(ANDIMA) Volume de debêntures em 2006 é recorde
Total de R$ 155,5 bilhões representa alta de 83% em relação ao ano anterior
O volume de debêntures registradas no Sistema Nacional de Debêntures(SND), administrado pela Associação Nacional das Instituições do MercadoFinanceiro (Andima), atingiu R$ 155,5 bilhões no final de dezembro, com aumento de 83% em relação ao final de 2005. Trata-se de um volume recorde. O superintendente de desenvolvimento da Andima, Luiz Macahyba, acredita que o volume de lançamentos tende a continuar elevado nos próximos meses. "As mesmas condições estão dadas. Há muito interesse por papéis privados por parte dos investidores e as empresas conseguem reduzir os seus custos financeiros vendendo debêntures", observou. Ao contrário de 2006, quando o volume foi mais acelerado no final do ano, o movimento tende a ser mais uniforme ao longo de 2007, na sua opinião. "Em 2006 muitas empresas adiaram o lançamento para o final do ano aguardando a queda nas taxas de juros dos títulos públicos. Este ano a expectativa é de uma queda menor na taxa Selic", argumentou. Ao longo do ano passado, a taxa Selic caiu 4,75 pontos percentuais, passando de18% ao ano em dezembro de 2005 para 13,25% ao ano em dezembro de 2006. "Quem emitiu debêntures em dezembro conseguiu recursos mais baratos do que quem captou até meados do ano", disse Macahyba. Para 2007, a expectativa é de uma redução menor, com a taxa Selic devendo recuar para cerca de 12% ao ano em dezembro. Pelo acompanhamento da Andima, dois terços dos lançamentos de 2006, que somaram R$ 69,5 bilhões, foram direcionados para empresas de leasing, com destaque para a colocação de R$ 15 bilhões pela BFB Leasing, do grupo Itaú.
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(Debêntures) Um ano 29 vezes bom para a Bovespa
Giro total negociado na Bolsa cresceu 49,3%, elevando a média diária para 2,4 bilhões
BRUNA CROCE
DO JORNAL DO COMMERCIO
A Bolsa bateu recorde em pontos 29 vezes em 2006 e terminou o ano com saldo de investimentos estrangeiro positivo. O Ibovespa subiu 32,93%. Os demais índices da Bolsa também encerraram o ano com variação positiva. O volume total negociado na Bovespa cresceu 49,3%, elevando a média diária para R$ 2,4 bilhões ante R$ 1,6 bilhão em 2005. Os investimentos de home broker tiveram um incremento de 82,08%, em 2006 e 26 novas companhias ingressaram na Bovespa.
"O bom resultado de 2006 deve continuar em 2007. A Bolsa apresentou desempenho superior às outras aplicações e, por isto, chamou atenção dos investidores", disse Luiz Roberto Monteiro, analista de renda variável da corretora Souza Barros. No ano passado também foram alcançados novos recordes históricos em volume, com R$ 11,1 bilhões, e número de negócios registrados em um só dia, com a marca de 159.478. O desempenho do home broker alcançou mais cinco recordes históricos em dezembro e, ao longo do ano, atingiu crescimento de 82,08% na média mensal de volume, 78,47% na quantidade negócios e 78,71% no número de investidores.
A agilidade é um dos principais benefícios do home broker, além do custo. Através da Internet é possível enviar ordens de compra e venda que são executadas em segundos ou podem ser programadas e ainda acompanhar gráficos e cotações, além de simuladores e de calculadoras. Neste caso, quem toma a decisão de investimento é o próprio investidor que escolhe a melhor hora de adquirir ou se desfazer de um papel. Apesar da independência em relação a um profissional de mercado, para operar é preciso ser cliente de uma corretora que ofereça o serviço.
Segundo especialistas do mercado, o custo do home broker tende a cair com o aumento da concorrência entre as corretoras. Para tornar-se um home broker o investidor precisa apenas ser cliente de uma corretora. Mas é preciso estar atento aos riscos. Além do risco do mercado de renda variável, há também os riscos da operação como fraude nas senhas de acesso, vírus, falta de atualização do navegador, utilização de equipamentos públicos, não acompanhamento dos extratos, falta de energia elétrica, interrupção na conexão e baixa performance da conexão e do computador. A instituição provedora não tem responsabilidade sobre esses riscos.
Em relação aos clubes de investimentos, foram criados 420 grupos, o maior número de registros no período de um ano, totalizando 1.630 e um patrimônio de mais de R$ 9 bilhões. Os clubes são opção interessante para quem tem pouco capital, mas deseja aplicar no mercado de capitais. Este tipo de investimento vem crescendo de maneira acelerada nos últimos anos. Em 1999 eram apenas180 clubes de investimento, de acordo com dados da Bovespa.
Além de diluir o risco das aplicações em ação, esse tipo de investimento oferece ganhos tributários para os aplicadores, o que incentiva o crescimento dos clubes de investimento. O participante do clube só paga IR uma vez, ou seja, no resgate de sua aplicação. Enquanto em aplicações feitas individualmente o investidor tem que pagar IR a cada operação.
"Os resultados positivos da Bovespa nos últimos anos têm gerado maior procurar por esses investimentos. Para quem não conhece o mercado, começar através de clubes é uma excelente opção. Já para quem tem mais conhecimento, operar através do home broker gera economias", afirma Monteiro. Outro resultado relevante foi o ingresso de 26 novas companhias na Bolsa em 2006, o maior número de Ofertas Públicas Iniciais desde a década de 90.
"A entrada recorde de empresas no Novo Mercado gera tranqüilidade para os investidores, já que há mais transparência nas operações das empresas", completa Monteiro. O balanço positivo de 2006 deve continuar em 2007. "A tendência de queda da taxa de juros fará com que investidores de renda fixa busquem ativos mais atrativos, migrando assim para renda variável", acredita o analista.
A Bovespa encerrou o ano com 94 empresas nos segmentos diferenciados de governança corporativa, sendo 44 no Novo Mercado, 14 no Nível 2 e 36 no Nível 1. Juntas, estas empresas representam 58% da soma do valor de mercado das 394 companhias listadas, 58% do volume financeiro e 67% da quantidade de negócios no mercado à vista. Com isso, o valor das empresas que negociam ações na Bolsa ultrapassou R$ 1,5 trilhão, marca nunca antes alcançada.
Números gerais
PARTICIPAÇÃO DOS INVESTIDORES
VOLUME NEGOCIADO
O número de negócios cresceu 38,9%: foram 21,5 milhões no ano, ante 15,5 milhões em 2005. A média diária de negócios foi de 87.488, número 40,5% superior aos 62.247 registrados no ano anterior. Em dezembro, a Bovespa movimentou R$ 60,1 bilhões, com médias diárias de R$ 3,2 bilhões e 98.534 negócios.
MERCADO DE RENDA FIXA
Ao todo foram 116 títulos iniciaram negociação em 2006: 43 debêntures, 54 FIDCs e 19 CRI. Desse total, 15 títulos iniciaram no mês de dezembro (10 debêntures e 5 FIDC). O volume financeiro em ambos os mercados em dezembro foi de R$ 20,2 milhões, sendo que R$ 310,6 mil referem-se a FIDC; R$ 11,5 milhões a debêntures; e R$ 8,3 milhões a CRI.
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Valor de mercado da Petrobras atinge R$ 230,371 bilhões
Pela primeira vez na história, em dezembro do ano
passado, valor médio ficou acima de US$ 100 bilhões
Alessandra Saraiva
Da Agência Estado
A Petrobras fechou o ano de 2006 com um valor de mercado de US$ 107,75 bilhões, o equivalente a R$ 230,371 bilhões. Em nota enviada ao mercado, a companhia informou que, pela primeira vez em sua história, conseguiu fechar um mês com um valor de mercado médio acima dos US$ 100 bilhões. As ações da empresa em dezembro atingiram US$ 103 bilhões, em valor de mercado na média mensal. De acordo com a estatal, isso "equivale a R$ 221 bilhões, considerando o câmbio médio do período. Este mesmo nível de capitalização já foi atingido entre abril e maio de 2006, mas nunca antes, na média mensal, havia se mantido em nível superior a US$ 100 bilhões".
A companhia informou que a valorização da classe ordinária (com direito a votos) foi de 32% ao longo do ano, enquanto a da classe preferencial (com preferência no recebimento de dividendos) foi de 34%. "O Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista) valorizou-se 32,93% no período. Em Nova York, o desempenho dos recibos da Petrobras foi ainda mais forte. Os ordinários acumularam alta de 45% em 2006 e os preferenciais, de 44%, enquanto o índice setorial Amex Oil (que mede o desempenho das ações das principais petrolíferas mundiais) apresentou valorização de 20%", detalhou a estatal, na nota.
A Petrobras termina o comunicado comemorando a entrada da empresa no grupo de companhias com valor de mercado superior a US$ 100 bilhões. De acordo com a Petrobras, desde 2002, o valor de mercado da empresa passou de US$ 15 bilhões para US$ 108 bilhões, uma valorização de 601%. "Quando medido em reais, o valor de mercado passa de R$ 54 bilhões, em 2002, para R$ 230 bilhões, em 2006, uma alta de 323%", esclareceu.
A empresa informou que bateu seu recorde de refino de petróleo em 2006, processando em suas refinarias uma média de 1,784 milhão de barris por dia, volume 1,5% superior ao registrado em 2005. Segundo a empresa, o bom desempenho é fruto da confiabilidade da operação das refinarias e da utilização plena de instalações. O volume, porém, ainda é menor dos que os 1,85 milhão de barris de derivados de petróleo que o Brasil consome por dia, reforçando a necessidade da construção de novas unidades, já em estudo, no País.
MELHORA NO RANkING
. A Petrobras deverá subir no ranking das petroleiras com maior volume de reservas de óleo entre as empresas listadas na Bolsa de Nova York. Na semana passada, a estatal comunicou à Agência Nacional do Petróleo (ANP) que estará incorporando cerca de 2,1 bilhões de barris às suas reservas, em 19 áreas.==============================***==============================
Novos papéis terão vencimento em 2016
A Petrobras determinou 1o de fevereiro como prazo final para a troca de US$ 500 milhões em bônus antigos e de custo maior por um novo lote de papéis mais baratos e dinheiro, de acordo com documento enviado nesta quinta-feira para a Securities and Exchange Comission (SEC), a CVM americana.
O braço financeiro internacional da petrolífera, o Petrobras International Finance Co., se oferecerá para tocar bônus em circulação de cinco séries: papéis com rendimento de 12,375% com vencimento em 2008, bônus com rendimento de 9,875% e vencimento também em 2008, papéis com rendimento de 9,75% e vencimento em 2011, bônus com rendimento de 9,125% e vencimento em 2013, além de papéis com rendimento de 7,750% e vencimento em 2014, segundo o documento.
Pelos termos da oferta, que foi anunciada em novembro, a Petrobras calculará "o preço total da troca" para cada série de bônus e também determinará o preço de abertura dos novos bônus, com vencimento em 2016. A diferença entre os dois preços será paga em dinheiro, também de acordo com o documento.
Além disso, investidores que submeterem os bônus antes de 18 de janeiro receberão um prêmio extra de US$ 20,00 por cada US$ 1 mil de valor de face.
A Petrobras informou que os bônus com vencimento em 2016, que têm cupom (taxa fixa) de 6,125%, serão reabertos com um preço de 140 pontos-base sobre os títulos do Tesouro dos EUA. Originalmente, esta série foi lançada em 6 de outubro e rendeu à Petrobras US$ 500 milhões. Os papéis foram vendidos com rendimento de 6,185% e diferença de 155 pontos-base sobre os títulos do Tesouro americano.
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Tesouro emite títulos prefixados com vencimento em 10 anos
Governo consegue colocar R$ 247,46 milhões de NTNs-F
da redação, com agências
O Tesouro Nacional emitiu nesta quinta-feira, pela primeira vez, um título prefixado (taxa de juros fixa) com vencimento em 10 anos. Foram emitidos R$ 267,46 milhões do novo papel.
Na primeira semana no cargo, o novo secretário do Tesouro Nacional, Tarcísio Godoy, comemorou o resultado do leilão, que reflete maior confiança dos investidores na estabilidade econômica no longo prazo. "É mais um marco na história do Tesouro Nacional", disse Godoy.
As Notas do Tesouro Nacional da Série F (NTN-F) adquiridas pelo mercado vencem em 1º de janeiro de 2017. O Tesouro ofertou o total de 345 mil títulos com prazo de 10 anos, dos quais 307.713, ou 89,2%, foram aceitos. A operação movimentou o total de R$ 267,46 milhões e a liquidação financeira acontece nesta sexta-feira.
Na primeira rodada, o Tesouro ofertou 300 mil títulos, com taxa média de 12,47% ao ano, o que movimentou R$ 260,76 milhões e 100% dos papéis oferecidos. Na segunda rodada, foram ofertados mais 45 mil títulos e apenas 7.713 foram aceitos, com taxa média de 12,47% e movimento de R$ 6,7 milhões.
Em 27 de outubro do ano passado, o Tesouro Nacional divulgou comunicado no qual informava as novas regras de emissão de títulos prefixados. Na época, informou que começaria em 2007 a implementar "a estrutura ideal de prazos de emissão para estes títulos". O Tesouro começou na quinta-feira a pôr em prática o processo de substituição das NTNs com prazo de sete anos pelos papéis com prazo de 10 anos. A partir deste ano, a emissão de NTNs terá prazos de três, cinco e 10 anos, enquanto as Letras do Tesouro Nacional (LTNs) terão prazos de seis, 12 e 24 meses. As LTNs de 18 meses não serão mais ofertadas.
A demanda pelos títulos, avaliou, foi "boa e consistente", e os preços (o juro máximo pago foi de 12,5% ao ano) ficaram dentro das expectativas do mercado. "Apesar da volatilidade no mercado ontem (quarta-feira, por causa da ata do Banco Central dos Estados Unidos), isso não afetou a demanda pelo nosso papel. O título prefixado de dez anos é muito importante por ser considerado um dos principais benchmarks (referência) do mercado internacional", disse o secretário.
"Isso nos aproxima mais ainda dos mercados desenvolvidos e permite que continuemos no caminho de estruturar melhor a nossa dívida." Segundo Godoy, o interesse pelos papéis de dez anos emitidos pelo Tesouro permite antecipar que o governo fará nova oferta destes papéis na próxima semana. "O volume da nova oferta será de acordo com a demanda", explicou.
A idéia é que o Tesouro semanalmente venda títulos com essa característica, seguindo a estratégia, anunciada no fim do ano passado, de criar na dívida interna brasileira referências para o mercado nos prazos de vencimentos de três, cinco e dez anos. Assim, o mercado brasileiro de títulos se aproximaria do internacional e se tornaria mais atrativo aos investidores estrangeiros.
Os detalhes sobre as ofertas semanais de títulos prefixados de dez anos serão divulgados no Plano Anual de Financiamento (PAF), previsto para ser anunciado, segundo ele, entre os dias 15 e 20 deste mês. Sem querer divulgar detalhes do PAF, Godoy disse que será mantida a diretriz de reduzir a participação dos papéis pós-fixados, com remuneração atrelada à taxa básica de juros (Selic) na composição da dívida.
Ele não quis antecipar quais serão os limites que o Tesouro vai colocar para estes papéis. Em 2006, o PAF previa que as LFTs deveriam representar no máximo 49% da dívida e, no mínimo, 39%. No final do ano, entretanto, o Tesouro admitiu que, por causa da escassa demanda, as LFTs ficariam abaixo do piso.
O secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, admitiu que a participação das LFTs fechou 2006 abaixo de 38% do total da dívida.
A tendência, de acordo com o histórico do Tesouro, é que o teto que o Plano de Financiamento vai prever para a participação desses papéis na dívida fique abaixo do porcentual da participação destes títulos em 2006. Godoy afirmou que o Tesouro não vai ser mais agressivo na busca de uma menor participação de LFTs
Mais um dia de queda da Bovespa
ANA PAULA CARDOSO
DO JORNAL DO COMMERCIO
A Bolsa de Valores de São Paulo teve mais um dia de queda em encerrou a quinta-feira em baixa de 0,95%, aos 44.019,77 pontos. Os motivos que levaram ao recuo dos principais papéis negociados no Ibovespa foram os mesmos que influenciaram o fraco desempenho do índice na última quarta-feira: declínio dos preços das commodities e forte realização de lucros. Mas analistas afirmam que não há motivo para pessimismo.
A economia interna continua bem fundamentada e o ajuste de posições é comum nos primeiros dias úteis do ano. O giro financeiro do pregão atingiu os r$ 3,457 bilhões.
O dólar subiu pelo segundo dia consecutivo e fechou a R$ 2,143 para compra e 2,145 para venda, em alta de 0,28%.
Na roda do dólar pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros a moeda americana valorizou-se 0,14% e foi cotada a R$ 2,143. O volume financeiro negociado no pregão viva-voz atingiu R$ 1,251 bilhão. O risco País voltou a subir depois de três dias seguidos estacionados no recorde de 193 pontos básicos. O indicador ontem encerrou aos 198 pontos básicos, em elevação de 2,59%. O Global 40 fechou o dia praticamente estável, em leve alta de 0,03%, negociada a 133,08% do valor de face.
Analistas comentaram que não há motivo para preocupação e as quedas sucessivas da Bovespa apenas são movimentos naturais de início de ano. O mercado deve operar hoje mais tenso em função do final de semana.
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Queda do petróleo faz Bolsas dos EUA subirem
Nasdaq termina em elevação de 1,25%, ante 0,05% do Dow Jones
Da Reuters
As Bolsas de Valores dos Estados Unidos fecharam em alta nesta quinta-feira, com o índice Nasdaq avançando mais de 1%. A forte queda no preço do petróleo gerou otimismo sobre a economia e uma corretora elevou sua projeção de lucro para a fabricante de chips Intel . A Intel ajudou o indicador Nasdaq e impulsionou o Standard & Poor's 500. Os papéis da empresa registraram valorização de 4%, após a Banc of America Securities ter elevado a estimativa de lucro da companhia.
As ações de tecnologia, que foram o segundo setor de pior performance no S&P no ano passado, agora parecem mais atrativas do que as de outras indústrias, dizem analistas. O índice industrial Dow Jones encerrrou o dia com variação positiva de 0,05%, a 12.480 pontos, e o S&P 500 subiu 0,12%, a 1.418 pontos. O Nasdaq avançou 1,25%, para 2.453 pontos.
Os contratos futuros do petróleo em Nova York recuaram pelo segundo dia consecutivo. O barril da commodity para entrega em fevereiro caiu abaixo de US$ 56. O preço do petróleo já recuou cerca de US$ 5 nos últimos dias. As ações da petrolífera Exxon Mobil tiveram queda de 1,9% na Bolsa de Valores de Nova York, pesando sobre o Dow Jones.
europa. As Bolsas européias fecharam em queda, com as mineradoras liderando as perdas. Na Bolsa de Londres, o índice FT-100 fechou em queda de 32 pontos (0,51%), a 6.287 pontos. O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, fechou em queda de 36,36 pontos (-0,65%), a 5.575,56 pontos. A Bolsa de Frankfurt fechou com o índice Xetra-DAX em queda de 16,92 pontos (-0,25%), a 6.674,40 pontos. Na Bolsa de Milão, o índice S&P-Mib fechou em queda de 0,52%, a 41.842 pontos, com o recuo das empresas do setor energético.
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Lula pretende anunciar no dia 22 pacote para acelerar crescimento
Presidente destaca importância de não se descuidar do controle da inflação
Leonencio Nossa
Da Agência estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que pretende anunciar no dia 22 o pacote de medidas para acelerar o crescimento econômico. Em audiência com dirigentes da Ford e parlamentares no Palácio do Planalto, Lula destacou a importância de garantir o desenvolvimento do país sem descuidar do controle da inflação, segundo participantes do encontro.
A uma pergunta de um dirigente da empresa sobre a estabilidade fiscal e a estabilidade econômica, o presidente Lula teria dito que o pacote não irá "mexer" nos alicerces da política de austeridade do governo. "Estou determinado a acelerar o crescimento, mas sem criar dificuldades para a estabilidade", afirmou. "A estabilidade foi uma conquista do primeiro governo."
Durante a reunião, Lula voltou a citar momentos de crescimento da economia em governos passados, mas que não foram bons para boa parte da população. "A inflação sempre retirou os ganhos dos trabalhadores", disse. Ele citou ciclos de crescimento nos governos dos ex-presidentes Getúlio Vargas (1930-1945 e 1950-1954) e Juscelino Kubitschek (1956-1960) e no regime militar (1964-1985).
CONFIANÇA. A disposição do presidente de anunciar o pacote no dia 22 foi confirmada pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, que se reuniu na tarde de quinta-feira com Lula. Segundo Wagner, o presidente demonstrou ter absoluta confiança que o país terá quatro anos de crescimento econômico.
"Ele vai anunciar as medidas depois que voltar do seu descanso. As medidas incluem um pacote de aceleração de obras e infra-estrutura, com a discussão de uma nova matriz energética, de álcool e biodiesel", afirmou.
Wagner e o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), estiveram com Lula para discutir incentivos para o Nordeste, como a instalação de uma nova fábrica da Ford na região. O governador da Bahia disse estar otimista para a renegociação das dívidas do governo com os Estados, mas negou que tenha apresentado formalmente pedidos ao presidente. "Os governadores do Nordeste devem se reunir para ter maior poder de barganha junto ao governo federal", disse Wagner.
O governo chegou a divulgar que anunciaria no final de 2006 o pacote de medidas que, a princípio, iria garantir um crescimento de 5% neste ano. Mudou de idéia e adiou o anúncio. Nos últimos dias, Lula tem se dedicado a analisar projetos para incrementar o setor de construção civil, especialmente programas de construção de casas populares.
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Appy rebate rumores sobre saída
Secretário da Fazenda nega mal-estar com os rumos do pacote
Fabio Graner
Da Agência estado
Tentando dissipar os rumores de que seria o próximo a fazer as malas, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda - e atual ministro interino enquanto Guido Mantega está em férias -, Bernard Appy, negou nesta quinta-feira que esteja de saída do governo. "Não é verdade (que estou saindo). Eu estou ficando no ministério. Vocês podem escrever isso aí", disse ao deixar o prédio da Fazenda para uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Não tenho intenção de sair. Não procedem estes rumores", emendou Appy, que raramente concede entrevistas e mais raramente ainda o faz na portaria do ministério. "Eu sou secretário-executivo. Eu não fico dando entrevista aqui. Só parei para falar com vocês por causa desse monte de rumores de que eu estou saindo para dizer que eu estou ficando. É para isso que eu parei para falar."
Appy negou também a existência de algum mal-estar com os rumos tomados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Não ficou nenhum mal- estar com relação a questões do pacote. Vocês abem que o Ministério da Fazenda sempre tenta cortar mais. Faz parte do perfil do ministério, mas não ficou nenhum mal-estar com relação ao pacote. Estamos fazendo uma construção que seja fiscalmente sustentável. Vocês não tenham nenhuma dúvida. Esse é um compromisso do ministério e do presidente", afirmou.
Questionado se continuaria no cargo de secretário-executivo, ele afirmou que a definição dos ocupantes das funções é atribuição do ministro Guido Mantega. "Por enquanto, eu sou secretário-executivo. Quem decide os cargos é o ministro. Eu estou aqui para ajudar, vocês sabem disso. Eu não estou aqui por cargo", disse.
KAWALL. Depois da saída de Carlos Kawall da Secretaria do Tesouro Nacional, Appy é apontado como a bola da vez na equipe econômica. Como era o caso de Kawall, Appy faz parte da ala do governo que deseja um pacote mais contundente na área fiscal, com medidas mais agressivas de contenção das despesas correntes. Ele é do grupo, hoje minoritário, que defende uma reforma da Previdência para conter o crescimento do déficit nessa área. Com a saída de Kawall, em parte causada pela decisão do presidente de fazer um programa mais tímido na área fiscal, Appy ficou ainda mais isolado em sua posição.
Fundo viabilizará negociação de dívida agrícola
Da Agência Folhapress
O governo anunciou nesta quinta-feira um acordo para a renegociação por cinco anos da dívida de R$ 2,2 bilhões dos agricultores com os fornecedores de insumos para o setor que se acumulam desde 2005, quando se agravou a crise agrícola.
"É uma decisão de governo. Nós vamos formar um fundo para viabilizar a renegociação da dívida dos produtores rurais com os fornecedores de insumos", disse Bernard Appy, ministro da Fazenda em exercício, durante as férias de Guido Mantega, titular da pasta.
De acordo com o governador Blairo Maggi (sem partido-MT), que esteve no ministério para fechar o acordo, será criado um fundo para garantir a operação com o equivalente a 10% da dívida em recursos dos agricultores, 20% relativos ao desconto que os fornecedores de matéria-prima concordaram em dar sobre a dívida e uma parcela de até 15% do Tesouro Nacional.
Appy explicou que o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) fará um empréstimo ao fundo, que repassará os recursos ao produtor para que ele quite a dívida com as empresas de insumo. Como o fundo emprestará a uma taxa equivalente à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais juros de 5% e pagará ao FAT só a TJLP, o ganho financeiro do fundo também servirá para cobrir mais uma parcela do risco da renegociação.
O restante será adquirido por um banco internacional, o Citibank, segundo Maggi. Essa instituição financeira terá ganho, se a inadimplência ao final da renegociação for baixa, e prejuízo, se ficar muito elevada.
A negociação para a dívida com os fornecedores de insumos agrícolas começou no fim do ano passado, a pedido do próprio Blairo Maggi. Um dos maiores plantadores de soja do país, o governador reeleito do Mato Grosso foi figura-chave para a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Coube a ele, ajudar a reverter a má votação do presidente nos Estados onde a crise do agronegócio fez Lula perder apoio.
Às vésperas do segundo turno das eleições, após reunião com o presidente no Planalto, Maggi anunciou a liberação de R$ 1 bilhão para a comercialização de soja. O governador, no entanto, teve que esperar até passar as eleições para que a medida provisória com os recursos adicionais fosse publicada, já que o governo não quis dar a aparência de estar tomando uma decisão eleitoreira.
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Jucá articula apoio contra projetos que elevem gastos
Propostas teriam que passar pela Comissão Mista do Orçamento
Christiane Samarco
Da Agência estado
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), articula apoio de líderes aliados para o projeto que dificulta a tramitação de qualquer proposta que implique aumento de gastos para o governo federal. Jucá vai sugerir, logo na sessão de abertura dos trabalhos do Congresso, em 1º de fevereiro, que toda proposição que elevar as despesas públicas de forma permanente só possa tramitar, seja na Câmara ou no Senado, depois de passar pelo crivo da Comissão Mista de Orçamento.
Jucá afirma que se trata de uma iniciativa sua, como senador, e não do Palácio do Planalto. Mas a proposta interessa, e muito, ao governo federal. Afinal, seu autor confirma que o filtro da Comissão de Orçamento será acionado toda vez que um parlamentar propuser gastos governamentais não previstos no Orçamento.
Se a idéia de Jucá for aprovada rapidamente, como ele deseja, facilitará bastante a vida do Planalto na hora de barrar o projeto do aumento real do salário mínimo maior do que o ofertado pelo governo, tradicionalmente apresentado pela oposição no início de cada ano.
Neste caso, em vez de submeter os aliados do governo ao desgaste de derrotar o aumento mais generoso do mínimo em plenário, o Planalto pode se mobilizar para derrubar a proposta na Comissão de Orçamento. O mesmo raciocínio vale para qualquer iniciativa do Congresso concedendo aumento salarial para servidores de qualquer dos três Poderes.
"Se quisermos reduzir impostos, temos que reduzir a despesa", argumenta Jucá. A seu ver, sua proposta não visa a aumentar o poder da Comissão Mista de Orçamento, e sim ampliar sua análise técnica sobre as proposições apresentadas por deputados e senadores. "Trata-se apenas de criar um instrumento a mais para que o Congresso possa se pronunciar com consistência", insiste.
Segundo o líder do governo, quem propuser aumento de gastos terá de dizer qual é a fonte de recursos que financiará a nova despesa.
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Manter carro ficou 3,8% mais caro em 2006
Da Agência Folhapress
No ano passado ficou 3,8% mais caro manter um carro, a menor alta desde 2003, quando a Agência Autoinforme começou a pesquisar a inflação do carro na Grande São Paulo. Foi o aumento acumulado de 2,44% na gasolina - combustível representa 50% do custo de manter um veículo - que puxou a taxa.
Já o álcool, que entre janeiro e fevereiro havia acumulado aumento de 23%, puxando assim a inflação do carro no início de 2006, começou a cair a partir de abril (quando entra a safra de cana-de-açúcar) e fechou o ano com queda de 2,84%.
Em 2006, os produtos aumentaram 4,7%, os serviços caíram 2,16% e os gastos com impostos e seguro subiram, respectivamente, 5,5% e 7,51%. O item com a maior alta foi mão-de-obra e revisões, com 23,3%.
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Consumidor paga dívida e compra mais a prazo
Consultas ao SPC Brasil cresceram 9,79% do dia 1º a 24 de dezembro
MARIANA PAIVA
DO JORNAL DO COMMERCIO
O volume de exclusões de registros de inadimplência nos primeiros 24 dias de dezembro foi 15,11% superior ao de igual período de 2005. Em contrapartida, as consultas realizadas pelos lojistas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil para análise de crédito - mecanismo que mede as vendas parceladas e com cheques - cresceu 9,79% no dias que antecederam ao Natal, comparadas ao ano anterior.
Para o presidente do SPC Brasil, Araken de Carvalho Novaes, os resultados seguem a tendência de evolução das vendas verificada anualmente a partir de novembro. Segundo afirmou, "nas semanas que antecederam o Natal, o consumidor mostrou-se preocupado em honrar os compromissos já assumidos", o que gerou um volume de inclusões 23,48% inferior ao observado nos primeiros 24 dias de dezembro de 2005.
"O recebimento da primeira parcela do 13º salário marcou o início do pagamento das dívidas dos consumidores. O ambiente de euforia provocado pelo Natal e a possibilidade de adquirir bens em várias parcelas foram os maiores estímulos para aumentar as vendas a prazo", disse Novaes.
Para este ano, o executivo informou que os índices de inadimplência deverão diminuir ainda mais. Os fatores que deverão motivar a queda das inclusões no SPC serão a redução dos juros no comércio, a queda da taxa básica de juros (Selic) e o aumento do número de parcelamentos, que dá condições de pagamento, principalmente, para consumidores das classes D e E.
"No ano passado, os setores agrícola e agropecuário sofreram muito com a queda dos preços e aumento dos insumos. Mas agora, os números estão equilibrados com o preço da compra semelhante ao da venda. Isso, com certeza, influenciará no crescimento de alguns segmentos econômicos, principalmente, aqueles localizados na região central do país. Outro setor que deverá motivar a diminuição dos índices no SPC Brasil é o da construção civil, em que o governo pretende restabelecer. Se caminharmos neste sentido, a inadimplência diminuirá este ano", concluiu o presidente do SPC Brasil.
Famílias com crianças, as mais endividadas
DA REDAÇÃO
Pesquisa feita pela LatinPanel revela que os lares com crianças até 12 anos foram os que mais se endividaram, conforme dados colhidos em 2005 e agora tabulados. Essas famílias gastaram naquele ano 5% a mais do que ganharam, enquanto a média das famílias brasileiras ficou no nível de 3% de endividamento.
Os lares com crianças de até 5 anos de idade apresentaram gastos acima da média da população com higiene pessoal (+10%), puxados principalmente pelas despesas com fraldas, xampus, sabonetes e colônias. Os gastos com alimentação (+4%) e vestuário (+2%) também estiveram acima da média nacional.
O segmento de famílias com crianças nesta faixa de idade apresentou em 2005 renda média mensal de R$ 1.244, mas gasto médio de R$1.309, 36% dos quais destinados ao consumo de bens não-duráveis.
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Dieese: perspectiva é de queda de desemprego
Expectativas sobre a renda do trabalhador não são tão positivas
Jander Ramon
Da Agência estado
As projeções para o mercado de trabalho neste ano traçadas pelo meio sindical são otimistas, incluindo a possibilidade de aumento de contratações e redução do estoque de desempregados no país. Conforme cenário projetado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), dependendo do grau de ousadia a ser aplicado pelo governo no pacote de medidas que estimulem o crescimento econômico, o país poderá notar uma queda mais acentuada do desemprego.
"As indicações dadas pelo governo são de estímulo aos investimentos em infra-estrutura. Confirmadas, terão grande impacto na geração de ocupações", analisa a assessora técnica do Dieese, Patrícia Lino Costa.
A técnica observa que também joga favoravelmente ao movimento de contratações a elevação do salário mínimo para R$ 380, estimulando o consumo da população de menor renda e os incentivos à construção civil.
Por outro lado, Patrícia pondera que, ratificada a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% este ano, considerada pela maioria do setor financeiro, o mercado de trabalho tenderá a manter a redução da massa de desempregados, porém num ritmo lento, seguindo o comportamento verificado nos últimos dois anos.
Em novembro, a taxa de ocupação verificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era de 9,5% da População Economicamente Ativa (PEA), nas seis principais regiões metropolitanas do país. Já a Pesquisa Mensal de Emprego e Desemprego (PED), produzida pelo Dieese em parceria com a Fundação Seade, identificou índice de 14,1% de desempregados na PEA da Grande São Paulo, o menor para o mês desde 1996.
"O fato é que o desemprego caiu mais em São Paulo, puxado pela indústria, e Belo Horizonte, por serviços, e não teve o mesmo comportamento no restante do país. Acreditamos que há espaço para a indústria expandir contratações, acompanhada por serviços, e o crescimento do emprego ocorrer em todas as regiões", indicou Patrícia.
Uma vez que as projeções são de continuidade de queda dos juros em ritmo lento e de câmbio sem grandes oscilações, a perspectiva do Dieese é de contratações atreladas ao consumo do mercado doméstico. Assim, os segmentos ligados a calçados, vestuário, têxtil e alimentação deverão gerar os postos de trabalho.
serviços. Na mesma linha, os prestadores de serviços ligados à indústria também poderão se beneficiar desse ambiente favorável de criação de empregos.
A preocupação do Dieese para o conjunto do ano ainda se refere à renda do trabalhador. Conforme a pesquisa do IBGE, o rendimento médio real de novembro, nas seis regiões, ficou em R$ 1.056,60, alta de 0,6% em relação a outubro e representando um ganho de aproximadamente 5,7% em um ano. Em outubro, a PED identificou recuo do rendimento dos trabalhadores na Grande São Paulo de 3,7% ante setembro, equivalendo a R$ 1.105.
"A massa de salários está crescendo com a expansão da ocupação, mas o rendimento médio ainda não reage. Os postos criados são de remuneração menor, um movimento normal, dado o alto volume de desempregados que ainda há no país", justificou.
Segundo Patrícia, a expansão da atividade econômica e a queda do desemprego poderão estabelecer condições para os sindicatos buscarem melhores reajustes salariais nas campanhas coletivas.
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Cidade de São Paulo tem a menor inflação desde 1998
Mesmo pressionado pelo grupo Transportes, IPC sobe apenas 2,55%
Célia Froufe
Da Agência estado
O Índice de Preço ao Consumidor (IPC) subiu 2,55% em 2006 no município de São Paulo, a menor taxa desde 1998, quando houve deflação de 1,79%. O aumento das tarifas de transportes públicos em 31 de novembro fez do grupo Transportes o vilão da inflação. A alta do grupo foi de 7,25%, segundo informou nesta quinta-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
De acordo com Juarez Rizzieri, pesquisador da Fipe, "se não fosse isso (o reajuste do transporte), a inflação de 2006 ficaria abaixo de 2%". Rizzieri ponderou que "uma taxa de 2,55% é uma inflação abaixo da meta (referindo-se ao índice de 4,5%, definido pelo governo) e, portanto, um sucesso". Em seguida, perguntou e respondeu: "Mas e o custo disso? Foi o baixo crescimento."
A alta no grupo de Transportes foi mais significativa no mês de dezembro (4,73%); com isso, a inflação desse mês, de 1,04%, foi a maior desde fevereiro de 2003 (1,61%) e concentrou 40% da inflação do ano.
O segundo grupo com maior reajuste médio de preços no ano foi Saúde, que acumulou elevação de 6,36%, com destaque para os contratos de assistência médica (8,71%). O grupo Educação subiu 5,45% no ano. "As matrículas e mensalidades escolares têm seus preços reajustados com base na inflação do ano anterior", explicou Rizzieri. O grupo Despesas Pessoais teve alta de 3,36%.
alimentação. A grande contribuição para a inflação ter sido baixa em 2006 veio do grupo Alimentação, com alta de 0,06%. "Grande parte disso foi ocasionada pela boa oferta de produtos no ano passado", disse Rizzieri. No acumulado do ano passado, o grupo Alimentação apresentou alta de 0,06%, a menor desde 2000, quando teve recuo de 0,15%. A maior queda de preços foi vista nos produtos in natura (-5,48%), entre eles, frutas, legumes, tubérculos, verduras e ovos.
Os industrializados também apresentaram deflação, de 1,16%. Já os semi-elaborados (carnes bovinas, suínas, de aves, pescados) registraram alta média de 2,55%. Alimentação fora do domicílio foi o componente de maior alta do grupo em 2006: 6,49%. No caso de vestuário, a inflação acumulada de 2006 foi de 0,25%. De acordo com Rizzieri, o grupo teve pouco espaço para aumento de preços devido à concorrência do setor têxtil internacional.
O grupo Habitação subiu 1%. Dentre os seus componentes, o gás canalizado foi o que apresentou a maior elevação no ano passado, de 7,51%. E apresentaram queda expressiva dentro desse grupo todos os equipamentos relacionados à imagem e som (-14,08%), eletroeletrônicos (-4,95%) e de informática e telefonia (-28,50%).
Para este ano, Rizzieri prevê que a inflação na capital paulista "seguramente será maior do que a do ano passado".
Inflação para idosos é mais baixa desde 94 Alessandra Saraiva
Da Agência estado
Beneficiada por alta menor de tarifas, a inflação entre os idosos fechou o ano de 2006 no nível mais baixo desde o Plano Real, em 1994. É o que mostram os resultados do Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador subiu 2,06% em 2006 - menos da metade da taxa em 2005 (5,05%).
A taxa anual foi influenciada pelo resultado do quarto trimestre do ano passado, que subiu 0,86%. Embora seja superior à do IPC-3i do trimestre anterior (0,5%), foi menor do que a do Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BRl), que mede a inflação no varejo em todas as faixas etárias e subiu 1,01%.
O resultado anual do IPC-3i também foi inferior ao apurado pelo IPC-Brasil em 2006 (4,93%). O economista da FGV, André Braz, explicou que as tarifas administradas, como telefonia e eletricidade, têm peso maior na formação da inflação do idoso, do que no cálculo da inflação total do varejo, medida pelo IPC-BR.
"Sem dúvida, as tarifas explicam muito esse resultado. Elas afetaram o desempenho dos preços do grupo habitação, que é o que mais pesa no IPC-3i", afirmou.
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FGTS: última parcela de acordo sai no dia 11
Caixa Econômica repassará aos bancos cerca de R$ 800 milhões
Isabel Sobral
Da Agência estado
O governo federal pagará nesta semana a última parcela da correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) devida a quase 40 milhões de trabalhadores que deixou de ser feita por causa dos planos econômicos Verão e Collor 1, entre 1989 e 1990. Com isso, estará quitado o que foi batizado há cinco anos de o "maior acordo do mundo" e enterrado um "esqueleto" para as contas públicas que custou R$ 38,6 bilhões.
A Caixa Econômica Federal (CEF), administradora das contas vinculadas ao FGTS, vai repassar aos bancos, no dia 11, cerca de R$ 800 milhões que serão depositados, em quatro dias úteis, nas contas indicadas pelos trabalhadores quando assinaram o termo de adesão ao acordo. A última parcela será paga a trabalhadores com crédito acima de R$ 8 mil.
Para o vice-presidente da Área de Transferências de Benefícios da Caixa, Carlos Augusto Borges, a quitação dos pagamentos representa um marco para a sociedade. "Foi a vitória da negociação", comentou. Os saldos das contas do FGTS de dezembro de 1988 a fevereiro de 1989 tiveram direito a correção de 16,64% por força do Plano Verão e os saldos de abril de 1990, uma correção de 44,8% por causa do Plano Collor 1 que deixaram de ser feitas. Após uma disputa judicial que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), o governo fechou um acordo com empresários e trabalhadores para quitar o rombo em cinco anos.
As empresas concordaram em recolher ao fundo, nesse período, uma alíquota de 8,5% sobre a folha salarial, sendo 0,5% adicional, e um percentual extra de 10% à multa de 40% que incide sobre o saldo do FGTS em caso de demissão sem justa causa.
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Linhas de crédito para despesas de início de ano
Bancos financiam gastos com IPTU e IPVA
Vinícius Pinheiro
Da Agência estado
Atentos ao aumento da demanda por crédito em conseqüência das despesas de início de ano dos clientes com impostos, mensalidade escolar e compras de Natal, vários bancos anunciaram a criação de linhas de financiamento especiais para este período do ano.
O Itaú oferece a partir deste mês crédito para o pagamento do IPVA, disponível para correntistas de São Paulo que têm limite pré-aprovado. O financiamento pode ser contratado em caixas eletrônicos, com opção de parcelamento no momento do pagamento dos tributos. O prazo máximo para quitar o empréstimo é de 36 meses, com juros a partir de 4,07% ao mês.
O Banco do Brasil oferece prazo de até 48 meses e juros de 2,41% ao mês no crédito para a quitação de impostos como IPTU e IPVA. A operação também é feita diretamente nos terminais de auto-atendimento.
Na modalidade oferecida pelo Santander Banespa para o pagamento de IPVA, o empréstimo pode ser pago em até dez meses, com taxa de 2,90% ao mês e carência de até 90 dias. "O cliente pode aproveitar esse prazo para quitar as despesas do ano anterior, como as compras de Natal, por exemplo, para depois pagar o financiamento", disse o gerente-geral de Produtos Pessoa Física da instituição, Marcos Figueiredo.
A Caixa Econômica Federal também anunciou a criação de linhas especiais para as despesas de início de ano, com juros a partir de 1,3% e prazo de até 48 meses.
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Sancionadas as leis que criam Sudam e Sudene
Governo ainda editará decretos regulamentando o funcionamento dos órgãos
Renata Veríssimo
Da Agência estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos, as leis que criam a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Mas para que as duas instituições saiam do papel, o governo ainda terá que editar decretos regulamentando o funcionamento delas. "A nossa idéia é estar com esta regulamentação pronta no final de março," informou o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito.
Com a publicação dos decretos, ficarão extintas as Agências de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) e de Desenvolvimento do Nordeste (Adene). "Essa preparação dos decretos não é uma pura burocracia porque envolve a gestão das instituições, a composição da estrutura, a formação de quadro de pessoal qualificado e a definição dos níveis de salário", justificou o ministro.
Os servidores das agências serão incorporados ao quadro da Sudam e da Sudene, mas um concurso público será aberto para a contratação de novos funcionários. Brito destacou, no entanto, "que será montado um corpo técnico enxuto e qualificado".
A Sudam e a Sudene foram extintas em 2001, no governo FHC, no rastro de várias denúncias de fraudes e corrupção. No lugar das extintas superintendências, FHC criou as agências regionais de desenvolvimento. Já na campanha à Presidência, em 2002, Lula prometia recriar as instituições. Eleito, enviou os projetos de lei em meados de 2003 ao Congresso, que os aprovou no final do ano passado.
O ministro da Integração Nacional, a quem as superintendências ficarão subordinadas, garante que o processo para liberação de recursos está mais seguro. O processo de análise de risco dos projetos de investimentos apresentados à Sudam e à Sudene será feito pelos bancos oficiais federais (Banco da Amazônia e Banco do Nordeste). No passado, essa análise era realizada dentro das próprias instituições.
LISURA. "Isso é uma mudança radical de processo que vai garantir essa completa lisura dos procedimentos. Vai funcionar como qualquer empresa que se dirige ao BNDES, ao Banco do Brasil, ou a Caixa Econômica para aprovar um financiamento", explica o ministro. Outra mudança, disse ele, é que a liberação dos recursos não se dará mais em forma de participação acionária, mas por meio de empréstimos que serão concedidos aos grupos interessados em investir na região.
As novas Sudene e Sudam receberão recursos dos fundos constitucionais de financiamento e de desenvolvimento. O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) terão em torno de R$ 6,5 bilhões para o exercício de 2007. Já a previsão para o Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) é cerca de R$ 2,3 bilhões.
Segundo as leis publicadas no Diário Oficial, a Sudam abrangerá os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins e Pará, além de parte do Maranhão. A área de atuação da Sudene incluirá todos os estados do Nordeste e alguns municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.
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Aumentos do álcool serão contidos
Safra recorde e estoques do governo devem frear reajustes para o consumidor, segundo o governo
Fabíola Salvador
Da agência Estado
Depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do abastecimento interno de álcool, o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, tentou, por meio de nota distribuída pela assessoria de imprensa da pasta, tranqüilizar os consumidores. Ele informou que a produção recorde na safra 2006/07 e os estoques devem conter a alta dos preços.
Levantamento semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o preço médio do litro do hidratado, que é vendido diretamente nos postos, aumentou 4,59% na última semana nas usinas paulistas, para R$ 0,84299. Nos postos, a alta foi de R$ 0,10 por litro na passagem do ano.
"Esperamos que as cotações se mantenham conservadoras até meados de abril, quando começa a nova safra", disse Guedes, referindo-se ao início do período de esmagamento da cana-de-açúcar produzida no Centro-Sul, região que responde por cerca de 85% da produção brasileira.
Até lá, calculou, os estoques devem cair do nível atual de 4,78 bilhões de litros para 500 milhões de litros.
A produção de álcool na safra 2006/07 do Centro-Sul, concluída em dezembro, somou 15,86 bilhões de litros, volume recorde. Os números tão favoráveis não impediram que os preços do álcool nas usinas e nos postos subissem nos últimos dias.
Apesar das oscilações positivas, o quadro é muito diferente do ocorrido no começo de 2006, quando os preços superam o teto acordado pelo governo federal com os usineiros para venda do litro a R$ 1,15 nas usinas. Mesmo assim, a alta recente acendeu uma luz amarela no Palácio do Planalto. Na reunião desta quinta, o presidente teria dito ao ministro que estava muito preocupado com a alta dos preços. Lula também teria cobrado explicações do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau.
Em nota, Guedes argumenta que não há justificativas para aumentos elevados nos preços, tendo em vista o atual quadro de oferta e demanda. "Os números mostram que o mercado estará plenamente abastecido ao longo do ano", avaliou. Mesmo com a aparente tranqüilidade, o ministro comentou que os aumentos foram um pouco elevados, mas estão dentro dos parâmetros normais de mercado.
"Como qualquer outro produto de origem agrícola, o valor do álcool incorpora os custos de carregamento do estoque e está sujeito aos efeitos da sazonalidade", comentou. Para ele, quatro fatores justificam a alta. O preço do álcool relativamente favorável em comparação com o da gasolina foi o primeiro motivo. O ministro também lembrou do crescimento da demanda decorrente do período de festas de fim de ano e de férias escolares. Guedes comentou que a frota de carros bicombustível chegou a 2,5 milhões de veículos e que por causa do "apagão aéreo" a população optou pelo transporte rodoviário.
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UE prepara incentivos para mercado de etanol
Políticas de subsídios e metas de uso sairão na semana que vem
Jamil Chade
Correspondente da agência Estado em Genebra
A União Européia (UE) prepara um amplo pacote de políticas para incrementar o mercado de etanol nos 27 países do bloco. O anúncio ocorrerá em Bruxelas na semana que vem e incluirá novas metas de uso do biocombustível entre os países europeus, em parte substituindo aos combustíveis fósseis e reduzindo a dependência em relação às importações de petróleo. Para diplomatas em Bruxelas, a criação de um mercado de álcool na Europa terá um impacto direto na produção brasileira, já que os próprios europeus reconhecem que terão de importar do país no futuro para abastecer seu mercado.
Nesta semana, a França iniciou a instalação de postos de gasolina que também oferecerão álcool em todo o país. Alemanha, Polônia e Suécia também já contam com o combustível. Hoje, na Inglaterra, a comissária para a Agricultura da UE, Mariann Fischer-Boel, confirmou que a Comissão Européia irá subsidiar usinas de açúcar que queiram se transformar em usinas de álcool, além de destinar recursos de programas de ajuda rural para agricultores que queiram seguir esse caminho.
Na Europa, porém, o etanol é apenas competitivo quando o barril do petróleo estiver acima de 90 euros. Com um valor de 60 euros por barril de petróleo, portanto, a produção de etanol consegue a duras penas sobreviver na UE. Não por acaso, as tentativas feitas até agora pela UE para implementar o uso do etanol não tiveram o sucesso esperado. Muitos países não chegam sequer aos índices sugeridos pela Comissão para o uso do biocombustível entre suas fontes de energia.
Diante dessa situação, Bruxelas decidiu anunciar que novas formas de financiamento serão adotadas para facilitar a adoção do novo combustível pelos agricultores europeus. "Claramente, o biocombustível não irá superar os combustíveis fósseis de um dia para o outro", afirmou Fischer-Boel, que admite que o setor rural europeu ainda está cauteloso com as perspectivas de ganho do etanol. "Mas estamos tomando uma atitude estratégica em relação ao setor", explicou a um grupo de agricultores britânicos.
O projeto que será divulgado na semana que vem ainda é visto como um novo incentivo para que o setor agrícola europeu comece a pensar no etanol como uma solução, já que parte da produção tradicional está se tornando cada vez menos competitiva com as perspectivas de cortes de subsídios, entre elas o de açúcar de beterraba. Segundo ela, os produtores que optaram pelo etanol já estão ganhando dinheiro. Em um ano, a produção aumentou em 60%, atingindo 4 milhões de toneladas de biocombustível. "Esse projeto deve dar ao setor um novo impulso", garantiu Fischer-Boel, que aponta que cabe a cada país do bloco decidir se aceitará cortar impostos para a produção local de etanol.
Na França, o governo aboliu todos as taxas para que quiser produzir e vender o álcool e espera, até o final do ano, ter 500 postos de gasolina funcionando em todo o país. Para 2010, a meta da França é de que o etanol corresponda a 7% do consumo de combustível no país. Em um levantamento feito pelo governo francês, 89% dos entrevistados afirmam que estavam dispostos a trocar seus carros por veículos com motores flexfuel.
A estratégia a partir de agora será a de autorizar o funcionamento do mercado, enquanto financiam novos projetos. Outro pilar da estratégia é o desenvolvimento de uma nova geração de etanol, que seria mais competitiva que a que se usa no Brasil. Segundo Fischer-Boel, o novo mercado de etanol na Europa, mesmo com os incentivos, não conseguirá ser abastecido inteiramente pelos produtores da região.
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Distribuidoras acusam usinas por elevação de preços
Gustavo Porto
Da agência Estado
Na primeira semana de 2007 as usinas continuam oferecendo álcool combustível caro, apesar do preço estável em relação à última semana de 2006, na avaliação do vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Distribuição de Combustível e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz. "Tem muita gente oferecendo álcool por um preço alto e as empresas (distribuidoras) estão retraídas, negociando com os clientes e comprando pequenas quantidades."
Para Vaz, o reajuste em dezembro decorreu do aumento pontual da demanda. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o preço médio do litro subiu 4,59% na última semana do ano nas usinas paulistas e acumulou alta de 12,91% ante o fim de novembro. Vaz citou a crise aérea como uma das causas do aumento da demanda, já que muitas pessoas optaram por viajar de carro. Ele considerou natural a alta do preço na entressafra da cana.
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Petrobras e Estado do Rio discutem fornecimento de gás para a CSA
Siderúrgica de US$ 3,6 bilhões vai consumir 500 mil m3 por dia na fase inicial
DANIELE CARVALHO
DO JORNAL DO COMMERCIO
A escassez de gás natural no país já preocupa a Petrobras e o governo do Estado do Rio de Janeiro. Com uma previsão de que o Estado receberá a médio e longo prazos investimentos de grande envergadura e intensivos em energia elétrica, as duas partes decidiram em reunião realizada nesta quinta-feira na sede da empresa, no Rio, dar prioridade ao fornecimento de gás ao projeto da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) parceria entre a Companhia Vale do Rio Doce a alemã ThyssenKrupp e não construir térmicas a carvão na região. Em contrapartida, projetos hidrelétricos e de geração de gás terão prioridade no licenciamento.
"Acertamos que seremos seletivos, tanto a Petrobras quanto o Estado. Vamos fazer uma avaliação judiciosa do portfólio, porque existe um problema que é evidente do país, o de fornecimento de gás. Vamos selecionar os projetos que terão fornecimento a partir de sua importância econômica e da sua relevância na utilização de gás. A CSA é hoje o maior investimento privado do Brasil e precisará de gás. Teremos que ter gás para a CSA. Serão US$ 3,6 bilhões em investimento", defendeu o secretário de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, Júlio Bueno.
A preocupação do novo governo exigirá uma solução rápida, já que a CSA tem previsão de consumir 500 mil metros cúbicos de gás assim que entrar em operação, em 2008. A decisão sobre o assunto, segundo Bueno, será tomada na semana que vem. Outra alternativa em estudo é o remanejamento do gás distribuído ao parque industrial do Estado. "Isto seria feito em casos onde fornecimento pode ser interrompido ou onde se possa usar outros combustíveis", acrescentou. Ele disse que uma compensação para estas empresas poderia ser discutida.
usinas a carvão. Quanto às usinas a carvão, Bueno disse que, tanto ele quanto o secretário de Meio Ambiente, Carlos Minc, são contra. Entre os projetos que já foram descartados está a construção de uma térmica em Sepetiba, um empreendimento do grupo Inepar. "A usina a carvão em Sepetiba traria o risco de se transformar a região em uma nova Cubatão. Outros projetos de abastecimento de gás e hidrelétricas serão tratados como prioridade de licenciamento. Queremos dar no Rio o exemplo de que é possível ser rápido e rigoroso", afirmou Minc.
Ainda de acordo com o secretário, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, compreendeu o posicionamento do Estado de proibir a construção da térmica a carvão. "Ele entendeu que não se pode sobrecarregar ainda mais um baía que já está saturada", disse ele.
Outro projeto que estaria ameaçado é o do grupo MMX, do empresário Eike Batista, no Complexo do Açu, em São João da Barra. Ali, seriam construídos um porto, uma pelotizadora e uma siderúrgica, num valor total de mais de US$ 1 bilhão, que seriam abastecidos por uma térmica a carvão.
Já em relação ao Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro, em Itaboraí, Minc afirmou que a licença ambiental será emitida até setembro. Segundo ele, as exigências serão mais rígidas que as do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). "A liberação de dejetos no meio ambiente terá de ser de 0%", concluiu. "O objeto principal da nossa conversa foi o licenciamento ambiental do complexo petroquímico, que será feito como prioridade do Estado. Vamos, inclusive, fazer a contratação de doutores e mestres no assunto porque se trata do maior licenciamento ambiental da América Latina", ressaltou Minc.
Além dos secretários e de Rondeau, participaram da reunião o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o vice-governador Luiz Fernando Pezão. Na ocasião , foi acertada também a dragagem pela Petrobras do Canal do Cunha, nas proximidades da Linha Vermelha, que exigirá desembolso de R$ 40 milhões.
recorde de refino. A Petrobras estabeleceu em 2006 recorde no processamento de petróleo nas refinarias do país. A média processada nas unidades de refino no ano passado foi de 1,784 milhão de barris/dia, crescimento de 1,5% em relação aos 1,758 milhão de barris/dia verificados durante 2005.
Em comunicado, a companhia atribuiu o desempenho à "elevada confiabilidade operacional das unidades de produção, nas áreas de refino e transporte, à excelência na gestão da cadeia de suprimento, que vai desde a matéria-prima até a entrega dos derivados aos clientes", alega a estatal.
A mesma nota destaca ainda a plena utilização das unidades de conversão (coque e desasfaltação), resultante, segundo a companhia, da alta capacitação no refino de petróleo pesado, extraído de campos nacionais e o desenvolvimento de novos mercados e soluções para a exportação de excedente da produção de óleo e derivados.
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Brasil e China assinam acordo de infra-estrutura
Da agência Brasil
Os governos do Brasil e da China intensificarão a cooperação bilateral na área de energia elétrica, recursos hídricos, petróleo e gás natural. O decreto que promulga o acordo entre os países foi publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União.
O acordo - que prevê o intercâmbio de tecnologias, informação, conhecimento e treinamento - foi celebrado em Pequim em junho deste ano. O objetivo é fortalecer a cooperação na área de infra-estrutura entre empresas.
Na lista de obras estão previstos projetos hidrelétricos nos Rios Madeira, Xingu, São Francisco e Paraíba; a construção de um gasoduto para transporte de gás natural, entre outros. São responsáveis pela implementação do acordo o Ministério de Minas e Energia do Brasil e o Ministério do Comércio da China.
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Aneel aprova reengenharia da Light
Grupo conclui transferência de ativos das áreas de geração e distribuição
Leonardo Goy
Da agência Estado
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou e fez publicar nesta quinta-feira no Diário Oficial da União a última etapa do processo de desverticalização de ativos da Light. A Aneel aprovou a transferência dos ativos de geração e transmissão da Light Serviços de Eletricidade (distribuidora) para a Light Energia.
A legislação do setor elétrico determina que empresas que atuam na distribuição de energia devem separar dessa atividade os ativos das áreas de geração e transmissão.
A Aneel também aprovou a incorporação, pela CPFL Geração, das subsidiárias CPFL Centrais Elétricas e Serra da Mesa (Semesa). A operação faz parte do processo de reestruturação do grupo, que inclui a separação dos ativos de geração e transmissão dos de distribuição. Com a incorporação, a CPFL passou a deter a concessão de usinas outorgadas, em 1997, à CPFL Centrais Elétricas e da central geradora hidrelétrica (CGH) Ponte da Silva, outorgada à Semesa.
Inquilinos agora podem ter tarifa de baixa renda
Leonardo Goy
Da agência Estado
Os consumidores de baixa renda que moram de aluguel terão mais facilidade para receber o benefício da tarifa social, que permite o desconto de até 60% na conta de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou nesta quinta-feira, no Diário Oficial da União, resolução que permite ao inquilino, que mora numa residência cuja conta de luz ainda permanece no nome do proprietário, usufruir também da tarifa mais baixa.
Para obter o benefício, o inquilino terá que apresentar uma declaração da distribuidora de energia assegurando que é o morador da residência e responsável pelo pagamento da conta. Desse forma, se o seu consumo estiver dentro da faixa que permite o acesso à tarifa social, poderá ter o desconto da tarifa, que em alguns casos chega a até 60% do valor da conta.
Pelas regras do setor elétrico, toda residência que tenha ligação monofásica e apresente consumo médio mensal de até 80 quilowatts-hora (kWh) tem direito automaticamente à tarifa social.
Técnicos da Aneel explicaram, entretanto, que alguns consumidores de baixa renda que moram de aluguel estavam tendo dificuldades para receber o benefício. O problema vinha ocorrendo nos casos em que a conta de luz era registrada no nome do proprietário. Como muitas vezes os proprietários possuem mais de um imóvel, as distribuidoras somavam o consumo de todas as residências em nome desses proprietários. O resultado, em alguns casos, acabava superando os 80 kWh, inviabilizando o desconto.
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Inflação oficial na Argentina é menor que a inflação real
Índice de 9,8% no ano passado ficou dentro da meta inferior a 2 dígitos
Marina Guimarães
Especial para a agência Estado
O presidente Néstor Kirchner dá o pontapé inicial ao ano eleitoral com a notícia que perseguiu durante todo o ano passado: a inflação acumulada de 2006 foi de 9,8%, cifra menor de dois dígitos, exatamente como queria. Os dados oficiais divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos mostram que a inflação do ano passado foi 2,5 pontos inferior aos 12,3% registrados em 2005. O resultado, segundo o governo, deve-se aos acordos de preços entre a Secretaria de Comércio Interior e os principais setores que incidem nos cálculos do IPC. No entanto, existem controvérsias sobre o número oficial e sobre a eficácia dos controles de preços.
A sensação que os consumidores argentinos têm ao colocar a mão no bolso para pagar suas contas é de que a inflação real é bem mais alta. De fato, alguns economistas confirmam o sentimento dos consumidores. Pablo Rojo, ex-assessor de Economia de Carlos Menem nas últimas eleições, por exemplo, afirma que "os controles de preços são efetivos sobre um número reduzido de produtos, os quais são os que têm uma alta ponderação no IPC, mas para o resto dos bens e serviços, a inflação acumulada do ano gira em torno de 14% a 15%".
Uma opinião similar foi dada pelo economista José Luis Espert, quem figura na lista negra do presidente Kirchner por causa de suas críticas contra a falta de um plano econômico de longo prazo e, evidentemente, pelos controles de preços. "A política de Kirchner para baixar o IPC, o IPK (diz em tom de gozação em referência ao "K" de Kirchner), é um fracasso total porque destroçou vários mercados (referência à intervenção oficial nos mercados de grãos, carne bovina, laticínios, frutas e verduras) só para conseguir uma redução de 12,3% para 9,8% (-2,5 pp) no IPC anual", critica fortemente.
Para Espert, "os acordos de preços são um fracasso particular dentro do fracasso generalizado da política oficial de baixa do IPC porque 80% dos 2,5 ponto se devem à queda no preço da carne e na menor inflação do leite, setores que sofreram as proibições para exportar". Espert afirma que a "chave da queda da inflação encontra-se nas restrições às exportações". Para o economista, a inflação verdadeira tem que ser refletida em outros indicadores oficiais não controlados pelo governo, como, por exemplo, "a inflação da construção que está em 22%, a dos salários, em 19% e a do PIB, em 15%".
O economista Orlando Ferreres, ex-vice-ministro, explica que "o governo de Kirchner assumiu o custo de provocar distorções nos preços relativos para baixar um pouco inflação, e o que preocupa é a continuidade dessa estrutura de preços". Ferreres considera que a atual política de preços vai continuar até passar as eleições presidenciais, marcadas para outubro próximo, e até lá, "não sabemos como o governo fará para manter o esquema sem introduzir maiores distorções".
País volta a recorrer à OMC contra o Brasil
A Argentina foi à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o Brasil. A queixa se refere a uma medida antidumping que o governo brasileiro aplica sobre a importação de uma resina para garrafas PET. Para Buenos Aires, a imposição das sobretaxas é ilegal e fere os acordos internacionais. Segundo analistas, se o valor do comércio do produto não tem um peso significativo no fluxo de bens entre os dois países, a queixa mostra mais uma vez a fragilidade do Mercosul, uma união aduaneira que não consegue solucionar os problemas entre seus membros com seus próprios mecanismos.
Por enquanto, o pedido feito à OMC pelos argentinos é para que consultas sejam realizadas entre Buenos Aires e Brasília sobre o tema, o que deve ocorrer até o final de fevereiro.
Crescimento em 2006 só foi menor que o da Venezuela
Marina Guimarães
Correspondente da agência Estado em Buenos Aires
A Argentina é o segundo país da América Latina com maior crescimento econômico registrado em 2006, segundo relatório elaborado pelo BBVA Banco Francês, divulgado nesta quinta-feira. Segundo o estudo, as principais economias latinas cresceram 5,2% no terceiro trimestre de 2006, comparando com o mesmo período do ano anterior. Os países que mostraram um maior dinamismo foram Venezuela (+10,2%), Argentina e Peru (+8,7%) e Colômbia (+7,6%), afirmou o banco.
Por este motivo, o Serviço de Estudos do BBVA prevê que a economia da América Latina crescerá um 4,5% em 2007, enquanto que a inflação se manteria em níveis reduzidos em termos históricos, na casa de 5,3%. Segundo o banco, a região "acelerou seu crescimento na segunda metade de 2006 e poderia fechar o ano com um avanço do PIB da ordem de 5,1%".
O relatório destacou ainda que ao longo do ano passado o comportamento da inflação na região "foi positivo", mas ressalta que houve "episódios pontuais devido a fatores estacionais, e a tendência é claramente descendente desde meados de 2005". O BBVA destaca ainda que "a grande maioria de países mostra hoje taxas próprias de países desenvolvidos, com menção especial ao Chile (2,1%) e Peru (1,5%)".
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Como parte das preparações para o ingresso oficial do Vietnã na Organização Mundial do Comércio (OMC) na próxima semana, o governo de Hanói anunciou a flexibilização nas restrições para o fluxo de capital de entrada e saída do país, para recursos com fins de investimentos e comércio. Um ponto central da nova legislação garante a livre conversão, sem limitações de quantidade do dong (a moeda local), desde que os lucros e investimentos estejam documentados legalmente, de acordo com informações de uma autoridade do banco central do país. "O Vietnã ingressa oficialmente na OMC no próximo dia 11 e o investimento estrangeiro direto no país deve aumentar.
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Nancy Pelosi assume a Câmara dos EUA
Deputada é a 1ª mulher a assumir o posto, em
cerimônia que consolida a maioria democrata no Congresso
Da agência Reuters
Nancy Pelosi, uma liberal da Califórnia que ajudou a arquitetar a retomada democrata do Congresso americano, tornou-se na quinta-feira a primeira mulher a ser eleita para comandar a Câmara dos Deputados. Em uma votação amplamente partidária, Pelosi, de 66 anos, foi escolhida como presidente da Câmara, cargo que faz dela a segunda na linha de sucessão à presidência dos EUA, atrás apenas do vice-presidente da República. O líder republicano da Câmara, John Boehner, que teve várias batalhas políticas com Pelosi ao longos dos anos, saudou a ascensão da democrata.
A 110ª legislatura do Congresso americano começou nesta quinta-feira, pela primeira vez com maioria democrata na Câmara e no Senado desde o início do governo de George W. Bush. Embora ambos os lados prometam colaboração, é certo que haverá embates, em temas como a estratégia para o Iraque, as atuais restrições às pesquisas com células-tronco e a redução das desigualdades sociais.
O primeiro dia da nova legislatura foi ocupado principalmente com atividades cerimoniais, como a posse de 535 deputados e senadores. Os corredores do Capitólio ficaram repletos de parentes e cônjuges de parlamentares - um deles, o ex-presidente Bill Clinton, marido da senadora Hillary Clinton, passeava pela sala de imprensa do Senado pouco antes das 12h. "Vim pedir emprego", brincou.
Os democratas querem colocar mãos à obra rapidamente. O primeiro tema a ser votado nos próximos dias na Câmara e no Senado será uma reforma ética, para impor barreiras ao relacionamento entre parlamentares e lobistas, assunto que provocou a renúncia de quatro deputados republicanos no ano passado.
Os líderes da maioria no Senado, Harry Reid, e da minoria, Mitch McConnell, disseram que vão defender um projeto bipartidário para elevar o salário-mínimo em US$ 2,10 por hora. Senadores republicanos e Bush também querem incluir benefícios fiscais para novas pequenas empresas.
Esse espírito de cooperação será colocado à prova pela questão do Iraque, sobre a qual nos próximos dias Bush deve apresentar uma nova estratégia, possivelmente com um aumento imediato de tropas, ao contrário da retirada gradual defendida pelos democratas. Reid disse que será necessário que o Congresso continue trabalhando em outros temas apesar das divisões sobre o Iraque.
Orçamento.
Além disso, os democratas querem preparar os EUA para alcançar um equilíbrio orçamentários nos próximos cinco anos. Na quarta-feira, Bush deu apoio a essa meta, mas sem explicar como.Entre as propostas democratas para dar "uma nova direção à América" (seu slogan de campanha) estão a redução das taxas de juros em empréstimos educacionais federais, a retomada das pesquisas públicas com células-tronco, a suspensão de algumas isenções tributárias para grandes empresas petrolíferas e autorização para que o governo negocie preços mais baixos em medicamentos para idosos.
A expectativa é de que essas iniciativas sejam facilmente aprovadas na Câmara, mas algumas podem enfrentar resistência maior no Senado, onde a maioria democrata é bem mais estreita.
0 Novo congresso
Senado
Câmara
Ascensão de democratas ameaça acordos comerciais
Doug Palmer
Da agência Reuters
A maioria democrata no Congresso americano que tomou posse nesta quinta-feira deve levar o presidente George W. Bush a perder sua autoridade para negociar acordos comerciais e pode inviabilizar os tratados de livre-comércio com Peru, Colômbia e outros países, segundo analistas.
A não ser que haja algum avanço inesperado na chamada Rodada de Doha de negociações comerciais globais, a autoridade de promoção comercial - atual nome do mecanismo conhecido por fast track -, que permite ao presidente negociar acordos comerciais sem interferência do Congresso, provavelmente expirará em junho.
O senador Max Baucus e o deputado Charles Rangel, presidentes de importantes comissões econômicas do Congresso, prometeram trabalhar com a Casa Branca em questões comerciais, mas eles não representam a média dos democratas, em geral temerosos com tratados comerciais, segundo Grant Aldonas, subsecretário de Comércio do governo Bush até 2005.
"Há pessoas enormemente construtivas no lado democrata, e duas delas por acaso são presidentes (de comissões importantes)", disse Aldonas. "Então a verdadeira questão é como eles criam o espaço político para fazer algo num momento em que o humor é claramente contrário ao comércio."
Em artigo publicado na quinta-feira no Wall Street Journal, Baucus propôs a renovação da autoridade comercial de Bush para, se possível, concluir a Rodada de Doha e buscar possíveis acordos comerciais bilaterais com a União Européia e o Japão.
"A autoridade do fast track deve ser melhorada ao ser renovada", escreveu ele, defendendo regras trabalhistas e ambientais e medidas destinadas a conter o déficit comercial dos EUA e ajudar os trabalhadores eventualmente demitidos por causa de importações. Mas Greg Mastel, ex-assessor de Baucus, hoje funcionário de um escritório de advocacia, duvida que a Casa Branca e os democratas cheguem a um acordo para manter o fast track.
"Isso exige uma certa dose de confiança de ambos os lados. A confiança entre o governo e o Congresso a respeito do comércio está numa maré baixíssima neste momento", afirmou. Os acordos com Peru e Colômbia servirão de teste para essa relação.
"Prevejo que a maioria democrata vai insistir bem energicamente para que haja regras que protejam a liberdade de associação e a liberdade de negociação coletiva (dos trabalhadores). Isso seria duro para o governo Bush engolir", disse Sherman Katz, analista de política comercial do Fundo Carnegie para a Paz Internacional.
A autoridade de promoção comercial, pela qual o Congresso só pode aprovar ou vetar os acordos do presidente, sem alterá-los, expirou pela primeira vez em 1994, quando Bill Clinton era presidente, e só foi renovada em 2002, já no governo Bush.
Alguns analistas dizem que o governo Bush obteria uma prorrogação temporária da autoridade comercial se houver avanços na Rodada de Doha, empacada há anos devido a diferenças nas questões agrícolas.
Para Ed Gresser, diretor de políticas comerciais do Instituto da Política Progressista, obter avanços em Doha exigiria que o governo Bush incomodasse setores que tradicionalmente apóiam os republicanos, como os produtores de algodão, açúcar e produtos têxteis. Para Aldonas, é irreal pensar que haverá avanços na negociação comercial global. "Doha está morta", avaliou.
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OCDE sugere reformas estruturais na zona do euro
Estudo aponta que retomada econômica ainda é frágil
Da agência France Presse
Apesar de a retomada econômica estar confirmada na zona euro, ela ainda é frágil e, portanto, existe a necessidade de reformas estruturais para manter o embalo, afirmou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) em um estudo publicado nesta quinta-feira. Segundo a OCDE, que reúne os 30 países mais desenvolvidos do planeta, "após várias tentativas frustradas, a retomada econômica está confirmada", com uma taxa de crescimento de cerca de 2,25% por ano prevista para 2007 e 2008". Estes dados confirmam as previsões publicas em 28 de novembro no relatório de expectativas de outono (Hemisfério Norte) da organização.
No entanto, observa a OCDE, esta retomada ainda é frágil. Por isso, "os problemas de rigidez estrutural têm tendência a frear o crescimento, assim como reduzir a capacidade de absorção da economia em caso de choque. Os problemas econômicos são principalmente estruturais; as soluções estão, portanto, em grande parte nas mãos de cada Estado-membro", afirmam os economistas da OCDE.
Para a OCDE, não há nenhuma dúvida de que a "moeda única será mais vantajosa para todos se as reformas estruturais forem empreendidas com o objetivo de garantir uma maior flexibilidade e uma melhor integração das economias". Estas reformas são a seus olhos "necessárias para atingir o calcanhar de Aquiles da zona: um crescimento potencial frágil".
No capítulo dedicado à política monetária, o estudo absolve o BCE (Banco Central europeu) das acusações dos meios políticos, sobretudo na França, mas recomenda que a entidade a mantenha "sua estratégia de aperfeiçoamento de sua comunicação" para que suas decisões sejam melhor compreendidas.
Segundo a organização, há várias prioridades para as autoridades nacionais e européias, como "reduzir a rigidez do mercado de trabalho" - principalmente aumentando a "flexibilidade dos salários" e favorecendo a mobilidade dos trabalhadores -, "estimular a concorrência, em particular no setor protegido dos serviços, e dar continuidade à integração dos mercados financeiros".
"A retomada gera uma oportunidade excepcional de redirecionar a política orçamentária", considerou a OCDE, mas os Estados-membros não podem desperdiçá-la. Na realidade, adverte a organização, "os projetos de orçamento atuais estão longe de reunir as condições necessárias para garantir a perenidade dos sistemas de proteção social" e os Estados-membros devem "se esforçar muito para equilibrar seu orçamento e quitar suas dívidas".
A aplicação rigorosa do pacto de estabilidade e de crescimento, revisado em 2005, é indispensável. E este novo pacto, que permite levar em conta as circunstâncias excepcionais, "não deve servir de desculpa para diferenciar as adiar as decisões difíceis".
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Opinião - Tecnologia da Informação a serviço da educação superior no Brasil
Armando Terribili Filho
Diretor de projetos da Unisys Brasil
Novos horizontes se abrem para o atendimento da demanda existente em cursos de graduação no país através do uso da tecnologia: Educação a Distância (EAD), que é a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias, com estudantes e professores desenvolvendo atividades em lugares ou tempos diversos.
Há vários cursos de pós-graduação (lato sensu) oferecidos na modalidade de EAD e uma centena de instituições credenciadas para ministrar cursos de graduação a distância. De acordo com o censo do Inep de 2005, há 189 cursos de graduação utilizando EAD com 114.642 matrículas, representando 2,5% do total de matrículas nos cursos de graduação no país. Pela legislação, as avaliações, o uso de laboratórios, estágios e defesas de trabalhos de conclusão de cursos devem ser presenciais. Há também, muitos cursos de graduação semi-presenciais, através dos quais os alunos têm 20% da carga horária desenvolvida através de EAD.
As vantagens da EAD são inúmeras, tanto que muitas empresas utilizam esta modalidade (e-learning) para realizar treinamento de seus funcionários, permitindo agilidade no processo de capacitação profissional e redução de custos, pois não há necessidade de locomoção de instrutores e treinandos. Os funcionários podem realizar seus cursos, de acordo com sua velocidade de aprendizagem ou em função de sua disponibilidade.
Ainda há obstáculos a serem superados na EAD, a começar pelas políticas públicas que devem impedir a expansão quantitativa e descontrolada de cursos, eliminando qualquer possibilidade de transformação desta modalidade de ensino em business, impedindo que organizações com pouco ou nenhum compromisso com a qualidade da educação no país atuem neste segmento.
A EAD traz para o aluno inúmeras vantagens em seu dia-a-dia. Os custos e as dificuldades de transportes e o tempo despendido na locomoção até a instituição de ensino são praticamente eliminados. Para os estudantes do período noturno, em geral estudantes-trabalhadores, há também a redução nos riscos associados à segurança pessoal.
Há outra dimensão para ser analisada: a sala de aula, pois é o espaço para a interação entre professor-aluno, aluno-aluno, discussões de novas situações propostas e troca de experiências. A vivência em outras áreas físicas da instituição, como: bibliotecas, espaços de convivência, laboratórios e outros, não pode ser negligenciada. Os conteúdos e o sistema de avaliação são outros elementos fundamentais. Os materiais de aula, exercícios, testes e de estímulo à realização de pesquisas devem ser criteriosamente desenvolvidos por professores especializados e com sólida experiência na prática pedagógica, com o apoio de profissionais da área de tecnologia da informação. Estes materiais podem ser contextualizados de acordo com aspectos locais, além de facilitar a integração entre as diversas disciplinas do curso.
O sistema de avaliação deve ser contínuo e intensamente discutido com professores e elaboradores de políticas públicas. Infelizmente, quando se fala em avaliação, pensa-se quase que exclusivamente na realização de provas e exames com o intuito de se realizar a medição do aprendizado do estudante, a fim de promovê-lo ou não para o nível seguinte. A avaliação deve também servir para os professores como feedback de aprendizado, permitindo identificar as principais dificuldades dos alunos, subsidiando melhorias nos aspectos didáticos do professor e na estratégia de desenvolvimento de conteúdos.
As ferramentas tecnológicas que surgem a cada dia têm muito a contribuir com a educação superior no país, com a qualidade de materiais e ferramentas para cursos de EAD (chats, jogos, simuladores, comunicadores instantâneos, e-mail, bibliotecas virtuais), porém, sempre deverá existir uma porção presencial nos cursos, pois é só através da interação e do convívio social é que se tem a efetiva troca de informações, experiências, vivências e sentimentos, e, de estímulo à pesquisa e à evolução do conhecimento humano. De acordo a Unesco (Relatório Delors), os quatro pilares da educação são: fazer com que o aluno aprenda a conhecer, aprenda a fazer, aprenda a conviver e aprenda a ser. Uma questão que se lança para a reflexão é se a EAD consegue endereçar estes quatro itens de forma ampla e realista.
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(Debêntures) Bancos de investimentos reagem ao avanço externo - 1º caderno
Cristiane Perini Lucchesi
Após os aportes de capital bilionários dos bancos de investimento estrangeiros no país, os nacionais vão contra-atacar. Itaú BBA, Unibanco, Bradesco, Safra e Banco do Brasil investem pesado em planos de expansão. Planejam contratar um exército de analistas, pessoal da área de vendas, relacionamento com os clientes, negócios, estruturação e originação de operações de mercado de capitais e fusões e aquisições. Vão também investir em marketing para reforçar a imagem de agilidade do banco de investimento, reduzindo a associação de sua marca apenas com banco de varejo ou de crédito.
"Há um trem passando agora e ou você entra ou perde a oportunidade para sempre", diz Jean-Marc Etlin, vice-presidente responsável pelo banco de investimento do Itaú BBA, hoje o líder entre os nacionais. Grandes gestores de recursos, as maiores instituições nacionais têm mantido a liderança no mercado de renda fixa - debêntures, notas promissórias e fundos de investimento em direito creditório (FIDCs). Mas, nas debêntures, o bolo de comissões pagas aos bancos de investimento caiu cerca de 15% em 2006 em relação a 2005, apesar do crescimento de emissões.
O grande filão é o mercado de renda variável, que teve um crescimento de 150% no bolo total de comissões que pararam nas mãos dos bancos de investimento em 2006. Mas, nesse mercado, a liderança é dos estrangeiros. Para 2007, os nacionais poderão ganhar espaço devido ao seu relacionamento comercial com as pequenas e médias empresas brasileiras, que serão as principais a realizar emissão iniciais de ações daqui para frente. Com a queda nos juros básicos, os investidores locais deverão ter uma participação maior em renda variável e a rede de distribuidores dos bancos locais também será mais útil.
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(Debêntures) Brasileiros partem para o ataque
Cristiane Perini Lucchesi
Após os fortes aportes de capital dos bancos de investimento estrangeiros no país -que culminaram com a compra do Pactual pelo UBS por até US$ 2,5 bilhão e de 50% da Hedging-Griffo pelo Credit Suisse por US$ 294 milhões -, os bancos nacionais vão contra-atacar.
Itaú BBA, Unibanco, Bradesco, Safra e Banco do Brasil investem pesado em planos de expansão. Planejam contratar um exército de analistas, pessoal da área de vendas, relacionamento com os clientes, negócios, estruturação e originação de operações de mercado de capitais e fusões e aquisições. Vão também investir em marketing para reforçar uma imagem de ágil banco de investimento, reduzindo a associação da sua marca apenas com banco de varejo ou de crédito no atacado.
"Há um trem passando agora e ou você entra ou perde a oportunidade para sempre", diz Jean-Marc Etlin, vice-presidente responsável pelo banco de investimento do Itaú BBA, hoje o líder entre os nacionais. Grandes gestores de recursos, os maiores nacionais têm mantido a liderança no mercado de renda fixa - debêntures, notas promissórias e fundos de investimento em direito creditório (FIDCs). Mas, nas debêntures, o bolo de comissões pagas aos bancos de investimento caiu cerca de 15% em 2006 em relação a 2005, apesar do crescimento de emissões.
O grande filão é o mercado de renda variável, que teve crescimento de 150% no bolo total de comissões aos bancos de investimento em 2006. Mas, nesse mercado, a liderança é do Credit Suisse e do UBS Pactual. Para 2007, as empresas pequenas e médias serão as principais a realizarem emissões iniciais de ações (IPOs). "Os nacionais têm como vantagem um relacionamento comercial com todas as companhias do Brasil, inclusive as pequenas e médias", diz Bruno Padilha, diretor-executivo responsável pelo banco de investimento do Unibanco.
Tradicionais bancos de crédito, os nacionais percebem um processo da desintermediação financeira em curso, com mais empresas procurando recursos fora dos bancos. "Teremos um crescimento rápido e acelerado do mercado de capitais, com mais investidores dispostos a comprar ações", diz Etlin. Com a queda nos juros, esses investidores serão justamente as pessoas físicas nacionais, principalmente as mais ricas, dos fundos de private bank, cujos recursos são administrados principalmente pelos bancos nacionais. Hoje, no mercado secundário, um terço das ações já é adquirido pelo varejo local e outro terço, pelo investidor institucional nacional. Mas, nos IPOs, os estrangeiros compram 70%.
"Os investidores locais vão ter uma participação maior no mercado de IPOs e a rede de distribuidores que os bancos locais tem será mais efetiva", diz Francisco Cláudio Duda, diretor de mercado de capitais e investimentos do Banco do Brasil, com R$ 180 bilhões sob administração. "Somos duas vezes uma Hedging-Griffo", brinca. A própria emissão de ações enriquece os acionistas das empresas e amplia o mercado de private bank, comenta Duda.
Etlan lembra que a estabilidade econômica, no câmbio e a inflação em baixa têm mudado o perfil do país. "Esses fatores vão permitir que o Brasil chegue à terra do grau de investimento e, se você acredita nisso, está acreditando também em mudanças brutais no mercado de capitais brasileiro", diz. Com tantos recursos disponíveis às empresas, o mercado de fusões e aquisições também bate todos os recordes, com US$ 300 milhões em comissões aos bancos previstas para 2006.
Para "consolidar a liderança entre os nacionais já conquistada", o Itaú BBA pretende ampliar em 20% sua equipe de 22 pessoas, que não inclui os 11 analistas, 24 responsáveis pelas vendas de ativos e a corretora, sob o controle do Banco Itaú, com 160 funcionários. Após adquirir as atividades do BankBoston, o grupo ganhou força no private bank. Tem hoje R$ 149 bilhões sob administração.
O Itaú BBA fortaleceu seu banco de investimento antes e por isso está bem posicionado: há dois anos, tirou Etlan e equipe do UBS. O grupo também investiu em internacionalização, com corretora em Hong Kong, Londres e Nova York. Por isso, conseguiu participar do mercado de IPOs com destaque, apesar da participação majoritária do investidor externo até agora.
Em 2006, até novembro, o Itaú BBA o foi líder no mercado de renda fixa, nos rankings de debêntures, notas promissórias e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Ficou em terceiro lugar, no entanto, em renda variável, atrás do Credit Suisse e UBS Pactual.
O Bradesco, apesar da segunda ou terceira colocação nos rankings de renda fixa em 2006, não figura entre os 14 primeiros nos rankings de renda variável. Mas, a meta de José Luiz Acar Pedro, responsável pelo Bradesco Banco de Investimento (BBI), é atingir a liderança em três anos. "Vamos trazer uma verdadeira brigada para nosso banco de investimento", afirma Acar. Serão cerca de 50 novas pessoas, para totalizar 70, sem contar a corretora no Brasil, que possui cerca de 120 funcionários.
A primeira contratação de peso do Bradesco já foi anunciada em meados de 2006: Bernardo Parnes, ex-presidente da Merrill Lynch no Brasil e ex-gestor de recursos dos acionistas do Safra. Parnes foi o primeiro executivo da história do banco que não veio dos quadros do próprio Bradesco ou de instituição adquirida. Ele cuida da área de mercado de capitais, da corretora em Nova York e de uma tesouraria, que atuará em conjunto com a do Bradesco.
Depois da quebra de paradigma, o banco não descarta trazer mais executivos de fora. "Quando precisarmos, iremos ao mercado certamente", diz Acar. Só de analistas, o banco vai recrutar de 12 a 14 pessoas. "Queremos dar suporte aos investidores estrangeiros e pessoas físicas e jurídicas nacionais que querem investir em ações", afirma ele. A idéia é cobrir setores ainda pouco explorados, conta. Na corretora em Nova York, serão mais 4 a 5 pessoas contratadas neste ano.
Um tesoureiro especial para o BBI também será escolhido em breve, assim como 3 ou 4 pessoas para originação e estruturação de operações. Em administração de recursos de terceiros, o Bradesco tem R$ 140 bilhões e é um dos líderes, mas também quer ampliar sua participação. "Este ano será forte, mas estamos apostando no país com uma visão de longo prazo", diz. O BBI pretende explorar ainda mais as parcerias com os sócios do Bradesco - o BBVA, o Banco Espírito Santo e o Tóquio Mitsubishi. "Eles tem o investidor e nós temos o conhecimento do mercado local e das empresas brasileiras como ninguém", diz Acar.
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Equipes vão crescer em ritmo acelerado
De São Paulo
O crescimento no total de funcionários dos bancos de investimento dos grandes grupos nacionais deverá acontecer em ritmo acelerado. O Unibanco pretende contratar 30 pessoas, de um total de 100 hoje dedicadas ao banco de investimento, informa Bruno Padilha, diretor-executivo responsável. Só de analistas, serão oito novos funcionários. O objetivo é reforçar a corretora de Nova York e no Brasil, além da equipe de fusões e aquisições e estruturação e assessoria na emissão de ações. "Neste momento, já temos dez operações de IPOs em preparação", afirma ele. Padilha prevê que o total de IPOs para 2007 ultrapasse os 40, em relação aos mais de 30 do ano passado.
Nos rankings da Anbid, até novembro, o Unibanco tem a 6ª posição em originação e a 7ª em distribuição no mercado de renda variável. Entre os nacionais, está atrás apenas do Banco do Brasil e do Itaú BBA. O BB, por sinal, é o segundo colocado entra os nacionais em renda variável e renda fixa e chegou a figurar como líder em renda fixa em alguns meses.
Como o Itaú BBA, o BB está colhendo hoje os frutos de investimentos feitos nos anos anteriores. "Nossa postura não é de reação aos estrangeiros, mas sim de construção de uma plataforma de relacionamento com os clientes", afirma Francisco Cláudio Duda, diretor de mercado de capitais e investimentos do Banco do Brasil. Segundo ele, o banco já prenunciava o crescimento do mercado de capitais brasileiro e seu amadurecimento e por isso investiu no seu banco de investimento.
Desde 2005, o BB reforçou equipes e remanejou pessoas, diz Luiz Henrique Mascarenhas, gerente-executivo de mercado de capitais. Hoje, com 100 funcionários, o banco de investimento do BB tem 16 analistas cobrindo 60 empresas. A idéia é que a cobertura chegue a 120 empresas, informa Mascarenhas. "Há falta de analistas no mercado e os bancos privados não conseguem repor sua equipe de pesquisa", comenta. "Há muita disputa por mão-de-obra e troca de cadeiras, mas, conosco, isso não acontece", diz.
A estratégia do BB é investir na formação da equipe de analistas, muitos dos quais foram remanejados da área de crédito. Desde 2005, foram recrutados seis. Ainda em 2005, o banco ampliou seu processo de internacionalização. Além de sua forte presença em Londres, com a BB Securities, o banco abriu uma corretora em Nova York.
O Safra, por enquanto, não figura entre os 15 primeiros nos rankings da Anbid, mas quer crescer sua participação e se posicionar entre os dez maiores o mais rápido possível, diz João César Tourinho. O executivo voltou ao Safra, depois de atuar como diretor da Black River Brasil, para cuidar da tesouraria e ampliar o banco de investimento. Segundo ele, o Safra planeja crescer a área em cerca de 35% em três anos. "Vamos atuar suportados por nossa força de distribuição no Brasil e no exterior", afirma Tourinho. O foco específico do banco será o nicho de médias empresas, revela o executivo. (CPL)
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(Debêntures) Celesc terá novo comando e vai ampliar atuação
Vanessa Jurgenfeld
A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) entra 2007 com uma grande mudança na sua estrutura. Para o segundo mandato do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), a empresa estatal terá novo presidente, novos nomes na sua diretoria e vai ampliar as áreas de atividades, passando também a atuar na área de gás, depois da compra do controle da SCGás.
O novo presidente, Eduardo Pinho Moreira (ligado ao PMDB), assume a empresa nos próximos dias, substituindo Miguel Ximenes (também do PMDB), que havia assumido a Celesc há cerca de um ano. Moreira, que é médico de formação, já presidiu a empresa em 1997 e conhece o segmento. Como deputado federal, foi titular da Comissão de Minas e Energia entre 1989 e 1991 e presidente da comissão em 1992. Eleito vice-governador em 2002, presidiu o grupo executivo de energia de Santa Catarina. No último ano, Moreira ocupou o cargo de governador, enquanto Silveira se dedicava à reeleição.
Com o novo presidente, outros diretores tomarão posse. Marcelo Gasparini, amigo de Moreira, entra no lugar de Otávio Acácio de Rosa, na diretoria jurídica. A diretoria financeira deixará de ser comandada por Gerson Berti, que será substituído por Arnaldo de Souza, indicação do presidente da Assembléia Legislativa, Júlio Garcia, do PFL, partido que juntamente com o PSDB integrou a aliança de Silveira para as eleições.
De acordo com Berti, que deve voltar a atuar na Secretaria da Fazenda, o desafio para os novos nomes que assumem a empresa em 2007 será torná-la mais competitiva. A estatal vem perdendo grandes clientes industriais para o mercado de energia livre. "A concorrência no mercado livre vai se intensificar e a Celesc precisa estar inserida neste contexto", diz.
A nova equipe da Celesc chega em um momento delicado no mercado financeiro. Embora nos últimos anos a empresa tenha ampliado seu relacionamento com os investidores, as ações começaram a cair desde que circularam informações de que a empresa incorporaria a SCGás, empresa estatal, que atua no setor de gás, e que tem entre seus sócios as empresas Gaspetro, Mitsui e Infragás.
Nos últimos dias, os papéis da empresa oscilaram bastante, com quedas bruscas, de até 6%, se comparada, por exemplo, a cotação do dia 23 de novembro, de R$ 34,8, com a de 1º de dezembro, a R$ 32,5. Os analistas temem os riscos do setor de gás, especialmente pelo fato de a SCGás atuar só com gás boliviano.
A Celesc adquiriu 51% das ações ordinárias do governo na SCGás, e 17% das preferenciais, assumindo o controle. Até agora, foram pagos 20% do valor acertado, de R$ 93 milhões, e os demais serão pagos em fevereiro, após emissão de até R$ 100 milhões em debêntures. Ao vender para a Celesc, uma companhia também de controle estatal, o governador não fez valer o direito de preferência de compra dos demais acionistas. Segundo Berti, o governo estadual usou uma exceção prevista no acordo de acionistas.
Como o governo tinha pressa para usar os recursos da venda para fechar seu balanço, desistiu da incorporação ou de uma possível operação da troca de ações que chegou a ser comentada em novembro, o que poderia levar à privatização da SCGás. Há comentários, no entanto, de que a intenção do governo, dentro de alguns meses, é vender as ações ordinárias que a Celesc agora detém na SCGás.
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Aos poucos, Rural recupera depósitos e linhas externas
Raquel Balarin
Pouco mais de um ano depois da transação, o Banco Central acaba de homologar a aquisição e incorporação, pelo Banco Rural, da RS Financeira. Em dezembro de 2005, o Rural, que já tinha 51% de participação na RS, incorporou-a depois de a financeira ter resgatado 49% de suas ações que estavam em poder de minoritários.
A homologação, já prevista, era uma das últimas etapas do difícil processo de reestruturação do Rural, que foi abatido primeiro pela quebra do Banco Santos e, em 2005, pelo envolvimento no escândalo político do mensalão. Os dois episódios levaram a uma grave perda de depósitos.
Com o apoio de um grupo de quatro notáveis, entre eles o ex-presidente do BC Gustavo Loyola e o ex-presidente do Banco do Brasil Paolo Zaghen, a holding que controla o Rural redefiniu o foco do banco, fechou agências e reduziu o patrimônio. Os cortes "na carne", como define um de seus dirigentes, ocorreram entre o fim de 2005 e o primeiro semestre de 2006. No segundo semestre do ano passado, especialmente entre bancos estrangeiros, e trazer de volta os depósitos. O balanço voltou ao azul, após um prejuízo superior a R$ 200 milhões em 2005. Para 2007, o foco será voltar a crescer.
O empréstimo consignado (com desconto em folha de pagamento) é hoje o carro-chefe do Rural. Para atuar nesse segmento, o banco decidiu tirar de cena o nome da RS Financeira e adotou uma nova placa, a do Banco Simples. Em dezembro, o volume de novos consignados foi de R$ 30 milhões e a meta é fechar 2007 com média mensal de R$ 40 milhões.
Os empréstimos consignados são usados como lastro de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) adquiridos por bancos estrangeiros como o Credit Suisse, o JP Morgan e o Mellon. No total, são quatro fundos, cada um de R$ 100 milhões (cota sênior). Esses fundos são responsáveis por 100% dos recursos usados pelo Rural para conceder os empréstimos.
Dirigentes acreditam que o fato de o Rural ter se especializado em alguns nicho