Bovespa volta a subir e se aproxima dos 65 mil pontos
Dados dos EUA animam, e Bolsa registra alta de 1,41%
DA REPORTAGEM LOCAL
O mercado acionário voltou a ter ganhos nos EUA e na Europa. O movimento ajudou a Bovespa a se aproximar dos 65 mil pontos: ontem subiu 1,41% e terminou o pregão a 64.815 pontos. Nesse nível, a apreciação no ano foi a 72,6%.
Apenas nesta semana, a Bolsa brasileira já subiu 5,31%, mostrando que as oscilações elevadas e as perdas do fim de outubro não se tornaram a nova tônica do mercado local.
A economia dos EUA, onde dados favoráveis foram apresentados, foi a grande propulsora dos negócios ontem. O índice Dow Jones, que reúne 30 das mais importantes ações dos EUA, fechou com ganhos de 2,08%. A Bolsa eletrônica Nasdaq, referência no segmento de alta tecnologia, subiu 2,42%.
Aos investidores agradou o anúncio de recuo nos pedidos de seguro-desemprego feitos pelos norte-americanos. Outro dado bem recebido foi o da produtividade do setor não agrícola do país, que registrou alta de 9,5% no terceiro trimestre.
Na Europa houve dados mais fracos, como o recuo de 0,7% no volume de vendas do varejo na zona do euro em setembro.
A Bolsa de Londres encerrou as operações com alta de 0,35%. Em Frankfurt, os ganhos ficaram em 0,67%.
Apesar do enfraquecimento das commodities, as ações brasileiras de empresas como Petrobras e Vale terminaram o pregão com valorização.
A maior alta do dia ficou nas mãos da Vivo, que terminou com ganhos de 5,19%. A empresa anunciou ontem lucro trimestral de R$ 340 milhões -um crescimento de 154%.
Na sequência apareceu a ação preferencial da Brasil Telecom, que avançou 4,04%.
A Gerdau foi outra companhia que apresentou balanço bem recebido pelo mercado, e seu papel PN ganhou 2,03%.
Pela manhã o Ibovespa chegou a operar no vermelho, atingindo na mínima 63.699 pontos, mas reagiu com a melhora de suas ações mais negociadas: Petrobras PN teve alta de 1,96%, e Vale PNA, de 0,76%.
Localmente, houve ainda os dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que mostraram recuperação da atividade em setembro.
No mercado de câmbio, o dólar registrou depreciação de 0,35% e terminou cotado a R$ 1,722. A moeda norte-americana já recuou 1,99% nesta semana e passou a acumular depreciação de 26,2% em 2009.
Ontem, comentou-se muito no mercado a possibilidade de o governo anunciar em breve novas medidas para tentar conter a apreciação do real. Mesmo assim, o dólar recuou.
Hoje a agenda norte-americana traz a apresentação do resultado de sua pesquisa mensal de emprego. A expectativa dos analistas é a de que a taxa de desemprego no país ainda tenha subido em outubro.
"A taxa de desemprego nos EUA deve atingir 9,9%, o maior nível desde 1983, e o mercado espera que ultrapasse os 10% no início do próximo ano. A destruição de postos de trabalho, que ocorrerá pelo 22º mês consecutivo, deve atingir quase 7,5 milhões desde o início da recessão nos EUA, no final de 2007", afirma Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia.
Em setembro, a taxa de desemprego alcançou os 9,8% na maior economia do mundo. Se o resultado vier acima dos 9,9% esperados, o mercado deve ter uma reação negativa.
"O relatório de emprego deve continuar mostrando fraqueza nas condições do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que continuará pesando como um fator limitador para a retomada do crescimento econômico naquele país", concluiu o economista.
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Lula tenta novo acordo para aposentados
Governo deve reapresentar proposta que dá reajuste acima da
inflação, mas menor do que previsto em projeto no Congresso
Segundo auxiliar de Lula, ideal seria não votar nunca o projeto, mas
apoio do PSDB à proposta de Paulo Paim (PT-RS) assusta governo
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
De volta de Londres, o presidente Lula reúne hoje sua equipe para buscar um acordo sobre o reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo. Ele deseja ressuscitar a ideia de dar aumento real a esses benefícios de metade da variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes.
Segundo a Folha apurou, Lula quer condicionar essa negociação, porém, à aprovação de todas as centrais sindicais e entidades ligadas aos aposentados. O acordo anterior não prosperou porque nem todas as centrais aceitaram a proposta elaborada pelo governo.
Segundo um auxiliar de Lula, o "ideal seria não votar nunca" o projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). O presidente, contudo, deseja tentar um acordo com os aposentados para evitar desgaste político na véspera da eleição presidencial.
Caso isso não seja possível, a decisão do governo será mesmo trabalhar para impedir a votação do projeto em tramitação na Câmara, que concede às aposentadorias acima do mínimo o mesmo reajuste do piso salarial da Previdência.
O pior cenário, na avaliação governista, é que as pressões dos aposentados levem a Câmara a aprovar o projeto sem alterações. Nesse caso, Lula irá vetá-lo por conta do seu impacto negativo nas contas públicas. Pelos cálculos do governo, ele representaria um gasto extra aos cofres públicos em 2010 acima de R$ 6 bilhões.
Anteontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), chegou a colocar o projeto na pauta de votação. Acabou retirando depois de uma operação comandada pelos líderes governistas.
Temer decidiu votar o projeto depois de pressão dos aposentados, que ameaçavam acampar nos salões da Câmara. Há três meses, eles já haviam feito o mesmo. Recuaram depois de ouvir a promessa do governo de que seria fechado acordo com todas as centrais.
Antes de incluir o projeto na pauta de votação desta semana, o presidente da Câmara avisou o governo de sua decisão diante do fracasso em estabelecer um acordo com os aposentados.
6% em 2010
Em agosto, o governo havia feito a proposta de dar às aposentadorias acima do mínimo um reajuste próximo de 6% em 2010 -2,55% referentes à metade da variação do PIB de dois anos antes mais a inflação. Isso levaria a aumento de despesas da Previdência de cerca de R$ 3 bilhões.
A regra é similar à já aplicada ao salário mínimo. A diferença é que, no caso do piso salarial, a variação do PIB de dois anos antes é aplicada integralmente. Ou seja, além da inflação, o salário mínimo, inclusive o pago pela Previdência, tem aumento de 100% do PIB.
O acerto feito anteriormente havia obtido o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Força Sindical, mas não foi aceito pela Nova Central Sindical, pela CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e pela Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas).
O governo contava com o apoio do PSDB para barrar o projeto elaborado pelo petista Paulo Paim, já aprovado no Senado. Os tucanos chegaram a dizer que ficariam do lado do governo, mas depois recuaram e ameaçaram votar, juntamente com os democratas, a favor da proposta.
Na avaliação de auxiliares do presidente, sem um acordo com os aposentados, até os deputados da base aliada votarão a favor do projeto diante do receio do prejuízo eleitoral.
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Reajuste a aposentado pode custar R$ 3 bi
Previsão de gasto extra para 2010, caso a proposta de
Lula vingue, é vista como "absorvível" pela equipe econômica
Ganho real acima da inflação ficaria em 2,5%, enquanto previsão
para reajuste em 2011 ficaria em cerca de 0,5%, segundo projeções
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O impacto fiscal do acordo que o presideznte Lula negociará com os aposentados é considerado "absorvível", segundo avaliação do governo. Sem levar em conta o resultado dessa negociação, o deficit esperado para a Previdência no ano que vem é de R$ 39 bilhões.
Nas contas do Ministério da Previdência, o aumento real para os benefícios acima do salário mínimo -pela regra de 50% da variação do PIB de dois anos antes- deverá gerar um custo adicional de R$ 3 bilhões no Orçamento de 2010, cerca de um terço dos gastos com o Bolsa Família neste ano.
O aumento (incluindo a inflação) em 2010 ficaria próximo de 6% e beneficiará 8,2 milhões de aposentados e pensionistas. Para 2011, no entanto, a mesma regra deverá garantir reajuste real próximo de zero, já que o PIB a ser aplicado será o deste ano, e as projeções flutuam em torno de 1%. Como os aposentados levariam só a metade da variação do PIB, o aumento acima da inflação no primeiro ano do próximo governo seria equivalente a 0,5%.
De todos os pontos do acordo, o aumento real para os benefícios de quem tem aposentadoria acima de um salário mínimo é classificado como o de maior potencial na elevação dos gastos públicos.
Já a proposta de criar o chamado fator 85/95, nos seus primeiros cincos anos de vigência, trará ganhos para o governo. Aumentará a arrecadação previdenciária e reduzirá as despesas com benefícios.
O novo fator é defendido pelo governo como alternativa ao atual fator previdenciário. A nova fórmula permitirá que o trabalhador se aposente quando a soma de sua idade e tempo de contribuição for igual a 85 anos, para mulheres, e 95 anos, para homens.
Na prática, o fator 85/95 jogará para a frente gastos que o governo teria agora. Mas terá um efeito colateral: ao adiar as aposentadorias, a Previdência também estará assegurando aos trabalhadores benefícios de valor mais elevado no futuro. Assim, a economia obtida nos primeiros anos do novo fator será transformada em aumento de gastos a partir de 2016.
A previsão é que essa elevação das despesas atinja quase um ponto percentual do PIB em 2050. Para os técnicos, os ganhos imediatos e as perdas de longo prazo se equilibram.
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Estados recebem, em 2010, R$ 3,9 bi das perdas da Lei Kandir
Esse valor está garantido no Orçamento; se houver
receita disponível, União repassará mais R$ 1,3 bi
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os Estados conseguiram garantir um reembolso de R$ 3,9 bilhões pelo imposto que deixarão de recolher com a isenção às exportações no ano que vem. A compensação pelas perdas da chamada Lei Kandir não estava prevista no Orçamento enviado ao Congresso, mas será incluída no relatório final depois de acordo feito com a equipe econômica.
"O problema está resolvido do ponto de vista político e técnico. Com a reestimativa de receitas, abrimos espaço para o pagamento", disse o relator do Orçamento, deputado Geraldo Magela (PT-DF).
A disputa entre os Estados e a União pelo ressarcimento das perdas com a isenção do ICMS nas vendas ao exterior é recorrente. O governo entende que, desde 2002, não tem mais a obrigação de fazer o pagamento, que seria condicionado à disponibilidade de receitas.
Já os governadores insistem que o valor devido é de R$ 5,2 bilhões. Neste ano, São Paulo e Minas Gerais, grandes Estados exportadores, ameaçaram proibir o uso de créditos acumulados pelas empresas nas vendas externas.
A negociação com a União garante o pagamento de R$ 3,9 bilhões e condiciona o restante do repasse ao comportamento da arrecadação federal. Se houver recursos, o governo federal deverá transferir mais R$ 1,3 bilhão aos Estados em 2010.
Essa foi a segunda vez que o governo federal deixou de incluir o pagamento da Lei Kandir no projeto do Orçamento enviado ao Congresso. A primeira vez foi em 2005, e, depois de negociações com os governadores, a União também concordou com o pagamento.
O acordo feito neste ano foi chancelado pelos secretários-executivos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento. De acordo com Magela, a aprovação do Orçamento corria o risco de "emperrar" caso não houvesse uma solução para o problema da Lei Kandir.
Aprovada em 1996, a lei isenta as exportações do pagamento de ICMS. Mas, para evitar que os Estados perdessem receitas, a União concordou em ressarcir as perdas até 2002.
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CAPITAL DE GIRO - Pequenas empresas terão mais R$ 200 mi em crédito
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As micro, pequenas e médias empresas terão mais R$ 200 milhões em crédito para capital de giro da Caixa, com cobertura do FGO (Fundo Garantidor de Operações). Administrado pelo Banco do Brasil, o fundo possibilita realizar empréstimos com juros 30% menores para empresas com faturamento anual de até R$ 15 milhões.
O FGO é um dos dois fundos criados neste ano pelo governo para ajudar as empresas de menor porte, que ainda sofrem com a falta de crédito. Apesar de administrados por bancos estatais (BB e BNDES), é permitida a participação de outras instituições. Mas, até o momento, ninguém havia aderido.
Com patrimônio de R$ 595 milhões, o fundo já conta com dinheiro suficiente para garantir empréstimos no valor de mais de R$ 7 bilhões.
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Lula anuncia o século 21 como o "século do Brasil"
Em Londres, presidente faz discurso ufanista para empresários, a maioria brasileira
Lula lista feitos do governo e reclama dos juros; Mantega diz que o
Brasil seria mais competitivo que China com um câmbio mais favorável
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A LONDRES
Poderia ter sido apenas mais um momento "caixeiro-viajante", como o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva se definiu, para se referir a seu papel de "sair pelo mundo afora, abrindo novos mercados".
Mas o seminário Investindo no Brasil, promovido pelos jornais "Financial Times" e "Valor Econômico", em Londres, acabou por se transformar em um festival de ufanismo que só poderia terminar com Lula proclamando o século 21 como "o século do Brasil".
Começou com o ministro Guido Mantega anunciando previsões de que o Brasil saltará do nono lugar que ocupa hoje na economia mundial para o sétimo em 2011, o sexto em 2018 e o quinto em 2026.
O ministro entusiasmou-se tanto com a catarata de números positivos que despejou sobre o público -basicamente formado por empresários, mais brasileiros que britânicos ou europeus- que ousou comparar o Brasil com a China, há anos a grande vedete da economia mundial.
Mantega citou os desequilíbrios cambiais contra o real que já havia transmitido na véspera à Folha, para concluir: "Se não houvesse a sobrevalorização do real, a economia brasileira seria mais competitiva que a chinesa".
Houve espaço até para um momento poesia na voz de Roger Agnelli, o presidente da Vale, que contou ter perguntado a sua mulher, Andreia, por que alguém deveria investir no Brasil. "Porque o Brasil é lindo", respondeu ela. Lindo e "gostoso", completou ele: "O ambiente no Brasil hoje é gostoso".
A microeconomia também ganhou espaço, claro que elogiosamente, na boca de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, que citou recente caso de venda de 364 casas populares em apenas sete horas, para acrescentar: "Uma senhora disse, ao receber a chave, toda feliz, que agora poderia pedir uma pizza por telefone porque tinha residência".
Trabuco festejou o fato de que, ao terminar o dia, 6.000 novas contas bancárias teriam sido abertas no sistema financeiro brasileiro.
Até quem tinha queixas sobre a regulamentação para o pré-sal, caso de sir Robert Wilson, presidente do Grupo BG, acabou admitindo: "Querem saber? O governo fez bem em fazer como fez; é bom para o Brasil".
Emílio Botín, o patriarca do banco Santander, não deixou por menos: "Não tenho a menor dúvida de que São Paulo será um centro financeiro de referência mundial como Londres, Frankfurt e Nova York".
Nesse ambiente de euforia verde-amarelo, Lula, que é um permanente ufanista, não poderia deixar de produzir frases ribombantes, como a de que está havendo "uma revolução silenciosa no Brasil", caracterizada pela "recuperação da autoestima".
Revolução, no caso, não é figura de linguagem porque Lula atribuiu o fato de o Vietnã ter derrotado os franceses e os norte-americanos exatamente à autoestima de sua população.
O presidente leu todo um catálogo de realizações de seu governo, do Bolsa Família ao Luz para Todos, do crédito consignado à criação de 1 milhão de empregos formais neste ano, "enquanto milhões de postos de trabalho foram e estão sendo sacrificados nos países ricos", das reservas de US$ 230 bilhões até o anúncio de um PAC 2, "para que o próximo governante, quando assumir, já tenha um plano traçado e uma prateleira de projetos organizada".
Mas os momentos mais fortes de sua fala ficaram para os constantes improvisos em que abandonava o texto reproduzido em um miniteleprompter à sua frente. Neles, o presidente chegou a censurar George Walker Bush por ter deixado quebrar o banco Lehman Brothers, com todo o cortejo de consequências conhecido.
Lula aproveitou para rebater a frequente crítica de que os programas sociais do governo são populistas ou assistencialistas e que, no lugar deles, deveriam ser construídas pontes, viadutos ou estradas: "Eu também gostaria de construir tudo isso, mas uma ponte pode esperar um mês ou dois. Quem está com fome não pode esperar nem pode ter paciência. É a forma mais cruel de tortura".
Emendou dizendo que só lamenta não poder dobrar ou triplicar o valor do Bolsa Família, "até que os assistidos não precisem mais do Estado".
Uma única autocrítica (ou, mais exatamente, um muxoxo dirigido ao presidente do Banco Central, Henrique Meirel -les, também presente): "Confesso que gostaria que os juros fossem um pouco mais baixos".
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ANÁLISE - Lula reescreve o passado ao prever o futuro
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Êxitos e fracassos nacionais costumam ser explicados depois dos fatos consumados, dado que as ciências política e econômica são mais hábeis em interpretar o passado do que em prever o futuro.
México, tigres asiáticos, Argentina e Irlanda viveram períodos de rápido progresso e foram tidos como exemplos para os demais até serem devastados por crises em, respectivamente, 1995, 1997, 2001 e 2009. Depois, com os defeitos de todos devidamente listados, o passado se tornou previsível.
Apenas três anos atrás, analisava-se por que o Brasil era incapaz de expandir sua renda, mesmo em um cenário internacional tão favorável. Os dados de então mostravam que, no primeiro mandato de Lula, o crescimento do PIB havia sido o menor entre as 25 principais economias emergentes.
Havia um diagnóstico dominante: sofriam-se as consequências de um Estado hipertrofiado, que drenava a escassa poupança privada e impunha carga tributária prejudicial às exportações e aos investimentos; os gastos sociais eram mal direcionados por privilegiar em excesso as aposentadorias; o ambiente institucional era desfavorável aos negócios.
Não era discurso de uma suposta oposição neoliberal -as teses foram encampadas pelo governo petista, que apresentou projetos de reformas previdenciária, tributária, das agências reguladoras, para limitar os reajustes do mínimo e conter gastos com pessoal.
No segundo mandato de Lula, os números do PIB passaram por uma revisão retroativa, e o passado não pareceu mais tão ruim; vieram dois anos de bom crescimento, 2007 e 2008, um 2009 menos ruim que o da maioria e expectativas de um próspero 2010. O Brasil agora está na moda, e há um sucesso a ser explicado.
Certamente a explicação não será a superação dos defeitos de antes. De lá para cá, a carga tributária cresceu, o gasto com previdência e pessoal cresceu ainda mais e a dívida do governo está em alta neste ano; as reformas pararam, o PAC não cumpriu suas metas e o país ocupa o 56º lugar no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.
Mais simples é permitir uma leitura mais otimista dos feitos do período, o que não vale só para a retórica política local. O Banco Mundial, por exemplo, que em 2007 classificou de "medíocre" e "desapontador" o desempenho brasileiro contra a pobreza, neste ano publicou estudo em que cita o país, ao lado de China e Índia, como paradigma global nessa luta.
Lula tira partido desses humores volúveis e tanto prevê um futuro brilhante quanto formula o passado mais conveniente para explicá-lo, de Estado forte, Luz para Todos, Bolsa Família. E terá razão enquanto não for necessário recordar os antigos motivos de fracasso.
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Do ministro Guido Mantega, após exibir dados sobre o crescimento do crédito no Brasil, atribuindo a maior fatia aos bancos públicos: "Tínhamos bancos públicos antes da crise, ao contrário do RBS e do Citi". O banco britânico Royal Bank of Scotland e o norte-americano Citigroup tiveram que receber uma montanha de dinheiro público para não quebrar.
Ainda Mantega sobre o valor da Bolsa de Valores, que passou de US$ 136 bilhões em 2002 para US$ 1,359 trilhão em 2008: "Houve uma exuberância nesse período, mas não foi uma exuberância irracional". É uma alusão à famosa frase de Alan Greenspan, então presidente do BC norte-americano, qualificando como irracional a exuberância nos mercados.
Cutucada de Mantega em dois parceiros do Bric: "O Brasil é livre para investimentos internacionais; não tem controle de capitais, como a Índia e a China".
Do presidente da Vale, Roger Agnelli: "O Brasil está com uma energia e uma vontade de crescer extremadas".
Do presidente do Santander, Emílio Botín: "O Brasil tem um dos melhores sistemas de regulação e supervisão financeiras do mundo".
Do jornalista do "Financial Times" Quentin Peel ao apresentar o presidente Lula: "Lula incorpora o sonho brasileiro".
De Lula ao comentar a explosão do crédito consignado: "Esse dinheiro não vai para comprar dólares ou para investir em derivativos".
Ao contar como Rodrigo de Rato, então diretor-gerente do FMI, relutava em aceitar que o Brasil pagasse sua dívida com o Fundo: "Ele dizia "pero isso, pero aquilo". E eu respondia: nada de pero, pero, pero" (Rato é espanhol).
Sobre as reservas brasileiras: "Lembro que, em 2005, estávamos na Índia quando eles anunciaram que haviam alcançado reservas de US$ 100 bilhões. E eu disse ao Palocci [Antônio Palocci, então ministro da Fazenda] que ter reservas de US$ 100 bilhões seria o máximo. Hoje, temos reservas de US$ 230 bilhões".
Ao comentar a negociação com Hu Jintao, presidente da China, para um empréstimo de US$ 10 bilhões, no auge da crise financeira global: "Posso garantir que os chineses são duros na queda. Não sei quem é mais duro, se os chineses ou os ingleses".
Sobre o ajuste fiscal feito no início do governo, "o mais duro de nossa economia": "Se eu fosse economista, não teria feito desse jeito. Só fiz porque era sindicalista".
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Erro nas contas de luz terá de ser cobrado na Justiça
Aneel diz que devolução do dinheiro terá de ser ação "voluntária" das distribuidoras
Agência admite distorção na tarifa de conta de energia, mas diz que
não pode exigir que distribuidoras devolvam os valores cobrados a mais
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
Os consumidores brasileiros terão mesmo de recorrer à Justiça para exigir das 63 distribuidoras do país o ressarcimento dos valores pagos a mais na conta de luz em decorrência de um erro na metodologia de apuração do reajuste tarifário. É essa a conclusão das reuniões entre os ministérios de Minas e Energia e da Fazenda e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), ontem, em Brasília.
As entidades de defesa do consumidor irão insistir em um acordo que evite a enxurrada de ações judiciais com pedido de devolução dos valores, que podem passar de R$ 10 bilhões.
Luiz Antonio Marrey, secretário de Justiça de São Paulo, disse ontem que será uma "ilusão" a solução desse caso sem um acordo que contemple a devolução do dinheiro.
Maria Inês Dolci, coordenadora da Pro Teste, disse que ainda aguarda ato da Aneel sobre como ocorrerá a devolução do dinheiro, sem o qual caberá inclusive ação de improbidade administrativa.
Ontem, em reunião extraordinária, a agência reguladora aprovou a convocação de audiência pública até dia 27 para recolher sugestões a fim de pactuar, em consenso com as distribuidoras, uma mudança do contrato de concessão. O objetivo é eliminar a falha a partir de agora.
Sobre o passado, a Aneel anunciou que só fará apenas o levantamento dos valores pagos de forma indevida pelos consumidores. A agência alega que não tem condições de exigir de forma unilateral a devolução do dinheiro, embora reconheça a existência do passivo para com os consumidores.
O diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse que vai esperar a voluntariedade das distribuidoras que quiserem devolver os valores. Hubner disse que "devolver o dinheiro é impossível. O que pode acontecer é, voluntariamente, as distribuidoras aceitarem fazer esse ressarcimento por meio da tarifa. A Aneel não pode obrigá-las a ressarcir porque não houve erro no cálculo. Foi usada a fórmula vigente em contrato".
Na hipótese de as concessionárias "voluntariamente" aceitarem devolver o que receberam a mais, a agência diz que fará o cálculo para compensar os valores nas tarifas futuras. Mais que isso a Aneel não fará.
A Folha apurou que a Aneel considera a repercussão do caso um elemento que pode mudar a posição das distribuidoras. A própria mudança do contrato agora em discussão pública é um exemplo.
Palavra final
O fim da distorção que gera perdas aos consumidores de energia e o ressarcimento dos prejuízos que já aconteceram dependem agora exclusivamente da concordância das distribuidoras de energia elétrica.
Procurada, a Abradee (Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica) não quis comentar o assunto.
Na CPI das Tarifas, distribuidoras como Cemig, AES Eletropaulo e Ampla admitem discutir mudanças no contrato e ressarcimento aos consumidores.
A Aneel e o Ministério de Minas e Energia sustentaram ontem que não houve erro nos reajustes. "Tudo o que foi feito até agora foi de acordo com o contrato de concessão. Não houve erro", disse Hubner.
"Não estou convencido de que tenha havido erro. Pode ter havido má aplicação da fórmula mal concebida. Erro propriamente dito eu não estou convencido", disse o ministro Edison Lobão (Minas e Energia).
Colaborou a Sucursal de Brasília
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Fiesp pede que empresas sejam ressarcidas
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) cobrou que empresas e consumidores sejam ressarcidos pelos valores pagos a mais pela energia.
A entidade afirma que a cobrança indevida agrava o impacto do custo da energia elétrica na competitividade da indústria brasileira.
"Portanto, é premente e inquestionável o ressarcimento imediato do dinheiro pago a mais por pessoas físicas e jurídicas", disse a Fiesp, por meio de nota.
De acordo com a entidade, as tarifas de energia no Brasil estão entre as mais caras do mundo, enquanto os encargos que incidem sobre a conta de luz são os mais altos.
Para efeito de comparação, a Fiesp diz que os bilhões de reais pagos a mais pela energia desde 2002 equivalem aos investimentos realizados na construção da usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira.
"Providências urgentes devem ser adotadas para corrigir, em definitivo, o problema e, sobretudo, para ressarcir os consumidores dos valores pagos a mais nas contas de luz", afirma a Fiesp.
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ENERGIA - Peru anuncia reserva de gás em lote da Petrobras
DA REUTERS
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente do Peru, Alan García, anunciou uma "grande descoberta" de gás, em um lote da Petrobras na selva peruana.
"Podemos afirmar que no lote 58 foi encontrada uma grande quantidade de gás, isso é o que vamos comprovar amanhã [hoje] e possivelmente no sábado", afirmou a jornalistas.
A Petrobras participa de seis lotes de hidrocarbonetos no Peru. Procurada, a estatal não confirmou a informação de García.
Segundo especialistas e empresas do setor, o Peru abriga reserva de gás natural de 8,79 trilhões a 14,1 trilhões de pés cúbicos.
Acordo
Na quarta-feira, a Petrobras fechou acordo para comprar a operação de lubrificantes da Chevron no Chile por US$ 12 milhões. O negócio deve ser concluído em um mês.
Entre os ativos estão uma fábrica de lubrificantes em Santiago e 23 tanques de armazenamento. Por dois anos, a Petrobras poderá usar a marca Texaco, até concluir a transição para a marca Lubrax.
Com o acordo, a Petrobras pretende atingir a fatia de 6% no mercado de lubrificantes. A empresa chegou ao país em 2005.
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Foco - Acorrentada, funcionária da Petrobras diz ter sido vítima de assédio moral
SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
Uma funcionária que trabalha nas operações da Petrobras na Bahia acorrentou-se em frente à sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro, para pedir providências contra casos de abuso moral e de suposta manutenção de profissionais doentes em serviço.
Contratada pela Petrobras há 22 anos, Edilene de Oliveira, 42, chegou à empresa no início da manhã. Estava com os pés acorrentados e exibia um cartaz em que se lia "a gerência da Petrobras mata! Queremos viver".
A funcionária diz que, por ter trabalhado em sondas de perfuração de petróleo, sofre de doenças dermatológicas e musculares devido a substâncias às quais era exposta. Ficou por quatro anos afastada do serviço e, em setembro, o INSS determinou que ela voltasse às atividades.
Ela diz ter laudos médicos atestando a falta de condição de retorno, mas que a empresa estaria se recusando a dar continuidade ao processo para novo afastamento.
No início da noite, ela dizia que só deixaria a empresa quando a gerência de recursos humanos se comprometesse a negociar melhorias nos problemas indicados.
A Petrobras afirmou que o objetivo da empregada é obter maior tempo de afastamento médico -e não reclamar de assédio moral na empresa.
A companhia informou que a funcionária apresentou, há 12 anos, sintoma de doença alérgica "de caráter hereditário" e que a afastou da área operacional para o escritório com o objetivo de evitar que o ambiente industrial agravasse sua saúde.
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MINERAÇÃO - GERDAU SE RECUPERA E LUCRA R$ 655 MILHÕES NO 3º TRI
A Gerdau registrou lucro de R$ 655 milhões no terceiro trimestre do ano, revertendo a tendência de prejuízo acentuada no primeiro semestre devido à crise internacional. Prevendo aumento gradual da demanda por aço, com a melhora da economia, o presidente da empresa, André Gerdau Johannpeter, anunciou elevar em 50% a previsão de investimentos entre 2010 e 2014 (para R$ 9,5 bilhões, 80% no Brasil). Com esse resultado, a Gerdau acumula lucro de R$ 361 milhões em 2009 -no mesmo período de 2008, havia lucrado R$ 4,6 bilhões.
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TELEFONIA - VIVO GANHA R$ 340 MI NO TRIMESTRE, ALTA DE 154%
A operadora de telefonia celular Vivo registrou lucro líquido de R$ 340 milhões no terceiro trimestre, alta de 154% em relação ao lucro de um ano antes. A receita líquida de serviços da empresa totalizou R$ 3,8 bilhões de julho a setembro, ante R$ 3,6 bilhões no mesmo período de 2008. A empresa encerrou setembro com quase 49 milhões de clientes, expansão de 15,5% em 12 meses. A receita média por assinante no terceiro trimestre foi de R$ 26,40, queda de 10,2% ante o mesmo intervalo de 2008 e alta de 0,4% sobre o trimestre anterior.
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IBGE corrige erro sobre concentração de terra
Distribuição de propriedades não ficou mais desigual, diferentemente
do que órgão divulgara; Folha publicou informação em outubro
Indicador ficou estável no período de 10 anos encerrado em 2006;
instituto diz que houve falha em sistema de processamento de cálculo
DA SUCURSAL DO RIO
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) errou no cálculo do índice de Gini da terra, o que levou à interpretação equivocada de que a concentração de propriedades rurais crescera no país num período de dez anos, findo em 2006.
Na realidade, o indicador, o mais importante do Censo Agropecuário do instituto, manteve-se praticamente estável, com ligeira redução de apenas 0,002 ponto percentual.
Quanto mais próximo de 1, o índice de Gini indica uma distribuição mais desigual. Quanto mais perto de zero, menor é o nível de concentração.
Há pouco mais de um mês, o IBGE havia divulgado que o índice ficara em 0,872 em 2006, acima do 0,856 do censo realizado nos anos de 1995 e 1996. O dado foi corrigido ontem para 0,854 -ou seja, pouco abaixo do de 2006. A informação incorreta do IBGE foi publicada na Folha em 1º de outubro.
O IBGE alega que houve falha em seus sistemas de processamento do cálculo do Gini, feito a partir dos dados básicos da pesquisa de cada uma das propriedades investigadas.
O erro só foi descoberto após o professor de economia da Unicamp Rodolpho Hoffmann entrar em contato com o instituto e alertar para o equívoco no Gini do país -nos demais dados, o especialista não apontou correções a serem feitas. A reportagem procurou Hoffmann, mas ele não foi localizado até a conclusão desta edição.
O gerente do Censo Agropecuário, Antonio Carlos Florido, diz que o erro não é grave. Isso porque não houve problema na coleta dos dados, mas sim nos sistemas de processamento. "O que deve ter ocorrido é que o sistema não "leu" um pedaço dos dados", diz.
O técnico não crê que tal erro comprometa a credibilidade do órgão oficial de estatística do país. "Não afeta porque não houve erro nos microdados, nos dados primários."
O índice de Gini é, porém, o indicador-síntese do Censo Agropecuário e, pelo resultado divulgado incorretamente pelo IBGE, retratou uma realidade distante da verdadeira.
O IBGE informa que não há prejuízo em outros dados do Censo nem mesmo do índice de Gini dos Estados, que não são usados diretamente para calcular o Gini do país.
Para a diretora de Pesquisas do IBGE, Wasmália Bivar, o erro atingiria a credibilidade do órgão se tivesse sido omitido.
"O erro aconteceu até pelo tamanho do censo. O IBGE tem compromisso com as informações que divulga. Essa é a principal questão. Descoberto o erro, tem de dar transparência. Não podemos esconder."
Ela afirma que todas as tabelas foram "conferidas muitas vezes", mas que o erro passou. Ganhou importância, avalia, justamente por se tratar do indicador-síntese da pesquisa e de o dado corrigido mostrar a tendência inversa -de menor concentração, e não de maior.
Bivar minimiza a importância do Gini e diz que ele não pode ser analisado isoladamente. Para avaliar as condições de vida e a concentração de terra, é preciso, diz, levar em conta produtividade, renda, emprego e escolaridade do produtor.
"O índice de Gini não qualifica a concentração. Apenas indica se ela aumentou ou não. Às vezes o arrendamento de propriedades [que não é captado] pode resultar em maior distribuição de renda [para os donos da terra]. Porém ele representa o aumento da concentração. Se ela é boa ou ruim, depende do ponto de vista", afirmou Florido, à época da divulgação do Censo Agropecuário.
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INDÚSTRIA - Receita da indústria cresce, mas uso da capacidade cai
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar do crescimento do faturamento e da criação de emprego na indústria em setembro, após dois meses de recuperação o nível de uso da capacidade instalada nas fábricas voltou a cair: de 81,4% em agosto para 81,1%, segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Flávio Castelo Branco, da CNI, diz que a queda na taxa de uso do potencial não é um recuo na atividade, mas acomodação da produção, comum nos últimos meses do ano. Ainda assim, ressaltou, pode haver altas na sequência, devido à conclusão do ajuste de estoques.
A massa salarial caiu 3,9%, ante o mesmo período de 2008. Foi o maior recuo da série, iniciada em 2006.
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VAREJO - Linha branca puxa atividade em outubro
DA FOLHA ONLINE
A atividade do comércio registrou aumento de 7,1% em outubro ante o mesmo mês do ano passado. Já no confronto com setembro, a expansão foi de 1,3%, de acordo com a Serasa Experian. Os dados apontam a proximidade do fim do IPI reduzido para os produtos da linha branca.
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COMÉRCIO EXTERIOR - EUA e europeus vão à OMC contra China
DO "FINANCIAL TIMES"
Os EUA, a União Europeia e o México solicitaram que um painel de resolução de disputas da OMC (Organização Mundial do Comércio) investigue as restrições chinesas à exportação de matérias-primas de uso industrial, no mais recente contra-ataque enérgico às políticas comerciais de Pequim.
O apelo à OMC alega que as restrições chinesas à exportação de bauxita, magnésio e outras matérias-primas usadas para produzir aço, alumínio e alguns compostos químicos estão elevando o preço desses produtos finais.
A Austrália também se envolveu em uma disputa comercial com a China, a maior parceira comercial do país, depois de impor uma tarifa provisória de 16% às exportações de produtos de alumínio extrudado do país asiático, alegando dumping.
As novas queixas surgiram antes da primeira visita de Barack Obama à China, neste mês, quando ele deve discutir questões comerciais e pressionar os chineses por uma valorização de sua moeda.
O governo dos EUA já impôs tarifa de 35% sobre as importações de pneus chineses, o que levou Pequim a anunciar inquérito sobre as exportações americanas de carne de aves, carros e autopeças.
Tradução de PAULO MIGLIACCI
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LEVANTAMENTO - FORTUNA DOS CHINESES MAIS RICOS CRESCE 81%
O patrimônio dos 400 chineses mais ricos cresceu 81% em 12 meses, diz a "Forbes", somando US$ 314 bilhões. São agora 79 bilionários (o mais rico, Wang Chuanfu, da montadora BYD, tem US$ 5,8 bilhões), ante 24 em 2008.
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Caixa volta a ser 4º maior em ativos
Lucro recua 38% no ano, mas mostra melhora no 3º tri;
na contramão do setor privado, crédito aumenta 62%
Balanço da instituição, que seria divulgado hoje, foi publicado
na internet ontem à noite "por engano", diz assessoria do banco
EDUARDO CUCOLO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O aumento na provisão contra inadimplência foi o principal fator que reduziu em 38% o lucro da Caixa Econômica Federal nos nove primeiros meses de 2009 na comparação com o mesmo período de 2008.
Em compensação, os ativos cresceram 24%, para R$ 341,9 bilhões, o que recoloca o banco como o quarto maior do país nesse critério, desbancando o Santander. Os primeiros são Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, nessa ordem.
O lucro líquido da Caixa recuou de R$ 3,27 bilhões nos três primeiros trimestres de 2008 para R$ 2,03 bilhões no mesmo período deste ano. O resultado dos três maiores bancos privados -Itaú Unibanco, Bradesco e Santander-, que reduziram a concessão de crédito nesse período por causa da crise global, caiu cerca de 8%, em média, na comparação.
Na contramão do setor privado, a carteira de crédito da Caixa cresceu 62% e chegou a R$ 112 bilhões no final de setembro, dentro da política do governo de utilizar as instituições financeiras públicas para garantir a oferta de recursos no país. Com isso, a participação da instituição no sistema financeiro cresceu de 6% para 8,3%.
Com o aumento nos empréstimos, a Caixa teve de elevar em quase 77% a provisão contra risco de inadimplência, que chegou a R$ 2,5 bilhões, derrubando o lucro no período. Por outro lado, o aumento de 34% nas receitas com empréstimos e de 16% no ganho com tarifas ajudou a reduzir esse impacto. Juntos, esses ganhos somaram mais de R$ 15 bilhões.
O balanço da instituição, que seria divulgado hoje, foi publicado na internet ontem à noite "por engano", segundo a assessoria de imprensa do banco.
Apesar do aumento na provisão, o índice de inadimplência geral recuou de 4,2% para 3,6%. De acordo com a Caixa, tanto em relação aos consumidores como às empresas, os índices estão abaixo da média do mercado bancário. Segundo a Caixa, isso se dá porque a alta do crédito foi acompanhada de uma melhora na qualidade dos devedores. As operações de menor risco passaram de 68,5% para 74,7% da carteira.
O crédito para pessoa física cresceu 40%, puxado pelo consignado e pelos financiamentos imobiliários. Já o dinheiro direcionado para empresas mais que dobrou, avanço de 112%.
Somente no terceiro trimestre, o lucro foi de R$ 870 milhões, ante R$ 722,5 milhões registrados no mesmo trimestre de 2008 -alta de 20%. As contratações em habitação nesses três meses quase dobraram, para R$ 13,2 bilhões.
LEIA MAIS nas colunas Mônica Bergamo e Mercado Aberto
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Política Monetária - BC europeu mantém juros e sinaliza fim de ajuda a bancos
DA REDAÇÃO
O BCE (o banco central dos 16 países da zona do euro) deu ontem o primeiro passa para a retirada dos seus programas de estímulos, ao sinalizar que não vai oferecer mais no ano que vem empréstimos de 12 meses aos bancos da região.
"Nem todas as nossas medidas de liquidez serão necessárias no mesmo nível do passado", disse o presidente do órgão, Jean-Claude Trichet, após a reunião em que foi decidida a manutenção dos juros em 1% -o BC britânico tomou igual decisão.
Já o BC da Islândia reduziu de 12% para 11% a taxa de juros de um dos países mais afetados pela crise.
Com agências internacionais
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JUSTIÇA - 14 são acusados nos EUA de "inside trading"
DA REDAÇÃO
A Justiça americana acusou 14 pessoas (advogados, administradores de fundos e investidores) de usar "inside trading" (informação privilegiada) na negociação de ações.
Algumas das empresas envolvidas estavam ligadas ao fundo Galleon, em que houve igual acusação.
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VINICIUS TORRES FREIRE - Um tabu e uma atração fatais
O MINISTRO Guido Mantega disse ontem em Londres que quer evitar o "excesso de atração fatal" pelo Brasil. Referia-se ao eufórico e inopinado amor do mundo endinheirado pelo Brasil, que ameaça criar bolhas e exageros de valorização do real. Releve-se o fato de que uma atração fatal, como diz a palavra, é mortal; portanto, o ministro parece querer evitar uma morte exagerada por overdose amorosa de dólares. Mas passemos. Anteontem, em Nova York, o secretário de Política Econômica de Mantega e inspirador intelectual do ministério, disse que um dólar em torno de R$ 2,10 seria adequado para o crescimento do país. Ontem, esta Folha noticiou que a Fazenda deve baixar mais normas que pretendem afetar o câmbio (como emissão de mais dívida pública em reais, no exterior, e fazer com que os bancos captem mais dinheiro de longo prazo no mercado doméstico). A Fazenda reafirma, pois, que quer tomar o controle do câmbio ou, ao menos, da discussão a respeito.
Logo depois da taxação do investimento externo em carteira (via IOF), engolida a seco e com desgosto pelo Banco Central, o presidente do BC, Henrique Meirelles, passou a dizer que estuda medidas para liberalizar mais o fluxo de capitais.
Economistas de bancos e consultorias privados, como de costume, preferem que o BC conduza a discussão, o que têm explicitado em seus relatórios. Por exemplo, análise escrita nesta semana por Sérgio Vale, da consultoria MB Associados, dizia o seguinte. "Por um lado, isso [medidas como o IOF] traz a incerteza de que a Fazenda possa continuar fazendo experiências, e o medo de que essas experiências possam ser exóticas. Por outro lado, força o BC a entrar na discussão, o que é positivo, pois dá um caráter mais técnico e com soluções mais interessantes, como a possibilidade de fundos de pensão investirem lá fora ou a diminuição da cobertura cambial para exportações."
Diga-se de passagem que, no mesmo comentário, Vale introduz uma análise ora pouco usual sobre o câmbio: o real forte, ou o dólar raquítico, não é um destino inelutável. Vale argumenta que o dólar deve se valorizar, pois: 1) O comércio mundial vai se reerguer e vai aumentar a demanda pela moeda americana; 2) Os juros americanos terão de subir; 3) O deficit externo americano deve ir a quase zero em dois ou três anos. No Brasil, o deficit externo deve ir a 3,5% e além, o que deve impor um piso à valorização do real. De resto, os candidatos favoritos à Presidência parecem mais intervencionistas do que Lula em matéria cambial, o que levaria o mercado a antecipar a depreciação.
A análise mais comum, porém, é ainda a do real cada vez mais forte.
Um tanto curiosamente, banqueiros brasileiros, em conversas reservadas, acham que isso é mesmo um problema para a indústria e/ou o crescimento (no que divergem, digamos, de seus economistas), embora temam também que o governo possa aparecer com medidas "exóticas", como escreveu Vale.
Resumo da ópera: 1) Discutir o que fazer do câmbio deixou de ser tabu, mesmo na finança; 2) O balanço de forças nas discussões de política econômica muda cada vez mais para o lado da Fazenda.
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MARTIN FELDSTEIN - Por que o yuan precisa se valorizar
LÍDERES GLOBAIS concordam que reduzir os desequilíbrios mundiais é uma prioridade.
Na prática, isso significa reduzir o deficit em conta-corrente de US$ 500 bilhões dos Estados Unidos e fazer encolher o superavit de US$ 350 bilhões da China. Todos os outros desequilíbrios em conta-corrente têm importância menor, comparados a esse.
Como um superavit em conta-corrente é a diferença entre a poupança de um país e os investimentos, esse consenso significa que os EUA precisam aumentar sua poupança nacional para depender menos de dinheiro estrangeiro. A China precisa elevar seus gastos domésticos para conservar o alto índice de emprego, sem exportar tanto.
Avanços estão sendo obtidos. O índice de poupança das famílias americanas subiu, movido pela necessidade que as famílias têm de reconstruir sua riqueza. Os lucros das empresas também estão começando a subir. Mas o aumento na poupança privada não basta para elevar a poupança nacional dos EUA se os deficit federais continuarem altos.
A China conseguiu elevar seus gastos domésticos por meio de incentivos fiscais e um crescimento explosivo do crédito. Os gastos reais dos consumidores chineses saltaram 15% nos últimos 12 meses. O governo chinês também gastou mais, com grandes aumentos nos investimentos em infraestrutura e com a construção de moradias.
Contudo, embora essas duas mudanças sejam necessárias para reduzir os desequilíbrios globais, não são o bastante. Também é necessário um ajuste nas taxas de câmbio.
O dólar precisa cair em relação a outras moedas para que os produtos americanos se tornem mais atraentes para os compradores estrangeiros e para levar os americanos a comprar bens e serviços americanos, em vez de importados. Sem isso, a alta nos gastos domésticos não fará mais do que enfraquecer a economia americana e elevar o desemprego. É por isso que a queda recente do dólar diante do euro, do iene e de outras moedas constitui parte natural e desejável do processo de redução do deficit comercial dos EUA e dos desequilíbrios globais.
Infelizmente, o governo chinês não vem deixando o yuan se valorizar. Com o dólar caindo em relação às outras grandes moedas, o câmbio fixo do yuan ante o dólar vem levando a divisa chinesa a cair em relação ao euro, ao iene e a outras moedas.
Com isso, o valor ponderado do yuan vem declinando, tornando os produtos chineses exportados mais atraentes e encarecendo os produtos estrangeiros vendidos na China.
O resultado tem sido um aumento nas exportações chinesas. Isso ajuda a elevar o PIB e o nível de emprego na China, mas impede que sejam reduzidos os desequilíbrios globais.
A política chinesa de manter o yuan fraco faz o dólar dos EUA ter de cair mais rapidamente ante o euro, o iene e outras moedas para alcançar a mesma queda ponderada do dólar.
Assim, a política da China de conservar o yuan fraco não só impede que seja corrigido o grande superavit em conta-corrente chinês como reduz as exportações europeias.
A política da China de ampliar os gastos domésticos e, ao mesmo tempo, manter o yuan baixo vai levar ao superaquecimento de sua economia, especialmente de seu setor manufatureiro. Permitir que o yuan subisse deslocaria a demanda na China do setor manufatureiro para o de serviços, prevenindo a inflação. Assim, um yuan mais forte reduziria o desequilíbrio doméstico da China e os desequilíbrios globais.
Felizmente, a economia chinesa se encontra em rápida expansão, e seu crescimento está ficando menos dependente das exportações. Quando ela tiver a confiança necessária para deixar o yuan subir, estaremos no caminho para uma redução dos desequilíbrios globais.
MARTIN FELDSTEIN é professor de economia na Universidade Harvard. Este artigo foi publicado originalmente no "Financial Times".
Tradução de CLARA ALLAIN
Excepcionalmente, hoje, a coluna de LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS não é publicada.
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MARIA CRISTINA FRIAS -
cristina.frias@uol.com.brOs dados de inadimplência da Caixa Econômica Federal seguem em trajetória diferente da que se observou nos grandes bancos privados.
O atraso no pagamento acima de 90 dias da carteira de crédito comercial passou de 4,2%, em setembro de 2008, para 3,6% no terceiro trimestre de 2009, no banco público.
Essa queda destoa do que se observa no mercado. O nível de inadimplência subiu de 4% para 5,8%, no mesmo período, de acordo com o Banco Central.
Financiamento imobiliário, empréstimo para pessoa jurídica e consignado foram as modalidades que mais impulsionaram o crédito na Caixa.
O aumento do peso nessas modalidades, principalmente crédito consignado e imobiliário, é o que explica o melhor desempenho do banco no índice de inadimplência, segundo Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.
"O risco de calote no consignado é quase zero. E no financiamento imobiliário também é menor. A prestação da casa própria é a última conta que as pessoas deixam de pagar", diz. Para ele, o fato de a Caixa ser estatal não justifica o resultado, pois também deve seguir as regras de alavancagem do BC.
Márcio Percival, vice-presidente de finanças da Caixa prevê aumento da concorrência.
"Bancos privados estão voltando [ao crédito], com cautela. Isso vai obrigar a trabalhar com taxas menores e a diferenciar produtos", diz.
O Bradesco anunciou anteontem que vai ampliar prazos dos empréstimos.
Na Caixa, o que está em análise é a possibilidade de cortar, no ano que vem, taxas no cartão de crédito e no cheque especial, além da criação e da reformulação de produtos, diz Percival.
NA ÁGUA E NO CAMPO
A fabricante de motos Kasinski venderá motores de popa (para barcos) e motogeradores estacionários (usados em propriedades rurais) em 2010. O primeiro lote com 7.000 itens será importado, mas a meta é produzir os modelos em Manaus, segundo o presidente da Kasinski, Claudio Rosa Junior. A CR Zongshen, joint venture da CR Motors e da chinesa Zongshen, assumiu o controle da Kasinski em agosto. "Renegociamos com os fornecedores e conseguimos cerca de 15% de redução nos custos. Esse ganho foi repassado aos clientes nos preços", diz Rosa Junior. A receita da montadora cresceu 37% em setembro e outubro, ante o mesmo período do ano passado.
LULA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou duas visitas à Fiesp na próxima semana. Na segunda-feira, ele participará de uma homenagem ao vice-presidente, José Alencar, que receberá o cargo de presidente emérito da entidade. No dia seguinte, Lula recepcionará 400 empresários italianos na Fiesp, que vão realizar mais de 2.000 encontros de negócios no país.
DELEGAÇÃO
A Ministra Ellen Gracie e os advogados Isabel Franco e Ordélio Azevedo Sette serão representantes do Brasil no Fórum Mundial da Justiça, dia 11, em Viena, na Áustria. Participarão do evento cerca de 500 representantes de 90 países. O projeto PeaceTones, de inclusão social pela música, financiado pelo Fórum, levará a Viena um grupo de jovens músicos pernambucanos comandados pelo maestro DJ Big do Recife. Eles farão uma apresentação de música folclórica.
LIGAÇÃO
Argentina e Venezuela mantêm a liderança no uso de dados GSM na América Latina. Nos dois países, 29% da receita média gerada pelas operadoras por usuário vem da transmissão de dados, como mensagens de texto, segundo relatório da 3G Americas, associação setorial que representa a tecnologia GSM e suas evoluções. O Brasil aparece na 4ª posição, com 12%.
CARTILHA
Cerca de 9.000 cartilhas com informações sobre como obter e usar o Cartão BNDES foram distribuídas pela CNI a micro e pequenos empresários desde julho.
RECICLAGEM
A empresa Recicleiros, que faz gestão de resíduos de eventos, recolheu 1.711 quilos de materiais recicláveis entre a Stock Car 10K e a Etapa de Curitiba da Copa Nextel Stock Car.
NA BOMBA
O Sindicom (sindicato de distribuidoras de combustíveis e lubrificantes) e a Fecombustíveis (federação do comércio do setor) começam a veicular nos próximos dias campanha para combater sonegação de impostos do álcool. Cerca de 30% do volume consumido não tem os impostos recolhidos integralmente, segundo as entidades, o que resulta em prejuízo de R$ 1 bilhão ao ano para a arrecadação dos Estados e da União. A campanha é assinada pela Agência3.
TREINAMENTO
A brasileira ETH Bioenergia vai treinar 63 técnicos angolanos que trabalharão na Biocom, primeiro investimento direto da Odebrecht no setor sucroenergético em Angola, em parceria com a Damer Indústrias e a petrolífera estatal angolana Sonangol. Com investimentos que superam os US$ 280 milhões, a sociedade produzirá anualmente 250 mil toneladas de açúcar, 30 mil metros cúbicos de etanol e cogeração de energia de 160 mil megawatts, a partir de 2012. Outra turma de angolanos deve chegar em 2010.
FABRICAÇÃO
A construtora Serpal, do Grupo Advento, prepara-se para entregar a fábrica de lácteos da Perdigão, em Bom Conselho, no agreste pernambucano, que será inaugurada no dia 19 com a presença do presidente Lula. A unidade foi construída em 16 meses. As obras da Serpal no Estado somam mais de R$ 50 milhões e incluem a nova fábrica de detergente em pó da Unilever, em Igarassu.
NA INDÚSTRIA
A Air Liquide, uma das empresas líderes mundiais em gases para indústria, saúde e meio ambiente, iniciou a operação de uma nova unidade de separação de gases do ar, no município de Candeias, na Bahia. Instalada no complexo da Dow Brasil, terá uma capacidade de produção de 60 mil toneladas de gases por ano.
com JOANA CUNHA e MARINA GAZZONI
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SILVIO NAVARRO (interino) -
painel@uol.com.brDiante da resistência em relação ao projeto que regulamenta o lobby em todo o serviço público, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), já fala em emplacar as regras somente na Casa que comanda. Pretende submeter à Mesa Diretora uma resolução obrigando lobistas a se credenciar antes de fazer o corpo a corpo pelos corredores. Também disciplinaria a distribuição de brindes.
A ideia foi testada pelo peemedebista em conversa com outros líderes na Casa, mas também houve certa crítica. Alguns afirmam que, ao restringir a proposta, carimbaria a Câmara como reduto de negociatas. Além disso, sem amparo em lei, não seria possível estabelecer punição além da simples perda do crachá.
com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON
Tiroteio
A CDHU ficou marcada pela corrupção nos governos do PSDB. É lamentável que a CPI termine melancolicamente sem conclusão.
Do deputado estadual ANTONIO MENTOR (PT), sobre o desfecho na Assembleia paulista da CPI que investigou denúncias de irregularidades na Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano.
Contraponto
Meus e seus
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) jantou na semana passada com congressistas do PP, o sexto partido a sentar à mesa para negociar aliança à sua candidatura presidencial. Ao começar o discurso, ela se alongou nos cumprimentos, repassando nome a nome as lideranças da legenda. Mas, quando ia iniciar seu discurso, recebeu acenos de um pequeno grupo de petistas, sentados no canto.
A ministra imediatamente interrompeu a fala e afirmou, para risada geral:
-Ah! Deixa eu cumprimentar também os companheiros do PT... Ou corro o risco de não ganhar o voto deles!
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Editorial - Resistência difícil
PARECEM interessantes as novas ideias acalentadas pela equipe econômica para tentar diminuir a velocidade em que o real se valoriza. Depois da implantação da tarifa de 2% para os estrangeiros que queiram investir em ações e outros títulos no Brasil, o objetivo agora é permitir que parte dessas aplicações seja feita fora do país.
A taxação na entrada de capitais tem efeitos colaterais. Se funcionar -isto é, se não for burlada pelo inesgotável acervo de dribles à disposição dos aplicadores globais-, prejudicará empresas brasileiras que não têm acesso ao mercado externo e contam com a entrada do capital estrangeiro, a fim de obterem recursos a custo mais baixo.
A própria Bovespa, um dos cinco maiores pregões do mundo, teria a atratividade reduzida no cotejo com Nova York -onde se adquirem ações brasileiras sem os 2% de imposto. A abordagem da nova safra de propostas ainda em estudo criaria menos arestas.
Estrangeiros, ao aplicarem no mercado de futuros da Bovespa, não precisariam depositar as garantias do negócio no Brasil. Poderiam fazê-lo em bancos fora do país. O Tesouro retomaria a emissão de dívida externa em reais, oferecendo condições próximas às de aplicações em títulos públicos domésticos, sem necessidade de trazer os dólares.
Não se deve esperar, contudo, mudança na tendência do câmbio com esse conjunto de medidas. No máximo, retardarão o ritmo da alta do real -mas até isso é difícil de saber, pois não se pode calcular qual teria sido o comportamento da moeda na ausência dessas iniciativas.
No mundo rico as aplicações financeiras, quer em empresas, quer na dívida pública, têm rendimento baixíssimo. No Brasil, já em crescimento acelerado, negócios privados prometem ganhos bem maiores, o governo paga juros ainda elevados e o câmbio flutua -à diferença do que ocorre na China, cuja moeda está ancorada à americana.
Diante dessa conjunção de fatores, é difícil resistir à corrente que valoriza o real.
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