VALOR ECONÔMICO

Fundos: Multimercado lidera captação até outubro, mas cresce concorrência com outros ativos.

Investidor mostra mais disposição para o risco

Por Alessandra Bellotto, de São Paulo
Passado um ano do pior mês da crise para os mercados financeiros, o investidor brasileiro parece ter superado o trauma. No setor de fundos, o destaque em 2009 fica por conta dos multimercados, com captação líquida de cerca de R$ 32 bilhões no acumulado até 30 de outubro, segundo dados da Associação Nacional das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Carteiras de renda fixa e de ações, que assim como os multimercados sofreram com a forte volatilidade dos ativos no ano passado, também estão com fluxo positivo nos dez meses: R$ 10,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões, respectivamente.

A caderneta de poupança, que voltou a brigar com as alternativas mais conservadores no último ano dada a redução da taxa de juros, caminha para fechar o mês de outubro com o primeiro saldo negativo após cinco meses de captação forte. Até o dia 29, as saídas superavam as entradas em R$ 346 milhões. No ano, contudo, o fluxo está positivo em R$ 15,4 bilhões, o que representa um aumento de 58,7% em relação à captação registrada entre janeiro e outubro de 2008. Os fundos DI, no entanto, também continuam perdendo recursos. Em outubro fechado, os resgates foram de R$ 1,3 bilhão, elevando o saldo negativo do ano para quase R$ 7 bilhões.

Os números mostram um claro processo de redução da aversão a risco, avalia o gestor de carteiras da Verax Serviços Financeiros, Pedro Lérias. "Nem parece que um ano atrás estávamos numa sangria desatada." Mas o ambiente de maior tranquilidade, com bons indicadores macroeconômicos e recuperação dos preços dos ativos, é o que explica esse comportamento do investidor, ressalta Lérias. No mesmo período de 2008, os saques chegaram a R$ 49 bilhões nos multimercados, R$ 41 bilhões nos fundos de renda fixa e R$ 8,8 bilhões nas carteiras de ações.

É como se os bons resultados da bolsa e até dos multimercados ajudassem a tirar a pressão sobre os ativos de risco, argumenta Lérias. Em 12 meses, destaca o gestor, o retorno dos multimercados está bem cima do CDI. As carteiras de estratégia "macro", por exemplo, acumulam ganho de 20,16% no período, ante 10,72% do indicador de referência. A subcategoria "multiestratégia" registra rentabilidade de 14,46%. Já os fundos de renda fixa estão com retorno de 11,64% em 12 meses, quase 1 ponto percentual acima do CDI.

"Esses resultados passados acabam estimulando a busca por mais risco", afirma. Na visão de Lérias, o investidor inevitavelmente olha o retrovisor e, quanto melhor for a fotografia dos últimos 12 meses, maior tende a ser a migração para alternativas que potencialmente ofereçam melhores retornos. A busca por diversificação, contudo, deve ser lenta, pondera o gestor. Além de o trauma ter sido grande no ano passado, segundo Lérias, o processo de venda hoje está menos agressivo. O lado positivo da história é que o nível de educação do investidor tende a aumentar.

O movimento de diversificação passa necessariamente por diferentes classes de ativos, fora do setor de fundos, ressalta o superintendente de alocação de recursos do Banco Fator, Marcelo Faria Figueiredo. Isso já vem acontecendo, segundo ele. No início do ano, foram as debêntures de grandes nomes como Bradespar que atraíram os investidores avessos a risco, dado os prêmios robustos oferecidos. Depois, confirmada a redução da taxa de juros, alternativas que carregam benefícios fiscais, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e fundos imobiliários também entraram no radar do investidor.

"Com a queda de juros, acabou o retorno de 1% ao mês no DI", afirma Figueiredo. O investidor, ressalta o especialista, passou a procurar alternativas menos óbvias, o que deu margem à criatividade das casas de gestão de recursos e à consequente ofertas de produtos mais estruturados. Para ter retorno acima da taxa livre de risco (o CDI), não há outro caminho senão assumir mais risco e alongar os prazos, diz.

O resultado dessa mudança no perfil de investimentos, segundo o executivo, é a maior concorrência para os gestores de fundos, como os multimercados. Com alternativas que chegam a pagar juro de 8%, 9% mais correção inflacionária, como alguns CRI, ficou mais complicado para o fundo multimercado concorrer. Ontem mesmo, foi iniciada a distribuição pela RB Capital de um CRI com lastro em recebíveis imobiliários da BR Distribuidora com taxa de remuneração de 6,85% ao ano mais IPCA. A emissão, que supera os R$ 110 milhões, tem prazo de 10 anos.

No universo da renda variável, o superintendente do Banco Fator acredita que carteiras indexadas tendem a perder o brilho. Ele conta que tem muito investidor indo para a bolsa diretamente ou optando por fundos de índice negociados em bolsa, conhecidos como Exchange Traded Funds (ETF). Uma opção mais barata e fácil para replicar os índices, afirma.

Veja as tabelas de fundos em www.valoronline.com.br/fundosdein

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Construção: A margem líquida da companhia, porém, continua abaixo da média do setor.

Gafisa mais que dobra resultado

Por Daniela D'Ambrosio, de São Paulo
Criticada pelos analistas pela baixa margem líquida, a Gafisa começa a melhorar os seus resultados. O lucro líquido da companhia (antes das despesas com minoritários e com os planos de opção de ações e que considera 100% dos resultados da Tenda) foi de R$ 88,5 milhões, o que significa uma alta de 136% em relação aos R$ 37,6 milhões do mesmo período do ano passado.

A margem líquida, de 7,5%, continua abaixo da média do setor - de 12% no segundo trimestre. Ajustada, a margem líquida sobe para 10,1%. Recentemente, a companhia anunciou a intenção de incorporar integralmente a Tenda, empresa de baixa renda adquirida em agosto do ano passado.

Segundo Wilson Amaral, presidente da companhia, houve um impacto negativo de Tenda no balanço da consolidada Gafisa. "Fizemos ajustes, estamos arrumando a empresa, mas a Tenda ainda puxa um pouco o resultado para baixo", afirma Amaral.

A margem líquida de Tenda no terceiro trimestre foi superior à de Gafisa (8,3%), mas a margem do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) da companhia de baixa renda ficou em 14,5%, enquanto a da Gafisa é de 20,4%.

O impacto negativo da empresa de baixa renda, segundo Amaral, deve-se à diminuição do reconhecimento de receita da Tenda por conta da redução do volume de obras no início do ano. "Revisamos vários contratos de terceirização de obra no começo do ano", diz Amaral. No dia 30 de setembro, a Tenda tinha R$ 1,2 bilhão de venda efetuada, mas sem receita reconhecida (obras não iniciadas).

Se aprovada em assembleia, a Tenda passa a ser uma subsidiária da companhia e deixa de ser listada. A empresa aposta numa redução importante das despesas gerais e administrativas após a incorporação.

A receita líquida da Gafisa no terceiro trimestre somou R$ 877 milhões, alta de 131,4% sobre os R$ 378 milhões do mesmo período do ano passado.

A empresa deve emitir R$ 600 milhões em debêntures junto à Caixa Econômica Federal - a assembleia de acionistas está marcada para 16 de novembro. As debêntures servirão como uma linha de crédito rotativo permitindo que a empresa financie até 90% do custo total do projeto. Recentemente, a Gafisa anunciou a emissão de R$ 250 milhões em debêntures para capital de giro.

A Gafisa é a única entre as cinco maiores que não fez uma nova oferta de ações - a companhia chegou a anunciar a oferta, mas desistiu porque não teve demanda. O caixa da companhia fechou setembro em R$ 1,1 bilhão, e a dívida líquida em R$ 1,7 bilhão.

Seguindo a tendência de conservadorismo do setor imobiliário, a Gafisa reduziu fortemente o número de lançamentos este ano. Nos primeiros nove meses, foram lançados R$ 3,5 bilhões, queda de 63% em relação ao ano passado. No trimestre, a queda foi de 43%. Segundo Amaral, no quarto trimestre, a companhia voltará a um ritmo mais forte de lançamentos para que possa engordar a receita no futuro.

No ano, as vendas subiram 11,8% e no trimestre aumentaram 48%, atingindo R$ 800,2 milhões. Com um volume menor de lançamentos, a companhia conseguiu reduzir estoques (imóveis já lançados, em construção ou prontos). Terminou o mês de setembro com R$ 2,8 bilhões (valor de mercado) em estoques, depois de ter começado o ano com R$ 4 bilhões.

A estimativa da Gafisa é vender entre R$ 2,7 bilhões e R$ 3,2 bilhões em 2009 - o que significa que no quarto trimestre a empresa terá que vender mais R$ 750 milhões para atingir o ponto médio da projeção. "Vamos atingir o 'guidance' tranquilamente", afirma o presidente da companhia.

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BCE começa a suspender ajudas

Marc Jones, Reuters, em Frankfurt
O Banco Central Europeu (BCE) deu o primeiro passo para remover as medidas extraordinárias de apoio à economia da região do euro, ontem, ao sinalizar que os empréstimos de um ano não voltarão a ser oferecidos aos bancos em 2010.

A taxa básica de juros foi mantida em 1% pelo sexto mês consecutivo e o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, prometeu anunciar em dezembro o que a instituição fará a respeito das políticas restantes do banco central que inundaram os mercados com fundos baratos e abundantes.

Permitir que os empréstimos de 12 meses vençam depois da próxima operação, marcada para 16 de dezembro, já seria uma forma de limitar o acesso dos bancos aos fundos que levaram as taxas do mercado monetário para seus menores patamares históricos e ajudaram a reacender os fluxos de crédito.

Ao ser perguntado se o BCE estava preparado para deixar de realizar as operações de um ano, Trichet destacou que os mercados financeiros não esperam que o banco central anuncie mais negócios desse gênero em 2010.

"Não direi nada para dissipar esse atual sentimento do mercado", afirmou em entrevista coletiva. "Mas a decisão será tomada pelo Conselho de Governo na próxima reunião, dentro de um mês."

Trichet ressaltou que as medidas de incentivo à liquidez tomadas pelo BCE - incluindo o empréstimo de fundos ilimitados aos bancos, a taxas de juros fixas - serão abandonadas de forma gradual e oportuna, com o que não continuarão tendo a mesma amplitude do passado.

Não quis dizer, no entanto, se o BCE elevará o custo dos fundos, atualmente de 1%, na próxima operação de 12 meses, marcada para dezembro - medida que seria interpretada como sinal de provável aumento dos juros antes do fim de 2010.

"O BCE deu fortes dicas de que poderá não rolar os leilões extraordinários de um ano em 2010", afirmou Richard McGuire, estrategista de renda fixa na RBC Capital Markets. "O fim dessas operações reforça as expectativa de que o banco começará a normalizar os juros no próximo ano."

A posição do BCE contrasta com a do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), que na quarta-feira não anunciou mudanças na política, apesar da crescente confiança em uma recuperação, e com a do Banco da Inglaterra, que manteve as taxas de juros e divulgou que ampliará sua política conhecida como afrouxo monetário quantitativo em 25 bilhões de libras esterlinas (US$ 41,2 bilhões).

O euro ampliou a valorização em relação ao dólar, com os operadores aumentando as apostas de que o BCE adotará em breve um plano formal de abandono das medidas. Todos os 78 economistas consultados pela Reuters na semana passada previam que o BCE manteria a taxa referencial de juros pelo sexto mês consecutivo, sendo que não se esperam aumentos até o fim de 2010.

No encontro do BCE em dezembro, o banco central atualizará suas projeções econômicas e as primeiras estimativas para 2011, o período crucial para as decisões de política monetária que serão tomadas agora, tendo em vista o longo tempo que as medidas levam para surtir efeito.

Para Trichet, é preciso cautela em relação às perspectivas econômicas, mas as taxas de expansão deverão ser positivas antes do fim do ano.

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Bancos: Instituição reassume "morganização", o controle de vários setores fragilizados

JP Morgan estende os tentáculos

Mike Spector e Peter Lattman, The Wall Street Journal
A "morganização" voltou. No auge de seu poder, há mais de um século, John Pierpont Morgan reorganizou - ou "morganizou", como alguns diziam na época - várias ferrovias falidas e assumiu seu controle.

Embora não seja tão poderoso quanto Morgan na época, o banco que leva seu nome hoje em dia já cancelou porções generosas da dívida de algumas empresas em troca de participação em negócios que nunca ensejou comprar. Muitas dessas empresas quebraram em meio à recessão e o banco foi forçado a controlá-las para salvar o empréstimo que havia concedido.

Com a morganização do século 21, o JP Morgan Chase & Co. detém fatias em dezenas de empresas com dezenas de milhares de funcionários. Ele tem participação na editora Journal Register Co., na rede de academias de ginástica Bally Total Fitness Holding Corp. e na fabricante de colchões e travesseiros Sleep Innovations Inc., entre outras.

Muitas dessas participações são pequenas, na faixa de 5% a 10%. Mas alguns dos novos investimentos do JP Morgan são maiores e mais importantes. O banco controla 45% da Bally, por exemplo, e 18% da editora de revistas Source Interlink Cos.

Além da carteira de empresas do JP Morgan há os corretores de renda fixa. Eles também assumiram o controle de empresas comprando títulos e empréstimos em risco de concordata e trocando-os por participação.

Credores como o J.P. Morgan "começaram a se envolver num cenário muito pouco natural", disse o advogado Marc Abrams, da Willkie Farr & Gallagher, que representou a Journal Register em sua concordata. Historicamente, "para um credor, se tornar o dono era uma heresia".

Hoje em dia, as morganizações estão surgindo em vários setores, como mídia e automóveis. Mas o JP Morgan não exerce mais o mesmo controle sobre essas empresas que seu banqueiro fundador exercia. Hoje em dia, as fatias compradas pelo JP Morgan são menores, em parte porque o banco consorciou seus empréstimos para outras instituições financeiras.

O governo dos Estados Unidos proíbe que bancos tenham participação em empresas, mas permite exceções para "dívidas previamente contraídas". Os bancos podem manter essas fatias no balanço por cinco anos e aí devem vendê-las, a não ser que recebam permissão para mantê-las por mais cinco anos.

Os bancos geralmente preferem não ter ações de empresas de fora do setor financeiro, em parte, por causa da percepção de que vão tratá-los de modo diferenciado dos outros clientes. Os bancos também recebem depósitos, o que os obriga a evitar investimentos mais arriscados que possam influenciar suas operações.

E, diferentemente das firmas de "private equity" que se gabam de ser especialistas em ressuscitar empresas combalidas, os bancos geralmente não gostam de sujar as mãos com reestruturações.

Outros bancos também adquiriram o controle de empresas problemáticas. Credores encabeçados pelo Deutsche Bank AG emprestaram uns US$ 100 milhões para a Hayes Lemmerz International Inc. navegar a concordata. A fabricante de rodas de carro acabou de receber aprovação da justiça para seu plano de reorganização, que dá aos credores uma fatia de 84,5% na empresa em troca da dívida.

Entre os outros credores que acabaram donos de empresas reestruturadas estão o Citigroup Inc., o Bank of America. e o Credit Suisse. Eles não quiseram comentar.

Executivos do J.P Morgan dizem que nunca planejaram controlar nenhuma empresa, mas se tornaram investidores relutantes quando as empresas não conseguiram pagar suas dívidas. Administrar esses ativos não é fácil. No último ano, o banco teve de contratar uma dezena de profissionais de supervisão para a divisão de créditos especiais do grupo, que cuida dessas participações.

O banco dedica a maior parte do tempo a escolher os novos conselheiros para supervisionar os ativos. Os integrantes do grupo de supervisão do JP Morgan são "especialistas em finanças e bancos. Não somos especialistas em operações", diz Patrick Daniello, que chefia a divisão de 40 pessoas. "Não necessariamente temos o tempo e a habilidade operacional para nos inserirmos tão profundamente assim na estratégia de uma empresa."

Mesmo assim, os banqueiros não têm vergonha de se fazer ouvir. No mais alto escalão do Morgan, a ordem é maximizar o valor desses novos investimentos.

Na Journal Register, um grupo de credores liderado pelo J.P. Morgan aceitou cancelar US$ 700 milhões em troca do controle da empresa reorganizada, juntamente com US$ 225 milhões em novas dívidas. Editora de dezenas de jornais locais ela emergiu da concordata em agosto com um novo conselho de quatro membros.

Empresas de comunicação representam uma fatia considerável das empresas problemáticas controladas pelo banco.

A Lear Corp., segunda maior fabricante de assentos automotivos do mundo, deve passar ao controle de bancos como o Morgan se o plano de reorganização for aprovado pela justiça. A Lear tinha US$ 1,27 bilhão em ativos e passivo de US$ 4,54 bilhões quando entrou em recuperação judicial, em julho.

Além dos empréstimos que azedaram, o Morgan também recebeu fatias de empresas via seus corretores de renda fixa. A Bally, uma das maiores redes de academias dos EUA, havia anos intrigava a mesa de operações de crédito de recebimento duvidoso do Morgan.

Kevin Corgan, que chefia a mesa de crédito de recebimento duvidoso e de alto risco do JP Morgan, disse que ele seus colegas viam a Bally "como uma empresa boa, com um balanço podre", e achavam que a rede poderia se dar bem se reduzisse o alto endividamento.

O banco começou a comprar títulos de dívida da empresa há um ano, quando estavam sendo negociados a 30% do valor de face. Ele continuou aumentando a aplicação depois que a Bally entrou em concordata pela segunda vez desde 2007, e acabou investindo cerca de US$ 60 milhões.

Embora a estratégia do banco desde o início não fosse comprar a Bally dentro da estratégia de investimento de emprestar para comprar, "estávamos preparados para a possibilidade de a Bally pedir concordata e acabarmos donos da empresa", disse Corgan. O J.P. Morgan investiu juntamente com a Anchorage Advisors, um fundo de hedge nova-iorquino com que tem um relacionamento próximo.

A Bally saiu da concordata em 1º de setembro. Como parte da reestruturação, o JP Morgan recebeu uma fatia de 45% na empresa e a Anchorage recebeu 34%. Também de acordo com o plano, a empresa diminuiu sua dívida de US$ 700 milhões para US$ 100 milhões. O JP Morgan e a Anchorage agora controlam o conselho de administração e cada um recebeu dois assentos e o direito de indicar quatro outros conselheiros externos.

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Palavra do Gestor: CDB como alternativa à caderneta de poupança

Liao Yu Chieh
Com a proposta de taxação da poupança perdendo o seu tempo político, fica cada dia mais difícil o governo dar sinal verde para tributar os rendimentos proporcionados pelas cadernetas de poupança a partir de 2010. Assim, os quase um milhão de médios e grandes poupadores - 972.412, segundo dados do Banco Central de junho de 2009 -, que possuem saldos superiores a R$ 50 mil, podem respirar mais aliviados e postergar o trabalho de realocar estes recursos. Será mesmo?

Como o desejo financeiro do aplicador é sempre melhorar a relação risco X retorno, proponho aqui uma alternativa de investimento, com semelhanças e diferenças em relação às cadernetas.

Diversos bancos nacionais de capital privado de pequeno e médio portes (quando se avalia o seu patrimônio líquido) têm como negócio emprestar dinheiro via crédito pessoal ou crédito consignado e necessitam de recursos para tal. Por terem uma estrutura enxuta e não possuírem capilaridade, captar estes recursos via CDB (Certificado de Depósito Bancário) é uma ótima opção para eles, que chegam a remunerar entre 103% e 108% do CDI, comparado com grandes bancos que pagam taxas inferiores a 100%.

Mas um banco não teria que estar mal das pernas para pagar 108% do CDI? Não. Por não ter custos fixos de uma agência, atendimento e infraestrutura para o varejo, captar a este custo para emprestar no crédito pessoal a taxas muito atrativas é um ótimo negócio.

E o risco? Apesar de correr o risco de crédito do banco emissor, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garante até R$ 60 mil por CPF/CNPJ por conglomerado financeiro, ou seja, se aplicar R$ 50 mil (volume mínimo para as taxas citadas anteriormente) em um CDB de dois anos, corre-se o baixíssimo risco do FGC, exatamente o mesmo risco de crédito da poupança até R$ 60 mil.

Mas o que é o FGC? Criado em 1995, o FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, destinado a administrar mecanismos de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras. A última vez que entrou em ação foi em 2004, na quebra do Banco Santos, quando todos os 1.903 clientes foram garantidos em até R$ 20 mil. A Resolução CMN 3.400/2006 alterou o valor para R$ 60 mil, vigente até os dias atuais. São garantidos: depósitos em conta, poupança, depósitos a prazo com ou sem emissão de certificado, letras de câmbio e letras imobiliárias, hipotecárias e de crédito imobiliário. Atualmente, o FGC possui patrimônio líquido robusto, de mais de R$ 21 bilhões, para cumprir a sua missão. Vale ressaltar que a garantia máxima é de R$ 60 mil por instituição, independente de investir em um ou mais produtos.

Em resumo, a alternativa proposta é um investimento em renda fixa de R$ 50 mil com baixíssimo risco de crédito e rentabilidade líquida superior a da caderneta de poupança pelas taxas vigentes em CDB de banco pequeno/médio. Mais um detalhe: caso a aplicação seja conjunta com seu cônjuge (com outro CPF), a garantia dobra e passa a ser de até R$ 120 mil

A tributação de um CDB segue a mesma regra dos fundos de investimento DI ou de renda fixa de longo prazo, ou seja, a tabela regressiva de imposto de renda, de 22,5% a 15% dependendo do tempo de aplicação. Atualmente, diante do embate poupança ante os fundos, o governo analisa mudanças benéficas nas regras de tributação dos fundos de investimento, e, se for adiante, os CDBs serão beneficiados também.

Qual seria o ponto negativo então? A liquidez. A poupança permite resgate a qualquer momento com rentabilidade a cada aniversário mensal, mas nem sempre você conseguirá liquidez diária num CDB com esta taxa atrativa. Em geral, para compensar este volume relativamente pequeno para os bancos (de R$ 50 mil), eles só dão liquidez a partir de um ano ou dois. Se isto não for um impeditivo, siga em frente.

Há mais algum ponto negativo? Sim. Operacional. Por mais que você possa não ter custos nem tarifas ao abrir contas nestes bancos, você terá que preencher ficha cadastral, passar pelo processo de KYC ("know your client"), além de mais trabalho ao receber o informe de rendimento de mais bancos na época da declaração de IR.

De qualquer forma, quando estão em voga os termos diversificação e planejamento financeiro pessoal, proponho que você analise esta alternativa com ótima relação risco/retorno, na qual eu aplico na prática e pode ser interessante para o seu portfólio. (Colaborou Syllas dos Passos Ramos, CFP)

Liao Yu Chieh é professor do Insper (Ibmec São Paulo) e possui a certificação Certified Financial Planner (CFP)

E-mail: liaoyc1@insper.org.br

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

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Golfo Pérsico volta a seduzir bancos de investimento

Robin Wigglesworth, Financial Times
Após um ano tumultuado, marcado por crashes imobiliários, escassez de petrodólares e um cataclismo financeiro internacional, os bancos de investimento que operam no Golfo Pérsico estão começando a encontrar trabalho novamente.

O descongelamento dos mercados de dívida desencadeou uma onda de emissões de bônus na região; alguns fundos de investimentos soberanos continuaram fazendo aquisições internacionais, apesar das perdas com investimentos; e empresas cambaleantes vêm proporcionando às equipes de consultoria dos bancos trabalhos de reestruturação.

"Os mercados estão começando a se movimentar e muita gente está revendo planos que havia engavetado por causa da crise", afirma Declan Hegarty, diretor adjunto de global banking do HSBC Middle East.

As comissões continuam baixas - e ainda não há trabalho suficiente para manter todo mundo ocupado - mas com as nuvens da tempestade financeira de certa forma se dissipando e os sinais de uma recuperação econômica aumentando, já estão surgindo na região vencedores e perdedores bem definidos.

Em especial, vale citar o HSBC e o Standard Chartered. Os dois bancos foram afetados por provisões para cobrir dívidas ruins, mas vêm tirando vantagem das posições que ocupam há muito tempo, de dois dos mais bem estabelecidos e diversificados bancos internacionais na região.

"No momento, o HSBC é o elefante na sala; o único que pode competir com ele é o Standard Chartered", afirma um banqueiro. "Ambos estão na região há muito tempo e podem empenhar muito capital para conseguir trabalho."

A divisão de global banking e mercados do HSBC Middle East registrou um lucro líquido de US$ 304 milhões no primeiro semestre, uma queda em relação ao resultado do mesmo período do ano passado, de US$ 426 milhões.

As operações no atacado do Standard Chartered no Oriente Médio e sul da Ásia, excluindo a Índia, foram atingidas por baixas contáveis de US$ 317 milhões referentes a empréstimos, mas mesmo assim elas registraram um lucro líquido de US$ 222 milhões nos primeiros seis meses de 2009, uma queda em relação aos US$ 322 milhões do mesmo período do ano passado.

Alguns concorrentes afirmam que, dado seu peso internacional e o domínio regional em várias linhas de negócios, o HSBC deverá se sair ainda melhor.

Alguns dos bancos de investimento mais especializados também estão se saindo bem. O Crédit Suisse lidera o ranking regional dos bancos de investimento elaborado pela Dealogic, tendo conquistado até agora no ano uma participação de mercado de 26% e uma receita de US$ 142 milhões.

Isso se deve em grande parte ao seu envolvimento nas vendas de participações do Qatar e Abu Dhabi no Barclays. Ele também está tendo trabalho de consultoria a fusões e aquisições para fundos de investimentos soberanos e consultoria à reestruturação do Investment Dar no Kuwait, além da fusão das redes de televisão Orbit e Showtime.

"Esta crise nos permitiu mostrar com muita clareza aos clientes o que somos capazes de fazer", diz Bassam Yammine, presidente adjunto do Crédit Suisse na região. "A posição geral do Crédit Suisse, que saiu mais forte da crise, também tem nos ajudado no Oriente Médio."

O Morgan Stanley foi um dos primeiros grandes bancos de investimento a se mudar para o Dubai International Financial Center e nos últimos anos têm sido um dos bancos mais ativos na região, mas ele foi afetado por uma onda de pedidos de demissão de funcionários graduados - entre eles Georges Makhoul, presidente regional.

"Houve várias saídas por uma variedade de motivos independentes e isso acontece no nosso setor", diz Cyrus Behbehani, presidente de banco de investimento do Morgan Stanley Middle East. "Às vezes há uma tendência das instituições pegas em uma turbulência, de reduzirem sua capacidade, mas não estamos adotando essa estratégia."

Mas nem todos estão conseguindo se segurar e muitos bancos estão se vendo obrigados a demitir funcionários e transferir funcionários mais experientes para outros mercados.

Embora os mercados estejam se recuperando, a receita de banco de investimento no Oriente Médio caiu para US$ 542 milhões no ano, até agora, segundo a Dealogic, contra US$ 837 milhões em 2008 e US$ 1,4 bilhão em 2007.

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Há meio trilhão de dívida pública paralela

Claudia Safatle

No dia 19 de outubro o estoque de operações compromissadas superou meio trilhão, batendo em exatos R$ 500,17 bilhões. Essas são operações feitas com títulos da dívida pública, através do Banco Central, que coloca os papéis no mercado para enxugar a liquidez, com compromisso de recomprá-los na data contratada. Segundo dados oficiais, o saldo dessas operações em outubro, depois do pico do dia 19, fechou em R$ 466 bilhões - equivalente a 15,7% do produto Interno Bruto (PIB) - com uma posição média de R$ 483,4 bilhões. Elevadíssimo, portanto.

Quando o governo retomou a colocação de títulos com compromisso de recompra, em 2002, no auge da crise da marcação a mercado dos fundos de investimento, seguida da brutal desvalorização do real e de uma crise cambial, foram emitidos menos de R$ 15 bilhões.

Os números começaram a aumentar substancialmente a partir da política de acumulação de reservas cambiais e da sua consequente esterilização. A esta se juntou uma outra decisão, do Tesouro Nacional, de fazer resgates líquidos da dívida pública nos últimos dois anos e meio e regrar a oferta, ao mercado, de títulos indexados à Selic e de papéis prefixados de curto prazo, conforme determinação do Plano Anual de Financiamento da Dívida (PAF). Com isso, a STN deixou de atender às demandas do sistema financeiro, numa espécie de queda de braço que terminou por induzir o mercado a buscar uma alternativa. As operações com cláusula de recompra tornaram-se, assim, substitutos das LFTs (títulos selicados) e dos prefixados de curto prazo.

A soma de ambos (reservas e resgates), que acabam sendo os principais determinantes da liquidez existente no mercado, resultou num aumento vertiginoso do estoque de compromissadas. Ou seja, criou-se uma assombrosa dívida pública paralela. Hoje o peso da opção do Tesouro (de reduzir a dívida) na expansão da liquidez e, portanto, na demanda por compromissadas, superou sensivelmente o das operações de reservas cambiais.

Dentre os fatores condicionantes da base monetária (emissão primária de moeda), enquanto as operações com títulos federais foram responsáveis por uma expansão de R$ 299 bilhões na liquidez de 2007 até agora, as operações de esterilização de reservas contribuíram com R$ 267 bilhões.

Os dados indicam um movimento claro: em 2005, as emissões de títulos públicos enxugaram a liquidez em R$ 30 bilhões. A partir de 2006 até o mês passado, o sinal mudou e formou-se um movimento crescente de irrigação da liquidez na proporção de R$ 28 bilhões, R$ 19 bilhões, R$ 139 bilhões e R$ 112 bilhões, respectivamente.

No caso das reservas, a trajetória foi diferente. Começou com uma injeção de recursos no mercado de R$ 52 bilhões em 2005, cifra que salta para R$ 155 bilhões em 2007, vira em 2008 para uma contração de R$ 12 bilhões. Neste ano, as operações externas voltaram a irrigar o mercado com R$ 50 bilhões, um volume expressivo de recursos, mas menos da metade do que o Tesouro Nacional injetou de janeiro a outubro. Coube ao BC recolher essa dinheirama do mercado, colocando títulos com cláusula de recompra.

Do lado da oferta, são os fundos de investimentos, com cerca de 70% , os maiores detentores desses papéis. Os 30% restantes estão nas mãos dos bancos (cerca de 20%) e de grandes companhias públicas e privadas (10%).

Ao contrário do que se imagina - que as operações compromissadas são a expressão da escassez da oferta de crédito na economia - os especialistas do governo explicam que uma coisa não guarda relação com a outra.

O estoque de compromissadas pode crescer ao mesmo tempo em que aumenta a oferta de crédito. E foi isso que aconteceu nos últimos anos. O crédito dobrou como proporção do Produto Interno Bruto (de 20% do PIB para a casa dos 40% do PIB) ao mesmo tempo em que a dívida com esses títulos saltou da casa dos R$ 15 bilhões em 2002 para quase meio trilhão.

"O fato dos bancos emprestarem não altera o volume de compromissadas, apenas faz com que os títulos mudem de mão", explicou um técnico qualificado do governo, que exemplificou: quando o Tesouro Nacional empresta R$ 100 bilhões ao BNDES, aumenta em R$ 100 bilhões o estoque da dívida com as operações compromissadas. No momento que o BNDES empresta esses recursos para determinada empresa e esta compra bens no mercado doméstico, quem vendeu os bens aplicará o dinheiro recebido e esta será com cláusula de recompra. Ou seja, o papel continua no sistema financeiro. Ele apenas mudou de mão.

Do saldo total de quase R$ 500 bilhões em compromissadas, cerca de 60% estão em títulos públicos com prazo de 45 dias e os 40% restantes divididos praticamente ao meio em papéis com prazo de um dia e de seis meses.

Desmontar essa anomalia não é uma tarefa simples. Os especialistas do governo, muitos deles com visão crítica do caminho tomado pelo Tesouro Nacional de 2006 para cá, veem apenas uma alternativa: o Tesouro Nacional voltar a operar com os títulos que o mercado demanda.

Alguém até poderia sugerir algo mais truculento: não atender ao apetite do mercado com títulos remunerados pela taxa Selic nem com operações compromissadas. O resultado de um embate desse porte seria, muito provavelmente, reduzir os juros a um patamar próximo de zero.

Claudia Safatle é diretora de redação adjunta e escreve às sextas-feiras

E-mail claudia.safatle@valor.com.br

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Balanço: Resultado é impactado por reversão de reservas e lucro em nove meses cai 38%

Caixa tem lucro de R$ 870 milhões

Alex Ribeiro, de Brasília
A Caixa Econômica Federal registrou um lucro líquido de R$ 869,9 milhões no terceiro trimestre do ano. Com isso, o seu resultado superou em 20% o registrado em igual período no ano passado, que foi de R$ 722 milhões, enquanto os principais bancos privados que divulgaram balanços até agora registram queda no resultado. No acumulado do ano, no entanto, o resultado da instituição caiu 38%, de R$ 3,265 bilhões para R$ 2,027 bilhões, sob impacto do aumento das provisões para créditos em atraso.

O desempenho do trimestre refletiu aumento do volume de crédito, que compensou os agressivos cortes nos juros cobrados nos empréstimos feitos pelo banco federal. Mas o lucro foi definitivamente impactado por uma "reversão de outras provisões operacionais" da ordem de R$ 800 milhões. As notas explicativas não informam que provisões eram essas.

Os juros médios cobrados pela Caixa caíram 10,7 pontos percentuais no período de 12 meses encerrado em setembro. Parte disso (4,7 pontos) é o simples repasse da queda dos custos de captação, que se tornaram menores em virtude dos cortes feitos pelo Banco Central na taxa básica de juros. O resto (6 pontos) é o corte no "spread" bancário da Caixa. Apesar dos juros menores, a receita da Caixa com operações de crédito aumentou 33,7% no período. A equação teve resultado positivo porque, no período, a carteira de crédito teve uma expansão de 61,9%.

A carteira de crédito da Caixa avançou num ritmo mais forte que o conjunto de bancos públicos, que apresentaram um crescimento de 39% no período. O conjunto de empréstimos dos bancos privados nacionais se expandiu em 7% e, nos privados estrangeiros, 2,4%.

Os cortes de juros feitos pela Caixa ocorreram sobretudo no início do ano. Embora a carteira de crédito já viesse em forte expansão, os ganhos em receita de crédito nos primeiros trimestres ainda foram modestos e ofuscados por despesas extraordinárias. Agora, os resultados aparecem de forma mais nítida. "No terceiro trimestre começamos a colher de fato os ganhos da combinação de cortes de juros e aumento de volumes", afirma o vice-presidente de controle e risco, Marcos Vasconcelos.

O banco teve, por outro lado, queda nos índices de inadimplência, enquanto o mercado como um todo apresentava a deterioração das carteiras. Em parte, isso é resultado da aposta em segmentos de menor risco e com mais garantia, como os empréstimos consignados e os imobiliários.

O aumento do crédito, por outro lado, levou à expansão das captações. A participação da Caixa no mercado de depósitos a vista, por exemplo, saiu de 9,8% para 11,8% entre setembro de 2008 e de 2009. Em parte, isso foi efeito da crise, que fez com que clientes transferissem seus recursos para bancos considerados mais seguros. Mas também há ganhos em virtude do estreitamento do relacionamento do banco com os seus clientes. "Muitas empresas vieram para a Caixa na crise atrás de crédito", afirma o vice-presidente de finanças do banco, Marcio Percival. "Agora, essas empresas estão aumentando o relacionamento com o banco, aumentando depósitos."

O crédito consignado aumentou 66,8% nos 12 meses terminados em setembro, chegando a um volume de R$ 14 bilhões. Com isso, o crédito consignado se consolida como a segunda carteira mais importante no banco, atrás apenas dos financiamentos imobiliários.

A Caixa se aproveitou da retração dos bancos pequenos e médios, que sofreram problemas de falta de liquidez em virtude da crise financeira internacional, para avançar no segmento de consignado. Os bancos menores voltaram a conceder empréstimos nos últimos meses, mas a Caixa tem conseguido manter a posição. O crédito para habitação para pessoas físicas registrou expansão de 52% nos 12 meses encerrados em setembro, chegando a um volume de R$ 61 bilhões. O financiamento imobiliário a empresas cresceu 156%, atingindo R$ 1,7 bilhão. O volume é ainda pequeno porque, até recentemente, a Caixa praticamente não emprestava para empresas.

A Caixa continuou a ter um bom desempenho nos empréstimos para capital de giro, cuja carteira chegou a R$ 17 bilhões em setembro. Os negócios na área foram impulsionados pela crise financeira, quando outros bancos cortaram crédito para empresas. De junho a setembro, a carteira de capital de giro teve uma expansão de 14,3%.

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Destaque - Morgan vai às compras

O JPMorgan Chase, o segundo maior banco dos Estados Unidos, tem espaço para continuar a crescer por meio de aquisições, disse Charlie Scharf, chefe da área de serviços financeiros de varejo. O JPMorgan busca negócios em segmentos em que já está presente, disse Scharf, em conferência da associação de analistas de bancos de Boston. No ano passado, a instituição adquiriu o banco de investimento Bear Stearns e as operações bancárias do Washington Mutual. (Reuters)

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Calote em imóveis é recorde nos EUA

Kathleen M. Howley, Bloomberg News, de Boston
A parcela dos americanos que atrasaram os pagamentos das prestações da casa própria foi recorde no segundo trimestre, uma vez que os fechamentos de postos de trabalho e a queda dos preços das moradias frustraram os esforços do governo norte-americano de estabilizar o mercado habitacional no país.

O percentual dos empréstimos com uma ou mais parcelas em atraso subiu para o recorde de 9,2% do total de contratos de crédito imobiliário, sazonalmente corrigidos, no segundo trimestre. O percentual deve ser comparado ao de 9,1% correspondente ao primeiro trimestre, disse relatório da Associação dos Executivos de Bancos de Crédito Imobiliário.

O estoque de unidades residenciais em processo de execução de hipoteca, ou retomada do imóvel pela instituição financiadora, aumentou para 4,3%, a maior de três décadas de monitoramento desses dados, e os empréstimos com parcelas vencidas há pelo menos 90 dias, prazo em que os processos de execução de hipoteca normalmente têm início, subiram para 7,9%, o maior já registrado historicamente.

"Tivemos uma queda significativa do problema com os empréstimos de alto risco (subprime), e passamos agora a ter problemas com empréstimos classificados como de primeira linha´´, disse Jay Brinkmann, economista-chefe da associação, sediada em Washington. "A perda de emprego está puxando essa inadimplência, e prevemos que ela continuará até pelo menos os primeiros meses do ano que vem."

Os mutuários atrasam o pagamento quando perdem o emprego e a queda dos preços dos imóveis os impedem de vendê-los para quitar o financiamento, disse Brinkmann. As empresas americanas fecharam 5,7 milhões de postos de trabalho desde janeiro de 2008, o maior desde a Grande Depressão, em 1929. A mediana dos preços das casas caiu 16% no país no segundo trimestre, no comparativo com o mesmo período de 2008, a maior retração já registrada, segundo a Associação Nacional das Corretoras de Imóveis.

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Por Dentro do Mercado: Meirelles não vê sinal de inflação. E juro cai

Luiz Sérgio Guimarães
Os juros caíram expressivamente ontem no mercado futuro da BM&F. Foi em reação à entrevista concedida pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao jornal inglês Financial Times. Meirelles afirmou que, apesar das previsões de expansão econômica ao redor de 5% em 2010, não teme pressões inflacionárias significativas no ano que vem. Ele reiterou que a expectativa de IPCA do BC para ano que vem é de 4,4%, portanto levemente abaixo da meta de 4,5%. "A expectativa é de que não teremos pressão em 2010, mas como todo banco central temos que observar atentamente", disse.

Otimista, o presidente do BC garantiu que o país está bem preparado para enfrentar uma recaída na crise financeira global, por causa da força de sua demanda doméstica e da recuperação do emprego. "O consumo doméstico e a demanda por investimentos significam que estamos bem preparados para lidar com outros problemas externos", frisou. As declarações aceleraram o desmonte das posições dos "comprados" em taxa. A previsão de reaperto monetário está sendo empurrada para cada vez mais longe em 2010.

Se a inflação de 2010 não preocupa, não precisará subir a Selic no primeiro semestre do ano. Como uma decisão de política monetária sofre, segundo os manuais conservadores, um retardo de pelo menos seis meses até fazer algum efeito prático sobre o mundo real da economia, se o BC só vê problemas inflacionários em 2011, a Selic deverá ser descongelada apenas nas reuniões do Copom marcadas para o segundo semestre do ano que vem. Depois do otimismo demonstrado por Meirelles, o pregão de juros futuros da BM&F passou a acreditar em alta do juro básico somente no Copom do dia 1º de setembro. Diante disso, as projeções de CDI, embora tenham caído de forma estrepitosa ontem, ainda têm muito prêmio para devolver. O contrato mais negociado, para janeiro de 2011, tombou de 10,22% para 10,13%. O swap de 360 dias cedeu de 9,89% para 9,84%.

As afirmações de Meirelles retomam a linha original do seu pensamento, anterior ao último Relatório de Inflação do BC, segundo a qual a curva futura de juros está "inadequadamente" inclinada. E a sua fala foi mais relevante para determinar o comportamento do DI futuro do que o relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre as vendas industriais em setembro. Elas cresceram 1%. Em relação ao faturamento, o terceiro trimestre de 2009 fechou com expansão média de 2,1%, comparativamente ao trimestre anterior. Em relação a setembro do ano passado, as vendas caíram 4,7%%. A retomada das vendas poderia dar razão aos "comprados" em taxa. Mas não o nível de utilização da capacidade (Nuci) da indústria, que recuou de 80,2% em agosto para 79,8% em setembro. E é o Nuci o fator capaz de gerar inflação.

Indicadores positivos sobre a economia americana asseguraram ontem a continuidade do movimento externo positivo desencadeado na véspera pela certeza de que o Fed não irá apertar a política monetária tão cedo. Foram eles os novos pedidos de seguro-desemprego, que recuaram em 20 mil na semana terminada em 31 de outubro, e a expansão de 9,5% registrada pela produtividade não agrícola no terceiro trimestre. As bolsas de Nova York fecharam com ótimas altas, em sintonia com a diminuição da aversão global a risco. O aumento do apetite por risco forçou o dólar a cair pelo terceiro pregão em sequência. A moeda americana fechou em baixa de 0,34%, cotada a R$ 1,7220. Nos três dias deste mês desvalorizou-se 1,99%. O mercado de câmbio aparentemente não se abalou com as notícias de que o governo estuda novas medidas para conter a apreciação cambial. Medidas que desestimulem a entrada de capitais - como a criação de depósitos de garantias no exterior para o mercado futuro, contas em dólar no país e lançamento de títulos públicos em reais lá fora - não são malvistas pelos operadores. Não gostam é da imposição de tributos sobre a entrada, e os vários tipos de quarentena e controles administrativos. Mas isso não quer dizer que acreditem na eficácia de tais providências. O consenso no mercado é de que enquanto o Brasil persistir o emergente favorito dos grandes investidores mundiais não haverá medida capaz de impedir o ingresso de capitais financeiros. A receita dos economistas ortodoxos - mais superávit primário, mais poupança, menos gastos e menos dívida - só aumenta o poder de sedução do Brasil.

Luiz Sérgio Guimarães é repórter de finanças

E-mail: luiz.guimaraes@valor.com.br

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Depósito de garantias no exterior pode incentivar ingresso de dólar

Claudia Safatle, de Brasília
As medidas de liberalização do mercado de câmbio que o Banco Central e Ministério da Fazenda avaliam são pontuais e de impacto modesto sobre a valorização do real. Segundo uma fonte graduada da área econômica o que há, por enquanto, é a "predisposição" de adotá-las, mas ainda não existe um cardápio pronto para ser aprovado.

A ideia é eliminar regras anacrônicas que ainda regem o mercado. Por exemplo: hoje o BC obriga a empresa que emite um ADR (American Depositary Receipts) a fechar o contrato de câmbio em cinco dias e internalizar os recursos. Essa é uma obrigatoriedade que deixou de fazer sentido.

Os técnicos da Fazenda se empenham em viabilizar algumas propostas feitas pela BM&F, como a de o Tesouro Nacional emitir títulos denominados em reais, no exterior (NTN-B). Isso poderia fazer com que os fundos de pensão, recém autorizados a investir até 10% do patrimônio no mercado internacional, se interessem em destinar parte dos R$ 45 bilhões permitidos para aplicações fora do país. Essa pode ser uma medida interessante já que um dos problemas dos fundos, apesar da autorização, é onde investir, já que o juro no Brasil é dos mais altos do mundo.

Outras propostas do mercado, no entanto, podem ter efeito contrário ao pretendido. Esse seria o caso, como apontou um técnico do governo, da sugestão da BM&F ao ministério da Fazenda, de permitir que os investidores externos deixem fora do país os depósitos de margem que são obrigados a fazer. São recursos da ordem de US$ 8 bilhões que ficariam aplicados em dólar no exterior. Em vez de ter que comprar uma LTN aqui, o investidor poderia deixar a margem, que equivale a cerca de 20% do investimento e serve como garantia de solvência, em papéis do Tesouro americano. O risco de dar tal facilidade seria o de incentivar ainda mais a entrada de recursos externos no Brasil.

Uma outra alternativa que pode constar desse leque de medidas seria clarear as regras para que pessoas físicas possam destinar parte dos seus rendimentos a uma poupança em moeda estrangeira. Fontes do BC garantem que não há qualquer impedimento legal para isso, mas as dificuldades colocadas pelos bancos são quase intransponíveis.

Há, de fato, uma real vontade do governo de remover a rede de empecilhos ainda existente para se operar com moeda estrangeira no país. São práticas e leis instituídas ao longo das décadas de escassez de dólares e de restrições ao financiamento do balanço de pagamentos.

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Dow Jones supera os 10 mil pontos

Agências internacionais
Em dia de forte alta nas bolsas americanas, o Dow Jones, principal índice de ações de Wall Street, fechou acima dos 10 mil pontos. Dados sobre o mercado de emprego e da produtividade do setor não agrícola animaram as bolsas.

O Dow Jones fechou em alta de 2,08%, aos 10.005,81 pontos. Já o S&P 500 subiu 1,92%. O Nasdaq ganhou 2,42%. As bolsas europeias também subiram, mas em ritmo mais modesto. O FTSE-100, de Londres, fechou com valorização de 0,35%, aos 5.125 pontos. Em Frankfurt, o DAX terminou aos 5.480 pontos, com valorização de 0,67%.

O clima positivo ganhou força após os dados de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, apontarem recuo de 20 mil na semana terminada em 31 de outubro perante a anterior, para 512 mil pedidos, o menor patamar em 10 meses. Os números sobre a produtividade do setor não agrícola americano também agradaram, houve avanço a uma taxa anualizada de 9,5% no terceiro trimestre. Foi o maior ganho desde o terceiro trimestre de 2003.

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Meios de pagamento: Empresa informa ter investidor

R$ 160 milhões para prestar serviços para credenciadores

GetNet quer competir por cartões

Altamiro Silva Júnior, de São Paulo
O gaúcho Ernesto Corrêa da Silva Filho, maior exportador de calçados do mundo, dono de fazendas, hotéis e um frigorífico, quer ser grande também no mercado de cartões. A GetNet, voltada para o credenciamento de estabelecimentos comerciais, captura e processamento de transações com cartões, informa ter investido R$ 160 milhões para se preparar para a abertura do mercado e acaba de se estabelecer em São Paulo.

Com o fim da exclusividade de credenciamento existente entre a bandeira Visa e a VisaNet e entre Mastercard e Redecard, espera-se a entrada de novos competidores nesse mercado e, dentro desse cenário, o nome da GetNet é um dos que mais se comenta. A companhia já foi alvo de tentativa de aquisições nos últimos tempos por parte de grupos interessados em se posicionar na área.

Há informações de que o Santander, com projeto de ser um credenciador, tentou comprar a empresa ou mesmo se associar a ela, mas as negociações não avançaram. A americana Tsys, especializada no processamento de transações e que acaba de desembarcar no país, também fez oferta. Sem sucesso. "O mercado tenta (comprar), mas somos compradores. Estudamos possibilidade de aquisição dentro e fora do Brasil, principalmente em outros países da América Latina", diz José Renato Hopf, presidente da empresa.

A ideia é crescer com as próprias pernas, ao menos agora. A GetNet não pretende credenciar lojas diretamente para as bandeiras Visa e MasterCard. A estratégia é prestar serviços para os bancos e empresas que tiverem licença das duas bandeiras para o credenciamento. A GetNet, por exemplo, pode credenciar em nome do banco e fazer outros serviços, como captura e processamento das transações e telemarketing.

Hopf diz que essa estrutura é a mais comum lá fora. "A GetNet foi criada seguindo o modelo das companhias americanas. Lá há milhares de bancos credenciando e empresas como a nossa oferecem todo tipo de serviço aos credenciadores e os terminais são compartilhados. Os nossos já são", diz.

Alvo de críticas de clientes que reclamavam da qualidade da rede, a empresa investiu em tecnologia para tentar solucionar os problemas. A capacidade de processamento passou de 85 transações por segundo para 450. "Está em nível mundial." Também treinou seus executivos na Fundação Dom Cabral. Os R$ 160 milhões investidores vieram do próprio grupo.

A empresa tem uma rede de 165 mil estabelecimentos credenciados. O número é pequeno quando comparados com os 1,6 milhão de lojistas da VisaNet ou os 1,2 milhão da Redecard, que dominam o mercado. Hopf diz que, apesar de ser menor, sua rede está em todo o país (4,3 mil municípios) e em todo tipo de estabelecimento. "Nossa meta para 2010 é dobrá-la."

A GetNet foi criada em 2003 com apenas nove funcionários, na cidade de Campo Bom, no interior do Rio Grande do Sul. Hoje tem 900 e, além da unidade no Sul, abriu um escritório em São Paulo. A empresa e o grupo ao qual pertence são de capital fechado e seu fundador vive no Uruguai. Hopf não comenta sobre o grupo. O capital da GetNet pertence 100% a Ernesto Corrêa da Silva Filho.

Segundo dados da empresa, passaram por seus terminais 330 milhões de transações no ano passado, com receita de R$ 160 milhões. A GetNet presta serviços para 21 bandeiras regionais, como Unik (forte no interior de São Paulo e Bahia), Verde Card (atua no Sul) e Calcard (Centro-Oeste). "Das bandeiras regionais, 70% das transações passam pela GetNet", diz Hopf. A empresa também credencia para a American Express.

Para entrar no Chile, a GetNet comprou no ano passado a Celcarga, que faz recarga de celulares. Agora se preparar para estrear na Colômbia e, em um segundo momento, em outros países, como México, Argentina e Peru.

A abertura de capital da empresa no futuro é um plano para o futuro . "Por enquanto, estamos aperfeiçoando a governança corporativa e contratando auditores. Não dá pra negociar um contrato com um grande banco sem ter governança", diz Hopf.

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Acordo entre Febraban e PF ajuda no combate às fraudes eletrônicas

Juliano Basile, de Fortaleza
Os principais bancos do Brasil fecharam um acordo com a Polícia Federal para prestar informações sobre todos os casos de clonagem de cartões e de fraudes em internet banking. O objetivo do acordo é ajudar os delegados da PF a desbaratar quadrilhas que retiram ilegalmente R$ 500 milhões por ano dos cofres dos bancos.

A partir de dezembro, qualquer clonagem de cartão será comunicada imediatamente pelo banco à PF. Hoje, essas informações demoram pelo menos uma semana para chegar aos delegados que atuam na área de repressão aos crimes cibernéticos e só a Caixa Econômica Federal envia esses dados. Pelo acordo, assinado com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), todas as instituições financeiras farão parte da rede de informações sobre fraudes e vão contar com a ajuda da PF para identificar "quadrilhas cibernéticas".

A tarefa da PF será imensa. Atualmente, existem 32,5 milhões de contas bancárias com movimentação pela internet. O número de fraudes é tão alto que as instituições financeiras investiram R$ 16 bilhões em segurança e automação bancária só em 2008. A PF não possui os dados sobre fraudes em todas as instituições, mas sabe que, somente com relação à Caixa, há 48 mil notícias de crimes cibernéticos por ano. Ao todo, 1.044 pessoas foram presas por esses crimes, em 22 operações, nos últimos cinco anos. A expectativa é que esses números aumentem a com a criação da rede nacional.

"Acredito que conseguiremos realmente identificar as quadrilhas", afirmou ao Valor o delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral, chefe da Unidade de Repressão aos Crimes Cibernéticos da PF, que participa de um encontro da PF em Fortaleza. Ele explicou que, hoje, apenas a Caixa envia um CD com dados de fraudes todas as semanas para a PF.

Daqui a um mês essas informações serão repassadas de imediato, sem a necessidade da entrega de CD, e vão fazer parte de um banco de dados nacional de fraudes bancárias, que está sendo chamado internamente de "Projeto Tentáculos". De posse dos dados, a PF vai identificar as quadrilhas e montar estratégias mais eficazes para combatê-las. "Estamos expandindo nosso banco de dados para exercer melhor a nossa atribuição. Agora, teremos estrutura para atender todo o Sistema Financeiro", disse Sobral.

A PF teve de mudar de estratégia para combater a clonagem de cartões. Antes, os delegados abriam um inquérito para cada clonagem. Tinham de investigar crime por crime, que são milhares. A instituição chegou a acumular mais de 480 mil inquéritos. Desde fevereiro, a PF passou a abrir um inquérito por quadrilha. Com isso, as investigações ganharam foco e foram descobertos casos curiosos, como o de uma quadrilha com base em Parauapebas (PA), com clonagens em mais de cinco estados. Uma quadrilha do Maranhão cometeu crimes em 14 estados mas só uma clonagem no Maranhão.

"Na Caixa, o número de inquéritos caiu de 48 mil por ano para 20 mil", revelou o gerente nacional de segurança do banco, José Renato Freitas Santos Cerqueira. Segundo ele, a abertura de uma investigação para cada clonagem só aumentava o trabalho, pois, com os limites de saque por hora e por valores, as quadrilhas passaram a ter de fazer mais saques para faturar mais.

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Sapatos na China, fazendas e hotéis

Sérgio Bueno, de Porto Alegre
O controlador da GetNet, o gaúcho Ernesto Corrêa da Silva Filho, de 67 anos, é tido como o maior exportador de calçados do mundo, dono da fabricante Paramount, especializada em assumir a produção terceirizada de grifes.

O empresário iniciou a carreira há mais de três décadas com uma agência de exportação de calçados em Campo Bom (RS), sua cidade natal, a 54 quilômetros da capital gaúcha Porto Alegre. Favorecido na época pela fluência na língua inglesa, expandiu a empresa intermediando vendas para a marca americana Nine West. No início dos anos 90, percebendo as vantagens competitivas do mercado chinês, fundou a Paramount Asia, na China, para atender o cliente nos Estados Unidos com produtos mais baratos do que aqueles fabricados no Brasil. De lá para cá, diversificou os negócios e hoje opera também nos setores de pecuária, hotelaria e meios de pagamento.

Assim como fazia no Rio Grande do Sul, a atuação de Silva Filho na China consiste basicamente em terceirizar a produção dos calçados vendidos para a Nine West. Considerada a maior exportadora mundial de calçados, com vendas na faixa de US$ 1 bilhão por ano, a empresa é operada por seu filho, Ricardo Correa da Silva, de 41 anos, que no ano passado também se associou aos empresários Ramon Lanius e Paulo Santana e com a Calçados Malu, de Ivoti (RS), para lançar a marca própria Hetane no Brasil, focada nas linhas de sapatênis e sandálias femininas.

Avesso à exposição pública, Ernesto Silva Filho não concede entrevistas e passa a maior parte do tempo no balnerário de Punta del Leste, no Uruguai, para onde se mudou há cerca de sete anos. A decisão foi tomada depois que sua fazenda Ana Paula, com 15 mil hectares no município gaúcho de Hulha Negra, próximo da fronteira com o país vizinho, foi invadida em 2002 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). No Uruguai, comprou fazendas e controla o frigorífico Pul.

O empresário, que ainda mantém uma casa em Campo Bom, também é controlador da rede de hotéis InterCity, fundada em 1999 e que gerencia 14 hotéis próprios e de terceiros em dez cidades nos Estados de Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Ceará. No ano passado a rede faturou R$ 54 milhões e em 2011 vai assumir a administração de uma nova unidade em construção em Salvador (BA).

No segmento de meio de pagamentos, os negócios incluem a gaúcha Embratec Good Card, fundada em 1999, que opera em gestão de benefícios para recursos humanos, gestão de frotas e cartões de crédito "private label". Segundo informações do site da empresa, a bandeira tem 1,3 milhão de cartões emitidos, aceitos em mais de 60 mil lojas no país.

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Emergentes emperram o plano do FMI para reservas

Ana Nicolaci da Costa, Reuters, de Brasília
Uma proposta do Fundo Monetário Internacional (FMI) para criação de reservas comuns pode não ser a melhor maneira de reequilibrar a economia global, uma vez que as potências emergentes provavelmente não vão abrir mão dos recursos acumulados que foram úteis durante a crise.

Em vez disso, o sistema econômico deve se equilibrar automaticamente, à medida que países como Brasil e Rússia diversificam suas reservas internacionais além do dólar.

A proposta do FMI pode começar a aparecer nas discussões do G-20, que se reúne nesta semana na Escócia para buscar definir uma estrutura que ajude no equilíbrio econômico. O ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, disse à Reuters nesta quinta-feira que as autoridades financeiras discutirão como gerenciar o excesso de reservas globais

O desequilíbrio foi construído, em parte, com os gastos de consumidores norte-americanos que se beneficiavam do setor imobiliário em alta e do crédito. Enquanto o déficit comercial dos EUA crescia, as reservas cambiais de países superavitários como a China, dentre outros, decolaram.

Na Ásia, países também foram motivados a acumular grandes reservas como maneira de se proteger de crises econômicas.

A ideia do FMI é que reservas comuns reduzirão a necessidade de grande acumulação por parte de mercados emergentes porque eles terão acesso ao capital multilateral em tempos de crise.

O Fundo argumenta que, caso seu plano funcione - e ele está somente no estágio de discussão -, os países serão capazes de fazer um melhor uso de seus recursos ao direcioná-los para os tão necessários gastos com infraestrutura, educação e saúde.

Mas a proposta da instituição ainda é vaga e alguns países que formam o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) já têm demonstrado dúvidas se pode funcionar.

"A melhor alternativa é a autoproteção", disse o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, por meio de um porta-voz. O Brasil aproveitou o colchão durante a crise de crédito global para manter a liquidez e sustentar a economia.

"Por ora, não estamos enxergando isso de maneira alguma, porque não há nada de concreto", afirmou Andrei Bokarev, uma autoridade do Ministério de Finanças da Rússia.

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Refrigeração: Metalfrio ajusta fábricas e melhora resultado

Carolina Mandl, de São Paulo
O lucro líquido da Metalfrio mais do que dobrou em um trimestre em que suas vendas encolheram. De julho a setembro deste ano, a fabricante de refrigeradores comerciais ficou no azul em R$ 13,9 milhões, ante os R$ 6,2 milhões registrados em igual período de 2008. Já a receita líquida, em meio à crise econômica, caiu 23%, para R$ 140,7 milhões.

A explicação para o crescimento do resultado da Metalfrio está nos ganhos de eficiência que a empresa vem obtendo com a implementação de ajustes operacionais em suas fábricas. A margem bruta da companhia subiu de 12% para 21,7%, com o lucro bruto passando de R$ 22 milhões para R$ 30,5 milhões. Outra parte do aumento no lucro pode ser explicado por um ganho financeiro de R$ 6,3 milhões.

Depois de iniciar um processo de internacionalização em 2006 com a construção de uma fábrica na Turquia, a Metalfrio partiu para uma série de aquisições: Dinamarca, Rússia, Turquia e México.

Desde o ano passado, porém, frente à demanda mais fraca devido à crise, a Metalfrio decidiu fazer uma reorganização das unidades, que em alguns casos estavam sobrepostas. Na Turquia e no México, por exemplo, a empresa concentrou suas operações em apenas uma unidade. No Brasil, para eliminar a duplicidade de processos, transferiu a produção de refrigeradores verticais de São Paulo para Três Lagoas (MS).

Para Luiz Eduardo Moreira Caio, diretor-presidente e relações com investidores da Metalfrio, a maior parte dos ganhos da reestruturação já foram capturados pela companhia. "Esperávamos que isso só acontecesse no fim de 2010."

O executivo se refere, principalmente, à redução do endividamento líquido, que caiu de R$ 204,1 milhões no terceiro trimestre de 2008 para R$ 85,6 milhões ao fim de setembro. Já o caixa engordou cerca de R$ 80 milhões, encerrando o terceiro trimestre em R$ 204,1 milhões. "Essa posição já nos permite voltar a analisar oportunidades de crescimento em outras regiões", diz Caio.

Apesar de as vendas acumularem uma queda de quase 20% no ano até setembro em comparação com os mesmos nove meses de 2008, a expectativa da Metalfrio é de recuperação. Depois de demitir cerca de mil funcionários, a empresa contratou 300 pessoas no último trimestre. Também está investindo R$ 15 milhões na unidade do Mato Grosso do Sul.

A ação da empresa acumula alta de 73,61% no ano, quase parelha com o Índice Bovespa, que valorizou 72,61% no período.

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De Olho na Bolsa: Os BC e os balanços animam o mercado

Daniele Camba
O mercado aguardava com alguma expectativa as reuniões dos principais Bancos Centrais do mundo. Nem tanto por causa de suas decisões com relação às taxas de juros, uma vez que havia um consenso de que o aperto monetário não deve começar tão já. A grande expectativa era sobre os planos dessas autoridades com os gigantescos programas de estímulos às economias. Primeiro foi o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), que na quarta-feira acalmou o mercado demonstrando que não irá desmamar a economia tirando os estímulos repentinamente. Ontem, dois outros BC foram na mesma linha. O Banco da Inglaterra informou que vai expandir o programa de recompra de títulos de risco em mais 25 bilhões de libras, ampliando a ajuda para 200 bilhões de libras. Já o Banco Central Europeu (BCE) sinalizou que tem planos para retirar as medidas emergenciais, mas de forma gradual.

Nada que o mercado já não esperasse. Afinal de contas, é difícil imaginar que os governos irão agir de forma irresponsável no combate à recessão. No entanto, uma confirmação de que as expectativas estavam certas é sempre positiva. "A falta de grandes notícias dessas reuniões dos BC já é uma grande notícia por si só", diz o gerente de renda variável da Modal Asset Management, Eduardo Roche. O Índice Bovespa subiu durante todo o dia, fechando em alta de 1,41%, aos 64.815 pontos.

Os bancos centrais cumpriram o seu papel de acalmar os investidores e tirar os mercados do movimento cambaleante da semana passada, ora caindo muito, ora subindo na mesma intensidade. "A volatilidade vai continuar, mas os novos dados econômicos eliminaram o potencial de haver mais estresse no curto prazo", afirma Roche.

Ontem, os pedidos de seguro desemprego nos EUA somaram 512 mil na semana encerrada em 31 de outubro, o que representa uma queda de 20 mil em relação à medição anterior. A expectativa do mercado era de que houvesse uma queda de apenas 5 mil, lembra Roche. Menos americanos recorrendo ao auxílio desemprego de alguma forma significa que o mercado de trabalho deixou de piorar.

Em relatório, o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, afirma que, como se viu no comunicado do Fed na quarta-feira, a redução de empregos e o baixo crescimento da renda ainda limitam o consumo das famílias e o crescimento econômico. Ele afirma ainda que não se vê melhoras consecutivas em relação às expectativas do mercado.

Bons balanços

A safra de balanços brasileiros vem agradando de forma geral, com reflexos positivos no dia a dia do pregão. Um deles foi o da Vivo. Em relatório, os analistas da Fator Corretora Jacqueline Lison e Pedro Gomes afirmam que o resultado da tele no terceiro trimestre foi bom e veio acima das expectativas, tanto da corretora quanto do mercado como um todo. O ganho de margem da companhia é resultado do sucesso entre equilibrar o forte crescimento da base de clientes com rentabilidade, dizem os analistas. A margem do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida) foi a maior do setor, completam eles. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Vivo subiram ontem 5,19%.

Segundo Roche, da Modal, nos últimos meses, alguns investidores trocaram as ações da Vivo pelas da TIM na expectativa de que a volta por cima na gestão desta última ocorresse ainda este ano, o que não se concretizou. Essa frustração, aliada aos bons resultados, fizeram com que os investidores voltassem a dar preferência aos papéis da Vivo, acredita Roche.

O balanço da Gerdau também foi muito bem recebido pelo mercado ontem. Em relatório, a Brascan Corretora afirma que o resultado foi bom pela elevada rentabilidade apresentada nas operações da siderúrgica. A recuperação antecipada da empresa veio tanto da redução de custos quanto da queda nas despesas.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

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Maioria dos fundos ativos de ações perde do Índice Bovespa

no ano, o que mostra necessidade de selecionar bem os gestores.

Caçada ao prêmio

Por Angelo Pavini, de São Paulo
Muitos investidores que aplicaram em fundos de ações ativos neste ano ficaram decepcionados ao abrir seus extratos e perceber que a aplicação ficou abaixo dos 63,90% obtidos pelo Índice Bovespa no acumulado do ano até outubro. Em uma amostra preparada pelo Valor com base nos dados da Luz Engenharia Financeira, de 77 fundos Ibovespa ativos abertos e não exclusivos, somente 33, ou seja, 43%, cumpriram seu papel e superaram o índice. Outros 44 ficaram abaixo, o que significa que o investidor ganharia mais aplicando em um fundo indexado, como um PIBB ou um ETF. Quando o referencial é o IBrX, o número de fundos acima do índice melhora: 17 em 25 carteiras.

O levantamento é um retrato parcial do setor de fundos de ações, mas mostra a importância de o investidor acompanhar o desempenho dessas carteiras. "Quando a bolsa está subindo bastante, como agora, investidor não compara o desempenho com o referencial, porque está ganhando", diz William Eid Júnior, responsável pelo Centro de Estudos em Finanças da FGV.

E foi o que aconteceu. Mesmo quem apostou nos azarões conseguiu ganhar 40%, 50%, e acha que cobrar os 63,90% obtidos pelo índice seria chorar de barriga cheia. Mas a história é outra, porém, quando mercado é de baixa. "Aí a perda dói muito mais no bolso e todos reclamam", afirma Eid.

Há um fator agravante nessa história: quando os mercados estão em alta, a chance de o gestor se sair bem é maior, observa Eid. Mas a boa notícia é que o percentual de 42% de fundos acima do referencial pode ser considerado bom. "Nas minhas amostras, em geral, menos de 10% superam o referencial", diz. Ele usa um argumento para explicar por que algumas carteiras vão mal. "Um gestor de um fundo de ações não é remunerado por um desempenho extremamente bom, mas se tiver um resultado horroroso, perde o emprego." Por isso, a tendência é de o gestor ser mais defensivo, correndo menos risco e colando mais no referencial.

É importante, portanto, saber escolher os melhores fundos ou gestores. Uma dica é olhar o desempenho passado do fundo por um período longo, de cinco anos. Depois, separar por subperíodos, anuais, semestrais e mensais e ver se o fundo se enquadra entre os melhores da categoria, diz Eid. É preciso, então, comparar o resultado do fundo com o referencial, Ibovespa ou IBrX. "Se o gestor não ganhar, é melhor optar por um fundo indexado, que segue o índice", avalia.

Olhar somente a rentabilidade passada pode ser uma armadilha para o investidor, especialmente no curto prazo, alerta André Luiz Oda, professor e sócio da Alianti Consultoria. Um exemplo claro é o líder de rentabilidade deste ano, o GWI, que apresenta impressionantes 184% de ganho no ano. O fundo, no entanto, é uma carteira alavancada, ou seja, multiplica a tendência do mercado, para baixo ou para cima, e no ano anterior caiu 87,17%. Assim, quem aplicou R$ 100 em janeiro de 2008 começou 2009 com R$ 12,83. Hoje, com o ganho de 184%, teria R$ 36,44. Mais do que a possível perda ou ganho, o investidor precisa saber que está correndo um risco multiplicado.

Especialista em fundos de investimento, Oda destaca duas habilidades principais de um gestor. A primeira é antecipar os movimentos de mercado, ou seja, o "timing". "Posso não entender nada de empresas, mas se conheço economia, vou prever que o mercado em geral vai bem, portanto, compro índice e ganho", diz. Outra habilidade é a seletividade, ou seja, se ele é capaz de identificar bons papéis. "Se sei analisar bem o balanço das empresas, posso identificar as que estão baratas e comprar", explica.

Para um investidor leigo, porém, é muito difícil fazer essa avaliação. Por isso, admite Oda, o que resta é olhar a rentabilidade passada, o que não é garantia de ganho futuro. A regra geral, então, é olhar a performance num período mais longo, de cinco anos, e comparar o retorno com o referencial de mercado. E tentar compreender o que proporcionou o ganho, se foi uma boa escolha de papéis ou se ele soube evitar meses ruins de mercado ou ainda se usou alavancagem.

Outro aspeto importante é olhar os custos do fundo, as taxas de administração e de performance. Sintomaticamente, os fundos com melhor desempenho no estudo em geral cobram taxa de performance e têm taxa de administração mais baixa. Já os de pior desempenho, muitos de varejo, têm taxa de administração mais alta, sem performance. "Ou seja, o investidor paga para o banco mesmo quando está perdendo", lembra.

O professor Eid pondera que o custo da taxa de administração dos fundos ativos deve ser condizente com os retornos oferecidos ao investidor. "Desde que o gestor entregue um ganho muito acima do referencial, pode cobrar mais."

O investidor tem de ter consciência que um fundo é um condomínio, onde a vizinhança é importante. "Se os investidores entram quando o mercado já subiu, o gestor têm de comprar papéis mais caros, e isso afeta o resultado mesmo dos melhores gestores", observa Oda. O mesmo acontece quando o mercado cai e todos sacam, movimento comum no varejo.

Outra dica de Oda é o que ele chama de persistência de performance, que é a tendência do gestor manter determinado desempenho, e que é mais forte nos perdedores do que nos ganhadores. "Um fundo que perde sempre do referencial, em geral, é um fundo de varejo típico, onde as pessoas entram na hora errada ou tem uma taxa de administração muito alta, que come boa parte dos ganhos", diz.

O sócio da Alianti condena a visão de que o fundo é boa opção porque o gestor é melhor que o investidor para aplicar o dinheiro. "Mas, na verdade, o gestor tem de ser melhor do que os outros gestores", diz. Ele lembra que, no mercado, alguém tem de perder para outro ganhar. Por isso, é mais importante saber quais são os que mais ganham.

Analisar a volatilidade do fundo é relevante. "Se ela estiver próxima de 20% a 22% ao ano, tudo bem porque está na média do mercado, mas se bater em 60%, é preciso tomar mais cuidado", diz o professor Eid. Outro ponto é olhar os riscos de concentração do portfólio. "Em um fundo com nove títulos na carteira, por exemplo, um problema com uma empresa representa 10% do valor investido", alerta.

Outro risco é a liquidez dos papéis, pois se houver crise e o fundo precisar vender os ativos para honrar saques, o preço será mais baixo e isso impactará o ganho dos demais investidores. Para olhar a carteira dos fundos, basta entrar no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e procurar a sessão de fundos com o nome da carteira.

www.cvm.gov.br

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Siderurgia: Desempenho do terceiro trimestre ainda

está longe do registrado em 2008, mas indica recuperação

Gerdau vê retomada e amplia programa de investimentos

Por Sérgio Bueno, de Porto Alegre
O desempenho da Gerdau no terceiro trimestre e no acumulado do ano até setembro ainda ficou longe dos patamares registrados nos mesmos períodos de 2008, mas a gradual recuperação dos negócios nos últimos meses animou a companhia a ampliar o programa de investimentos em modernização e expansão de capacidade para os próximos anos. O valor foi revisto para R$ 9,5 bilhões no período de 2010 a 2014, o equivalente a US$ 5,5 bilhões pelo câmbio atual, ante uma programação anterior de US$ 3,6 bilhões de 2009 a 2013.

O grupo também anunciou a retomada das antecipações de dividendos que haviam sido suspensas no primeiro trimestre deste ano. Segundo o vice-presidente de finanças e relações com investidores, Osvaldo Schirmer, no dia 26 deste mês a Gerdau S.A. distribuirá R$ 106,5 milhões aos acionistas a título de juros sobre capital próprio, ou R$ 0,075 por ação. A Metalúrgica Gerdau pagará R$ 67,1 milhões, ou R$ 0,175 por ação.

Conforme o diretor-presidente, André Gerdau Johannpeter, o lucro líquido consolidado de julho a setembro foi de R$ 655 milhões, diante do prejuízo de R$ 329 milhões dos três meses anteriores. Ele preferiu comparar o terceiro com o segundo trimestre de 2009 porque considera que ambos estão no "mesmo contexto econômico". Em relação a igual intervalo de 2008, o lucro do terceiro trimestre caiu 53,9%, afetado também pela perda contábil de R$ 90 milhões provocada pela atualização do valor de ativos exigida pelas normas internacionais de contabilidade.

A receita líquida consolidada caiu 45,3% frente ao terceiro trimestre de 2008 e cresceu 6,3% sobre o segundo deste ano, para R$ 6,8 bilhões. Nos nove meses em relação a idêntico intervalo de 2008, a receita recuou de R$ 32,5 bilhões para R$ 20,2 bilhões, enquanto o lucro encolheu de R$ 4,6 bilhões para R$ 361 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) ficou em R$ 1,4 bilhão no trimestre e em R$ 2,6 bilhões nos nove meses, contra R$ 3,8 bilhões e R$ 8,6 bilhões nos mesmos períodos de 2008, respectivamente. Os investimentos de janeiro a setembro somaram R$ 1,1 bilhão.

Segundo Johannpeter, o Brasil ficará com 80% dos aportes previstos para o ciclo 2010-2014. Ele explicou que as perspectivas são "otimistas" para a economia e a demanda de aço no país no ano que vem, com destaque para os setores de construção civil, automotivo e também para as obras de infraestrutura que serão puxadas pelo Programa de Aceleração de Crescimento, pela exploração do pré-sal e pela preparação para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Já o mercado americano deve apresentar uma recuperação "lenta e gradual", com mais vigor a partir do segundo trimestre do ano que vem em função dos estímulos governamentais para reativar a economia local, acredita Johannpeter. Na Europa, onde o grupo opera no segmento de aços especiais, a retomada será um pouco mais demorada e na América Latina o problema tem sido o ingresso "expressivo" de aço importado, afirmou o empresário.

Em outubro, a Gerdau já havia anunciado a retomada do projeto para instalação de um laminador de chapas grossas na Açominas, orçado em R$ 1,75 bilhão (cerca de US$ 1 bilhão) e com capacidade para produzir 1 milhão de toneladas anuais a partir do fim de 2012 para os setores petrolífero, naval, de construção civil e equipamentos pesados, sendo que o excedente será exportado para a América Latina. O plano havia sido divulgado pela primeira vez no fim de 2007.

Os aportes para o período 2010-2014 incluem ainda a retomada de um projeto de R$ 100 milhões para ampliar a capacidade do laminador de perfis estruturais da Açominas de 540 mil para 700 mil toneladas por ano em 2011, além de outros R$ 88 milhões na "joint venture" com o grupo Kalyani, na Índia, em um laminador com capacidade de 300 mil toneladas anuais de vergalhões e aços especiais também a partir de 2011. O grupo também retomou ontem a produção de minério de ferro na mina de Várzea do Lopes (MG), que estava paralisada desde julho de 2008.

De acordo com Johannpeter, a produção em Várzea do Lopes chegará ao patamar de 1,5 milhão de toneladas anuais ao longo de 2010. Junto com a mina de Miguel Burnier (MG), a produção do grupo vai totalizar 2,7 milhões de toneladas de minério por ano, o que equivale a 50% das suas necessidades atuais da matéria-prima. "Nossa estratégia de longo prazo é chegar a 80% de consumo próprio", reafirmou o diretor-presidente.

De janeiro a setembro, as vendas consolidadas da Gerdau recuaram 33% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, para 10,3 milhões de toneladas. O percentual de queda foi menor do que o registrado na receita porque os preços médios por tonelada vendida caíram 6% no período, informou o grupo. As usinas do Brasil venderam 29,3% a menos, ou 3,8 milhões de toneladas, enquanto na América do Norte a retração chegou a 42%, para 3,7 milhões de toneladas.

Os números excluem o segmento de aços especiais no Brasil, Estados Unidos e Europa, que caiu 37,9%, para 1,3 milhão de toneladas, enquanto as operações na América Latina (exceto o Brasil) recuaram 14,4%, para 1,5 milhão de toneladas. Mesmo assim, conforme Johannpeter, o nível médio de utilização da capacidade instalada do grupo subiu de 50% no início do ano para mais de 70% no fim do terceiro trimestre.

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Telefonia móvel: Serviços de maior valor aceleram receita da Vivo

Ana Luiza Mahlmeister, de São Paulo
Incentivo à adesão a aparelhos mais sofisticados, os "smartphones", campanhas que baratearam o torpedo (mensagens de texto) e aumento do acesso à banda larga móvel foram destaques nos resultados do terceiro trimestre da Vivo, que contabilizou um crescimento de 40% da receita de dados e serviços de valor agregado, comparado ao mesmo período do ano passado.

A receita líquida totalizou R$ 3,78 bilhões no trimestre, um aumento de 4% ante o terceiro trimestre de 2008. O lucro líquido foi de R$ 340 milhões, 153% maior, ajudado pela redução de despesas operacionais e financeiras.

Roberto Lima, presidente da Vivo, reforça que a estratégia não é só aumentar a base de clientes que alcançou 48,8 milhões, com 2 milhões de adições líquidas no trimestre, mas manter o assinante. Para isso prevê investimentos de quase R$ 1 bilhão no aumento da capacidade da rede e na cobertura para dar conta do aumento do tráfego de voz e dados esperado para o final do ano. A estratégia é manter a qualidade de serviços na rede 3G, oferecer novas aplicações, incentivar o tráfego de voz com bônus para ligação entre clientes e o lançamento, na terça-feira, de um plano mais agressivo para o usuário pré-pago. As campanhas para a atualização do aparelho tiveram como consequência um aumento de 76% no uso do serviço Vivo Internet ante o terceiro trimestre de 2008, com 9,1 milhões de usuários conectados.

Hoje a Vivo está presente em 3,9 mil municípios com rede 2G e 556 municípios com a 3G. A prioridade é ampliar cobertura em todo o território nacional. Estão avançadas as negociações para o compartilhamento de terrenos para alocação de antenas, que já alcança 55%. Em conjunto com a Embratel e a Claro, a Vivo compartilha 12 mil quilômetros de linhas de transmissão entre Porto Alegre e São Paulo e negocia mais três projetos semelhantes no Sudeste e no Nordeste. A Vivo também aluga sistemas de transmissão da Telefônica e se beneficiaria de um possível negócio entre a operadora e a GVT para ampliar cobertura fora do estado de São Paulo, afirma Roberto Lima.

A fidelização do cliente também passa pelo fácil acesso aos pontos de venda. A empresa conta com 340 lojas próprias, 110 geridas por terceiros e 11 mil pontos de venda de recarga e chip. O crescimento da base em números de acessos no trimestre foi de 15,5% comparado ao mesmo período do ano anterior. A empresa reduziu em 10,3% o endividamento líquido no trimestre, que atingiu R$ 4,2 bilhões.

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Contabilidade: Iasb e Fasb vão rever normas juntos

Fernando Torres, de São Paulo
Os órgãos responsáveis pela emissão das regras contábeis internacionais e americanas decidiram acertar os ponteiros e trabalhar juntos na revisão de diversos pontos que estão em análise neste momento pelas entidades.

Para selar esse processo, o International Accounting Standards Board (Iasb), responsável pelo padrão conhecido como IFRS, e o Financial Accounting Standards Board (Fasb), seu congênere nos EUA, publicaram ontem um documento conjunto estabelecendo metas e data para a revisão de diversas práticas contábeis. O plano prevê que várias novas normas sejam apresentadas ao longo do ano que vem e outras até a metade de 2011.

Como um desdobramento da crise internacional, os dois conselhos estão sendo pressionados por mudanças nas regras de contabilização de instrumentos financeiros, valor justo e "hedge", entre outros pontos.

Em vez de cada um seguir seu caminho, eles decidiram, em reunião realizada na semana passada, acertar os prazos para que as regras entrem em audiência pública e sejam publicadas ao mesmo tempo. A ideia é que os participantes do debate comentem as minutas que vierem a ser apresentadas pelo Iasb e pelo Fasb e que os conselhos decidam em conjunto qual regra escolher.

Para garantir o andamento dos trabalhos, as entidades se comprometeram a realizar reuniões mensais de trabalho, com a publicação trimestral de um relatório sobre a evolução das discussões.

O documento publicado ontem tem como base um memorando de entendimentos assinado pelo Iasb e pelo Fasb em 2006, que foi atualizado no ano passado.

O pano de fundo é a busca de um padrão global de contabilidade, a fim de facilitar a comparação de balanços de empresas de diferentes países e evitar arbitragens regulatórias.

A criação de um padrão global tem sido defendida também pelos líderes do G-20, grupo de países mais influentes do mundo. O Brasil também caminha para a convergência internacional.

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Bancos médios: Seguradora do grupo, maior do Brasil

na área de seguro garantia, respondeu por 35,7% do total.

Paraná Banco aumenta lucro no trimestre

Por Fernando Travaglini, de São Paulo
O Paraná Banco encerrou o terceiro trimestre do ano com lucro líquido de R$ 21,123 milhões, alta de 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 19,113 bilhões). A seguradora do grupo, a maior do Brasil na área de seguro garantia, respondeu por 35,7% do total. A JMalucelli Seguradora teve lucro de R$ 6,3 milhões e a JMalucelli Resseguradora, R$ 1,2 milhão.

Apesar da alta nos ganhos a carteira de crédito apresentou recuo de 17,8% nos últimos 12 meses, ainda sob o impacto da crise financeira global. O saldo atingiu R$ 1,205 bilhão, contra R$ 1,467 bilhão de setembro do ano passado. No trimestre, no entanto, o estoque de empréstimos já apresentou elevação de 4,1% em relação a junho.

Com isso, as receitas da intermediação financeira somaram R$ 88,205 milhões de julho a setembro, uma alta de 5,1% na comparação trimestral, mas 14,5% abaixo do montante registrado no mesmo período de 2008 (R$ 103,1 milhões).

Outra consequência direta da crise é a queda dos depósitos a prazo de 5,3% em 12 meses. Como indicador da melhora do cenário, o banco registrou elevação de 6,5% no trimestre, fechando setembro com R$ 783,482 milhões.

A carteira em atraso continuou a subir, passando de 4,5% para 5% no trimestre. Esse comportamento também impactou as despesas com provisão para devedores duvidosos, que subiu 10% nos últimos três meses, para R$ 58,236 milhões. Os ativos totais atingiram R$ 2,661 bilhões e o patrimônio líquido foi a R$ 811,368 milhões, com rentabilidade de 10,9% ao ano.

Já o Banco Indusval Multistock registrou prejuízo de R$ 7,8 milhões no terceiro trimestre do ano, contra um ganho positivo de R$ 19,3 milhões no mesmo período do ano passado. A queda se deu em parte pela redução de 55,2% da receita de intermediação financeira em 12 meses, que atingiu R$ 94,3 milhões nos últimos três meses, e também pelo resultado operacional negativo em R$ 16,1 milhões. "A redução das despesas operacionais foi insuficiente para neutralizar a queda nas receitas de prestação de serviço e tarifas", diz texto do balanço do banco.

Como reflexo do resultado, as ações da instituição (PN, sem direito a voto) fecharam em forte baixa de 12,56% ontem, em dia de alta de 1,41% do Ibovespa.

A carteira de crédito do Indusval recuou 18,2% em 12 meses, para R$ 1,631 bilhão. A inadimplência continuou em alta, mas o banco acredita que o cenário aponta para estabilização nos atrasos com provável ponto de inflexão em novembro. Os ativos totais tiveram queda de 10,5%, fechando o trimestre em R$ 2,856 bilhões. O patrimônio líquido atingiu R$ 438,1 milhões, baixa de 1,3% em doze meses. (Colaborou Eduardo Laguna)

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Curtas - BR Malls no azul

A administradora de shopping centers BR Malls registrou lucro líquido de R$ 65,2 milhões no terceiro trimestre, contra prejuízo de R$ 22,6 milhões apurado no mesmo trimestre de 2008. A receita líquida cresceu 14%, para R$ 94, 2 milhões. Com participações em 35 shoppings, a empresa inaugurou duas expansões no trimestre, no Goiânia e no Norte Shopping.

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Curtas - Iguatemi estável

A Iguatemi, também de shopping centers, apresentou lucro líquido de R$ 19,5 milhões no terceiro trimestre, praticamente estável sobre os R$ 19,4 milhões de igual intervalo do ano passado. A receita líquida cresceu 10%, para R$ 52,1 milhões. Com isso, a empresa reiterou suas projeções para o acumulado de 2009. Estima crescimento da receita de 9% a 12%.

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Curtas - Tractebel lucra mais

A geradora de energia Tractebel trouxe crescimento de 25% no lucro líquido, para R$ 285,7 milhões no terceiro trimestre. A receita líquida somou R$ 886,7 milhões, com alta de 4,3%. A empresa bateu o recorde mensal de geração em agosto, ao produzir 4.028.231 MW. O preço médio dos contratos de venda de energia foi 8,6% superior ao de igual período de 2008. O aumento reflete o reajuste dos contratos existentes, principalmente com os consumidores livres, e o maior preço médio de venda ao pool de distribuidoras.

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Opinião Jurídica: As mudanças para as ações coletivas

Caio Leonardo Bessa Rodrigues
A história da defesa dos direitos fundamentais teve início na resistência do indivíduo ao Poder Constituído; evoluiu para a instrumentalização do Estado para a defesa de direitos sociais e econômicos, até chegar à defesa dos interesses difusos e coletivos. As ações coletivas estão na vanguarda desse processo: superam o indivíduo como legitimado ativo, e põem em seu lugar representantes de interesses supraindividuais. No Brasil, está em discussão uma reforma nas regras das ações coletivas apresentada pelo governo, por setores da magistratura e do Ministério Público ao Congresso Nacional como um projeto de consenso. Trata-se de um grande avanço capaz de colocar o Brasil à frente de outras nações; uma sistemática que garante acesso à Justiça, com eficiência, mediante a flexibilização das regras tradicionais do processo, dadas como antiquadas e em desacordo com uma leitura contemporânea da Constituição Federal. Mas esse consenso foi quebrado pela apresentação de cem emendas por 11 deputados de seis partidos (PT, PTB, PDT, DEM, PP e PSDB) ao substitutivo apresentado pelo relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados. Das cem emendas, apenas três se alinham com o espírito original do Projeto de Lei nº 5.139, de 2009, que compõe o 2º Pacto Republicano. O dissenso não é sem razão.

A exposição de motivos com que o Executivo remeteu a matéria ao Congresso Nacional não faz qualquer menção às radicais mudanças propostas. Tampouco o parecer do relator na comissão o faz. Esses dois documentos não oferecem elementos para avaliar a extensão, a intensidade e o impacto do risco contido em cada dispositivo.

Esse projeto de lei dá outra leitura, quando não simplesmente suprime ou neutraliza princípios constitucionais e processuais como a estabilidade do processo, a inércia do Judiciário, a imparcialidade do juiz, a segurança jurídica, os pressupostos processuais, as condições da ação, as liberdades individuais, a ampla defesa e a ordem econômica. Todas essas mudanças visam a fortalecer o polo ativo, e a debilitar o polo passivo. O pressuposto universalizado da hipossuficiência do autor coletivo resulta, aqui, num modelo de paternalismo que consagra um perigoso ativismo judiciário, oferecendo ao Juiz e ao Ministério Público - independentemente de quem mova a ação - instrumentos para promoverem políticas públicas e imporem condutas, independentemente de previsão legal, aos ocupantes do polo passivo, em usurpação flagrante das atribuições do Poder Legislativo, do Poder Executivo e do próprio povo, de quem é preciso lembrar que não são representantes eleitos, nem sua encarnação institucional.

O juiz poderá alterar atos e fases do processo. Não haverá mais rito: o juiz decide o próximo passo. E o faz "para garantir a efetiva tutela do interesse coletivo": ou seja, para garantir o sucesso do pedido do autor. Pedido este que pode ser alterado, assim como a causa de pedir, em qualquer fase do processo até a sentença, e quantas vezes aprouver ao autor. A cada novo pedido, uma nova tutela antecipada pode ser concedida sem ouvir o réu. Em verdade, não será preciso sequer que o Autor peça a antecipação de tutela: o juiz poderá concedê-la por iniciativa própria. O juiz pode decidir sem provocação, nem pedido do autor em várias situações. Ausência das condições da ação ou dos pressupostos processuais não obstará a continuidade do processo até as instâncias superiores: A ação coletiva passa a ser um processo metamórfico em busca de uma razão para condenar o réu.

Chega-se ao extremo de permitir a intervenção na empresa para o cumprimento de Termo de Ajustamento de Conduta. A desconsideração da personalidade jurídica servirá para multar diretores de empresa ou agentes públicos. É dado um poder ao juiz e ao Ministério Público que nem sequer a administração tem, ela que é a detentora do poder de polícia.

O PL nº 5.139, de 2009 deriva da insatisfação de juízes e de membros do Ministério Público de não conseguirem obter sucesso frequente e rápido no modelo em que operam. Mas isto não pode resultar na completa desconstrução dos sistemas de defesa contra o abuso de autoridade, mediante a oferta de um processo desequilibrado em que o réu é posto em condição desfavorável perante um juiz parcial e interessado, e de um Ministério Público ocupado menos com a solução do litígio do que com o desenvolvimento de políticas públicas próprias, para cujo custeio terá à sua disposição tantos réus quantos couberem na imaginação de seus membros. Ou de associações. Ou de sindicatos. Ou de partidos políticos, aos quais o PL inovou, atribuindo legitimidade para propositura dessa ação.

O PL nº 5.139, de 2009, propõe um passo em falso na história da defesa dos direitos fundamentais, que leva a defesa de direitos coletivos e difusos a voltar-se contra a mãe de todos os direitos fundamentais - as garantias individuais. Como o uróboro, a serpente que morde a própria cauda, esse é um retorno ao início da história, com os indivíduos de novo sujeitos à opressão de outro tipo de suserano: um que não chefia o Executivo, que não faz a lei, mas que surge de dentro do Judiciário, e se vê sinceramente esclarecido e defensor da coletividade, sem notar o papel deletério das instituições democráticas a que se está propondo.

Caio Leonardo Bessa Rodrigues é sócio de Mattos Muriel Kestener Advogados, atua na área de relações governamentais e regulação

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações

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Projeto que descaracteriza vínculo empregatício recebe parecer favorável

Luiza de Carvalho, de Brasília
O projeto de lei que prevê a descaracterização do vínculo empregatício de sócios ou associados de escritórios de advocacia obteve parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), deputado Carlos Willian (PTC-MG). O projeto tramita em caráter terminativo. Se aprovado na comissão, segue direto para o Senado.

O projeto altera o Estatuto da Advocacia - a Lei nº 8.906, de 1994 -, acrescentando a previsão de inexistência de vínculo empregatício entre advogados sócios ou associados quando estes, na sociedade, trabalham de forma autônoma no que diz respeito à produção intelectual, fixação de honorários, flexibilidade do horário de trabalho ou que percebam remuneração proporcional à produção na sociedade.

De acordo com o projeto, apresentado pelo deputado Juvenil Alves (sem partido-MG), "décadas atrás, após cursar uma faculdade de direito, o recém-formado alugava uma sala, adquiria alguns móveis, colocava uma pequena inscrição na porta e iniciava sua atividade profissional". Hoje, acrescenta o parlamentar, isso é muito raro e os casos cada vez mais complexos exigem que os profissionais trabalhem juntos. Para o deputado, a aplicação de um regime celetista entre advogados participantes de uma sociedade pode inviabilizar essa tendência.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem defendido o projeto desde o início de sua tramitação, em 2007. Para o presidente da entidade, Cezar Britto, a lei é fundamental para o avanço da advocacia brasileira e estimula a união entre os advogados. "Muitos escritórios deixam de contratar advogados recém-formados por receio de celebrar contratos de associamento sujeitos ao vínculo", diz. Segundo ele, a lei vai evitar conflitos judiciais trabalhistas.

Uma questão ainda em aberto é se a aprovação do projeto evitaria o ajuizamento de ações em que advogados pleiteiam vínculo empregatício no Judiciário. Na opinião de Luciano Athayde, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), mesmo que seja aprovada a lei, a caracterização de vínculo de advogados continuará a ter que passar pelo crivo do Judiciário. "Saber se há ou não relação de subordinação não é tão simples e precisa ser analisado pela Justiça do Trabalho", diz Athayde. Para ele, o projeto não acrescenta nada de novo, pois a Justiça já considera como empregados autônomos e sem vínculo de trabalho aqueles que têm autonomia de horários e não estão subordinados.

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Juízes determinam bloqueio de 690 imóveis em São Paulo

De São Paulo
Um balanço divulgado pela Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp) mostra que 690 imóveis no Estado foram apreendidos por meio da penhora on-line nos últimos cinco meses. O sistema começou a funcionar em junho e só tem, por ora, a adesão do Tribunal de Justiça. A previsão da Arisp, no entanto, é de que o volume venha a crescer consideravelmente nos próximos anos com a popularização do processo e com a sua utilização em execuções trabalhistas e federais.

De acordo com Flauzilino Araújo dos Santos, presidente da Arisp - entidade que desenvolveu o projeto em parceria com a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de São Paulo -, os tribunais regionais do trabalho da 2ª região (São Paulo) e da 15ª região (Campinas) e a Justiça Federal solicitaram adesão ao sistema. Os tribunais de Justiça do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso também pretendem utilizar a penhora on-line.

Como alternativa à falta de dinheiro em conta bancária, os credores acabam optando pela busca de imóveis e veículos em nome do devedor. Com a penhora , o imóvel pode ser levado a leilão. Estão previstas duas tentativas de venda do bem. Hoje, segundo advogados, é raro vender um imóvel apreendido pelo valor de mercado.

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Judiciário: Corte quer acelerar julgamentos e cumprir

meta proposta pelo Conselho Nacional de Justiça

Tribunal do Rio edita 32 enunciados

Laura Ignacio, de São Paulo
Para acelerar os julgamentos e cumprir a "Meta 2" - proposta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a análise neste ano de todos os processos ajuizados até 2005 -, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) aprovou 32 novos enunciados sobre diversos temas. Os enunciados não têm efeito vinculante, mas é uma tendência a ser seguida pelos desembargadores do órgão. Entre eles, há enunciados sobre planos de saúde, expurgos inflacionários e deveres do Poder Público. O de maior repercussão determina que pode ser penhorado dinheiro da conta corrente do Estado para a compra de medicamentos quando o governo não tem os remédios necessários para distribuir aos cidadãos. Na próxima semana, deverão ser editados mais 30 enunciados.

Os enunciados têm como objetivo acelerar os julgamentos sobre temas repetitivos. A desembargadora Leila Mariano, diretora-geral do Centro de Estudos e Debates do TJRJ, explica que há maior rapidez porque os desembargadores podem julgar monocraticamente processos de temas previstos em enunciados. As ações não precisam ser julgadas por câmaras. "Isso reduz os custos do Judiciário", afirma a magistrada. Para se tornar enunciado, a proposta deve ser aprovada por, pelo menos, 70% dos 135 desembargadores do tribunal. Segundo Leila, a medida terá impacto sobre um "volume imenso" de processos.

Os enunciados também têm o papel de uniformizar o entendimento do TJRJ sobre assuntos que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda não pacificou. Um dos destacados por advogados é o que determina que incidem honorários advocatícios nos processos de execução cível quando a dívida, após 15 dias da sentença, não é paga pelo inadimplente condenado. Para o advogado Elias Marques de Medeiros Neto, do escritório Barbosa, Mussnich & Aragão (BMA) Advogados, o enunciado é importante porque a questão é polêmica na maioria dos tribunais de Justiça estaduais. O TJ de São Paulo é um deles. "Os desembargadores paulistas entendem que só cabe honorários advocatícios em caso de impugnação da sentença", afirma. O enunciado fluminense foi no sentido da maior parte dos julgados do STJ sobre o tema.

Em relação a conflitos entre consumidores e bancos, os enunciados do TJRJ foram favoráveis aos consumidores. Todos referem-se a expurgos inflacionários de planos econômicos, como o Collor. O tribunal decidiu que se o banco não apresentar o extrato pedido pelo consumidor, o valor reclamado deve ser presumido como verdadeiro. Além disso, os desembargadores concluíram que o banco é quem deve provar que não tem responsabilidade nas ações de cobrança de correção monetária relativa aos planos econômicos.

Apesar de dar maior rapidez aos julgamentos e evitar o ajuizamento de recursos, o advogado Mário Gelli, também do BMA, teme que a edição de uma grande quantidade de enunciados diminua a qualidade das decisões judiciais do tribunal. "É preciso ficar atento para que a aplicação destes enunciados, na ânsia de atingir a Meta 2, não viole direitos e garantias fundamentais", afirma.

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Processual: Nova modalidade de bloqueio já foi aplicada pelo STJ e TRT de Minas Gerais

Justiça penhora restituição do IR para quitar débito de contribuinte

Adriana Aguiar, de São Paulo
A criatividade dos advogados e da Justiça brasileira tem restringido cada vez mais as possibilidade dos maus pagadores escaparem de seus débitos. Além da já conhecida penhora on-line de conta corrente, do bloqueio de automóveis e imóveis, o Judiciário começa a adotar a penhora da restituição do Imposto de Renda (IR). A peculiaridade nesse caso é que não há o risco de os valores serem desviados antes da decretação da penhora. O juiz envia à Receita Federal um ofício determinando a indisponibilidade do valor previsto para ser restituído. E esse montante é usado para quitar a dívida.

A alternativa já foi utilizada em pelo menos dois processos que transitaram em julgado - quando não cabe mais recurso. E pode se tornar uma tendência, segundo juízes e advogados.

Essa modalidade de penhora já foi admitida tanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) numa ação em que um banco cobrava uma dívida de um cliente, quanto em uma execução trabalhista contra duas empresárias. Nesse caso, a alternativa foi aplicada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Minas Gerais. Os dois processos foram finalizados recentemente, entre o início deste mês e no mês passado. A novidade, porém, ainda encontra resistência em alguns tribunais, como o TRT da 2ª Região, com sede em São Paulo. Na corte há pelo menos duas decisões contrárias ao uso da penhora para as restituições do Imposto de Renda.

A corrente jurídica que não admite a penhora nesses casos entende que a restituição, originada do imposto recolhido a mais, é decorrente do salário recebido pelo contribuinte. E defende que o inciso IV, do artigo 649, do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que verbas com natureza salarial são impenhoráveis.

Os desembargadores da Terceira Turma do TRT de Minas, no entanto, entenderam que a execução deve ser realizada em consideração ao interesse do credor. E que caberia ao devedor demonstrar que a restituição do imposto de renda seria apenas proveniente das verbas salariais, essas sendo impenhoráveis. O relator do processo na corte, desembargador Bolívar Viégas Peixoto, também acrescentou que não existe qualquer dispositivo legal que proíba a penhora de créditos referentes ao Imposto de Renda.

Os ministros da Terceira Turma do STJ foram além. Eles entenderam que não há impenhorabilidade absoluta, nem mesmo das restituições que tenham como origem apenas o salário do contribuinte. Para o STJ, a diferença entre o valor necessário para o contribuinte sobreviver e o total das suas verbas salariais pode ser penhorada.

O precedente do STJ demonstra uma tendência em aceitar-se a penhora do valor da restituição em todas as esferas da Justiça, avalia o juiz do trabalho Rogério Neiva, que atua em Brasília. "Se a Justiça comum, que tende a ser menos agressiva do que a Justiça do trabalho com relação à utilização da penhora, aceitou o bloqueio desses valores, acredito que isso pode começar a ser mais usado por toda a Justiça, com a finalidade de dar mais eficácia à execução". Para o magistrado, a tendência futura é que o bloqueio dos valores da restituição sejam on-line, da mesma forma em que hoje é feito o bloqueio de contas bancárias - via Bacen-Jud - e a restrição da venda de automóveis - por meio do sistema Renajud.

Segundo Neiva, ainda há uma limitação na aplicação desse tipo de penhora, ao menos na Justiça do Trabalho. Ele afirma que existem julgados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e até uma orientação jurisprudencial (OJ) - a de número 153 - que proíbem a penhora de verbas de natureza salarial. Por esse motivo, como avalia Neiva, se ocorrer a comprovação de que a restituição do imposto de renda seria apenas proveniente do salário, não haveria, em tese, como determinar a penhora dessa quantia.

Essa nova modalidade de penhora traz mais uma preocupação para os sócios de empresas, de acordo com o advogado Marcel Cordeiro, do escritório Neumann, Salusse, Marangoni Advogados. "Essas decisões são muito criativas e apontam mais um caminho para localizar os valores devidos", afirma. No entanto, ele faz a ressalva de que nem todos os tribunais têm aceito essa nova possibilidade.

Já a advogada Juliana Bracks, do Latgé, Mathias, Bracks & Advogados Associados, acredita que a Justiça trabalhista tem flexibilizado cada vez mais o entendimento sobre a possibilidade de penhora. Nesse sentido, o TRT de Minas tem sido o pioneiro, diz. O tribunal já admitiu a penhora de conta bancária que recebe salário, mas também outros créditos. Também já entendeu que o valor excedente a 40 salários mínimos em conta poupança pode ser penhorado - o Código de Processo Civil limita a esse valor. E em alguns casos, o TST tem confirmado essa flexibilização, segundo a advogada. Em um julgamento recente, a corte aceitou a penhora de 50% dos vencimentos de um sócio de um servidor público. Para o presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Luciano Athayde Chaves, as decisões sobre penhora da restituição de IR são legítimas. "A princípio todo o credito do devedor pode ser objeto de penhora", afirma.

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Minc confirma propostas para mudar Código

Agência Brasil, de Brasília
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, apresentou ontem, as propostas da área ambiental para modificações no Código Ambiental, antecipadas pelo Valor na semana passada. Minc aceita manter as plantações de maçã, café, uva e mate em encostas e topos de morros e permite a soma das áreas de proteção permanente (APPs) à reserva legal para os agricultores familiares ou com propriedades de até 150 hectares.

Para o ministro, a polêmica entre ambientalistas e ruralistas sobre modificações no Código Florestal pode estar chegando ao fim. "Acabou a guerra. Estou otimista de que vamos chegar a um bom entendimento. Não acho que a CNA [Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil] e o Greenpeace vão sair juntos dançando reggae na Chapada dos Veadeiros, mas houve muitos avanços [na negociação]".

As propostas do Ministério do Meio Ambiente para a alteração do Código Florestal foram fechadas com movimentos de agricultores familiares, mas segundo Minc, também beneficiam os grandes produtores. O MMA propõe a simplificação da averbação da reserva legal das propriedades - que passará a ser fiscalizada a partir de 11 de dezembro - com redução da burocracia. Para os agricultores familiares, o georreferenciamento será gratuito.

A consolidação de plantios de macieiras, videiras e cafezais em encostas e topos de morros e de arroz em regiões de várzea estará garantida, de acordo com a proposta da área ambiental. A concessão valerá para os pequenos e grandes produtores, no entanto, não serão permitidos novos desmatamentos para ampliar as lavouras nessas áreas. A utilização de APPs como reserva legal só valerá para a agricultura familiar ou propriedades com até 150 hectares. Já a permissão de manejo florestal na área da reserva legal também poderá ser feito pelos grandes proprietários, inclusive com exploração madeireira.

Outra proposta, que na avaliação de Minc vai beneficiar a agricultura empresarial, é a criação de um sistema de cotas de reserva florestal. Quem não preservou a reserva legal dentro da propriedade pode comprar áreas preservadas por outros produtores, desde que no mesmo bioma e na mesma bacia hidrográfica. A compensação em outras áreas é prevista pelo Código Florestal, mas até hoje não foi regulamentada. Cada cota corresponderá a um hectare de área preservada. O preço das cotas será definido entre compradores e vendedores, sem interferência do governo.

Na próxima segunda-feira, dia 9, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve definir que posições o governo vai adotar em reunião com Minc e os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

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Conjuntura: Consultorias estimam alta entre 1,5% e 2,1%

para o ritmo da economia em relação ao período anterior

PIB repete expansão no terceiro trimestre

João Villaverde, de São Paulo
O aumento do investimento foi o principal fator que impulsionou o crescimento da economia no terceiro trimestre. Após um período de nove meses - entre o último trimestre de 2008 e o primeiro semestre deste ano - em que o PIB brasileiro foi sustentado pelo aumento da demanda doméstica, no período entre julho e setembro, foi a recuperação do investimento que permitiu a continuidade da expansão. As projeções de crescimento no terceiro trimestre sobre o trimestre anterior na série com ajuste sazonal variam de 1,5% a 2,1%, valores semelhantes a marca de 1,9% registrada entre abril e junho, quando o país deixou a breve recessão pela qual passou após a explosão da crise mundial.

No segundo trimestre, enquanto a indústria ainda mantinha estoques elevados e o pé no freio em investimentos e contratações, o consumo das famílias subiu 2,1% sobre o primeiro trimestre. Ao contrário da indústria, cuja atividade caiu naquele período, o comércio varejista e o consumo permaneceram crescendo durante a crise, apenas em menor ritmo. Assim, a ampliação do consumo no terceiro trimestre se deu sob uma base alta, em movimento inverso ao da indústria, que registra crescimento sobre uma base fraca.

"O investimento neste terceiro trimestre, pela primeira vez, cresceu acima do consumo e da demanda, o que indica o início de um processo que se estenderá a 2010", avalia Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores. Quando as turbulências mundiais se acirraram, em setembro do ano passado, a indústria estava com estoques elevados, construídos com os investimentos feitos anteriormente. Apenas quando os estoques foram diminuindo - e o nível de capacidade instalada (Nuci) se estreitando - é que as fábricas se motivaram a retomar investimentos. Este movimento, segundo Borges, começou no segundo semestre e ficou mais forte em setembro. Para ele, o "gatilho" se dá quando o Nuci é superior a 81,5%. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Nuci, em setembro, foi de 83% - chegou a bater 77,3% em janeiro.

O mercado de trabalhou não sofreu o choque que muitos previam no fim do ano passado, contribuindo para tornar o consumo mais resiliente à queda da indústria. "Entre agosto do ano passado e janeiro, quando a indústria atingiu o fundo do poço, apenas 2,75% dos postos de trabalho no setor industrial foram fechados. No mesmo período, a produção industrial tombou 16,6%. Quer dizer, o emprego sofreu menos relativamente à produtividade", afirma Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria.

Para ele, o ritmo de recuperação no terceiro trimestre "surpreendeu", especialmente o crescimento da indústria em julho (2,2%) e agosto (1,1%). "Os estoques deram conta do recado nos primeiros seis meses, mas esse ajuste acabou. A indústria percebeu que era hora de voltar a produzir." A Tendências está revisando suas projeções para o PIB do terceiro trimestre e deve aproximá-la de 1,5% na comparação com o segundo trimestre.

Para Luiza Betina, economista do Santander, o terceiro trimestre inicia uma tendência que deverá ser verificada ao longo do próximo ano. Segundo ela, os investimentos devem continuar crescendo acima do consumo e da demanda, ainda que todos os componentes continuem se expandindo. "O consumo cresceu fortemente nos últimos trimestres graças aos estímulos fiscais concedidos pelo governo, que já começaram a ser retirados. Houve antecipação de consumo, o que, por si só, já reduz elevações futuras", afirma. Nas contas do banco, a expansão do PIB no terceiro trimestre será semelhante ao 1,9% do trimestre anterior.

Segundo Borges, da LCA, o consumo das famílias crescerá, ao todo, 3,5% neste ano sobre o ano passado, e 6% em 2010, sobre uma base alta. "Com a retomada do PIB, é natural que o consumo se acelere", explica o economista, "até porque, com uma elevação de 2,1% no terceiro trimestre e algo próximo disso nestes últimos três meses, o 'carry-over' para o ano que vem será robusto", diz , em referência ao crescimento que passa de um ano para o outro na economia se a atividade só repetir, no ano seguinte, o ritmo dos últimos meses.

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Sete setores da indústria já voltaram ao faturamento de setembro de 2008

Arnaldo Galvão, de Brasília
O desempenho da indústria em setembro confirmou a trajetória de recuperação do setor. Levantamento mensal realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que, pela primeira vez desde o começo da crise mundial, quatro entre cinco indicadores apresentaram crescimento com relação ao mês anterior na série com ajuste sazonal. Não foram aumentos expressivos, mas não deixam dúvidas sobre a retomada da atividade na indústria, o setor mais prejudicado pela crise global. A confederação não vê, porém, sinais de retorno dos investimentos

A utilização da capacidade instalada (UCI) recuou 0,4 ponto percentual em setembro na comparação com agosto, chegando a 79,8%, ainda bastante aquém do pico registrado em janeiro de 2008, de 83,5%. Esse foi o indicador que teve recuo, mas, segundo o economista da CNI, Marcelo de Ávila, não altera a "clara e consistente trajetória de alta". O economista-chefe da instituição, Flávio Castelo Branco, ressaltou que de novembro a fevereiro a atividade industrial é normalmente mais baixa e, portanto, não há o menor risco de o setor chegar ao limite da capacidade de produção no curto prazo.

Entre os quatro indicadores que tiveram desempenho positivo, embora ainda de forma "incipiente", conforme disseram os dois economistas, está o número de horas trabalhadas. Estas tiveram aumento de 0,4% sobre agosto, o que já é visto pela CNI como um sinal de boas perspectivas para os próximos meses.

Houve aumento, também, de 1% no faturamento e de 0,2% no emprego em relação ao mês de agosto. A CNI não dispõe de dados dessazonalizados para a massa salarial, mas sabe que houve expansão porque, sem esse filtro, o crescimento foi de 2,7% em relação ao mês anterior.

Como os impactos da crise mundial na indústria foram muito fortes, isso ainda contamina a comparação dos dados de setembro em relação ao mesmo mês de 2008. Sob esse ponto de vista, as quedas são bastante fortes: de 4,7% no faturamento, de 10,4% nas horas trabalhadas, de 4,8% no emprego e de 3,9% na massa salarial. Entre janeiro e setembro de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, as reduções ainda são expressivas. Houve queda de 7,5% no faturamento, de 9,1% nas horas trabalhadas, de 3,5% no emprego e de 2,1% na massa salarial.

Na análise setorial, a comparação do faturamento de setembro com o mesmo mês em 2008 mostrou que a volta aos níveis pré-crise ainda está distante para dez dos 19 segmentos. A maior queda foi na área de material eletrônico e comunicação, que chegou a 31,1%, seguida de redução de 25,8% para madeira e 21,3% para metalurgia básica. Do total, contudo, as vendas de sete setores já superaram àquelas registradas em setembro de 2008, com destaque para outros equipamentos de transporte (mais 42,1%), produtos químicos (10,3%) e vestuário (5,2%).

No caso das horas trabalhadas, houve retração em todos os segmentos analisados pela CNI no confronto dos dados de setembro de 2009 com os do mesmo mês do ano passado. A queda mais significativa foi de 31,3% no segmento de material eletrônico e de comunicação.

Na comparação com setembro de 2008, só houve crescimento da oferta de emprego, de 1,9%, na área de alimentos e bebidas. Os demais setores ainda registraram aumento do desemprego nesta comparação, sendo o segmento de madeira o que ainda tem a maior queda, de 18%, no emprego em relação a setembro do ano passado.

A utilização média da capacidade instalada também está distante 3,2 pontos percentuais do padrão do início da crise mundial, em setembro de 2008. Os segmentos da indústria com maior capacidade ociosa em relação a setembro do ano passado são os de metalurgia básica, 18,7 pontos percentuais aquém; e o de madeira, com 8,2 ponto percentual inferior ao nível do mesmo mês do ano passado.

Castelo Branco acredita que a indústria voltará ao patamar de produção pré-crise mundial no primeiro semestre de 2010.

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Custo de vida sobe 0,53% em outubro em SP

FolhaNews, de São Paulo
Gastos com transporte, habitação e saúde puxaram o custo de vida no município de São Paulo, segundo cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O Índice de Custo de Vida (ICV) apontou inflação de 0,53% em outubro, ante 0,27% em setembro. No ano, a inflação acumulada é de 3,34%.

O aumento de 4,02% nos preços dos combustíveis foi a principal razão para alta de 1,59% nos gastos com transportes. No caso da habitação, grupo em que os preços subiram 0,62%, um dos fatores de pressão foram as despesas com locação, impostos e condomínio, que tiveram crescimento de 1,08%, pelos cálculos do Dieese.

Já no grupo saúde, no qual os preços subiram 0,59%, o fator de pressão foi o custo da assistência médica, que ficou 0,80% mais elevado no mês passado.

O Dieese apontou que os demais grupos de preços que compõem o ICV tiveram variações praticamente estáveis em outubro.

O Dieese também mostrou que o custo de vida subiu mais principalmente para as famílias com renda mais alta, dentro dos parâmetros da pesquisa. Considerando a cesta de consumo para famílias com renda média de R$ 2.792, a inflação medida foi de 0,60% em outubro, ante 0,27% em setembro. Na outra ponta, caso de famílias com renda média de R$ 377,49, a inflação medida foi de 0,37% no mês passado, ante 0,31% em setembro.

A diferença pode ser explicada principalmente pela estrutura de gastos de cada estrato de renda.

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IPI menor puxa vendas do varejo

Rafael Rosas, do Rio
O setor de varejo foi beneficiado em outubro pela proximidade do fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os produtos de linha branca, que acabou sendo prorrogada até o fim do ano para os produtos de baixo consumo energético.

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade de Comércio, a atividade varejista subiu 1,3% no mês passado, na comparação com setembro. A alta foi influenciada pelo segmento de móveis, eletroeletrônicos e informática, que avançou 1,1% no período.

Em relação a outubro do ano passado, o índice avançou 7,1%, na maior alta para este tipo de comparação desde os 7,5% de dezembro de 2008. O principal destaque na comparação com outubro do ano passado foi o setor de veículos, motos e peças, com crescimento de 20,4%, seguido pelo segmento de móveis, eletroeletrônicos e informática, que subiu 12,2%.

A maior queda na comparação com outubro do ano passado foi do segmento de material de construção, com recuo de 18,2%.

A Serasa Experian considerou o resultado de outubro atípico em função da influência da expectativa da não prorrogação do benefício fiscal para a linha branca.

No ano, o indicador registra crescimento de 4,7%, liderado pelo setor de móveis, eletroeletrônicos e informática, com alta de 10,3%. Em seguida, destaca-se o setor de veículos, motos e peças (4,4%). Os únicos segmentos que apresentaram queda foram o de combustíveis e lubrificantes (-1,9%) e o de material de construção (-14,8%).

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Em três anos, 18,5 milhões de brasileiros passaram para faixa de renda maior

De São Paulo e Brasília
Entre 2005 e 2008, 18,5 milhões de brasileiros subiram de classe social, segundo levantamento realizado pelo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O número representa quase 10% da população do país, hoje com cerca de 193,7 milhões de habitantes. O estudo mostra que, no período, 11,5 milhões de pessoas passaram para o nível de maior renda, enquanto 7 milhões passaram para a classe média.

O Ipea, que utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, dividiu a população do país em três partes iguais. No primeiro terço, ficaram pessoas com rendimento de até R$ 188 mensais no ano de 2008. No segundo terço, que compreende o segmento intermediário, aqueles dentro do intervalo de rendimento individual de R$ 188 a R$ 465 mensais. Na terceira parte, que representa o estrato superior da renda, ficaram os rendimentos individuais acima de R$ 465 mensais.

A partir dessa divisão, se tornou possível aos pesquisadores retroagir e avançar no tempo em relação ao ano de 2001. Com a atualização do valor do rendimento individual, em termos reais, constitui-se a evolução da população brasileira em relação às três faixas de renda entre 1995 e 2008.

Os dados mostram também que, nos últimos anos, a população de menor renda perdeu importância dentro do conjunto - representava 34% da população até 2004, e passou a 26% em 2008, o menor índice desde 1995. Apesar disso, aponta o Ipea, o Brasil ainda possui um quarto da população vivendo com rendimentos extremamente baixos.

As classes média e alta, por outro lado, ganharam maior representatividade. O segundo estrato de renda passou de 21,8% de participação em 1995 para 37,4% em 2008. No caso do estrato de maior renda, de 31,5% em 2004, subiu para para 36,6% no ano passado.

O Sudeste e o Nordeste se destacam como as as regiões que mais registraram casos de ascensão entre as faixas baixa e média de renda. Juntas, elas responderam por quase 71% do movimento nacional da mudança na estrutura social na base da pirâmide brasileira. Em seguida, vêm Sul (11,1%), Norte (10,4%) e Centro-Oeste (8,1%). No movimento de ascensão para a classe mais alta, a região Sudeste respondeu pela incorporação de 51,2% dos indivíduos. Na sequência, ganhou importância o Sul, com 18,1%, o Nordeste com a inclusão de 16,4%, o Centro-Oeste com 7,6%, e o Norte com 6,7%.

Na avaliação de Rogério César de Souza, economista do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi), foram esses fatores de ascensão social que colocaram o Brasil em condição favorável neste ano, quando comparado a outros países. "E isso é bom para a indústria em particular", diz, citando o consumo de alimentos e da construção civil.

O economista do Iedi lembra que a indústria sofreu muito com a diminuição de exportações, durante o auge da crise internacional, mas "cresce de forma contínua se valendo do mercado interno".

Além do setor industrial, os bancos comemoram a expansão das atividades financeiras ocorridas a partir do aumento das pessoas com renda na faixa intermediária. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre 2005 e 2008 o número de contas correntes passou de 95 milhões para 125,7 milhões. As contas de caderneta de poupança saltaram de 71,8 milhões para mais de 92 milhões. O total de cartões de crédito no período teve o maior crescimento: passou do patamar de 68 milhões para 124 milhões.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro, diz que a "elevação desse conjunto grande de pessoas no mercado" se dá também com a diminuição das desigualdades sociais. Para ele, a sustentabilidade do movimento depende da manutenção da política de ganhos salariais efetivos e pode ser incrementada com a diminuição dos juros. (Agências noticiosas)

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Curtas - IPC-S sobe menos

Três entre sete capitais registraram redução na taxa de variação do IPC-S no fim de outubro, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em Belo Horizonte, o indicador apresentou deflação de 0,04%, contra alta de 0,02% na terceira prévia do mês. Em Porto Alegre, a taxa foi positiva em 0,13%, depois do 0,30% verificado na apuração anterior. Em São Paulo, o índice caiu 0,09%, seguindo estabilidade na terceira medição. Com ritmo de alta mais acentuado, o IPC-S de Brasília ficou em 0,32% no término do mês passado, contra 0,29% da pesquisa antecedente. Em Recife, o índice saiu de uma baixa de 0,16% para um acréscimo 0,06%. No Rio, o IPC-S foi de 0,15% para 0,16%. Segundo a FGV, o IPC-S geral subiu 0,01% na pesquisa de 31 de outubro, depois de elevação de 0,04% na terceira prévia do mês.

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Produtividade sobe nos EUA, mas varejo patina

Agências internacionais
A produtividade do trabalhador americano no terceiro trimestre cresceu ao ritmo mais acelerado em seis meses. O dado foi divulgado num momento em que os pedidos de auxílio-desemprego caíram ao número mais baixo em dez meses. Os dois resultados foram bem recebidos pelos mercados, pois sugerem um sinal positivo na recuperação americana. Por outro lado, os dados de varejo em outubro decepcionaram os analistas, que veem na cautela dos consumidores um indício de que a recuperação pode ser vagarosa.

Segundo o Departamento de Trabalho dos EUA, a produtividade cresceu numa taxa anual de 9,5%, ritmo mais acelerado desde o terceiro trimestre de 2003, com as empresas garantindo uma produção maior com menos empregados, para cortar custos.

"Acreditamos que as empresas terão de começar a aumentar as horas de trabalho e a admitir funcionários já na virada do ano, pois elas não podem esperar que a atual força de trabalho sustente um aumento tão forte de produtividade", disse Michelle Meyer, economista do Barclays Capital.

Em outro relatório, o departamento informou que os novos pedidos de auxílio-desemprego caíram em 20 mil, para 512 mil, na semana passada, número mais baixo desde o início de janeiro. Analistas ouvidos pela Reuters tinham previsto que os novos pedidos de auxílio-desemprego cairiam para 523 mil na semana passada.

As principais bolsas da Europa e dos EUA fecharam em alta, impulsionadas em parte pelos dados da economia americana.

Já no setor de varejo, as lojas dos EUA, no ápice da temporada de liquidações, estão encontrando os consumidores ainda contendo gastos. O crescimento das vendas no país em outubro foi de 1,8%, abaixo das expectativas de aumento de 2%. As vendas no mês passado foram pressionadas pelo desempenho fraco das lojas voltadas para adolescentes e por resultados mistos das lojas de departamentos. As expectativas eram altas porque em setembro e agosto as vendas superaram as projeções.

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Malha rodoviária brasileira é a terceira do mundo, mas seu estado é precário

Opinião - Investimentos do governo nas estradas são insuficientes

Antônio Luiz Leite
O prejuízo causado pela perda de grãos durante o transporte rodoviário, chega a R$ 2,7 bilhões a cada safra

Dos R$ 730 bilhões de investimentos, projetados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) entre 2009 e 2012, menos de 5% (o correspondente a R$ 28 bilhões) serão injetados no transporte rodoviário. No cenário para período 2009-2012, intitulado "Perspectivas para a Economia Brasileira", apresentado pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, as ferrovias atrairão a maior parte dos investimentos do segmento dos transportes, com nada menos que R$ 37 bilhões; enquanto os portos terão R$ 8 bilhões.

Petróleo, gás e a construção de usinas elétricas mereceram grande destaque. Juntos, vão consumir R$ 406 bilhões, 55,61% do total dos R$ 730 bilhões a serem investidos até 2012.

A situação do transporte rodoviário, embora não pareça, é muito preocupante e oferece perigos. Com 1,7 milhão de quilômetros de estradas, dos quais aproximadamente 10% são pavimentados, o Brasil tem a terceira maior malha rodoviária do mundo. Segundo a pesquisa mais recente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), feita em 2007, 73,9% das estradas brasileiras foram classificadas em "condições precárias".

O desenvolvimento da infraestrutura logística brasileira se expandiu de forma mais significativa a partir do século XIX, entre os anos de 1850 e 1940, quando foram construídas importantes rodovias e ferrovias. Grande parte devido à prioridade dada pelo governo na construção de estradas (década de 20), houve incentivos às empresas automobilísticas (década de 60) e subsídios aos preços dos combustíveis.

Dessa forma, o retrato da matriz de transporte brasileira revela o modal rodoviário como a principal via de escoamento das cargas brasileiras, respondendo por 61%, segundo dados da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT). As ferrovias participam desse ranking com 20,7%; o sistema aquaviário com 13,6%; o dutoviário com 4,2%; e o aéreo com 0,4%.

Mesmo com o impulso inicial do governo, o transporte rodoviário de cargas precisa desatar os nós que amarram o desenvolvimento do país atualmente, como a falta de novos investimentos e a manutenção das vias existentes (sem a gestão privatizada); baixo preço dos fretes; pouca regulação do setor e perdas de cargas durante o transporte, causadas principalmente por roubos, acidentes e avarias durante a movimentação.

Em função das más condições das vias e do incorreto acondicionamento das cargas nos caminhões, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) mostra que o prejuízo causado pela perda de grãos durante o transporte rodoviário, chega a R$ 2,7 bilhões por safra, o que equivale a 10 milhões de toneladas de carga perdida.

Às vésperas da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, e da Olimpíada, em 2016, no Rio de Janeiro, o governo, que saiu rápido da crise financeira global, sonha alto. Sobram planos na prancheta. A prática, porém, deixa a desejar.

O ritmo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) evolui, infelizmente, a passos de tartaruga, com cronogramas atrasados e o orçamento estourado em várias regiões. O país avança pouco no desenvolvimento de sua infraestrutura logística.

Problemas com o Tribunal de Contas da União (TCU) e com a área ambiental não foram os únicos. Houve complicações na modelagem financeira de alguns empreendimentos, como a Nova Transnordestina, que atrasaram o cronograma original. Além disso, o orçamento de vários projetos acabou inflado. Isso ocorreu mesmo em investimentos executados majoritariamente pela iniciativa privada.

O estudo "O PAC e a Infraestrutura Logística no Brasil", realizado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e divulgado pelo professor Paulo Fleury, conclui que o Brasil tem uma das piores infraestruturas de logística entre os países do Bric, Estados Unidos e Canadá.

Segundo o levantamento, o Brasil está na última colocação em rodovias pavimentadas, por exemplo, com 212 mil quilômetros, ficando atrás do Canadá (516 mil quilômetros), Rússia (655 mil quilômetros), Índia (1,5 milhão de quilômetros), China (1,5 milhão de quilômetros) e Estados Unidos (4,2 milhões de quilômetros).

O orçamento do Ministério dos Transportes deste ano mostra que, até julho último, do total do investimento autorizado de R$ 11,3 bilhões, só foram pagos R$ 3,8 bilhões, conforme levantamento da equipe da CNT em dados oficiais.

A arrecadação da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide), que atualmente é cobrada sobre a comercialização da gasolina (R$ 0,23/litro) e diesel (R$ 0,07/litro), acumulou, desde sua entrada em vigor, em 2002, até o mês de julho último, R$ 53 bilhões, mas apenas 39,5% desse montante foram destinados a investimentos em transportes. Esses dados, apurados pela assessoria econômica da CNT mostram, na prática, que a maior parte dos recursos arrecadados pela Cide - correspondentes a R$ 32 bilhões - foi desviada de sua finalidade.

Mesmo assim, acredito que Washington Luís, ex-presidente do Brasil, que se notabilizou em 1926 ao emplacar a frase "Governar é abrir estradas", ficaria orgulhoso de seu projeto dos tempos da República Velha. Deposto pela Revolução de 30, o então presidente governava, em 1927, com uma frota de veículos minúscula - 93.682 automóveis e 38.075 caminhões.

Se o Brasil quiser acelerar seu ritmo, precisará de cadeias intermodais, ou seja, todos os modos de transporte usados integrados de forma racional em uma única cadeia logística, cada um contribuindo com o que tem de mais vantajoso para superar seus gargalos.

Precisará, também, ampliar enormemente a malha rodoviária pavimentada e construir novas estradas em corredores estratégicos para o transporte de riquezas. Para o investidor externo representamos uma oportunidade de bons negócios. Por que não capitalizar o país para recuperar nossas estradas abandonadas ?

Antônio Luiz Leite é diretor presidente da Primax Transportes Pesados e Remoções Técnicas.

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Opinião - O crédito e a recuperação global

Armando Castelar Pinheiro
Nos últimos meses, o noticiário sobre os bancos na imprensa especializada ficou bem mais leve. A partir dos testes de estresse realizados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e o Tesouro americano, a preocupação com a saúde dos grandes conglomerados financeiros quase desapareceu: suas ações voltaram a subir, eles levantaram capital novo e retornaram ao lucro, com os bons resultados na área de mercado de capitais e na renovação de hipotecas. Os bancos de investimento, em especial, se beneficiaram da menor concorrência que há hoje no setor. Aos poucos, a discussão migrou para as reformas na regulação, com destaque para a imposição de limites ao pagamento de bônus.

Ainda que o pior tenha passado, a situação é menos confortável do que sugere o noticiário sobre Wall Street. Um dos problemas diz respeito aos bancos regionais americanos, uma significativa proporção dos quais continua sob risco de insolvência. Este ano, 115 bancos já quebraram nos EUA, contra 25 em 2008. Semana passada foram nove bancos. Na última segunda-feira, o diretor adjunto de Supervisão e Regulação Bancária do Fed declarou que "apesar de as condições e do sentimento no mercado financeiro terem melhorado nos últimos meses, um nível significativo de estresse e fraqueza persiste" e "a situação do sistema bancário (americano) está longe de ser robusta". Em especial, Jon Greenlee se referiu à inadimplência no segmento de hipotecas comerciais, que bateu em 6% em junho e deve subir mais. Ainda que relativamente menos importante para os grandes bancos, mais expostos ao crédito para as famílias, as hipotecas comerciais compõem boa parte da carteira dos bancos regionais e comunitários, que respondem por parcela relevante do crédito e dos depósitos nos EUA.

Outra dimensão do problema se refere à capacidade dos bancos proverem o financiamento que a economia mundial necessita para voltar a crescer robustamente. Com a crise, a expansão do crédito desacelerou em todo o mundo, com a notável exceção da China, onde o ritmo de concessão de novos empréstimos mais do que dobrou este ano. Nos EUA, em especial, o saldo de crédito bancário diminuiu em 2009, a despeito da melhor situação dos bancos. O crédito ao consumidor, por exemplo, caiu sistematicamente desde o terceiro trimestre de 2008; e, em agosto passado, era 2,3% menor do que no fim de 2007; algo semelhante ocorreu com o crédito imobiliário.

O último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a Estabilidade Financeira Global traz previsões algo sombrias a esse respeito. O Fundo observa que a contração do crédito bancário reflete tanto a pouca disposição de consumidores e empresas a se endividarem como a inapetência dos bancos em emprestar. Segundo o FMI, a demanda privada por crédito nos EUA, área do euro e Reino Unido deve crescer, em média, 0,5%, 2,5% e -1,1% ao ano em 2009-10, contra 9,3%, 7,2% e 10,2% em 2002-07, respectivamente.

Vários fatores sustentam a previsão de lenta recuperação da demanda global por crédito do setor privado. Especialmente nos países que tiveram bolhas imobiliárias, que também registraram altas expressivas no desemprego, os consumidores vão ter de se desalavancar para se adaptar à perda patrimonial e de renda, assim como à maior seletividade na concessão de crédito. A perspectiva para o crédito imobiliário também é de expansão lenta, pois o mercado de imóveis e a atividade de construção tão cedo não voltam ao patamar pré-crise. Na mesma toada, as empresas vão demorar a retomar o nível anterior de investimento.

Pelo lado da oferta, a lenta recuperação do crédito refletirá uma tríade de fatores. Primeiro, a necessidade de os bancos americanos, europeus e japoneses reduzirem os altos graus de alavancagem com que operavam antes da crise, adaptando-se a um cenário em que o risco ficou mais caro e os reguladores menos tolerantes. Segundo, nos próximos anos os lucros operacionais dos bancos devem ser insuficientes para cobrir as perdas com créditos inadimplentes, corroendo a base de capital dessas instituições. No agregado, esses fatores devem forçar esses bancos a contrair suas carteiras de empréstimo, tanto neste como no próximo ano, em oposição à elevação média anual de quase 10% registrada em 2002-07. Terceiro, os elevados déficits fiscais nesses países vão fazer com que o setor público absorva uma parcela bem maior da oferta de crédito, reduzindo ainda mais a disponibilidade de financiamento para famílias e empresas.

Nas projeções do Fundo, os fatores limitantes da oferta prevalecerão sobre os incidentes sobre a demanda, gerando um desequilíbrio que levará a uma alta no custo de financiamento ao setor privado, com impactos relevantes sobre o volume de investimento e o crescimento econômico. Pelos números do FMI, esse hiato já existe atualmente e só não teve maior efeito porque os governos estão atendendo à demanda excedente com programas de compra de títulos públicos e privados de dívida, em especial papéis lastreados em hipotecas. A forma e o prazo em que esses programas serão descontinuados vai ditar a dinâmica do crédito global nos próximos anos.

O Brasil vive uma realidade bem diferente. Aqui há um espaço considerável para os bancos emprestarem mais ao setor privado, já que os fatores citados acima vão operar no sentido oposto: os bancos são pouco alavancados, não há exposição a ativos tóxicos, a lucratividade pós-provisões deve subir bem e basta um pouco mais de disciplina fiscal para a necessidade de financiamento do setor público cair. A demanda também deve crescer, mas menos do que seria acomodável pela oferta, a menos que o crédito imobiliário experimente grande transformação, algo improvável no curto prazo. Com isso, a tendência é de mais competição, especialmente nos créditos às famílias e pequenas empresas, levando a uma queda de spreads. Mas isso não nos isola do que vai ocorrer no mercado de crédito global. Em especial, a descontinuidade do afrouxamento creditício no mundo desenvolvido evidenciará o hiato entre demanda e oferta nesses países e encarecerá o financiamento para as empresas brasileiras via mercado de capitais.

Armando Castelar Pinheiro, analista da Gávea Investimentos e professor do IE - UFRJ. Escreve mensalmente às sextas- feiras.

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O dirigente alemão ia anunciar no dia seguinte que os alemães poderiam sair do país

Opinião - O que aconteceria se...

Michael Meyer
Se Schabowski não tivesse se atrapalhado, o Muro teria sido aberto e os comunistas é que teriam feito isso

Por várias semanas, a cena foi repetida nas telas de TV por todo o mundo, como se os eventos fossem notícias de última hora: berlinenses alegres dançando em cima do Muro infame, derrubado há 20 anos em 9 de novembro de 1989. "Die Mauer ist Weck", gritavam as pessoas, de punho em riste perante as câmeras no Portão de Brandenburgo. "O Muro se foi!".

Sem dúvida, essa é uma das imagens representativas do século XX. Para americanos, especialmente, foi o emblema totêmico da vitória na Guerra Fria. No entanto, se você estivesse lá naquela noite, como estive, para a (revista semanal dos EUA) "Newsweek", o momento é mais ambíguo, especialmente numa visão retrospectiva de duas décadas. Posto simplesmente, a história poderia facilmente ter se desenrolado de forma muito diferente, e isso quase aconteceu.

Egon Krenz, o dirigente comunista da República Democrática da Alemanha, chamou isso de "serviço malfeito". Ele saboreava um raro momento de triunfo quando o porta-voz do seu partido apareceu no fim da tarde de 9 de novembro. "Algo a ser anunciado?", perguntou Günter Schabowski inocentemente. Krenz hesitou, em seguida lhe entregou um comunicado à imprensa. Esse comunicado anunciaria uma iniciativa importante, cuja aprovação ele havia conquistado à força no parlamento poucas horas antes, e que o irrequieto povo do país vinha exigindo nas ruas há semanas: o direito de viajar. Krenz pretendia conceder-lhes esse direito - mas apenas no dia seguinte, em 10 de novembro.

Alheio a esse fato crítico, Schabowski foi em frente e o leu em voz alta ao mundo, numa já famosa vinheta. "Quando entrará em vigor?" perguntaram os jornalistas. Confuso, Schabowski esqueceu a data crucial: "so fort", ele disse. "Imediatamente". Num piscar de olhos, o dano estava consumado. Alemães orientais perplexos se lançaram como um mar humano na direção dos pontos de passagem para o Ocidente. Os guardas de fronteira, que não receberam instruções de qualquer tipo e que não sabiam o que mais poderiam fazer, escancararam as passagens. O resto é história.

Acidentes sempre moldaram o destino humano. Mesmo assim, vale a pena perguntar: o que aconteceria se Günter Schabowski não tivesse se atrapalhado? Imagine que, no dia seguinte, as novas leis de viagem de Krenz tivessem entrado em vigor de forma organizada e eficiente, segundo o costume alemão.

A rigor, o Muro não teria caído. Ele teria sido aberto, não rompido. Os comunistas, não o povo, teriam feito isso. A mudança teria vindo pela evolução, não pela revolução. Teriam Krenz e os reformistas comunistas, que haviam tomado o poder poucas semanas antes, conseguido dar vazão à agitação popular, ou, até, neutralizá-la? Em vez de uma Alemanha unificada hoje, poderiam ainda haver duas Alemanhas, Ocidental e Oriental?

O jogo do "o que aconteceria se" pode ser jogado interminavelmente. Sem o drama daquela noite no Muro, com todos os seus elementos visuais inspiradores, teria a Revolução de Veludo de Praga ocorrido uma semana mais tarde? Os romenos teriam encontrado a coragem para se sublevar contra Nicolae Ceausescu um mês depois? Os dominós da Europa Oriental poderiam ter desmoronado de forma distinta. Alguns, talvez, nem teriam desmoronado.

Quarenta e oito horas depois que os primeiros alemães escalaram o Muro, atravessei uma noite gélida com vários milhares de berlinenses ocidentais na lamacenta terra de ninguém que era o

Potzdammer Platz, no velho coração da Berlim pré-guerra. A saliência da casamata de Hitler se curvava suavemente sob a terra a cerca de um campo de futebol de distância. Uma equipe de construção alemã oriental estava perfurando uma nova passagem no Muro, e era um trabalho árduo. Uma grua gigante se esforçava para levantar uma laje de 4 metros de altura, sacudindo-a para frente e para trás como um dinossauro roendo a sua presa. Por fim, ela cedeu e foi alçada sobre a multidão, serpenteando lentamente, como de uma forca.

Os holofotes da televisão iluminaram sua superfície destruída, rabiscada por grafite. Todos os conflitos pendentes da Europa estavam naquele bloco de concreto pintado: uma suástica neonazista, faces surrealistas dos mortos da Europa na guerra e no Holocausto e repressões e perseguições promovidas pela polícia secreta. O mais impressionante era uma palavra: Freiheit. Liberdade.

Que estranho que tivesse de ser aquela laje, aquela palavra, aquela noite. À medida que o sol se punha no Ocidente, uma bola de laranja enorme e perfeita abrasando a Terra, a lua ascendia no Leste, tão perfeitamente cheia e redonda como o sol, fria e de um branco azulado. Era como se estivessem em equilíbrio, movimentando-se sobre um eixo invisível, com Berlim pendurada entre eles, suspensa e ao mesmo tempo num ponto de equilíbrio. Freiheit. Quase bastava para fazer crer em destino, lá, naquela assombrada terra de fantasmas.

Frequentemente concebemos a história como algo inevitável, como o apogeu de forças enormes e esmagadoras que só podem conduzir a uma destinação. Mas a realidade de 1989, como me disse um dos organizadores das manifestações de protesto à época, é que "era possível, a qualquer ponto, a qualquer momento, que os eventos tomassem um rumo diferente".

Por que isso, não aquilo? A resposta parece consistir naquelas incontáveis escolhas individuais que fazemos em momentos cruciais, os acidentes da desordem humana, como o "serviço malfeito" de Schabowski, tão pequeno e tão compreensível e, no entanto, de importância tão fundamental. Entre essas, igualmente, estavam as escolhas de manifestantes corajosos, de sair às ruas, de falar abertamente, ou, como esse manifestante particular definiu para mim, de não ter de explicar para a próxima geração que "ficamos sentados e esperamos". Aqueles que dançavam sobre o Muro, 20 anos atrás, fizeram suas escolhas.

Michael Meyer foi diretor do escritório da Newsweek na Alemanha e na Europa Oriental em 1989, e escreveu "The Year That Changed the World" (O ano que mudou o mundo). Copyright: Project Syndicate, 2009. www.project-syndicate.org Project Syndicate

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Editorial - A falta de acordo para o clima e a retranca do Brasil

São remotas as chances de acordo na Conferência do Clima em Copenhague. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, praticamente jogou para frente o calendário das negociações, ao pedir realismo e indicar que há diferenças sérias demais para que possam ser resolvidas até dezembro. O negociador-chefe da Comissão Europeia, Artur Runge-Metzger, foi na mesma linha, deixando a esperança protocolar de um entendimento para o último dia da conferência, 18 de dezembro. Os negociadores agora colocam suas fichas em um acordo-quadro político para as ações contra o aquecimento global. Ele daria o norte para que as questões técnicas e financeira se ordenassem a esse compromisso e fossem fechadas no primeiro semestre de 2010.

O ânimo brasileiro de se comprometer com metas para a redução das emissões parece ter seguido o mesmo diapasão do desenrolar das discussões preparatórias. Na Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula se prometeu reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020 e, na ocasião, isso parecia ser um avanço importante em meio a uma série de sinais encorajadores. A China havia saído de sua posição negativista e sinalizado com corte da intensidade de carbono por unidade do produto e a Índia flertava com algum tipo de concessão. O otimismo desvaneceu.

Após uma reunião entre o presidente Lula e vários ministros, a perspectiva de apresentar algo a mais além da redução do desmatamento, proposta pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, perdeu força. Ela cedeu lugar ao realismo diplomático, que prefere, como em negociações internacionais corriqueiras, que todos os participantes mostrem suas intenções para que o Brasil não se comprometa unilateralmente com objetivos maiores que os necessários. Essa posição parece casar melhor com o recuo nos ânimos dos principais atores da Conferência do Clima. Com as chances de um acordo à vista, a atitude brasileira poderia ser mais ousada. Agora, acha isso inconveniente.

Todos os compromissos potenciais em torno de Copenhague continuam desamarrados. Os EUA não poderão ir muito longe em qualquer acordo, porque o Senado não votou a lei ambiental do presidente Barack Obama, e não o fará antes da conferência. E, na melhor das hipóteses, o segundo maior emissor de gases-estufa do planeta, pela legislação em discussão, se comprometerá a cortar no máximo 20% das emissões de carbono. Os EUA chegarão assim em 2020 sem cortar nada em relação ao que emitia em 1990, a data-base para as reduções acertadas no Protocolo de Kyoto, que os EUA não ratificaram. UE e Japão aceitaram reduções de 20% e 25% respectivamente, mas gostariam de ver promessas maiores dos países emergentes que contam, como China, Índia e Brasil. Eles precisariam apresentar metas "mensuráveis" compatíveis.

O recuo brasileiro, segundo se infere das declarações do presidente Lula, é uma forma de buscar acertos com Índia e China para pressionar os países desenvolvidos a elevar seus compromissos, que não se restringem ao corte das emissões, mas também à transferência de tecnologia e de recursos para que os demais países possam mitigar os efeitos do aquecimento e agir para contê-los.

O Brasil tem chances de fazer a diferença, porque tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, corrompida pelo selvagem desmatamento. O governo Lula dá prioridade ao crescimento e vários ministros não receberam com bons olhos propostas factíveis e importantes do Meio Ambiente, como a redução adicional de 20% das emissões por meio da recuperação de 10% das áreas de pastagem degradadas, integração de lavoura-pecuária, plantio direto em 40 milhões de hectares, entre outras. Há no ar a chance de que o país cresça 6% ao ano daqui para a frente e as metas de corte de CO2 seriam um estorvo, além de ferir suscetibilidades da bancada ruralista em ano eleitoral. Para efeitos práticos, as metas domésticas são igualmente vitais, pois indicam que o Brasil toma as atitudes necessárias para melhorar o futuro de seus cidadãos e, com isso, também do planeta. O recuo no plano internacional externo parece ser, agora, a outra face do recuo interno. Com ou sem Copenhague, o governo pode fazer mais e melhor do que tem feito.

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JORNAL DO COMMERCIO

Mantega pode retirar IOF de IPOs


Adriana Fernandes
Da Agência estado

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, prepara ajustes no decreto que taxou com 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) as aplicações de investidores estrangeiros em ações e títulos de renda fixa. O ministro deve aceitar a proposta apresentada pelo presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, de retirar a taxação do IOF nas chamadas operações de IPO (emissão inicial de ações). Em troca, não está descartada a possibilidade de uma nova calibragem para cima da alíquota para as demais operações, caso o dólar se desvalorize ainda mais em relação ao real.

A retirada do IOF para as operações de IPO é considerada uma medida justa pelo Ministério da Fazenda. A intenção do governo não é inibir as operações de captação de recursos das empresas brasileiras, que podem resultar em maior investimento na economia. A maior dificuldade para a adoção dessa medida, no entanto, é como diferenciar e estabelecer um controle dos dólares que entrariam para essas operações e para as demais, que permaneceriam com a cobrança do IOF.

Uma fonte do Ministério da Fazenda revelou que Mantega condiciona a flexibilização de alguns pontos do decreto a um apoio da Bolsa à manutenção do IOF nas demais operações. A avaliação é de que o decreto pode ser aperfeiçoado, ganhando mais eficiência. Paralelamente, o governo trabalha para permitir que as garantias das operações feitas por estrangeiros, que hoje são depositadas no País, possam ser mantidas no exterior - outra sugestão da BM&FBovespa.

Há um estoque de US$ 9 bilhões de garantias, vinculadas às operações com derivativos e opções de ações, que poderiam ser deixadas no exterior, contribuindo para conter o impacto baixista dessas aplicações na cotação do dólar. Segundo a fonte, já existe um acordo entre a bolsa paulista e a Bolsa de Chicago que poderia viabilizar a implementação dessa medida. Entretanto, ela está sendo avaliada pela área jurídica do Ministério da Fazenda, pois é preciso assegurar a internalização das garantias, caso seja necessário executá-las.

A discussão sobre o ajuste no decreto será intensificada na próxima semana quando Mantega retorna ao Brasil. A avaliação na equipe da Fazenda é de que a taxação do IOF foi bem sucedida e mudou o jogo das expectativas em relação ao câmbio, além de levar o Banco Central a uma posição mais agressiva nas discussões de medidas cambiais, que estavam "congeladas" desde 2007, quando foram feitas as últimas revisões importantes na legislação.

O elemento "surpresa" passou a ser um ingrediente adicional a favor do governo. Para a equipe do ministro, a Fazenda vem recebendo apoio internacional e interno "de peso". Isso estimulou Mantega a bancar o discurso em favor da uma ação internacional coordenada contra a desvalorização do dólar.

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"Ingressos fortalecerão reservas"


Sebastian Tong
Da agência Reuters

O Brasil usará os ingressos de capital no País para elevar suas reservas internacionais, continuando a comprar dólares para suavizar quaisquer distorções de preço que possam surgir por conta do fluxo, afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele disse ainda que haverá alguma discussão entre os ministros de Finanças na reunião do G20 neste final de semana sobre como os efeitos do enfraquecimento do dólar estão sendo sentidos de forma desigual entre os países.

Meirelles avaliou que os fortes ingressos de capital no Brasil não são consequência somente da liquidez injetada nas principais economias, como Estados Unidos, para combater a recessão global, mas também dos sólidos fundamentos econômicos brasileiros. "Nós aproveitaremos o fluxo líquido em direção ao Brasil para acumular reservas e fortalecer a resiliência da economia brasileira", afirmou. "Isso também evitará distorção de preço no mercado como resultado de falta ou excesso de liquidez."

O Brasil registrou em outubro entrada líquida de US$ 14,6 bilhões, a maior desde junho de 2007, enquanto o BC adquiriu US$ 6,7 bilhões no mercado de câmbio à vista em leilões liquidados no mês passado. No mês passado, o País impôs uma alíquota de 2% cento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos estrangeiros direcionados a ações e renda fixa, num esforço para conter o maciço ingresso de capital que tem alimentado a alta da Bovespa e valorizado o real. A rápida apreciação da divisa é vista como uma ameaça para os exportadores brasileiros.

Meirelles preferiu não tecer comentários sobre patamares do câmbio e a recente taxação sobre recursos estrangeiros, mas insistiu que o Brasil não está adotando controles de capital. Ele afirmou que o BC está trabalhando em uma revisão da legislação cambial, definida na década de 1930. "O importante é continuar desenvolvendo um sistema que seja mais eficiente e menos custoso, e um de nossos objetivos é evitar distorções de preços no mercado", disse.

Repetindo comentários feitos mais cedo pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, Meirelles afirmou que um dos tópicos do encontro do G20 será a disparidade entre regimes cambiais controlados e flutuantes. Meirelles acrescentou que os países do G20 também discutirão seus planos individuais para retirar estímulos governamentais, à medida que a economia global se recupera da crise financeira.

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Em dia tranquilo, dólar recua mais um pouco


Da Redação

O dólar fechou em baixa ante o real pelo terceiro dia consecutivo nesta quinta-feira, aproveitando o tom relativamente tranquilo nos mercados internacionais para chancelar a tendência de queda provocada pela perspectiva de contínua entrada de capitais no País. A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 1,72 na compra e a R$ 1,722 na venda, declínio de 0,35%.

Os preços da moeda variaram entre R$ 1,732 e R$ 1,720. A desvalorização já alcança 1,94% nas três sessões de novembro. O Banco Central realizou seu leilão de câmbio às 15h08 (hora de Brasília) e aceitou ofertas por R$ 1,7232 (taxa de corte).

"O volume foi pequeno hoje (quinta-feira)", disse José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença. "Como o mercado lá fora está um pouco melhor, isso se reflete aqui. E você ainda tem o mercado com fluxo (positivo)", completou.

Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 1,820, em um recuo de 0,54%. No turismo, a divisa permaneceu estável, a R$ 1,65 para compra e a R$ 1,79 para venda.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a unidade de desvalorizou em 0,35%, a R$ 1,721. A rodada de pronto movimentou R$ 335.612 milhões. Nos contratos futuros, a unidade foi negociada a R$ 1,731 para dezembro e a R$ 1,742 para janeiro, recuo em relação ao pregão de quarta-feira.

A alta das bolsas de valores internacionais vista nesta quinta-feira era estimulada pela queda do número de pedidos de auxílio-desemprego e pelo aumento da produtividade nos Estados Unidos.

A queda do dólar no Brasil já anula o movimento acumulado na última semana de outubro, quando a volatilidade dos mercados internacionais colocou a moeda acima de R$ 1,75, indicando que o nervosismo nos primeiros dias pós-IOF já foi superado.

Na ocasião, a diretora da AGK Corretora, Miriam Tavares, atribuía parte da instabilidade ao desmonte de posições por parte de instituições financeiras no exterior, que se aproximavam do fechamento de seus balanços na virada do mês.

No plano nacional, o mercado continuou atento às notícias sobre eventuais medidas que o governo pode adotar para frear a entrada de dólares no país. Os jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo publicaram nesta quinta-feira que o governo estuda autorizar, por exemplo, depósitos de garantias para o mercado futuro no exterior e contas em dólar no país. Em Londres, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo não estuda novos controles de capitais "no momento".

O euro também recuou ante o real, e caiu 0,31%, a R$ 2,556 na compra e a R$ 2,559 na venda. No turismo, contudo, teve alta de 1,12%, a R$ 2,42 para compra e a R$ 2,72 para venda.

Internacional. O dólar se mantinha estável perante o euro e a unidade japonesa às 19h15 de Brasília, cotado a U$S 1.487 e a 90.75 ienes; contra a libra esterlina, no entanto, perdia 0,24%, a U$S 1.659. No mesmo horário, o euro avançava 0,14% ante a divisa do Japão, a 134.85 ienes.

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Curta - Cotação do petróleo recua em NY

Depois de três dias seguidos de altas, o preço do petróleo no mercado americano recuou quase 1% nesta quinta-feira, puxado por novos temores em relação à demanda da commodity nos Estados Unidos. Na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), o barril de petróleo bruto tipo WTI para entrega em dezembro teve queda de 0,97%, para US$ 79,62.

Depois de se animar com os dados dos estoques americanos de petróleo, que recuaram na semana passada, os investidores mostraram desânimo após uma leitura mais detalhada do relatório do Departamento de Energia.

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Otimismo dita altas em Wall Street


Caroline Valetkevitch
Da agência Reuters

As bolsas de valores norte-americanas encerraram com fortes ganhos nesta quinta-feira. O índice Standard and Poor's 500 marcou o quarto dia seguido de avanço e o Dow Jones fechou acima dos 10 mil pontos pela primeira vez em duas semanas.

O aumento da produtividade empresarial e a queda nos pedidos semanais de auxílio-desemprego foram o mote para o avanço do mercado. Fortes resultados da Cisco System sugeriram uma retomada dos gastos no setor de tecnologia.

O Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, avançou 2,08%, para 10.005 pontos. O Nasdaq subiu 2,42%, para 2.105 pontos. O Standard & Poor's 500 ganhou 1,92%, para 1.066 pontos.

shshshshshsh. As ações da Cisco, que fabrica equipamentos de rede para computadores, subiram 2,8%, liderando os ganhos do pregão um dia após a companhia reportar um lucro maior que o esperado e afirmar que os negócios estão se recuperando.

Dados mostraram que a produtividade nos Estados Unidos, com excessão do setor agrícola, cresceu acima do esperado no terceiro trimestre, uma vez que as empresas otimizaram a produção em meio a um quadro de funcionários menor.

Um relatório separado revelou que o número de trabalhadores dos EUA que entraram com pedidos de auxílio-desemprego caiu na semana passada ao menor nível em 10 meses, resultado melhor que as previsões.

Os dados de pedidos de seguro-desemprego ajudaram e criaram "alguma antecipação de que talvez o relatório final sobre o emprego de amanhã deverá ser melhor que o esperado", disse um dos chefes de investimentos da OakBrook Investments, Peter Jankovskis.

shshshshshsh. O governo norte-americano deve divulgar o relatório sobre o mercado de trabalho do país na sexta-feira. Economistas consultados pela Reuters preveem um perda de 175 mil empregos em outubro, bem abaixo do corte de 263 mil postos de trabalho registrados no mês anterior.

Mas se estima que a taxa de desemprego nos Estados Unidos avance a 9,9% em outubro frente aos 9,8% de setembro, renovando o pico em 26 anos.

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Vivo sobe e setor de telecom vai junto


Tatiana Gurjão

Impulsionado pelo balanço da Vivo, o setor de telecomunicações reinou entre os melhores desempenhos do índice Ibovespa na sessão desta quinta-feira. A companhia apresentou alta de 154% no lucro líquido em relação a igual período de 2008. Na semana passada, a TIM também já havia reportado dados positivos, com lucro líquido em seu balanço, revertendo o prejuízo de um ano atrás.

"O lucro líquido ajustado apresentou forte resultado, também ajudado pela melhora do resultado financeiro", comentou a Ativa Corretora, em relatório, reafirmando recomendação de compra para os papéis da companhia.

As ações da Vivo PN avançaram 5,19%, a R$ 48,60, ldierando o ranking do dia. Os papéis da Telemar PN (4,05%, a R$ 16,19), Telemar Participações PN (3,65%, a R$ 19,29) e as da TIM ON (3,24%, a R$ 5,73) também mostraram a preferência dos investidores pelo setor.

"O resultado operacional da Vivo foi muito bom. A empresa mostrou redução de despesa e outros papéis do segmento seguiram o embalo", avaliou a analista da área de telecom da SLW Kelly Trentin.

Segundo Kelly, dentro do setor que acompanha, o papel da Telemar (Oi) é o que tem mais expectativa de valorização para este mês, devido aos resultados apresentados pela empresa no terceiro trimestre.

No segmento imobiliário, valorizaram os ativos ordinários da Gafisa (3,85%, a R$ 27,52) e os da Rossi (3,25%, a R$ 13,01). "Esses papéis estão se recuperando da queda que tiveram desde o retorno do IOF. Como dependem muito do capital estrangeiro, foram as que tiveram os maiores recuos", explicou Christian Cayre, editor do blog CHR Investor.

Destacaram-se, ainda, as ações da Cosan ON (3,63%, a R$ 19,69), as da Aracruz PNB (3,54%, a R$ 3,51) e as da Brasil Foods ON (3,47%, a R$ 44,48). De acordo com fontes do mercado, investidores estrangeiros têm aumentado suas posições em papéis de empresas exportadoras.

Gerdau PN avançou 2,04%, puxada pelo balanço do terceiro trimestre. Agradou o lucro líquido de R$ 655 milhões no terceiro, que reverteu um prejuízo de R$ 329 milhões no trimestre imediatamente anterior, quando o resultado foi afetado por uma baixa contábil de ativos. Nas demais siderúrgicas, Metalúrgica Gerdau PN subiu 1,95%, Usiminas PNA, 1,08%.

Fecharam no vermelho algumas das ações que mais subiram na semana, como as do JBS ON (2,59%, a R$ 10,52) e as da Braskem PNA (2,09%, a R$ 11,70), com investidores embolsando o lucro e trocando papéis.

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EUA ajudam e Bovespa sobe outra vez


DA REDAÇÃO

Depois de um início de pregão em que investidores ameaçaram partir para a realização de lucros, a Bovespa firmou um forte movimento de alta em linha com Wall Street nesta quinta-feira, em dia de abundantes dados positivos da economia americana, e fechou na máxima do dia. O Ibovespa avançou 1,41%, aos 64.815 pontos, no terceiro pregão consecutivo de ganhos na bolsa paulista. No período, o ganho acumulado é de 5,31%. O giro financeiro foi de R$ 5,4 bilhões.

Logo na primeira hora do pregão, o anúncio de que a produtividade dos EUA teve no terceiro trimestre a maior alta em seis anos e que novos pedidos de seguro-desemprego caíram na semana passada ao menor nível desde janeiro reacenderam o apetite por compras de ações.

"Esses números levantaram o mercado, que estava meio na defensiva", disse Felipe Casotti, diretor de renda variável da Máxima Asset Management. Segundo o analista, o principal foco de atenção dos investidores dos mercados de ações na sexta-feira será o pay roll, relatório do mercado de trabalho norte-americano referente a outubro.

Assim, mesmo num dia de queda nos preços de commodities como petróleo e metais, que referenciam as duas principais ações domésticas, os investidores foram às compras. O papel preferencial da Petrobras subiu 1,96%, para R$ 36,40, enquanto o da Vale ganhou 0,8%, cotado a R$ 41,90.

Além da alta das ações americanas, o mercado brasileiro foi movido por resultados corporativos que também apontaram para a recuperação da economia. O crescimento de 154% do lucro líquido da Vivo no terceiro trimestre levou a um ganho de 5,19% na ação preferencial da empresa. A Gerdau também agradou ao reportar resultado do trimestre acima das projeções, o que fez a ação subir 2%, a R$ 28,05.

"Os últimos balanços do trimestre que saíram mostraram empresas com lucros em linha com o esperado, ou somente com um leve recuo em relação ao previsto. Os investidores ficaram animados com esse resultado. Outro fator que ajudou o mercado foi a decisão do Fed (banco central dos EUA) na quarta-feira. O comunicado deixou claro que as taxas de juros devem permanecer baixas por mais tempo. Isso deve levar os investidores lá fora a procurarem outros ativos no mercado internacional, inclusive o nosso Ibovespa", comenta Guilherme Mendes Franco, gerente da mesa de operações da corretora Corval.

Juros. A divulgação hoje, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), de que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria no mês passado ficou em 79,8%, de 80,2% em agosto, reforçou no mercado a aposta de que o crescimento econômico não provocará inflação, evitando que os juros possam subir já no início de 2010.

Com essa expectativa, os juros futuros se mantiveram em queda. Ao término da negociação normal da BM&F, o DI janeiro de 2011 (298.990 contratos) estava em 10,13%, de 10,22%na quarta-feira. O DI julho de 2010, perto de romper a marca de 9%, projetava 9,02%, de 9,07% na quarta-feira, com 58.780 contratos. O DI janeiro de 2012 (57.560 contratos) recuava de 11,55% no ajuste e 11,58% no fechamento de quarta-feira, para 11,52%.

Europa e Ásia. Depois de passarem a maior parte da sessão em baixa, as principais bolsas europeias se recuperaram e fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionadas por indicador melhor que o esperado divulgado nos EUA e forte abertura de Wall Street. Com relação aos dois principais eventos do dia, as bolsas praticamente ignoraram a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter sua taxa de juro em 1% - nível recorde.

"O mercado está sendo puxado entre balanços que estão mostrando sinais de melhora, sinais de que a economia está melhorando também, continuidade do afrouxamento monetário e pessoas querendo realizar lucro depois de uma forte alta", disse Andrew Bell, estrategista da Rensburg Sheppards.

Em Londres, o índice FT-100 subiu 0,35%; em Paris, o índice CAC-40 avançou 1,05% e em Frankfurt, o índice Dax-30 subiu 0,67%.

No noticiário corporativo, as ações da Deutsche Telekom subiram 2,32%, após anunciar números melhores que o esperado e reafirmado sua perspectiva para o ano fiscal.

As bolsas de valores da Ásia terminaram em baixa nesta quinta-feira, com os investidores pouco encorajados pela decisão do Federal Reserve de manter a taxa básica de juro dos Estados Unidos perto do patamar zero por um "período prolongado", prevendo uma recuperação lenta na maior economia do mundo.

"Investidores estão puxando o mercado para baixo, se preparando para mais vendas caso os dados de emprego dos EUA aumentem uma inquietação", disse Tsuyoshi Segawa, estrategista de ativos da Mizuho Securities, em Tóquio pela manhã, quando os mercados de lá já fechavam e os dados positivos sobre o mercado de trabalho dos EUA não haviam sido divulgados. A bolsa de Tóquio recuou 1,29%, para 9.717 pontos, atingindo o menor patamar de fechamento em um mês.

O índice Xangai Composto, na contramão, subiu 0,9% e encerrou aos 3.155,05 pontos, a maior pontuação desde 11 de agosto. O Shenzhen Composto ganhou 0,4% e terminou aos 1.117,23 pontos. Os papéis da Guangzhou Baiyunshan Pharmaceutical, que desenvolveu uma vacina para a gripe suína, e da Zhejiang Hisun Pharmaceutical atingiram a alta limite diária de 10%.

Em Seul, houve queda de 1,75%, com o volume de negócios alcançando a mínima em 14 meses. Taiwan teve oscilação negativa de 0,66% e Sydney, de 0,71%, enquanto Hong Kong perdeu 0,63%.

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Mais cheque sem fundos


O volume de cheques sem fundos emitidos em outubro registrou ligeira alta de 1,48% frente a setembro, o primeiro crescimento depois de três meses consecutivos de queda no País. É o que aponta levantamento da empresa de informações econômicas Equifax. Ao todo, foram devolvidos 1,97 milhão de cheques em outubro, contra 1,94 milhão em setembro.

Na comparação anual, o resultado caminhou em trajetória contrária: forte retração de 17,26% ante outubro de 2008, mês de agravamento da crise financeira mundial. Em relação aos dias úteis, os resultados de outubro foram 1,48% superiores aos do mês anterior e 9,38% inferiores àqueles registrados em outubro de 2008.

Os economistas da Equifax amenizam a ligeira alta, sob o argumento de que ela não pode ser considerada uma tendência, mas um pequeno repique em função do aumento do movimento no comércio.

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Santander: SP será novo centro financeiro


Charles Penty
Da Agência Bloomberg

São Paulo, a maior cidade do Brasil, vai se tornar um centro financeiro de peso, "como a City de Londres, Frankfurt e Nova York", disse Emilio Botín, presidente do conselho administrativo do Banco Santander SA. "Não tenho a menor dúvida de que em breve São Paulo será um dos principais centros financeiros do mundo", disse Botín nessa quinta-feira, na conferência sobre investimentos no Brasil realizada em Londres, segundo o texto de seu pronunciamento fornecido pelo banco.

O Santander, que tem 21 milhões de clientes no Brasil e 12% do mercado de crédito do País, pretende aumentar seus US$ 28 bilhões em investimentos, com os recursos captados pela Oferta Pública Inicial (IPO, pelas iniciais em inglês) realizada em São Paulo no mês passado, disse Botín. O banco levantou cerca de R$ 14 bilhões (US$ 8,1 bilhões) na IPO.

O Santander tem "confiança absoluta" na economia brasileira, disse Botín, de 75 anos, em Londres, a uma plateia que incluía o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O banco deverá lucrar 4 bilhões de euros no Brasil até 2011, o que torna o País a maior fonte isolada de lucro para o Santander, segundo relatório da Evolution Securities.

A subsidiária brasileira do Santander tem um valor de mercado equivalente a cerca de 31 bilhões de euros, superior ao do Deutsche Bank AG, de 29,6 bilhões de euros.

"Estamos falando de um sistema financeiro altamente competitivo, eficiente, líquido e tecnologicamente avançado, que ocupa a posição inigualável de ter três bancos públicos grandes, sólidos, bem-administrados, e três bancos privados, entre os quais o Banco Santander Brasil, situados entre os 30 maiores bancos do mundo por capitalização de mercado", disse Botín.

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Linha branca puxa alta de 7,1% do varejo


Da agência Folhapress

A atividade do comércio registrou aumento de 7,1% em outubro ante igual mês do ano passado, a maior taxa de crescimento anual desde dezembro de 2008 (7,5%). No confronto com setembro, a expansão foi de 1,3%, já considerando os dados com ajuste sazonal.

Os dados foram divulgados na quinta-feira pela Serasa Experian e apontam a proximidade do fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para os produtos da linha branca, que acabou sendo prorrogado até 31 de janeiro para os itens de baixo consumo energético, como o principal estímulo para o movimento no varejo no mês passado devido à antecipação de compras.

O setor de veículos, motos e peças registrou avanço de 20,4% na comparação com outubro de 2008. Já o segmento de móveis, eletroeletrônicos e informática teve alta de 12,2% no comparativo anual. Tecidos, vestuário, calçados e acessórios apresentou elevação de 10,6% nesse confronto. O destaque entre as quedas ainda é o segmento de material de construção (-18,2%).

Outubro também registrou taxas positivas, ante setembro, na atividade varejista em móveis, eletroeletrônicos e informática (1,1%), supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (0,4%) e em tecidos, vestuário, calçados e acessórios (0,7%). No outro extremo, com redução, estão material de construção (-1,9%), combustíveis e lubrificantes (-0,5%) e veículos, motos e peças que, com a volta gradual do IPI, registrou queda de 0,9%.

próximos meses. A previsão da Serasa é que a atividade varejista cresça, nos próximos meses, em um ritmo mais moderado do que o observado em outubro já que houve prorrogação do benefício fiscal e estímulos monetários adicionais não serão implementados.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano, o indicador registrou crescimento de 4,7%, liderado pelo setor de móveis, eletroeletrônicos e informática, com alta de 10,3%. Em seguida, destacam-se veículos, motos e peças (4,4%) e tecidos, vestuário, calçados e acessórios (4,1%). Os únicos segmentos que apresentaram queda foram combustíveis e lubrificantes (-1,9%) e material de construção (-14,8%).

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Brasil proporá padrão cambial único


DA REDAÇÃO

O governo brasileiro defenderá nesta sexta-feira, na reunião ministerial do G20, na Escócia, a adoção de um padrão único de gestão do câmbio por todas as maiores economias do mundo. Mais: pregará que o modelo escolhido seja o câmbio flutuante, que o País adota desde 1999. O objetivo é homogeneizar o fluxo global de moeda, evitando a sobrevalorização excessiva da qual o real tem sido vítima nos últimos meses, se comparado com o dólar, o yuan e até mesmo o euro.

A iniciativa tem como alvo maior a China, que atrela a valorização de sua moeda à divisa norte-americana. As revelações foram feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Londres, em meio ao seminário FT Investing in Brazil Summit. A ideia do ministro é adicionar à proposta de framework feita pelos Estados Unidos, que incluía a regulação dos desequilíbrios comerciais e o acúmulo de reservas, o que chama de "desequilíbrios de câmbio".

"Temos hoje um desequilíbrio cambial no mundo porque os países têm comportamentos diferenciados em relação ao câmbio. Alguns, como o Brasil, praticam o câmbio flutuante, enquanto outros países praticam a administração cambial", explicou. "O Brasil vai sugerir que tenhamos mais homogeneidade. Ou todo mundo pratica o câmbio administrado, ou todo mundo pratica o câmbio flutuante. O que não dá é uma parte com um sistema de câmbio, e outra parte com outro."

De acordo com Mantega, a delegação brasileira - que terá ainda a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles - defenderá que o câmbio flutuante seja escolhido. "Eu prefiro o câmbio flutuante, porque o Brasil já se deu mal com o câmbio administrado. O câmbio flutuante tem vantagens, porque permite ao mercado regular melhor o fluxo de capitais."

O ministro também afirmou que o atual cenário cambial internacional, misto, "pode ser benéfico para alguns países, mas prejudicial para outros". E completou: "Neste momento, quem mais se prejudica com esse sistema são os países mais sólidos, que oferecem maiores oportunidades de investimento, de rendimento e de perspectiva de commodities", uma clara alusão ao Brasil.

O alvo da medida é conhecido: a China. De acordo com o relatório do banco Goldman Sachs, o real se valorizou 50% frente ao yuan, a moeda chinesa, nos últimos 12 meses. "A moeda chinesa está atrelada ao dólar. Como a moeda americana se desvaloriza, a chinesa se desvaloriza. Isso gera um desequilíbrio cambial", analisa. "Se a China tivesse câmbio flutuante, teríamos uma moeda mais valorizada e os capitais iriam querer migrar para lá também, e menos no Brasil. Então haveria mais homogeneidade."

Além da padronização do sistema de câmbio, Mantega ainda defendeu uma política de controle de liquidez mais equilibrada, o que evitaria a sobrevalorização do real em relação do dólar, que chega a 51%. Falando sobre os EUA, país que usa o câmbio flutuante, o ministro detalhou: "A economia americana está com excesso de liquidez, que foi um subproduto da crise, uma exceção por causa dos rescaldos da crise e pelos juros excessivamente baixos."

A reunião dos ministros de Finanças do G20 neste fim de semana vai discutir como lidar com o excesso global de reservas cambiais, e o debate deve incluir a disparidade entre moedas controladas e flutuantes, segundo Mantega. Segundo ele, os ministros do G20 também devem decidir se os países deveriam seguir o exemplo brasileiro de impor uma taxação sobre o capital estrangeiro para brecar a especulação. Mantega disse também que há uma ampla concordância entre os países do G20 sobre a necessidade de reduzir o superávit em conta corrente de economias de rápido crescimento. (Com agências)

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Pedidos de seguro-desemprego caem


DA REDAÇÃO

Os pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos continuam caindo. Nesta semana, o Departamento de Trabalho americano informou que os pedidos caíram em 20 mil em comparação à semana anterior, para o número total de 512 mil. É o menor número de solicitações desde janeiro, o que indica uma melhora gradual do mercado de trabalho, uma das áreas mais afetadas pela crise financeira no país.

O número é significativo porque é o dobro do que os especialistas tinham calculado para a semana que terminou em 1º de novembro. A média mensal, que é menos volátil que os resultados semanais, caiu em 3 mil solicitações nas últimas quatro semana, para 523,75 mil. Este dado indica que a perda de trabalho nos Estados Unidos finalmente está baixando. Apesar disso o país ainda não está criando empregos suficientes, segundo os analistas.

Os analistas preveem que a taxa de desemprego ficará próximo de 10% no final deste ano ou no início de 2010, e, a partir desse máximo, cairá progressivamente. Desde o início da recessão em dezembro de 2007, o número de desempregados nos Estados Unidos aumentou de 7,6 milhões para 15,1 milhões, de acordo com os últimos dados oficiais.

Na quinta-feira, o Congresso americano aprovouuma nova extensão dos benefícios aos desempregados do país, a quarta a ser aprovada em um ano e meio. Pela nova regra, os desempregados podem receber ajuda federal por até 99 semanas (quase dois anos). A extensão prevê 14 semanas adicionais de benefícios para aqueles que já atingiram o limite de tempo vigente ou que atingirão esse limite até o final do ano. Os moradores de estados com taxa de desemprego de mais de 8,5% têm direito a seis semanas adicionais de benefícios.

A lei também inclui alguns benefícios fiscais, como um crédito de US$ 8 mil para quem compra uma casa pela primeira vez. Esse crédito já existia e terminaria neste mês, mas foi estendido por sete meses. Foi criado um novo crédito de US$ 6,5mil para compradores de casas que vivem na sua residência atual há pelo menos cinco anos. Foi expandido também um programa que devolve o imposto de renda já pago a empresas que estão tendo prejuízos.

VAREJO. As lojas varejistas dos Estados Unidos tiveram um crescimento abaixo do esperado em outubro. As vendas do mês tiveram uma alta de 1,8% contra os 2% previstos pelos analistas. A surpresa foi causada pelo desempenho fraco das lojas voltadas para o público adolescente e por resultados mistos das lojas de departamentos. As expectativas eram altas porque em setembro e agosto as vendas superaram as projeções. No entanto, os consumidores norte-americanos estão lidando com cortes de empregos e com uma taxa de desemprego que se aproxima de 10% e, por isso, contiveram os gastos.

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Companhias fazem cortes em massa


DA REDAÇÃO

Menos de uma semana depois de o governo do presidente Barack Obama ter afirmado que o programa de estímulo fiscal ajudou a criar ou a salvar quase 650 mil empregos nos Estados Unidos, uma série de companhias informou que fará cortes em massa de vagas. Microsoft fez o anúncio no dia em que a pesquisa da Automatic Data Processing (ADP) mostrou eliminação de 203 mil postos no setor privado nos EUA em outubro.

Na lista das empresas globais que anunciaram reduções significativas de pessoal recentemente aparecem General Motors, Johnson & Johnson, US Airways, Daimler, Nokia Siemens, os bancos HSBC e RBS e a petroleira BP. Na terça-feira, a Johnson & Johnson informou que pretende eliminar até 7% de sua força de trabalho global de cerca de 120 mil pessoas, o que representará um corte de aproximadamente 8,4 mil empregos. Segundo a companhia, a medida faz parte de um plano de redução de custos que deverá gerar economias de US$ 1,7 bilhão até 2011, quando estará totalmente implementado.

Na semana passada, a companhia aérea US Airways revelou um plano para reorganizar suas rotas e se concentrar na força de redes que a empresa afirma que irão ajudá-la a voltar à lucratividade. Dentro desse plano, a US Airways vai eliminar mil empregos, ou cerca de 3,1% de sua força de trabalho total.

A Microsoft anunciou na quarta-feira 800 demissões, que integram um plano mais amplo de cortes em todo o mundo revelado em janeiro deste ano o primeiro a prever demissões em massa nos 34 anos da companhia. Segundo um porta-voz da Microsoft, o plano agora vai totalizar 5,8 mil cortes, acima dos 5 mil anunciados em janeiro.

Os dois anúncios foram feitos nos EUA um dia antes da publicação do relatório mensal do Departamento do Trabalho daquele país sobre o mercado de trabalho norte-americano, prevista para sexta-feira. A previsão é que os números mostrem que foram eliminados 175 mil empregos em outubro.

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Mesmo com crescimento, China mantém estímulos


DA REDAÇÃO

A China não abandonará tão cedo as políticas de estímulo econômico que a fizeram se recuperar com tamanha rapidez da crise financeira mundial. Na quinta-feira, o diretor-assistente do banco central do país, Guo Qingping, afirmou em um fórum financeiro em Pequim que o governo irá manter no próximo ano sua política monetária "apropriadamente afrouxada" e assegurará uma quantia adequada de liquidez no sistema bancário, mesmo com a recuperação agora em ritmo sólido.

A previsão do Banco Mundial de que o Produto Interno Bruto (PIB) chinês crescerá acima do esperado neste ano, no patamar de 8,4%, gerou especulações sobre o fim das medidas de estímulo que proporcionaram uma recuperação tão sólida ao país. Outros países que também se recuperam bem da crise, como Austrália ou Noruega, já começaram a retirar as medidas e a subir a taxa de juros. As autoridades chinesas, no entanto, reafirmaram a política pró-crescimento.

Chen Dongqi, vice-diretor do instituto macroeconômico da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, afirmou que o PIB chinês vai crescer 10,5% no ano que vem, graças em grande parte à recuperação das exportações, que devem subir 10%. Ele acrescentou que a inflação deve acelerar no ano que vem, mas ficar abaixo de 3%. Já Yao Jingyuan, economista-chefe da Agência Nacional de Estatísticas, afirmou em um evento que a China precisa manter "a consistência e a estabilidade" das políticas macroeconômicas, pelo menos por enquanto.

O rápido crescimento chinês foi impulsionado pelo pacote de US$ 585 bilhões anunciado pelo governo há um ano, no começo da crise mundial, que levou à explosão na concessão de empréstimos pelos bancos estatais. A Bolsa de Xangai acumula alta de 72% em 2009 e o preço dos imóveis registrou em setembro a mais rápida aceleração do ano.

EUROPA. Se a China manterá suas medidas pró-crescimento, a Europa dá sinais que vai pelo caminho contrário. Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) deu o primeiro passo para retirar as medidas extraordinárias de suporte à economia da zona do euro, ao sinalizar que os empréstimos de um ano a bancos não serão repetidos em 2010. O BCE manteve a taxa de juro em 1% pelo sexto mês seguido e o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, prometeu anunciar em dezembro uma decisão sobre as demais políticas do banco central de injeção de recursos baratos no mercado.

Permitir que os empréstimos de um ano expirem após a operação agendada para 16 de dezembro já será um passo para que os bancos se desacostumem com os recursos que têm levado as taxas no mercado aberto a níveis mínimos recordes e ajudado a restaurar os fluxos de crédito.

Questionado se o BCE está pronto para encerrar as operações de um ano, Trichet comentou que os mercados financeiros não estão esperando que o banco anuncie mais operações de um ano em 2010. "Não direi nada que dissipe essa atual avaliação do mercado", afirmou a jornalistas. "Mas a decisão será tomada pelo conselho (do BCE) no próximo encontro, daqui a um mês."

Trichet ressaltou que as medidas pró-liquidez tomadas pelo BCE, incluindo emprestar fundos ilimitados a bancos a taxas fixas, serão encerradas gradualmente e no momento certo, mas não terão a mesma extensão que no passado. Ele recusou-se a dizer, contudo, se o BCE vai elevar o custo dos financiamentos na próxima operação de 12 meses frente à taxa de 1%, um movimento que poderia ser entendido como sinal de aumento do juro antes do final de 2010. (Com agências)

REPRESAS POLÊMICAS


n O Governo da China se defendeu das acusações da Índia de que estaria transpondo águas do rio Yarlung Tsangpo, ou Brahmaputra no hindu, com a suposta construção de uma represa. "A China é um país responsável e não fará nada que danifique os interesses de outros", assegurou na quinta-feira o porta-voz da Chancelaria chinesa, Ma Zhaoxu, em entrevista coletiva. A imprensa indiana publicou recentemente, e citando a imprensa chinesa, a construção de uma represa no rio Yarlung Tsangpo. Ao contrário de outras ocasiões nas quais o Governo indiano acusou a China de estar transpondo águas do Brahmaputra, desta vez o porta-voz Ma não negou a construção da polêmica represa. A imprensa oficial chinesa publicou recentemente que o Yarlung Tsangpo contará com cinco represas para projetos hidrelétricos que serão finalizadas em 2015.

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Petrobras compra ativos da Chevron no Chile


DA REDAÇÃO

Em uma operação envolvendo cerca de US$ 12 milhões, a Petrobras assinou nesssa quinta-feira um acordo para a compra de ativos da Chevron Chile SAC, empresa que produz e comercializa lubrificantes Texaco naquele país. O acordo, que deverá ser concluído em um mês, com a transferência total do controle acionário da empresa para a Petrobras, inclui uma fábrica de lubrificantes na capital chilena, Santiago, com capacidade de produzir 15.900 metros cúbicos por ano, e a aquisição de 23 tanques para o armazenamento de matérias primas e produtos acabados.

O acordo também inclui a cessão de uso da marca, a formulação de lubrificantes Texaco e o contrato de fornecimento de produtos básicos entre a Petrobras e a Chevron, dos Estados Unidos. Dessa forma, garante-se a continuidade dos produtos por um período de 24 meses, tempo que permitirá a transição para a marca de lubrificantes Lubrax, da Petrobras. A aquisição permitirá à Lubrax aumentar para 6% sua participação de mercado no segmento de lubrificantes no Chile, percentual obtido atualmente pela Chevron Chile.

"A aquisição pela Petrobras possibilitará a captação dessa participação, uma vez que a marca Texaco deixará de ser comercializada no Chile sendo substituída pela marca Lubrax, de propriedade da Petrobras", explicou a estatal brasileira em nota.

A compra também representa uma consolidação da presença da estatal brasileira no país vizinho, que começou em 2005, com a instalação de um escritório de representação comercial. No ano passado, a Petrobras adquiriu da ExxonMobil no Chile mais de 230 postos de serviços em território chileno, além de bases de venda de combustíveis em 11 aeroportos e seis terminais de distribuição, o que representa 16% do mercado varejista e 7% do setor industrial.

"Esta aquisição consolida a presença da companhia no segmento de distribuição de combustíveis e lubrificantes na América Latina onde, além do Brasil, a empresa já opera na Argentina, Colômbia, Paraguai, Chile e no Uruguai", diz o comunicado da Petrobras, salientando que a operação está alinhada ao Plano Estratégico da empresa.

DESCOBERTA. No Peru, o presidente Alan García anunciou nessa quinta-feira uma "grande descoberta" de gás, em um lote operado pela Petrobras na selva peruana, que, segundo ele, poderá superar 5 trilhões de metros cúbicos. A Petrobras participa de seis lotes de hidrocarbonetos no Peru.

"Podemos afirmar que no lote 58 foi encontrada uma grande quantidade de gás, isso é o que vamos comprovar amanhã (esta sexta-feira) e possivelmente no sábado", afirmou Garcia. "Os especialistas de Perupetro (a estatal peruana de petróleo) mencionam que poderia haver até mais de 5 trilhões de metros cúbicos", completou o presidente.

O governo do país andino realiza uma cruzada para atrair investimentos para o setor de hidrocarbonetos, numa tentativa de se converter em exportador de energia e explorar as grandes reservas que se fazem na selva do país. Segundo especialistas e empresas do setor, o Peru abriga uma reserva de gás natural de 8,79 trilhões a a 14,1 trilhões de metros cúbicos. (Com agências)

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Ascensão social eleva a renda de 19,5 milhões de pessoas em 7 anos


Lucinda Pinto
DA Agência estado

A população brasileira começou a ascender para faixas de renda per capita mais altas a partir de 2004, movimento que não se observava desde a década de 80. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2004 e 2008, 7 milhões de pessoas ingressaram na faixa de renda média (com renda mensal per capital de R$ 188 a R$ 465) e 11,6 milhões de indivíduos chegaram ao estrato superior de renda (renda per capita maior que R$ 465 mensais).

Em contrapartida, a faixa de renda baixa (inferior a R$ 188 por indivíduo) perdeu 11,7 milhões de pessoas. No período, o aumento da população brasileira foi de 6,9 milhões de pessoas. "Há sinais da volta da mobilidade social no País, o que não se via até a década de 90", afirma o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.

O estudo do Ipea, que como base a Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) de 2008, realizada pelo IBGE, mostra que, com essas mudanças, a participação relativa das camadas de renda evoluiu. Em 2008, segundo o estudo, a faixa mais baixa de renda representava 26% da população, fatia menor do que a observada em 2005, de 32%; a de renda média respondia por 37,4%, ante 34,9% em 2004.

Já o grupo de renda superior cresceu de 31,5% em 2004 para 36,6% no ano passado. O Ipea destaca que esse grupo, que tem renda per capital superior a R$ 465, vinha registrando declínio em sua participação relativa entre os anos de 1998 e 2004, oscilando de 35,3% para 31,5%.

As faixas de renda estabelecidas pelo estudo - muito baixas, considerando que já pertence à faixa superior o indivíduo que tem renda per capital superior a um salário mínimo - refletem a média de renda da população. Pochmann explica que, para fazer o estudo, o Ipea dividiu a população brasileira em 2001 em três grupos iguais e calculou a média de renda per capital em cada um desses grupos. Para atualizar os valores, o Ipea utilizou o INPC.

NATALIDADE. Também é importante destacar que os avanços de renda per capita podem ser explicados, em parte, pela redução da taxa de natalidade média das famílias. Com menos filhos, a renda per capital das famílias naturalmente cresce. Em 1992, segundo Pochmann, a taxa de natalidade média no Brasil era de 2,8 filhos. Em 2008, essa taxa caiu para 1,8 filhos. Se forem consideradas apenas as mulheres brancas com maior grau de escolaridade, a natalidade é ainda menos: 0,9 filhos.

O presidente do Ipea considera que há outras explicações para esse fenômeno da melhora da renda per capita. Crescimento econômico e dinamismo do mercado de trabalho também justificam, segundo Pochmann, a mobilidade social. Isso fica claro quando se observa o perfil dos indivíduos que tiveram alguma ascensão de renda. Entre 2001 (ano base do estudo) e 2008, 19,5 milhões de brasileiros (ou 11,7% da população) registraram elevação real em seu rendimento individual superior à evolução da renda per capital nacional, que foi de 19,8% no período.

Nesse grupo, os que têm carteira assinada foram os que mais evoluíram - o que confirma a tese de que o emprego contribuiu para a melhora da renda, e não apenas efeitos estatísticos ou mesmo benefícios sociais. Segundo o Ipea, dos 13,5 milhões de indivíduos que migraram do estrato inferior para o médio, 55,5% são ocupados (incluindo empregos formais, informais e por conta própria). Já no grupo de 6 milhões de pessoas que evoluíram da faixa médio para a superior, 69,7% estão na categoria de ocupados.

O estudo mostra que a melhora da renda continua concentrada nas áreas urbanas e, especialmente, nas regiões Sul e Sudeste, enquanto que as condições das famílias do Nordeste ainda são mais precárias. Segundo o Ipea, 80% das 19,5 milhões de pessoas que melhoraram sua renda moram na cidade. Dos que mostraram ascensão de renda entre 2001 e 2008, 41% são da região Sudeste (8 milhões de pessoas); 28,2% no Nordeste (5,5 milhões); 3,3% no Sul (2,6 milhões); 9,2% no Norte (1,8 milhão); e 8,2% na região Centro Oeste (1,6 milhão).

De todo modo, quando se olha a estrutura social nas regiões em 2008, é possível observar que, no Nordeste, quase 50% da população pertence à faixa mais baixa de renda. Por outro lado, nos Estados do Sul e do Sudeste quase meta da população tem renda per capital superior.

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Brasil S/A - Antonio Machado


Aços unidos da Vale


A confirmação levada pelo empresário anglo-indiano Lakshmi Mittal ao presidente Lula, durante reunião em Londres, de que o seu grupo ArcellorMittal vai associar-se à Vale para investir US$ 5 bilhões na construção de outra siderúrgica no Espírito Santo dispara mais um movimento de grandes proporções na indústria brasileira.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, pôde respirar aliviado, bem como Lula, que há meses pressionava a direção da ex-estatal a dar um upgrade em seu plano de negócios, para incorporar maior valor à exportação de minério de ferro, sua maior e rentável atividade.

A disputa deixara ambos muito mal. Agnelli se viu exposto como um executivo alheio aos interesses nacionais, movido pela ganância do lucro. Injustiça. Afora a Petrobras, nenhuma empresa investe tanto no Brasil quanto a Vale. E ambas também têm pesados investimentos no exterior, além de serem extremamente lucrativas. A pinimba foi pura birra de Lula, muito devido à sem cerimônia de Agnelli, com o respaldo dos sócios, à frente da empresa, não questão ideológica.

No fim de 2008 ele promoveu demissões quando Lula discursava que a crise externa chegaria aqui como "marolinha", e o fez sem pedir benção ao governo. Pouco antes, a Vale havia comprado uma grande mineradora no Canadá, a Inco, chocando a ministra Dilma Rousseff, para quem a expansão da empresa deveria priorizar o Brasil.

A cada estranhamento Agnelli ia a Lula dar explicações, que ouvia e aparentemente entendia, enquanto a cozinha palaciana adicionava veneno na relação. O caldo entornou quando estaleiros nacionais se queixaram de que a Vale encomendara doze graneleiros, de 400 mil toneladas cada, na China. Gente graúda no governo achou que seria o fim de Agnelli, prova de seu descaso com a indústria nacional.

Para quem faz política como daltônico enxerga o mundo, pode ser. De fato, a Vale praticou política de reciprocidade com o seu maior cliente, a China, cujo governo vinha aos sopapos com dois gigantes da mineração: as australianas BHP Billiton e Rio Tinto. Esta teve até executivos presos em Pequim, acusados de espionagem. Mais: os estaleiros nacionais foram consultados e não apresentaram preço e prazo de entrega melhores que os da China.

Análises rudimentares

Uma empresa complexa e estratégica como a Vale também tem razões de Estado em sua trajetória de resultados. É provável que as suas nuances tenham sido mal compreendidas pelas análises rudimentares dos encrenqueiros palacianos. Lula deve tê-las entendido, ou pelo menos desconfiado, já que podia ter pedido o escalpo de Agnelli e não o fez. Deu tempo a ele e aos sócios da Vale para se mostrarem comprometidos com o projeto de desenvolvimento do país.

Isso é o que ele quer e assim entende o processo de consolidação em curso em vários setores (celulose, petroquímica, etanol, carne, energia), outros ainda em tratativas, visando a criação de grupos econômicos capazes de competir de igual com os maiores do mundo.

Algodão anglo-indiano

A formulação lulista de fortificação do capitalismo nacional, no caso da Vale, ia fugindo do roteiro por causa das inabilidades das partes e de outros interesses que entraram pelas bordas. Lula deve ter sentido o cheiro de queimado, além de lhe desagradar ser visto como algoz de empresa privada, ainda que, na prática, paraestatal.

BNDES e fundos de pensão de estatais, liderados pela Previ, detém mais de 50% das ações votantes da holding que controla a Vale.

Mittal desponta nesse quadro como algodão entre bolotas de ferro. Lula quer a Vale na siderurgia, não só exportando minério, decisão receada pela cúpula da empresa, pois poderia implicar um potencial conflito de interesse com seus clientes grandes usinas da China, Coreia do Sul, Japão, além das brasileiras. Tais receios parecem mitigados com Mittal, o maior grupo siderúrgico do mundo.

E nasce outro gigante

O que começa agora a se delinear é a consolidação na siderurgia, que se pensou no início do governo Lula entre a CSN e a Usiminas. A Vale poderá fazê-la com a Mittal no Espírito Santo, com a alemã ThyssenKrupp, com a qual constrói outra usina gigante no Rio, a coreana DongKuk, sócia na planta prevista para o Ceará, e talvez os alemães no projeto para o Pará. Juntos, tais projetos farão a produção nacional de aço, de 41 milhões de toneladas/ano, aumentar 50%. Cogita-se adiante, na Vale, apartar tais participações noutra empresa e abrir o capital. Já surgiria gigante. Só a parte da Vale equivale a mais de US$ 17 bilhões em novos investimentos.

Dirigismo com mercado

Atrás dos minuetos envolvendo negócios superlativos e intrincados arranjos societários e até geopolíticos há toda uma estratégia e a retaguarda executiva e pensante confiada por Lula ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Não se trata do velho dirigismo da época autoritária, quando o governo impelia a direção ao setor privado e escolhia os executores e, em consequência, ficava responsável também pelo fracasso. O movimento atual é privado, e a formulação, compartilhada, se tais projetos previrem financiamentos ou aportes de entidades públicas. O caso da Vale ia fugindo desse modelo, até que o processo foi saneado. Sem transparência, o risco permanece.

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Delfim Netto - Juro natural e produto potencial

A política econômica bem sucedida é uma combinação feliz de teoria e arte. Não da "última moda" teórica ou dos modelos qualitativos mais elegantes que ainda não foram submetidos à tortura empírica. E sim daqueles que, com os ferimentos das batalhas foram acumulando robustez no embate dos acontecimentos.

A teoria econômica sofisticou-se: demostrou que a inflação dependia fundamentalmente das "expectativas" e que, quando a demanda de moeda era instável, o controle da taxa de inflação pela manipulação da taxa de juros reduzia a volatilidade do PIB real. Mostrou por outro lado que, em condições normais (com taxas de juros de curto prazo menores do que as de longo prazo), a elevação da taxa de juro de curto prazo eleva as de longo prazo, cortando a demanda de consumo e de investimento e, com elas, a demanda global, o que reduz a taxa de inflação. O inconveniente de tal manobra é que ela exige o conhecimento de uma variável não observável, o "produto potencial", cuja subestimação pode produzir graves danos à taxa de crescimento de longo prazo, como tivemos exemplos no passado recente da economia brasileira.

A tentativa de superar tal problema levou à ressurreição de uma velha idéia desenvolvida pelo grande economista sueco Knut Wicksell no final do século XIX: a possível existência de uma taxa de juro natural. Quando os preços são flexíveis, "existiria" uma certa taxa de juros nos empréstimos que seria neutra com respeito ao nível de preços e manteria a economia no nível do produto potencial. Como é evidente, nem a "taxa natural de juros" nem o "produto potencial" são diretamente observáveis. Extraí-los das entranhas do sistema econômico por métodos econométricos cada vez mais sofisticados é o exercício que excita a profissão. Até agora as tentativas empíricas de determinar, simultaneamente, a taxa de juro natural e a diferença entre o PIB potencial e o observado, o famoso "hiato do produto", apenas mostraram que a primeira não é constante e o segundo altamente problemático!

Pela própria natureza de sua missão, o comportamento do Banco Central tende a tornar-se extremamente conservador, porque: 1º) as diferenças de tempo entre a ação monetária e o seu efeito podem ser longas (9 a 15 meses) e variáveis e 2º) o Banco Central tem que lidar com conceitos altamente ilusivos, que ele tem que supor bem determinados: o "produto potencial", que seria o limite superior da capacidade produtiva do sistema econômico, ou a taxa de juros real natural, que seria aquela que manteria a demanda global permanentemente perto do "potencial", sem produzir tensões inflacionárias.

Se aqueles "conceitos" pudessem ser materializados como ectoplasmas, num laboratório econométrico, estaria tudo bem resolvido. O problema é que como dissemos, as "estimativas" dos dois revelam altas imprecisão e volatilidade.

Diante da fundamental incerteza o Banco Central, para proteger a sua credibilidade, tende a optar pela mais confortável estratégia: escolher para sua política monetária o "menor produto potencial" e a "maior taxa de juro real natural". Esse conservadorismo institucional é, provavelmente, um dos fatores de redução permanente do crescimento econômico e do aumento da taxa de juro real. Como a autonomia do Banco Central é importante para a estabilidade da expectativa inflacionária, é conveniente que seus membros exercitem uma ousadia cuidadosa e conservem um ceticismo esclarecido com relação ao uso dos modelos que utilizam.

Professor Emérito da FEA/USP. Ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento

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O ESTADO DE S. PAULO

Governo prepara ajustes no IOF

Taxação sobre ofertas iniciais de ações pode cair, mas

a alíquota geral pode subir caso o real se valorize muito

Adriana Fernandes, BRASÍLIA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve aceitar a proposta do presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, de retirar a taxação do IOF nas chamadas operações de IPO (primeira oferta de ações de uma empresa na Bolsa de Valores). O governo pode ainda aumentar a alíquota do IOF sobre as outras aplicações financeiras caso o dólar se desvalorize ainda mais em relação ao real, segundo apurou a Agência Estado

Os investimentos financeiros de estrangeiros foram taxados para conter a entrada de dólares e evitar maior valorização do real. Mas os IPOs podem ser poupados do novo imposto para evitar que as empresas percam uma importante fonte de recursos para investimentos. Uma fonte do Ministério da Fazenda revelou que Mantega condiciona a flexibilização de alguns pontos do decreto a um apoio da bolsa à manutenção do IOF nas demais operações.

A taxação dos investimentos ocorre em um momento de forte pressão no câmbio. Em outubro, entraram no Brasil US$ 14,6 bilhões a mais do que os recursos enviados para o exterior - segundo maior resultado mensal em 27 anos. O número foi inflado pela oferta de ações do banco Santander, mas mesmo sem essa operação o resultado já seria muito alto.

Preocupado com a entrada de dólares e a forte valorização do real, no dia 20 o governo taxou as operações financeiras de investidores estrangeiros. Desde então, a entrada de dólares diária caiu 75%, mas o governo avalia que passado o susto os investidores voltarão a trazer muitos recursos para o País. E, por isso, estuda novas medidas para o câmbio - além de um eventual aumento da alíquota do IOF.

Uma das medidas em estudo é permitir que as garantias das operações feitas por estrangeiros, que hoje são depositadas no País, possam ser mantidas no exterior - outra sugestão da BM&F Bovespa. Há um estoque de US$ 9 bilhões de garantias, vinculadas às operações com derivativos e opções de ações, que poderiam ser deixadas no exterior, contribuindo para conter o impacto baixista desses aplicações na cotação do dólar.

Segundo a fonte, já existe um acordo entre a bolsa paulista e a bolsa de Chicago que poderia viabilizar a medida. Entretanto, ela está sendo avaliada pela área jurídica do Ministério da Fazenda, pois é preciso assegurar a internalização das garantias, caso seja necessário executá-las.

A discussão sobre o ajuste no decreto será intensificada na próxima semana, quando Mantega retorna ao Brasil. A avaliação na equipe da Fazenda é que a taxação do IOF foi bem-sucedida e mudou o jogo das expectativas em relação ao câmbio, além de levar o Banco Central a uma posição mais agressiva nas discussões de medidas cambiais, que estavam "congeladas" desde 2007, quando foram feitas as últimas revisões importantes na legislação. O elemento "surpresa" passou a ser um ingrediente adicional a favor do governo.

Para a equipe do ministro, a Fazenda vem recebendo apoio internacional e interno "de peso". Isso estimulou Mantega a bancar o discurso em favor da uma ação internacional coordenada contra a desvalorização do dólar. Os assessores de Mantega citam o artigo publicado no jornal Financial Times, na semana passada, pelos acadêmicos Arvind Subramanian e John Williamson, do Peterson Institute. Para eles, a taxação dos recursos externos com o IOF foi "muito importante, substancial e simbólica".

O valor simbólico, segundo os economistas, foi sinalizar o fim de uma era na qual os mercados emergentes estavam enamorados pelo financiamento estrangeiro, e expressar o compromisso com medidas para moderar o fluxo de capital.

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Lula quer unir BC e Fazenda no câmbio

No primeiro embate entre os dois na questão cambial, presidente reforçou a posição da Fazenda

Adriana Fernandes e Fabio Graner, BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer uma ação mais coordenada entre Banco Central e Ministério da Fazenda nas discussões e ações de política cambial. No primeiro embate entre as duas áreas de governo, Lula reforçou a posição da Fazenda, que, na prática, divide com o BC a gestão da política cambial. Lula deseja evitar descompassos que possam resultar em incertezas em relação à política brasileira de atração de capitais externos.

A orientação de Lula não muda. Ele quer manter os estímulos aos capitais de longo prazo que entram no País para investimento, mas não concorda com a avalanche de recursos apenas em busca do ganho financeiro. A percepção do governo é que não há uma medida única capaz de resolver o imbróglio cambial. Por isso, uma sintonia entre BC e Fazenda nas decisões passou a ser indispensável.

Segundo a Agência Estado apurou, Lula foi informado de que até dados importantes para avaliar o quadro econômico não são trocados entre as equipes do BC e da Fazenda. Essa situação desagrada o presidente porque pode tornar mais custoso o processo de transição do real ao nível de moeda mais forte no cenário internacional. O governo sabe que a questão é complexa até porque o real forte é uma realidade.

Economistas do governo dizem que medidas isoladas podem não fazer grande diferença, mas em conjunto podem reduzir a pressão de valorização do real. O que diferencia o debate atual é a tendência de a Fazenda atuar por medidas pontuais, de caráter mais intervencionista, enquanto as medidas do BC vão buscam a desregulamentação das normas cambiais e aceleração dos acordos internacionais de pagamento com moeda local, como está sendo discutido com China, Rússia e Índia.

Ao autorizar Mantega a taxar o ingresso de capitais com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Lula fortaleceu a ação do ministério na coordenação das expectativas em relação à condução da política cambial, antes reservada ao BC. Com a possibilidade de "calibrar" para baixo ou para cima a alíquota do IOF, a Fazenda, segundo setores do governo e do mercado, pode anular o poder do BC na administração da volatilidade do câmbio.

Segundo uma fonte da Fazenda, a falta de coordenação das políticas cambiais dos vários países força o governo a ter uma atitude mais intervencionista - mas sem mudar o regime. "O câmbio é flutuante", disse a fonte. Mas a avaliação é que um sistema de flutuação pura só tem sentido quando todos países operam da mesma forma. A China tem taxa administrada e desvalorizada e o dólar está em queda desde que a crise se acalmou. Por isso, Mantega vai defender na reunião do G-20, neste fim de semana na Escócia, uma maior articulação entre os integrantes do grupo. O ministro e sua equipe sabem que a proposta é de difícil execução.

"Não podemos assistir passivamente à queda do dólar ante o real. O Brasil defendeu a economia. Sem o IOF, o câmbio estaria indo para R$ 1,40. Estava ocorrendo uma bolha, um processo especulativo", disse a fonte.

A fonte destaca que o governo não tem meta para o câmbio, como setores do mercado interpretaram as declarações do secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, que estimou uma taxa de câmbio de equilíbrio para o dólar em torno de R$ 2,10 ou R$ 2,12. Embora diga que na Fazenda ninguém "ficaria triste" se essa fosse a taxa hoje, ela é considerada apenas um "exercício acadêmico", e não um alvo.

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Prazo de compra de dólar pode cair

Medida faz parte da estratégia de liberação do câmbio

Fabio Graner, BRASÍLIA

O governo estuda flexibilizar o prazo para a compra antecipada de dólares destinados a pagar a dívida externa privada e pública. Essa é uma das propostas em discussão dentro da estratégia de liberalizar o câmbio e conter a valorização do real, segundo apurou a Agência Estado. Atualmente, só podem ser adquiridos dólares para pagar dívida externa a vencer em até 12 meses, mas já se discute no governo tanto a ampliação como a eliminação do prazo.

A medida daria às empresas e ao próprio governo a possibilidade de comprar moeda estrangeira para pagar dívidas externas de prazo mais longo (acima de um ano). A autorização para a compra de moeda estrangeira não significa que a operação será necessariamente efetivada pelas companhias privadas e o Tesouro Nacional, responsável por gerenciar a dívida pública. É que as decisões de compra de dólares levam em conta uma série de fatores, como melhor taxa, dinheiro disponível e cenário econômico de longo prazo.

A agenda de liberalização do mercado de câmbio está sendo conduzida pelo Banco Central (BC, conforme disse o seu presidente, Henrique Meirelles. Embora o discurso do BC seja de que o foco das medidas em estudo é tornar o mercado mais eficiente, o escopo das discussões vai todo na direção de facilitar a saída de dólares do País, o que funcionaria como força contrária à forte pressão de valorização do real.

Ao divulgar que estuda liberar o câmbio, o BC tenta reverter a percepção do governo de que não estaria atuando com firmeza para atacar o problema cambial, que prejudica a competitividade externa das empresas brasileiras e tem impacto fiscal importante, já que o dólar em queda eleva a dívida líquida do setor público. Essa percepção ficou mais forte depois que o Ministério da Fazenda, com o aval do Palácio do Planalto, decidiu taxar o capital estrangeiro com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

A avaliação do governo é que a tendência de alta do real é causada principalmente pelo sucesso econômico e credibilidade reforçada do País depois da crise, embora outros fatores, como juros ainda altos, sejam mencionados. Mas os técnicos também acreditam que essa tendência pode ser contida ou atenuada com ações de política econômica. A avaliação majoritária, porém , é que somente um conjunto de iniciativas - e não uma medida adotada de forma isolada - pode ter o efeito desejado pelo governo. Por isso, várias ideias estão sendo estudadas.

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''Brasil aprendeu com erros do passado''

Economista elogia medidas do governo para conter real, mas

diz que ideias do BC para câmbio podem levar à dolarização

Leandro Modé

José Luís Oreiro: professor da UnB

O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luís Oreiro defende as medidas do governo para conter a valorização do real.

Até agora, o IOF de 2% foi insuficiente para provocar uma valorização do dólar ante o real. A alíquota é baixa ou são necessárias outras medidas complementares?

Essa medida é incompleta. Faltam outras coisas. Uma medida complementar importante seria o Banco Central baixar uma norma limitando a exposição cambial dos bancos brasileiros. Hoje, esses bancos estão atuando para puxar a cotação do dólar para baixo.

O Banco Central prepara mudanças na legislação cambial. Esse tipo de medida pode ajudar a conter a valorização do real?

Pelo que vi até agora, as medidas estudadas pelo Banco Central vão justamente na direção contrária do que o Ministério da Fazenda e economistas como eu pensamos. O que o BC pensa é aumentar o grau de abertura da conta de capitais brasileira. Por exemplo: permitir que estrangeiros tenham depósitos em dólar no Brasil. Isso é inócuo sobre a taxa de câmbio. Esse tipo de medida é apenas um passo no caminho da dolarização da economia brasileira, do abandono do real como moeda nacional.

Taxar com IOF renda variável foi um equívoco?

Não, foi correto. É preciso que os controles de capitais sejam abrangentes. Para evitar e reduzir os "dribles" da legislação, é preciso fazer um controle abrangente. Portanto, taxar a renda variável é uma atuação nesse sentido.

Isso não pode afugentar captações de empresas?

Dizer que um impostozinho de 2% vai ter impacto significativo sobre o investimento no Brasil é balela. Além disso, vários estudos empíricos têm demonstrado que a poupança externa tem impacto negativo sobre o crescimento de longo prazo.

O Brasil não está pagando o preço do próprio sucesso e, por isso, não é um contrassenso adotar esse tipo de medida?


O sucesso pode trazer as raízes de sua própria destruição. Temos de ter cuidado porque, geralmente, nas fases em que a economia vai bem, vão se introduzindo "vírus" que vão preparando uma crise. Era esse perigo que o Brasil corria com a valorização do câmbio. Se a gente ver a história de todos os países da América Latina dos anos 70 para cá, vemos um padrão similar: mudança favorável de expectativas, entrada brutal de capitais, valorização do câmbio, aumento artificial do salário real e bolha de consumo. Enfim, euforia. Até que chega o momento, quando o déficit em conta corrente está elevado, de nova mudança de expectativas, só que para o outro lado. Aí vem a parada súbita de financiamento externo e crise no balanço de pagamentos. Parafraseando o ex-ministro Antonio Palocci, o Brasil aprendeu, não vai cometer os mesmos erros do passado.

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''Câmbio só muda com política fiscal''

Para economista, País deveria debater os fatores que

prejudicam sua competitividade, como a alta carga tributária

Roberto Padovani: estrategista do WestLB


O estrategista do banco WestLB no Brasil, Roberto Padovani, é cético em relação às medidas para conter a valorização do câmbio. Ele acha que, para tanto, seriam necessárias mudanças na política fiscal.

É possível controlar o câmbio com medidas como as que o governo está tomando?

Os efeitos são muito limitados. No caso do IOF e das medidas administrativas de modo geral, o País perde, porque não evita a trajetória de valorização cambial, que é explicada por outros fatores. Mas aumenta o risco regulatório, a incerteza quanto às regras. Com as possíveis iniciativas do Banco Central, não prevejo mudança significativa no câmbio, mas é um avanço, que tornaria as regras no mercado cambial mais claras. De modo geral, a liberalização de fluxo de comércio e de capital implica em algum momento aumento de produtividade da economia. Nesse sentido, a agenda do BC é um pouco mais positiva do que a da Fazenda. Mas ambas não implicam mudança no cenário cambial de curto prazo.

O que poderia ser feito?

Sinto falta de um debate - e não vejo o governo propondo essa discussão - sobre o que gera competitividade na economia brasileira. Para mim, ela está ligada à carga tributária, à infraestrutura de modo geral e à incerteza regulatória. Mas a discussão que ouço por aí é bem diferente. O ministro (Guido) Mantega deu a entender que, se não fosse pelo câmbio, a competitividade brasileira seria a chinesa. É um debate no lugar errado, que está sendo colocado pelo gestor de política econômica. Pode-se dizer que o Banco Central tem visão diferente da do Ministério da Fazenda, mas ambos só discutem câmbio. É uma pena.

Mas haveria uma política pública que pudesse alterar o câmbio?

Se quiser abordar a questão cambial, tem de atacar problemas muito mais profundos, como a política fiscal e a competitividade. A segunda permitiria que competíssemos melhor para um determinado nível de câmbio, e está ligada aqueles fatores que eu já mencionei.

Como a questão fiscal se liga ao câmbio?

Quanto mais se expande a atividade local, com impulso fiscal e monetário, e quanto menor o nível de poupança - há despoupança pública e baixa poupança privada no Brasil, - mais se precisa de poupança externa para financiar esse aumento de consumo doméstico. Precisa-se de capital externo, e assim uma política fiscal e monetária muito expansiva atrai capitais para o Brasil e aprecia o câmbio. A política fiscal, ao empurrar a economia - e dado os limites do nosso crescimento potencial -, força a política monetária a fazer o contraponto, levando a uma taxa de juros maior para compensar o estímulo fiscal. Essas taxas mais altas atraem mais capitais e reforçam a valorização.

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Brasil quer câmbio flutuante no G-20

Alvo maior da iniciativa é a China, que atrela moeda ao dólar

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL, LONDRES

O governo brasileiro vai defender hoje, na reunião ministerial do G-20, na Escócia, um padrão único de gestão do câmbio por todas as maiores economias do mundo. Mais: pregará que o modelo escolhido seja o câmbio flutuante, adotado pelo País desde 1999. O objetivo é "homogeneizar" o fluxo global de moeda, evitando a sobrevalorização excessiva, da qual o real tem sido vítima nos últimos meses, se comparado com o dólar, o yuan e até o euro. A iniciativa tem como alvo maior a China, que atrela a valorização da moeda ao dólar.

As revelações foram feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no fim da manhã de ontem, em Londres, em meio ao seminário FT Investing in Brazil Summit. A ideia do ministro é adicionar à proposta dos Estados Unidos, que incluía a regulação dos desequilíbrios comerciais e o acúmulo de reservas, o que chama de "desequilíbrios de câmbio". "Temos um desequilíbrio cambial porque os países têm comportamentos diferenciados em relação ao câmbio. Alguns, como o Brasil, praticam o câmbio flutuante, enquanto outros praticam a administração cambial. Vamos sugerir mais homogeneidade. Ou todo mundo pratica o câmbio administrado, ou todo mundo pratica o câmbio flutuante."

De acordo com Mantega, a delegação brasileira - que terá a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles - defenderá a escolha do câmbio flutuante. "O Brasil já se deu mal com o câmbio administrado. O câmbio flutuante tem vantagens, porque permite ao mercado regular melhor o fluxo de capitais." O ministro também afirmou que o atual cenário cambial internacional, misto, "pode ser benéfico para alguns países, mas prejudicial para outros". "Neste momento, quem mais se prejudica são os países mais sólidos, que oferecem maiores oportunidades de investimento, de rendimento e de perspectiva de commodities", uma alusão ao Brasil.

O alvo da medida é a China. De acordo com o relatório do banco Goldman Sachs, o real se valorizou 50% ante o yuan nos últimos 12 meses. "A moeda chinesa está atrelada ao dólar. Como a moeda americana se desvaloriza, a chinesa se desvaloriza. Isso gera desequilíbrio cambial", analisa. "Se a China tivesse câmbio flutuante, teríamos uma moeda mais valorizada e os capitais migrariam para lá também, e menos no Brasil. Então haveria mais homogeneidade."

Além da padronização do sistema de câmbio, Mantega defendeu uma política de controle de liquidez mais equilibrada, o que evitaria a sobrevalorização do real ante o dólar, que chega a 51%. Para o ministro, o "excesso de liquidez também acaba sobrando para países mais sólidos e com bolsas mais avançadas, como o Brasil, a Austrália e a Nova Zelândia". Segundo Mantega, se a economia internacional adotar um padrão de câmbio e houver controle de liquidez, "já se resolve o problema".

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''Queremos impedir uma atração fatal''

DANIELA MILANESE

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a preocupação com a valorização do real tem o objetivo de evitar uma "exuberância irracional" no Brasil, referindo-se ao termo cunhado pelo ex-presidente do Fed Alan Greenspan. Para ele, a criação de bolhas especulativas nos emergentes, como vem alertando o economista Nouriel Roubini, pode ser evitada, com a adoção das medidas necessárias. "Queremos impedir o excesso de atração fatal em relação ao Brasil." O ministro citou estudo do Goldman Sachs apontando sobrevalorização de 50% do real ante o dólar e o yuan. Sem essa sobrevalorização, a economia brasileira seria mais competitiva do que a da China.

"Queremos os investimentos externos e os IPOs, mas não queremos bolhas nos mercados de capitais." Ele citou o avanço dos volumes financeiros da bolsa nos últimos anos. "Estou vendo ali o presidente da bolsa, que sorri quando olha os dados de volume", disse Mantega, referindo-se ao presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, que estava na plateia.

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País passa por milagre da transformação, diz Lula

Para presidente, Brasil conquista a cidadania coletiva

Andrei Netto, LONDRES

Tal qual os governos militares descreviam o crescimento econômico exuberante do Brasil nos anos 1970, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a palavra "milagre" para descrever o atual momento do País. Atração central de um seminário dedicado ao Brasil e realizado com a presença de investidores britânicos, ontem, em Londres, Lula afirmou que o Brasil passa por um "milagre da transformação" e vive um momento de "conquista da cidadania coletiva".

O tom ufanista mais uma vez fez parte do discurso presidencial, desta vez para o público presente no seminário FT Investing in Brazil, realizado pelos jornais Financial Times e Valor Econômico na capital inglesa. Pouco depois das 12h30 (10h30, no horário de Brasília), Lula foi chamado à tribuna e aplaudido de pé pela plateia. Durante 52 minutos, tentou convencer os britânicos da importância de investir no Brasil.

"O que está acontecendo", disse, "é um milagre da transformação, que ainda não foi medido corretamente pelos institutos de investigação". "Nem nós, do governo, temos dimensão do que está acontecendo", disse Lula. "Cansamos de tantas promessas do século 20, e não queremos perder nenhuma oportunidade no século 21."

Ao longo do discurso, Lula afirmou que a economia brasileira "está muito saudável", que o crédito voltou, os investimentos "voltaram a crescer de forma vigorosa" e em todas as áreas "respira-se um clima de otimismo e de confiança".

Sobre os juros atuais, disse que são as taxas mais baixas das últimas décadas, mas fez uma ressalva: "Confesso a vocês que gostaria que fossem um pouquinho mais baixos".Lula também defendeu a intervenção do Estado na economia para prevenir crises e encerrou seu pronunciamento com novas referências ao regime militar, marcando a diferença entre o seu "milagre da transformação" e o "milagre econômico" dos militares.

A agenda oficial de Lula em Londres acabou na noite de ontem, depois que ele foi recebido pela rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckingham, e em seguida participou de um jantar de gala no Instituto Real de Relações Internacionais. O evento foi organizado para entrega do Prêmio Chatham House 2009, por sua "trajetória pessoal notável" e "excepcionais qualidades de liderança".

Foco das atenções, Lula chegou às 19h30 locais, vestindo smoking, e foi novamente aplaudido de pé pela plateia britânica. Convidado à solenidade, o secretário dos Negócios e Empreendimentos do Reino Unido, Peter Mandelson, enalteceu o papel político ascendente e a guinada econômica do Brasil sob sua gestão.

O inglês lembrou o comprometimento do governo brasileiro com o crescimento, a distribuição de renda e os programas sociais - citando o Bolsa Família -, assim como a liderança dos países emergentes nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e no G-20. "O Brasil que conhecemos hoje é, em muitos sentidos, o Brasil de Lula", disse Mandelson.

FRASES
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente


"O que está acontecendo é um milagre da transformação que ainda não foi medido corretamente pelos institutos de investigação"

"Nem nós, do governo, temos dimensão do que está acontecendo"

"Cansamos de tantas promessas do século 20, e não queremos perder nenhuma oportunidade no século

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Jantar foi patrocinado por 19 empresas

Daniela Milanese, CORRESPONDENTE, LONDRES

Dezenove empresas nacionais e multinacionais patrocinaram o jantar de gala no Instituto Real de Relações Internacionais de entrega do prêmio Chatham House 2009 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem à noite em Londres. Entre elas, o Banco do Brasil, a Petrobrás e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). Na ala das empresas estrangeiras, participaram a Shell, Anglo American e BG Group.

O apoio das empresas ao evento só foi definido após a escolha do vencedor, por volta de setembro, conforme apurou a Agência Estado.

Depois que a instituição britânica escolheu Lula por seu papel nas relações internacionais na América Latina, os interessados puderam comprar as mesas do jantar, vendidas por cerca de £10 mil cada uma, com dez lugares. A informação de que o presidente brasileiro era o ganhador ficou mantida sob embargo.

Dos dez convidados de cada mesa, os patrocinadores puderam indicar dois para acessar uma área vip do prédio da Banqueting House, por meio de uma entrada separada, onde era possível transitar em meio a representantes do governo brasileiro.

Ao todo, o jantar contou com cerca de 350 pessoas, abrigadas sob o teto pintado por Rubens, no século 17. Não foram colocados à venda convites individuais, somente as mesas com dez lugares.

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18 milhões sobem de faixa de renda, diz Ipea

Os brasileiros começaram a subir para faixas de renda mais altas a partir de 2004. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2004 e 2008, 7 milhões de pessoas ingressaram na faixa de renda média (de R$ 188 a R$ 465 mensais) e 11,6 milhões, na alta (acima de R$ 465 mensais). A faixa de renda baixa (inferior a R$ 188) perdeu 11,7 milhões de pessoas. Nesse período, o aumento da população brasileira foi de 6,9 milhões de pessoas. "Há sinais da volta da mobilidade social no País, o que não se via até a década de 90", afirma o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.

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Varejista britânica vai demitir 1.738

A First Quench, proprietária de redes de lojas de bebidas, informou o fechamento de 373 lojas, o que vai provocar 1.738 demissões, de um total de 6.283 funcionários. A decisão foi tomada após o colapso da empresa, que passou a ser administrada pela consultoria KPMG na semana passada. A First Quench tem 1.202 lojas no Reino Unido, incluindo as redes The Local, Bottoms Up, Victoria Wine, Haddows, Threshers e Wine Rack.

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Paraguai aprova acordo Lula-Lugo

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou ontem, por unanimidade, o acordo selado com o Brasil sobre a usina hidrelétrica de Itaipu. A nota reversal prevê que o Brasil vai triplicar o pagamento ao Paraguai pela cessão de energia da binacional. O valor chega a US$ 360 milhões.
Como já havia sido aprovado pelo Senado há duas semanas, o acordo firmado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo se transformou em lei no país.
O governo brasileiro ainda não tem data para enviar o documento ao Congresso, mas o Paraguai está fazendo lobby para convencer deputados e senadores.

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Câmbio vai provocar calotes, diz ruralista

A manutenção do atual nível de câmbio vai levar a uma nova onda de calotes no agronegócio, disse ontem o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho da Silva. Segundo ele, o produtor de soja, principal produto da pauta de exportação do País, deve fechar a safra 2009/10 no prejuízo. A SRB convocou a imprensa para apresentar dados do impacto da valorização cambial no agronegócio. O presidente da SRB disse, ainda, que a valorização do real ante o dólar está transferindo renda do setor rural para o setor urbano e o governo, mais cedo ou mais tarde, terá "de mexer na política cambial".

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IBGE admite erro no censo agropecuário

Pesquisa que havia revelado aumento da concentração

de terras indica, na verdade, pequeno recuo no índice

Alexandre Rodrigues e Jacqueline Farid, RIO

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que cometeu um erro no cálculo do índice que mede a concentração de terra no País, divulgado no fim de setembro. O Censo Agropecuário do IBGE apurou que em 2006 o índice de Gini no sistema fundiário havia atingido 0,872, indicando piora na concentração de terras em uma década.

O número correto, segundo o instituto, é 0,854, o que leva à interpretação inversa: um pequeno recuo em relação ao resultado de 0,856 apurado no censo de 1995/1996. Pela escala de Gini, quanto mais o resultado se aproxima de 1, maior é a concentração.

Segundo o coordenador do Censo Agropecuário, Antônio Carlos Florido, o erro foi identificado pelo agrônomo Rodolfo Hoffmann, especialista em economia agrária que dá aulas no Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp). Alertado pelo professor, o IBGE refez o processamento dos dados do censo e descobriu o erro.

Embora o equívoco tenha sido notado na segunda semana após a divulgação do censo, a correção só foi informada ontem, numa nota à imprensa, pelo IBGE, que também postou um discreto comunicado em seu site.

Florido atribuiu o resultado incorreto a uma falha técnica no processamento dos dados apenas no cálculo do índice nacional. O resultado dos Estados, que mostrou aumento da concentração de terra em São Paulo (de 0,758 para 0,804) e recuo em Estados como Maranhão (de 0,903 para 0,864) estão certos, segundo ele.

O técnico do IBGE disse que o trabalho foi feito às pressas para divulgação e não houve tempo para revisão. "Um software lê os microdados e pode ter havido falha no processamento. Com o contato do professor, refizemos os cálculos também pela metodologia dele e confirmamos que o índice era mais baixo", afirmou.

Ele admite que a correção altera a interpretação de que a concentração agrária está crescendo, mas ressaltou que o número tão próximo ao do censo anterior indica a manutenção do retrato desigual da propriedade no campo. A metodologia do Censo já havia sido questionada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que discordaram dos resultados.

"Já tínhamos contestado porque vemos que acontece o contrário. Lamentamos ver o aparelhamento do IBGE, que hoje não oferece mais a mesma segurança e confiabilidade nos seus dados. Duvido que foi erro técnico, foi intencional. Esse censo escancarou a intenção explícita de separar a pequena propriedade do agronegócio", disse a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA. "Quando soltam os dados, buscam as manchetes. Na hora de corrigir, vem tudo pequenininho, escondido, sem entrevista coletiva."

O Ministério da Agricultura informou que Stephanes já havia sido informado do erro e assessores do ministro elaboram um relatório para apontar outros erros. Só após esse trabalho, ele comentará o assunto. O Ministério do Desenvolvimento Agrário não quis se pronunciar. O Estado não conseguiu contato com Hoffmann.

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Lucro da Caixa cresce 23% no trimestre

Forte avanço nas operações de crédito explica o resultado

de R$ 869,9 milhões em julho a setembro de 2009

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA

A Caixa Econômica Federal divulgou ontem um lucro líquido de R$ 869,9 milhões no terceiro trimestre de 2009. O valor é 23,2% superior ao de abril a junho e 20,5% maior na comparação com igual período de 2008, no agravamento da crise global. O forte aumento das operações de crédito explica a melhora do resultado trimestral, diz o banco. De janeiro a setembro, porém, o ganho somou R$ 2,02 bilhões, com queda de 37,9% ante igual período de 2008.

O resultado trimestral da Caixa é bastante inferior se comparado aos principais concorrentes privados. No mesmo trimestre, Itaú Unibanco teve ganho de R$ 2,26 bilhões e Bradesco lucrou R$ 1,91 bilhão. Dessa forma, o ganho dos nove meses da instituição federal é comparável ao lucro do resultado trimestral dos concorrentes.

Segundo a Caixa, o aumento do lucro foi gerado principalmente pelas várias receitas com empréstimos, que somaram R$ 3,65 bilhões nos três meses, valor 28,2% maior que o de igual período de 2008, e também pela receita obtida com a cobrança de tarifas bancárias, que cresceu 25,5% na mesma base de comparação e somou R$ 2,37 bilhões.

Entre os serviços prestados pelo banco, chama a atenção o salto de 129% do valor obtido com as tarifas do cartão de crédito, que somaram R$ 94 milhões. "A grande influência para o bom resultado foi a expansão do crédito. A nossa carteira cresceu 61,9% nos 12 meses até setembro. Isso rebateu na receita obtida com as operações de crédito", disse o vice-presidente de Controle e Risco, Marcos Vasconcelos. Em setembro, a soma de todos os empréstimos era R$ 111,9 bilhões, com alta de 12,8% no trimestre.

Segundo ele, a instituição tem conseguido aumentar o crédito porque há redução de juros ao cliente e do spread bancário - que é a margem cobrada pela instituição nos financiamentos.

Ao mesmo tempo, pesou positivamente a queda da inadimplência. Segundo Vasconcelos, a parcela dos empréstimos das pessoas físicas com atraso superior a 90 dias caiu de 5,4% em junho para 5,2% em setembro. Entre as empresas, a inadimplência recuou de 2,4% para 2,1% no mesmo período.

Apesar da melhora da inadimplência, a provisão para créditos duvidosos saltou 73,7% no trimestre ante igual período de 2008, para R$ 983 milhões. Em nove meses, o banco reservou R$ 2,53 bilhões para cobrir eventuais prejuízos com inadimplência, valor 77,1% maior que no mesmo período do ano passado.

Com a expansão da carteira de crédito nos últimos meses, a Caixa comemora o fato de ter, atualmente, mais ativos em crédito que em tesouraria - que são as aplicações do banco, normalmente em títulos públicos. "Hoje, 32,7% dos ativos do banco estão em crédito e 31,7% estão na tesouraria. É a primeira vez desde a reestruturação de 2001 que isso acontece", disse o vice-presidente. No fim de 2007, a proporção era 22,4% para o crédito e 49% para a tesouraria.

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Com 3ª alta, Bolsa sobe 5,31% no mês

Otimismo foi amparado pela queda nos pedidos

de auxílio-desemprego nos EUA; dólar e juros recuaram

Claudia Violante, Denise Abarca e Silvana Rocha

O otimismo nos mercados persistiu, ontem, graças à queda de 20 mil nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana passada, muito acima do recuo esperado, de 5 mil pedidos. Em Wall Street, os índices aceleraram os ganhos na hora final da sessão e levaram junto a Bovespa. ODow Jones voltou a superar o nível de 10 mil pontos e fechou em alta de 2,08%, enquanto S&P subiu 1,92% e Nasdaq, +2,42%. A Bolsa brasileira teve sua terceira alta consecutiva, e encerrou com valorização de 1,41%, aos 64.815,72 pontos. No mês até ontem, o Ibovespa apurava ganho de 5,31%. Os juros futuros, por sua vez, cravaram novo pregão de queda. O declínio do uso da capacidade instalada da indústria brasileira apurado pela Confederação Nacional da Indústria em setembro reforçou a percepção deixada pelos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística esta semana, de que a atividade cresce a um ritmo não inflacionário que possa pressionar a taxa Selic nos próximos meses. O juro de janeiro de 2011 caiu a 10,13%. O dólar à vista teve a 3ª baixa seguida, amparada pelo apetite por risco no exterior, mas também limitada pela expectativa de medidas cambiais no Brasil. O dólar caiu 0,35%, a R$ 1,7220 na sessão; e 1,94% no mês.

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Investidor estrangeiro aposta em retomada rápida dos IPOs no Brasil

Pesquisa mostra que País deve ser o segundo a atrair

mais investimentos em aberturas de capital, atrás da China

Marianna Aragão

O otimismo internacional em torno do Brasil chegou ao mercado de IPOs (sigla em inglês para ofertas públicas iniciais de ações). Uma pesquisa feita pela consultoria Ernest & Young mostra que investidores do mundo todo acreditam que o País será um dos primeiros a retomar os processos de abertura de capital. Dos cerca de 300 entrevistados, que incluem representantes de bancos, fundos de pensão e private equity e gestoras de recursos, 57% apostam que novas operações devem ocorrer no País ainda este ano. O otimismo dos investidores só é maior em relação à China, onde 75% estimam que a retomada ocorrerá neste período.

A expectativa positiva dos investidores globais se concentra nos países emergentes, com exceção da Rússia. Segundo a pesquisa, a maioria deles avalia que em mercados como os dos Estados Unidos, México, Reino Unido e Austrália, a recuperação dos IPOs se dará somente em 2010. Boa parte deles prevê que esses países só retomarão o movimento no final de 2011. No caso do Brasil, apenas 7% dos entrevistados apostaram nesse cenário, mais pessimista. A pesquisa incluiu agentes financeiros de 34 países, que têm sob sua gestão ativos de cerca de US$ 20 bilhões.

"Os compradores de ações estão acreditando que o Brasil é a bola da vez", diz Paulo Sérgio Dortas, sócio da área de IPOs da Ernest & Young, que coordenou o trabalho no País. Mais que apenas apostar em uma recuperação, os investidores afirmam querer participar dela. De acordo com o estudo, 60% dos entrevistados dizem que pretendem aumentar o nível de investimentos nos IPOs de empresas brasileiras nos próximos 18 meses.

De novo, a China é a única a superar o Brasil no radar dos investidores, com 67% das intenções. Em seguida, vêm Japão, com 57%, e Estados Unidos, com 56%. Para Dortas, o bom humor dos investidores com o País decorre de três fatores. O primeiro é a perspectiva de crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Depois, o avanço nas questões de governança corporativa das empresas e da bolsa brasileiras. "Por fim, há o charme de estar inserido no contexto dos países emergentes", diz.

A pesquisa também mostrou os setores cujas empresas, na visão dos investidores, devem liderar o retorno dos IPOs. As companhias de tecnologia receberam 49% das indicações. As de serviços financeiros (43%), petróleo e gás (38%), mineração (35%) e bens de consumo e varejo (32%) vieram logo atrás. No Brasil, terão vez primeiro as empresas maiores - chamadas "large caps". Pelo menos 41% dos investidores disseram acreditar que elas se tornarão públicas primeiro. As com valor de mercado médio e pequeno são a aposta de 38% e 18% dos entrevistados, respectivamente.

NOVO TEMPO

Apesar das últimas operações na bolsa brasileira - os mega IPOs de Santander e Visanet, por exemplo - terem confirmado essa intenção, o sócio da Ernest & Young acredita que há espaço para negócios menores. Segundo Dortas, a empresa recebeu consultas de pelo menos 20 "mid caps" interessadas em abrir capital nos últimos meses. O segundo IPO do ano na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi de uma dessas companhias. A Tivit, de tecnologia, captou R$ 660,7 milhões em sua oferta, em setembro. (leia texto acima)

Após a crise e a euforia experimentadas no passado recente - foram 64 IPOs no Brasil somente em 2007 -, porém, as empresas serão mais exigidas. Muitas das empresas que perderam muito de seu valor de mercado logo após a abertura e não entregaram o que foi prometido se prepararam pouco para o processo, avalia Dortas. "Houve muito oba-oba. Agora, os compradores vão exigir o dever de casa bem feito", diz.

Um sinal disso foi mostrado na pesquisa deste ano: a qualidade da estratégia corporativa e sua execução foi o segundo fator mais considerado pelos entrevistados em suas próximas decisões de investimento, com 73% das indicações. Credibilidade e experiência dos diretores da empresa são o aspecto mais considerado pelos investidores da pesquisa, com 90%. Critérios como posição de mercado, inovação e qualidade da relação com os investidores vieram depois.

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Tivit esperou dois anos por IPO

PAULA PACHECO

Por dois anos, os donos da Tivit, empresa de terceirização de serviços de tecnologia, estudaram a possibilidade de abertura de capital. Aí, veio a crise econômica, que dragou o dinheiro dos investidores e engavetou o plano. Este ano, porém, a história teve um final feliz. No dia 25 de setembro, a Tivit finalmente fez seu IPO (a oferta inicial de ações), o segundo do ano na Bovespa.

O movimento em direção ao mercado de capitais começou no início de 2007, mas a instabilidade no mercado paralisou os planos. Enquanto isso, com sócios como o Banco Pátria e a Votorantim, a Tivit ganhava força e melhorava os atrativos para os futuros investidores. Desde 2001, por exemplo, ela já era administrada segundo regras da governança corporativa.

Pouco mais de um mês depois de passar a negociar ações na bolsa, Luiz Mattar, presidente da Tivit, ainda se acostuma à nova rotina. Precisou ajustar a agenda e hoje se dedica mais aos analistas e acionistas do que aos funcionários e fornecedores. A primeira surpresa de Mattar na nova fase da empresa aconteceu ainda no final do processo de abertura de capital. O preço da ação ficou em R$ 15,00 - 9% abaixo do preço mínimo previsto. A captação foi de R$ 660,7 milhões.

Mattar acredita que o IPO aconteceu no momento ideal. "Em 2007, a precificação das ações teria sido superior. Mas hoje estamos mais preparados para lidar com o mercado. Estamos mais sólidos, com uma geração de caixa maior", disse. Agora, com mais dinheiro em caixa, ele faz planos: "O IPO deu mais visibilidade à empresa. Temos uma moeda de troca para fazer um movimento internacional ou aquisições pontuais no mercado interno."

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Açúcar cai 3,5% com atuação de fundos

Os preços futuros do açúcar tipo demerara registraram forte queda ontem na bolsa de Nova York (ICE Futures US). Os contratos com vencimento em março, mais negociados, terminaram o pregão cotados a 22,76 cents/lb, em baixa de 3,5%. A desvalorização foi provocada pela atuação de fundos de investimentos, que se basearam em critérios técnicos. Analistas avaliam que o recuo nos preços de outros produtos básicos, como o petróleo, o algodão e o cacau, influenciaram negativamente o açúcar.

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Cobre cai em Nycom aumento de estoque

O contrato futuro do cobre caiu 1,20% em Nova York, para US$ 2,957 a libra-peso, pressionado por receios quanto ao vigor da demanda, em decorrência de um aumento nos estoques do metal e da percepção de que a China está afastada do mercado. Também pesou na queda a leve apreciação do dólar, que encarece o cobre para detentores de outras moedas.

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Europa vai retirar medidas anticrise

Banco Central Europeu mantém as taxas de juros em 1%,

mas diz que vai começar a reverter medidas emergenciais

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, FRANKFURT

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, anunciou ontem que vai começar a pôr em prática uma estratégia de retirada das medidas extraordinárias que têm sido usadas para injetar liquidez nos mercados. Com isso, o BCE se une a outros bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed), que afirmou fazer a retirada gradual dos pacotes de estímulo lançados para enfrentar a crise econômica.

Após a reunião do conselho do BCE, Trichet disse à imprensa que, "levando em consideração a melhora nas condições econômicas nos mercados financeiros, nem todas as medidas de injeção de liquidez serão necessárias como foram no passado."

Nesse sentido, o presidente do BCE adiantou que os mercados financeiros descartaram a hipótese de que a entidade monetária prolongaria os estímulos para injetar mais liquidez, após um ano de crise. Trichet explicou, no entanto, que o órgão máximo executivo do BCE tomará a decisão em sua próxima reunião, no início de dezembro.

O euro subiu após as declarações de Trichet e recuperou a marca de US$ 1,49, cerca de 0,5% de valorização ante o fechamento de anteontem.

O presidente do BundesBank, Axel Weber, que é membro do conselho de governo do BCE, já havia mencionado, no início de outubro, que o BCE poderia colocar em marcha sua estratégia de saída no ano que vem, com a retirada das injeções ilimitadas de liquidez.

O BCE conduz, desde outubro de 2008, as operações de refinanciamento diante de um procedimento de leilões a juros fixos e mínimos, com o objetivo de dar liquidez a todos os bancos da zona do euro. Como medida extraordinária, o BCE introduziu injeções de liquidez durante um ano: a primeira em 24 de junho, a segunda, em 30 de setembro, e a terceira e última será no dia 15 de dezembro. Na primeira, foram colocados em leilão 442,2 bilhões durante um ano. Na segunda, os recursos caíram para 75 bilhões.

Trichet acrescentou que o conselho de governo do BCE vai retirar gradativamente as medidas extraordinárias de liquidez e assegurar que a liquidez proporcionada não traga ameaças à estabilidade de preços no médio e longo prazos. "As últimas informações apontam para uma melhora da atividade econômica na segunda metade de 2010."

JUROS

Ainda ontem, o BCE decidiu manter inalterada em 1% a taxa básica de juros na zona do euro. Com os juros nesse nível historicamente baixo, o BCE quer apoiar a reativação econômica dos países que compartilham o euro, porque os bancos comerciais ainda enfrentam grandes riscos, que poderiam prejudicar a incipiente recuperação.

A instituição europeia informou, em Frankfurt, que também deixou inalterada a facilidade marginal de crédito, pela qual empresta dinheiro aos bancos, em 1,75%. O BCE manteve a facilidade de depósito, que remunera depósitos overnight em bancos centrais nacionais, em 0,25%.

Também o Banco da Inglaterra manteve pelo oitavo mês consecutivo, a taxa de juros na mínima histórica de 0,5% e comunicou que ampliará o valor do programa de emissão de liquidez para reativar o mercado creditício. Já o Sedalabanki (banco central) da Islândia, um dos países mais atingidos pela crise financeira, cortou a taxa de juros em um ponto porcentual, para 11%.

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Artigo - A grande contração de 2008-2009

Kenneth Rogoff*, PROJECT SYNDICATE

Uma visão popular entre analistas econômicos e apostadores na alta é que "quanto mais profunda a recessão, mais rápida a recuperação". Eles estão certos, até um ponto: logo após uma recessão normal, as economias com frequência crescem mais depressa que o normal nos 12 meses seguintes. Infelizmente, a Grande Recessão de 2008-2009 está longe de ser uma recessão global normal.

A Grande Recessão foi turbinada por uma crise financeira, o que faz dela um caso muito mais insidioso, com efeitos muito mais duradouros. Como Carmen Reinhart e eu argumentamos em nosso livro This Time is Different: Eight Centuries of Financial Folly (Desta vez é diferente: oito séculos de loucura financeira), a Grande Recessão é mais bem definida como "A Grande Contração", dada a contração maciça e simultânea de crédito, comércio e crescimento que o mundo experimentou.

Felizmente, apesar de uma recuperação capenga no mundo desenvolvido, mercados emergentes na Ásia, América Latina e Oriente Médio têm enorme potencial de crescimento. A maioria deve conseguir um forte crescimento, apesar do ambiente global desafiador.

Entretanto, o legado da enorme contração no crédito não vai acabar tão cedo. Sim, se você for um grande banco, poderá levantar dinheiro facilmente graças às generosas garantias governamentais explícitas ou implícitas. Mas, para os demais, particularmente empresas de pequeno e médio portes, o ambiente de crédito continua desafiador. Até empresas em setores estabelecidos, como de energia, reportam grandes dificuldades de levantar capital.

Os otimistas dizem para ninguém se preocupar. O crédito logo chegará para todos com a mesma facilidade com que está chegando aos bancos. Afinal, o crédito também secou na recessão global de 1991, mas os recursos estavam fluindo 18 meses depois.

Mas esse paralelo não reconhece o fato de que os balanços continuam bem mais danificados desta vez. Os preços das casas estão temporariamente elevados por uma enormidade de subsídios, enquanto há um tsunami nos imóveis comerciais. Muitas fraquezas de bancos estão sendo mascaradas por garantias governamentais.

Aliás, os governos do G-20 agora enfrentam a perspectiva de tentar conter o monstro que criaram. Já está claro que o contribuinte sempre estará lá para garantir que os detentores de bônus sejam pagos. Sem fiscalização, as grandes empresas financeiras conseguirão explorar os mercados de bônus nas próximas décadas com taxas pouco acima das que o governo paga, independentemente do risco de suas posições patrimoniais. Os emprestadores a bancos não se preocuparão com os tipos de jogadas e investimentos que as instituições financeiras estão fazendo, ou se a regulamentação é eficaz.

A boa notícia é que a maioria dos governos vê a necessidade de implementar uma nova regulamentação para empresas financeiras. Mas há um porém: essa regulamentação é complexa, ainda mais porque é preciso um certo grau de consistência internacional. Seria um desastre se os países se apressassem em implementar individualmente seus novos sistemas.

Por outro lado, se os reguladores derem tempo para "fazer a coisa certa", haverá uma enorme sombra de incerteza sobre o sistema financeiro. Os bancos sabem que enfrentarão requisitos de capital mais altos, o que os obrigará a diminuir a proporção dos empréstimos em relação a seus recursos. Mas quanto mais alto? Há muita discussão sobre desmembrar bancos que são grandes demais para quebrar. Mas o que realmente se passará? Com esse ambiente, não espanta que o crédito ainda esteja se contraindo nos Estados Unidos, na Europa e alhures. Se os bancos não sabem quais as regras do jogo, eles precisam ser cautelosos com um sobrecarga nos balanços.

Com isso, os reguladores do governo - e, em última instância, todos nós -, estão entre a cruz e a espada. Regular às pressas, arrepender-se com calma. Uma regulamentação rígida pode prejudicar o crescimento global por décadas. Mas, se for muito branda, a próxima crise poderá ocorrer em uma década. E, mesmo que os reguladores tomem seu tempo para tentar fazer a coisa certa, como a maioria acha que deveriam, o mundo pode ter de conviver com uma expansão fraca do crédito enquanto os bancos se refreiam, esperando um veredicto mais claro sobre o seu futuro.

Muitas vezes me perguntam por que as economias entram nesses apuros. Infelizmente, como Reinhart e eu documentamos para centenas de crises financeiras, cobrindo 66 países e 8 séculos, a resposta é simples: arrogância e ignorância. Investidores e autoridades econômicas ignoram as experiências históricas com crises financeiras. E os poucos que são informados do que aconteceu em outros tempos e outros lugares dizem: "Não se preocupem, desta vez é diferente".

* Kenneth Rogoff é professor de Economia e Políticas Públicas na Universidade Harvard, e já foi economista-chefe do FMI.

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CELSO MING - Demanda para os dólares

Há pouco mais de uma semana, os jornais vêm noticiando que o governo pretende tomar decisões que ajudem a conter a entrada maciça de moeda estrangeira e, assim, deter o mergulho do dólar no câmbio interno.

A economia brasileira enfrenta um problema cambial de sinal contrário. No passado, o drama era a falta de dólares. O País era tão dependente do que então se chamava "entrada de divisas externas" que qualquer desarranjo na economia provocava fuga de moeda estrangeira, disparada do dólar no câmbio interno e o pandemônio que a isso se seguia.

O problema de agora é de outra natureza. Não é de falta de dólares, mas de excesso. E a solução não é atrair capitais, como no passado, mas encontrar demanda para a moeda estrangeira.

Antes de prosseguir, vamos à palavra excesso utilizada anteriormente. O governo tem hoje uma posição ambivalente sobre o capital estrangeiro. Quer e ao mesmo tempo não quer. Precisa quase desesperadamente de recursos externos, mas não aceita as consequências. Precisa de capitais para o pré-sal, que vai levar mais de meio trilhão de dólares em investimentos apenas na primeira fase; para o PAC, para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada; e para a capitalização da Petrobrás, do Banco do Brasil e das empresas brasileiras que precisam ganhar densidade. Por outro lado, o mesmo governo teme pelo impacto que a forte entrada de capitais exerce sobre o câmbio nacional. Portanto, do ponto de vista das necessidades, não há excesso. Pode-se dizer que há excelente oportunidade para aproveitar o que vem chegando, pois o mundo está inundado de dólares e tão logo o dilúvio não irá se reverter, como vêm afirmando os grandes bancos centrais.

Se não há o que chegue em dólares para os projetos que estão sobre a mesa, caberia aceitar também as consequências de acolhê-los, entre as quais a tendência à forte valorização do real. Mas qual o quê... como diz a música do Chico.

As ideias disponíveis de como arrumar mais demanda para a abundância de dólares não são lá essas coisas. Pode-se, por exemplo, permitir que fundos de pensão e fundos de investimento apliquem recursos lá fora e, assim, sejam obrigados a comprar dólares para remetê-los. Mas uma das razões pelas quais os dólares vêm para cá é a de que as oportunidades à rentabilidade estão aqui. Por que, então, os fundos fariam investimentos lá fora se também estão atrás de resultados?

Outra proposta é permitir depósitos em dólares na rede bancária local. Não é uma saída prática. Exigiria que os bancos mantivessem reservas (depósito compulsório) e supervisão na moeda americana. Além disso, o que os bancos fariam com os dólares depositados aqui nos seus caixas e como casariam ativo e passivo?

Bons especialistas em câmbio há centenas no Brasil. Todos têm lá uma ideia sobre o que fazer. Mas ainda não apareceu nenhuma solução salvadora. O governo poderá tomar decisões aos montes. Concorrerão certamente para a modernização do mercado de câmbio no País, que ainda opera com leis dos anos 30.

Mas serão meia dúzia de canequinhas que tentarão retirar água da enchente. Ou seja, farão pouca diferença para o montão de dólares que, de mais a mais, o governo precisa para o pré-sal, para o PAC...

Confira

Torneirinhas - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que a entrada de dólares para subscrição de ações novas pode ficar isenta do IOF de 2%.



É o reconhecimento de que o imposto atrapalhou os planos de capitalização da Petrobrás e de outras empresas brasileiras. É a primeira torneirinha a ser reaberta. Virão outras?


O problema vai ser separar o capital que virá para comprar ações novas do que virá para comprar ações já existentes. Pode simplesmente acontecer que o investidor estrangeiro venda as ações novas na primeira semana e reaplique seu capital em ações já existentes.

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OPINIÃO - Bendita crise!

Dionísio Dias Carneiro*

Apesar dos argumentos "keynesianos", que têm dado respeitabilidade à festa da gastança de final de mandato, o Brasil não foi salvo da recessão pela política fiscal expansionista, ao contrário do que ocorreu, por exemplo, na China. Talvez não seja exagero dizer que a política fiscal expansionista é que foi salva pela recessão externa.

A forte retração do nível de atividade com que o ano começou fez com que uma política fiscal que seguia uma trilha irresponsável fosse elevada à qualificação de "anticíclica". Os gastos primários cresciam a mais de 6% ao ano em termos reais desde o primeiro mandato de Lula, sem crise. Mas a crise externa fez mais: aumentou a incerteza quanto aos mercados financeiros em geral e as aplicações sofisticadas em particular. Isso beneficiou a demanda por títulos públicos e por depósitos nas instituições financeiras públicas. Em consequência, ficou mais barato financiar o aumento dos gastos.

Sem os efeitos domésticos de uma queda da demanda externa por nossa produção interna, o expansionismo fiscal já teria deixado o Banco Central em situação ainda mais difícil do que vai ocorrer, caso as taxas de crescimento esperadas para 2010 cheguem perto do que projetam os mais eufóricos dos governistas, que anunciam um novo milagre econômico em consequência do PAC. A inflação estaria ameaçando a meta e, provavelmente, o Banco Central estaria testando os limites de tolerância política dos acólitos de Lula em final de mandato. Muitos analistas apostam que esse cenário de conflito será inevitável para 2010. Não estou convencido de que a economia mundial consiga pressionar as exportações brasileiras a ponto de forçar uma nova disputa inflacionária entre demanda interna e demanda externa pela capacidade produtiva brasileira.

Por ter abandonado as ideias macroeconômicas dos economistas de seu partido, Lula pôde colher os frutos de sua escolha e conquistou o segundo mandato com a bandeira de que não precisava ser irresponsável para fazer políticas redistributivas. O relatório de Marcelo Neri e de equipe da FGV e os resultados do trabalho do Ipea, liderado por Ricardo Paes de Barros, mostram os progressos feitos, inequívocos.

Infelizmente, o desembarque paulatino dos membros da equipe de Antonio Palocci, que se dedicaram anos a um programa de reformas que não prosperou no quadro político pós-mensalão, foi trágico. As necessidades de remover os gargalos da infraestrutura foram vitimadas pelo combate ideológico e fisiológico às agências regulatórias, e a doutrina da redistribuição com austeridade fiscal foi sendo substituída por um ataque ao espantalho do "estado mínimo". Os aumentos da folha de salários ocorreram sob a desculpa do "estado necessário", uma imagem que se tornou bem mais palatável em meio à destruição global causada pela combinação de moeda frouxa e bancos fora de controle. Na justificativa oficial para a queda do superávit primário desapareceu qualquer preocupação com a dinâmica da dívida pública. Quando prevalece a visão de que os juros elevados (causados pelos protetores de banqueiros) eram a principal causa dos perigos do excesso de endividamento as escolhas ficam mais fáceis: quando a inflação menor baixa o custo da dívida, o governo pode gastar mais.

Esse é um caminho perigoso. Na nova doutrina, o governo empurra a demanda global e os empresários embarcam nos projetos de expansão de oferta favoritos dos burocratas e que beneficiam os políticos. Se necessário, o governante puxa as orelhas de empresários para que aumentem a capacidade produtiva, uma versão tupiniquim do "nudge" - o empurrãozinho organizador que inspira a equipe de Barack Obama.

Mais uma vez o atual caminho de expansionismo fiscal pode precisar de outra crise externa para que não assuste os investidores. No quadro atual, a incerteza quanto ao futuro das taxas que serão cobradas pelos detentores da dívida pública tende a se agravar, diante da disparidade entre a doutrina do Ministério da Fazenda de que "o dinheiro pinta" e o desejo do Banco Central de não perder o controle sobre a inflação esperada para 2010. Há um limite para o discurso dúbio do presidente, que reconhece o valor político da inflação baixa, mas não consegue tolerar a restrição aos planos de gastos associados aos seus projetos políticos. O perigo é que sua sucessora presuntiva não tenha nem o discurso dúbio, mas uma certeza assustadora.

*Dionísio Dias Carneiro, economista, é diretor da Galanto Consultoria e do Iepe/CdG

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OPINIÃO - Indústria cresce sem afetar UCI

Os indicadores da Confederação Nacional da Indústria (CNI) do mês de setembro confirmam a recuperação da produção que o IBGE já havia apurado alguns dias antes, quando registrou aumento de 0,8% da produção física. A CNI, que não inclui dados sobre a produção extrativa, apresenta crescimento de 1% no faturamento real do setor (em termos dessazonalizados).

A análise da CNI permite avaliar melhor como foi alcançado um resultado que se pode considerar como altamente positivo. Todos os itens analisados (horas trabalhadas na produção, emprego) são positivos, com uma única exceção, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que apresenta uma redução de 80,2% em agosto, para 79,8% no mês seguinte.

Esse é um dado importante quando se sabe que o Banco Central considera que um crescimento excessivo da UCI pode ser um fator de elevação dos preços, quando ocorre uma alta maior do consumo doméstico.

O recuo na UCI pode decorrer de um aumento do emprego, que foi de 0,2% em setembro, e mais ainda das horas trabalhadas (+ 0,4% no mesmo mês). É que, diante de um aumento das encomendas, a empresa pode contratar mais trabalhadores, que obtém melhor produção da capacidade instalada ou, para evitar o custo do desemprego no futuro, pode aumentar as horas trabalhadas, que criam um custo imediato maior, mas menor do que o de uma demissão futura.

No mês de setembro a queda da UCI pode ter outra explicação: foi um período em que as empresas, verificando que a demanda permanecia robusta, decidiram voltar a investir gerando, assim, uma pequena ociosidade na sua capacidade de produção.

A massa salarial real apresentou aumento de 2,7% em setembro, resultado que se explica, de um lado, pelo aumento do nível do emprego e, por outro, da elevação dos salários aprovados em dissídios de categorias importantes.

Os dados da CNI indicam uma consolidação da retomada da atividade do setor industrial. Convém, todavia, observar que a produção industrial não conseguiu recuperar ainda o nível de 2008. Nos nove primeiros meses o faturamento real apresentou recuo de 5,8% em relação ao mesmo período de 2008. A queda das exportações tem sua explicação na conjuntura internacional e na taxa cambial, com grande responsabilidade nesse resultado, mas também no aumento das importações que atende parte do crescimento da demanda interna.

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FOLHA DE S. PAULO

Bovespa volta a subir e se aproxima dos 65 mil pontos

Dados dos EUA animam, e Bolsa registra alta de 1,41%

DA REPORTAGEM LOCAL

O mercado acionário voltou a ter ganhos nos EUA e na Europa. O movimento ajudou a Bovespa a se aproximar dos 65 mil pontos: ontem subiu 1,41% e terminou o pregão a 64.815 pontos. Nesse nível, a apreciação no ano foi a 72,6%.
Apenas nesta semana, a Bolsa brasileira já subiu 5,31%, mostrando que as oscilações elevadas e as perdas do fim de outubro não se tornaram a nova tônica do mercado local.
A economia dos EUA, onde dados favoráveis foram apresentados, foi a grande propulsora dos negócios ontem. O índice Dow Jones, que reúne 30 das mais importantes ações dos EUA, fechou com ganhos de 2,08%. A Bolsa eletrônica Nasdaq, referência no segmento de alta tecnologia, subiu 2,42%.
Aos investidores agradou o anúncio de recuo nos pedidos de seguro-desemprego feitos pelos norte-americanos. Outro dado bem recebido foi o da produtividade do setor não agrícola do país, que registrou alta de 9,5% no terceiro trimestre.
Na Europa houve dados mais fracos, como o recuo de 0,7% no volume de vendas do varejo na zona do euro em setembro.
A Bolsa de Londres encerrou as operações com alta de 0,35%. Em Frankfurt, os ganhos ficaram em 0,67%.
Apesar do enfraquecimento das commodities, as ações brasileiras de empresas como Petrobras e Vale terminaram o pregão com valorização.
A maior alta do dia ficou nas mãos da Vivo, que terminou com ganhos de 5,19%. A empresa anunciou ontem lucro trimestral de R$ 340 milhões -um crescimento de 154%.
Na sequência apareceu a ação preferencial da Brasil Telecom, que avançou 4,04%.
A Gerdau foi outra companhia que apresentou balanço bem recebido pelo mercado, e seu papel PN ganhou 2,03%.
Pela manhã o Ibovespa chegou a operar no vermelho, atingindo na mínima 63.699 pontos, mas reagiu com a melhora de suas ações mais negociadas: Petrobras PN teve alta de 1,96%, e Vale PNA, de 0,76%.
Localmente, houve ainda os dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que mostraram recuperação da atividade em setembro.
No mercado de câmbio, o dólar registrou depreciação de 0,35% e terminou cotado a R$ 1,722. A moeda norte-americana já recuou 1,99% nesta semana e passou a acumular depreciação de 26,2% em 2009.
Ontem, comentou-se muito no mercado a possibilidade de o governo anunciar em breve novas medidas para tentar conter a apreciação do real. Mesmo assim, o dólar recuou.
Hoje a agenda norte-americana traz a apresentação do resultado de sua pesquisa mensal de emprego. A expectativa dos analistas é a de que a taxa de desemprego no país ainda tenha subido em outubro.
"A taxa de desemprego nos EUA deve atingir 9,9%, o maior nível desde 1983, e o mercado espera que ultrapasse os 10% no início do próximo ano. A destruição de postos de trabalho, que ocorrerá pelo 22º mês consecutivo, deve atingir quase 7,5 milhões desde o início da recessão nos EUA, no final de 2007", afirma Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia.
Em setembro, a taxa de desemprego alcançou os 9,8% na maior economia do mundo. Se o resultado vier acima dos 9,9% esperados, o mercado deve ter uma reação negativa.
"O relatório de emprego deve continuar mostrando fraqueza nas condições do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que continuará pesando como um fator limitador para a retomada do crescimento econômico naquele país", concluiu o economista.

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Lula tenta novo acordo para aposentados

Governo deve reapresentar proposta que dá reajuste acima da

inflação, mas menor do que previsto em projeto no Congresso

Segundo auxiliar de Lula, ideal seria não votar nunca o projeto, mas

apoio do PSDB à proposta de Paulo Paim (PT-RS) assusta governo

VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
De volta de Londres, o presidente Lula reúne hoje sua equipe para buscar um acordo sobre o reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo. Ele deseja ressuscitar a ideia de dar aumento real a esses benefícios de metade da variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes.
Segundo a Folha apurou, Lula quer condicionar essa negociação, porém, à aprovação de todas as centrais sindicais e entidades ligadas aos aposentados. O acordo anterior não prosperou porque nem todas as centrais aceitaram a proposta elaborada pelo governo.
Segundo um auxiliar de Lula, o "ideal seria não votar nunca" o projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). O presidente, contudo, deseja tentar um acordo com os aposentados para evitar desgaste político na véspera da eleição presidencial.
Caso isso não seja possível, a decisão do governo será mesmo trabalhar para impedir a votação do projeto em tramitação na Câmara, que concede às aposentadorias acima do mínimo o mesmo reajuste do piso salarial da Previdência.
O pior cenário, na avaliação governista, é que as pressões dos aposentados levem a Câmara a aprovar o projeto sem alterações. Nesse caso, Lula irá vetá-lo por conta do seu impacto negativo nas contas públicas. Pelos cálculos do governo, ele representaria um gasto extra aos cofres públicos em 2010 acima de R$ 6 bilhões.
Anteontem, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), chegou a colocar o projeto na pauta de votação. Acabou retirando depois de uma operação comandada pelos líderes governistas.
Temer decidiu votar o projeto depois de pressão dos aposentados, que ameaçavam acampar nos salões da Câmara. Há três meses, eles já haviam feito o mesmo. Recuaram depois de ouvir a promessa do governo de que seria fechado acordo com todas as centrais.
Antes de incluir o projeto na pauta de votação desta semana, o presidente da Câmara avisou o governo de sua decisão diante do fracasso em estabelecer um acordo com os aposentados.

6% em 2010
Em agosto, o governo havia feito a proposta de dar às aposentadorias acima do mínimo um reajuste próximo de 6% em 2010 -2,55% referentes à metade da variação do PIB de dois anos antes mais a inflação. Isso levaria a aumento de despesas da Previdência de cerca de R$ 3 bilhões.
A regra é similar à já aplicada ao salário mínimo. A diferença é que, no caso do piso salarial, a variação do PIB de dois anos antes é aplicada integralmente. Ou seja, além da inflação, o salário mínimo, inclusive o pago pela Previdência, tem aumento de 100% do PIB.
O acerto feito anteriormente havia obtido o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Força Sindical, mas não foi aceito pela Nova Central Sindical, pela CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e pela Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas).
O governo contava com o apoio do PSDB para barrar o projeto elaborado pelo petista Paulo Paim, já aprovado no Senado. Os tucanos chegaram a dizer que ficariam do lado do governo, mas depois recuaram e ameaçaram votar, juntamente com os democratas, a favor da proposta.
Na avaliação de auxiliares do presidente, sem um acordo com os aposentados, até os deputados da base aliada votarão a favor do projeto diante do receio do prejuízo eleitoral.

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Reajuste a aposentado pode custar R$ 3 bi

Previsão de gasto extra para 2010, caso a proposta de

Lula vingue, é vista como "absorvível" pela equipe econômica

Ganho real acima da inflação ficaria em 2,5%, enquanto previsão

para reajuste em 2011 ficaria em cerca de 0,5%, segundo projeções

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O impacto fiscal do acordo que o presideznte Lula negociará com os aposentados é considerado "absorvível", segundo avaliação do governo. Sem levar em conta o resultado dessa negociação, o deficit esperado para a Previdência no ano que vem é de R$ 39 bilhões.
Nas contas do Ministério da Previdência, o aumento real para os benefícios acima do salário mínimo -pela regra de 50% da variação do PIB de dois anos antes- deverá gerar um custo adicional de R$ 3 bilhões no Orçamento de 2010, cerca de um terço dos gastos com o Bolsa Família neste ano.
O aumento (incluindo a inflação) em 2010 ficaria próximo de 6% e beneficiará 8,2 milhões de aposentados e pensionistas. Para 2011, no entanto, a mesma regra deverá garantir reajuste real próximo de zero, já que o PIB a ser aplicado será o deste ano, e as projeções flutuam em torno de 1%. Como os aposentados levariam só a metade da variação do PIB, o aumento acima da inflação no primeiro ano do próximo governo seria equivalente a 0,5%.
De todos os pontos do acordo, o aumento real para os benefícios de quem tem aposentadoria acima de um salário mínimo é classificado como o de maior potencial na elevação dos gastos públicos.
Já a proposta de criar o chamado fator 85/95, nos seus primeiros cincos anos de vigência, trará ganhos para o governo. Aumentará a arrecadação previdenciária e reduzirá as despesas com benefícios.
O novo fator é defendido pelo governo como alternativa ao atual fator previdenciário. A nova fórmula permitirá que o trabalhador se aposente quando a soma de sua idade e tempo de contribuição for igual a 85 anos, para mulheres, e 95 anos, para homens.
Na prática, o fator 85/95 jogará para a frente gastos que o governo teria agora. Mas terá um efeito colateral: ao adiar as aposentadorias, a Previdência também estará assegurando aos trabalhadores benefícios de valor mais elevado no futuro. Assim, a economia obtida nos primeiros anos do novo fator será transformada em aumento de gastos a partir de 2016.
A previsão é que essa elevação das despesas atinja quase um ponto percentual do PIB em 2050. Para os técnicos, os ganhos imediatos e as perdas de longo prazo se equilibram.

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Estados recebem, em 2010, R$ 3,9 bi das perdas da Lei Kandir

Esse valor está garantido no Orçamento; se houver

receita disponível, União repassará mais R$ 1,3 bi

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os Estados conseguiram garantir um reembolso de R$ 3,9 bilhões pelo imposto que deixarão de recolher com a isenção às exportações no ano que vem. A compensação pelas perdas da chamada Lei Kandir não estava prevista no Orçamento enviado ao Congresso, mas será incluída no relatório final depois de acordo feito com a equipe econômica.
"O problema está resolvido do ponto de vista político e técnico. Com a reestimativa de receitas, abrimos espaço para o pagamento", disse o relator do Orçamento, deputado Geraldo Magela (PT-DF).
A disputa entre os Estados e a União pelo ressarcimento das perdas com a isenção do ICMS nas vendas ao exterior é recorrente. O governo entende que, desde 2002, não tem mais a obrigação de fazer o pagamento, que seria condicionado à disponibilidade de receitas.
Já os governadores insistem que o valor devido é de R$ 5,2 bilhões. Neste ano, São Paulo e Minas Gerais, grandes Estados exportadores, ameaçaram proibir o uso de créditos acumulados pelas empresas nas vendas externas.
A negociação com a União garante o pagamento de R$ 3,9 bilhões e condiciona o restante do repasse ao comportamento da arrecadação federal. Se houver recursos, o governo federal deverá transferir mais R$ 1,3 bilhão aos Estados em 2010.
Essa foi a segunda vez que o governo federal deixou de incluir o pagamento da Lei Kandir no projeto do Orçamento enviado ao Congresso. A primeira vez foi em 2005, e, depois de negociações com os governadores, a União também concordou com o pagamento.
O acordo feito neste ano foi chancelado pelos secretários-executivos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento. De acordo com Magela, a aprovação do Orçamento corria o risco de "emperrar" caso não houvesse uma solução para o problema da Lei Kandir.
Aprovada em 1996, a lei isenta as exportações do pagamento de ICMS. Mas, para evitar que os Estados perdessem receitas, a União concordou em ressarcir as perdas até 2002.

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CAPITAL DE GIRO - Pequenas empresas terão mais R$ 200 mi em crédito

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As micro, pequenas e médias empresas terão mais R$ 200 milhões em crédito para capital de giro da Caixa, com cobertura do FGO (Fundo Garantidor de Operações). Administrado pelo Banco do Brasil, o fundo possibilita realizar empréstimos com juros 30% menores para empresas com faturamento anual de até R$ 15 milhões.
O FGO é um dos dois fundos criados neste ano pelo governo para ajudar as empresas de menor porte, que ainda sofrem com a falta de crédito. Apesar de administrados por bancos estatais (BB e BNDES), é permitida a participação de outras instituições. Mas, até o momento, ninguém havia aderido.
Com patrimônio de R$ 595 milhões, o fundo já conta com dinheiro suficiente para garantir empréstimos no valor de mais de R$ 7 bilhões.

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Lula anuncia o século 21 como o "século do Brasil"

Em Londres, presidente faz discurso ufanista para empresários, a maioria brasileira

Lula lista feitos do governo e reclama dos juros; Mantega diz que o

Brasil seria mais competitivo que China com um câmbio mais favorável

CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A LONDRES
Poderia ter sido apenas mais um momento "caixeiro-viajante", como o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva se definiu, para se referir a seu papel de "sair pelo mundo afora, abrindo novos mercados".
Mas o seminário Investindo no Brasil, promovido pelos jornais "Financial Times" e "Valor Econômico", em Londres, acabou por se transformar em um festival de ufanismo que só poderia terminar com Lula proclamando o século 21 como "o século do Brasil".
Começou com o ministro Guido Mantega anunciando previsões de que o Brasil saltará do nono lugar que ocupa hoje na economia mundial para o sétimo em 2011, o sexto em 2018 e o quinto em 2026.
O ministro entusiasmou-se tanto com a catarata de números positivos que despejou sobre o público -basicamente formado por empresários, mais brasileiros que britânicos ou europeus- que ousou comparar o Brasil com a China, há anos a grande vedete da economia mundial.
Mantega citou os desequilíbrios cambiais contra o real que já havia transmitido na véspera à Folha, para concluir: "Se não houvesse a sobrevalorização do real, a economia brasileira seria mais competitiva que a chinesa".
Houve espaço até para um momento poesia na voz de Roger Agnelli, o presidente da Vale, que contou ter perguntado a sua mulher, Andreia, por que alguém deveria investir no Brasil. "Porque o Brasil é lindo", respondeu ela. Lindo e "gostoso", completou ele: "O ambiente no Brasil hoje é gostoso".
A microeconomia também ganhou espaço, claro que elogiosamente, na boca de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, que citou recente caso de venda de 364 casas populares em apenas sete horas, para acrescentar: "Uma senhora disse, ao receber a chave, toda feliz, que agora poderia pedir uma pizza por telefone porque tinha residência".
Trabuco festejou o fato de que, ao terminar o dia, 6.000 novas contas bancárias teriam sido abertas no sistema financeiro brasileiro.
Até quem tinha queixas sobre a regulamentação para o pré-sal, caso de sir Robert Wilson, presidente do Grupo BG, acabou admitindo: "Querem saber? O governo fez bem em fazer como fez; é bom para o Brasil".
Emílio Botín, o patriarca do banco Santander, não deixou por menos: "Não tenho a menor dúvida de que São Paulo será um centro financeiro de referência mundial como Londres, Frankfurt e Nova York".
Nesse ambiente de euforia verde-amarelo, Lula, que é um permanente ufanista, não poderia deixar de produzir frases ribombantes, como a de que está havendo "uma revolução silenciosa no Brasil", caracterizada pela "recuperação da autoestima".
Revolução, no caso, não é figura de linguagem porque Lula atribuiu o fato de o Vietnã ter derrotado os franceses e os norte-americanos exatamente à autoestima de sua população.
O presidente leu todo um catálogo de realizações de seu governo, do Bolsa Família ao Luz para Todos, do crédito consignado à criação de 1 milhão de empregos formais neste ano, "enquanto milhões de postos de trabalho foram e estão sendo sacrificados nos países ricos", das reservas de US$ 230 bilhões até o anúncio de um PAC 2, "para que o próximo governante, quando assumir, já tenha um plano traçado e uma prateleira de projetos organizada".
Mas os momentos mais fortes de sua fala ficaram para os constantes improvisos em que abandonava o texto reproduzido em um miniteleprompter à sua frente. Neles, o presidente chegou a censurar George Walker Bush por ter deixado quebrar o banco Lehman Brothers, com todo o cortejo de consequências conhecido.
Lula aproveitou para rebater a frequente crítica de que os programas sociais do governo são populistas ou assistencialistas e que, no lugar deles, deveriam ser construídas pontes, viadutos ou estradas: "Eu também gostaria de construir tudo isso, mas uma ponte pode esperar um mês ou dois. Quem está com fome não pode esperar nem pode ter paciência. É a forma mais cruel de tortura".
Emendou dizendo que só lamenta não poder dobrar ou triplicar o valor do Bolsa Família, "até que os assistidos não precisem mais do Estado".
Uma única autocrítica (ou, mais exatamente, um muxoxo dirigido ao presidente do Banco Central, Henrique Meirel -les, também presente): "Confesso que gostaria que os juros fossem um pouco mais baixos".

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ANÁLISE - Lula reescreve o passado ao prever o futuro

GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Êxitos e fracassos nacionais costumam ser explicados depois dos fatos consumados, dado que as ciências política e econômica são mais hábeis em interpretar o passado do que em prever o futuro.
México, tigres asiáticos, Argentina e Irlanda viveram períodos de rápido progresso e foram tidos como exemplos para os demais até serem devastados por crises em, respectivamente, 1995, 1997, 2001 e 2009. Depois, com os defeitos de todos devidamente listados, o passado se tornou previsível.
Apenas três anos atrás, analisava-se por que o Brasil era incapaz de expandir sua renda, mesmo em um cenário internacional tão favorável. Os dados de então mostravam que, no primeiro mandato de Lula, o crescimento do PIB havia sido o menor entre as 25 principais economias emergentes.
Havia um diagnóstico dominante: sofriam-se as consequências de um Estado hipertrofiado, que drenava a escassa poupança privada e impunha carga tributária prejudicial às exportações e aos investimentos; os gastos sociais eram mal direcionados por privilegiar em excesso as aposentadorias; o ambiente institucional era desfavorável aos negócios.
Não era discurso de uma suposta oposição neoliberal -as teses foram encampadas pelo governo petista, que apresentou projetos de reformas previdenciária, tributária, das agências reguladoras, para limitar os reajustes do mínimo e conter gastos com pessoal.
No segundo mandato de Lula, os números do PIB passaram por uma revisão retroativa, e o passado não pareceu mais tão ruim; vieram dois anos de bom crescimento, 2007 e 2008, um 2009 menos ruim que o da maioria e expectativas de um próspero 2010. O Brasil agora está na moda, e há um sucesso a ser explicado.
Certamente a explicação não será a superação dos defeitos de antes. De lá para cá, a carga tributária cresceu, o gasto com previdência e pessoal cresceu ainda mais e a dívida do governo está em alta neste ano; as reformas pararam, o PAC não cumpriu suas metas e o país ocupa o 56º lugar no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.
Mais simples é permitir uma leitura mais otimista dos feitos do período, o que não vale só para a retórica política local. O Banco Mundial, por exemplo, que em 2007 classificou de "medíocre" e "desapontador" o desempenho brasileiro contra a pobreza, neste ano publicou estudo em que cita o país, ao lado de China e Índia, como paradigma global nessa luta.
Lula tira partido desses humores volúveis e tanto prevê um futuro brilhante quanto formula o passado mais conveniente para explicá-lo, de Estado forte, Luz para Todos, Bolsa Família. E terá razão enquanto não for necessário recordar os antigos motivos de fracasso.

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PRA FRENTE, BRASIL

Do ministro Guido Mantega, após exibir dados sobre o crescimento do crédito no Brasil, atribuindo a maior fatia aos bancos públicos: "Tínhamos bancos públicos antes da crise, ao contrário do RBS e do Citi". O banco britânico Royal Bank of Scotland e o norte-americano Citigroup tiveram que receber uma montanha de dinheiro público para não quebrar.

Ainda Mantega sobre o valor da Bolsa de Valores, que passou de US$ 136 bilhões em 2002 para US$ 1,359 trilhão em 2008: "Houve uma exuberância nesse período, mas não foi uma exuberância irracional". É uma alusão à famosa frase de Alan Greenspan, então presidente do BC norte-americano, qualificando como irracional a exuberância nos mercados.

Cutucada de Mantega em dois parceiros do Bric: "O Brasil é livre para investimentos internacionais; não tem controle de capitais, como a Índia e a China".

Do presidente da Vale, Roger Agnelli: "O Brasil está com uma energia e uma vontade de crescer extremadas".

Do presidente do Santander, Emílio Botín: "O Brasil tem um dos melhores sistemas de regulação e supervisão financeiras do mundo".

Do jornalista do "Financial Times" Quentin Peel ao apresentar o presidente Lula: "Lula incorpora o sonho brasileiro".

De Lula ao comentar a explosão do crédito consignado: "Esse dinheiro não vai para comprar dólares ou para investir em derivativos".

Ao contar como Rodrigo de Rato, então diretor-gerente do FMI, relutava em aceitar que o Brasil pagasse sua dívida com o Fundo: "Ele dizia "pero isso, pero aquilo". E eu respondia: nada de pero, pero, pero" (Rato é espanhol).

Sobre as reservas brasileiras: "Lembro que, em 2005, estávamos na Índia quando eles anunciaram que haviam alcançado reservas de US$ 100 bilhões. E eu disse ao Palocci [Antônio Palocci, então ministro da Fazenda] que ter reservas de US$ 100 bilhões seria o máximo. Hoje, temos reservas de US$ 230 bilhões".

Ao comentar a negociação com Hu Jintao, presidente da China, para um empréstimo de US$ 10 bilhões, no auge da crise financeira global: "Posso garantir que os chineses são duros na queda. Não sei quem é mais duro, se os chineses ou os ingleses".

Sobre o ajuste fiscal feito no início do governo, "o mais duro de nossa economia": "Se eu fosse economista, não teria feito desse jeito. Só fiz porque era sindicalista".

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Erro nas contas de luz terá de ser cobrado na Justiça

Aneel diz que devolução do dinheiro terá de ser ação "voluntária" das distribuidoras

Agência admite distorção na tarifa de conta de energia, mas diz que

não pode exigir que distribuidoras devolvam os valores cobrados a mais

AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL
Os consumidores brasileiros terão mesmo de recorrer à Justiça para exigir das 63 distribuidoras do país o ressarcimento dos valores pagos a mais na conta de luz em decorrência de um erro na metodologia de apuração do reajuste tarifário. É essa a conclusão das reuniões entre os ministérios de Minas e Energia e da Fazenda e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), ontem, em Brasília.
As entidades de defesa do consumidor irão insistir em um acordo que evite a enxurrada de ações judiciais com pedido de devolução dos valores, que podem passar de R$ 10 bilhões.
Luiz Antonio Marrey, secretário de Justiça de São Paulo, disse ontem que será uma "ilusão" a solução desse caso sem um acordo que contemple a devolução do dinheiro.
Maria Inês Dolci, coordenadora da Pro Teste, disse que ainda aguarda ato da Aneel sobre como ocorrerá a devolução do dinheiro, sem o qual caberá inclusive ação de improbidade administrativa.
Ontem, em reunião extraordinária, a agência reguladora aprovou a convocação de audiência pública até dia 27 para recolher sugestões a fim de pactuar, em consenso com as distribuidoras, uma mudança do contrato de concessão. O objetivo é eliminar a falha a partir de agora.
Sobre o passado, a Aneel anunciou que só fará apenas o levantamento dos valores pagos de forma indevida pelos consumidores. A agência alega que não tem condições de exigir de forma unilateral a devolução do dinheiro, embora reconheça a existência do passivo para com os consumidores.
O diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse que vai esperar a voluntariedade das distribuidoras que quiserem devolver os valores. Hubner disse que "devolver o dinheiro é impossível. O que pode acontecer é, voluntariamente, as distribuidoras aceitarem fazer esse ressarcimento por meio da tarifa. A Aneel não pode obrigá-las a ressarcir porque não houve erro no cálculo. Foi usada a fórmula vigente em contrato".
Na hipótese de as concessionárias "voluntariamente" aceitarem devolver o que receberam a mais, a agência diz que fará o cálculo para compensar os valores nas tarifas futuras. Mais que isso a Aneel não fará.
A Folha apurou que a Aneel considera a repercussão do caso um elemento que pode mudar a posição das distribuidoras. A própria mudança do contrato agora em discussão pública é um exemplo.

Palavra final
O fim da distorção que gera perdas aos consumidores de energia e o ressarcimento dos prejuízos que já aconteceram dependem agora exclusivamente da concordância das distribuidoras de energia elétrica.
Procurada, a Abradee (Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica) não quis comentar o assunto.
Na CPI das Tarifas, distribuidoras como Cemig, AES Eletropaulo e Ampla admitem discutir mudanças no contrato e ressarcimento aos consumidores.
A Aneel e o Ministério de Minas e Energia sustentaram ontem que não houve erro nos reajustes. "Tudo o que foi feito até agora foi de acordo com o contrato de concessão. Não houve erro", disse Hubner.
"Não estou convencido de que tenha havido erro. Pode ter havido má aplicação da fórmula mal concebida. Erro propriamente dito eu não estou convencido", disse o ministro Edison Lobão (Minas e Energia).


Colaborou a Sucursal de Brasília

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Fiesp pede que empresas sejam ressarcidas

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) cobrou que empresas e consumidores sejam ressarcidos pelos valores pagos a mais pela energia.
A entidade afirma que a cobrança indevida agrava o impacto do custo da energia elétrica na competitividade da indústria brasileira.
"Portanto, é premente e inquestionável o ressarcimento imediato do dinheiro pago a mais por pessoas físicas e jurídicas", disse a Fiesp, por meio de nota.
De acordo com a entidade, as tarifas de energia no Brasil estão entre as mais caras do mundo, enquanto os encargos que incidem sobre a conta de luz são os mais altos.
Para efeito de comparação, a Fiesp diz que os bilhões de reais pagos a mais pela energia desde 2002 equivalem aos investimentos realizados na construção da usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira.
"Providências urgentes devem ser adotadas para corrigir, em definitivo, o problema e, sobretudo, para ressarcir os consumidores dos valores pagos a mais nas contas de luz", afirma a Fiesp.

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ENERGIA - Peru anuncia reserva de gás em lote da Petrobras

DA REUTERS
DA SUCURSAL DO RIO

O presidente do Peru, Alan García, anunciou uma "grande descoberta" de gás, em um lote da Petrobras na selva peruana.
"Podemos afirmar que no lote 58 foi encontrada uma grande quantidade de gás, isso é o que vamos comprovar amanhã [hoje] e possivelmente no sábado", afirmou a jornalistas.
A Petrobras participa de seis lotes de hidrocarbonetos no Peru. Procurada, a estatal não confirmou a informação de García.
Segundo especialistas e empresas do setor, o Peru abriga reserva de gás natural de 8,79 trilhões a 14,1 trilhões de pés cúbicos.

Acordo
Na quarta-feira, a Petrobras fechou acordo para comprar a operação de lubrificantes da Chevron no Chile por US$ 12 milhões. O negócio deve ser concluído em um mês.
Entre os ativos estão uma fábrica de lubrificantes em Santiago e 23 tanques de armazenamento. Por dois anos, a Petrobras poderá usar a marca Texaco, até concluir a transição para a marca Lubrax.
Com o acordo, a Petrobras pretende atingir a fatia de 6% no mercado de lubrificantes. A empresa chegou ao país em 2005.

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Foco - Acorrentada, funcionária da Petrobras diz ter sido vítima de assédio moral

SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
Uma funcionária que trabalha nas operações da Petrobras na Bahia acorrentou-se em frente à sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro, para pedir providências contra casos de abuso moral e de suposta manutenção de profissionais doentes em serviço.
Contratada pela Petrobras há 22 anos, Edilene de Oliveira, 42, chegou à empresa no início da manhã. Estava com os pés acorrentados e exibia um cartaz em que se lia "a gerência da Petrobras mata! Queremos viver".
A funcionária diz que, por ter trabalhado em sondas de perfuração de petróleo, sofre de doenças dermatológicas e musculares devido a substâncias às quais era exposta. Ficou por quatro anos afastada do serviço e, em setembro, o INSS determinou que ela voltasse às atividades.
Ela diz ter laudos médicos atestando a falta de condição de retorno, mas que a empresa estaria se recusando a dar continuidade ao processo para novo afastamento.
No início da noite, ela dizia que só deixaria a empresa quando a gerência de recursos humanos se comprometesse a negociar melhorias nos problemas indicados.
A Petrobras afirmou que o objetivo da empregada é obter maior tempo de afastamento médico -e não reclamar de assédio moral na empresa.
A companhia informou que a funcionária apresentou, há 12 anos, sintoma de doença alérgica "de caráter hereditário" e que a afastou da área operacional para o escritório com o objetivo de evitar que o ambiente industrial agravasse sua saúde.

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MINERAÇÃO - GERDAU SE RECUPERA E LUCRA R$ 655 MILHÕES NO 3º TRI


A Gerdau registrou lucro de R$ 655 milhões no terceiro trimestre do ano, revertendo a tendência de prejuízo acentuada no primeiro semestre devido à crise internacional. Prevendo aumento gradual da demanda por aço, com a melhora da economia, o presidente da empresa, André Gerdau Johannpeter, anunciou elevar em 50% a previsão de investimentos entre 2010 e 2014 (para R$ 9,5 bilhões, 80% no Brasil). Com esse resultado, a Gerdau acumula lucro de R$ 361 milhões em 2009 -no mesmo período de 2008, havia lucrado R$ 4,6 bilhões.

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TELEFONIA - VIVO GANHA R$ 340 MI NO TRIMESTRE, ALTA DE 154%


A operadora de telefonia celular Vivo registrou lucro líquido de R$ 340 milhões no terceiro trimestre, alta de 154% em relação ao lucro de um ano antes. A receita líquida de serviços da empresa totalizou R$ 3,8 bilhões de julho a setembro, ante R$ 3,6 bilhões no mesmo período de 2008. A empresa encerrou setembro com quase 49 milhões de clientes, expansão de 15,5% em 12 meses. A receita média por assinante no terceiro trimestre foi de R$ 26,40, queda de 10,2% ante o mesmo intervalo de 2008 e alta de 0,4% sobre o trimestre anterior.

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IBGE corrige erro sobre concentração de terra

Distribuição de propriedades não ficou mais desigual, diferentemente

do que órgão divulgara; Folha publicou informação em outubro

Indicador ficou estável no período de 10 anos encerrado em 2006;

instituto diz que houve falha em sistema de processamento de cálculo

DA SUCURSAL DO RIO

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) errou no cálculo do índice de Gini da terra, o que levou à interpretação equivocada de que a concentração de propriedades rurais crescera no país num período de dez anos, findo em 2006.
Na realidade, o indicador, o mais importante do Censo Agropecuário do instituto, manteve-se praticamente estável, com ligeira redução de apenas 0,002 ponto percentual.
Quanto mais próximo de 1, o índice de Gini indica uma distribuição mais desigual. Quanto mais perto de zero, menor é o nível de concentração.
Há pouco mais de um mês, o IBGE havia divulgado que o índice ficara em 0,872 em 2006, acima do 0,856 do censo realizado nos anos de 1995 e 1996. O dado foi corrigido ontem para 0,854 -ou seja, pouco abaixo do de 2006. A informação incorreta do IBGE foi publicada na Folha em 1º de outubro.
O IBGE alega que houve falha em seus sistemas de processamento do cálculo do Gini, feito a partir dos dados básicos da pesquisa de cada uma das propriedades investigadas.
O erro só foi descoberto após o professor de economia da Unicamp Rodolpho Hoffmann entrar em contato com o instituto e alertar para o equívoco no Gini do país -nos demais dados, o especialista não apontou correções a serem feitas. A reportagem procurou Hoffmann, mas ele não foi localizado até a conclusão desta edição.
O gerente do Censo Agropecuário, Antonio Carlos Florido, diz que o erro não é grave. Isso porque não houve problema na coleta dos dados, mas sim nos sistemas de processamento. "O que deve ter ocorrido é que o sistema não "leu" um pedaço dos dados", diz.
O técnico não crê que tal erro comprometa a credibilidade do órgão oficial de estatística do país. "Não afeta porque não houve erro nos microdados, nos dados primários."
O índice de Gini é, porém, o indicador-síntese do Censo Agropecuário e, pelo resultado divulgado incorretamente pelo IBGE, retratou uma realidade distante da verdadeira.
O IBGE informa que não há prejuízo em outros dados do Censo nem mesmo do índice de Gini dos Estados, que não são usados diretamente para calcular o Gini do país.
Para a diretora de Pesquisas do IBGE, Wasmália Bivar, o erro atingiria a credibilidade do órgão se tivesse sido omitido.
"O erro aconteceu até pelo tamanho do censo. O IBGE tem compromisso com as informações que divulga. Essa é a principal questão. Descoberto o erro, tem de dar transparência. Não podemos esconder."
Ela afirma que todas as tabelas foram "conferidas muitas vezes", mas que o erro passou. Ganhou importância, avalia, justamente por se tratar do indicador-síntese da pesquisa e de o dado corrigido mostrar a tendência inversa -de menor concentração, e não de maior.
Bivar minimiza a importância do Gini e diz que ele não pode ser analisado isoladamente. Para avaliar as condições de vida e a concentração de terra, é preciso, diz, levar em conta produtividade, renda, emprego e escolaridade do produtor.
"O índice de Gini não qualifica a concentração. Apenas indica se ela aumentou ou não. Às vezes o arrendamento de propriedades [que não é captado] pode resultar em maior distribuição de renda [para os donos da terra]. Porém ele representa o aumento da concentração. Se ela é boa ou ruim, depende do ponto de vista", afirmou Florido, à época da divulgação do Censo Agropecuário.

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INDÚSTRIA - Receita da indústria cresce, mas uso da capacidade cai

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Apesar do crescimento do faturamento e da criação de emprego na indústria em setembro, após dois meses de recuperação o nível de uso da capacidade instalada nas fábricas voltou a cair: de 81,4% em agosto para 81,1%, segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Flávio Castelo Branco, da CNI, diz que a queda na taxa de uso do potencial não é um recuo na atividade, mas acomodação da produção, comum nos últimos meses do ano. Ainda assim, ressaltou, pode haver altas na sequência, devido à conclusão do ajuste de estoques.
A massa salarial caiu 3,9%, ante o mesmo período de 2008. Foi o maior recuo da série, iniciada em 2006.

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VAREJO - Linha branca puxa atividade em outubro

DA FOLHA ONLINE

A atividade do comércio registrou aumento de 7,1% em outubro ante o mesmo mês do ano passado. Já no confronto com setembro, a expansão foi de 1,3%, de acordo com a Serasa Experian. Os dados apontam a proximidade do fim do IPI reduzido para os produtos da linha branca.

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COMÉRCIO EXTERIOR - EUA e europeus vão à OMC contra China

DO "FINANCIAL TIMES"

Os EUA, a União Europeia e o México solicitaram que um painel de resolução de disputas da OMC (Organização Mundial do Comércio) investigue as restrições chinesas à exportação de matérias-primas de uso industrial, no mais recente contra-ataque enérgico às políticas comerciais de Pequim.
O apelo à OMC alega que as restrições chinesas à exportação de bauxita, magnésio e outras matérias-primas usadas para produzir aço, alumínio e alguns compostos químicos estão elevando o preço desses produtos finais.
A Austrália também se envolveu em uma disputa comercial com a China, a maior parceira comercial do país, depois de impor uma tarifa provisória de 16% às exportações de produtos de alumínio extrudado do país asiático, alegando dumping.
As novas queixas surgiram antes da primeira visita de Barack Obama à China, neste mês, quando ele deve discutir questões comerciais e pressionar os chineses por uma valorização de sua moeda.
O governo dos EUA já impôs tarifa de 35% sobre as importações de pneus chineses, o que levou Pequim a anunciar inquérito sobre as exportações americanas de carne de aves, carros e autopeças.


Tradução de PAULO MIGLIACCI

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LEVANTAMENTO - FORTUNA DOS CHINESES MAIS RICOS CRESCE 81%


O patrimônio dos 400 chineses mais ricos cresceu 81% em 12 meses, diz a "Forbes", somando US$ 314 bilhões. São agora 79 bilionários (o mais rico, Wang Chuanfu, da montadora BYD, tem US$ 5,8 bilhões), ante 24 em 2008.

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Caixa volta a ser 4º maior em ativos

Lucro recua 38% no ano, mas mostra melhora no 3º tri;

na contramão do setor privado, crédito aumenta 62%

Balanço da instituição, que seria divulgado hoje, foi publicado

na internet ontem à noite "por engano", diz assessoria do banco

EDUARDO CUCOLO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O aumento na provisão contra inadimplência foi o principal fator que reduziu em 38% o lucro da Caixa Econômica Federal nos nove primeiros meses de 2009 na comparação com o mesmo período de 2008.
Em compensação, os ativos cresceram 24%, para R$ 341,9 bilhões, o que recoloca o banco como o quarto maior do país nesse critério, desbancando o Santander. Os primeiros são Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, nessa ordem.
O lucro líquido da Caixa recuou de R$ 3,27 bilhões nos três primeiros trimestres de 2008 para R$ 2,03 bilhões no mesmo período deste ano. O resultado dos três maiores bancos privados -Itaú Unibanco, Bradesco e Santander-, que reduziram a concessão de crédito nesse período por causa da crise global, caiu cerca de 8%, em média, na comparação.
Na contramão do setor privado, a carteira de crédito da Caixa cresceu 62% e chegou a R$ 112 bilhões no final de setembro, dentro da política do governo de utilizar as instituições financeiras públicas para garantir a oferta de recursos no país. Com isso, a participação da instituição no sistema financeiro cresceu de 6% para 8,3%.
Com o aumento nos empréstimos, a Caixa teve de elevar em quase 77% a provisão contra risco de inadimplência, que chegou a R$ 2,5 bilhões, derrubando o lucro no período. Por outro lado, o aumento de 34% nas receitas com empréstimos e de 16% no ganho com tarifas ajudou a reduzir esse impacto. Juntos, esses ganhos somaram mais de R$ 15 bilhões.
O balanço da instituição, que seria divulgado hoje, foi publicado na internet ontem à noite "por engano", segundo a assessoria de imprensa do banco.
Apesar do aumento na provisão, o índice de inadimplência geral recuou de 4,2% para 3,6%. De acordo com a Caixa, tanto em relação aos consumidores como às empresas, os índices estão abaixo da média do mercado bancário. Segundo a Caixa, isso se dá porque a alta do crédito foi acompanhada de uma melhora na qualidade dos devedores. As operações de menor risco passaram de 68,5% para 74,7% da carteira.
O crédito para pessoa física cresceu 40%, puxado pelo consignado e pelos financiamentos imobiliários. Já o dinheiro direcionado para empresas mais que dobrou, avanço de 112%.
Somente no terceiro trimestre, o lucro foi de R$ 870 milhões, ante R$ 722,5 milhões registrados no mesmo trimestre de 2008 -alta de 20%. As contratações em habitação nesses três meses quase dobraram, para R$ 13,2 bilhões.


LEIA MAIS nas colunas Mônica Bergamo e Mercado Aberto

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Política Monetária - BC europeu mantém juros e sinaliza fim de ajuda a bancos

DA REDAÇÃO

O BCE (o banco central dos 16 países da zona do euro) deu ontem o primeiro passa para a retirada dos seus programas de estímulos, ao sinalizar que não vai oferecer mais no ano que vem empréstimos de 12 meses aos bancos da região.
"Nem todas as nossas medidas de liquidez serão necessárias no mesmo nível do passado", disse o presidente do órgão, Jean-Claude Trichet, após a reunião em que foi decidida a manutenção dos juros em 1% -o BC britânico tomou igual decisão.
Já o BC da Islândia reduziu de 12% para 11% a taxa de juros de um dos países mais afetados pela crise.


Com agências internacionais

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JUSTIÇA - 14 são acusados nos EUA de "inside trading"

DA REDAÇÃO

A Justiça americana acusou 14 pessoas (advogados, administradores de fundos e investidores) de usar "inside trading" (informação privilegiada) na negociação de ações.
Algumas das empresas envolvidas estavam ligadas ao fundo Galleon, em que houve igual acusação.

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VINICIUS TORRES FREIRE - Um tabu e uma atração fatais

O MINISTRO Guido Mantega disse ontem em Londres que quer evitar o "excesso de atração fatal" pelo Brasil. Referia-se ao eufórico e inopinado amor do mundo endinheirado pelo Brasil, que ameaça criar bolhas e exageros de valorização do real. Releve-se o fato de que uma atração fatal, como diz a palavra, é mortal; portanto, o ministro parece querer evitar uma morte exagerada por overdose amorosa de dólares. Mas passemos. Anteontem, em Nova York, o secretário de Política Econômica de Mantega e inspirador intelectual do ministério, disse que um dólar em torno de R$ 2,10 seria adequado para o crescimento do país. Ontem, esta Folha noticiou que a Fazenda deve baixar mais normas que pretendem afetar o câmbio (como emissão de mais dívida pública em reais, no exterior, e fazer com que os bancos captem mais dinheiro de longo prazo no mercado doméstico). A Fazenda reafirma, pois, que quer tomar o controle do câmbio ou, ao menos, da discussão a respeito.
Logo depois da taxação do investimento externo em carteira (via IOF), engolida a seco e com desgosto pelo Banco Central, o presidente do BC, Henrique Meirelles, passou a dizer que estuda medidas para liberalizar mais o fluxo de capitais.
Economistas de bancos e consultorias privados, como de costume, preferem que o BC conduza a discussão, o que têm explicitado em seus relatórios. Por exemplo, análise escrita nesta semana por Sérgio Vale, da consultoria MB Associados, dizia o seguinte. "Por um lado, isso [medidas como o IOF] traz a incerteza de que a Fazenda possa continuar fazendo experiências, e o medo de que essas experiências possam ser exóticas. Por outro lado, força o BC a entrar na discussão, o que é positivo, pois dá um caráter mais técnico e com soluções mais interessantes, como a possibilidade de fundos de pensão investirem lá fora ou a diminuição da cobertura cambial para exportações."
Diga-se de passagem que, no mesmo comentário, Vale introduz uma análise ora pouco usual sobre o câmbio: o real forte, ou o dólar raquítico, não é um destino inelutável. Vale argumenta que o dólar deve se valorizar, pois: 1) O comércio mundial vai se reerguer e vai aumentar a demanda pela moeda americana; 2) Os juros americanos terão de subir; 3) O deficit externo americano deve ir a quase zero em dois ou três anos. No Brasil, o deficit externo deve ir a 3,5% e além, o que deve impor um piso à valorização do real. De resto, os candidatos favoritos à Presidência parecem mais intervencionistas do que Lula em matéria cambial, o que levaria o mercado a antecipar a depreciação.
A análise mais comum, porém, é ainda a do real cada vez mais forte.
Um tanto curiosamente, banqueiros brasileiros, em conversas reservadas, acham que isso é mesmo um problema para a indústria e/ou o crescimento (no que divergem, digamos, de seus economistas), embora temam também que o governo possa aparecer com medidas "exóticas", como escreveu Vale.
Resumo da ópera: 1) Discutir o que fazer do câmbio deixou de ser tabu, mesmo na finança; 2) O balanço de forças nas discussões de política econômica muda cada vez mais para o lado da Fazenda.

vinit@uol.com.br

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MARTIN FELDSTEIN - Por que o yuan precisa se valorizar

LÍDERES GLOBAIS concordam que reduzir os desequilíbrios mundiais é uma prioridade.
Na prática, isso significa reduzir o deficit em conta-corrente de US$ 500 bilhões dos Estados Unidos e fazer encolher o superavit de US$ 350 bilhões da China. Todos os outros desequilíbrios em conta-corrente têm importância menor, comparados a esse.
Como um superavit em conta-corrente é a diferença entre a poupança de um país e os investimentos, esse consenso significa que os EUA precisam aumentar sua poupança nacional para depender menos de dinheiro estrangeiro. A China precisa elevar seus gastos domésticos para conservar o alto índice de emprego, sem exportar tanto.
Avanços estão sendo obtidos. O índice de poupança das famílias americanas subiu, movido pela necessidade que as famílias têm de reconstruir sua riqueza. Os lucros das empresas também estão começando a subir. Mas o aumento na poupança privada não basta para elevar a poupança nacional dos EUA se os deficit federais continuarem altos.
A China conseguiu elevar seus gastos domésticos por meio de incentivos fiscais e um crescimento explosivo do crédito. Os gastos reais dos consumidores chineses saltaram 15% nos últimos 12 meses. O governo chinês também gastou mais, com grandes aumentos nos investimentos em infraestrutura e com a construção de moradias.
Contudo, embora essas duas mudanças sejam necessárias para reduzir os desequilíbrios globais, não são o bastante. Também é necessário um ajuste nas taxas de câmbio.
O dólar precisa cair em relação a outras moedas para que os produtos americanos se tornem mais atraentes para os compradores estrangeiros e para levar os americanos a comprar bens e serviços americanos, em vez de importados. Sem isso, a alta nos gastos domésticos não fará mais do que enfraquecer a economia americana e elevar o desemprego. É por isso que a queda recente do dólar diante do euro, do iene e de outras moedas constitui parte natural e desejável do processo de redução do deficit comercial dos EUA e dos desequilíbrios globais.
Infelizmente, o governo chinês não vem deixando o yuan se valorizar. Com o dólar caindo em relação às outras grandes moedas, o câmbio fixo do yuan ante o dólar vem levando a divisa chinesa a cair em relação ao euro, ao iene e a outras moedas.
Com isso, o valor ponderado do yuan vem declinando, tornando os produtos chineses exportados mais atraentes e encarecendo os produtos estrangeiros vendidos na China.
O resultado tem sido um aumento nas exportações chinesas. Isso ajuda a elevar o PIB e o nível de emprego na China, mas impede que sejam reduzidos os desequilíbrios globais.
A política chinesa de manter o yuan fraco faz o dólar dos EUA ter de cair mais rapidamente ante o euro, o iene e outras moedas para alcançar a mesma queda ponderada do dólar.
Assim, a política da China de conservar o yuan fraco não só impede que seja corrigido o grande superavit em conta-corrente chinês como reduz as exportações europeias.
A política da China de ampliar os gastos domésticos e, ao mesmo tempo, manter o yuan baixo vai levar ao superaquecimento de sua economia, especialmente de seu setor manufatureiro. Permitir que o yuan subisse deslocaria a demanda na China do setor manufatureiro para o de serviços, prevenindo a inflação. Assim, um yuan mais forte reduziria o desequilíbrio doméstico da China e os desequilíbrios globais.
Felizmente, a economia chinesa se encontra em rápida expansão, e seu crescimento está ficando menos dependente das exportações. Quando ela tiver a confiança necessária para deixar o yuan subir, estaremos no caminho para uma redução dos desequilíbrios globais.


MARTIN FELDSTEIN é professor de economia na Universidade Harvard. Este artigo foi publicado originalmente no "Financial Times".

Tradução de CLARA ALLAIN

Excepcionalmente, hoje, a coluna de LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS não é publicada.

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Mercado Aberto

MARIA CRISTINA FRIAS - cristina.frias@uol.com.br

Inadimplência no crédito continua a recuar em banco estatal

Os dados de inadimplência da Caixa Econômica Federal seguem em trajetória diferente da que se observou nos grandes bancos privados.
O atraso no pagamento acima de 90 dias da carteira de crédito comercial passou de 4,2%, em setembro de 2008, para 3,6% no terceiro trimestre de 2009, no banco público.
Essa queda destoa do que se observa no mercado. O nível de inadimplência subiu de 4% para 5,8%, no mesmo período, de acordo com o Banco Central.
Financiamento imobiliário, empréstimo para pessoa jurídica e consignado foram as modalidades que mais impulsionaram o crédito na Caixa.
O aumento do peso nessas modalidades, principalmente crédito consignado e imobiliário, é o que explica o melhor desempenho do banco no índice de inadimplência, segundo Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.
"O risco de calote no consignado é quase zero. E no financiamento imobiliário também é menor. A prestação da casa própria é a última conta que as pessoas deixam de pagar", diz. Para ele, o fato de a Caixa ser estatal não justifica o resultado, pois também deve seguir as regras de alavancagem do BC.
Márcio Percival, vice-presidente de finanças da Caixa prevê aumento da concorrência.
"Bancos privados estão voltando [ao crédito], com cautela. Isso vai obrigar a trabalhar com taxas menores e a diferenciar produtos", diz.
O Bradesco anunciou anteontem que vai ampliar prazos dos empréstimos.
Na Caixa, o que está em análise é a possibilidade de cortar, no ano que vem, taxas no cartão de crédito e no cheque especial, além da criação e da reformulação de produtos, diz Percival.

NA ÁGUA E NO CAMPO

A fabricante de motos Kasinski venderá motores de popa (para barcos) e motogeradores estacionários (usados em propriedades rurais) em 2010. O primeiro lote com 7.000 itens será importado, mas a meta é produzir os modelos em Manaus, segundo o presidente da Kasinski, Claudio Rosa Junior. A CR Zongshen, joint venture da CR Motors e da chinesa Zongshen, assumiu o controle da Kasinski em agosto. "Renegociamos com os fornecedores e conseguimos cerca de 15% de redução nos custos. Esse ganho foi repassado aos clientes nos preços", diz Rosa Junior. A receita da montadora cresceu 37% em setembro e outubro, ante o mesmo período do ano passado.

LULA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou duas visitas à Fiesp na próxima semana. Na segunda-feira, ele participará de uma homenagem ao vice-presidente, José Alencar, que receberá o cargo de presidente emérito da entidade. No dia seguinte, Lula recepcionará 400 empresários italianos na Fiesp, que vão realizar mais de 2.000 encontros de negócios no país.

DELEGAÇÃO
A Ministra Ellen Gracie e os advogados Isabel Franco e Ordélio Azevedo Sette serão representantes do Brasil no Fórum Mundial da Justiça, dia 11, em Viena, na Áustria. Participarão do evento cerca de 500 representantes de 90 países. O projeto PeaceTones, de inclusão social pela música, financiado pelo Fórum, levará a Viena um grupo de jovens músicos pernambucanos comandados pelo maestro DJ Big do Recife. Eles farão uma apresentação de música folclórica.

LIGAÇÃO
Argentina e Venezuela mantêm a liderança no uso de dados GSM na América Latina. Nos dois países, 29% da receita média gerada pelas operadoras por usuário vem da transmissão de dados, como mensagens de texto, segundo relatório da 3G Americas, associação setorial que representa a tecnologia GSM e suas evoluções. O Brasil aparece na 4ª posição, com 12%.

CARTILHA
Cerca de 9.000 cartilhas com informações sobre como obter e usar o Cartão BNDES foram distribuídas pela CNI a micro e pequenos empresários desde julho.

RECICLAGEM
A empresa Recicleiros, que faz gestão de resíduos de eventos, recolheu 1.711 quilos de materiais recicláveis entre a Stock Car 10K e a Etapa de Curitiba da Copa Nextel Stock Car.

NA BOMBA
O Sindicom (sindicato de distribuidoras de combustíveis e lubrificantes) e a Fecombustíveis (federação do comércio do setor) começam a veicular nos próximos dias campanha para combater sonegação de impostos do álcool. Cerca de 30% do volume consumido não tem os impostos recolhidos integralmente, segundo as entidades, o que resulta em prejuízo de R$ 1 bilhão ao ano para a arrecadação dos Estados e da União. A campanha é assinada pela Agência3.

TREINAMENTO
A brasileira ETH Bioenergia vai treinar 63 técnicos angolanos que trabalharão na Biocom, primeiro investimento direto da Odebrecht no setor sucroenergético em Angola, em parceria com a Damer Indústrias e a petrolífera estatal angolana Sonangol. Com investimentos que superam os US$ 280 milhões, a sociedade produzirá anualmente 250 mil toneladas de açúcar, 30 mil metros cúbicos de etanol e cogeração de energia de 160 mil megawatts, a partir de 2012. Outra turma de angolanos deve chegar em 2010.

FABRICAÇÃO
A construtora Serpal, do Grupo Advento, prepara-se para entregar a fábrica de lácteos da Perdigão, em Bom Conselho, no agreste pernambucano, que será inaugurada no dia 19 com a presença do presidente Lula. A unidade foi construída em 16 meses. As obras da Serpal no Estado somam mais de R$ 50 milhões e incluem a nova fábrica de detergente em pó da Unilever, em Igarassu.

NA INDÚSTRIA
A Air Liquide, uma das empresas líderes mundiais em gases para indústria, saúde e meio ambiente, iniciou a operação de uma nova unidade de separação de gases do ar, no município de Candeias, na Bahia. Instalada no complexo da Dow Brasil, terá uma capacidade de produção de 60 mil toneladas de gases por ano.


com JOANA CUNHA e MARINA GAZZONI

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Painel

SILVIO NAVARRO (interino) - painel@uol.com.br

Meia-entrada

Diante da resistência em relação ao projeto que regulamenta o lobby em todo o serviço público, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), já fala em emplacar as regras somente na Casa que comanda. Pretende submeter à Mesa Diretora uma resolução obrigando lobistas a se credenciar antes de fazer o corpo a corpo pelos corredores. Também disciplinaria a distribuição de brindes.
A ideia foi testada pelo peemedebista em conversa com outros líderes na Casa, mas também houve certa crítica. Alguns afirmam que, ao restringir a proposta, carimbaria a Câmara como reduto de negociatas. Além disso, sem amparo em lei, não seria possível estabelecer punição além da simples perda do crachá.



Na fila. A decisão de Temer de pautar a votação do projeto que vincula o reajuste dos aposentados ao mesmo dado ao salário mínimo alvoroçou "representantes" da PEC dos Cartórios e da proposta que pode legalizar os bingos.

Upgrade. Aliados de Expedito Júnior (PSDB-RO), que deixou o Senado ontem por ter o mandato cassado, articulam para que ele concorra ao governo já nas eleições indiretas que podem ocorrer caso a Justiça Eleitoral ratifique a cassação do governador Ivo Cassol (PP). O TSE julgará o caso na próxima semana.

Dominado. Cassol tem o apoio de quase todos os 24 deputados que escolheriam seu eventual sucessor no governo.

Padrinhos 1. Senadores tucanos se dividiram ontem sobre o caso de Expedito. Uma ala ponderou que ele ajudou a derrubar a CPMF e é o favorito nas pesquisas para o governo do Estado.

Padrinhos 2. Já a outra reclamou que a principal sondagem em que ele aparece em primeiro lugar na disputa foi encampada pelo "Voz de Rondônia". A título de divulgação do mandato, o site-agência recebia do gabinete de Expedito R$ 6.000, mensalmente, da verba indenizatória.

Super Mario. Com a farta cabeleira domesticada por um boné, Wellington Salgado (PMDB-MG) comprava games, ontem à tarde, na loja da Nintendo em Nova York.

Passaporte. O governo norte-americano já concedeu o "agrément" (aceitação) ao novo embaixador do Brasil em Washington, Mauro Viera. Falta agora a aprovação do Senado brasileiro ao nome do diplomata, que deixa seu posto em Buenos Aires.

Alfândega. Já o senador republicano Jim DeMint, que bloqueava a aprovação de Thomas Shannon -indicado por Obama- para embaixador dos EUA no Brasil, suspendeu o veto ontem à noite.

Flanco. O PMDB quer instalar um integrante da Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao partido, no grupo que cuidará do programa de governo de Dilma Rousseff. O presidente da fundação é o deputado Eliseu Padilha (RS).

Arquivão. A Casa Civil lançou edital para um pregão, na próxima semana, destinado a contratar empresa para fazer back-up de todos os dados do PAC e treinar pessoal. O custo previsto é de R$ 2 milhões.

Plantão médico. O Ministério da Previdência estima que o governo gastará neste ano R$ 12,3 bi com acidentes do trabalho -30% de todo o rombo estimado da Previdência. Os setores com maior índice são os terceirizados da administração pública, água, esgoto, as indústrias de transformação, extrativista, eletricidade e transporte.

Périplo. Depois da OIT, o MST formalizou ontem denúncia na OEA reclamando ser "criminalizado" no Brasil. Os sem-terra, que recentemente foram acusados de depredar uma fazenda da Cutrale, se queixam de perseguição do Judiciário e da CPI instalada no Congresso.


com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON

Tiroteio

A CDHU ficou marcada pela corrupção nos governos do PSDB. É lamentável que a CPI termine melancolicamente sem conclusão.


Do deputado estadual ANTONIO MENTOR (PT), sobre o desfecho na Assembleia paulista da CPI que investigou denúncias de irregularidades na Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano.

Contraponto

Meus e seus

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) jantou na semana passada com congressistas do PP, o sexto partido a sentar à mesa para negociar aliança à sua candidatura presidencial. Ao começar o discurso, ela se alongou nos cumprimentos, repassando nome a nome as lideranças da legenda. Mas, quando ia iniciar seu discurso, recebeu acenos de um pequeno grupo de petistas, sentados no canto.
A ministra imediatamente interrompeu a fala e afirmou, para risada geral:
-Ah! Deixa eu cumprimentar também os companheiros do PT... Ou corro o risco de não ganhar o voto deles!

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Editorial - Resistência difícil

PARECEM interessantes as novas ideias acalentadas pela equipe econômica para tentar diminuir a velocidade em que o real se valoriza. Depois da implantação da tarifa de 2% para os estrangeiros que queiram investir em ações e outros títulos no Brasil, o objetivo agora é permitir que parte dessas aplicações seja feita fora do país.
A taxação na entrada de capitais tem efeitos colaterais. Se funcionar -isto é, se não for burlada pelo inesgotável acervo de dribles à disposição dos aplicadores globais-, prejudicará empresas brasileiras que não têm acesso ao mercado externo e contam com a entrada do capital estrangeiro, a fim de obterem recursos a custo mais baixo.
A própria Bovespa, um dos cinco maiores pregões do mundo, teria a atratividade reduzida no cotejo com Nova York -onde se adquirem ações brasileiras sem os 2% de imposto. A abordagem da nova safra de propostas ainda em estudo criaria menos arestas.
Estrangeiros, ao aplicarem no mercado de futuros da Bovespa, não precisariam depositar as garantias do negócio no Brasil. Poderiam fazê-lo em bancos fora do país. O Tesouro retomaria a emissão de dívida externa em reais, oferecendo condições próximas às de aplicações em títulos públicos domésticos, sem necessidade de trazer os dólares.
Não se deve esperar, contudo, mudança na tendência do câmbio com esse conjunto de medidas. No máximo, retardarão o ritmo da alta do real -mas até isso é difícil de saber, pois não se pode calcular qual teria sido o comportamento da moeda na ausência dessas iniciativas.
No mundo rico as aplicações financeiras, quer em empresas, quer na dívida pública, têm rendimento baixíssimo. No Brasil, já em crescimento acelerado, negócios privados prometem ganhos bem maiores, o governo paga juros ainda elevados e o câmbio flutua -à diferença do que ocorre na China, cuja moeda está ancorada à americana.
Diante dessa conjunção de fatores, é difícil resistir à corrente que valoriza o real.

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