsted Maxion já demonstraram interesse em entrar no projeto.
A MRS informa que o projeto inclui a construção de uma oficina de material rodante, para atender à demanda do setor. Entre as maiores fabricantes de material ferroviário do Brasil nos anos de 1970, a empresa chegou a empregar 4 mil pessoas. O próprio síndico da massa falida, João Batista Sales, conta que o processo judicial caminha lentamente, o que prejudica uma outra alternativa.
Na Varig, a solução foi a divisão da empresa em duas. Uma parte ficou com as dívidas e alguns ativos, dentro da recuperação judicial. A outra, com a quase totalidade das operações, foi vendida. O novo dono manterá, inicialmente, 1,7 mil dos quase 10 mil empregados, com promessas de futura expansão no quadro de pessoal.
Em concordata desde 1989, a Haga Indústria e Comércio, em Friburgo, passou a operar no sistema de autogestão. Depois de um período inicial com participação sindical na administração, chegou-se a um acordo entre o antigo dono e funcionários da empresa para que 72,7% do capital votante da companhia passassem para as mãos da Associação de Funcionários da Haga, desde 1993. Os votos levam em conta o tempo de casa dos funcionhários.
O presidente da regional da Firjan no município, Cláudio Tangari, conta que no caso da Haga, a Justiça se antecipou ao que determina a Lei de Recuperação Judicial e manteve a empresa operando. Sem crédito, a empresa foi acumulando capital para investir no necessário, depois do processo de reestruturação, que incluiu, por exemplo, a desativação da fundição.
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‘Cida do BBB’, comissária há 20 anos, engorda receita com curso de modelo
Cursos de manequim e modelo foram a opção encontrada por Aparecida Moraes, de 42 anos, há 20 anos comissária da Varig. Ela ganhou notoriedade em 2002, quando participou da segunda edição do programa de TV Big Brother Brasil, e ficou conhecida como a "Cida do BBB". Agora, participa de festivais de teatro e planeja retomar sua carreira. Cida chegou a ter um contrato de dois anos com a Globo. Parte do dinheiro que ganhou na época aplicou e pagou dívidas. "É desumana a maneira como estão dispensando as pessoas", diz Cida. A.K.
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Brasil inventa um novo jeito de vender carros: em shoppings
São Paulo já tem nove centros especializados com
lojas de veículos, acessórios, oficinas e lava-rápido
Cleide Silva
Praia de paulistano é o shopping center, costumam provocar os habitantes de outros Estados. Por comodidade, moradores da capital e da região metropolitana elegem os centros comerciais para compra de vestuário, alimentação, móveis e, agora, até de carros. Em menos de uma década, a Grande São Paulo ganhou nove shoppings especializados em veículos. Até o fim do ano, mais dois serão inaugurados.
Os auto-shoppings também influenciaram o comportamento do consumidor, com a idéia que automóvel novo se compra no fim de semana. É no sábado e no domingo que a maioria dos negócios é fechada.
O conceito adotado por todos os auto-shoppings é o de permitir ao cliente fechar o negócio em apenas uma parada. Além de carros, os shoppings especializados têm venda de acessórios, financeiras, seguradoras, despachantes, lava-rápido, oficinas, praça de alimentação, área de lazer e até pista de teste. Tudo isso aliado à sensação de segurança em uma área fechada e com estacionamento.
"O auto-shopping é uma peculiaridade do Brasil e em especial de São Paulo, maior centro consumidor do País", diz Alexandre Dias, diretor do grupo Internacional, que no dia 1º de setembro vai inaugurar em Guarulhos o décimo centro automotivo da região metropolitana. Nos EUA, por exemplo, há bairros dedicados ao comércio de carros, mas não é comum a venda em centros fechados.
INVESTIMENTO
Os nove auto-shoppings em funcionamento na Grande São Paulo reúnem 330 lojas que vendem em média 10,8 mil veículos por mês, além dos acessórios e da prestação de serviços.
O auto-shopping Internacional terá 74 lojas, 60 delas de carros e motos. A maioria é de lojistas independentes, que trabalha com modelos seminovos de todas as marcas. Por enquanto, há uma concessionária, a Vigorito, da General Motors. O investimento no projeto é de R$ 20 milhões e a expectativa é de vendas de 10 mil carros ao ano.
"O cliente procura facilidade, segurança e opções diversificadas", afirma. Segundo ele, o freqüentador de um shopping não vai ao local por impulso ou para passear. "Cerca de 75% dos que entram, compram."
O maior empreendimento nessa especialidade é o do grupo Cristal, com três shoppings em São Bernardo, no ABC, e nos bairros Santo Amaro e Penha, na capital paulista. A quarta unidade será inaugurado em novembro, atrás do Center Norte, também em São Paulo. Cada um reúne em média 28 lojas que vendem 3,6 mil veículos ao mês.
A primeira unidade do Cristal foi aberta em 2003. Desde então, tem sido uma inauguração por ano, diz Fernando Luiz Negrini, da área de marketing. Para a quarta filial estão previstos investimentos de R$ 9 milhões a R$ 10 milhões.
"As pessoas não querem mais se deslocar para comprar roupa, móveis nem carros", constata Marcos Sérgio Novaes, superintendente do Auto-Shopping São Paulo, no complexo Aricanduva, na zona leste. Inaugurado em 1997, foi precursor da tendência de levar o comércio de carros para dentro do shopping e é o único a reunir apenas concessionárias.
O centro tem 13 revendas das principais montadoras e vende 2,6 mil veículos ao mês. Também é o único a dispor de pista para o cliente testar o carro antes da escolha.
Com 60 lojas de veículos e 14 de serviços, o Global, inaugurado há seis anos em Santo André, no ABC, vende 1,5 mil carros ao mês. "Muitas lojas de rua migraram ou abriram filiais no shopping", diz Michelle Malfi, gerente de marketing.
O presidente da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun, diz que os centros especializados ainda estão concentrados em São Paulo, mas em breve vão se espalhar por outras regiões. Belo Horizonte (MG) e Rio (RJ) já têm unidades. Campinas e Ribeirão Preto serão os próximos.
A tendência vai além dos carros. O Motos & Aventura reúne 48 lojas de motocicletas e acessórios na alameda Barão de Limeira, tradicional reduto das duas rodas.
A idéia foi atrair o público que já freqüentava a região para um espaço mais confortável, diz o diretor José Renato Bonventi.
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Consumidor busca mais segurança na compra
Disposto a trocar seu carro, ano 96, por um modelo mais novo, o advogado Victor Martins Amério, de 24 anos, percorria sexta-feira os corredores do Auto-Shopping Vimave, na zona norte. Há um mês ele pesquisa preços. Já passou por várias revendas, mas achou que ali teria uma garantia a mais. "Se tiver algum problema após a compra, além da loja eu posso recorrer ao shopping", diz ele.
O shopping garante ao lojista uma segunda bandeira, concorda José Rinaldo Caporal, diretor da consultoria Megadealer, especializada em varejo.
Esse mercado gera muita desconfiança, pois nem sempre a procedência do veículo é conhecida. A segurança na compra passa a ser um chamativo, diz o assessor de marketing do Auto-Shopping Imigrantes, Alexandre D’Amato. Aberto há um ano na zona sul, o shopping tem 25 revendas de seminovos.
O auditor Clayton Santana de Souza, de 26 anos, procurava seu primeiro carro mas, ao pesquisar preços em shoppings e revendas, constatou que o melhor é poupar e comprar à vista.
Na busca pelo carro novo, o consumidor não tem mais de enfrentar chuva ou risco de assalto na ‘boca’, como é conhecida a região de venda de usados no centro da capital, afirma Sérgio Reze, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). "Os shoppings têm estacionamento e conforto."
Para o presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de São Paulo (Assovesp), George Chahade, a tendência de concentrar lojas vai evoluir, sem atrapalhar o comércio de rua. Há quatro anos a associação contava 8 mil lojas. Hoje são 14 mil.
Os 35 lojistas do Vimave, na zona norte, vendem 700 carros ao mês. No fim de semana, fez feirão com preços e juros especiais, prática comum entre as montadoras.
"No shopping as lojas se unem e fazem campanha conjunta, além de dividir custos com segurança e infra-estrutura", diz o superintendente Claudio Viravello.
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Gol negocia arrendamento de aviões da Varig
Empresa pode ficar com alguns Boeings 737 devolvidos às empresas de leasing
Nilson Brandão Junior - RIO
A Gol negocia com empresas de arrendamento aviões que eram da Varig. A informação foi confirmada pelo vice-presidente de marketing e serviços da Gol, Tarcísio Gargioni. O executivo não detalhou quantos jatos poderão ficar com a empresa. Independentemente destes jatos, a companhia já tem onze aviões encomendados que entrarão para a frota até dezembro, elevando para 62 o total da frota - 20 acima dos 42 do fim de 2005.
Ao ser questionado sobre o assunto, Gargioni limitou-se a confirmar a existência das negociações e que se tratavam de Boeings 737. Uma fonte do setor, porém, indicou que a ILFC está negociando dois 737-700, que já estariam numa oficina da TACA, em Costa Rica, para reconfiguração, e outros dois 737-800 da empresa GATX, já reservados para a Gol. Além desses, haveria a perspectiva de acordo para alguns Boeings 737-300.
Uma outra fonte explica que o preço do aluguel seria diferente, já que a Varig estaria pagando um pouco acima do mercado, porque era vista como uma empresa com risco financeiro maior. Sobre essa questão, o executivo da Gol também não forneceu detalhes, mas explicou que "uma empresa de baixo custo tem de negociar bem tudo o que compra, de um alfinete a um avião". Os onze jatos que fazem parte de encomendas anteriores serão Boeings 737-800, com 187 lugares.
PREÇOS MAIS BAIXOS
O executivo informou que a Gol fechou o mês de julho com uma taxa de ocupação de 84,3%, patamar considerado elevado no setor. Em julho do ano passado, a empresa havia registrado 79% de ocupação. Apesar da forte demanda, o executivo garante que a companhia não aumentou tarifas. "Essas percepções (de que os preços subiram) não são verdadeiras", disse.
O assunto veio à tona no mês passado, junto com as grandes filas de passageiros nos aeroportos e as dificuldades de conseguir lugar em alguns vôos e horários. Na sexta-feira, circularam informações de que o governo estaria disposto a fazer uma reunião interna para discutir o assunto.
Gargioni diz que não foi reduzida a quantidade de assentos com tarifas mais baixas no período. O que ocorreu, diz, é que as passagens para julho, mês de férias, são compradas com antecedência, geralmente com preços mais baixos. Para as compras feitas de última hora acabaram restando apenas os lugares com tarifas mais altas.
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Ribamar Oliveira - Dinheiro público pelo ralo
A União repassa recursos do Orçamento federal aos Estados e municípios por meio de convênios. A transferência dos recursos é voluntária, ou seja, não há lei que obrigue o governo federal a mandar o dinheiro. As famosas emendas que os deputados e senadores fazem ao Orçamento, para gastos em suas bases eleitorais, são executadas por meio de convênios. No primeiro semestre deste ano, o governo repassou R$ 3,4 bilhões aos municípios e R$ 3,5 bilhões aos Estados - o valor dessas transferências voluntárias já é superior ao que foi repassado em todo o ano passado.
Uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 30 prefeituras de Minas Gerais constatou que 26 delas cometeram irregularidades graves no uso de recursos repassados pelo governo federal por meio de convênios, 3 apresentaram falhas formais e em apenas uma não foi constatada nenhuma irregularidade.
Na auditoria, o TCU examinou apenas 121 convênios assinados por essas prefeituras mineiras com o governo federal, no total de R$ 10 milhões. Do total, R$ 4 milhões foram desviados ou não se conseguiu demonstrar a vinculação entre a obra ou serviço e o objeto do convênio. Essa é uma pequena amostra do que tem acontecido com o dinheiro do contribuinte, quando ele é transferido pela União aos municípios por meio dos famosos convênios.
As irregularidades constatadas pelo TCU abrangem a apresentação de nota fiscal falsa nas prestações de contas, montagem e direcionamento das licitações, conluio, participação de empresas nas licitações que não têm sequer registro na junta comercial ou que inexistem fisicamente e pagamento a pessoas físicas ou jurídicas sem qualquer vínculo com o contrato.
O mais grave de tudo isso, no entanto, é que o TCU constatou que um número expressivo de convênios, nos quais foram encontradas irregularidades graves, haviam sido aprovados pelos Ministérios e órgãos públicos que concederam os recursos. A partir dessa constatação, o Tribunal determinou a realização de auditorias em 10 órgãos que repassam recursos aos Estados e municípios: os Ministérios da Cultura, Esporte, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Integração Nacional, a Caixa Econômica Federal (CEF), a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o Fundo Nacional da Saúde.
Os auditores do TCU encontraram um quadro caótico, com milhares de convênios sem prestações de contas apresentadas pelos municípios e outras milhares de prestações a espera de análise pelos Ministérios que repassaram as verbas. Segundo os auditores, o Ministério do Esporte e Turismo levará 24 anos para analisar todo o estoque de prestações de contas de convênios pendentes, no ritmo atual de análise; o Ministério da Cultura levará 21 anos, o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, 6 anos e o Fundo Nacional da Saúde, 2 anos. Para agravar o quadro, a mera apresentação das prestações de contas, sem que o Ministério concedente comprove a regularidade da aplicação do dinheiro, habilita o município a receber novos recursos da União.
A conclusão do TCU foi a de que a recorrência dessas falhas, nas transferências de recursos federais por meio de convênios, "aponta para deficiências estruturais dos órgãos repassadores, controles inexistentes ou ineficientes e falta de servidores habilitados a analisar e fiscalizar a descentralização de recursos em número compatível com o volume de instrumentos celebrados". E acrescenta: "Essa situação tem se mantido ao longo do tempo, não obstante as recomendações da atual Controladoria-Geral da União (CGU) e decisões desta Corte".
No dia 25 de maio último, os ministros do TCU deram um prazo de 180 dias para que o Ministério do Planejamento e todos os 10 Ministérios e órgãos auditados apresentem estudo com a identificação dos recursos humanos e materiais mínimos necessários à sua boa atuação nas três etapas de controle da transferência voluntária de recursos e o cronograma para que as medidas sejam implementadas. Todas as informações aqui divulgadas constam do relatório e voto do ministro Augusto Sherman Cavalcanti, do TCU, que faz parte do acórdão 788/2006 Plenário, e que pode ser lido no endereço
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Opinião - Mais uma jogada dos aventureiros
Marco Antonio Rocha*
No dia 26 de junho publicamos, neste espaço, o artigo O arrombamento das instituições, expondo nossos temores de que muita gente, no PT e no governo, alimenta o temerário plano de se aproveitar das muitas frustrações da população brasileira, com a política em geral e com a administração em particular, para propor soluções salvacionistas - ao estilo Chávez, da Venezuela - e, assim, nos encaminhar para um regime que os eternize no poder, com total beneplácito do presidente, que vive dizendo que quatro anos é pouco para fazer tudo o que tem em mente em matéria de grandiosos serviços em prol da Nação.
Muitos leitores nos enviaram e-mails se dizendo também atentos aos sinais dessa armação e preocupados com ela.
Certamente, esses mesmos leitores, e muitos mais, perceberam, na semana passada, o macabro balão de ensaio arranjado por S. Exa. para testar a viabilidade das suas pretensões. Falo do episódio em que estranho grupo de prestativos advogados se abalou para ir ao encontro do presidente em seu gabinete, em plena tarde de quarta-feira (notem bem!), com algumas idéias sobre como arrochar os trabalhos das CPIs - a pretexto de torná-las mais eficientes - e para instituir uma Assembléia Nacional Constituinte, com a atribuição exclusiva de implantar uma reforma política por meio de mudanças na Constituição vigente. Não é de estranhar que as sugestões dos very concerned councels acolhessem, obedientemente, as críticas que Lula já fez, em diversas ocasiões, às CPIs e à Constituição - o que lhe permitirá dizer que não são dele as idéias e propostas, e sim de ilustres causídicos.
Ah, sim, a coisa toda tem de contar com a aprovação da OAB e obedecer ao "clamor público". Este é fácil de se aferir, basta convocar um plebiscito com a pergunta: "Você acha que o Brasil precisa de uma reforma política?" - e a adesão será de quase 100%. A "aprovação" da OAB também não é difícil, pois, como já dissemos no artigo anterior, é sempre possível encontrar juristas ilustres ansiosos para formar "no escrete dos garimpeiros de doutrinas legitimadoras de interrupções da democracia".
Na verdade, o clamor público contra a pérfida armação já teve início na semana passada mesmo, por parte dos brasileiros e brasileiras mais perceptivos das coisas da política, a começar da nossa colunista especializada Dora Kramer, que acompanha muito competentemente, e sem perder de vista, os ademanes nada sutis da matilha de candidatos a gauleiters do futuro regime com o qual não cessam de sonhar. Regime que imaginam ser de "despotismo esclarecido" e benevolente, à semelhança daquele que implantaram dentro do próprio PT e que consistiu - como todos os petistas de boa-fé acabaram percebendo - numa ditadura férrea da cúpula sobre quem dela discordasse e num tratamento benevolente aos fiéis companheiros que "errassem", ou seja, que fossem pilhados batendo carteiras. Mas só a estes, porque aos petistas que se escandalizaram com a bateção de carteiras, puseram a boca no trombone, tentaram corrigir as malfeitorias e até, ingenuamente, alertaram a cúpula partidária o tratamento dispensado foi muito outro: desde a expulsão sumária até o "justiçamento", como obviamente ocorreu com pelo menos dois prefeitos.
Preocupamo-nos, todavia, com o fato de que o clamor público contrário à soez jogada tenha ficado restrito quase que apenas a alguns comentaristas da imprensa escrita, cujo alcance é, sem dúvida, menor que o das TVs e emissoras de rádio. Estas se incumbiram do velho papel de correias de transmissão dos balões-de-ensaio do Planalto: puseram-se a montar programas de debates das "idéias dos juristas", dando seus microfones e câmeras para que outros juristas discutissem os prós e os contras das sugestões e seus aspectos técnicos e legais. Como se fosse esse o chamado cerne da questão. Mas não tomavam posição no assunto, nem apontavam, com sua própria voz, o grande risco institucional aí embutido.
Certamente, o estado-maior do governo que conduz o plano de reinstitucionalização do País já providenciou pesquisas para saber como repercutiram na opinião pública em geral, nas elites e no povão, as sugestões de amordaçar as CPIs e de reformar a Constituição ("para acabar com a corrupção"!!). Com base nos resultados dessa pesquisa, novos passos serão dados na mesma irredutível direção.
O presidente Lula, que se dirá alheio ao que está por trás dessa manobra, uma vez que nunca sabe nada sobre o que seus companheiros e partidários tramam, já apoiou (sic!) a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva para a reforma política - claro!, porque só esta interessa aos seus propósitos, por enquanto. E explicou que os atuais deputados e senadores, em meio ainda à turbulência das CPIs e da campanha eleitoral, "não teriam isenção" necessária para esse trabalho e, além disso, legislariam em causa própria. Ficamos até tentados a imaginar com qual grau de isenção S. Exa. assina medidas provisórias e se nunca legisla em causa própria quando as baixa. Certamente, não, pois sempre age com altruísmo, em prol da Nação!
Mas as observações do nosso guia genial não repercutiram bem entre os inquinados, isto é, deputados e senadores. O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, denodado combatente e aliado de Lula, apressou-se a dizer, com outras palavras, naturalmente, "deixa isso pra nós, ó amado Mestre!" As palavras que realmente usou foram as seguintes: "Embora a expectativa da reforma política seja um clamor nacional (já avalizando a iniciativa*) e o presidente Lula partilhe dessa preocupação, para essa finalidade não precisamos de Assembléia Constituinte (ou seja, deixa comigo*)."
Já o líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), acha que, se o próprio Congresso puder aprovar a reforma política, melhor. Mas, se não for possível, uma Constituinte específica deveria ser convocada. O que deixa a porta aberta para a tal convocação, uma vez que dificilmente a reforma seria aprovada nesta legislatura, a despeito do otimismo do presidente da Comissão da Reforma Política na Câmara e líder do PSB, o deputado Alexandre Cardoso (RJ), que já teria as assinaturas de todos os líderes para que ela seja votada em regime de urgência, em novembro.
Dada a admiração inegável de Lula por Fidel Castro e por Hugo Chávez, faço minhas, para finalizar, as palavras do deputado José Carlos Aleluia: "É evidente que essa Constituinte deve ser evitada para que não caminhemos para o presidente vitalício."
Tomara que já tenha sido evitada. O que não matará novas tentativas.
(*) Comentários meus.
*Marco Antonio Rocha
é jornalista. E-mail: marocha
@estado.com.br
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Carlos Alberto Sardenberg*
Costuma-se dizer que eleições oferecem oportunidade de debate dos grandes temas. Deveria ser assim, já que esse é o momento sagrado da democracia. Um erro aí - e sabemos como os eleitores podem errar - e são pelo menos quatro anos de purgação.
Mas considere o tema da Previdência do regime do INSS. Uma nova reforma é inescapável, dado o tamanho crescente do déficit. Ora, o que é reforma da Previdência aqui ou em qualquer outro lugar do mundo? De imediato, é pura maldade. É fazer com que as pessoas trabalhem mais, paguem mais e se aposentem mais tarde, com pensões limitadas. Ora, diria qualquer marqueteiro, isso é coisa que se diga ao eleitor quando se está pedindo o voto dele?
Considere ainda o tema do gasto público. Todo eleitor tem algo a pedir ao governo, algo que representa despesa. Por exemplo, segurança - aliás, uma das principais demandas de hoje -, o que significa mais policiais, melhores salários, equipamentos novos e assim por diante. Ou mais escolas. Mais hospitais. Estradas boas.
Cada setor econômico também tem suas próprias demandas. A agricultura precisa de mais investimentos em defesa sanitária - o que é muito justo e importante para o conjunto do País. Um surto de febre aftosa derruba as exportações de carne, reduz os negócios, prejudica um monte de gente. Já imaginaram o desastre que seria uma gripe aviária aqui, neste país campeão de produção e exportação de frangos?
Ao mesmo tempo, todos os eleitores, sem exceção, têm uma justa reclamação contra a enorme quantidade de impostos que pagam, direta ou indiretamente. Este é um tema que anima os marqueteiros e muitos candidatos, especialmente aqueles com pouca chance de ganhar. Propor a redução de impostos - isso dá palanque.
Mas não fecha com a reivindicação, também generalizada, de aumento nas bondades do governo, que representa mais gasto e, portanto, requer mais impostos ou corte de gastos em outras áreas, afetando clientelas diferentes.
Na verdade, essas contradições deveriam ser explicitadas no debate eleitoral, de modo a se pôr a questão nos termos exatos: topamos pagar mais impostos para ter melhores escolas? Ou, para pagar menos impostos, quais despesas devem ser eliminadas?
Ocorre, porém, que candidatos inviáveis - os que não têm chances - prometem entregar tudo e não cobrar nada. Mesmo candidatos viáveis, mas que estão atrás nas pesquisas, se arriscam com promessas impossíveis - bondades supremas -, só para pôr os primeiros colocados na desconfortável posição de negá-las.
É o caso, por exemplo, das tentativas do PFL e do PSDB de aprovar um inviável reajuste de 16% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo. É só para obrigar o presidente Lula a ficar contra essa medida.
Mas suponha que Geraldo Alckmin, da coligação liberal-tucana, venha a eleger-se presidente. Os aposentados terão todo o direito de esperar pelo reajuste. Mas que não será concedido, tudo isso contribuindo para a desmoralização da política, das campanhas e dos políticos.
Por isso muitos candidatos viáveis simplesmente tratam de fugir de certos temas, para evitar compromissos. Isso poderia ser resolvido com os debates entre candidatos, mas as regras muito fechadas, impostas pela Justiça Eleitoral, limitam o alcance desse instrumento.
Restam, assim, as entrevistas individuais concedidas a jornalistas. Neste caso, é possível confrontar o candidato com os temas mais importantes e apresentar compromissos para serem assumidos ou driblados - com conseqüências em qualquer caso. Considerando que a TV é a mídia mais abrangente do País, está aí bem posta a responsabilidade dos jornalistas desse meio. Vamos ver como anda a coisa.
De todo modo, no quesito política econômica, há uma questão-chave: a redução dos gastos públicos. Doze anos atrás, o País tinha um enorme e não medido déficit público, hiperinflação e uma dívida externa muito grande. Boa parte desses problemas macro está superada.
As contas públicas foram controladas, a responsabilidade fiscal está instituída em lei, a dívida geral do setor público, depois de uma escalada, está finalmente em queda, quando medida em proporção do produto interno bruto. A dívida externa pública está em processo de extinção. A inflação deste ano está rodando abaixo da meta de 4,5%, consolidando-se o regime de metas com um Banco Central (BC) independente na prática. (A propósito, eis outro tema muito importante, a lei de autonomia do BC, mas que os marqueteiros consideram um assunto sem apelo e perigoso.)
A questão nacional é: por que, com todo esse avanço macroeconômico, o País não cresce mais? Num lado do debate estão os que vêm o problema justamente nos avanços. Para estes, o Brasil não cresce porque o governo é muito rigoroso no combate à inflação e no controle dos gastos públicos. Portanto, e isso precisaria ficar claro no debate, acham que tudo se resolveria com um pouco mais de inflação e mais gasto público.
Uma estupidez. Simplesmente, não há país que tenha crescido assim. Basta olhar em torno para encontrar países ainda mais duros no controle da inflação e das contas públicas - e crescendo mais que o Brasil.
O que remete ao problema que muitos políticos não querem enfrentar: o setor público é demasiado grande para o tamanho do País, gasta muito e mal e, por isso, precisa tomar muitos empréstimos e arrecadar enorme quantidade de impostos. Ou seja, é preciso reduzir o gasto e o tamanho do Estado, isso incluindo reforma da Previdência.
Eis o que falta: lideranças políticas que acreditem nisso e sejam capazes de transmitir ao eleitorado a idéia de que algumas medidas, hoje vistas como maldades, são necessárias para gerar crescimento, bondades, mais à frente.
*Carlos Alberto Sardenberg é jornalista. Home page:
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Opinião - A dificuldade de medir danos
Antonio Penteado Mendonça*
Faz mais de 30 anos que os riscos de responsabilidade civil estão na ordem do dia das seguradoras dos países do primeiro mundo. A razão para isto foi a explosão de ações desta natureza nos Estados Unidos, ainda na década de 1970.
Daí para frente, a discussão aumentou, com os sinistros se alastrando pelo mundo, com exemplos como Bophal, na Índia, Chernobil, na antiga União Soviética e Three Miles Island, nos EUA, dando uma nova dimensão para este tipo de dano.
Atualmente, ninguém sabe quantificar o tamanho do dano máximo possível decorrente de um sinistro de responsabilidade civil. Qual o valor que um sinistro envolvendo uma usina nuclear pode atingir? Para dar um parâmetro, as indenizações calculadas para os danos decorrentes do acidente de Chernobil, se a antiga União Soviética contratasse seguros, seria de mais de US$ 100 bilhões. Com um detalhe: Chernobil não era situada numa região de forte concentração humana e alta capacidade de geração de renda.
Trazendo a questão para um universo mais próximo, qual o tamanho do sinistro máximo decorrente de uma ruptura da barragem de Itaipu? Será possível quantificar a destruição provocada pela água antes de atingir o mar, incluindo boa parte da cidade de Buenos Aires?
Reduzindo mais o espectro, a cidade de São Paulo recebe todos os dias dezenas de caminhões transportando cargas perigosas. Qual seria o tamanho dos prejuízos causados pelo vazamento de um gás tóxico letal, numa das marginais? Não faz muito tempo a cidade assistiu, ou melhor, sentiu o cheiro das conseqüências de um acidente envolvendo um produto tóxico usado para chamar a atenção para um eventual vazamento de gás de cozinha.
E por aí a toada vai. Os sinistros de responsabilidade civil podem causar danos desproporcionais à sua causa. O tombamento de um caminhão é um prejuízo barato, mas se ele transporta um gás ou substância altamente tóxica que escapa, qual o valor dos prejuízos? E se em vez de escapar um gás, houver uma explosão, qual o custo das vidas humanas, acrescido das perdas materiais e patrimoniais decorrentes da explosão?
E se este sinistro envolver a usina nuclear de Angra 1, qual o total dos prejuízos com a morte imediata, mais a morte a longo prazo de milhares de pessoas, mais a destruição de milhares de casas, além da interdição para qualquer uso da região por vários anos, mais os danos ambientais de toda sorte, e os lucros cessantes, decorrentes apenas da interrupção do turismo? São valores inquantificáveis, mas que podem se tornar realidade, o que faz do seguro de responsabilidade civil a proteção obrigatória para qualquer um que tenha a propriedade, a posse ou manuseie qualquer tipo de produto ou bem com capacidade de causar danos em massa.
Mas será que o escrito até aqui não abre outros tipos de preocupação? Será que o proprietário de um automóvel pode ter certeza de que não se envolverá num acidente com alguém de altíssimo poder aquisitivo? Será que o dono de um apartamento com um vaso de samambaia pendurado no terraço pode ter certeza que ele não vai cair na cabeça de alguém passando na calçada?
Responsabilidade civil começa em atos tão simples e tão banais quanto derramar café no carpete do amigo ou sentar em cima dos óculos do vizinho. O prejuízo está lá e tem de ser indenizado. O problema é que estes danos podem tomar um vulto tal, que o patrimônio do seu causador é insuficiente para pagar só um pedaço das perdas. Para evitar isto, a ferramenta se chama seguro.
*Antonio Penteado Mendonça é advogado, professor da FIA/FEA-USP e da FGV-SP e titular da Academia Paulista de Letras. E-mail: advocacia@penteadomendonca.com.br
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Real forte impulsiona comércio popular
Importação de produtos baratos da China deve crescer 66%
em volume neste ano, segundo associação do setor
Faturamento estimado para este ano deve chegar a R$ 11 bilhões
contra os R$ 9 bilhões registrados pelo setor em 2005
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A valorização do real sobre o dólar que tanto angustia os exportadores tem feito a alegria dos importadores de produtos populares. A indústria dos "made in China" deverá despejar no Brasil neste ano 200 milhões de unidades que vão desde brinquedos a utensílios domésticos e produtos de decoração. Isso representa 66% a mais do que os 120 milhões registrados em 2005. Os cálculos são da Abipp (Associação Brasileira de Importadores de Produtos Populares).
São mais de 5.000 tipos diferentes de produtos. Todos fabricados na China, chegam por meio de empresas importadoras para abastecer cerca de 50 mil lojinhas em todo país. Esse comércio popular conquistou a simpatia dos consumidores, há cerca de dez anos, com a oferta de bugigangas a R$ 1,99. De lá para cá, o dólar subiu e o preço saltou para uma média de entre R$ 3 e R$ 5.
Diante desse cenário, foi preciso investir em itens de maior qualidade para reconquistar a clientela e tentar reverter a fama de quinquilharias baratas e ruins. Nos últimos dois anos, a valorização do real ajudou nessa estratégia. Hoje, com a economia voltando a crescer, esse segmento comemora a conquista de novos consumidores.
"Hoje os produtos importados populares são opção de compra não apenas para as classes C, D e E [de renda mais baixa]. A classe B também começa a buscá-los como alternativa de consumo", afirma Gustavo Dedivits, presidente da Abipp, criada há um pouco mais de um ano.
Resultado: o faturamento anual de R$ 9 bilhões em 2005 deverá alcançar R$ 11 bilhões neste ano, segundo as projeções da entidade que conta com 28 importadoras associadas. Com isso, as receitas do setor mantêm o ritmo de crescimento de 20% ao ano, já que, em 2004, o faturamento foi de R$ 7,5 bilhões.
Isso leva o segmento de importados a representar 40% do faturamento do setor de produtos populares que movimenta cerca de R$ 27,5 bilhões, segundo Dedivits. Em dezembro do ano passado, esse percentual era de 35%.
A concorrência com os nacionais, no entanto, não é nenhum problema. "Não compramos produtos que são fabricados aqui no Brasil. Embalagens plásticas, bacias e toda essa linha, por exemplo, não vale a pena trazer. As produzidas no país são baratas e de boa qualidade", diz ele.
Neste ano, a Copa do Mundo e as eleições são estímulos adicionais para o segmento que vive de datas comemorativas como Dia das Mães, dos Pais, das Crianças e o Natal.
"Muitos apostaram alto na Copa e investiram em cornetas, chapéus, bandeiras. Na época, até um pau pintado de verde e amarelo vendia", afirma. Com a saída do Brasil mais cedo do que o esperado, os produtos verde e amarelo levaram números vermelhos para o balanço das empresas, já que ficaram encalhados.
Numa proporção bem menor, a disputa eleitoral pode ajudar a recuperar parte desse prejuízo. "A campanha política pode colaborar para venda de canetas ou outros itens", diz Hélio Perazzolo, que também integra a Abipp.
Independentemente disso, a aposta agora é no Dia das Crianças e nas festas de fim de ano, quando esses importadores pretendem inundar o país de brinquedos e enfeites importados e, para isso, reforçam as encomendas.
Cenário macroeconômico
Os sobressaltos no cenário internacional ou mesmo as recentes medidas do governo para tentar conter a desvalorização do real e até gerar uma apreciação do dólar são acompanhados de perto mas não são vistos com tanta preocupação. Se o real perder valor, os produtos encomendados -que chegarão e serão pagos em etapas- ficarão mais caros. Se não conseguirem repassar o aumento para o valor cobrado dos consumidores, importadores e comerciantes terão prejuízo.
"Nossa preocupação é com a China. No mais, o produto popular veio para potencializar o consumo das classes de renda mais baixa, criar competição e inibir o aumento dos preços no mercado interno", diz Dedivits.
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"Tudo na China é barato", afirma empresário do setor
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Aos 36 anos, o empresário Aparecido de Oliveira Cruz, que começou a trabalhar aos 12 anos carregando mercadoria de clientes nas feiras de São Paulo, nunca tinha viajado para fora do país. O ano era 1999, e o primeiro destino escolhido foi a China. Depois de largar a feira, pular do ramo de fabricação de moldes de injeção para bijuterias e ter uma loja na rua de compras 25 de Março, ele já se dedicava há três anos à importação de produtos populares.
"Foi uma loucura. Não falo a língua deles, passei fome, não gostei da comida e estranhei tudo", lembra. Ainda assim, ficou 20 dias por lá e, com a ajuda de uma intérprete que o acompanha até hoje nas viagens, voltou cheio de brinquedos, utensílios domésticos e objetos de decoração para revender no Brasil.
Atualmente, aos 43 anos, separado e pai de três filhos, Aparecido é um dos 28 empresários que dão fôlego à Associação Brasileira de Importadores de Produtos Populares (Abipp), criada há pouco mais de um ano.
Apesar de afirmar que seu negócio é "de alto risco", por causa da oscilação da taxa de câmbio que pode encarecer suas compras de uma hora para outra, Cruz aposta que não há muito espaço para o real se desvalorizar muito frente ao dólar no curto prazo.
Foi com essa certeza que ele passou 45 dias na China há dois meses escolhendo mercadorias que serão distribuídas nas cerca de 10 mil lojas no país que são suas clientes. O investimento foi alto: US$ 250 mil. Os produtos virão aos poucos para o Brasil ao longo dos próximos 6 meses.
O foco é o Dia das Crianças e o Natal. Até o final do ano, ele voltará para novas compras na China. "Já estou pensando no Dia das Mães do ano que vem. Nesse ramo, temos que nos programar com muita antecedência", explica. As viagens à China, no mínimo duas por ano, custam cerca de 0,3% do faturamento e compensam porque "tudo lá é barato".
Com a valorização do real, o negócio ganhou impulso maior. "A situação nos Estados Unidos nos deixa um pouco com o pé atrás. Não vejo o Brasil com essa melhora toda que falam. Ainda somos vulneráveis. Mas não sofro por antecipação. Não vejo uma reversão no quadro no curto prazo", diz. Ao contrário, ele aproveita a valorização do real para investir em produtos mais caros e de mais qualidade.
"Se o dólar disparar, paro de trazer alguns itens. Em vez de um relógio de dez polegadas, trago o de sete. Em vez da bailarina de 15 centímetros, trago uma de dez", argumenta o empresário que compra produtos com valores a partir de R$ 0,50 e se diz conservador nesse ramo. "Por isso não investi na Copa do Mundo. Não vendo de quatro em quatro anos", diz.
Para Cruz, depois do "boom" iniciado entre os anos de 1995 e 1996, o segmento de produtos populares mudou para um patamar de melhor qualidade. Com isso, defende, o crescimento do faturamento anual do setor vem se dando por conta não só do aumento da quantidade mas também da qualidade dos produtos.
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País deve subir em ranking de exportadores, calcula governo
CLÁUDIA DIANNI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério do Desenvolvimento calcula que o aumento das vendas neste ano levará o país a saltar três posições no ranking mundial dos maiores exportadores. Atualmente o Brasil ocupa a 23ª posição na lista da OMC (Organização Mundial do Comércio). Se as previsões do governo se confirmarem, passará a ser o 20ª, passando a Áustria, a Suíça e a Suécia.
O cálculo é do secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat. Segundo ele, o aumento consistente da média diária das exportações e os crescentes resultados mensais da balança comercial são as evidências de que o Brasil subirá no ranking.
De acordo com Meziat, se o país mantiver a atual média diária de exportação, de cerca de US$ 500 milhões, como vem ocorrendo nos últimos meses, vai chegar ao fim do ano exportando acima de US$ 11,5 bilhões por mês. "Mantido esse ritmo vamos alcançar a meta de exportar US$ 132 bilhões neste ano, o que será suficiente para subirmos no ranking", afirma.
No ano passado a Áustria, a Suécia e Suíça aumentaram suas exportações em 4,2%, 5,4% e 6,2% respectivamente, enquanto as vendas do Brasil subiram 22,6%. As vendas brasileiras cresceram 15% no ano.
Assim como no ano passado, as exportações do país estão crescendo acima do comércio mundial, que aumentou 11% neste ano. Para especialistas do setor, a conjuntura atual de preços e a liquidez na economia mundial justificam o otimismo do secretário. O problema, porém, é de sustentabilidade.
Na avaliação do vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, é razoável apostar na manutenção da média de exportação diária de US$ 500 milhões até o fim do ano, mas ele não apostaria nesse mesmo patamar nos próximos anos, caso o Brasil não diversifique mais sua pauta exportadora, agregando mais valor aos produtos exportados.
"Os preços dos commodities estão muito altos, e as vendas brasileiras também estão sendo ajudadas pelo aumento do preço do petróleo. Neste ano o país estreou como um dos grandes exportadores de petróleo, com o aumento da produção da Petrobras", disse.
As vendas de petróleo e óleos combustíveis aumentaram 120% no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. Além disso, os preços da soja, do açúcar e do minério de ferro estão muito altos, mas isso é conjuntural. Somos refém dos preços das commodities, disse.
Nos últimos seis anos o Brasil saiu de uma posição em que era responsável por 0,8% do comércio mundial para 1,1% no ano passado, segundo a OMC.
Meziat reconhece que o país está sendo ajudado por fatores conjunturais de preços.
Segundo ele, a valorização do real cria problemas para alguns setores exportadores, mas ao mesmo tempo a estabilidade do câmbio ajuda a planejar negócios. "Se o câmbio começar a afetar todos os setores, o governo terá de fazer algo, mas isso não está ocorrendo."
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Folhainvest - Calote em banco sobe 66% desde 2005
Aumento da inadimplência da pessoa física cresce junto com
elevação de 31% do volume de crédito do sistema financeiro
Apesar de provisões para dívidas não pagas, bancos registram lucros
recordes graças a "spread" elevado e maior volume emprestado
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Os lucros alcançados pelos grandes bancos não param de bater recordes. A ampliação da oferta de crédito após 2004, especialmente para a pessoa física, tem sido o principal motor dos resultados crescentes. Mas esse movimento começa a cobrar seu preço, com o crescimento da inadimplência.
Dados do Banco Central mostram que o volume de crédito inadimplente, com atrasos acima de 90 dias, cresceu de R$ 15,81 bilhões em dezembro de 2004 para R$ 26,27 bilhões em maio último -um aumento de 66,2%. No período, a carteira de crédito total do sistema financeiro foi de R$ 499,60 bilhões para R$ 654,68 bilhões -expansão de 31,04%.
"Os bancos passaram a explorar um segmento de maior risco, que é o de pessoa física. Mas as instituições sabem que se por um lado há risco de inadimplência mais elevado, por outro os "spreads" são mais atrativos", avalia Erivelton Rodrigues, presidente da consultoria Austin Rating.
O "spread" é a diferença entre o custo do dinheiro na hora de o banco captar recursos e o valor que cobra quando o empresta. Um exemplo: um banco emite um CDB (Certificado de Depósito Bancário) pagando taxa de 20% anuais. Quando decide emprestar o dinheiro captado com a venda do CDB, por meio do crédito pessoal, cobra do cliente taxa de 70% ao ano. Isso é o "spread".
Considerando como percentual da carteira total do sistema, a inadimplência do setor bancário subiu de 3,1% para 4,01% entre o fim de 2004 e maio deste ano.
Em seu balanço divulgado na semana passada, o Itaú mostrou que a inadimplência no segmento pessoa física aumentou de 6,5% para 7,1% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. Sílvio de Carvalho, diretor do Itaú, afirmou que a inadimplência levou o banco a desacelerar um pouco a concessão de crédito na Taií, a financeira do Itaú direcionada ao público de mais baixa renda.
Os bancos têm ampliado de forma consistente suas carteiras de crédito nos últimos anos, permitindo que até as categorias que oferecem as menores garantias de pagamento se ampliassem consideravelmente.
A carteira da categoria catalogada pelo BC como de risco H -com as maiores chances de calote- deu um saldo 52,6% do fim de 2004 para maio deste ano, atingindo R$ 24 bilhões. No mesmo período, a carteira de menor risco, que vão do nível AA a C, subiu 30,5%.
Os analistas avaliam que os bancos sabiam dos maiores riscos da mudanças, mas que entenderam que a possibilidade de ganhos maiores -com os juros mais elevados cobrados desses segmentos de risco maior- compensaria. Os lucros recordes mostram que estavam certos.
"O que os bancos ganham com o "spread" cobrado da pessoa física compensa o aumento da inadimplência", avalia Jason Vieira, da UpTrend Consultoria Econômica.
O Itaú, segundo maior banco privado do país segundo o Banco Central, anunciou na semana passada crescimento de 19,5% em seu lucro semestral, que alcançou os R$ 2,958 bilhões. Hoje é a vez de o Bradesco divulgar seus resultados. Analistas esperam que o lucro do maior banco privado do país seja um pouco maior que o do Itaú e que a inadimplência, principalmente para o segmento de varejo, suba.
Roberto Luis Troster, economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), diz que, por enquanto, a inadimplência "não representa um problema para os bancos". "De acordo com que [os bancos] vão entrando mais para o varejo é esperado que aumente um pouco [a inadimplência]."
Junto à escalada da inadimplência, os bancos têm ampliado as provisões -recursos que servem de proteção para os créditos de liquidação duvidosa.
O BC obriga os bancos a fazerem provisões como forma de evitar que o sistema quebre caso muita gente deixe de pagar os empréstimos. Elas aumentaram de cerca de R$ 31 bilhões no começo de 2005 para R$ 45 bilhões em maio deste ano -elevação de 45%.
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Taxas elevadas garantem os lucros recordes
DA REPORTAGEM LOCAL
Apesar de a taxa básica de juros, a Selic, estar em seu mais baixo nível (14,75% anuais) desde sua criação, em 1986, os juros pagos pela pessoa física e empresas em empréstimos ainda são extremamente altos. No crédito pessoal, a taxa média caiu de 71,17% em janeiro de 2005 para 62,16% agora, segundo o Banco Central.
Considerando essa taxa, se uma pessoa tomar emprestado R$ 5 mil, pagará em um ano, só de juros, R$ 3.108. Assim, a taxa média do crédito pessoal está quase 50 pontos percentuais acima da Selic.
Assim, mesmo com a inadimplência maior, os bancos não têm tido problemas para lucrar.
Os bancos alegam que um dos problemas para reduzir suas taxas é o alto nível de inadimplência. Assim, o volume maior de inadimplentes pode reforçar esse argumento, apesar do ministro da Fazenda, em entrevista na Folha ontem, ter dito que irá pressionar as instituições pela redução dos "spreads" . (FV)
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Depois da internet, banco quer atender o cliente via celular
GILSON SCHWARTZ
ESPECIAL PARA A FOLHA
O dinheiro e as operações financeiras, como pagamentos e investimentos, devem funcionar cada vez mais como processos digitais e portáteis, com destaque para o celular.
A tendência foi a principal novidade debatida no 1º Congresso Brasileiro de Meios Eletrônicos de Pagamento, promovido pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) na semana passada em São Paulo.
Representantes das operadoras de telefonia celular e do sistema financeiro revelaram no encontro novos modelos de negócios e atendimento aos clientes do setor.
O Banco do Brasil é a instituição que mais avançou nos últimos dois anos, automatizando e digitalizando 90% das relações com o cliente.
Apenas uma em cada dez operações do banco exige a participação de funcionários. O resto já é feito pelos clientes usando caixas automáticos, internet, pontos de venda ou celulares e assistentes digitais portáteis (250 mil clientes já adotaram o banco móvel).
Torpedos
Segundo Raul F. Moreira, gerente-executivo do BB, chegam a 600 mil os avisos via torpedos relacionados a transações todos os meses. Metade dos clientes já opera preferencialmente por meio de caixas eletrônicos e 30% realizam suas operações pela internet.
Entre os que já usam o celular, cerca de 20% são proprietários de aparelhos com carga pré-paga -aliás, é na recarga dos aparelhos que está um dos filões do modelo adotado pelo Banco do Brasil.
Ainda não existe um modelo de negócios definitivo. Várias possibilidades têm sido exploradas, do envio de SMS confirmando uma transação por cartão de crédito ao uso do próprio aparelho celular como uma espécie de porta-moedas digital, interagindo com novos tipos de aparelhos para leitura.
Sistemas de pagamento totalmente móveis e digitais, sem necessidade de emissão do tradicional cartão de plástico, também foram exibidos e discutidos no evento. Entre os desafios tecnológicos está o de alcançar a instantaneidade da transação por torpedos.
Dependendo da qualidade da cobertura ou da intensidade do tráfego, a mensagem pode não chegar na mesma hora ao comprador ou vendedor.
As operadoras prometem investir em tecnologia para evitar quedas de rede em horas de pico e assegurar confiabilidade do sistema.
GILSON SCHWARTZ, economista e sociólogo, é professor de economia da informação na ECA-USP.
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Invest - Bolsa ganha se EUA pararem alta de juros
Para analistas, mesmo se Fed interromper trajetória,
pausa deve ser curta por causa das pressões inflacionárias
Japão define na quinta-feira se faz novo aumento de sua taxa básica após
elevá-la para 0,25%; na Europa, novo aumento é esperado MARIA CRISTINA FRIAS
DA REPORTAGEM LOCAL
Analistas de instituições financeiras norte-americanas estão muito divididos em relação à decisão que o Fed (Federal Reserve,o banco central dos Estados Unidos) toma amanhã.
Juros futuros nos EUA refletem essa incerteza, ao apontar para uma probabilidade entre 40% e 45% de o comitê de política monetária (Fomc) subir a taxa novamente em 0,25 ponto percentual, para 5,5%.
É a primeira vez, desde que começou o atual ciclo de aperto monetário, há dois anos, que o mercado demonstra tanta dúvida em relação ao futuro da taxa, às vésperas de uma reunião do Fed.
Há algumas semanas, a maior parte dos analistas afirmava esperar mais uma elevação de juros de 0,25 ponto percentual, depois de 17 aumentos consecutivos, antes de uma pausa no processo. Dados recentes fizeram muitos analistas americanos mudar de idéia.
O fraco resultado referente à criação de vagas, divulgado na sexta passada, reduziu a pressão sobre os juros por refletir a desaceleração econômica.
A economia norte-americana cresceu no segundo trimestre 2,5% contra 5,6% registrados no primeiro trimestre (dados anualizados).
O desaquecimento da economia, por sua vez, deve conter a inflação causada pela alta de preços de energia e de salários.
A interrupção da alta de juros, se confirmada, favorece o mercado de ações nos Estados Unidos e países emergentes. Quanto maiores os juros nos EUA, menor tende a ser a liquidez mundial e a atratividade de aplicações em países como o Brasil.
Alguns analistas, divididos quanto à alta ou não de juros, afirmam estimar uma chance por uma margem muito pequena, pouco acima dos 50%, de o Fed parar agora em agosto. Algumas sondagens indicam que cerca de 20 entre 50 analistas dizem esperar alta de 0,25 ponto percentual.
Pausa curta
Se o Fed interromper a alta dos juros, a pausa não deve ser longa, segundo analistas, que esperam mais pressões inflacionárias, inclusive por causa dos preços de energia e de salários, que também crescem.
O Fed deve se mostrar cauteloso se houver mais uma rodada de alta de preços. Se isso ocorrer, a autoridade monetária dos EUA pode voltar a subir juros em setembro.
Europa
Na Europa, analistas dizem esperar mais uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros, em outubro. Seria a última elevação do ano, segundo projeções de economistas de instituições financeiras.
O Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa básica de 2,75% para 3%, e demonstra preocupação com o risco de alta da inflação no médio prazo, de acordo com seu relatório mensal, divulgado na quinta-feira.
Além da recuperação econômica, e do aumento do crédito, as pressões inflacionárias viriam sobretudo dos efeitos da alta do petróleo e de salários.
França, Itália e Holanda devem, nesta semana, divulgar estimativas para o PIB no segundo trimestre. A expectativa é de aceleração do crescimento no período, ainda que a taxas inferiores às de outras economias desenvolvidas.
Japão
Na próxima quinta-feira, é a vez do Banco do Japão decidir o rumo de seus juros. É a primeira reunião de política monetária, depois do aumento da taxa básica para 0,25%.
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Decisão do Fed sobre juro deve pautar os mercados
Analistas se dividem sobre a reunião do BC dos EUA
DA REPORTAGEM LOCAL
O mercado financeiro global estará focado nesta semana na decisão do Fed (o banco central dos EUA) sobre os juros norte-americanos.
O Fomc (o comitê de política monetária do Fed) se reúne amanhã para definir como fica a taxa básica de juros dos Estados Unidos. A taxa está em 5,25% ao ano. Parte do mercado espera que os juros sejam mantidos. Outra parcela conta com uma elevação de 0,25 ponto percentual.
No cenário local, será importante a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho pelo IBGE na sexta-feira. Como esse é o índice utilizado pelo governo para monitorar sua meta de inflação, é importante que o resultado fique dentro do esperado para que a taxa básica de juros brasileira, a Selic, tenha chances de seguir em queda como esperam os analistas.
A última pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central, feita com cerca de cem instituições financeiras, mostrou que a expectativa média é a de que a Selic esteja em 14% no fim de 2006. Hoje a taxa está em 14,75% anuais.
Para o mercado brasileiro, a decisão em torno dos juros na maior economia do mundo também tem o seu peso, por diferentes motivos.
Desde meados de maio, quando o Fed deu sinais de que tão cedo não deixaria de elevar seus juros, o mercado mundial entrou em um período de considerável turbulência. As Bolsas de Valores caíram nos principais centros financeiros. Os mercados emergentes viram os grandes investidores internacionais venderem os seus ativos (como ações e títulos) para migrarem para papéis do Tesouro dos EUA.
Isso aconteceu porquê os títulos do Tesouro norte-americano pagam juros que acompanham a taxa básica do país. Assim, a previsão de que os juros subiriam por um bom tempo nos EUA puniu os mercados.
Oscilações
Na semana passada, com a proximidade do encontro do Fomc, os investidores estiveram ainda mais atentos a cada dado econômico divulgado nos Estados Unidos.
"Os mercados internacionais oscilaram na última semana ao sabor das estatísticas divulgadas sobre a economia norte-americana", segundo a LCA Consultores. A pressão sentida até meados da semana passada acabou refluindo, sobretudo com a divulgação do relatório de julho sobre o mercado de trabalho nos EUA, que apontou desaceleração no ritmo de criação de empregos e aumento da taxa de desemprego.
"Com isso, os mercados voltaram a apostar na manutenção dos juros pelo FED", analisa a LCA.
Esse cenário ajudou a Bovespa a fechar a semana passada com alta de 1,25%.
O que falta para a Bolsa paulista voltar a ganhar fôlego, segundo analistas, é o retorno dos investidores estrangeiros para o mercado doméstico.
Depois de o saldo de negócios externos ficar negativo em R$ 654,9 milhões em julho, nos primeiros dois dias de agosto esse balanço foi positivo em R$ 145 milhões.
"Os últimos dados econômicos divulgados reforçaram o cenário de desaceleração da economia americana, permitindo o bom desempenho das Bolsas internacionais no final do mês passado e começo deste mês", avalia a Link Corretora.
Entre os últimos dados divulgados, a corretora destaca os números do mercado de trabalho americano, "que vieram bem abaixo das expectativas e têm extrema importância na decisão do Fed sobre a taxa de juros dos EUA".
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Banco dos EUA vê ganho fantástico no país
Goldman Sachs volta a alardear atrativos dos mercados
de Brasil, Rússia, Índia e China e fatura com a "Bric fever'
Para empresa, há "subida dramática" da participação dos 4 países
no mercado de capitais global para, no mínimo, 25% até 2050
LEILA SUWWAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de um tempo na defensiva, o banco americano Goldman Sachs voltou à carga no marketing do Bric (sigla cunhada por ele para designar Brasil, Rússia, Índia e China) e aponta para ganhos "fantásticos" ou "espetaculares" em investimentos nesses mercados emergentes.
Apesar do baque recente nas bolsas de mercados emergentes, o Goldman Sachs está faturando no que já foi batizada "Bric fever", com o surgimento de fundos de investimentos focados nos quatro países. Houve até o lançamento de um "índice Bric" para as ADRs (American Depository Receipts, papéis que representam ações de empresas estrangeiras nos Estados Unidos), divulgado pelo Bank of New York.
Segundo o banco, haverá uma "subida dramática" da participação dos Brics no mercado de capital mundial. Na previsão conservadora, a fatia dos quatro emergentes ficará em cerca de 25% em 2050. Na previsão otimista, metade do mercado mundial de títulos e ações será dos Brics.
"Se esses mercados permanecerem como estão hoje, sua participação mundial irá crescer dramaticamente. Se forem adotadas as estruturas que temos no Ocidente, o crescimento será espetacular, oferecendo oportunidades fantásticas para investidores ao redor do mundo", diz Jim O'Neill, diretor de pesquisa do banco.
Apesar da alta adjetivação, investidores mantêm a cautela diante da idéia de "febre", ou, como diz o Goldman Sachs, "fenômeno". Para o gestor de um fundo de investimento focado nos Brics, Mark Mobius, são mercados interessantes, com oportunidades.
"A reação aos fundos de Brics é positiva, mas nós não chamaríamos isso de "hype" ou "fenômeno". O crescimento nos Brics é uma oportunidade de investimento", disse Mobius à Folha.
Misturando pesquisa e publicidade, o "Bric Dream Webtour", presente no site do banco, rebate críticos, em narração do próprio O'Neill, que cunhou o termo em 2001: "Muitas pessoas acham que isso é apenas um sonho, que pode ou não acontecer, e que a atenção dada aos Brics é exagerada. Mas é importante lembrar que as economias dos Brics já têm uma enorme influência na economia mundial".
Segundo ele, mais de um quarto do crescimento mundial dos últimos cinco anos vieram dos Brics. A previsão é de que os quatro países terão PIB (Produto Interno Bruto) conjunto no patamar de US$ 52 trilhões em 2040, mesmo patamar do G7 (sete economias mais industrializadas), e de US$ 90 trilhões em 2050.
Antes de alardear as "fantásticas oportunidades" para investidores, ele lembra que não são as populações locais não vão receber os benefícios.
Em termos per capita, residentes dos Brics seguirão atrás dos países desenvolvidos. Apenas a Rússia, devido à previsão de forte declínio populacional, ficaria perto dos países em desenvolvimento em termos de riqueza per capita.
Por causa disso, o Goldman prevê outro "potencial espetacular" no mercado consumidor: a classe média dos Brics (com renda anual acima de US$ 3.000 por pessoa) deve quadruplicar na próxima década. Em 20 anos, vê os Brics como os maiores compradores de automóveis, com a China liderando na marca de 200 mil carros, seguida de EUA, Brasil, Rússia e Índia.
A valorização cambial prevista para 2050 para os Brics também é chamada de "espetacular": 298% para a China, 281% para a Índia, 208% para a Rússia e 129% para o Brasil.
O Goldman Sachs prevê que o pico do crescimento mundial vai acontecer dentro dos próximos dez anos, fortemente condicionado aos Brics e seus respectivos envelhecimentos populacionais. Nesse período também prevê que o preço das commodities sigam fortes e que a demanda de energia suba 2,5% ao ano, em média.
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Ação PN do Bradesco, que divulgará lucro, é destaque
DA REPORTAGEM LOCAL
A corretora Ágora Sênior é a mais nova participante da seção "Dicas". A ação preferencial da Petrobras e a PNA da Usiminas estão entre as sugestões da corretora.
Na carteira teórica da Planner, entrou o papel preferencial do Bradesco. "Trocamos a ação da Itaúsa pela do Bradesco para aproveitar a divulgação do balanço do banco", afirma Luiz Antonio Vaz das Neves, diretor da Planner.
O Bradesco anuncia na manhã de hoje os seus resultados do primeiro semestre do ano. A expectativa é de que a instituição financeira supere os R$ 3 bilhões em lucro líquido na primeira metade do ano.
A ação preferencial do Bradesco terminou a semana passada com valorização acumulada de 1,52%.
O Ibovespa (principal índice e referência da Bolsa paulista) registrou ganho de 1,25% na última semana, com 32 dos 54 papéis que o compõem registrando alta. No mês, o índice está com valorização de 2,08% e no ano, de 13,13%.
A alta do Ibovespa na semana foi "motivada pelo bom cenário corporativo interno, reflexo da divulgação de bons resultados trimestrais", afirma Eduardo Kondo, analista de investimentos da Concórdia.
Segundo avaliação da Link Corretora, "já se pode perceber a volta de fluxo estrangeiro para a Bolsa, o que sinaliza que até os investidores externos acreditam que devemos ter um comportamento menos tumultuado para mercados emergentes no curto e médio prazo", informa. "Para quem está fora da Bolsa, o momento é muito favorável para se comprar ações."
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Vencedora da disputa de carteiras de julho leva prêmio
DA REPORTAGEM LOCAL
Neuci Oliveira de Souza, de Curitiba, ganhou a disputa de julho do "Folhainvest em Ação". Por vencer a disputa do mês, ela ganhou uma passagem aérea de ida e volta para qualquer cidade brasileira atendida pela companhia aérea TAM e uma assinatura de três meses do sistema Enfoque Cotações Tempo Diferido (fornecido pela Enfoque).
A carteira de Souza somou valorização de 31,30% no mês. O segundo colocado, Alexandre Muniz da Silva, montou investimentos que somaram alta de 31,07% em julho.
Quem vencer a disputa anual vai ganhar uma viagem de uma semana para Costa do Sauípe (BA), com todas as despesas de transporte aéreo e hospedagem pagas pela Fator Administração de Recursos.
Para entrar no simulado "Folhainvest em Ação" basta acessar o site http:// emacao.folha.uol.com.br e fazer a inscrição gratuita.
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MARCOS CINTRA - Círculo vicioso
A MEDIDA provisória 303 inaugurou mais um programa federal de refinanciamento de dívidas tributárias. Empresas em débito com a União podem parcelar pendências fiscais por meio desse novo Refis, o terceiro em seis anos. O atual estoque de tributos a receber pelo governo federal impressiona. O montante é superior a tudo o que a União, os Estados e os municípios arrecadaram no ano passado. São mais de R$ 880 bilhões de créditos tributários, valor equivalente a cerca de 40% do PIB brasileiro.
A série de programas de refinanciamento de dívidas tributárias mostra que a resistência que havia tempos atrás em conceder benefícios aos contribuintes inadimplentes vem se desfazendo nos últimos anos. É cada vez mais freqüente a implementação de programas concedendo anistias e parcelamentos de impostos, taxas e contribuições que não foram liquidados na data de seus vencimentos. Essa prática não se restringe apenas à União, mas se repete em Estados e municípios.
Vem se tornando um hábito aguardado rotineiramente pelos contribuintes, quase como se fosse um direito adquirido. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, uma lei sancionada em 2005 concede benefícios como a isenção de até 100% dos encargos incidentes sobre IPVA e ICMS pendentes. Na esfera municipal, há casos como o de São Paulo, que implementou um amplo programa de parcelamento de tributos que anistia o devedor de parte dos encargos de impostos e taxas devidas e não pagas. O mesmo ocorre em São Bernardo do Campo, considerada uma das cidades mais bem administradas do país, onde a dívida ativa ultrapassa R$ 1 bilhão.
Há uma combinação explosiva no sistema tributário brasileiro que está tornando a renegociação de débitos fiscais uma necessidade freqüente. A absurda e crescente carga tributária de 40% do PIB e a fiscalização baseada na informática inviabilizam negócios e tornam o contribuinte um pária quando não consegue arcar com suas obrigações fiscais. Cruzamento de informações, convênios para troca de informações entre os vários níveis de governo, exigências de certidões e os famigerados seqüestros "on-line" transformaram os contribuintes inadimplentes em cidadãos de segunda classe, impossibilitados de firmar compromissos, de negociar com o setor público e de obter crédito. Em outras palavras, tornam-se incapazes, por ação do próprio credor, de empreender ações que possibilitem honrar os débitos acumulados.
Com os contribuintes acumulando passivos tributários crescentes e o poder público perdendo arrecadação, a alternativa é a concessão sucessiva de benefícios para o devedor, como o desconto de encargos e o parcelamento dos débitos como forma de aliviar a atividade empresarial e de os governos recuperarem receita.
As disfunções do sistema tributário são de tal ordem que se chegou a um ponto em que o contribuinte que deseja minimizar o risco de ser autuado pelo fisco, recolhendo seus tributos de acordo com a lei, maximiza seu risco de ir à falência por conta do elevado desembolso tributário exigido.
Ademais, a seqüência de refinanciamento de dívidas tributárias pode levar a uma situação na qual empresas incorporam o não-recolhimento de tributos aos seus cálculos econômicos. Está se tornando vantajoso deixar de pagar imposto para depois aderir a programas que permitem o seu parcelamento, uma vez que os encargos são reduzidos em relação aos encontrados no mercado financeiro. Criou-se um círculo vicioso, em que o poder público é obrigado a conceder esses benefícios como forma de dar sobrevida ao contribuinte, mas que resultam em maiores índices de inadimplência no futuro. Segundo a Procuradoria Geral da Fazenda, dos 129 mil contribuintes que aderiram ao Refis anterior, só 24 mil continuam no programa. A maioria foi excluída por inadimplência, mas podem se inscrever no Refis 3.
Negociar dívida tributária se tornou uma necessidade, mas isso não pode virar rotina. Os administradores públicos devem meditar sobre esse quadro e agir em conjunto, pois a lógica individual sempre os levará a ofertar mais e mais programas de refinanciamentos, cada vez a mais e mais contribuintes.
MARCOS CINTRA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE , 60, doutor pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da FGV, foi deputado federal (1999-2003). É autor de "A verdade sobre o Imposto Único" (LCTE, 2003). Escreve às segundas, a cada 15 dias, nesta coluna. Internet:
www.marcoscintra.org==============================***==============================
Guilherme Barros
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O novo decreto de programação orçamentária e financeira de 2006, publicado dia 31 de julho, aumenta o risco de o governo não cumprir a meta de superávit primário de 4,25% neste ano, segundo relatório elaborado pelo Credit Suisse intitulado "Rigor fiscal aumenta com novo decreto de programação orçamentária".
O decreto reduziu a meta de superávit primário do governo central de 2,50% para 2,45% do PIB e elevou a meta dos Estados e municípios de 0,90% para 0,95% do PIB. Outra medida foi o aumento de R$ 4,8 bilhões das reservas para pagamento de despesas discricionárias neste ano, o que mostra disposição de elevação dos gastos.
Para o Credit Suisse, todas essas decisões aumentam o risco de não cumprimento da meta de superávit primário neste ano. "No mínimo, tornam menos provável que se cumpra a meta com alguma folga", diz o relatório do banco.
Ao analisarem o novo decreto, os economistas do CS consideram otimista a projeção prevista para o crescimento da receita. Pela previsão do banco, o novo decreto projeta um crescimento real de 7,4% para as receitas líquidas do governo central em 2006, praticamente o mesmo ritmo do ano passado.
Para isso, as receitas líquidas precisariam crescer 8,7% no segundo semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Os economistas do CS acham, no entanto, que é alto o risco desse crescimento ficar abaixo dos 6% registrados no primeiro semestre deste ano em relação a 2005.
"O principal motivo seria a redução do ritmo de crescimento das transferências de lucros e dividendos das estatais e dos royalties sobre a exploração de petróleo e gás natural", diz o relatório.
De acordo com o CS, as receitas tributárias teriam de crescer fortemente neste segundo semestre. A expansão das receitas com impostos e contribuições teria de ser de 7,5% em termos reais no segundo semestre deste ano.
Para o CS, caso o governo federal aproveite o espaço aberto pelo decreto para aumentar os gastos discricionários e o crescimento das receitas decepcione, a meta de superávit primário estará ameaçada.
NEGÓCIO URBANO
Em seu segundo ano no Brasil, a marca de moda urbana norte-americana Ecko, inspirada no universo do grafite, anuncia um cardápio de novos negócios. Entre as novidades estão a expansão da grife para uma linha infantil, para o público de seis a 16 anos, a Ecko Kids, e uma nova linha esportiva, a Ecko Function. A empresa também abre sua primeira "concept store" no Brasil, em São Paulo, e traz ao país uma segunda marca, a Sean John, desenvolvida pelo rapper americano Puff Daddy (cujo nome de batismo é Sean John Combs), que chegou a ganhar prêmios de associações de design dos EUA pelos produtos. Tudo deve acontecer logo no começo de 2007. "O terceiro ano é o de crescimento", diz Fernando Janeiro, porta-voz da marca no Brasil. A Ecko está presente em mais de 350 pontos-de-venda nas cinco regiões brasileiras. "Nosso objetivo é ser a principal marca do mercado urbano do país, assim como nos EUA", afirma.
CRÉDITO NA GÔNDOLA
A financeira Itaú CBD, joint-venture criada pelo Itaú, sob a marca Taií, e parceira do grupo Pão de Açúcar, completa dois anos. Apesar do aumento da inadimplência, que levou o banco a revisar os planos para a financeira, em 2006, há o lançamento de três novos produtos: empréstimo pessoal no cheque e no cartão e seguro de proteção financeira com sorteios. A Itaú CBD pretende, até o fim do ano, dobrar a carteira de financiamento de empréstimo e aumentar em 25% o número de clientes, hoje na marca dos 4 milhões. Para isso, Fernando Teles, o diretor da Itaú CBD, afirma que estratégia é ocupar mais lojas. "Hoje estamos em 323 unidades de atendimento. Em três anos, pretendemos ter atingido todas as lojas do grupo, que são 555."
TÁ LIMPO 1
A Abipla (associação da indústria de limpeza) e o Sipla (sindicato do setor) elegeram novos dirigentes. O presidente da Abipla é o vice-presidente de assuntos corporativos da Unilever, Luiz Carlos Dutra. A presidência do Sipla fica a cargo de Pedro Martins da Silva, diretor de Assuntos Corporativos da Procter&Gamble.
TÁ LIMPO 2
Os lançamentos e as expectativas do setor de higiene estarão em pauta na 17ª edição da Higiexpo, que será realizada entre 23 e 25 de agosto no ITM Expo, em SP. O setor movimentou US$ 4 bilhões em 2005 e prevê um crescimento de 3% a 5% para este ano em relação a 2005. Ao todo, são 600 mil empregos diretos no país.
CARRO ALUGADO
O mercado de locação de automóveis de São Paulo ganha novo membro. Trata-se da Let's, do grupo Morada (transportador de suco de laranja), que pretende faturar R$ 20 milhões até o fim do ano com diferenciais como carro básico com ar-condicionado e diária de 38 horas. A atuação será localizada em São Paulo, em Campinas e em Ribeirão Preto.
ENTREGA RÁPIDA
Um estudo da Funcex (Fundação Centro de Estudos e Comércio Exterior) sobre a carga tributária que onera importações feitas por courier comparou as alíquotas que incidem sobre encomendas expressas e convencionais. Uma encomenda expressa está sujeita a uma alíquota de 60%, independente de seu conteúdo. Se o produto for trazido por meio convencional, o imposto cai para taxas que variam de 7% a 45%, de acordo com a mercadoria. Segundo Ricardo Brandi, diretor da Abraec (associação de empresas de entregas expressas), a entidade vai negociar com o governo uma redução do imposto.
CABELO REBELDE
A Revlon Brasil anuncia esta semana sua entrada com a marca Rebelde no mercado de produtos para cabelo. Os géis colorem o cabelo de azul, amarelo e roxo.
DE OLHO NA FAMÍLIA
Pesquisa com 1.931 internautas, feita pelo Instituto Qualibest, identifica o perfil de quem contrata seguro de vida (veja quadro ao lado). Prioritariamente, o objetivo de quem faz seguro é a proteção dos familiares.
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Renata Lo Prete
painel@uol.com.brViação Planam
Depois de ambulâncias, ônibus. Vencida, nesta semana, a etapa de conclusão do relatório sobre os deputados-sanguessugas, uma parte da CPI cuidará de rastrear a operação da máfia dentro do Ministério da Saúde, enquanto outra pretende se dedicar à investigação de uma segunda mercadoria superfaturada fornecida pela empresa da família Vedoin: ônibus para o programa de inclusão digital do governo.
"Alguns custaram mais do que um Porsche", diz Fernando Gabeira (PV-RJ). O sub-relator divulgará hoje fotos desses veículos -que trazem o slogan "Você digital" e a logomarca governamental "Brasil: um país de todos"- abandonados no Rio. Confrontado com uma das imagens pelos integrantes da CPI, Luiz Antonio Vedoin declarou: "Esse ônibus é meu".
Cumbuca. A perspectiva de investigação sobre os ônibus da Planam agita sobremaneira o PSB, que ocupa o Ministério da Ciência e Tecnologia desde o início do governo. Um desses veículos apareceu em programa eleitoral do partido.
Priscila. Para Gabeira, trata-se não apenas de identificar desvios mas de questionar o modelo, a seu ver equivocado, que promove uma inclusão digital "itinerante".
Tipos. Amir Lando (PMDB-RO), o "Hamlet de Rondônia", não foi o único a ganhar apelido na CPI. Ranzinza, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) virou "O Tromba". Raul Jungmann (PPS-PE), chegado a um holofote, é o "Pavão Misterioso".
Agronegócio. Bispo Rodrigues (RJ), mensaleiro que renunciou para não ser cassado e acabou preso na Operação Sanguessuga, tentou justificar sua ligação com Darci Vedoin usando a mesma desculpa dada outrora por Marcos Valério: transações com gado.
Lembra dele? O analista Wilber Correa da Silva, que fez um estudo sobre o Orçamento de 2005 para a Planam, diz ter sido apresentado a Darci Vedoin por Sebastião Buani, pagador do mensalinho de Severino Cavalcanti.
Tá lá. Consulta ao Siorg, serviço do site do governo federal com a estrutura dos ministérios, lista entre os funcionários da Saúde, como assessora, a operadora sanguessuga Maria da Penha Lino.
Trocado. Do presidente do PT paulista, Paulo Frateschi, sobre a ausência de empresários graúdos no jantar de arrecadação, na sexta-feira, para as campanhas de Lula e Mercadante: "Quem tinha "dois contos", nós pegamos".
Pito. Candidato à reeleição, o governador Luiz Henrique (PMDB-SC) deu bronca pública no correligionário Odilon Oliveira, prefeito de São Francisco do Sul, que manifestou desejo de ir a um evento com o vice José Alencar.
Tangente. Não é o